– Foi o tempo que tu dedicaste à tua rosa que fez com que ela seja tão importante.
– Foi o tempo que eu dediquei à minha rosa… – repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
In Principezinho, Antoine de Saint-Exupéry
O Despertar dos sentidos
A estimulação sensorial promove o desenvolvimento do cérebro. À nascença o tato parece ser o sentido mais desenvolvido e aquele que amadurece mais depressa. Contrariamente, a visão parece ser o sentido menos desenvolvido do recém-nascido. Contudo, nos primeiros meses de vida assiste-se a um rápido desenvolvimento da competência visual do bebé, que rapidamente demonstra capacidade para seguir um objeto em movimento com o olhar, bem como para discriminar as cores.
Veja aqui mais brincadeiras sensoriais dos 0 aos 5 anos.
Os sentidos são, portanto, fonte de informação sobre o mundo, fonte de conhecimento sobre o próprio e os outros, fonte de aprendizagem e descoberta.
Para começar a gatinhar ou andar, uma criança não precisa de ser ensinada. Ela anseia por espaço e oportunidades estimulantes que lhe permitam experimentar, tentar, descobrir. O sucesso conduzirá à autoconfiança e esta impulsionará novos processos de descoberta.
O desenvolvimento da rede neuronal necessária às aprendizagens futuras ocorre comprovadamente com maior facilidade nos primeiros anos de vida. Assim, é neste período privilegiado que o terreno da aprendizagem está mais fértil e mais recetivo para ser semeado e carinhosamente regado. As flores deste jardim: ganhos motores, cognitivos, sociais e emocionais. Chaves mestras das portas do futuro. Os jardineiros destes jardins? Mães, pais e todos os outros adultos que são significativos na vida do bebé.
É por tudo isto que o contexto envolvente de um bebé ou criança deve, tanto quanto possível, ser apelativo, interessante e encorajador uma vez que o potencial de desenvolvimento do ser humano é fortemente influenciado e moldado pelo ambiente envolvente.
Enquanto o vento sopra e o Outono vai chegando, o Gymboree deixa-lhe algumas gotas de inspiração para regar todos os sentidos das “suas flores”, enquanto estão em casa…
Um fio de lã que aquece o coração no Outono…
Acorde o seu Principezinho oferecendo-lhe uma brincadeira divertida para começar o dia. Dê-lhe a ponta de um novelo de lã (que previamente desenrolou passando por diferentes zonas da casa) e explique a sua missão: seguir o novelo de lã, enrolando-o, e descobrir o tesouro! O novelo oferecerá um desafio à motricidade fina, enquanto a criança o vai recolhendo. O novelo proporcionará um desafio motor, pois a criança poderá ter de ultrapassar obstáculos, como passar por baixo de uma mesa, subir ao sofá, passar entre dois vasos. O novelo ajudará a criança a desenvolver a linguagem, pois poderão conversar sobre as várias divisões da casa, nomeadamente o nome do mobiliário ou objetos existentes e sobre tarefas lá realizadas. A criança irá sentir-se curiosa e a curiosidade é essencial à motivação para a aprendizagem! O tesouro? A roupa a vestir naquele dia, um pequeno-almoço especial, um livro… O que lhe sugere a sua imaginação?
Histórias e historietas
Semeie o imaginário do seu Principezinho com histórias e historietas. A ideia de contar uma história a um bebé, que não consegue compreender
plenamente aquilo que lhe está ser dito, parece-lhe desajustada? No Gymboree todos acreditam que nunca é cedo de mais para começar a ler ou
contar histórias. Os bebés adoram percepcionar variações no tom, no volume e na velocidade do discurso que escutam. Observam, atenta e
curiosamente, cada expressão facial que os adultos fazem enquanto falam com eles. Quando crescem adoram repetir com entusiasmo o que ouvem e
comentar o que se passa na história que escutam.
Com a chegada do Outono aproveite para espreitar estes livros para estimular a linguagem e a criatividade do seu Principezinho.
Esta é uma sugestão de livro inspirado na pedagogia Montessori:
Finjam ser uma Sinfonia!
Selecione alguns dos instrumentos que tem em casa e experimentem tocá-los, acompanhando as vossas músicas preferidas. Caso não tenha em casa instrumentos musicais, ouçam a música e converse com o seu filho sobre os diferentes instrumentos que estão a ouvir. Modele como poderão fingir tocar esses instrumentos. Em seguida, ponha de novo a música a tocar e “no ar” toquem os diferentes instrumentos que ouvem.
Aproveite os encontros familiares para alargar a brincadeira a todas as crianças da família.
Esta atividade estimula o desenvolvimento cognitivo, dando à criança a possibilidade de aprender um pouco mais sobre alguns instrumentos musicais, através da escuta ativa e da imitação.
Experimentem ainda adicionar o som de alguns elementos outonais, como folhas secas, pinhas, castanhas, paus. Utilizem esses elementos para construir novos instrumentos musicais e descobrir os sons que conseguem produzir.
Quem vivia na Quinta?
Em casa reúnam diferentes protótipos de animais e imitem os sons de cada um deles. Depois cantem a música “O tio Manel tinha uma quinta” dando vida a cada um dos animais protagonistas dos diferentes versos. Esta canção contém todos os ingredientes para entrar na lista de favoritos do Principezinho: um padrão que se repete (I-A-I-A-O) e animais que falam!
Poças de água em casa!
Saltar de galochas nos pés em cima das poças de água que se formam num dia de chuva pode ser muito divertido…
E que tal levar as poças de água até casa? Recorte de forma irregular algumas folhas de papel e, para tornar a brincadeira mais realista, desenhe nelas alguns salpicos de água. Depois, cole com fita-cola as folhas no chão, numa zona ampla da casa onde a criança possa saltar em segurança. Galochas, casaco
e gorro… Equipem-se, simbolicamente ou verdadeiramente, para um divertido dia de chuva! Depois, ao som de música animada saltem de poça em poça. SPLASH!
Quadro Familiar com cores de Outono
Material: tinta lavável (cores quentes de outono), água, prato, pincel, folha de papel branca, cartolina colorida, cola
Artistas: mãe, pai, filhos (e porque não, o cão ou gato da família?)
A primeira tarefa será diluir a tinta com a água, misturando com o pincel. Esta é uma atividade na qual as crianças a partir do ano e meio adoram ajudar. Depois, e para servir de modelo à criança, introduza a sua mão na tinta e coloque-a depois no papel em branco. O prato passará por todos e na folha branca surgirá a impressão das mãos de todos. Para que cada quadro seja realmente único poderão surgir variações: usar uma cor ou várias cores misturadas, poderão optar pelas cores de Outono, as mãos surgirem aleatoriamente na folha ou ordenadas segundo o tamanho ou, em vez de mãos, poderão usar os pés como molde. Depois de seca, a obra de arte poderá ser colada e enquadrada numa cartolina colorida.
Família e amigos irão adorar receber estes originais quadros feitos em família.
Receita de Outono do Principezinho
Material: prato de papel, cola, diferentes materiais naturais (folhas, sementes, flores, pequenos ramos…)
Artistas: mãe, pai, filhos
Em conjunto criem um quadro da natureza, colando diferentes elementos naturais (que podem recolher em conjunto num passeio pelo campo) no prato de papel. Em seguida elejam o prato preferido da criança ou da família e escreva numa folha de papel a referida receita, que depois colarão no verso do prato.
Família e amigos irão ficar satisfeitos por descobrir o prato culinário preferido da família.
Em qualquer uma das sugestões, será benéfico que sejam as crianças o foco do processo artístico. Oiça as suas opiniões, respeite as suas escolhas, elogie as suas conquistas. E, acima de tudo, divirtam-se na partilha das criações artísticas.
Cada dia que nasce é uma oportunidade para descobrir atividades que o seu Principezinho gosta de realizar e com as quais estará a crescer.
Contamos poder ser uma fonte de ideias. Amplifique as ideias, siga o interesse da criança e criem, em conjunto, as vossas próprias aventuras do desenvolvimento.
O regresso às aulas acarreta mudanças e novas adaptações, tanto para pais como para filhos.
Ainda assim, a transição das férias para o início das aulas e o regresso ao trabalho podem ser vividos com mais tranquilidade e otimismo.
O segredo é facilitar o regresso à rotina de forma progressiva e tranquila para que o corpo e a mente se habituem ao novo ritmo.
3 Princípios para um regresso feliz
Apoie-se nestes 3 princípios para todos se sentirem mais confiantes e felizes, com menos stress, nesta nova etapa:
1. Planeie e Organize
– planear refeições da semana
ter um menu semanal afixado na cozinha;
cozinhar ao fim-de-semana e congelar os jantares para ter mais tempo ao fim do dia para as crianças;
deixar as lancheiras preparadas na véspera.
– organizar tarefas e roupas
ter um quadro de tarefas para cada um, afixado num local visível: por exemplo, acordar/ ir à casa de banho/vestir/tomar pequeno almoço/lavar boca e dentes/vestir casaco/ mochila às costas e sair. Para os mais pequenos usar imagens que ajudem a criança a visualizar a sequência de tarefas, e sugerir que façam um “certo” a cada tarefa completada. Sugestão de imagens aqui;
ter as roupas escolhidas de véspera e em local acessível para as crianças que já se vestem sozinhas. Pode até já estar escolhida a roupa para a semana em organizadores de roupa (5 cuecas/ 5 meias/ 5 t-shirts/ 5 calções).
2. Entre no ritmo aos poucos
– uma semana antes do regresso à rotina tentar implementar os novos horários de deitar e acordar, tanto para os adultos como para as crianças.
– para as crianças em idade escolar pode fazer fichas de exercícios por +- 15 minutos diários. Reforçar a ideia de que se estão a preparar aos poucos para as aulas e que assim o recomeço será mais fácil. Ajudar a criança e acompanhá-la nessa tarefa, para que se sinta mais motivada e para encarar o regresso às aulas com entusiasmo.
– concretizar últimos desejos de férias antes do regresso às aulas, por exemplo, ir comer o gelado preferido ou ficar na praia até ver o pôr do sol, entre tantos outros…
– fazer uma lista de desejos para concretizar nos próximos meses, mantendo presente no horizonte a vontade de fazer coisas novas e diferentes, prolongando assim no tempo a leveza e sabor das férias.
3. Crie Confiança
– visitar, se possível, a escola nova com a criança e conhecer a professora.
– envolver a criança na escolha da mochila e material escolar, incentivando escolhas conscientes, como aproveitar material do ano anterior;
– arrumar todo o material necessário com a criança, pedindo a sua ajuda para tarefas simples que consiga fazer sozinha. Por exemplo, pintar o saco de pano onde leva os lençóis e muda de roupa ou pedir-lhe que coloque as etiquetas na roupa e no material escolar.
– falar positivamente sobre a entrada na escola.
– ler um livro que fale sobre a entrada na escola nova. Para a creche e jardim de infância sugerimos estes:
– controlar as emoções: não demonstrar ambivalência mas sim segurança nas suas atitudes. Pode desabafar com uma amiga ou outra mãe as suas inseguranças e fragilidades, mas tente não passar isso para o seu filho.
– ser consistente nas palavras e ações. Podem combinar dar beijinhos e abraços de despedida antes de entrar na escola. Na chegada à escola vão dizer “bom dia” à educadora, dar beijinho e até logo! Uma despedida curta é o mais benéfico para a adaptação da criança. Dia após dia, mantendo essa mesma estratégia, a adaptação evolui positivamente. Veja mais dicas para uma boa adaptação aqui.
Sabemos o quanto pode custar à criança a entrada numa escola nova.
Ainda assim também acreditamos que a escola que escolheu saberá acolher e cuidar do seu filho da melhor forma. É fundamental que os pais confiem e transmitam essa confiança aos seus filhos.
E mantenham o contacto permanente e aberto com a educadora e com a escola.
Acredite que os braços e o colo da educadora são um prolongamento dos seus.
Setembro, o mês do regresso às aulas. Para alguns é mesmo um novo início, uma nova fase com muitas dúvidas, incertezas e expectativas. Na idade pré-escolar (3 aos 5 anos) são muitas as crianças que entram pela primeira vez na escola, uma nova escola.
Nesse sentido, propomos estas sugestões aos pais, que podem facilitar a transição para essa nova realidade, a nova escola!
Para as crianças que não estão acostumadas a ficar sem os pais, a adaptação à nova rotina pode demorar cerca de 3 a 4 semanas.
Dicas para uma boa adaptação
1 – Tente chegar com tranquilidade e sem pressas de ir embora para que possa deixar o seu filho com calma, pois as suas emoções à flor da pele influenciarão o humor do seu filho. O chegar a horas também ajuda a criança a integrar com maior facilidade a rotina da escola, em geral, e da sala e da educadora em particular.
2 – Converse com a criança sobre o que esperar da escola e demonstre entusiasmo e curiosidade pela mesma, assegurando sempre que vão voltar. “João, hoje é dia de escola! Vais divertir-te muito com os teus amigos! Logo venho buscar-te e vou gostar de ouvir tudo o que fizeste!”
3 – Deixe que a criança expresse os seus sentimentos, reconheça-os e valide-os perante a criança. “Como te sentes quando vais para a escola? Eu sei que te podes sentir um pouco ansioso ou nervoso ao fazer uma coisa nova, mas estás acompanhado. Tens a professora e os outros meninos. Volto mais logo, porque mal posso esperar para ver o que fizeste!! Gosto muito de ti e quero ouvir tudo! ”
4 – Elogie a criança quando a vai buscar, mesmo que esta só tenha ficado algumas horas sozinha. “Muito bem! Estiveste na escola com a professora e os amigos! Como correu?” Isto irá incentivar a criança a continuar a ficar na escola sem os pais e a construir a sua confiança e realização.
5– No momento da separação não desapareça, simplesmente. Despeça-se com um “até logo”, um abraço e um beijinho, tentando sair de uma forma calma mas rápida. Prolongar a separação ficando mais um pouco não ajuda a conquistar o objetivo da separação. Vai ver que não tarda nada a criança correrá para a escola!
6- Mantenha o contacto com a educadora/professora, tomando conhecimento de como está a evoluir a adaptação da criança durante o dia e partilhe as suas inquietações e dúvidas para que em conjunto possam contribuir para uma adaptação feliz da criança.
Um bom início de ano lectivo para todas as crianças e suas famílias e para toda a comunidade educativa.
É assegurar que se leva o essencial com uma arrumação prática e fácil para depois os miúdos encontrarem as suas roupas. E também com a roupa bem acondicionada para otimizar o espaço da mala do carro!
Vamos então por partes:
Fazer uma lista com o material a levar (mais à frente mostro uma lista)
Envolver a criança na arrumação da mala/mochila. A criança pode ir ajudando a dar baixa das coisas que vão sendo arrumadas, assim como a ir buscar as quantidades de roupa que o adulto lhe vai pedindo (a criança que já sabe ler vai gostar de ter a sua própria lista e fazer a mala sozinha – claro que depois com a ajuda do adulto podem confirmar, juntos, que não falta nada.
Arrumar as peças de roupa por categorias em sacos diferenciados e identificados (com desenho para os que não sabem ler): um saco para meias e cuecas, outro para as t-shirts… Assim, na hora de vestir é mais fácil a criança encontrar a sua roupa. (esta dica é muito válida para férias de campismo com crianças).
Com várias crianças, pode ajudar partilharem 2 a 2 uma mochila grande, tipo campismo, ou um saco de desporto grande [optamos por sacos maleáveis ao invés de malas rígidas porque permitem uma melhor arrumação na bagageira de teto do carro e na própria mala do carro] onde cada um leva as suas roupas dentro de sacos de pano diferentes. Assim quando chegam ao local de férias, cada um tira o seu saco de pano e se for capaz de o fazer sozinho (eu diria que com 4 anos vai ser capaz) pode arrumar cada coisa no respetivo lugar que o adulto indicar.
Se precisar levar lençóis e toalhas de banho ou praia, sugiro levar tudo num mesmo saco e se for de vácuo tanto melhor, pois reduz o volume de espaço ocupado. Só tem que garantir que depois tem um aspirador para voltar a fechar o saco em vácuo no fim das férias.
Os sapatos podem ir num saco dentro da mochila/mala de cada um ou podem juntar os sapatos de todos num saco grande. Pode levar os sapatos mais volumosos já calçados.
Cada criança leva uma mochila pequena com a sua toalha de praia, chapéu, garrafa de água, livros, peluche, brinquedos (terão que escolher de acordo com o espaço disponível na mochila de cada um. O que também leva a pedir algum espaço emprestado na mochila de um irmão:)). Até mesmo nestas tarefas se estimulam competências importantes para o desenvolvimento da criança, nomeadamente a cooperação.
Um saco térmico ou geleira para levar comida congelada que tenha no congelador e possa aproveitar para cozinhar algumas refeições nas férias. Por exemplo, se tiver sopa pronta pode ser logo uma ajuda para no dia da chegada não estar preocupada com isso. Ou ter alguma carne assada ou frango desfiado que vai poder usar nas primeiras refeições. Para quem habitualmente faz as suas refeições em casa, uma dica é fazer ao jantar comida suficiente para o almoço do dia seguinte.
Levar alguns mantimentos (arroz, massa, feijão, atum, cereais de pequeno almoço, leite, iogurtes) para o primeiro/segundo dia e depois então ir fazer as compras necessárias no local. Optamos por levar também logo alguma fruta e bolachas que são uteis para a viagem e também para se levar para a praia.
O que levar na mala?
Vamos então à lista das roupas para a mala das crianças. Optei por fazer uma lista individual para uma semana de férias e sabendo que será possível lavar a roupa no local. E trata-se de uma lista para férias de praia e piscina, sendo que a roupa deles é essencialmente para esse efeito e uma ou outra peça extra para alguma ocasião diferente e especial.
pijama: 2 peças (calção e t-shirt), babygrow ou bodys de manga curta depende da idade da criança, da temperatura e da preferência. Aconselho a levar a mais a contar com acidentes noturnos:)
5 cuecas
2 ou 3 pares de meias ( pois andam maioritariamente de chinelos/sandálias)
7 t-shirts (os miúdos sujam-se muito!)
2 calções de algodão ou sarja (para variar do fato de banho :))
4 macacões ou vestidos de praia, no caso das meninas. Ou também podem preferir os calções de algodão e as t-shirts/tops para levar para a praia.
4 calções de banho ou fato de banho
1 ou 2 vestidos “especiais” no caso das meninas
toalha de praia
chinelos, sandálias de borracha ou “crocs”.
1 par de sapatos /ténis
1 calças
1 camisola ou casaco para as noites frias
1 boné ou chapéu
óculos de sol
protetor solar fator 50+
bolsa de higiene (opto por comprar um produto combinado de champô e gel de banho que dê para todos. E uma embalagem grande de creme hidratante para todos também)
fraldas, incluindo as da água
toalhitas
fraldas de pano, incluindo uma de tamanho XL que serve para tapar o sol no carrinho do bebé, para deitar o bebé na praia ou para mudar uma fralda de emergência em local estratégico 🙂
braçadeiras e brinquedos da praia
Preparo à parte:
bolsa farmácia ambulante (ben-u-ron, brufen, termómetro, repelente para insectos, fenistil gel, bepanthene plus, soro fisiológico, compressas, betadine… O que faltar compra-se na farmácia);
documentos de identificação de cada um e cartões de seguro de saúde
Acredito que no regresso ainda vão perceber que levaram roupa a mais:) É sempre assim!
Roupas e arrumações à parte, boas férias!
E quase me esquecia! Em férias com crianças não se esqueça de levar na mala aquela combinação única, original e sempre na moda: a paciência e a boa disposição! 🙂
Epah eu não te vou apresentar, toda a gente te conhece.
Eu deixei uma série tão boa em conta.
Mas eu pah, tenho essa sensação, recebi uma série de telefonemas,
Vais mesmo falar com o Ricardo?
Vou.
E portanto deixei também uma série de links sobre os teus projetos que possivelmente vamos expandir durante este podcast, porque eu duvido que tenha lá colocado todos.
A minha primeira pergunta era um bocadinho, porque é que que escolheste esta marca o arrumadinho como marca pessoal?
Tens um conjunto de blogs muito bem sucedidos debaixo desse chapéu.
Como é que isto surgiu?
Basicamente numa fase o blog arrancou em 2008 e eu na altura era solteiro e tinha a casa dos meus sonhos como eu gosto de ter e idealizo sempre, que é toda arrumada com os dvds por ordem alfabética, as camisas ordenadas por cores, os livros por autores ou por o origem dos autores, portanto eu gosto de ter as coisas efetivamente muito arrumadas.
E foi assim, foi por isso, porque é um traço meu de personalidade, que se vai manifestando sempre que possível e eu gosto muito de viver de forma organizada.
Tem uma justificação que é, eu sou completamente despistado, ou seja, eu sou aquela pessoa que nunca sabe dos óculos, nunca sabe das chaves, ando sempre à procura das coisas, tenho uma coisa na mão vou sair de casa já não a tenho e ando meia hora à procura dela e que ao último minuto.
E a organização é uma forma minha de contrariar isso, ou seja, eu tendo as coisas arrumadas e organizadas, eu sei sempre onde é que estão as coisas, eu crio-me eu obrigo-me a criar rotinas, não é?
Eu quando chega a casa, se tiver um sítio onde eu vou por os óculos e as chaves, eu vou lá pôr os óculos as chaves e não tenho que andar à procura.
E isso poupa-me tempo.
Que para mim a coisa mais valiosa e mais preciosa que eu tenho, epah e que é o tempo.
Eu dou imenso valor ao tempo e odeio perder tempo com coisas.
Portanto para mim o tempo que significa sempre alguma coisa aqui.
E lá está, passar dez minutos à procura de uma chaves, para mim é uma coisa que me corrói, por exemplo eu tenho outro exemplo, eu deixei de ter carro em 2013 essencialmente por duas razões.
Uma razão ambiental e por uma razão de tempo, ou seja, ao contrário do que a maior parte das pessoas pensam, o tempo que eu perdia dentro do carro, no trânsito à procura do lugar é uma coisa que me consumia os nervos.
E eu não quero isso, prefiro usar esse tempo por exemplo para e demorar o mesmo tempo ou até um bocadinho mais numa bicicleta, onde igualmente eu não estou a fazer mais nada, mas estou a privilegiar a minha saúde, estou a fazer exercício, estou a sentir o ar fresco, estou a tirar prazer dessa experiência, não é?
Agora no automóvel não.
E de facto desde que deixei de ter carro, sinto que sou muito mais feliz e sinto que valorizo mais o tempo.
Muito bem.
E consegues manter essa arrumação, agora depois de três filhos e com os teus projetos todos?
Eu não conheço nenhum empreendedor bem organizado, se calhar só tu.
Não é nada fácil, é..
Sobretudo nesta conjuntura, eu acho que temos que discernir aqui dois momentos, não é?
Ou seja, um momento de confinamento com miúdos em casa e em tele escola, é dramática até para a pessoa mais arrumada ou para a pessoa mais organizada.
Eu não sou particularmente organizado, eu gosto muito me rodear de pessoas que me complementam.
Não gosto nada de estar avaliar pessoas parecidas comigo, eu normalmente sou o gajo meio despistado, meio maluco cheio de ideias, cheio de projetos e quer fazer tudo ao mesmo tempo.
Mas depois preciso de uma pessoa com os pés na terra, que me puxe para baixo, preciso de uma pessoa que seja especialista em excel e organização de coisas em excel e que me faça os relatórios, epah que eu nunca faria na vida, não é?
Preciso de uma pessoa que seja muito focada na parte de gestão e financeira e tudo mais.
Portanto eu gosto sempre de me complementar e muitas vezes os projetos não são, e felizmente tenho tido alguns projetos de sucesso, que são dos quais eu sou o rosto, mas que o mérito é de muitas pessoas, não é?
E não teriam nunca tido sucesso se não fosse o médico dessa equipa no fundo desse conjunto de pessoas que eu de alguma forma vou escolhendo e vou rodeando e que muitas delas andam comigo durante anos, porque gostam de trabalhar comigo eu gosto de trabalhar com elas, as coisas que fazemos correm bem, portanto é um bocadinho por aí.
Nesta altura do confinamento e sobretudo agora em casa por exemplo, em que não há, tem de se criar rotinas novas e aí eu acho que é um bocadinho isso, é sermos rigorosos nas rotinas que criamos, mas não é nada fácil não é?
E esta sei lá, o exemplo é que a minha última semana com uma filha de dois anos já em tele escola não é?
E com atividades, às 9:30 da manhã ao meio-dia e às três horas, com o outro que entra, dos sete anos, que entra às nove e meia, tem ao meio-dia e meia, tem às quatro e meia e depois ainda tem de ficar às 6:15.
Tudo online não é?
Com estações diferentes eu montei três estações, depois eu tenho o mais velho não é?
Com 14 anos está no nono ano com o horário normal de escola, que tem de organizar e aí garantir que ele está de facto atento às aulas e não está a jogar enquanto está com o telefone ligado na aula e está a jogar Minecraft ao mesmo tempo, não é?
Portanto tem de ter um nível de controlo sobre cada um, a miúda à bocadinho muitas vezes as aulas dela, eu tenho que a ter ao colo e tenho de estar eu a participar na aula, porque ela de facto levantasse e vai-se embora não é?
Portanto eu tenho de estar ali a obrigá-la um bocadinho a participar das atividades, o de 7 anos é o mais focado apesar de tudo, está ali tem mais um sentido de estar numa aula não é?
E que de facto a professora puxa imenso por ele, e aí dele que está com menos atenção, eu ouço.
Portanto ele tem o som ligado não é?
Eu estou sempre a controlar e a professora está sempre a chamar a atenção dos miúdos todos, é impecável nisso e os miúdos estão ali na linha, não é?
E o mais velho é outro tipo de atenção, é garantir que de facto não está só a fazer mil coisas ao mesmo tempo e pelo meio disto tudo, eu estou a trabalhar não é?
Portanto eu estou em casa a controlar isto tudo e a trabalhar ao mesmo tempo.
E isso é complicado.
Eu acho que essa era a minha próxima pergunta.
O que é que fica para trás não é?
Com três crianças em tele na escola, confinados, tens de fazer refeições, tens os teus projetos empresariais, seguramente que és consultado por amigos, que tens pessoas que te solicitam.
Alguma coisa que tenha ficado para trás, o que é, como é que escolhes não é?
Eu basicamente quem fica para trás sou eu.
Eu acho que é sempre isso, é sempre isso.
Porque é sempre, quer dizer, nesta fase eu acho que é o possível.
Porque eu tenho aquela coisa de lá esta, gostar de ir ocorrer e gostar de ter tempo para ver uma série ou para ver o que é que seja, eu tento, ou seja, o dia vai avançando, não é?
E eu de manhã, apesar de tudo, eu tenho uma passadeira em casa, portanto sou mais ou menos privilegiado não é?
E às vezes consigo antes deles acordarem, ir correr para a passadeira e ter ali um bocadinho tempo, eles quando acordam lá vão para a sala e eu acabo por vê-los lá na sala.
Mas e muitas vezes paro o meu treino apartir do momento em que eles acordam, mas muitas vezes deixo para a noite.
Eu já sei que quando deixo para a noite, não vai acontecer.
Ou vai acontecer, mas ver umas séries e essas coisas todas.
Muitas vezes consigo deitá-los a todos entre os banhos, os jantares, essas coisas todas às dez e meia, estou eu pronto para mim não é?
Para ter tempo para mim e às 11 horas estou a dormir profundamente, acho que não dá.
Portanto acabo por ser eu a ficar para trás e depois, porque também sei que isto é uma cena, é um período, não é?
É uma fase em que isto, em que nós somos obrigados a isto, não temos alternativa, portanto estar aqui a sofrer e a chorar por uma coisa que não há alternativa, fazer o quê?
Os miúdos não podem de deixar de ir às aulas, eu não posso de deixar de cumprir com as minhas obrigações, não é?
Enquanto pai e portanto tenho que as fazer e respeito imenso o trabalho das pessoas que estão do outro lado e o esforço que elas fazem, porque se eu sei que o meu filho de 7 anos tem uma aula às 9:30 e das nove e meia às dez e meia, eu sei que acaba às 10:30 porque às 11:00 começa outra, não é?
E onde ele já não está, mas a professora divide as turmas em dois, portanto os desgraçados dos professores estão ali desde manhã até ao fim do dia com várias turmas divididas em várias pessoas.
Portanto eu também me ponho do lado deles e percebo a dificuldade que é para eles também, de manterem os miúdos focados, interessados numa realidade que para eles é também completamente diferente e completamente nova não é?
Ou seja, claro, os professores nunca viveram isto não é?
Portanto, nós não, os professores também não.
Portanto é completamente diferente, tu teres a tua formação e a tua experiência profissional enquanto professor numa realidade presencial. E de repente de um dia para o outro, dizem-te: agora é assim, mas online.
E tipo oi?
Não é?
Sem tempo de preparação, sei lá, eu também comecei no jornal em papel e o online foi aparecendo não é?
E nós tivemos anos de transição, ainda hoje está a ser feito e emigração e de aprendizagem, tudo mais.
Isto foi de um dia para o outro.
Foi meus amigos a partir daqui a 15 dias é tudo online, não é?
Desde plataformas técnicas, se os miúdos têm ou não computadores, se o som está bom, se os pais sabem mexer nas plataformas digitais.
Portanto há tantas tantas coisas que se levantam e tanta discussão que isso pode gerar, não é?
Mas que não houve tempo para discutir, não houve tempo para pensar, não houve tempo para nada, é implementar e começar já, porque se não é tempo que se está a perder e os miúdos e eu já sinto isso, sinto que este ano de 2020 e para onde estamos a ir agora em 2021 foi um ano semi perdido em termos de aprendizagem escolar, porque obviamente que embora os professores façam o melhor possível, não é mesma coisa, não é a mesma coisa, não dá e eu acho que os miúdos vão acabar por ser os principais prejudicados.
Olha, falando aqui um bocadinho do online e do digital.
Esta pergunta surgiu-me agora durante a tua resposta, porque tinha aqui o alinhamento, que ficou arruinada agora com o teu testemunho.
Falo muito, não é?
E falas bem, mas esta coisa surgiu.
Portanto tu vives um bocadinho do online já há muito tempo.
Portanto és um especialista em comunicação digital, estratégia, marketing, inovas-te numa série de campos nesta parte do digital.
E agora estás a observar esta dinâmica de todas as pessoas, vá lá, todas as, vamos chamar, todas as pessoas ditas normais, que usavam a internet para se divertir, se calhar por fins meramente enoturístico ou porque queriam trocar uns e-mails, usavam aquilo se calhar dois por cento do seu potencial e agora estão a trabalhar em frente a um ecrã, horas a fio e as próprias crianças que usavam a net se calhar para se divertirem, para ver uns vídeos no YouTube, os tik toks.
Agora estão a ter aulas.
Como é que tu vês esta dinâmica e quão fácil foi para ti, que és do meio, adaptares-te a esta realidade que agora só temos online.
Acabou-se o offline, só temos online.
Sentiste essa transição?
Foi fácil para ti e quão difícil será para quem não estava se calhar no teu ponto de partida?
Para mim em termos profissionais, eu tive uma vantagem em relação a todas as outras pessoas, que foi, epah eu sou um visionário até disse, que é, a minha aqui está confinada, confinada não, está em teletrabalho desde dezembro 2019.
Quando ainda não havia covid, ou seja, eu na altura eu comprei o projeto que tenho atual da mago, comprei-o ao observador, que era meu sócio eu comprei a cota deles.
E na altura houve necessidade de sairmos das instalações deles e eu andava à procura de um escritório.
Então eu pus provisoriamente a minha equipa em casa, enquanto encontrava um escritório.
Portanto basicamente as pessoas começaram em teletrabalho em dezembro e fizemos todo o mês de dezembro em teletrabalho.
E quando ainda nem se quer se falava em teletrabalho, isto foi em dezembro, foi em janeiro, foi em fevereiro.
Em fevereiro finalmente encontrei o escritório, que estava pronto em março, não é?
E quando tinha data de entrada do escritório, pumba, confinamento, vai tudo para casa.
Portanto eu basicamente adiei a entrada do escritório para julho, portanto eu tive a equipa sete meses em teletrabalho, sendo que depois trabalharam 2 ou 3 e voltaram para teletrabalho.
Portanto basicamente estamos à um ano sensivelmente, em teletrabalho.
E não foi estanque.
Ou seja, isto foi por fases.
Eu senti que os primeiros três, quatro meses, foram muito complicados, do ponto de vista emocional e de rotinas de trabalho.
As pessoas não estavam claramente preparadas para uma situação de teletrabalho.
O rendimento foi muito abaixo do normal e isso teve reflexos em todos os aspectos da empresa.
É completamente diferente de conseguir motivar uma pessoa que está em casa sozinha a trabalhar ou a pessoa que está conosco, porque os olhares, o chamar, agarrar no braço, leva ali, bora ali beber um café e falar sobre as coisas, as expressões com que as pessoas chegam, quando chegam ao escritório.
Tu percebes logo, se as pessoas vêm tristes, se as pessoas estão muito motivadas, se têm um namorado novo, não é?
Tudo isso são aspectos que tu podes usar no ponto de vista de recursos humanos e de motivação, que transformam muitas vezes as pessoas e os ambientes de trabalho.
E eu gosto de fazer isso, eu não sou nada o chefe chato do olhar para o relógio, as horas a que as pessoas entram as horas que as pessoas saem, não faço ideia.
Tenho lá pessoas que controlam isso.
Não sou minimamente, só se as pessoas estão de folga ou se já foi gozar uns dias de férias.
Eu confio sempre que as pessoas na estrutura hierárquica competente, vão ter esse tipo de controle sobre as coisas, porque eu não preciso ter ou não quero ter e não tenho gente para ter.
Portanto ocupo-me também muito desse lado, lado da estratégia obviamente, lado das marcam decisões, mas também do lado da motivação humana e de fazer com que as pessoas se sintam bem nos projetos, que gostem de trabalhar naquelas equipas, que estejam motivadas.
E isso é muito difícil quando estás em teletrabalho é mesmo complicado.
É até para mim é um bocadinho frustrante, porque por muito que se tente juntar as equipas em reuniões de Zoom ou o que é que seja, não é mesma coisa.
Não consegues ler as pessoas, só estás em contacto visual com elas durante aquela meia hora ou durante aquela hora.
Não sabes o estado de espírito da pessoa, não sabes se os problemas com que ela está, se está, mesmo tendo as suas aberturas e fazem isso, as pessoas de vez em quando mandam-me WhatsApp a dizer: queria falar contigo, tens aí meia hora?
Pah claro.
E falamos, falo individualmente com alguns e tento resolver os problemas que eles têm e ver de que forma é que eles podem estar mais satisfeitos ou podem estar ou posso me virar alguma situação, mas é completamente diferente.
Portanto e isso nestes primeiros meses foi muito complicado.
Depois o que é que eu senti, a partir de junho, quando as pessoas voltaram ao trabalho, as pessoas já estavam entrar numa fase de conforto.
Já estavam a perceber o conforto de trabalhar em casa não é?
E de que de facto gastavam menos dinheiro, podiam comer sempre em casa e fazer com que não gastassem dinheiro, não perdiam tempo com transportes públicos, pah podiam trabalhar de pijama.
Portanto havia ali uma série de coisas que as pessoas começaram a valorizar e a partir do momento em que de um ia para o outro, meus amigos bora lá vamos todos para o escritório, a partir de agora vamos estar separados, não sei quê, com máscaras quem quiser.
E já não havia obviamente, aliás era essa a ordem do governo.
Era meus amigos vamos voltar à vida como ela era e não sei mais o quê, lavem só as mãos e não estejam muito próximos.
E foi um bocadinho esse o espírito que nós tivemos na empresa.
As pessoas voltaram.
E eu senti que as pessoas: epah, agora estávamos tão bem em casa e agora temos de voltar para aqui.
Portanto acho que depois houve essa habituação, nós somos bichos de hábitos, não é?
E acho que sabemos adaptarmos às situações mais adversas ou mais confortáveis e tendemos a encontrar o nosso conforto dentro de uma situação adquirida, na situação que vai, sabemos que vai ser a nossa.
As pessoas não podem dizer: não quero estar em teletrabalho.
Epah, não é uma opção, não é?
Estás em teletrabalho e não há outra opção.
Portanto tu não vai estar a martirizar com isso todos os dias, tens é que aprender adaptar-te e ser feliz dentro dessa realidade que tu tens.
Portanto eu senti que, para mim e para a minha equipa dentro dos meus projetos o teletrabalho e trabalhar à distância e através do uso de novas ferramentas digitais e tudo mais, foi sempre oscilante.
Não foi uma coisa estanque nem foi uma coisa progressiva, nem, as pessoas foram cada vez melhor ou cada vez pior, eu acho que depende um bocadinho dos estados de espírito, que também são influenciados pela realidade do país e da doença, não é? E da pandemia.
Tanto isso vai tendo alguma, se as pessoas como agora, não é?
Agora é normal, as pessoas estão muito mais assustadas do que estavam em agosto não é?
E veem os números e de facto é assustador não é?
Da mesma forma que agora os números já começam a cair, as pessoas também já começam a sentir um bocadinho mais aquela coisa de querer sair e de querer encontrar se e de marcar jantares.
E eu acho que é normal, depois cabe-nos decidir ainda não é o momento ou não vamos fazer isso agora, ou quer que seja.
Portanto é encontrar esses pontos de equilíbrio, que nem sempre é fácil, mas que nos cabe a nós, líderes dos projetos implantados.
E tu como operador privilegiado aqui no mundo digital, sentes que isto vai abrir mais algumas oportunidades?
Estás à espera de uma dinâmica positiva agora de crescimento nos seus projetos digitais?
Sentes que as pessoas podem sentir alguma fadiga e fugir um bocadinho deste campo?
Eu vou te contar que no nosso caso em particular, o Gymboree, nós tivemos que fazer um pivô para o online, porque fazia todo o sentido.
Mas tu que já aí estavas nesse mundo, sentes mais ameaças porque houve realmente um fluxo de pessoas para o digital?
Achas que é uma questão de oportunidade?
Qual é que é a tua perspectiva? Mais otimista? Mais pessimista? Mais neutra?
No curto prazo é relativamente otimista, ou seja, o facto de as pessoas estarem confinadas para quem trabalha em digital é quase sempre uma vantagem não é?
Porque as pessoas estão mais predispostas para consumir conteúdos digitais e online e portanto e nós tivemos um crescimento brutal de audiência não é?
Ou seja, o ano de 2020 foi o ano de facto de explosão da Magno, não é?
E teve muito haver com isso, com o fato de as pessoas estarem grande parte do ano confinadas em casa a consumir muito mais conteúdos.
Nós conseguimos, aumentamos cinco vezes a nossa audiência em 2020, não é?
Portanto, mesmo em termos de faturação, a faturação aumentou brutalmente.
Portanto houve aqui uma série de vantagens que nos trouxe o facto das pessoas estarem confinadas.
Portanto na perspectiva do curto prazo para mim é otimista e positiva.
No longo prazo ou no médio longo prazo, não é assim tanto, porque eu acho que nós vamos pagar a fatura, ou seja, o peso que todas estas medidas representam para o estado, essa fatura vai chegar esse cheque vai chegar nos próximos anos, não é?
E isso provavelmente se calhar vai nos levar a ter que pedir mais ajudas internacionais e isso vai ter reflexos necessários na economia e portanto preocupa-me na perspectiva do médio longo prazo.
No curto prazo e olhando para mim e para a minha realidade e para os meus negócios, epah tem sido bom.
Ok.
Ricardo eu ia voltar um bocadinho atrás e já voltamos se calhar aqui à parte empreendedora, que é uma parte importante aqui também das minhas questões.
Tu és uma de maratonista experientes, tens 16 maratonas no teu currículo certo?
Certo.
16 e uma ultra e uma ultra.
Pronto, nós falamos um bocadinho sobre isto em off à bocado e eu acho isto fascinante e ia te fazer uma pergunta.
O que é que achas que aprendeste com a corrida ou o que é que significa para ti hoje em dia este tipo de desporto, que eu consideraria até um bocadinho desporto radical, porque isto não é propriamente correr 5 quilômetros para a tua saúde.
Nada na maratona diz saúde.
O que é que significa para ti correr a este nível?
A maratona obrigou-me a uma disciplina, um espírito de sacrifício, uma capacidade de sofrimento, que eu consegui transportar para a vida real.
Ou seja, eu sinto mesmo isso, que uma pessoa tem a capacidade de resiliência de uma maratona, consegue muitas coisas na vida.
E isso é uma coisa engraçada, porque por exemplo, eu quando olho para os currículos das pessoas, eu procuro sempre nos microskills se as pessoas têm coisas desse género.
Se são pessoas que praticam desporto, que desporto é que praticam.
Pergunto muitas vezes isso nas entrevistas.
Porque eu acho que isso é uma característica que aborda muito valor ao lado humano e necessariamente ao lado profissional.
Portanto quando só quem já correu uma maratona, é que sabe o que é chegar ao quilómetro 37 não é?
E chegar ao quilómetro 37, implica.
Epah o muro que vai ali dos 30 aos 35/36/37 depende.
Eu já apanhei o muro várias vezes, já fiz várias maratonas em que não apanhei o muro.
Portanto é ali aquela quebra quando parece que nós levamos com uma marreta em cima e já não temos forças para nada.
Mas chegar ali ao quilómetro 37, em que nós olhamos para a frente e pensamos: já só faltam cinco, não é?
Qualquer pessoa diria já só faltam cinco e nós pensamos: porra, ainda faltam 5.
E as pessoas pensarem: ok 5, quanto muito são 22/23 minutos a correr ainda, o que para muitas vezes para muitas pessoas é um treino normal.
É quando as pessoas vão correr meia horinha.
São 22 minutos à benfica.
Não é toda a gente que faz aquilo em 22 minutos.
Pronto.
Portanto é muito duro e só de facto com uma capacidade de sofrimento muito grande é que nós conseguimos superar isso.
E cada maratona para mim, tem uma história diferente, todas elas têm uma história, eu lembro-me de cada uma.
E há uma coisa que eu costumo recordar muitas vezes, que é só houve uma das 16 maratonas que eu corri, só houve uma, em que quando eu cortei a meta, não tive vontade de chorar ou não chorei mesmo e não me emocionei mesmo a sério, não é?
E já corri 16, não é?
E nós pensamos: ok isto já não é novidade para ti, mas emocionaste porquê do quê?
Tem haver com várias coisas não é?
Tem haver com o tal sentir que chegamos ao fim de um processo, não é?
Porque uma maratona, o que custa menos, é correr aqueles 42km.
Eu cheguei a correr a mil quilómetros para preparar uma maratona não é?
Ou seja, o sair de casa, sair da cama às cinco da manhã para ir correr 25 Km e depois voltar tomar banho e trabalhar não é?
É uma coisa que custa não é?
É fazeres semanas em que tens de correr 85 km numa semana, não é?
E tens de fazer, à segunda corres 17, à terça corres 12, à quarta corres 25, à quinta descansas, à sexta corres 14 e ao sábado vais correr 30 não é?
Epah tudo isto implica o nível de sacrifício de desgaste, muito grande, portanto a preparação da maratona é uma coisa muito dura, muito séria, que não pode ser com nenhum tipo de adiantado.
A prova em si, nós conseguimos tirar um prazer tremendo em vários momentos, mas quando aquilo chega ao fim, quando nós cortamos a meta e sentimos que, pah, consegui e eu penso muitas vezes isto, que é, qual é a percentagem de pessoas no mundo que conseguem fazer isto que eu acabei de fazer não é?
Sinto-me um privilegiado, sinto que, pah consegui dar uso a faculdades que tenho, não é?
Felizmente tenho saúde e uso essa saúde para o meu bem, não é?
E acho que as pessoas muitas vezes e eu critico muito isso, pessoas que são absolutamente saudáveis e que não fazem desporto nenhum, que se impõem a elas próprias limitações parvas, inventam desculpas parvas não é?
Quando há pessoas que gostavam de o fazer e não têm possibilidades, são pessoas doentes, são pessoas que têm algum problema físico, são pessoas que têm um problema de coração, são pessoas que tem um problema no joelho não é?
E que gostavam muito de o fazer e não podem.
E depois há pessoas que não têm problema nenhum e que não fazem por opção.
E eu faço-o, felizmente não tenho problemas, faço um e quando chega ao fim é o misto de uma descarga física, psicológica e emocional. Sobretudo emocional também, portanto nós vamos com os nervos todos esfrangalhados não é?
Portanto eu vejo, isto aconteceu acho que foi na maratona de Barcelona.
Eu ia a correr também e ia também no quilômetro 32/33 e ia muito muito cansado, já não estava a tirar grande prazer da corrida, estava um bocadinho triste e olhei e vejo um cartaz numa criança para aí com 4/5 anos, a dizer força papá, és o meu herói e não sei que.
Pah e eu desato a chorar no meio da prova por isso, não é?
Porque é o estado emocional em que tu vais, em que o desgaste físico implica o desgaste emocional e tu estás completamente descompensado em tudo não é?
E quando cortas a meta é quase o descarregar de tudo isso naquele momento, em que fez de facto com sempre me isso aconteceu, pah mesmo que a prova tenha corrido bem ou mal, ou o que quer que seja, há sempre essa descarga.
E só quem correu uma maratona é que sabe disso e é que sente isso.
Evito falar um pouquinho sobre isso.
Há uma componente, pah, eu argumentaria que qualquer pessoa poderia fazer uma maratona com mais treino ou menos treino, mais tempo menos tempo, mais gel menos gel, mais um isotônico.
Mas nem toda a gente se calhar tem aquela capacidade de cerrar o dente e dizer: não, eu naturalmente vou correr uma maratona e se for preciso corro-a já.
Consegues identificar quando é que esse momento aconteceu na tua vida, quando é que tu sentiste: eu consigo ferrar o dente, eu consigo fazer isso acontecer?
Sim.
Foi há muito tempo?
Eras novo?
Foi mais tarde?
Foi curiosamente na minha segunda maratona, ou seja, a primeira maratona eu corria num ambiente de trabalho, foi um desafio que foi lançado na altura quando eu era editor da revista sábado.
E eu ia fazer a cobertura jornalística de uma pessoa que ia correr a sua centésima maratona.
E então acabei por fazer a reportagem em ambiente decorrido, eu próprio fui com ela e a minha primeira maratona foi assim, foi em trabalho.
Portanto essa, apesar de ter sido a primeira, para mim não conta tanto.
E depois eu disse: não, eu tenho que correr uma maratona a sério, mesmo com uma prova oficial e tudo mais.
E foi assim, na minha segunda maratona que foi em 2013, eu corri primeiro em 2012 e em 2013 eu decidi correr a maratona de Lisboa, que era em setembro.
E em julho nasceu o meu primeiro filho, o meu segundo filho aliás, o Mateus, em julho de 2013.
Epah ele foi prematuro, teve alguns problemas, pah era aquela coisa de um bebé prematuro, nós temos de ter alguns cuidados especiais e ele era muito pequenino, era muito frágil, portanto houve ali uma série de coisas que para nós foram complicadas.
E eu basicamente que tinha começado a preparação para a maratona tipo um mês antes, interrompi a preparação.
Portanto basicamente ele nasceu a 16 de julho e eu parei de treinar.
E o grupo de pessoas que estavam treinar comigo continuaram.
E basicamente eu ia assistindo pelas redes sociais não é?
Às preparações deles, aos treinos e aos tempos e tudo mais.
Epah e eu chego ali tipo agosto, passa se o Agosto todo e eu não me mexi, não é?
Portanto eu não fiz mais nada, não corri 1 km desde julho quando o meu filho nasceu até a final de agosto.
E uma semana antes da maratona, a maratona era, começava a 23 ou não sei quê de setembro e eu para aí a 16/17 de setembro, disse: pah, eu vou correr, pah vou ocorrer, não quer saber eu vou correr, eu consigo, vou meter na cabeça que vou conseguir e eu vou conseguir.
E assim foi.
Eu fui, saí um dia para correr 10 km e cheguei ali aos 8 e achei que já não aguentava mais, que já estava no limite.
Portanto eu estava a correr 8/10 km nessa altura, sem preparar.
Durante essa semana corri sempre 8, 10, 12, 6, 8, sempre de segunda a sábado, no sábado descansei e domingo fui para a maratona.
Obviamente que os meus amigos quando me viram lá, eles pensaram: este gajo é doido não é?
Maluco não, nunca na vida isto vai acontecer.
E eu disse: epá, eu vou ao meu ritmo sem stresses, mas vou-me desafiar a mim próprio para ver o que é que eu consigo, o que é que eu valho nesta fase.
E assim foi.
Epá fui devagarinho, parti já sem ambição nenhuma, só com o objetivo de chegar ao fim, queria obviamente tentar não andar, não é?
Ir a correr e nunca parar.
E assim fui ao meu ritmo tranquilo até aos 30 quilómetros aguentei-me bem, a partir dos 30 foi um sofrimento atroz atroz mesmo e aí já entrava mesmo no campo do sofrimento.
Mas sempre: pá tu vais conseguir, não vai desistir, não vai desistir, tu não desistes das coisas, vamos embora, tu vais até o fim.
E é uma guerra mental entre o corpo e a mente não é?
Constante e a toda hora.
E cheguei ao fim de facto, foi um sentimento de uma pessoa acaba aquilo e diz, e fica ali tipo pá, a sério não há palavras, só vivendo a situação.
Não compraste t-shirts para os teus filhos a dizer: o meu pai…
Não que ele ainda era pequenino e eu não ligava nada a essas coisas, porque eram pequeninos.
Mas depois tive uma coisa mais ou menos parecida, mas aí foi um desafio que eu me lancei a mim próprio, que foi, se eu seria capaz de correr 3 maratonas seguidas oficiais, em 15 dias.
E portanto eu sempre gostei assim de desafios, de cenas malucas.
E assim foi.
Estive três meses a preparar para a maratona de Berlim, porque queria bater o meu recorde e sabia que estava em condições de bater o meu recorde e estava ali muito focado naquilo, fiz uma preparação perfeita, exatamente como eu queria fazer, não falhei em nada, com tudo ali tranquilo.
Fiz a maratona de Berlim fiz 3 horas e 17 e que ainda hoje é o meu recorde e acabei e na semana seguinte era a de Lisboa.
E eu pensei, senti que na maratona de Berlim eu tive ali dois erros de estratégia, eu queria fazer abaixo de 3 e 15, não é?
E não o fiz por duas razões, por um erro de estratégia e por um erro de principiante básico, que eu me fui masterizando durante tempos e tempos que é, nós nunca devemos, ou seja, devemos sempre contar e quem corre sabe isto não é?
Quando nós corremos uma prova de 10 km, o nosso relógio quando chegamos ao final não marca 10km.
Marca tipo 10km de 200 metros ou 10 km e 400 metros, porquê?
Porque o percurso é traçado no seu percurso mais curto não é?
Ou seja, quando nós fazemos uma curva por dentro, se a fizermos por fora estamos a correr mais não é?
Isto numa maratona faz e o desvio possa ser de um quilômetro às vezes, ou 900 metros/ 800 metros.
O que implica 4/5 minutos não é?
Ou seja, correr mais 900 metros implica 4 minutos e tal não é?
Portanto e o que é que eu fui fazer, eu fui na maratona de Berlim sempre a fazer as contas às 3 horas e 15, a calcular pelo relógio que estava a correr 42 e 95 não é?
Então eu estava: não, está perfeito, está para as 3:15, o último km eu acelero um bocadinho e faço três 14 e qualquer coisa, sempre com isto.
Eu chego ao km 38 começo a refazer as contas e a pensar: isto não vai dar.
Porquê?
Porque eu estava a passar ao quilómetro 37 e o meu relógio marcava 37 e 600.
Portanto 37 era muito lá para trás, não é?
Portanto o desvio já era muito grande e eu acabei com um desvio de quase 1 km e mesmo os meus dois últimos quilómetros, foram para quem corre sabe o que é que às vezes ficam, foi a 4:16 e 4:21, eu não sei, os dois últimos quilômetros da maratona.
Portanto estava mesmo muito em forma e acabei fortíssimo e fiquei, matirizei-me imenso a mim mesmo, porque aqueles dois minutos que eu perdi estupidamente.
E depois senti que houve ali um erro de estratégia também, porquê?
Porque corria a primeira metade, que é como se deve correr, mais lenta do que a segunda, portanto fiz ali o split negativo, fiquei como se chama, correr a segunda parte mais rápida do que a primeira.
Portanto eu consegui fazer o split negativo, mas senti que na primeira fui demasiado lento, portanto eu achei que podia ter ido um bocadinho mais rápido.
Então o que é eu fiz, eu disse: na próxima semana, maratona de Lisboa, vou fazer uma coisa que é, vou fazer ao contrário, que é vou partir rápido e epah quando arrebentar, arrebentei e depois vou devagarinho até a meta e mesmo assim eu acho que vou fazer um resultado bom.
E aí assim foi.
Para teres uma ideia, eu cortei, eu passei a meia-maratona com o meu recorde da meia maratona, portanto eu passei em uma hora e 29 qualquer coisa não é?
À meia-maratona e fiz os primeiros quilômetros, eu ia 404, 408, 406, 402, 448, sempre em km por hora.
E portanto fui muito rápido, cheguei ali aos 25, comecei a sentir que estava a começar a quebrar ligeiramente não é?
E depois comecei a pagar o facto de ter corrido uma maratona, uma semana antes,
de Berlim, a também a um ritmo alto.
Tu vais sempre a meter gel, isotônico..
Eu mudo, não.
Eu tenho uma estratégia normalmente costumo por aos 12 aos 22/23 aos 30 e aos 35 normalmente tomo esses quatro, muitas vezes não tomo o dos 20, ou seja, tomo os 12 e depois tomo só aos 25 e aos 32 ou três ou quatro, não vou sempre meter.
E nessa aconteceu me isso.
Ou seja, eu quebrei aos 30, quebrei completamente.
Mas mesmo assim eu pensei: basta ires a 5, se eu for a uma média de 500 que para mim era lento naquela fase e devagarinho é um registo tranquilo, se eu for a 500 eu pensei que ia fazer 3 horas e 9 não é?
Portanto eu ia mais do que tranquilo, eu olhava para trás, eu não via o bandeirola, há se sempre um bandeirola com os tempos nas maratonas.
Eu não via o bandeirola desde das três horas e quinze, portanto ele nem estava à minha vista.
Portanto ia lá muito para trás, portanto eu ia tranquilamente à frente para recorde para a linha de recorde.
E fui, a partir dos trinta eu olhava fiz 5:21 depois no outro a seguir 5:46 no outro 6:11 e eu, mas a dar o meu máximo eu ia a quebrar mesmo era como se um carro tivesse a perder a gasolina continuamente.
E eu acabei tipo a 7:50 ou não sei quê, já nem sei.
Ia de rastos, não me conseguia mexer foi uma coisa horrível e mesmo assim não bati o meu recorde de Berlim por 30 segundos numa maratona.
Não me satisfeito com isso, na semana seguinte fui correr a maratona de Munique não é?
E aí foi tranquila e aí fui com nenhum objetivo e fui só para acabar e vais a 500 acabas em 3:30 e é assim e fui.
Meti a 500 fui sempre e olhava depois no fim era 459, 501, 500, 459, 501 e fui sempre no meu ritmo, acelerei nos últimos quilómetros.
Fiz 3 horas e 29 ou não sei quê.
Mas cumpri as três maratonas aqui vivo.
Muito bem.
Que outros hábitos de saúde é que tens?
Tu consegues dormir com regularidade, em termos de dieta tens alguma espécie de cuidados?
Meditas?
O que é que usas?
Como é que é a tua rotina?
Eu acredito que tenhas pensado um bocado sobre isto, sobre a tua saúde e deves ter encontrado se calhar aqui um sweet spot que usas.
Pode falar um pouquinho sobre isso?
Sim.
Ou seja, eu fui em 2017, tomei a decisão de por essencialmente por três razões, não é?
Razões de saúde, por razões ambientais e por razões de defesa dos direitos dos animais, de fazer uma experiência vegana durante 30 dias, ou seja, comecei em agosto e julho, entre julho e agosto, e decidi que durante 30 dias não ia comer nada com proteína animal.
E fiz uma alimentação 100% vegana durante 30 dias.
E cheguei à conclusão de que aquilo fazia todo o sentido para mim e que aquele era o caminho, não é?
Enquanto numa loja e responsabilidade social e ambiental, acho que todos nós temos de cumprir o nosso papel para com o ambiente e para com o mundo.
E eu acho que estava a cumprir com isso.
Porque em termos de saúde me senti muito melhor, desapareceram completamente as alergias que eu tinha, senti-me mais desperto no sentido em que comecei a dormir bastante melhor.
Portanto para mim não fazia sentido voltar atrás, porquê voltar atrás?
Eu acho que este é o caminho e durante dois anos e meio eu fui 100% vegano.
Portanto não comi rigorosamente nada de proteína animal e isto até à sensivelmente, foi até ao confinamento mais ou menos, até março ou abril deste ano.
Eu fui 100% vegano.
A partir daí comecei a abrir algumas excessões a coisas normalmente como, sei lá, imagina vou a uma festa de aniversário, que era uma coisa que eu não fazia e uma vez o bolo de anos leva ovos, eu não comia, de todo, se leva ovos eu não como.
E pronto, eu comecei a abrir esse tipo de excessões, ou seja, eu acho que não deixo de cumprir com o meu papel, se houver estas excessões, ou sei lá, se vou comer uma pizza com os miúdos e pedir pizza sem queijo e ela vem com queijo, vai estar a mandar a pizza para trás?
O desperdício alimentar que significa, ok eu como a pizza com queijo, não há de ser por isso, não é?
É este tipo de coisas pequenas, sei lá, não cozinho carne nem peixe, nem nada disso.
Portanto eu neste momento até por uma questão de posicionamento nas redes sociais, eu mudei de vegano para vegetariano, precisamente por isso.
Porque já sei como é que as coisas são, há casos internacionais disso, pessoas que defendem, que são fanáticos de veganismo e não sei quê e depois são apanhados a comer num churrasco e não sei quê mais.
E eu não quero que ninguém diga: aí, diz lá que és vegano e estavas a comer uma pizza com queijo.
Para não haver este coisas, eu mudei para vegetariano, portanto eu levo uma alimentação tendencialmente vegetariana, não é?
Sou, eu diria 90% vegana e 10% tem este tipo de excessões e coisas pequeninas, coisas que levam ovo ou coisas que levam o leite, sei lá, o chocolate que leve leite ou coisas desse género.
Mas sou uma pessoa preocupada com a saúde.
Gosto imenso de ler sobre nutrição, sobre anatomia, sobre o funcionamento do organismo, dos intestinos, adoro o tema dos intestinos e ler livros sobre o funcionamento dos intestinos…
Microbioma…
Microbioma e essas coisas todas.
Portanto eu sou muito interessado nesse tipo de coisas.
Gosto de perceber o impacto que os alimentos têm no nosso corpo, nos suplementos, dos macronutrientes, dos micronutrientes…
Portanto tudo isso são coisas que me interessam bastante e que eu leio muito.
E depois da forma que isso impacta também, o rendimento desportivo e a capacidade do treino.
E uma coisa é certa, tenho 44 anos e sinto-me hoje muito melhor do que sentia com 25, não é?
Em todos os aspectos, fisicamente acho que estou, sou hoje tenho menos gordura, sou mais magro, tenho mais capacidade física, estou mais desperto.
Acho que melhorei em praticamente tudo quando era miúdo.
E tenho muito e o que é que eu mudei radicalmente da minha vida?
Foi na alimentação, foi a postura e a preocupação para com a saúde.
Tu dormes quantas horas em média por noite? Tens ideia disso?
Eu tento não dormir pouco.
Porquê.
Porque eu deito-me relativamente cedo.
Não tenho nenhuma, nunca fui apaixonado pela noite.
Não gosto nada de bares nem de discotecas, nem gosto de jantar fora de vez em quando, agora não dá mas pronto, gosto de jantar, para mim jantar fora é jantar às 20:30 e as 11 acabou, não é?
E estás em casa relativamente cedo, porque também gosto de acordar cedo.
E portanto para mim é importante acordar cedo, gosto de começar a sentir-me útil e durante o dia e fazer coisas, eu digo muito esta expressão: quero ir fazer coisas.
Eu tipo às vezes ao sábado gostava mesmo de acordar tipo às 8:00 ou às 7:30 para fazer coisas.
E para mim fazer coisas pode ser ir para o sofá e ler um livro, não é?
É sentir o mood, isso para mim é melhor do que ficar a dormir, não é?
Ficar ali parado a dormir não, para mim não não faz muito sentido.
Eu não gosto muito de dormir, não valorizo nada o poder dormir, ou quer que seja, deito-me
relativamente cedo, é por um lado porque eu acho importante o descanso e dar descanso ao organismo, sobretudo em alturas em que faço muito exercício.
Mas por outra é porque estou genuinamente cansado e estou genuinamente de rastos e não aguento mais e pronto, adormeço.
Ok.
E tens alguma prática de meditação?
Comecei, é engraçado porque quando disseste isso, porque eu a semana passada comecei uma sugestão de uma amiga minha, que me sugeriu que eu começasse a fazer algumas aulas meditação-online que existem agora, que era uma coisa que eu nunca tive, nunca tinha feito.
E que gostava muito, não é?
De experimentar.
E comecei a fazer, portanto não tenho ainda uma experiência, não consigo falar com conhecimento, ainda não consegui perceber exatamente o que é que impacto vai ter na minha vida, porque é uma coisa muito recente, é uma coisa que tem uma semana, não é? Portanto, acredito, estou a gostar, consigo perceber o impacto imediato que aquilo tem na estabilização emocional do porco e do desligar das coisas.
Mas também apanhou uma semana em que eu estive basicamente sozinho com os meus filhos, em que as aulas eram às 8:30 online não é?
Às 8:30 e há muitas vezes eles já estavam acordados, portanto estares a meditar com uma criança de 2 anos e um puto de 7 aos berros e o outro e a outra já com o stresse das aulas, não dá.
Ou seja é contra-natura do que a meditação e do que deve ser a meditação e obriga de facto ao silêncio a uma introspecção, que eu não consegui ter nesta semana em que estive com os miúdos.
Agora nesta segunda semana, vou tentar fazer isso já num ambiente mais silencioso e mais virado para mim e para o “in your self” não é?
Portanto vamos lá ver como é que vai correr.
Pá se eu puder recomendar alguma coisa, recomendaria que fizesses logo a seguir a acordar, quando ainda estás grogue do sono, porque é mais fácil realmente silenciar os pensamentos e eu acho que esse é um dos objetivos mais interessantes, é encontrares aquele silêncio ou melhor calar um pouco aquele ruído da nossa cabeça que está sempre a questionar, a perguntar coisas, a ruminar temas, às vezes maus e criar expectativas, quando estamos com sono isso não acontece tanto.
E é muito recompensador termos acesso aquele silêncio e podermos observar o que é o que eu acho que é um dos grandes benefícios da meditação.
A Ricardo, eu há bocado precisamente durante a minha corrida ouvi um podcast teu, um longo, de um canal que se chama, onde, quando e como eu quiser.
É que tu falas mais ou menos uma hora e 20 sobre uma série de coisas e falas muito bem.
E eu queria fazer aqui uma pausa e recomendar a quem nos estiver a ouvir, agora e no futuro para ver esse podcast, porque é um tratado sobre comunicação digital, sobre educação, um bocadinho sobre jornalismo, sobre empreendedorismo também.
E portanto respondeste imensas coisas que eu te iria perguntar e que estão lá muito bem escritas. ainda por cima ninguém interrompeu, portanto estava ótimo.
Mas sobre o jornalismo eu acho que estás numa posição particularmente relevante ou favorável, para responder a isto.
Sentes que neste momento existe um viés ideológico dos jornalistas, mais tendencial para um lado do que para outro?
Sentes que há aqui um desequilíbrio?
E eu sei que tu tiveste um percurso próprio sobre na tua ideologia, mas tu também és um, tu tens o privilégio de puder escolher quem é que escreve para ti ou não escreve, isso é uma coisa que pesa na tua decisão?
Como é que tu vês este fenómeno?
Eu gosto sempre, é o exemplo que te estava a dar à pouco.
Eu gosto sempre de equipas com pessoas que pensam de maneira diferente.
Eu tenho e é engraçado, há aqui um exemplo, uma coisa que me aconteceu em 2007/2008, na altura eu era diretor-adjunto 24 horas e apareceu-nos um estagiário, pá que era um miúdo super competente e pá com uma capacidade intelectual, um nível de conhecimento de memória sobre coisas que não eram de todo do tempo dele, pá era um miúdo muito acima da média e até que num momento qualquer, já não me lembro exatamente porquê, eu e o diretor soubemos que ele tinha uma ideologia próxima da extrema-direita a roçar ali o nazismo.
E levantou-se essa questão, que foi: nós vamos ter na nossa equipa uma pessoa que pensa assim, uma pessoa que faz este tipo de coisas e isto deu uma discussão interessante, não é?
Ficamos ali sem saber o que dizer, porque por um lado, nunca em ambiente de trabalho isso tinha sido manifestado, nunca.
Nós soubemos isto por outras, já não me lembro exatamente como, nem porquê, mas não tinha nada haver com o comportamento dele enquanto pessoa no jornal, não tinha rigorosamente nenhum impacto sobre aquilo que ele escrevia, porque ainda por cima ele estava na secção desporto, por isso nem sequer era, não tinha nenhuma relevância para isso e optámos por deixá-lo estar e ali ficou, provavelmente ainda hoje teria tomado a mesma decisão perante as mesmas circunstâncias, mas não acho que, acho que há limites, acho que há coisas que nós enquanto publishers, devemos ter obrigação.
Eu não sou muito, eu sou muito mais a favor da corrente americana, de jornalismo do que da corrente francesa por exemplo.
E eu acho que deve haver um, os jornais não podem, nem devem, ser aquilo que as pessoas muitas vezes acham que é, que são 100 % exemplo em relação a tudo.
Eu acho que não.
O nosso trabalho não é apenas expor os factos e as pessoas que pensem o que quiserem.
E há muita gente que pensa isso.
Eu acho que não.
Eu acho que os jornalistas têm o dever e a obrigação de interpretar esses factos, não é interpretar à luz da ideologia de cada um, é interpretar factos que são evidentes e que são lógicos, não é?
Coisas que são óbvias não é?
E isso eu acho que é um bocadinho o nosso papel.
A questão agora do, por exemplo do chega e do crescimento do chega, eu na Mag recomen, nunca tomo uma decisão autoritária em relação a nada.
Eu tento sempre ouvir a opinião das várias pessoas com o poder de decisão sobre os assuntos. E tomamos sempre as decisões de forma democrática, sempre.
E quem trabalha comigo sabe que é assim e qualquer pessoa que ache contrário ou que diga ao contrário está a mentir.
Mas em situações desse gênero, eu sou sempre a favor de que se nós podemos dar um menos palco possível a esse tipo de pessoas, que é a decisão mais correta, não é?
Muito mais do que estarmos a fazer crônicas, a insultá-los e crónicas a mostrar que somos superiormente, igualmente superiores a esse tipo de pessoas, porque eles são uns idiotas por pensarem assim e nós é que somos pessoas sensatas, porque não pensamos assim.
Eu acho que não.
Eu acho que é só não lhes darmos muito palco, é só falar o menos possível.
Portanto eu acho que quanto e foi uma estratégia, eu tive completamente ao lado de toda a esquerda, nestas presidenciais foi isso.
Foi virarem a sua campanha para um ataque ao André Ventura, que só beneficiou o André Ventura não é?
E eu na Mag tento que haja esse bom senso por parte das pessoas que é, estamos a falar de um partido que tem uma pessoa na Assembleia da República, não é?
Portanto a representatividade que ela tinha, era praticamente nenhuma, sendo que o público que ela impacta muitas vezes, é um público condicionado, é um público limitado não é?
São pessoas que não têm obviamente a capacidade de descernimento que tem pessoas mais normais, vá chamando-lhe assim.
E portanto eu acho que, eu defendo isso que é, não os devemos calar nem devemos proibir, mas vamos tentar dar o menos palco e dar a importância que eles têm, que é praticamente nenhuma e que contrariam os tais limites básicos essenciais da democracia e do civismo e do humanismo.
Mas oh Ricardo antes do André Ventura e do chega, que é um fenómeno relativamente recente, já havia um viés, quer dizer eu não sei, eu teria, eu desafiava-te aqui a pensar um bocadinho sobre isto.
Achas que a formação dos jornalistas têm um viés ideológico neste momento ao nível das universidades?
Porque sente-se realmente um pendor um bocadinho mais para a esquerda, é óbvio que não é universal, temos muitos jornalistas de qualidade à esquerda e à direita.
Mas começa-se sempre a notar um bocadinho não é?
Portanto mesma antes do André Ventura nota-se, há realmente às vezes uma tentativa de projetar, não só ideologia, como uma moral superior, como, há ali uma crítica comum, que eu acho que acabava por extremar um bocadinho as posições e entrincheirar as pessoas, nos extremos.
E eu acho que aí é um perigo, pronto.
O que a gente espera de um jornalista e é uma profissão que eu respeito imenso e tenho jornalistas muito próximos.
Era realmente um bocadinho de imparcialidade e um bocadinho aquela capacidade de ir buscar informação relevante para as pessoas decidirem, não é?
Às vezes não vemos isso e eu gostava de ouvir um bocadinho o teu pensamento, porque tu estás muito mais dentro do que eu.
Historicamente e da minha experiência, as redações sempre foram muito mais de esquerda, muito mais.
Eu quando comecei a trabalhar havia ainda muita gente que veio da geração do diário de Lisboa, do diário popular, apanhei muita gente assim, pessoas do partido comunista, havia o peso do sindicato dentro do jornais, eram muito forte, as pessoas que eram sindicalizadas e o conselho da ação tinha uma força, coisas que hoje são completamente diferentes dessa realidade.
Eu acho que desapareceu um bocadinho ali no final dos anos 90, que foi quando eu sentia muito isso.
E depois foi esbatendo durante os anos, durante o início dos anos 2000.
E hoje em dia sente-se muito pouco.
O que no entanto continuo a achar que os jornalistas são muito mais de esquerda do que são de direita, por experiência própria, não estou a falar, estou a falar por experiências das várias redações por onde eu passei, inclusive já passei pela redação do observador, não é?
Que é um jornal metido como o jornal de direita e onde por grande das pessoas que trabalham no observador não são pessoas de direita, não é?
É um jornal que e estão lá muitos amigos meus e pessoas que fazem e alguns dos melhores jornalistas com quem já trabalhei até hoje, estão hoje no observador que não são pessoas de direita e são pessoas com consciência política não é?
Mas que não tendem a fazer nada para beneficiar a direita e prejudicar a esquerda, rigorosamente nada, faz o jornalismo isento e normal e criativo e surpreendente e se tiverem que bater à direita batem à direita, se tiverem que bater à esquerda batem à esquerda.
O que marca o tom de direito do observador é a opinião, obviamente, não é?
E foi para isso que o jornal também, é também esse o posicionamento que o jornal tem, não pelo conteúdo jornalístico, mas pelo conteúdo da sua opinião.
E as pessoas não conseguem discernir muitas vezes isso, porque, porquê?
Porque o que eles chegam nas redes sociais é um texto do observador.
E as pessoas que não são jornalistas, sabem lá se aquilo é opinião se aquilo é uma notícia.
Aquilo é um texto do observador a dizer bem de qualquer coisa direita, pronto.
Eh estes gajos são todos da direita.
Portanto eu diria isso, eu acho que tendencialmente as redações e os jornalistas são mais de esquerda, são mais sensíveis aos temas da esquerda sim, mas muitas vezes também têm orientação editorial acima deles, que equilibra um bocadinho as coisas.
Portanto nós somos um país, ao contrário de muitos, Espanha por exemplo aqui ao lado, não é?
Que, ou nos Estados Unidos ou em França, tudo mais são, a Inglaterra, em Inglaterra é outro dos grandes exemplos em que os gajos são completamente orientados, não é?
Cá não há isso.
Cá ages mais tendencialmente mais próximos de um partido ou de uma ideologia, mas é tendencialmente.
Não são marcadamente como nos outros países.
E sentes que os algoritmos neste momento então a extremar um bocadinho as posições ainda mais?
Porque pronto, uma amiga qualquer sugere um artigo da Mag, leio o artigo da Mag, obviamente que o Facebook apreende que eu tenho preferência por este canal e começa-me a oferecer repetidamente conteúdos vossos.
Ide em aspas o observador para outros canais.
Mas pronto, o que eu sinto é que depois de muitas interações, as pessoas acabam por receber o seu feed, o que já gostam.
E deixam de receber o que não gostam e depois pronto, acabam por ter, lá está, o viés em todo o seu input é enviesado e portanto depois é muito difícil verem então basicamente é quase como nascerem com um filtro azul à tua frente, tu nunca viste o filtro a entrar e portanto ai de alguém que te diga que aquele sol não é azul, não é?
Portanto não tens outra forma.
Como é que tu vês este fenómeno.
Vejo com grande preocupação, porque não tanto por, o Facebook me mostrar aquilo que acha que eu gosto, mas por não me mostrar aquilo que acha aquilo que eu não gosto.
Porque eu gosto de muita coisa, eu gosto muita coisa e o Facebook não tem o direito de me mostrar só ou de me reduzir, aquilo, não é?
E eu acho que é isso que acontece, isto acontece em termos de digital é muito preocupante.
Eu tive e vamos passando isto até do jornalismo para outras fronteiras culturais, eu dou um exemplo, que é eu por exemplo há seis meses mais ou menos comecei uma epopeia com o meu filho mais velho, tem 14 anos, que foi mostrar os meus clássicos do cinema, não é?
Os filme que me apaixonam e aí lá está, vai do casablanca ao top gand, não é?
Portanto é desde a cultura pouco urbana até os clássicos do cinema, que eu acho que ele tem…Pulp Fiction, o Padrinho, Once Upon a Time in America.
Portanto todos aqueles filmes que de alguma forma me marcaram, eu vou começar a mostrar-lhes.
Felizmente eu tenho uma coleção muito grande e rica em DVD com os nome que lhes fiz e eu consigo mostrar-lhe isto.
O que é que está acontecer nesta nova geração, que é, se pais miúdos desta nova geração não tem a possibilidade de mostrar-lhes isto, esses miúdos nunca vão ter acesso.
Porquê?
Porque nós não vamos encontrar o Citizen Kane nem na Netflix nada, porquê?
Porque não dá retorno.
Pá não dá retorno, não está lá.
E se não está lá hoje em dia as pessoas já nem sequer têm um leitor em casa para ver um DVD, não é?
Portanto como é que estas novas gerações vão ver estes filmes?
Como é que vão ter acesso a estas coisas culturais?
Quem diz isto, diz sei lá, vou dar um exemplo, eu há dias estava a fazer uma playlist no Spotify e quis criar a minha só de música portuguesa, porque eu adoro música portuguesa e oiço muito música portuguesa.
Eles têm, o Spotify tem sei lá, 7 canções do Zeca Afonso não é?
Com uma discografia que ele tem, eu tinha os LPS em vinil, não é?
Entretanto não sei onde é que estão e perdi-os e desapareceram, mas eu tinha a coleção praticamente toda do Zeca Afonso em vinil.
E hoje em dia eu não sei como chegar, eu não tenho como ouvir, não tenho como ouvir.
Como é que eu vou ouvir esses discos?
Onde é que eu vou buscar os discos?
Não sei.
E isto reflete-se no ponto de vista cultural e é um gap muito grande que o digital tem, ou se vai por uma situação em que tu podes pagar o plus, se calhar em vez de pagares 7,99 Netflix pagas 12,99 e eles inserem uma série de títulos não comerciais, que são coisas desse género não é?
Que eles que podem adquirir direitos e podem ou se vai para um caminho deste género e que também existe no Spotify em relação a outros temas.
Ou então, eu acho que vamos estar mesmo a apagar uma grande parte da nossa história cultural e a limitar o acesso a essa mesma história cultural a muitos miúdos que eram
coisas, sei lá.
Eu quando era miúdo, muitos desses filmes, o Citizen Kane, os grandes clássicos os Casablanca, o Citizen Kane, eu vi-os praticamente sempre em cinema, porque havia reposições históricas e coisas que eu via.
Mas depois lá está, depois saíram em DVD e eu comprei os.
Hoje em dia já não há essa segunda hipótese.
Provavelmente eles ainda podem continuar a vê-los, se houver um círculo especial de cinema em algum momento.
Agora se não houver, temo que seja muito difícil eles terem acesso a esse tipo de coisas.
Claro.
Então ainda aqui neste tema de educação dos teus filhos.
Tu consegues identificar os pilares onde assenta a educação dos seus filhos?
Tu sistematizas-te isso?
Quais são as coisas importantes para ti, o que é que tu gostavas de assegurar na educação deles?
Para mim há uma coisa que está acima de tudo o resto, que é humanismo.
Ou seja, eu quero criar boas pessoas.
Eu quero que os meus filhos sejam genuinamente bons cidadãos, boas pessoas, que tenham valores básicos e essenciais para a sociedade.
Pá e tendo essa base, eles podem ser o que eles quiserem, o que eles quiserem.
Para mim o meu trabalho em grande parte vai estar feito.
O que eu acho que eles sendo boas pessoas els vão abordar algum tipo de valor à sociedade, nem que sejam um valor humano, eles não precisam de ser o melhor médico, o melhor advogado ou… porque também não acho que seja isso que lhes vai trazer o máximo de felicidade.
Eu acho que eles vão ser aquilo que quiserem ser, aquilo que se proporcionar que venham a ser, nunca irei orientar as escolhas profissionais deles neste sentido ou naquele.
Vou estar obviamente e estou atento aquilo que são os gostos deles,aquilo que possam ser talentos que eles possam manifestar em algumas áreas e vou tentar dar-lhes força nessas áreas e fazer com que eles sigam isso e que desenvolvam por eles e que sejam curiosos, que é uma coisa que eu acho que é muito do papel dos pais, é estimular a criatividade e a curiosidade das crianças não é?
Porque apartir dos, as pessoas curiosas são quase sempre pessoas inteligentes, não é?
São as pessoas que vão à procura de saber um bocadinho mais sobre qualquer coisa.
Eu gosto muito disso.
Portanto para mim isso está acima de tudo o resto, não é?
Eu escrevi uma vez um texto no meu blog sobre isso e foi um dos textos mais lidos de sempre no meu blog, que era que o título era mesmo este “eu não quero criar gênios, eu quero criar boas pessoas” ou “não quero que os meus filhos não sejam alunos geniais, quero que eles sejam boas pessoas”.
Eu nunca fui um aluno genial.
Eu era aquele aluno que tinha quatro às disciplinas que eu gostava tipo: português, francês, inglês, história e geografia e depois tinha 3 a físico química, matemática.
Nunca foi um aluno brilhante.
Fui um aluno mediano queria era jogar à bola e vamos ficar sem cabeça não é?
E isso não fez de mim, lá está uma pessoa sem sucesso profissional na vida ou quer que seja, fui me adaptando eu próprio quando escolho um estagiário, eu não quero saber a média com que ele se licenciou, ou se vem da venda nova ou de Law, o que é que seja,
é me indiferente.
Não olho mesmo para isso, olho muitas vezes mais para os microskills, olho para valorizo muita a entrevista pessoal, faço imensas perguntas sobre que filmes é que eles gostam de ver, porque eu acho que isso consegues extrair um bocadinho da dimensão humana que as pessoas têm, pá depois o resto eles aprendem sejam da Law com 17, sejam da nova com 12 ou…
Acho que é um bocadinho essa a postura que eu tenho com eles, da mesma forma que tenho com os meus filhos.
Eu acho que tento passar-lhes muitas coisas também pelo exemplo, não é?
E eles verem o pai, que o pai em cassa é 100% autônomo, é o pai que lhes dá banho, que lhes faz o almoço, faz o jantar, que lhes vai deitar com a história, que lhes muda as fraldas, que vai pôr o lixo, que constrói os móveis, que faz os buracos na parede, não é?
E que trabalha em casa o dia todo e que se levanta de manhã e vai correr.
Portanto eu acho, eu gosto que eles vejam e que olhem para mim como um exemplo, não é?
Porque eu acredito que isso lhes vai ficar para a vida, não é?
Acho que isso lhes vai marcar de alguma forma, eles viverem com essas referências.
E tento cultivar muito isso, a honestidade, o serem bons cidadãos, que sejam amigos das pessoas, que sejam bem educados.
Pronto esse tipo de coisas, são as coisas que eu valorizo muito mais.
Não sou nada obcecado com o estudo e tens de ter 5 a tudo.
Epá não.
Os meus pais não eram assim comigo, eu também não sou assim com eles.
Claro.
E tu sentes que esses teus valores estão alinhados com o valor da mãe deles?
Se é uma coisa que vocês têm de debater entre vocês?
Eu tenho um amigo que se eu lhe perguntasse esta pergunta, ele responderia exatamente como tu.
Quer que sejam boas pessoas, quer que sejam curiosos.
A mulher dele, quer que eles tenham boas notas e que saibam matemática e que saibam português e que saibam, pronto.
É fácil para vocês chegarem a um consenso?
É relativamente, porque se há coisas que para ela são importantes ou relevantes, eu digo-lhe e nisso sou, é mesmo assim, ok então põe em prática, põe em prática a tua, age, faz.
Não vou dizer nunca irei dizer, se ela diz: ah eu acho que é importante eles terem uma cultura musical.
E eu: então inscreve-lhes no violino ou na viola ou no piano, no quer que seja, inscreve-os.
Eu não vou dizer que, não é?
Não quero que meu filho vá para o piano.
Epá não, se tu achas que isso é importante, força, põe na prática.
Agora isso implica, tens de o ir levar ao piano à terça e à quinta às 6:15 e tens de o ir buscar, não sei quê não sei que mais.
Tens vida para isto? Consegues? Vais te sacrificar e vais fazer isso?
É que eu já faço algumas coisas e pá posso assumir algumas responsabilidades e distribuímos esse tipo de responsabilidades.
Não quer dizer que não, apartir daí como foi uma ideia tua, agora és tu que fazes isso, pá não.
É preciso havermos dentro da nossa vida, temos capacidade de fazer com que essas coisas vão para a frente.
E depois tentar que essas coisas também façam sentido na vida dos miúdos, não é?
Tu tens um miúdo que anda na viola e que para ele é o maior sacrifício da vida dela é andar viola.
Epá que sentido é que isto faz?
O miúdo não tem jeito nenhum para a viola.
E eu conheço muitos casos assim não é?
De pais que têm os putos só porque é giro estar em determinadas atividades e os miúdos odeiam aquilo.
Epá eu preferia que fizessem isso enquanto criança e eu sempre gostei de ir fazer coisas que eu queria ir fazer não é?
Às vezes podia fazer, às vezes não podia, mas pronto.
Tento sempre que os miúdos me puxem para ir para aquilo que eles gostam de fazer.
O meu filho de sete anos, o Mateus, anda no karaté e foi ele que quis ir para o karaté, não é?
E falava imenso do karaté e foi para o karaté e anda no karaté.
Na escola inscrevi-o no futsal e ele andou dois anos no futsal.
E às tantas, não só eu percebi que ele não adorava aquilo, como ele depois também começou a dizer que era uma seca e agora tipo.
Então não vais para o futsal.
Eu não que tu vás para o futsal só porque eu quero que andes no futsal.
Desde que tu gostes.
Tem de haver alguns limites, não é?
Portanto os miúdos não podem fazer só aquilo que gostam não é?
E só aquilo que querem.
Porque se não, só comiam chocolates e só jogavam playstation, não é?
Portanto é preciso ter algum tipo de orientação.
As coisas desse gênero acho que não.
Ok.
Olha, sobre o empreendedorismo.
Como é que isso começou na tua vida?
E tu tens uma série de projetos, até gostava que fala-ses sobre eles.
Um dos teus projetos mais recentes é o pips bazaar que é um ecommerce, que eu percebi que já tem alguma escala e possivelmente ganhará uma ainda maior.
Mas no meio disto tudo, quão é importante para ti esse projeto?
Há outras que tenhas acima desse?
Imagino que sejam muitas coisas, podias escolher alguma e dar-nos aqui alguns exemplos
Sim.
E se calhar também servir de inspiração para estes pais que estão agora em casa eque se calhar estão com vontade de empreender.
O empreendedorismo nasce um bocadinho de uma, nasce dentro de um grande grupo.
Na altura eu era editor da Sábado, em 2014/2013.
E foi o ano em que o Mateus nasceu.
E eu tirei eu a licença-paternidade e fiquei uns cinco meses em casa e durante esses cinco meses, eu na altura eu era editor do suplemento cultura e lifestyle da Sábado que é o GPS, que ainda hoje existe.
E que foi criada por mim 2011 e basicamente eu achei que em 2013, dois anos depois de ter lançado o suplemento, estava na hora de nós virarmos completamente as agulhas para o digital.
Porquê
Porque eu analisei aqui o mercado da área do Life style em digital, percebi que havia ali uma lacuna gigante, não é?
Ou seja, havia um grande player de Life Style em Portugal, que era a Time out, que era focada em Lisboa.
E só havia a Time Out na altura.
Não havia se quer no porto.
E não tinha site.
A Time Out nem site tinha não é?
E eu achei, pá temos aqui uma oportunidade, nós temos que ser nós a ocupar este espaço de criar aqui a maior plataforma de digital Life Style em Portugal.
E montei o projeto todo durante a minha licença de paternidade.
Portanto em 2013, entre setembro e dezembro.
Quando em dezembro voltei ao trabalho, entre julho e setembro peço desculpa, quando em setembro voltei ao trabalho, o diretor da Sábado, com que eu tinha iniciado o trabalho do projeto, a quem eu apresentei a ideia disse: epá força,desenvolve lá isso, vamos embora.
Tinha saído.
O Miguel Pinheiro, hoje o diretor do Observador.
Ele tinha saído da sábado e basicamente eu senti-me na obrigação de apresentar à nova direção, o projeto que tinhamos montado, que estava todo montado, com estrutura de custos, com o tipo de trabalho que íamos fazer, como é que ia ser o projeto, o foco, tudo isso estava tudo desenhado e tudo pronto a implementar.
E a reação que tive foi: ahhh logo se vê.
E eu epá, isto é ou avançamos nós ou vai alguém vai avançar.
Mas de facto é tão evidente que é preciso uma plataforma deste género, que alguém vai criar.
Portanto eu acho que temos que ser nós.
E basicamente andei ali numa guerra durante alguns meses com a direção da Sábado, com a nova direção que basicamente não ligava nenhuma a este projeto e não queria implementá-lo
E eu queria muito criar isto dentro da cofina, porque achei que era uma oportunidade muito grande.
E depois há um momento na vida de, eu acho que todas as pessoas devem passar por isto ou muitas pessoas devem passar em algum momento e que curiosamente tive uma inspiração de uma série, que foi uma série chamada Fargo.
Para quem não conhece é uma série
Genial.
Fabulosa.
Na primeira temporada do Fargo, há uma cena em que há uma das personagens destas que o matava-o.
E onde está o corpo, já não me lembro exatamente do detalhe, mas ele desce a uma cave e nessa cave há um cartaz que está colado na parede, onde estão vários peixes a nadar numa direção e há um peixe sozinho a nadar noutra direção.
E a única frase que diz nesse cartaz é “what if your right and they are wrong”.
E eu pensei exatamente isto, eu estava a ver a série e apareceu-me aquele cartaz à frente e pensei: pah é isto, eu acho que eles estão todos errados, não é?
Eu estou um bocadinho cansado de estar, eu na altura tinha 36 ou 37 anos.
Epá tenho 37 e tenho pessoas que estão acima de mim que têm 40 ou que têm, se calhar tanta experiência como eu e que me estão a dizer, o que é que eu tenho que fazer e o que é que eu não tenho que fazer.
E disse: pá, eu honestamente sinto-me com mais capacidade do que essas pessoas.
Eu acho que essas pessoas estão erradas, acho que eles estão a tomar uma decisão absolutamente errada.
Epá e eu decidi.
Vou eu fazer, pá vou eu fazer eles não querem fazer, vou eu fazer.
E epá basicamente comecei à procura do investidor, arranjei um contactos que me pôs em contato com um potencial investidor, eu apresentei-lhe o projeto e nessa mesma reunião ele disse-se: ok, podes avançar, quanto dinheiro é que tu precisas?
E epá, eu fiz as contas e não sei quê, avancei e pronto.
Ele disse-me: bora, vamos criar.
E criei a Nitte.
E a nitte nasce assim.
É este o início do projeto acabei depois por levar comigo o editor de sociedade da Sábado e a editora do site da sábado mais os estagiários decentes que nós tínhamos lá na Sábado.
E basicamente eramos cinco ou seis no início e criamos a Anitta assim.
Portanto nasce dentro da Sábado com pessoas todas que saem da sábado para criar o projeto.
E foi assim que começou a minha fase de empreendedorismo, com grandes grandes grandes dificuldades no início, não é?
Não havia dinheiro para nada, uma estrutura de custos que não sendo muito elevada, era elevada, o desconhecimento absoluto que eu tinha na área empresarial.
Houve aqui uma série de coisas e de, não é tudo um mar de rosas, isto não é criamos o projeto isto agora é tudo, o projeto demorou dois anos até maturar ponto de vista financeiro.
Portanto foi, obrigou a um investimento inicial, que somado, não é?
Avultado.
Portanto, mas hoje em dia o projeto altamente rentável, líder de mercado, absolutamente sustentado e para mim, apesar de eu já ter vendido o projeto desde 2017, que me dá obviamente um gozo enorme, não é?
De a ter criado e ter fundado e ter tido a ideia, desde o nome até montar o projeto inicial e as bases daquilo que é hoje a Nitte.
Foram pensadas por mim,
Portanto, isso dá-me logo um grande orgulho e desejo que a Nitte, tenha sempre o máximo de sucesso, porque o sucesso de Nitte é o meu sucesso.
Portanto para mim será sempre isso.
Isto foi o primeiro e foi assim que começou um bocadinho tudo.
A Pips Bazar, foi o projeto mais recente que nasceu no confinamento.
Basicamente nasce de uma ideia que na altura trabalhei, estava a trabalhar em casa e a minha mulher na altura, no Instagram dela, por iniciativa dela, promovia uma marca portuguesa todos os dias, ou seja, ela fazia um post, só sobre uma marca, mostrava produtos que essa marca vendia, roupas de criança, roupas de moda, coisas de moda e não sei quê.
E o feedback que nós tínhamos de todas as marcas era, agradecer-lhe tipo: Ana salvaste-nos o confinamento, vendemos não sei quanto, à conta do teu post, isto foi a melhor coisa que nos aconteceu e não sei quê e não sei que mais.
E basicamente o que é que eu achei?
Achei que era possível criarmos uma plataforma tecnológica de ecommerce, em que em vez de ela comunicar uma vez aquela marca e nunca mais voltar a falar dela, encontrarmos um modelo de negócio que fosse vantajoso para as marcas, em que as marcas por um valor muito muito muito abaixo daquilo que é um post patrocinado no Instagram da Pipoca Mais Doce, muito abaixo disso, conseguir sem ter uma comunicação continuada ao longo do ano e ao longo da duração de um contrato e que não falasse apenas uma vez.
E com isso não é?
Ela cumprindo com essas contrapartidas e as marcas pagando um fim mensal muito baixo, nós conseguimos ter uma conta forma de exposição de marcas portuguesas, pequenas marcas portuguesas, que iria ajudá-las imenso e subsistir e muitas marcas que nem site tinham e podiam passar a ter a Pips Bazar como o seu site e o seu ponto de venda de produtos e tudo mais.
Portanto foi um projeto que nasceu com uma ambição muito grande e com uma ambição de ajudar as marcas portuguesas e foi quase como que um projeto pensado com margens muito curtas para nós, mas e que nos dava bastante trabalho, mas para ajudar a economia e para ajudar os pequenos negócios, pessoas que mereciam e tudo mais.
Isto foi aquilo que nós pensamos e foi aquilo que nós quisemos criar.
Depois levamos com a marreta da realidade, não é?
Que é os problemas técnicos de lançar um e-commerce, os sistemas de integração entre a transportadora, o armazém, o sistema de faturação, o site.
Portanto tudo isso é, eu nunca tinha lançado um e-commerce, portanto foi um processo muito muito muito duro, muito muito muito caro para nós também, ou seja, obrigou-nos aqui um investimento brutal, não é?
Para conseguirmos meter a plataforma online.
E conseguimos, só o conseguimos fazer ainda com a plataforma do ponto de vista tecnológico de alguma forma deficitária, no final de dezembro, ou seja, perdemos o natal, perdemos o black friday que eram momentos de vendas muito importantes para nós.
E isto obviamente junto das nossas marcas parceiras, gerou aqui um nível de insatisfação muito grande, não é?
Que levou aqui a nossa relação com as próprias marcas, fosse de alguma tensão, que era completamente o contrário daquilo que estava previsto inicial e aquilo que para qual a plataforma nasceu.
Mas uma coisa é haver uma relação de tensão e uma relação de que em ambas as partes percebam as dificuldades que é lançar um negócio deste género, que é um negócio feito para ajudar a elas, não é? Para ajudar as marcas, sempre com esse objetivo de fundo.
Para nós havia só uma premissa base que é, nós precisávamos obviamente que as marcas pagassem um fim mensal, porque esse fim mensal cobria a nossa estrutura de custos, não é?
E nós não estávamos a criar um projeto para ajudar as marcas e a perder dinheiro.
Nós não queriamos, queriamos apenas não perder dinheiro com o projeto e depois ganhávamos dinheiro na margem que era muito curta também dos produtos que iamos vendendo, com percentagens muito abaixo daquilo que são as percentagens de venda dos e-commerce, precisamente, pronto.
Aí fazendo um projeto que podia escalar, nós mesmo com margens curtas, mas com uma escala grande, nós acabamos por ganhar algum dinheiro com aquilo.
E pronto, sempre pensamos as coisas desta forma.
Aconteceu que durante o mês de janeiro foi assim o primeiro mês online que nós tivemos, tivemos algum tiramos, continuamos a ter muitas dificuldades técnicas com o projeto.
Compras que acabavam por não ser feitas, pessoas que recebiam duas vezes o mesmo produto.
Portanto havia aqui uma série de erros e de bugs que ainda estávamos a corrigir em tempo real, porque lá está, tivemos de lançar a plataforma ainda a tentar não perder o natal e fazer algumas vendas no natal.
Mas também do ponto de vista financeiro, nós não aguentavamos mais uma estrutura de custos muito pesada e muito cara, durante mais meses, ou seja, nós estavamos a pagar uma estrutura de pessoas, a Pips Bazar tinha 11 funcionários, portanto são 11 salários, mais os custos de armazém e mais tudo isso, que estava do nosso lado com estúdios, com um escritório com 300 metros quadrados.
Portanto foi um investimento muito grande que nós fizemos.
Durante o mês de janeiro basicamente tivemos aqui o problema acrescido em cima disto que foi, a Ana teve com convid, não é?
Portanto tivemos dez dias sem conseguir fotografar a Ana e aquilo que no fundo eram os pacotes de contrapartidas que nós tínhamos com as marcas durante o mês de janeiro, não conseguimos cumprir com tudo, ficaram sei lá, vinte, trinta por cento de contrapartida por cumprir.
E durante o mês de janeiro eu tive duas ou três reuniões com as marcas em que expliquei abertamente isto que foi: pá, não se preocupem com a pressão das contrapartidas pá, se não forem agora só no mês seguinte, nós vamos compensar mais para frente, a única coisa que não pode acontecer é de facto vocês não pagarem o fim.
O fim é o que nos cobre as estruturas.
Eu não posso chegar ao fim do mês e não ter como pagar esta máquina toda isso é pago com os fios e nós estamos a dar obviamente exposição e uma exposição muito grande, estamos a dar uma exposição no quinto instagram mais poderoso do país, não é?
Para marcas muitas vezes que têm cinco mil seguidores no Instagram e em que aparecem quatro e cinco vezes por mês num Instagram com 780 mil pessoas.
E com uma taxa de conversão das mais altas do país, não é?
Portanto havia aqui uma situação claramente o win-win e que para nós achamos que sempre que uma, teria de haver aqui um bom senso, não é?
Um entendimento do que foram as nossas dificuldades tecnológicas com a plataforma que nos transcendem, não é?
Ou seja, não consigo dar um murro na mesa e um conector começar a trabalhar, não é?
Portanto é uma coisa que não depende de mim.
Se eu tenho um informático que me diz: pá, já está ok.
E depois aquilo não está a funcionar, a única coisa que eu posso dizer ao informático é: a final não está ok, que continua a dar erro.
E ele ok, vou ver o que é que se passa, não é?
E anda semanas nisto.
Portanto é uma coisa que para nós é muito frustrante e é muito muito dinheiro que investimos ali.
E a reação que tivemos das marcas foi muito pouco compreensiva.
E isto gerou primeiro uma tensão na nossa relação e depois um sentimento na Ana, na própria pipoca, não é?
Que criou este projeto para ajudar as marcas, de absoluta ingratidão foi a sensação que ela teve, foi de absoluta gratidão.
Portanto e de facto isto que aconteceu foi que nós chegamos ao final de janeiro e tivemos setenta por cento das marcas que se recusaram a pagar o fim, porque não tinham tido todas as contrapartidas que estavam negociadas em contrato e nós tomamos a decisão de mudar radicalmente aquilo que é a plataforma.
Portanto o que neste momento nós estamos a fazer é estamos a reestruturar completamente o projeto.
A Pips Bazar vai ser outra coisa completamente diferente.
Vamos continuar a trabalhar obviamente com marcas portuguesas,numa perspectiva diferente, com uma prestação de serviços também diferente e perdemos um bocadinho ou vamos perder um bocadinho o cariz social de ajudar e de querer ajudar.
Porque já o fizemos e isso custou-nos muito muito muito muito dinheiro e a resposta que tivemos do outro lado não foi de todo satisfatória.
Portanto a pips neste momento está a ser reestruturada e estamos a recriar o conceito, precisamente para ir ao encontro daquilo que nós achamos e aprendiamos muito com os erros que cometemos, nós próprios cometemos desde erros de relacionamento com as marcas até de erros de nossos que cometemos com a tecnologia e com tudo mais.
Mas para mim foi e eu dizia muitas vezes isto, ainda bem que aconteceu foi, eu nunca tinha tido um projeto que não tinha corrido como eu queria ou que não tinha, tinha corrido mal.
E agora tive um pronto.
E isto para mim foi de facto uma aprendizagem muito grande e sinto que vou crescer imenso depois de todos estes erros que foram cometidos, do nosso lado, do lado do relacionamento com as marcas, tudo isso.
Portanto acho que, acho que vai ser importante para o futuro, quando eu criar agora mesmo, agora no relançamento do Pips Bazar.
Acho que vamos fazer coisas muito muito muito interessantes ainda com a marca e vai ser um projeto para dar muito que falar.
Espero que sim e vamos ajudar como podermos aqui do nosso lado, porque tem tudo haver também com o nosso público.
Oh Ricardo eu queria~lhe perguntar sobre a presença do Benfica, que é uma coisa que me interessa muito.
Já tens uma uma data?
Como é que está esse projeto?
Vais ter tempo para isso, no meio de todo este aparato profissional-
Quero muito ter tempo para isso.
Continuo firmemente decidido a ser candidato às próximas eleições.
Com basicamente uma certeza que é, não vou ser eleito.
Mas o meu objetivo principal não é ser eleito, o objetivo principal é ser a voz dissonante da voz tradicional, ou seja, eu quero ser a pessoa e quero ser o candidato que defende a pacificação do futebol, que defende que o futebol e os valores do futebol no desporto têm que estar acima de qualquer rivalidade, de qualquer guerra, que defende quase um voltar às raízes nobres do futebol e do desporto.
E é isso que eu defendo para o Benfica.
Eu acho que o Benfica tem que ir, e quem for o presidente do Benfica tem obviamente uma responsabilidade social, é quase um segundo presidente da república, não é?
Portanto tem poder de transformar.
E eu acho que o poder de transformar tem que ir muito além do Benfica, porque eu acho que nós transformando o futebol português, nós também estamos a transformar o Benfica e estamos a transformar a sociedade, não é?
E eu gosto de ter, quero ser esse discurso, quero ser essa pessoa, quero ser a pessoa que diz que o Porto não é meu inimigo, nem nunca vai ser, o Sporting não é meu inimigo nem nunca vai ser.
Que os adeptos do Sporting e do Porto são mais do que bem-vindas ao estádio da luz, não é?
E que é a nossa obrigação e nosso dever enquanto adepto respeitá-los, fazê-los sentirem-se bem-vindos e eles não são meus inimigos, eles são apenas pessoas como eu, que vestem uma camisola diferente e têm todo o direito de apoiar o seu clube, como eu tenho direito a apoiar o Benfica.
Eles apoiam os deles, eu apoio o meu e no fim vamos beber copos juntos.
Porque eu acho que a essência do futebol é essa, não é?
E o clima de guerra que foi instaurado muito por culpa da classe dirigente do futebol, é exatamente, é tudo o contrário de tudo aquilo que eu defendo para o desporto e para o futebol.
Portanto a dependência que o Benfica tem de empresários, jogos de bastidores, os problemas com a justiça, tudo isso é o contrário daquilo que eu acho que deve ser o Benfica é contrário do ADN do Benfica, da história do Benfica e eu acho que é preciso voltarmos atrás.
Acho que é preciso darmos dois, três, quatro, cinco passos atrás e voltamos a fazer as coisas como deve ser, voltamos a devolver a dignidade ao Benfica, porque o ganhar um campeonato não está acima de tudo, não é?
Há valores muito mais importantes do que isso, não é?
Sei lá, coisas que eu defendo e que são pouco populares, a redistribuição dos dividendos dos direitos televisivos pelos clubes.
O Benfica não deve receber 100 milhões e o Beira-Mar receber 600 mil euros.
Não é justo, não é?
É justo que os clubes pequenos recebam muito mais e que os clubes grandes recebam muito menos, não é?
Porque só equilibrando o futebol português e só dando a competitividade ao futebol português, é que o Benfica também vai ganhar com isso.
Porque o Benfica jogando com clubes muito mais fortes durante a semana vai obviamente ter uma prestação europeia bastante melhor, não é?
Nós andar a jogar durante a semana com clubes pequeninos e que não têm meios e que não têm dinheiro para nada, não é?
E depois apanha com um, não vou dizer um Bayern Munique, não é?
Apanha um Eintracht Frankfurt e é eliminado, não é?
É precisamente por isso.
Porque o nosso campeonato não tem competitividade, as nossas equipas competem com equipas medíocres, não é?
Com todo o respeito, não é?
Não são medíocres por serem medíocres.
São medíocres, porque não têm meios e não têm capacidade financeira de investimento para serem melhores, não têm capacidade de atração de público ou de estádio, porque também não têm capacidade de contratar bons jogadores ou melhor jogadores, não é?
Isso faz com que as pessoas também não vão ao estádio, não é?
Portanto tudo isso é uma bola de neve que eu acho que é preciso, lá estar, nós estarmos muitos passos atrás e começar a transformar lentamente.
E eu acho que ninguém mais do que um presidente do Benfica, tem o poder de fazer.
Agora se me perguntas se este discurso ganha eleições.
Epá não ganha.
Nunca vai ganhar.
Não é isso que o índio que vota, quer ouvir.
O índio que vota, quer ouvir que eu vou contratar o Darwin que custa 30 milhões e é o maior e que chega aqui e muda tudo e que vou buscar o Jesus que é um arruaceiro e que só faz mal ao futebol português.
Mas que tem o discurso populista, não é?
E que as pessoas…
E é isso é que deve ser o futebol e é isso que deve ser o Benfica.
A grandeza do Benfica vai muito além do que ganhar campeonatos, muito além e nós nunca podemos perder a nobreza do Benfica.
E eu acho que se perdeu muito, não é?
Para mim entristece muito ver o nome do Benfica na lama, nos jornais todos os dias com casos de justiça e com os casos dos emails e com essas coisas todas.
Pá isso não é o Benfica, isso não é aquilo que eu quero que seja o Benfica.
Agora nunca vou deixar de torcer pelo Benfica, nunca vou querer que o Benfica perca só para eu mostrar que eu tenho razão.
Eu nunca me manifestei este ano desde que o Vieira ganhou as eleições, eu não me manifestei publicamente sobre nada do momento do Benfica, não é?
No entanto tudo o que está a acontecer agora, foi tudo o que eu disse que ia acontecer em sede de eleições, tudo.
Eu disse sempre que isso ia acontecer, não é?
Portanto toda estas dúvidas que eu trouxe para cima da mesa, são coisas que estão a acontecer agora.
O gastares 90 ou 100 milhões num ano em que tu nem sequer sabes se vais à Champions, tu nem sequer sabes se vais ter público no estádio, em que tu tens quase praticamente a certeza que vais ter receitas, se calhar 50, 60, 70, por cento abaixo num ano normal e vais fazer o maior investimento da história do clube com base em quê? Não é?
E que vais trazer um treinador, que é um treinador que apesar de ter tido uma fórmula vencedora noutros anos, é um treinador cheio de anticorpos no clube, não é
Um clube, é um treinador que respeitou o Benfica e a história do Benfica, não é?
Tudo isso são coisas, o contratar o jogador mais caro da história do Benfica, que jogava na segunda divisão de Espanha, onde marcou um golo de cabeça em toda a época e onde marcou 16 golos, 11 deles de pênalti.
Lá está, são coisas que para mim, eu nunca disse,o Darwin não é bom jogador.
Eu não sei, a questão é, eu também nunca disse o Darwin vai ser o próximo não sei quê…
Que foi o discurso que se fez passar, não é?
Que o Darwin já era o maior e não sei quê e vem a isto e vai fazer isto e vai fazer aquilo.
E eu epá, vamos esperar vamos esperar para ver o que é que rende, vamos esperar para saber se um jogador de 24 milhões, não é?
Para a realidade portuguesa, lá está, nunca um clube português comprou um jogador por 24 milhões, por alguma razão é.
Portanto aquilo que se espera de um jogador destes, é que chegue e basicamente parta isto tudo, não é?
E que seja o gajo com game changer, não é?
Está a ser? Não é?
Vai ser de futuro?
Epá, não sei.
Lá está, não consigo fazer esse tipo de projeções.
Agora era o momento de contratar um jogador de 24 milhões?
Era o momento para gastar 90 milhões?
Não era mesmo.
Eu acho que estás a pensar bem.
Escreveste um artigo muito esclarecedor sobre isto, uma série de pontos que eu convidava às pessoas a irem procurar, porque está muito bem explicado.
Ricardo tenho uma última pergunta para te fazer.
Se tivesses um cartaz gigante, que toda a gente poderia ver.
Que mensagem é que escolhias lá deixar?
Be kind.
Sejam sentis.
Ok.
É perfeito.
E se calhar deixa-vas bem claro que era be kind para vocês próprios e para os outros, se calhar faz sentido, não é?
É isso.
Se nós formos gentis uns com os outros, vamos ser todos muito mais felizes.
Genial.
Ricardo foste muito generoso com o teu tempo.
Muito obrigado por tudo.
Obrigado eu.
Se tivesses continuado, tinha-te pedido uma hora e normalmente 1hora e 20.
O bom tempo de Verão convida a passeios ao ar livre com lanches saborosos e de preferência saudáveis, para apreciar a natureza com calma e para as crianças poderem explorar o ambiente livremente.
Seja numa ida à praia, numa caminhada pelo campo ou num passeio ao parque, aproveite para levar a lancheira recheada de coisas boas e saudáveis que façam as delícias dos miúdos e dos graúdos.
Temos algumas sugestões de comidas coloridas, saborosas e saudáveis que podem juntar ao menú do próximo piquenique com a família e amigos.
O piquenique é mais um momento de encontro e convívio familiar, que permite a todos desfrutar desse tempo com calma e alegria. Esses momentos sem pressa são benéficos para a harmonia familiar, mas também para a própria educação alimentar, ou seja, para a forma como saboreamos a comida e a apreciamos e como mostramos às crianças desde cedo, que podemos fazer boas escolhas alimentares, saudáveis e saborosas, associadas a bons momentos de prazer e alegria.
Como dizia a Professora Ana Rita Goes nesta entrevista, é muito importante colocar a tónica na forma como o fazemos e não só no que comemos.
Dica light, mas de ouro:
Uma dica para ajudar a criança a apreciar a comida com gosto especial pelas escolhas saudáveis, passa por envolvê-la na preparação dos lanches:
Façam uma salada de frutas ou uma espetada de frutas juntos, peça à criança para rasgar a alface que vai entrar na sua sanduiche…
Além de ser divertido, isso pode ajudá-la a apreciar a refeição.
O que levar na lancheira?
1. FRUTA. Pode escolher entre uma variedade grande de frutas disponíveis neste época do ano, podendo diversificar nas texturas, formas, cores e sabores, e dando assim (sempre que possível e adequado à idade da criança) a possibilidade da criança experimentar alguma fruta que nunca tenha provado.
E às vezes, variar na apresentação da fruta, na forma como a cortamos, também lhe dá um outro aspeto mais divertido e quem sabe mais vontade de comer:) Pois os olhos também comem!
De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), há evidências de que a ingestão de fruta diminui o risco de diabetes e obesidade.
2. TIRAS OU PEDAÇOS DE VEGETAIS. Cenoura ou pepino crus, brócolos, couve-flor ou curgete cozidos.
Experimente fazer um molho de iogurte ou de queijo meio-gordo para que a criança molhe os pedaços de vegetais.
Vai ser uma experiência diferente que pode ajudá-la a apreciar os vegetais.
Mais uma vez, envolva a criança, sempre que possível, na preparação dos alimentos. Com a devida supervisão e ajuda dos adultos, a criança poderá ajudar a descascar a cenoura ou a separar os brócolos, por exemplo.
3. BOLACHAS DE ÁGUA E SAL, MARIA OU INTEGRAIS. As bolachas são sempre práticas, mas evite que sejam a sua única opção para os lanches.
4. FRUTOS SECOS e FRUTOS GORDOS (SEM SAL). Passa, ameixa, nêspera, figo, amêndoa, amendoim, noz, avelã, pinhão, pistácio, caju…
5. MINI PIZA . Com um disco de pão pita integral ou uma fatia de pão de forma integral, tomate, queijo e orégãos. Acrescente vegetais para torná-la
mais nutritiva! Espinafre, brócolos, beringela, milho, entre outros.
6. ROLINHOS DE QUEIJO E FIAMBRE DE PERU. Pode ser servido com frutas, como ananás e melão. Lembre-se que o fiambre não deve ser um alimento de consumo diário, mas sim ocasional. Opte por aqueles com menor quantidade de sal.
7. SANDES OU TOSTAS. Com pão ou tosta integral ou de mistura. Pode ser uma bolinha, pão de forma, pão pita…Use a imaginação para variar nos recheios e fazer sandes divertidas. Além dos tradicionais queijo, fiambre e manteiga (ou creme vegetal), pode optar por
variar com: queijo fresc0 meio-gordo com tomate e orégãos; queijo creme e fiambre de peru; atum com um pouco de molho de iogurte, milho e alface;
requeijão meio-gordo com cebolinho ou espinafre cozido …
8. PANQUECAS DE BANANA. As crianças adoram comer panquecas, pois são fáceis de agarrar, com textura suave e fácil de mastigar, pelo que mesmo os mais pequeninos as devoram! Pode espreitar esta e muitas outras receitas saudáveis de panquecas, muffins, bolos e tantas outras opções de refeições para a família na página Põe-te na linha da nutricionista Maria Gama.
– 200g de farinha de aveia
– 2 bananas maduras
– 2 ovos
– 100ml de bebida vegetal, leite ou água
– Juntar todos os ingredientes numa tigela grande e levar a uma frigideira antiaderente bem quente e colocar a quantidade de massa que desejar .
9. GELADO. Quem não gosta de um gelado fresquinho no Verão? Sabia que pode preparar o seu gelado em casa, e com a ajuda do seu filho esse gelado saberá ainda melhor? Pode ler aqui as nossas sugestões de gelados caseiros e fáceis de fazer: https://gymboreeclasses.pt/lifestyle/os-miudos-querem-sempre-gelado/
10. PARA BEBER. A água ou o leite são as melhores opções. O leite deve ser gordo até aos 2 anos de idade e meio-gordo a partir dos 2 anos de idade. Também pode ser substituído por bebida de soja natural, enriquecida com cálcio (“leite de soja”), quando necessário.
Para variar, um copo de sumo de fruta natural ou um batido com leite meio-gordo e uma porção de fruta.
Preparem a vossa lancheira atendendo às idades das crianças e às respetivas restrições alimentares, aos seus gostos especiais e ousem experimentar coisas novas!
Divirtam-se muito a saborear bons momentos com a família e os amigos!
Celebrou-se no passado dia 5 de Junho o Dia Mundial do Meio Ambiente e ainda esta semana, no dia 8, assinalou-se o Dia Mundial dos Oceanos. Duas datas importantes que nos recordam a importância das nossas atitudes para cuidar da nossa casa mãe.
Há uma pergunta que atravessa séculos e gerações – como serão as crianças do futuro?
Será que aprenderão a ler e a escrever em tablets? Brincarão na rua? Serão bilingues? Poliglotas?
É impossível prever o futuro, mas há algo que aprendemos com o presente e que será para sempre válido – as crianças são um reflexo da educação dos seus pais, familiares, educadores. Seja qual for o tema, quem partilha essa maravilhosa tarefa de educar conhece bem o seu potencial na construção do comportamento infantil.
Educar crianças ecológicas é um dos grandes desafios do presente e do futuro. Educá-las para uma consciência ecológica e um estilo de vida sustentável deve fazer parte da lista de ensinamentos de todos os educadores. Ensiná-las como poupar água em casa, por exemplo, contribui para o futuro do planeta e para o futuro delas. Eis 5 ideias infalíveis que elas vão adorar!
(imagem retirada de homehunting.pt)
Crie regras e brincadeiras ecológicas em casa
Ensine-lhes todas as regras da reciclagem ou como poupar água por toda a casa. Para envolver o reguila, competições são um bom truque. Quem toma banho mais rápido? Quem reciclou mais papel esta semana? Outra ideia é recriar novos objetos a partir da reciclagem – um brinquedo novo, criado com poucos recursos, serve também como uma ótima lição de vida.
Se os seus filhos passam os finais de dia e os fins de semana fechados em casa, eles certamente não vão estar tão ligados à natureza como as crianças que passam a vida a brincar na rua e no parque. Tentem sair sempre que possam e planeiem aventuras ao ar livre. Deixe-os encher os bolsos de pedras e folhas, rebolar na relva, abraçar as árvores.
Dê o exemplo
As crianças estão sempre atentas ao comportamento dos pais, ao serem o fio condutor dos primeiros anos da sua vida e aprendizagem. Como eles são peritos a repetir comportamentos – bons e maus – não há melhor maneira de os ensinar do que dando o exemplo.
Construam um ecoponto em casa
Utilizem 3 caixas ou sacos e identifiquem-nos com desenhos e respetivas cores para fazer a separação do lixo pelo amarelo, verde e azul. Aqui encontra mais informação para ajudar e ensinar a reciclagem às crianças.
Tenha uma horta em casa
Se não tem um quintal, criem um dentro de casa. Cultivem flores, ervas aromáticas, frutas e legumes. Os seus filhos vão aprender imenso sobre o processo de plantação e de colheita, sobre a importância de cuidar do seu pequeno jardim e até despertar para uma alimentação saudável, já que vão querer comer o que plantaram. Complemente esta ideia com idas regulares ao mercado e jogos sobre as frutas da época.
Leiam livros sobre a natureza
Todas as histórias infantis estão repletas de mensagens inspiradoras e uma moral universal que eles vão perceber. Tentem escolher livros que promovem a proteção da natureza e guardam uma mensagem positiva sobre tudo o que podemos fazer para a conservar. Ou façam um!
E já conhece a nova linha Eco + da Chicco? Acabada de lançar, os brinquedos são produzidos com materiais reciclados e as embalagens também são todas recicláveis.
Gostaria de ver mais actividades? Conheça o nosso programa online.
E também não esquecemos os amigos de quatro patas!
Veja aqui os conselhos do Veterinário André Santos da Clínica Veterinária do Restelo para os cuidados a ter com os animais antes e durante o período de férias.
As melhores brincadeiras de Verão
Preparámos para si uma seleção das melhores brincadeiras de Verão para fazer com os mais pequenos.
Estas brincadeiras são sugeridas para os bebés desde o nascimento até aos 12 meses.
O bebé recém-nascido pode parecer ainda incapaz de fazer muita coisa, mas já apreende muita informação do mundo envolvente através dos seus sentidos. Um recém-nascido é na realidade um ser fascinante: os seus sentidos estão em desenvolvimento, está focado nos adultos cuidadores e mostra-se curioso pelo mundo que o rodeia. Durante os primeiros meses verificam-se grandes ganhos na sua habilidade de controlar os músculos, vindo a tornar-se cada vez mais ativo. É nesta fase que a brincadeira tem um papel fundamental: ajudando cada bebé a tornar-se calmo, atento e curioso. À medida que vai crescendo, surgem outras necessidades e emergem novas potencialidades. Por isso mesmo, as brincadeiras focarão outras competências, nomeadamente a coordenação, a consciência espacial, a força dos principais grupos musculares e a comunicação. O brincar começa com a exploração sensorial pela observação de objetos, pela audição de diferentes sons e pelo toque, até o bebé se mostrar mais sociável, rindo e chamando a atenção com as suas brincadeiras.
Esperamos que passem muitos momentos divertidos com as crianças a chapinhar na água!
1. Espetáculo aquático
Disponibilize na banheira (ou num alguidar ao ar livre), copos, taças e colheres de plástico.
Se ela ainda demonstrar dificuldade em encher e esvaziar os recipientes, sirva de modelo e faça-o para a criança ver. Adorará ver e ouvir as diferentes cascatas!
Competências em destaque:
Coordenação olho-mão
Motricidade fina
Noção de causa e efeito
2. Cuidar das plantas
Procurem flores! Divirtam-se a acariciar e a regar as flores. Pode acontecer que a água vá mais para os vossos pés do que para as flores e isso pode ser muito divertido.
Quando toca com as pétalas de uma flor no bebé, como é que ele reage? A estimulação táctil nas mãos e nos pés do bebé, fazem-no sentir o toque, e ao sentir-se confortável com a estimulação táctil, aprende a aceitar toques inesperados, tal como no uso de diferentes tipos de texturas das roupas e da comida.
A partir dos 8 meses o bebé já pode começar a aprender gestos para comunicar, e isso ajuda-o a adquirir a fala com maior facilidade. Faça um gesto para “flor”! Junte as pontas dos dedos com a palma da mão para cima e ao afastar os dedos e abrir a mão está a imitar uma flor.
Competências em destaque:
Consciência táctil
Consciência corporal
Comunicação não verbal
3. Caranguejo ou Peixe?
Percorra o corpo do bebé, dos dedos dos pés à ponta da cabeça, fazendo cócegas suaves com os seus dedos.
Com os dedos a passar pelo corpo do bebé, estimula-o a aprender mais sobre o mundo e a entender que é independente do que o envolve. Se quer agarrar as suas mãos, está a desenvolver as suas capacidades de alcançar e agarrar!
Dance com o bebé de barriga para baixo, apoiado no seu antebraço, com movimentos suaves e ondulantes como um peixinho na água.
Competências em destaque:
Consciência corporal
Equilíbrio
Força no pescoço e tronco
4. Água, que bom!
Têm sede? O melhor é mesmo beberem água! E com o tempo quente vão hidratando a família.
Brincar com a água em dias quentes, ajuda o bebé a refrescar-se enquanto explora a textura da água. Gosta de brincar com as mãos? E com os pés? Se estiver ao seu colo, dentro de água, podem brincar a dançar enquanto cantam as vossas canções preferidas!
Ensinar desde cedo (aproximadamente pelos 8 meses) o gesto para “beber”, com a mão fechada e o polegar esticado trazendo até à boca, facilitará a comunicação com a criança que se sentirá feliz e com as suas necessidades correspondidas a tempo. Faça o gesto sempre que lhe der água. Muito em breve, quando estiver com sede, todos saberão!
O vídeo é sobre Psicomotricidade Infantil, mas também sobre:
-educação infantil
-atividades de psicomotricidade
-brincadeiras psicomotoras
Convidámos a Psicomotricista Rita Palma para falar sobre Psicomotricidade Infantil no Dicionário das Crianças – O nosso podcast semanal sobre tudo o que está relacionado com a parentalidade e com a infância.
Olá Rita.
Olá.
Tudo bem?
Tudo bem
Obrigado por este bocadinho.
Obrigado eu pelo convite, é uma honra.
Ora essa.
É uma honra nossa.
Eu já assisti alguns dos teus podcasts.
Alguns dos que tu permites, porque há alguns que são secretos, não é?
Para a profissão, mas acho que faz um trabalho fascinante e eu ia começar por aí.
Eu ia te pedir que te apresenta-ses e que falasses um bocadinho dos teus projetos, mas principalmente no teu podcast, que eu acho que é fascinante e que pode interessar a nossa audiência também.
Obrigada.
Antes de mais muito obrigada por me teres convidados, realmente eu acho que este mundo virtual permitiu-nos estar mais ligados como estavamos a falar também há bocadinho.
É que a já não se admite a barreira da distância, cada vez estamos mais próximos e acho que temos que utilizar isto para crescermos.
E foi com isto que nasceram os psicomotri teólogos.
Foi um projeto online que nasceu em abril e nasceu muito na minha necessidade de falar sobre psicomotricidade.
E falar de psicomotricidade como psicomotricistas, o objetivo primeiro foi mesmo para psicomotricistas, mas depois percebi que também fazia sentido divulgar a nossa área.
Então fiz algumas Pisomotri Talks abertas a todos os participantes, todos os que quisessem.
Mas faz sentido se calhar também explicar um bocadinho quem é que eu sou.
O meu nome é Rita Palma sou psicomotricista.
Sou uma amante da área da psicomotricidade, gosto muito do que faço e acho que isso faz toda a diferença.
Sou algarvia de gema, mas estou em Lisboa e uma coisa que gosto muito de Lisboa foi as oportunidades que me trouxeram.
E Lisboa a permitiu-me tirar uma formação, tirei a minha formação na faculdade motricidade humana, numa faculdade que é mais conhecida por desporto, mas que tem professores fantásticos como o professor Carlos Neto, o professor Rui Martins, que nos fazem crescer e pensar e tornarmo-nos psicomotricistas e permitiu-me também depois começar a trabalhar num hospital.
Que é o hospital Dona Estefânia, onde trabalho na pedopsiquiatria, tanto em contexto de internamento como também em consulta externa.
E há três anos abriu um projeto de contexto privado, com um musicoterapeuta que é o espaço crescente que é o espaço de intervenções terapêuticas em telheiras.
E basicamente é isto.
Oh Rita, como é que podemos encontrar acrescente?
Tens um endereço que nós possamos consultar?
Sim, nós temos na página de Facebook, mas nós temos o espaço em Telheiras e a página do Facebook chama-se mesmo ”Cressente” com dois S ou seja de crescer e sentir, na página do Facebook e depois também temos as nossas páginas de Facebook profissionais individuais.
Muito bem.
Olha, vamos começar aqui em grande com uma pergunta importante para um leigo como eu.
Apesar de eu trabalhar aqui à volta desta área, a minha formação é em gestão.
E eu ia te perguntar a ti em particular, o que é psicomotricidade ou o que é para ti a psicomotricidade.
Essa pergunta nós ouvimos desde o primeiro ano da faculdade..
Que as pessoas perguntam: psico e quê? Como é que isso se diz? O que é que isso é?
Eu acho que estamos sempre muito preocupados em definir qual é que é melhor definição para explicar o que é que é psicomotricidade.
Para mim a psicomotricidade é uma terapia de medição corporal, que utiliza o corpo, o corpo em movimento na relação para intervir qualquer problemática.
Quando existe doença ou na ausência de doença, nós trabalhamos na prevenção, na intervenção e na reeducação e utilizamos diferentes técnicas.
Técnicas mais expressivas, técnicas de relaxação, de consciencialização corporal, utilizamos também o jogo simbólico.
Mas a nossa intencionalidade quando propomos à criança uma atividade, está muito relacionada com o projeto terapêutico que pré definimos para aquela criança.
Eu falo muito para crianças, mas a Gymboree também é para crianças, mas tenho muitos colegas meus a trabalhar com outras populações e também em contextos diferentes.
O meu contexto é contexto hospitalar, contexto clínico.
Mas tenho colegas meus a trabalhar em contexto educacional, institucional, com idosos, com crianças, com adultos e tem no campo da prevenção como na reeducação, como na intervenção.
Mas basicamente é isso.
Muito bem.
Rita, aqui no meu estudo sobre a nossa conversa de hoje, há uma palavra que aparece muitas vezes e que eu acho que eu queria abordar aqui, que é a palavra :corpo.
E eu acho que era interessante se calhar ouvir a tua definição de corpo, o que é para ti corpo? Vai muito além de uma ferramenta? É um invólucro? É uma coisa que tu quando olhas para o corpo o que é que tu vês? Qual é o potencial? E se calhar onde é que esse potencial fica importado para a maior parte das pessoas que não estão tão conscientes da sua importância.
Há uma coisa que me preocupa imenso, essa pergunta é muito difícil.
Mas há uma coisa que preocupa imenso que é pensar onde é que está o corpo, não é?
Eu sinto, para mim o corpo é muito mais do que uma imagem e temos que definir isso.
O corpo é muito mais que uma imagem.
O corpo é o sentir, o corpo é um envolve, é verdade. É pele, é um conjunto de órgãos, mas é o que nos permite também estar em contacto com o mundo.
De estar na relação com o outro e através da linguagem não verbal o corpo expressa emoções a informações que não é possível traduzir em palavras.
E quem aprenda a falar esta linguagem do corpo, tem ferramentas e canais de comunicação excelentes e formidáveis.
E o que nos vai retirar, a tecnologia, esta sociedade que valoriza mais a estética do que é ética.
Isto vem nos tirar realmente esta importância que nós damos ao corpo, ao que deveríamos dar ao corpo. Porque não nos podemos de esquecer do nosso corpo ancestral, não é?
Não nos podemos esquecer da história que carregamos e não nos podemos esquecer do que somos.
E nós somos um corpo, não temos um corpo, somos um corpo!
E eu acho que estamos um bocadinho perdidos nesta questão e isto preocupa-me imenso.
Enquanto psicomotricista, enquanto a pessoa quando ser humano, enquanto pessoa que se gosta de relacionar com os outros, preocupa-me imenso, onde é que está o corpo,
E com isto também pergunto-te e por causa das Psicomotri Talks tem me permitido conversar com pessoas bastante interessantes.
O doutor Augusto fala: ok, onde é que está o corpo? Mas onde é que está o pensamento, não é?
Quando um pensamento não é organizado ou não é contido, onde é que ele vai emergir?
Vai emergir no corpo.
Quando falamos por exemplo na patologia, nas automutilações, nas patologias como a anorexia nervosa, o corpo fala o que a mente não consegue falar, não é?
E como é que nós podemos estar atentos esta linguagem e dar mos um significado desta linguagem intervimos sobre isto, sobre esta questão.
E por isso é impossível desvalorizamos o corpo.
Uau.
Rita, há bocado antes de nós entrarmos no ar eu tinha te, estávamos a falar um bocadinho sobre o nome da vossa licenciatura que chama reabilitação psicomotora e até tinha perguntado se não achavas que prejudicava um bocadinho termo, pois esta palavra de reabilitação quando há tanto para fazer fora da reabilitação, de forma preventiva ou proativa.
A minha pergunta seguinte era: qual é obviamente a importância da psicomotricidade, mas eu queria dar-te aqui algumas balizas.
Nós no currículo português nós temos uma disciplina que toca no corpo que se chama educação física, pronto.
Essa é a disciplina que nós sabemos que é obrigatória que a maior parte das crianças têm acesso.
Como é que a gente pode fazer esta questão de educação física versus a psicomotricidade?
Onde é que elas se tocam e onde é que elas estão separadas?
Eu se calhar ia um bocado além disto, em vez de educação física versus a psicomotricidade, podemos falar também sobre a dança versus a psicomotricidade, a natação versus a psicomotricidade.
Conseguimos falar sobre isto um bocadinho, porque eu acho que era importante para as pessoas que estão fora perceber realmente onde é que elas se tocam e onde é que elas se separam.
Eu acho que, onde elas se tocam é na experiência psicomotora, não é?
As nossas crianças em qualquer atividade que tenham aumentam o seu repertório psicomotor e quanto maior for o repertório melhor, ou seja, através da dança, através do jogo, através de um desporto específico, através do subir às árvores, de brincar à apanhada e são experiências psicomotoras.
E eu acho que quanto maior for o repertório das nossas crianças, se ela souber assaltar, dar cambalhotas, a correr, dançar.
Quanto maior mais saúde, mais saúde mental, mais felicidade, mais empreendedorismo, mais sucesso.
Depois, quando falamos de psicomotricidade e interessante falarmos sobre isto, porque por exemplo educação física no pré na pré escolar e tudo mais chama-se psicomotricidade, não é?
Aqui existe uma diferença com a intervenção psicomotora.
Nós não pulamos só por pular, para aumentar o repertório motor, não corremos só por correr. Mas temos uma intencionalidade terapêutica e nesta intencionalidade nós jogamos seja com a dimensão motora, seja com a dimensão cognitiva ou com a dimensão socioemocional.
E aí faz a diferença, não é só o jogo por jogo, que também é muito importante, não é só o brincar livre pelo brincar livre também é muito importante, mas sim sempre com uma intencionalidade terapêutica e aí que difere a intervenção psicomotora da psicomotricidade no geral e das experiências psicomotores.
Ok.
Imagina que tu tinhas um papel importante e podias definir o currículo da educação física ou podiamos chamar-lhe outra coisa qualquer, se calhar um bocadinho mais abrangente e que pudesse tocar o que é que a educação física não faz, porque eu acho que isso é uma lacuna atualmente, todas as pessoas tiveram educação física, mas muito poucas, se calhar adquiriram aquele alfabeto de movimentos, aquele repertório que estavas a falar.
E depois obviamente que isso afeta muitas coisas na sua vida, linguagem, a forma como se sentem em forma, como se projetam a sua autoconfiança.
O que é que tu mudarias?
E a partir de que idade?
Eu acho essa pergunta é difícil.
Porque eu acho que motivava mais as pessoas, ou seja, tentava mostrar isto pode ser um bocadinho sonhador, mas se o professor Carlos Neto com aquela idade pode ser muito sonhador, eu também posso.
Porque e com aquela experiência. porque eu acho que as pessoas estão perdidas.
De qual é que é a verdadeira motivação para o qual educação física faz parte do currículo.
Eu tenho miúdas que sigo em consulta, que não querem e é interessante que isto também é patologia interessante, que são aquelas mais perfeccionistas que não querem educação física no currículo.
Mas porquê?
Porque é que realmente mexer o corpo, ter movimento e mover o corpo para poder pensar e depois do pensamento mover com a intencionalidade.
Porque é que a não há de fazer parte do currículo?
Porque é que isso tem de ser desvalorizado?
Porque é que a média é mais importante do que a experiência?
E eu acho que está aí, eu acho que precisamos de professores de educação física que motivem mais os alunos e que se calhar eles também são muito pressionados com o plano que tem que cumprir, mas que motivem mais o porquê do movimento.
Porque é que é realmente importante e que o movimento traz bem-estar físico e mental.
Eu acho que é por aí.
E essas são as principais vantagens da prevenção de saúde mental, da prevenção de problemas cardiorespiratórios e isso também me assusta um bocadinho que é, esse sedentarismo com qual estamos a caminhar, isto tem consequências.
E essas consequências são muito mais caras de que uma prevenção agora, não é?
Uma doença cardiorrespiratória ou seja o que for, no futuro vai ser muito mais caro para o nosso sistema porque não investimos na prevenção?
Mas isto eu acho que tem outras dimensões.
E achas que o currículo é adequado ou podíamos alterá-lo?
Não é só uma questão de vontade política, é uma questão de tem qualidade.
A questão do basquete, lançam ali umas cambalhotas, o volley.
Portanto toca-se ali uma série de desportos, se calhar não se toca nas artes marciais, que é uma parte se calhar um bocadinho mais cara, não há adaptação, se calhar por questões de logísticas.
Mas devíamos de fazer um esforço para mudar aquilo, se calhar fazer coisas com maior retorno e se calhar que possam ser mais motivadores e que possam ficar mais permanentes na aprendizagem das crianças.
Mas eu considero que o basquete é importantíssimo.
Eu considero que os jogos de grupos são importantíssimos, um jogo de basquete, um jogo de futebol, um jogo de regras.
É importantíssimo para as nossas crianças mais tarde fazer um transfere para uma reunião de trabalho, um trabalho em equipa numa empresa.
Eu acho que essas competências que se aprendem na disciplina de educação física com esse tipo de jogos, são competências que não se aprendem na promoção de competências académicas, numa biologia, numa talvez nos trabalhos de grupo, mas não é igual, não é?
O espírito de equipa, o lutar por um objetivo, o espírito crítico, o encontrar a solução.
Eu acho que educação física promove estas questões e não podemos desvalorizar.
Claro que é importante, o plano não é?
O plano curricular, mas também faz toda a diferença quando o professor de educação física motiva os nossos alunos a isso, não é?
E eu com isto, ou seja, eu não sou a melhor, a mais conhecedora desta questão. Eu não sei quais são os planos, eu falo como aluna, não é?
Já fui aluna de educação física e para mim foi muito importante, não só porque praticava desporto na escola em educação física, mas também praticava outro tipo de desportos.
E para mim isso foi importantíssimo, até mesmo para criar um grupo de amigos fora da minha turma, é um grupo com outros interesses com quem aprendi outras questões.
Eu agora por exemplo agora estou a pensar no futebol, o futebol não é só para Cristianos Ronaldos, não é?
O futebol é para ensinar muitas mais coisas, mas aqui os meus amigos educação física falam muito melhor do que eu, nesta questão.
Nós vamos falar com professor educação física brevemente.
Já está na calha.
Mas ainda não…
Quem é?
Olha é um treinador de esgrima e ainda não falei com ele, portanto não quero…
Está bem, está bem, mas se precisarem, sim sim sim.
Eu acho que é.
Olha se calhar nós chegamos a uma altura interessante para começar a falar do brincar e na importância do brincar.
Aqui há uma linguagem e é uma coisa super natural para uma criança, portanto não precisamos de ter regras e não precisamos de a convencer.
É uma coisa que se pode começar a fazer desde muito cedo e pronto.
Isto não é só a minha praia no Gymboree, mas também como pai eu sinto que é a forma mais rápida e mais eficaz de chegar aos meus filhos, é através da brincadeira, não é?
Eu imagino que seja uma parte importante da vossa formação.
Queres falar um bocadinho sobre isso e o que é que tocou quando estavas a aprender sobre o brincar.
Qual é que foi qual foi assim momento “uau” que tiveste na faculdade sobre este campo, vá?
O momento “uau” foi na cadeira que tive com o professor Carlos Neto, em que nós tivemos a honra de poder participar, nós tinhamos uma turma de crianças, que iam à nossa faculdade ter educação física com o professor Carlos Neto e nós observávamos.
O nosso trabalho era observar e brincar com elas.
Isso foi fantástico, foi ok é isto, é isto brincar não é só brincar.
Brincar é muito mais do que isso.
E uma criança fala através do brincar, testa a partir através do brincar, experimenta cresce e é aí que está o futuro.
É aí que está o futuro, não é na repetição de tarefas, não é no só no sentar e ficar e decorar que está o futuro e que está o sucesso.
É através do brincar, eu acho que o brincar é uma ferramenta importantíssima para o desenvolvimento e para o futuro da nossa sociedade, porque realmente nós estamos muito preocupados e o professor Carlos Neto fala disto muito bem, é impossível falar sobre o brincar em Portugal e fora de Portugal, sem falar do professor Carlos Neto pagar.
O professor Carlos Neto lançou agora um livro do: libertem as crianças.
Mas desde o início da minha formação acadêmica, que eu oiço o professor Carlos Neto a dizer isto, não é?
De que passeiam se mais os cães do que as crianças, que as pessoas estão na prisão, têm mais tempo para o ar livre do que as próprias crianças, para mim isto era impensável.
Eu sou e como apresentei no início sou algarvia e sou de uma terra muito mais pequenina, onde a minha infância foi feita também no brincar na rua.
Isto para mim é impensável saber que uma criança cá, nestas condições não faz.
E acho que é importantíssimo, agora pensando também como um instrumento de intervenção, eu consigo muito mais chegar à criança e muito mais atingir os objetivos terapêuticos da criança, quando o faço através da brincadeira espontânea, porque é linguagem delas.
Eu posso pedir para ela fazer uma atividade, pode ser sugerida por mim pensada sobre para ela, mas na relação e no brincar é quando é uma baixa ao nível da criança e sinto aquela criança, que em conjunto criamos crescimento, não é?
Criamos coisas bonitas e vou falar disto, por exemplo o brincar às lutas.
Este é um assunto difícil enquanto dizem: ah não isso, é uma brincadeira muito agressiva, pistolas nerfs, que horror.
Não, isso é super divertido.
E quando eu falo disto com os pais e tento desconstruir um bocado isto, que é vocês pensam que os nossos pais e eu disto eu tenho imensa empatia pelos pais, eu acho que é super difícil ser-se pai na sociedade em que nos encontramos agora, em tudo está explicado nos livros.
Existem livros para explicar como é que eles têm que comer, como é que eles têm que dormir e tem que ser feito daquela forma.
Por isso eu acho que é muito difícil mesmo ser-se pai, mas como estava a dizer, estávamos a falar sobre a brincadeira das lutas e os pais dizem: não não não, isso é muito agressivo, mas depois as nossas crianças estão com o ecrã a matar a cada 10 segundos, a atropelar em que o objetivo do jogo é quantas pessoas se atropelam são jogos super super super agressivos e que não têm consequência, porque assim que acaba, eles metem play outra vez e começa tudo de novo.
E quando eu brinco ao jogo de o matar, em sessão é importantíssimo, porque ele sabe que me mata e eu vou fingir que estou caída e que estou morta. Existe uma consequência ele pode meter no play e diz: Rita então? Não brincas?
Não, tens de me ressuscitar, se queres que eu brinque contigo, tu tiraste… ou seja tem uma consequência e isto pode ser através do brincar, isto tem que ser experimentado através do brincar.
E por exemplo quando eu falo disto com os pais e digo: então mas o que é que o filho, o que é que o seu filho brinca?
Brinca aos videojogos.
Mas já se sentou ao lado dele?
Tente saber o que é que ele está a brincar. Brinque com ele, pense como construir ou recriar essa brincadeira no mundo real e faça com ele.
Só que eu acho que isto é super difícil, quando temos imensos estímulos e imenso marketing à volta destes vídeos jogos, que prendem a atenção das crianças.
Isto também me faz lembrar outra coisa que é, quando nós perguntamos à nossa criança quando está fechada em casa, o que é que ela quer fazer e quando ela em casa tem Playstation, um computador e um telemóvel ela vai querer fazer isso.
Quando estamos, por exemplo hoje de manhã fui passear em Monsanto com uma filha de uns amigos meus e quando eu lhe pergunto o que é que ela quer fazer, ela quer subir às árvores, ela quer agarrar nos paus, ela quer correr, ela quer andar na lama e sujar-se até aos joelhos, ela não quer agarrar-se ao telemóvel.
Por isso a importância também é importante vermos qual é o contexto em que nós fazemos a pergunta, não é?
Porque eu acho que o brincar é fundamental.
Olha só voltar um bocadinho atrás, porque falaste no Carlos Neto, já mais do que uma vez e o professor Carlos Neto visitou o Gymboree quando abrimos há 14 anos atrás, a convite de uma professora nossa que foi que foi aluna dele chamada Filipa Marcelino.
Ele foi visitar o Gymboree portanto foi uma inspiração para nós, estávamos a começar portanto sabiamos, não sabiamos ler nem escrever nesta área.
Apesar de termos trazido muito conhecimento dos Estados Unidos e do resto do mundo, foi ótimo ver um tecano como eu, não é?
Já na altura era uma sumidade na área.
Poder dar-nos uma força e portanto foi altamente inspirador.
Estavas a falar do brincar.
Existe uma hierarquia do brincar, existe uma brincadeira mais valiosa do que a outra, fala-se muito na importância do brincar na rua, o brincar em casa é menos importante o brincar na rua ou um jogo de tabuleiro é menos importante do que do que brincar em casa de outra forma com o corpo.
Qual é a tua opinião sobre isso?
Eu acho que não existe uma regra de qual é que é o ideal, não é?
Eu acho que já existem tantas regras, que eu acho que temos de nos desligar um bocadinho disso e sentir a nossa criança.
Temos que sentir o que é que será que podemos fazer com ela agora e se existe a brincadeiras muito repetitivas, nós também podemos propor, mas tem que ir também do interesse à criança, porque senão deixa de ser uma brincadeira e passa a ser uma tarefa.
Eu posso aqui dizer que realmente o jogo de tabuleiro é importantíssimo dos 6 aos 7 meses, vai estar ali o pai a impingir.
E isso já não é o brincar livre, não é?
Eu acho que temos que sentir, é importante todo esse tipo de jogos e eu acho que o pai, o educador e tudo mais, pode propor jogos, mas tem que ser do interesse de um e do outro.
Porque o pai, e isto aqui eu sou uma adulta e eu também gosto muito de brincar com as minhas crianças, mas eu sei para os pais também é muito importante que ele esteja bem, que ele esteja com prazer na atividade, se não também não passa a ser prazeroso para os dois.
Mas sim existem atividades específicas para cada idade, mas eu acho que mais importante que isso é o interesse de ambas as partes que estão a jogar e a brincar.
Muito bem.
Só aqui uma nota, o Pedro Valentim foi o meu Mestre de Taekwondo e ele é professor de educação física, deixou-nos aqui um comentário muito simpático no Facebook.
É mais um statement do que uma pergunta, mas pronto queria agradecer ao Pedro e convidar as pessoas a fazerem perguntas à Rita, enquanto estamos aqui em directo.
E depois já vai ser tarde, eu consigo ler as mensagens, mas não consigo responder, só se forem feitos através do YouTube.
Rita qual é a importância da água na psicomotricidade e do desenvolvimento?
Eu também vi que é uma coisa que aparece com alguma frequência e sei que há psicomotricistas que trabalham mais o meio aquático do que outros, não é?
Eu não trabalho em meio aquático, mas já tive a oportunidade de intervir no tempo da minha informação em meio aquático.
E a água tem realmente potencialidades enormes ao nível do desenvolvimento infantil, da promoção de competências, não só competências motoras relacionadas com a natação, mas também com a estimulação, por exemplo no contexto da água sei que os idosos, o peso do corpo dentro da água tem outro peso e aí nós podemos brincar com essa questão e também as nossas crianças muitas vezes, por exemplo com um corpo mais hipertónico, isto quer dizer mais contraído, com algumas atividades, nós psicomotricistas conseguimos promover uma maior relaxação neste meio aquático.
Tem uma potencialidade enorme também, por exemplo eu trabalhei com crianças com perturbações do espectro do autismo. E então através na piscina, onde as crianças gostavam muito, nós conseguimos fazer tarefas cognitivas de completar espaços, enigmas dentro de água.
E isso tinha assim um campo enorme de possibilidades.
Ok.
Olha, em relação aos pais, qual é que achas que deve ser a intervenção dos pais?
E qual é o papel dos pais enquanto modelos?
Isto se calhar remete um bocadinho para a conversa que tivemos há bocado, da importância da educação física e se calhar dessa tua paciente perfeccionista que não dava importância, porque aquilo não conta muito para a média ou que se calhar não consegue ter tão boas notas e portanto não contribui para a sua entrada na faculdade.
Mas os pais vivem muito também nesta prisão não é?
Do que é que conta.
E a carreira e a educação física parece uma coisa secundária, porque não estão tão sensibilizados para toda a saúde que está ali ligada e o equilíbrio emocional, saúde física e a própria curiosidade e a cognição ficou muito afetadas.
Onde é que achas que podemos começar a recrutar os pais para ajudar no desenvolvimento da criança e do adolescente e depois até do jovem adulto?
Eu acho que são nas pequenas escolhas que fazemos no dia a dia, não é?
Se essas escolhas forem mais promotoras de saúde, de atividade e menos promotores de sedentarismo, eu acho que aí já estamos a mudar mentalidades, não é?
Mas lá está, isto aqui também é importante o modelo do pai e dos pais, não estou com isto a dizer que todos os pais têm que ser muito ativos e que têm de correr fazer e fazer jogging. Mas os pais podem realmente fazer escolhas, como ir para o parque com as nossas crianças.
E permitirem que elas possam ter outro tipo de experiências mais ativas, porque as nossas crianças precisam de se mexer.
Precisam de se mover para continuar a construir pensamento crítico.
Eu acho isso que me perguntas, em que existe um peso enorme nesta questão curricular em que as notas realmente têm um peso enorme.
E é uma pressão brutal em que podia, mas isto ter podia se analisar não é?
Porque é que realmente uma criança que está no nono ano ou no oitavo ano, a nota é assim tão importante?
É importante a criança aprender a gostar da escola.
Por isso no meu primeiro ano, no primeiro ano ela tem que aprender a gostar da escola.
O objetivo não é tanto a letra tão perfeita, mas sim aprender a gostar de aprender.
E aí também vem muito pelo modelo dos pais, se os pais promovem esta questão de que é importante gostar de aprender, é importante o que estão realmente a aprender, a promover o espírito crítico e tudo mais. E não tanto qual é a nota final, ou seja, a qualidade e não a quantidade.
Eu acho que é importantíssimo e se os pais poderem se apaziguar com isso, eu acho teríamos crianças mais felizes e se calhar com menos pressão.
E atrevo-me a dizer se calhar com melhores notas, porque eu também trabalho numa população muito específica e com isto eu quero dar a erro, eu acho que no início do podcast dizes com muita razão, que isto são opiniões.
Mas eu não quero induzir a erro, mas se as nossas crianças eu vejo agora cada vez mais crianças com imensa ansiedade, sem a capacidade de regular os seus estados emocionais e se elas tivessem menos expressão menos necessidade de serem perfeitas, menos necessidade de se terem as melhores notas para serem vistas.
Eu acho que elas estariam mais tranquilas e atrevo-me a dizer que teriam melhores notas.
Isto é um risco, mas se alguém tiver contra pode dizer e podemos discutir esse assunto, mas realmente a pressão que estamos a viver e com isto a pressão para os pais também, porque os seus filhos terem boas notas também é o sucesso dos pais, se calhar não é bem assim.
Se calhar temos que colocar isto em crítica.
Consegues ler esta pergunta, Rita?
Que o Pedro Valentim colocou?
As crianças hoje em dia não conseguem brincar sem a moderação do adulto, não é importante para a sua criatividade e autonomia brincarem sozinhos.
Sim também é.
Eu acho que é importante brincarem sozinhos, tem que ser um jogo, ou seja eles têm de ter tempo para a brincadeira autônoma, mas também com a mediação com os adultos, porque eu tenho crianças, lá está, eu também num contexto muito particular.
Mas por exemplo, uma filha de uns amigos meus, em que numa conversa em que ele me dizia: ah mas eu digo para ela ir para o quarto brincar e ela não vai, ela prefere a ver televisão, e pede e pede e eu é que tenho de ir com ela.
E eu, é verdade, ele vai, os pais vão no início, mas depois se deixarem lá, ela fica lá a brincar sozinha.
E se calhar isto tem de ser um processo, o pai pode, os pais podem brincar com as crianças, mas depois podem lhe dar as ferramentas necessárias para elas brincarem sozinhas.
E depois para criarem também o seu imaginário, não é?
Criarem brincadeiras de faz-de-conta e depois elas podem continuar a história, ou seja, este tipo de estratégias eu acho que são importantes para promover também a autonomia na brincadeira das nossas crianças.
Sim, mas acho tão importante um como o outro.
Ok.
Aqui como minha opinião pessoal, vale o que vale, eu acho que nós temos um papel muito importante no modelo que somos e esse papel começa anos antes de sermos pais.
Já em pequeninos a forma como nós brincamos e estamos receptivos são pronto um conjunto de conhecimentos e vá lá alfabetos diferentes o alfabeto do movimento é um deles.
Há muitos outros, há um alfabeto de emoções, há um alfabeto da curiosidade, portanto há obviamente um alfabeto da matemática e da lógica.
Se nós usarmos esse alfabeto e o mostrarmos com abundância, os nossos filhos vão acabar por receber esses inputs e vão ficar curiosa, mas vão saber que eles existem.
Existe uma inocência com o qual nós nascemos, que é há um conjunto de coisas, mas não sabemos e nós não sabemos o que não sabemos.
Eu por exemplo sei que não sei falar mandarim, mas eu sei que existe o mandarim, há pessoas que não têm essa consciência sequer.
Se eu tivesse crescido na Amazônia, não sabia que havia não sei quantas línguas diferentes para eu aprender.
E portanto a inocência realmente é uma coisa triste, mas não conseguimos agir sobre ela, porque nós não sabemos o que não sabemos.
E portanto se começamos a ficar sensíveis para o modelo que nós somos, vai inspirar os nossos filhos a fazer mais assim ou mais assado ou pelo menos vai lhes dar caminhos, eu acho que podemos usar esse privilégio de modeladores que somos e tentar ajudá-los como for possível, não é?
Rita, sobre o reconhecimento da vossa profissão,aqui uma coisa que me preocupa um bocadinho, a psicomotricidade quanto tempo é que tem Portugal e qual tem sido mais ou menos o vosso histórico?
Qual é o status da profissão neste momento?
Nós somos ainda uns adultos, jovens adultos, ou seja, tem muito pouco tempo, é verdade, mas fala se de psicomotricidade há muito tempo.
Seja nós estamos inseridos na faculdade motricidade humana por exemplo e também noutras faculdades, estou sempre falar da minha faculdade, mas a reabilitação psicomotora existe há pouco tempo, como enquanto licenciatura.
Antigamente chamava-se não quero errar, mas tinha haver mais com a educação especial e reabilitação psicomotora, ou seja, este foi todo um processo.
A dificuldade no reconhecimento tem haver com questões também legais, que ainda não estão a avançar por isso mesmo.
Temos pouco tempo e também por precisarmos de fundamentação teórica que existe, mas precisamos também de lançar mais reconhecimento a esse nível.
Mas eu acho que também tenho muita haver e é nisto que eu gosto de acreditar e é por isso que este projeto, o projeto das Psicomotri Talks também foi para a frente.
Que é o quanto nós acreditamos nisto, não é?
Enquanto nós psicomotricistas, achamos que realmente… achamos não, temos a certeza que isto faz a diferença, isto é uma intervenção com base científica é na intencionalidade, é na relação, é na intervenção psicomotora, que nós conseguimos intervir através do novo verbal, através de patologias, através da prevenção.
Isto faz mesmo todo o sentido e nós temos um papel fundamental para isso, não é só a nossa Associação Portuguesa de psicomotricidade que tem que lutar por este reconhecimento, mas também nós psicomotricistas, não é?
Sendo rigorosos no trabalho que fazemos, na divulgação, porque eu acho que isto também é importante.
Não vamos a lado nenhum se não vendermos o nosso peixe.
Na divulgação, nas nossas práticas e realmente, a escrever né? Artigos científicos, mas também outro tipo de escritas.
Escrever papai, escrever… porque todas as pessoas estão aqui e conhecem um psicomotricista reconhecem-nos.
Por isso se todos os psicomotricista darem-se a conhecer, vamos promover que a nossa a área seja mais reconhecida.
Ok.
Existe algum país que seja o modelo a seguir, tens algum país que tu sintas que estão muito à frente e é para ali que a gente deve caminhar?
Sim, Paris.
Paris está muito, França está muito integrado, está muito bem integrado.
Ok.
Temos reconhecido e temos uma grande área de investigação e reconhecidos mesmo, como por exemplo em hospitais somos… fazemos sempre parte das equipas multidisciplinares, mas estamos aí por isso caminho, por exemplo, até há pouco tempo não existe psicomotricista, tantos psicomotricistas nos hospitais.
Eu felizmente faço parte de uma de uma equipa multidisciplinar, onde no hospital Dona Estefânia na equipa da pedopsiquiatria, temos uma psicomotricista que sou eu, no internamento e em consulta externa.
Temos outra na clínica do parque, ou seja e trabalhamos sempre em multidisciplinaridade, por exemplo com terapeutas ocupacionais, psicólogos e essa equipa reconhece, reconhecem-nos.
Por isso é andar para frente.
Estás me a dizer que é, portanto em França, Paris em particular, isso é transversal a todas as idades.
Portanto toca toda a população?
Sim sim sim sim.
Seja com idosos, adultos, crianças com patologia, sem patologia, sim.
Ok.
Máximo.
O que é que achas que, como é que achas que eles chegaram aí?
Foi uma questão sensível…
Eu acho que é.
A nossa licenciatura, a nossa área começou lá, ou seja, tem mais tempo de investigação lá.
Mas é por aí, eu acho que o caminho é por aí.
Lembrei-me aqui de uma questão, eu não sei, tu ainda não és mãe, não é?
Tu és muito nova.
Não.
Mas quando tu fores o que é que tu farias?
Como é que tu complementarias a educação do teu filho ou da tua filha ou dos teus filhos para integrar todo o teu conhecimento em psicomotricidade?
O que é que tu escolherias, colocavas-lhes na dança, colocavas-lhes sei lá, na equitação…
O que é que tu achas que era mesmo importante se pudesses ter essa possibilidade, como é que enriquecerias o crescimento deles?
Essa pergunta é muito gira.
Eu acho o que me afeta, essa resposta não tem só haver enquanto psicomotricista, mas também quanto a minha experiência enquanto criança.
Todos nós fomos crianças, não é?
E para mim fez sentido que os meus pais promovessem, que eu pudesse escolher qual era o desporto que eu queria, para onde é que eu queria ir.
E isso ajudou me bastante, o brincar na rua.
E a psicomotricidade sim, claro que vai.
Falava disto com uma colega, que ser psicomotricista deixou de ser só uma profissão, porque eu acho que depois nós temos um olhar igual para várias papéis da nossa vida.
E eu acho que enquanto, por exemplo eu sou tia, eu sou muito próxima das minhas sobrinhas e vejo isso, a forma como eu educo ou a forma como eu brinco, a minha intencionalidade tem um peso diferente por ser, é diferente por ser psicomotricista, sim, sem dúvida.
Eu acho, conselhos, eu acho que já dei um, que é sentir as nossas crianças, é aumentar o maior número de experiências para as nossas crianças e perceber o que é que elas gostam, ir com elas para os parques, permitir que elas caiam que elas se sujem, experimentar diferentes desportos, eu acho que esta questão do desporto, dos 3 anos do mesmo desporto dos três anos aos 20, exatamente o mesmo. Eu acho que tem vantagens, mas nós não temos a construir só Cristianos Ronaldos.
Já é a segunda vez que falo nele, mas ou seja, esta especificação, não é?
Tão perfeccionista não é preciso, não precisa.
Ele pode andar no futebol no início, porque gosta muito de futebol, mas depois pode perceber que gosta de natação e os pais vão acompanhando e sem pressão.
Sem pressão deve ser o melhor de ter que ganhar na competição, a competição pode ser saudável, não precisa de ser uma competição não saudável, não é?
O desporto, quando de alta competição com idades muito precoces, a mim faz me muita comichão e também não vou falar sobre isto, que eu acho que muita gente entra em desacordo comigo.
Mas pedimos a crianças, por exemplo, se calhar não vou dizer isto, mas isto aqui tem uma implicação na saúde mental das nossas crianças, por exemplo desportes que seja necessário o peso, não é?
Por exemplo os desportes marciais, que são… se isto não é integrar, em que nós pedimos à nossa criança: olha se calhar tens que ter cuidado, porque tens que competir nesta categoria.
Se isto não for integrado, que impacto é que isto vai ter nas nossas crianças?
O desporto é ótimo, eu acho que o desporto, às artes marciais são ótimas para ensinar competências excelentes e temos que aproveitar isso. Temos que aproveitar essas vantagens.
Sim.
Bom isso é uma área que eu conheço mais ou menos bem.
Então deves falar sobre isso.
Podemos falar sobre isso.
Como aluno eu fiz um Taekwondo uma série de anos. Eu comecei com 15 já não era propriamente uma criança pequenina e portanto quando fui competir fui por vontade própria e porque sentia-me integrado nos meus pares.
Nessa altura, agora era treinado por um mestre que sempre fez Taekwondo e era isso que ele sabia fazer.
Mas mais tarde fui treinado por um professor de educação física da minha idade, aliás nós começamos a treinar mais ou menos ao mesmo tempo, eu depois parei uns anos e ele cresceu imenso.
E há uma diferença quando tu tens realmente um profissional, com uma licenciatura na área, a forma também como ele aborda a educação das crianças e a competição e eu levei para lá os meus filhos, é totalmente diferente.
E é uma questão totalmente opcional, eu percebi que há benefícios, há ali uma perseverança que se cria e portanto.
Mas também é uma forma de brincar, portanto eu nunca vi realmente agressividade na competição das crianças.
Mais tarde eu comecei a experimentar outra arte marcial que se chama jiu-jitsu brasileiro e esse é mais divertido ainda, portanto todo o treino é uma brincadeira, não é?
Uma brincadeira no chão e portanto há uma componente muito lúdica de folia, portanto estamos aqui a conversar de psico brincadeira.
Na competição depois depende muito do tônus que o pai, que os pais colocam, a importância do resultado.
Para mim realmente não é enorme.
Pronto, eu entretanto liguei um botão, desliguei o botão de me importar com os resultados, até com as notas os exemplos que eu tenho visto de pessoas que têm performance muito alta ou pessoas que eu considero bem-sucedidas, são pessoas que vivem jogam por regras muito próprias.
Portanto recusam a conversa negativa e portanto assumem um caminho próprio e portanto acho que nós devemos extrair as coisas boas de cada componente.
Eu também gosto muito da natação.
Eu acredito que a escola está muito focada no ler e no escrever, no somar e sumir, não é?
Portanto matemática e português, eu acho que era muito importante as crianças terem linguagem da natação, pelo menos, porque acho super completo é um meio diferente e requer um shift na nossa cabeça.
As artes marciais também são importantes, porque aumentam nos a confiança, não é?
Não é porque estarmos lá muitos a lutar, mas tu aprendes muito sobre ti próprio, é uma comunicação.
Pronto tens de estar preparado para lá está, há uma bilateralidade muito importante, portanto é uma palavra cara para os psicomotricistas.
mas esta componente de comunicação, de perceber que eu realmente tenho aqui uma série de armas, mas eu também tenho que defender das armas do meu colega ou do meu oponente e ganha-se um respeito muito peculiar e há uma altura que tu, é um bocadinho como o jogo do galo.
Se tu jogares o jogo do galo mil vezes e se fores inteligente, tu nunca mais perdes. O pior que pode acontecer é empatar.
E as artes marciais sente-se um bocadinho, há uma altura que tu percebes não vale a pena lutares, ninguém vai ganhar.
Eu potencialmente podemos sair daqui os dois muito aleijados, portanto não vamos lutar, mas podemos brincar a isto.
E portanto eu integrei isso na educação dos meus filhos, também gostava que eles fizessem outros desportos, vá lá mais de carga ou de resistência.
Só porque lá está, também sou um bocadinho meditativo e Zen, não é?
Corrida, o ciclismo, eu agora estou um bocadinho focado nu triatlo porque acho muito giro, mas é uma crise de meia idade claramente.
É uma ideia que me passa, mas gostava que eles tivessem, que eles provassem desses desportos todos que tu falaste e que pudessem falar várias linguagens, várias alfabeto.
Porque acho realmente fundamental.
E é interessante.
Vários alfabetos motores, não é?
Porque realmente utilizam outros grupos musculares, criam outras memórias para o corpo.
Eu acho que sim.
Claro.
É importantíssimo.
Rita diz.
Acho que é importantíssimo, podermos dar e estavas a falar que os modelos dos pais e agora depois de falares sobre o teu percurso do desporto.
Para mim não foram só os meus modelos, não foram só os meus pais, mas os meus treinadores, não é?
Os meus professores.
E é interessante que os professores que ficam na escola na nossa memória também são os professores de educação física.
E porque é que será, não é?
Por isso, eles também têm um papel fundamental nestas questões.
E nesta forma de ver, eu acho que mas também porque é uma responsabilidade acrescida quando os professores de educação física também têm que ser o modelo desta questão da atividade física, não é?
E da promoção de comportamentos mais saudáveis.
Por isso é importantíssimo e nós fora da escola também temos que reconhecer isto.
Nós pais, também temos que reconhecer a importância da educação física e não tanto: ah isso não conta para nada, não te importes.
Não, claro que conta.
Claro.
Rita se pudesses ocupar um cartaz gigante com uma mensagem para toda a gente ver o que é que gostarias de lá colocar.
Essa é difícil.
O que é que seria? n
Não vai ser libertem as nossas crianças, porque já existe um livro, mas…
Tinha de ter assim um impacto, eu acho que apaziguar um bocadinho os pais, que é: deixem-se de regras de adultos e baixem-se ao nível das vossas crianças e sintam-nas.
Eu acho que seria.
Ok.
Seria assim a mensagem, porque realmente falta de tempo.
Eu acho que falta de tempo, eu acho que os nossos adultos que se preocupam em dar o melhor para os filhos e eu acho que é importantíssimo, eu acho o mais valioso é dar tempo.
É dar tempo para senti-las, dar tempo para ouvi-las, dar tempo a falar como é que foi o dia na escola, dar tempo para pensar: porque é que será que está a correr mal, dar tempo para pensar: porque é que está a correr bem.
Eu acho que falar sobre emoções, eu quando pergunto a uma criança, por exemplo no internamento ou em consulta, pergunto como é que sentes?
Aquilo parece uma pergunta: mas como assim não pensas sobre isto?
Como é que te sentes?
E o sentir é importante que tenha que existir a outra pessoa do outro lado, que queira ouvir realmente genuinamente, o que é que está a sentir.
E lá está, como disse há pouco, existem tantos livros e tanta pressão de como ser o melhor pai, que se deixa de ser o melhor pai, não é?
Porque é tudo, eu tenho uma história interessante que é, o meu pai, foi pai novo e tem duas filhas, eu e a minha irmã, muito próximas. E uma vez ele tem um colega que é mais velho e foi pai mais velho.
Então chega ao pé dele e nós já tinhamos, já estávamos criadas e chega ao pé dele e diz assim: pronto, o meu filho acabou de nascer, qual é que foi o livro que leste para educar as tuas filhas?
Ele disse: nenhum, não li nenhum livro.
E ele conta isto com muito orgulho e se ele me está a ver, vai ficar todo contente por estar a falar dele.
Mas eu acho que quando nasce uma criança, nasce um pai.
E aquele pai vai aprender a ser pai daquela criança.
E aquele filho vai aprender a ser filho daquele pai.
Por isso, isso não existe em um livro.
Uau.
Isso é bastante profundo.
Por isso sintam, tirem o peso das costas e vivam.
Oh Rita, tenho aqui uma última pergunta para ti.
Quando te sentes assoberbada, estressada, sem foco. O que é que fazes?
Desculpa?
Vou correr.
Espontaneamente é vou correr.
Vou correr, acho que sinto muita necessidade de voltar à minha base, ou seja, sou algarvia, vou correr para junto do mar, vou sentir, vou estar com as minhas pessoas, vou tocar, vou abraçar, eu acho que é importantíssimo.
Por isso eu acho, não é só quando estou assoberbada ou quando estou triste, porque é o adulto das emoções eu também fico triste e muitas vezes e choro também.
É quando também estamos um bocadinho alienados, a mim, eu acho que me preocupa mais estar ali alienada, do que estar triste.
Quando estou alienada, que é o ter de fazer, o ter uma agenda, o ter de cumprir e eu nem estou a perceber que não estou a viver.
Estou só a cumprir agenda.
Eu acho que isso me preocupa mais.
E então quando estou assim sinto necessidade de parar e é impressionante que o nosso corpo fala e quando..
Acho que estamos com alguns problemas de ligação, Rita.
Estás me a ouvir?
Não sei.
Estou exatamente no mesmo sítio.
Não sei se perdemos a Rita.
Mas eu estou-vos a ouvir.
Já está?
Rita eu acho que, eu estou te a ouvir com imensos cortes, não percebo.
Aqui a nossa plataforma diz que estamos com boa ligação os dois.
Mas estou te a ouvir com bastantes cortes.
Deixa-me ver, abrir a porta não?
Aqui diz que a ligação está ótima.
Não?
Agora está.
Está?
Sim.
Estava em que parte?
Disseste que ias correr, mas depois disseste, eu ouvi uma parte mais à frente e depois começou a ouvir com imensos cortes.
Eu não sei se foi só eu ou se foi toda a audiência.
Mas se puderes repetir as duas últimas frases, acho que era ótimo.
Ok.
Parece que nos ouviram bem, sou só eu que tive problemas.
Pronto, então quando estou assoberbada, o que eu faço sim, vou correr.
Mas quando pensa em assoberbada, penso quando estou triste ou quando estou muito cansada, mas também penso quando estou um longo período assim alienada, quando estou só a cumprir agenda, preciso às vezes de parar e eu acho que se tivermos muito muito atentos ao nosso corpo, não é?
Porque quando é que nós ficamos doentes, quando é que nós ficamos com a nossa imunidade embaixo e quando deixamos de cuidar de nós.
E há pouco tempo utilizei esta metáfora com uma miúda minha e foi mesmo interessante, que ela apanhou, que é, ela está doente, ela tem uma anorexia nervosa e ela, o objeto conflito dela é o corpo dela.
E quando estávamos a falar sobre quando um carro está avariado e quando aparece uma luz de uma avaria, o que é que nós fazemos?
Nós cuidamos dessa varia.
Então quando o nosso corpo está doente e quando está alguma coisa mal, um sinal mal.
Nós temos que cuidar disso, não é?
Não podemos atacar o nosso corpo, nós não atacamos o nosso carro quando alguma coisa está avariada.
Nós temos que cuidar dele.
E depois também perceber, porque é que esse sinal tocou, alguma coisa estamos a fazer errado, alguma coisa não estamos a respeitar o nosso ritmo.
Uau.
Isso é fundamental, mas sabes que não nos ensinam isso na escola.
E lá está, eu acho que estamos um bocadinho naquele campo da inocência nós não sabemos sequer que isso é uma possibilidade, não é?
Esta coisa de escutar o corpo, uma coisa que se calhar comecei a aprender muito nos trintas, quando fazemos uma meditação guiada ou quando fazemos um yoga ou uma coisa deste género, porque até lá, não sei, se calhar tive azar.
Mas não me ensinaram a fazer isso e nunca me falaram que era uma possibilidade e dúvido que os meus pais me pudessem ter ensinado, porque também os ensinaram a eles e portanto é um efeito cascata, não é?
A escola está fora de moda, não é?
Quando já todos percebemos que o sucesso, os grandes empreendedores, as pessoas mais felizes não foram as pessoas que tiveram melhores notas, mas sim as pessoas que conseguem ter uma vida em equilíbrio, conseguem meditar que conseguem encontrar e escutar o seu corpo.
Se sabemos que é a solução, porque é que não vamos por aí?
A nossa escola está fora de moda.
Só entra o cérebro, não entra o corpo, para a nossa escola.
E claro que existem escolas com modelos fantásticos, já e ainda bem e não é só a nível internacional também existe a nível nacional.
Existem boas escolas.
Agora nós também podemos ser modelos, não é?
E a Gymboree pode lembrar isto aos pais, eu posso relembrar isto aos pais e relembramos da questão da escuta do corpo, da importância de meditar, da importância do eu, do cuidar.
Excelente.
Rita, obrigado por este bocadinho.
Espero ter te aqui de novo.
Pedia às pessoas para seguirem as tuas conversas e as tuas páginas.
Porque gostei imenso da tua forma de pensar quando te descobri pela primeira vez foi no Linkedin.
Que tens alguma atividade lá.
E vá lá a tua veia empreendedora também, portanto a forma como estás a tornar público, o vosso trabalho e a importância da vossa ciência, acho que tem muito mérito e deve ser apoiada.
Obrigado Nuno.
Eu posso aproveitar para, eu estou no Instagram, no Facebook como RitaPalma.Psicomotricista.
E agora também estou na plataforma Patreon, onde vou divulgando algumas psicomotri talks gravadas e alguns conteúdos exclusivos para os associados e os elementos que apoiam este projeto.
Eu acho que é importantíssimo falarmos sobre estas questões e obrigada por me dares essa oportunidade.
Eu espero que se alguma coisa que eu gostava que retivessem desta conversa, é esta possibilidade de podermos pensar em conjunto, não é?
De nos podermos colocar em questão, mas sem nos destruirmos.
É podermo-nos colocar em questão e está tudo bem.
Podemos melhorar a partir de agora, não nos desculparmos, não quero detodo que sintam isso, mas que sintam o que podem fazer diferente e que podemos mudar, pelo menos o nosso mundo.
Ok.
Eu coloquei os teus link na descrição do vídeo no YouTube.
Portanto quem fizer uma busca por podcast psicomotricidade infantil em princípio vai descobrir este podcast e depois estão lá nas descrições dos teus links, especialmente o do Patreon, para as pessoas poderem ajudar-te a continuar o projeto.
Se quiseres de alguma coisa e se alguém precisar, podem contar comigo.
Obrigada.
Excelente.
Obrigado, Rita.
Bom resto de domingo.
Obrigada Nuno.
Bom trabalho.
E parabéns.
Ora essa.
Obrigado eu.
Parabéns pelo teu projeto.
Até à próxima.
Até à próxima.
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