Psicomotricidade – Rita Palma

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Psicomotricidade – Rita Palma

 

 

Para saber mais sobre Psicomotricidade Infantil, visite https://www.gymboreeclasses.pt

O vídeo é sobre Psicomotricidade Infantil, mas também sobre:

-educação infantil

-atividades de psicomotricidade

-brincadeiras psicomotoras

Convidámos a Psicomotricista Rita Palma para falar sobre Psicomotricidade Infantil no Dicionário das Crianças – O nosso podcast semanal sobre tudo o que está relacionado com a parentalidade e com a infância.

 

 

Olá Rita.

 

Olá.

 

Tudo bem?

 

Tudo bem

 

Obrigado por este bocadinho.

 

Obrigado eu pelo convite, é uma honra.

 

Ora essa.

É uma honra nossa.

Eu já assisti alguns dos teus podcasts.

Alguns dos que tu permites, porque há alguns que são secretos, não é?

Para a profissão, mas acho que faz um trabalho fascinante e eu ia começar por aí.

Eu ia te pedir que te apresenta-ses e que falasses um bocadinho dos teus projetos, mas principalmente no teu podcast, que eu acho que é fascinante e que pode interessar a nossa audiência também.

 

Obrigada.

Antes de mais muito obrigada por me teres convidados, realmente eu acho que este mundo virtual permitiu-nos estar mais ligados como estavamos a falar também há bocadinho.

É que a já não se admite a barreira da distância, cada vez estamos mais próximos e acho que temos que utilizar isto para crescermos.

E foi com isto que nasceram os psicomotri teólogos.

Foi um projeto online que nasceu em abril e nasceu muito na minha necessidade de falar sobre psicomotricidade.

E falar de psicomotricidade como psicomotricistas, o objetivo primeiro foi mesmo para psicomotricistas, mas depois percebi que também fazia sentido divulgar a nossa área.

Então fiz algumas Pisomotri Talks abertas a todos os participantes, todos os que quisessem.

Profissionais, educadores, psicomotricistas, pais, pronto.

Mas faz sentido se calhar também explicar um bocadinho quem é que eu sou.

O meu nome é Rita Palma sou psicomotricista.

Sou uma amante da área da psicomotricidade, gosto muito do que faço e acho que isso faz toda a diferença.

Sou algarvia de gema, mas estou em Lisboa e uma coisa que gosto muito de Lisboa foi as oportunidades que me trouxeram.

E Lisboa a permitiu-me tirar uma formação, tirei a minha formação na faculdade motricidade humana, numa faculdade que é mais conhecida por desporto, mas que tem professores fantásticos como o professor Carlos Neto, o professor Rui Martins, que nos fazem crescer e pensar e tornarmo-nos psicomotricistas e permitiu-me também depois começar a trabalhar num hospital.

Que é o hospital Dona Estefânia, onde trabalho na pedopsiquiatria, tanto em contexto de internamento como também em consulta externa.

E há três anos abriu um projeto de contexto privado, com um musicoterapeuta que é o espaço crescente que é o espaço de intervenções terapêuticas em telheiras.

E basicamente é isto.

 

Oh Rita, como é que podemos encontrar acrescente?

Tens um endereço que nós possamos consultar?

 

Sim, nós temos na página de Facebook, mas nós temos o espaço em Telheiras e a página do Facebook chama-se mesmo ”Cressente” com dois S ou seja de crescer e sentir, na página do Facebook e depois também temos as nossas páginas de Facebook profissionais individuais.

 

Muito bem.

Olha, vamos começar aqui em grande com uma pergunta importante para um leigo como eu.

Apesar de eu trabalhar aqui à volta desta área, a minha formação é em gestão.

E eu ia te perguntar a ti em particular, o que é psicomotricidade ou o que é para ti a psicomotricidade.

 

Essa pergunta nós ouvimos desde o primeiro ano da faculdade..

Que as pessoas perguntam: psico e quê? Como é que isso se diz? O que é que isso é?

Eu acho que estamos sempre muito preocupados em definir qual é que é melhor definição para explicar o que é que é psicomotricidade.

Para mim a psicomotricidade é uma terapia de medição corporal, que utiliza o corpo, o corpo em movimento na relação para intervir qualquer problemática.

Quando existe doença ou na ausência de doença, nós trabalhamos na prevenção, na intervenção e na reeducação e utilizamos diferentes técnicas.

Técnicas mais expressivas, técnicas de relaxação, de consciencialização corporal, utilizamos também o jogo simbólico.

Mas a nossa intencionalidade quando propomos à criança uma atividade, está muito relacionada com o projeto terapêutico que pré definimos para aquela criança.

Eu falo muito para crianças, mas a Gymboree também é para crianças, mas tenho muitos colegas meus a trabalhar com outras populações e também em contextos diferentes.

O meu contexto é contexto hospitalar, contexto clínico.

Mas tenho colegas meus a trabalhar em contexto educacional, institucional, com idosos, com crianças, com adultos e tem no campo da prevenção como na reeducação, como na intervenção.

Mas basicamente é isso.

 

Muito bem.

Rita, aqui no meu estudo sobre a nossa conversa de hoje, há uma palavra que aparece muitas vezes e que eu acho que eu queria abordar aqui, que é a palavra :corpo.

E eu acho que era interessante se calhar ouvir a tua definição de corpo, o que é para ti corpo? Vai muito além de uma ferramenta? É um invólucro? É uma coisa que tu quando olhas para o corpo o que é que tu vês? Qual é o potencial? E se calhar onde é que esse potencial fica importado para a maior parte das pessoas que não estão tão conscientes da sua importância.

 

Há uma coisa que me preocupa imenso, essa pergunta é muito difícil.

Mas há uma coisa que preocupa imenso que é pensar onde é que está o corpo, não é?

Eu sinto, para mim o corpo é muito mais do que uma imagem e temos que definir isso.

O corpo é muito mais que uma imagem.

O corpo é o sentir, o corpo é um envolve, é verdade. É pele, é um conjunto de órgãos, mas é o que nos permite também estar em contacto com o mundo.

De estar na relação com o outro e através da linguagem não verbal o corpo expressa emoções a informações que não é possível traduzir em palavras.

E quem aprenda a falar esta linguagem do corpo, tem ferramentas e canais de comunicação excelentes e formidáveis.

E o que nos vai retirar, a tecnologia, esta sociedade que valoriza mais a estética do que é ética.

Isto vem nos tirar realmente esta importância que nós damos ao corpo, ao que deveríamos dar ao corpo. Porque não nos podemos de esquecer do nosso corpo ancestral, não é?

Não nos podemos esquecer da história que carregamos e não nos podemos esquecer do que somos.

E nós somos um corpo, não temos um corpo, somos um corpo!

E eu acho que estamos um bocadinho perdidos nesta questão e isto preocupa-me imenso.

Enquanto psicomotricista, enquanto a pessoa quando ser humano, enquanto pessoa que se gosta de relacionar com os outros, preocupa-me imenso, onde é que está o corpo,

E com isto também pergunto-te e por causa das Psicomotri Talks tem me permitido conversar com pessoas bastante interessantes.

O doutor Augusto fala: ok, onde é que está o corpo? Mas onde é que está o pensamento, não é?

Quando um pensamento não é organizado ou não é contido, onde é que ele vai emergir?

Vai emergir no corpo.

Quando falamos por exemplo na patologia, nas automutilações, nas patologias como a anorexia nervosa, o corpo fala o que a mente não consegue falar, não é?

E como é que nós podemos estar atentos esta linguagem e dar mos um significado desta linguagem intervimos sobre isto, sobre esta questão.

E por isso é impossível desvalorizamos o corpo.

 

Uau.

Rita, há bocado antes de nós entrarmos no ar eu tinha te, estávamos a falar um bocadinho sobre o nome da vossa licenciatura que chama reabilitação psicomotora e até tinha perguntado se não achavas que prejudicava um bocadinho termo, pois esta palavra de reabilitação quando há tanto para fazer fora da reabilitação, de forma preventiva ou proativa.

A minha pergunta seguinte era: qual é obviamente a importância da psicomotricidade, mas eu queria dar-te aqui algumas balizas.

Nós no currículo português nós temos uma disciplina que toca no corpo que se chama educação física, pronto.

Essa é a disciplina que nós sabemos que é obrigatória que a maior parte das crianças têm acesso.

Como é que a gente pode fazer esta questão de educação física versus a psicomotricidade?

Onde é que elas se tocam e onde é que elas estão separadas?

Eu se calhar ia um bocado além disto, em vez de educação física versus a psicomotricidade, podemos falar também sobre a dança versus a psicomotricidade, a natação versus a psicomotricidade.

Conseguimos falar sobre isto um bocadinho, porque eu acho que era importante para as pessoas que estão fora perceber realmente onde é que elas se tocam e onde é que elas se separam.

 

 

Eu acho que, onde elas se tocam é na experiência psicomotora, não é?

As nossas crianças em qualquer atividade que tenham aumentam o seu repertório psicomotor e quanto maior for o repertório melhor, ou seja, através da dança, através do jogo, através de um desporto específico, através do subir às árvores, de brincar à apanhada e são experiências psicomotoras.

E eu acho que quanto maior for o repertório das nossas crianças, se ela souber assaltar, dar cambalhotas, a correr, dançar.

Quanto maior mais saúde, mais saúde mental, mais felicidade, mais empreendedorismo, mais sucesso.

Depois, quando falamos de psicomotricidade e interessante falarmos sobre isto, porque por exemplo educação física no pré na pré escolar e tudo mais chama-se psicomotricidade, não é?

Aqui existe uma diferença com a intervenção psicomotora.

Nós não pulamos só por pular, para aumentar o repertório motor, não corremos só por correr. Mas temos uma intencionalidade terapêutica e nesta intencionalidade nós jogamos seja com a dimensão motora, seja com a dimensão cognitiva ou com a dimensão socioemocional.

E aí faz a diferença, não é só o jogo por jogo, que também é muito importante, não é só o brincar livre pelo brincar livre também é muito importante, mas sim sempre com uma intencionalidade terapêutica e aí que difere a intervenção psicomotora da psicomotricidade no geral e das experiências psicomotores.

 

Ok.

Imagina que tu tinhas um papel importante e podias definir o currículo da educação física ou podiamos chamar-lhe outra coisa qualquer, se calhar um bocadinho mais abrangente e que pudesse tocar o que é que a educação física não faz, porque eu acho que isso é uma lacuna atualmente, todas as pessoas tiveram educação física, mas muito poucas, se calhar adquiriram aquele alfabeto de movimentos, aquele repertório que estavas a falar.

E depois obviamente que isso afeta muitas coisas na sua vida, linguagem, a forma como se sentem em forma, como se projetam a sua autoconfiança.

O que é que tu mudarias?

E a partir de que idade?

 

Eu acho essa pergunta é difícil.

Porque eu acho que motivava mais as pessoas, ou seja, tentava mostrar isto pode ser um bocadinho sonhador, mas se o professor Carlos Neto com aquela idade pode ser muito sonhador, eu também posso.

Porque e com aquela experiência. porque eu acho que as pessoas estão perdidas.

De qual é que é a verdadeira motivação para o qual educação física faz parte do currículo.

Eu tenho miúdas que sigo em consulta, que não querem e é interessante que isto também é patologia interessante, que são aquelas mais perfeccionistas que não querem educação física no currículo.

Mas porquê?

Porque é que realmente mexer o corpo, ter movimento e mover o corpo para poder pensar e depois do pensamento mover com a intencionalidade.

Porque é que a não há de fazer parte do currículo?

Porque é que isso tem de ser desvalorizado?

Porque é que a média é mais importante do que a experiência?

E eu acho que está aí, eu acho que precisamos de professores de educação física que motivem mais os alunos e que se calhar eles também são muito pressionados com o plano que tem que cumprir, mas que motivem mais o porquê do movimento.

Porque é que é realmente importante e que o movimento traz bem-estar físico e mental.

Eu acho que é por aí.

E essas são as principais vantagens da prevenção de saúde mental, da prevenção de problemas cardiorespiratórios e isso também me assusta um bocadinho que é, esse sedentarismo com qual estamos a caminhar, isto tem consequências.

E essas consequências são muito mais caras de que uma prevenção agora, não é?

Uma doença cardiorrespiratória ou seja o que for, no futuro vai ser muito mais caro para o nosso sistema porque não investimos na prevenção?

Mas isto eu acho que tem outras dimensões.

 

E achas que o currículo é adequado ou podíamos alterá-lo?

Não é só uma questão de vontade política, é uma questão de tem qualidade.

A questão do basquete, lançam ali umas cambalhotas, o volley.

Portanto toca-se ali uma série de desportos, se calhar não se toca nas artes marciais, que é uma parte se calhar um bocadinho mais cara, não há adaptação, se calhar por questões de logísticas.

Mas devíamos de fazer um esforço para mudar aquilo, se calhar fazer coisas com maior retorno e se calhar que possam ser mais motivadores e que possam ficar mais permanentes na aprendizagem das crianças.

 

Mas eu considero que o basquete é importantíssimo.

Eu considero que os jogos de grupos são importantíssimos, um jogo de basquete, um jogo de futebol, um jogo de regras.

É importantíssimo para as nossas crianças mais tarde fazer um transfere para uma reunião de trabalho, um trabalho em equipa numa empresa.

Eu acho que essas competências que se aprendem na disciplina de educação física com esse tipo de jogos, são competências que não se aprendem na promoção de competências académicas, numa biologia, numa talvez nos trabalhos de grupo, mas não é igual, não é?

O espírito de equipa, o lutar por um objetivo, o espírito crítico, o encontrar a solução.

Eu acho que educação física promove estas questões e não podemos desvalorizar.

Claro que é importante, o plano não é?

O plano curricular, mas também faz toda a diferença quando o professor de educação física motiva os nossos alunos a isso, não é?

E eu com isto, ou seja, eu não sou a melhor, a mais conhecedora desta questão. Eu não sei quais são os planos, eu falo como aluna, não é?

Já fui aluna de educação física e para mim foi muito importante, não só porque praticava desporto na escola em educação física, mas também praticava outro tipo de desportos.

E para mim isso foi importantíssimo, até mesmo para criar um grupo de amigos fora da minha turma, é um grupo com outros interesses com quem aprendi outras questões.

Eu agora por exemplo agora estou a pensar no futebol, o futebol não é só para Cristianos Ronaldos, não é?

O futebol é para ensinar muitas mais coisas, mas aqui os meus amigos educação física falam muito melhor do que eu, nesta questão.

 

Nós vamos falar com professor educação física brevemente.

Já está na calha.

Mas ainda não…

 

Quem é?

 

Olha é um treinador de esgrima e ainda não falei com ele, portanto não quero…

 

Está bem, está bem, mas se precisarem, sim sim sim.

Eu acho que é.

 

Olha se calhar nós chegamos a uma altura interessante para começar a falar do brincar e na importância do brincar.

Aqui há uma linguagem e é uma coisa super natural para uma criança, portanto não precisamos de ter regras e não precisamos de a convencer.

É uma coisa que se pode começar a fazer desde muito cedo e pronto.

Isto não é só a minha praia no Gymboree, mas também como pai eu sinto que é a forma mais rápida e mais eficaz de chegar aos meus filhos, é através da brincadeira, não é?

Eu imagino que seja uma parte importante da vossa formação.

Queres falar um bocadinho sobre isso e o que é que tocou quando estavas a aprender sobre o brincar.

Qual é que foi qual foi assim momento “uau” que tiveste na faculdade sobre este campo, vá?

 

O momento “uau” foi na cadeira que tive com o professor Carlos Neto, em que nós tivemos a honra de poder participar, nós tinhamos uma turma de crianças, que iam à nossa faculdade ter educação física com o professor Carlos Neto e nós observávamos.

O nosso trabalho era observar e brincar com elas.

Isso foi fantástico, foi ok é isto, é isto brincar não é só brincar.

Brincar é muito mais do que isso.

E uma criança fala através do brincar, testa a partir através do brincar, experimenta cresce e é aí que está o futuro.

É aí que está o futuro, não é na repetição de tarefas, não é no só no sentar e ficar e decorar que está o futuro e que está o sucesso.

É através do brincar, eu acho que o brincar é uma ferramenta importantíssima para o desenvolvimento e para o futuro da nossa sociedade, porque realmente nós estamos muito preocupados e o professor Carlos Neto fala disto muito bem, é impossível falar sobre o brincar em Portugal e fora de Portugal, sem falar do professor Carlos Neto pagar.

O professor Carlos Neto lançou agora um livro do: libertem as crianças.

Mas desde o início da minha formação acadêmica, que eu oiço o professor Carlos Neto a dizer isto, não é?

De que passeiam se mais os cães do que as crianças, que as pessoas estão na prisão, têm mais tempo para o ar livre do que as próprias crianças, para mim isto era impensável.

Eu sou e como apresentei no início sou algarvia e sou de uma terra muito mais pequenina, onde a minha infância foi feita também no brincar na rua.

Isto para mim é impensável saber que uma criança cá, nestas condições não faz.

E acho que é importantíssimo, agora pensando também como um instrumento de intervenção, eu consigo muito mais chegar à criança e muito mais atingir os objetivos terapêuticos da criança, quando o faço através da brincadeira espontânea, porque é linguagem delas.

Eu posso pedir para ela fazer uma atividade, pode ser sugerida por mim pensada sobre para ela, mas na relação e no brincar é quando é uma baixa ao nível da criança e sinto aquela criança, que em conjunto criamos crescimento, não é?

Criamos coisas bonitas e vou falar disto, por exemplo o brincar às lutas.

Este é um assunto difícil enquanto dizem: ah não isso, é uma brincadeira muito agressiva, pistolas nerfs, que horror.

Não, isso é super divertido.

E quando eu falo disto com os pais e tento desconstruir um bocado isto, que é vocês pensam que os nossos pais e eu disto eu tenho imensa empatia pelos pais, eu acho que é super difícil ser-se pai na sociedade em que nos encontramos agora, em tudo está explicado nos livros.

Existem livros para explicar como é que eles têm que comer, como é que eles têm que dormir e tem que ser feito daquela forma.

Por isso eu acho que é muito difícil mesmo ser-se pai, mas como estava a dizer, estávamos a falar sobre a brincadeira das lutas e os pais dizem: não não não, isso é muito agressivo, mas depois as nossas crianças estão com o ecrã a matar a cada 10 segundos, a atropelar em que o objetivo do jogo é quantas pessoas se atropelam são jogos super super super agressivos e que não têm consequência, porque assim que acaba, eles metem play outra vez e começa tudo de novo.

E quando eu brinco ao jogo de o matar, em sessão é importantíssimo, porque ele sabe que me mata e eu vou fingir que estou caída e que estou morta. Existe uma consequência ele pode meter no play e diz: Rita então? Não brincas?

Não, tens de me ressuscitar, se queres que eu brinque contigo, tu tiraste… ou seja tem uma consequência e isto pode ser através do brincar, isto tem que ser experimentado através do brincar.

E por exemplo quando eu falo disto com os pais e digo: então mas o que é que o filho, o que é que o seu filho brinca?

Brinca aos videojogos.

Mas já se sentou ao lado dele?

Tente saber o que é que ele está a brincar. Brinque com ele, pense como construir ou recriar essa brincadeira no mundo real e faça com ele.

Só que eu acho que isto é super difícil, quando temos imensos estímulos e imenso marketing à volta destes vídeos jogos, que prendem a atenção das crianças.

Isto também me faz lembrar outra coisa que é, quando nós perguntamos à nossa criança quando está fechada em casa, o que é que ela quer fazer e quando ela em casa tem Playstation, um computador e um telemóvel ela vai querer fazer isso.

Quando estamos, por exemplo hoje de manhã fui passear em Monsanto com uma filha de uns amigos meus e quando eu lhe pergunto o que é que ela quer fazer, ela quer subir às árvores, ela quer agarrar nos paus, ela quer correr, ela quer andar na lama e sujar-se até aos joelhos, ela não quer agarrar-se ao telemóvel.

Por isso a importância também é importante vermos qual é o contexto em que nós fazemos a pergunta, não é?

Porque eu acho que o brincar é fundamental.

 

Olha só voltar um bocadinho atrás, porque falaste no Carlos Neto, já mais do que uma vez e o professor Carlos Neto visitou o Gymboree quando abrimos há 14 anos atrás, a convite de uma professora nossa que foi que foi aluna dele chamada Filipa Marcelino.

Ele foi visitar o Gymboree portanto foi uma inspiração para nós, estávamos a começar portanto sabiamos, não sabiamos ler nem escrever nesta área.

Apesar de termos trazido muito conhecimento dos Estados Unidos e do resto do mundo, foi ótimo ver um tecano como eu, não é?

Já na altura era uma sumidade na área.

Poder dar-nos uma força e portanto foi altamente inspirador.

Estavas a falar do brincar.

Existe uma hierarquia do brincar, existe uma brincadeira mais valiosa do que a outra, fala-se muito na importância do brincar na rua, o brincar em casa é menos importante o brincar na rua ou um jogo de tabuleiro é menos importante do que do que brincar em casa de outra forma com o corpo.

Qual é a tua opinião sobre isso?

 

Eu acho que não existe uma regra de qual é que é o ideal, não é?

Eu acho que já existem tantas regras, que eu acho que temos de nos desligar um bocadinho disso e sentir a nossa criança.

Temos que sentir o que é que será que podemos fazer com ela agora e se existe a brincadeiras muito repetitivas, nós também podemos propor, mas tem que ir também do interesse à criança, porque senão deixa de ser uma brincadeira e passa a ser uma tarefa.

Eu posso aqui dizer que realmente o jogo de tabuleiro é importantíssimo dos 6 aos 7 meses, vai estar ali o pai a impingir.

E isso já não é o brincar livre, não é?

Eu acho que temos que sentir, é importante todo esse tipo de jogos e eu acho que o pai, o educador e tudo mais, pode propor jogos, mas tem que ser do interesse de um e do outro.

Porque o pai, e isto aqui eu sou uma adulta e eu também gosto muito de brincar com as minhas crianças, mas eu sei para os pais também é muito importante que ele esteja bem, que ele esteja com prazer na atividade, se não também não passa a ser prazeroso para os dois.

Mas sim existem atividades específicas para cada idade, mas eu acho que mais importante que isso é o interesse de ambas as partes que estão a jogar e a brincar.

 

Muito bem.

Só aqui uma nota, o Pedro Valentim foi o meu Mestre de Taekwondo e ele é professor de educação física, deixou-nos aqui um comentário muito simpático no Facebook.

É mais um statement do que uma pergunta, mas pronto queria agradecer ao Pedro e convidar as pessoas a fazerem perguntas à Rita, enquanto estamos aqui em directo.

E depois já vai ser tarde, eu consigo ler as mensagens, mas não consigo responder, só se forem feitos através do YouTube.

Rita qual é a importância da água na psicomotricidade e do desenvolvimento?

Eu também vi que é uma coisa que aparece com alguma frequência e sei que há psicomotricistas que trabalham mais o meio aquático do que outros, não é?

 

Eu não trabalho em meio aquático, mas já tive a oportunidade de intervir no tempo da minha informação em meio aquático.

E a água tem realmente potencialidades enormes ao nível do desenvolvimento infantil, da promoção de competências, não só competências motoras relacionadas com a natação, mas também com a estimulação, por exemplo no contexto da água sei que os idosos, o peso do corpo dentro da água tem outro peso e aí nós podemos brincar com essa questão e também as nossas crianças muitas vezes, por exemplo com um corpo mais hipertónico, isto quer dizer mais contraído, com algumas atividades, nós psicomotricistas conseguimos promover uma maior relaxação neste meio aquático.

Tem uma potencialidade enorme também, por exemplo eu trabalhei com crianças com  perturbações do espectro do autismo. E então através na piscina, onde as crianças gostavam muito, nós conseguimos fazer tarefas cognitivas de completar espaços, enigmas dentro de água.

E isso tinha assim um campo enorme de possibilidades.

 

Ok.

Olha, em relação aos pais, qual é que achas que deve ser a intervenção dos pais?

E qual é o papel dos pais enquanto modelos?

Isto se calhar remete um bocadinho para a conversa que tivemos há bocado, da importância da educação física e se calhar dessa tua paciente perfeccionista que não dava importância, porque aquilo não conta muito para a média ou que se calhar não consegue ter tão boas notas e portanto não contribui para a sua entrada na faculdade.

Mas os pais vivem muito também nesta prisão não é?

Do que é que conta.

E a carreira e a educação física parece uma coisa secundária, porque não estão tão sensibilizados para toda a saúde que está ali ligada e o equilíbrio emocional, saúde física e a própria curiosidade e a cognição ficou muito afetadas.

Onde é que achas que podemos começar a recrutar os pais para ajudar no desenvolvimento da criança e do adolescente e depois até do jovem adulto?

 

Eu acho que são nas pequenas escolhas que fazemos no dia a dia, não é?

Se essas escolhas forem mais promotoras de saúde, de atividade e menos promotores de sedentarismo, eu acho que aí já estamos a mudar mentalidades, não é?

Mas lá está, isto aqui também é importante o modelo do pai e dos pais, não estou com isto a dizer que todos os pais têm que ser muito ativos e que têm de correr fazer e fazer jogging. Mas os pais podem realmente fazer escolhas, como ir para o parque com as nossas crianças.

E permitirem que elas possam ter outro tipo de experiências mais ativas, porque as nossas crianças precisam de se mexer.

Precisam de se mover para continuar a construir pensamento crítico.

Eu acho isso que me perguntas, em que existe um peso enorme nesta questão curricular em que as notas realmente têm um peso enorme.

E é uma pressão brutal em que podia, mas isto ter podia se analisar não é?

Porque é que realmente uma criança que está no nono ano ou no oitavo ano, a nota é assim tão importante?

É importante a criança aprender a gostar da escola.

Por isso no meu primeiro ano, no primeiro ano ela tem que aprender a gostar da escola.

O objetivo não é tanto a letra tão perfeita, mas sim aprender a gostar de aprender.

E aí também vem muito pelo modelo dos pais, se os pais promovem esta questão de que é importante gostar de aprender, é importante o que estão realmente a aprender, a promover o espírito crítico e tudo mais. E não tanto qual é a nota final, ou seja, a qualidade e não a quantidade.

Eu acho que é importantíssimo e se os pais poderem se apaziguar com isso, eu acho teríamos crianças mais felizes e se calhar com menos pressão.

E atrevo-me a dizer se calhar com melhores notas, porque eu também trabalho numa população muito específica e com isto eu quero dar a erro, eu acho que no início do podcast dizes com muita razão, que isto são opiniões.

Mas eu não quero induzir a erro, mas se as nossas crianças eu vejo agora cada vez mais crianças com imensa ansiedade, sem a capacidade de regular os seus estados emocionais e se elas tivessem menos expressão menos necessidade de serem perfeitas, menos necessidade de se terem as melhores notas para serem vistas.

Eu acho que elas estariam mais tranquilas e atrevo-me a dizer que teriam melhores notas.

Isto é um risco, mas se alguém tiver contra pode dizer e podemos discutir esse assunto, mas realmente a pressão que estamos a viver e com isto a pressão para os pais também, porque os seus filhos terem boas notas também é o sucesso dos pais, se calhar não é bem assim.

Se calhar temos que colocar isto em crítica.

 

Consegues ler esta pergunta, Rita?

Que o Pedro Valentim colocou?

 

 

As crianças hoje em dia não conseguem brincar sem a moderação do adulto, não é importante para a sua criatividade e autonomia brincarem sozinhos.

Sim também é.

Eu acho que é importante brincarem sozinhos, tem que ser um jogo, ou seja eles têm de ter tempo para a brincadeira autônoma, mas também com a mediação com os adultos, porque eu tenho crianças, lá está, eu também num contexto muito particular.

Mas por exemplo, uma filha de uns amigos meus, em que numa conversa em que ele me dizia: ah mas eu digo para ela ir para o quarto brincar e ela não vai, ela prefere a ver televisão, e pede e pede e eu é que tenho de ir com ela.

E eu, é verdade, ele vai, os pais vão no início, mas depois se deixarem lá, ela fica lá a brincar sozinha.

E se calhar isto tem de ser um processo, o pai pode, os pais podem brincar com as crianças, mas depois podem lhe dar as ferramentas necessárias para elas brincarem sozinhas.

E depois para criarem também o seu imaginário, não é?

Criarem brincadeiras de faz-de-conta e depois elas podem continuar a história, ou seja, este tipo de estratégias eu acho que são importantes para promover também a autonomia na brincadeira das nossas crianças.

Sim, mas acho tão importante um como o outro.

 

Ok.

Aqui como minha opinião pessoal, vale o que vale, eu acho que nós temos um papel muito importante no modelo que somos e esse papel começa anos antes de sermos pais.

Já em pequeninos a forma como nós brincamos e estamos receptivos são pronto um conjunto de conhecimentos e vá lá alfabetos diferentes o alfabeto do movimento é um deles.

Há muitos outros, há um alfabeto de emoções, há um alfabeto da curiosidade, portanto há obviamente um alfabeto da matemática e da lógica.

Se nós usarmos esse alfabeto e o mostrarmos com abundância, os nossos filhos vão acabar por receber esses inputs e vão ficar curiosa, mas vão saber que eles existem.

Existe uma inocência com o qual nós nascemos, que é há um conjunto de coisas, mas não sabemos e nós não sabemos o que não sabemos.

Eu por exemplo sei que não sei falar mandarim, mas eu sei que existe o mandarim, há pessoas que não têm essa consciência sequer.

Se eu tivesse crescido na Amazônia, não sabia que havia não sei quantas línguas diferentes para eu aprender.

E portanto a inocência realmente é uma coisa triste, mas não conseguimos agir sobre ela, porque nós não sabemos o que não sabemos.

E portanto se começamos a ficar sensíveis para o modelo que nós somos, vai inspirar os nossos filhos a fazer mais assim ou mais assado ou pelo menos vai lhes dar caminhos, eu acho que podemos usar esse privilégio de modeladores que somos e tentar ajudá-los como for possível, não é?

Rita, sobre o reconhecimento da vossa profissão,aqui uma coisa que me preocupa um bocadinho, a psicomotricidade quanto tempo é que tem Portugal e qual tem sido mais ou menos o vosso histórico?

Qual é o status da profissão neste momento?

 

Nós somos ainda uns adultos, jovens adultos, ou seja, tem muito pouco tempo, é verdade, mas fala se de psicomotricidade há muito tempo.

Seja nós estamos inseridos na faculdade motricidade humana por exemplo e também noutras faculdades, estou sempre falar da minha faculdade, mas a reabilitação psicomotora existe há pouco tempo, como enquanto licenciatura.

Antigamente chamava-se não quero errar, mas tinha haver mais com a educação especial e reabilitação psicomotora, ou seja, este foi todo um processo.

A dificuldade no reconhecimento tem haver com questões também legais, que ainda não estão a avançar por isso mesmo.

Temos pouco tempo e também por precisarmos de fundamentação teórica que existe, mas precisamos também de lançar mais reconhecimento a esse nível.

Mas eu acho que também tenho muita haver e é nisto que eu gosto de acreditar e é por isso que este projeto, o projeto das Psicomotri Talks também foi para a frente.

Que é o quanto nós acreditamos nisto, não é?

Enquanto nós psicomotricistas, achamos que realmente… achamos não, temos a certeza que isto faz a diferença, isto é uma intervenção com base científica é na intencionalidade, é na relação, é na intervenção psicomotora, que nós conseguimos intervir através do novo verbal, através de patologias, através da prevenção.

Isto faz mesmo todo o sentido e nós temos um papel fundamental para isso, não é só a nossa Associação Portuguesa de psicomotricidade que tem que lutar por este reconhecimento, mas também nós psicomotricistas, não é?

Sendo rigorosos no trabalho que fazemos, na divulgação, porque eu acho que isto também é importante.

Não vamos a lado nenhum se não vendermos o nosso peixe.

Na divulgação, nas nossas práticas e realmente, a escrever né? Artigos científicos, mas também outro tipo de escritas.

Escrever papai, escrever… porque todas as pessoas estão aqui e conhecem um psicomotricista reconhecem-nos.

Por isso se todos os psicomotricista darem-se a conhecer, vamos promover que a nossa a área seja mais reconhecida.

 

Ok.

Existe algum país que seja o modelo a seguir, tens algum país que tu sintas que estão muito à frente e é para ali que a gente deve caminhar?

 

Sim, Paris.

 

Paris está muito, França está muito integrado, está muito bem integrado.

 

Ok.

 

Temos reconhecido e temos uma grande área de investigação e reconhecidos mesmo, como por exemplo em hospitais somos… fazemos sempre parte das equipas multidisciplinares, mas estamos aí por isso caminho, por exemplo, até há pouco tempo não existe psicomotricista, tantos psicomotricistas nos hospitais.

Eu felizmente faço parte de uma de uma equipa multidisciplinar, onde no hospital Dona Estefânia na equipa da pedopsiquiatria, temos uma psicomotricista que sou eu, no internamento e em consulta externa.

Temos outra na clínica do parque, ou seja e trabalhamos sempre em multidisciplinaridade, por exemplo com terapeutas ocupacionais, psicólogos e essa equipa reconhece, reconhecem-nos.

Por isso é andar para frente.

 

Estás me a dizer que é, portanto em França, Paris em particular, isso é transversal a todas as idades.

Portanto toca toda a população?

 

Sim sim sim sim.

Seja com idosos, adultos, crianças com patologia, sem patologia, sim.

 

Ok.

Máximo.

O que é que achas que, como é que achas que eles chegaram aí?

Foi uma questão sensível…

 

Eu acho que é.

A nossa licenciatura, a nossa área começou lá, ou seja, tem mais tempo de investigação lá.

Mas é por aí, eu acho que o caminho é por aí.

 

Lembrei-me aqui de uma questão, eu não sei, tu ainda não és mãe, não é?

Tu és muito nova.

 

Não.

 

Mas quando tu fores o que é que tu farias?

Como é que tu complementarias a educação do teu filho ou da tua filha ou dos teus filhos para integrar todo o teu conhecimento em psicomotricidade?

O que é que tu escolherias, colocavas-lhes na dança, colocavas-lhes sei lá, na equitação…

O que é que tu achas que era mesmo importante se pudesses ter essa possibilidade, como é que enriquecerias o crescimento deles?

 

Essa pergunta é muito gira.

Eu acho o que me afeta, essa resposta não tem só haver enquanto psicomotricista, mas também quanto a minha experiência enquanto criança.

Todos nós fomos crianças, não é?

E para mim fez sentido que os meus pais promovessem, que eu pudesse escolher qual era o desporto que eu queria, para onde é que eu queria ir.

E isso ajudou me bastante, o brincar na rua.

E a psicomotricidade sim, claro que vai.

Falava disto com uma colega, que ser psicomotricista deixou de ser só uma profissão, porque eu acho que depois nós temos um olhar igual para várias papéis da nossa vida.

E eu acho que enquanto, por exemplo eu sou tia, eu sou muito próxima das minhas sobrinhas e vejo isso, a forma como eu educo ou a forma como eu brinco, a minha intencionalidade tem um peso diferente por ser, é diferente por ser psicomotricista, sim, sem dúvida.

Eu acho, conselhos, eu acho que já dei um, que é sentir as nossas crianças, é aumentar o maior número de experiências para as nossas crianças e perceber o que é que elas gostam, ir com elas para os parques, permitir que elas caiam que elas se sujem, experimentar diferentes desportos, eu acho que esta questão do desporto, dos 3 anos do mesmo desporto dos três anos aos 20, exatamente o mesmo. Eu acho que tem vantagens, mas nós não temos a construir só Cristianos Ronaldos.

Já é a segunda vez que falo nele, mas ou seja, esta especificação, não é?

Tão perfeccionista não é preciso, não precisa.

Ele pode andar no futebol no início, porque gosta muito de futebol, mas depois pode perceber que gosta de natação e os pais vão acompanhando e sem pressão.

Sem pressão deve ser o melhor de ter que ganhar na competição, a competição pode ser saudável, não precisa de ser uma competição não saudável, não é?

O desporto, quando de alta competição com idades muito precoces, a mim faz me muita comichão e também não vou falar sobre isto, que eu acho que muita gente entra em desacordo comigo.

Mas pedimos a crianças, por exemplo, se calhar não vou dizer isto, mas isto aqui tem uma implicação na saúde mental das nossas crianças, por exemplo desportes que seja necessário o peso, não é?

Por exemplo os desportes marciais, que são… se isto não é integrar, em que nós pedimos à nossa criança: olha se calhar tens que ter cuidado, porque tens que competir nesta categoria.

Se isto não for integrado, que impacto é que isto vai ter nas nossas crianças?

O desporto é ótimo, eu acho que o desporto, às artes marciais são ótimas para ensinar competências excelentes e temos que aproveitar isso. Temos que aproveitar essas vantagens.

 

Sim.

Bom isso é uma área que eu conheço mais ou menos bem.

 

Então deves falar sobre isso.

 

Podemos falar sobre isso.

Como aluno eu fiz um Taekwondo uma série de anos. Eu comecei com 15 já não era propriamente uma criança pequenina e portanto quando fui competir fui por vontade própria e porque sentia-me integrado nos meus pares.

Nessa altura, agora era treinado por um mestre que sempre fez Taekwondo e era isso que ele sabia fazer.

Mas mais tarde fui treinado por um professor de educação física da minha idade, aliás nós começamos a treinar mais ou menos ao mesmo tempo, eu depois parei uns anos e ele cresceu imenso.

E há uma diferença quando tu tens realmente um profissional, com uma licenciatura na área, a forma também como ele aborda a educação das crianças e a competição e eu levei para lá os meus filhos, é totalmente diferente.

E é uma questão totalmente opcional, eu percebi que há benefícios, há ali uma perseverança que se cria e portanto.

Mas também é uma forma de brincar, portanto eu nunca vi realmente agressividade na competição das crianças.

Mais tarde eu comecei a experimentar outra arte marcial que se chama jiu-jitsu brasileiro e esse é mais divertido ainda, portanto todo o treino é uma brincadeira, não é?

Uma brincadeira no chão e portanto há uma componente muito lúdica de folia, portanto estamos aqui a conversar de psico brincadeira.

Na competição depois depende muito do tônus que o pai, que os pais colocam, a importância do resultado.

Para mim realmente não é enorme.

Pronto, eu entretanto liguei um botão, desliguei o botão de me importar com os resultados, até com as notas os exemplos que eu tenho visto de pessoas que têm performance muito alta ou pessoas que eu considero bem-sucedidas, são pessoas que vivem jogam por regras muito próprias.

Portanto recusam a conversa negativa e portanto assumem um caminho próprio e portanto acho que nós devemos extrair as coisas boas de cada componente.

Eu também gosto muito da natação.

Eu acredito que a escola está muito focada no ler e no escrever, no somar e sumir, não é?

Portanto matemática e português, eu acho que era muito importante as crianças terem linguagem da natação, pelo menos, porque acho super completo é um meio diferente e requer um shift na nossa cabeça.

As artes marciais também são importantes, porque aumentam nos a confiança, não é?

Não é porque estarmos lá muitos a lutar, mas tu aprendes muito sobre ti próprio, é uma comunicação.

Pronto tens de estar preparado para lá está, há uma bilateralidade muito importante, portanto é uma palavra cara para os psicomotricistas.

mas esta componente de comunicação, de perceber que eu realmente tenho aqui uma série de armas, mas eu também tenho que defender das armas do meu colega ou do meu oponente e ganha-se um respeito muito peculiar e há uma altura que tu, é um bocadinho como o jogo do galo.

Se tu jogares o jogo do galo mil vezes e se fores inteligente, tu nunca mais perdes. O pior que pode acontecer é empatar.

E as artes marciais sente-se um bocadinho, há uma altura que tu percebes não vale a pena lutares, ninguém vai ganhar.

Eu potencialmente podemos sair daqui os dois muito aleijados, portanto não vamos lutar, mas podemos brincar a isto.

E portanto eu integrei isso na educação dos meus filhos, também gostava que eles fizessem outros desportos, vá lá mais de carga ou de resistência.

Só porque lá está, também sou um bocadinho meditativo e Zen, não é?

Corrida, o ciclismo, eu agora estou um bocadinho focado nu triatlo porque acho muito giro, mas é uma crise de meia idade claramente.

É uma ideia que me passa, mas gostava que eles tivessem, que eles provassem desses desportos todos que tu falaste e que pudessem falar várias linguagens, várias alfabeto.

Porque acho realmente fundamental.

 

E é interessante.

Vários alfabetos motores, não é?

Porque realmente utilizam outros grupos musculares, criam outras memórias para o corpo.

Eu acho que sim.

 

Claro.

 

É importantíssimo.

 

Rita diz.

 

Acho que é importantíssimo, podermos dar e estavas a falar que os modelos dos pais e agora depois de falares sobre o teu percurso do desporto.

Para mim não foram só os meus modelos, não foram só os meus pais, mas os meus treinadores, não é?

Os meus professores.

E é interessante que os professores que ficam na escola na nossa memória também são os professores de educação física.

E porque é que será, não é?

Por isso, eles também têm um papel fundamental nestas questões.

E nesta forma de ver, eu acho que mas também porque é uma responsabilidade acrescida quando os professores de educação física também têm que ser o modelo desta questão da atividade física, não é?

E da promoção de comportamentos mais saudáveis.

Por isso é importantíssimo e nós fora da escola também temos que reconhecer isto.

Nós pais, também temos que reconhecer a importância da educação física e não tanto: ah isso não conta para nada, não te importes.

Não, claro que conta.

 

Claro.

Rita se pudesses ocupar um cartaz gigante com uma mensagem para toda a gente ver o que é que gostarias de lá colocar.

 

Essa é difícil.

O que é que seria? n

Não vai ser libertem as nossas crianças, porque já existe um livro, mas…

Tinha de ter assim um impacto, eu acho que apaziguar um bocadinho os pais, que é: deixem-se de regras de adultos e baixem-se ao nível das vossas crianças e sintam-nas.

Eu acho que seria.

 

Ok.

 

Seria assim a mensagem, porque realmente falta de tempo.

Eu acho que falta de tempo, eu acho que os nossos adultos que se preocupam em dar o melhor para os filhos e eu acho que é importantíssimo, eu acho o mais valioso é dar tempo.

É dar tempo para senti-las, dar tempo para ouvi-las, dar tempo a falar como é que foi o dia na escola, dar tempo para pensar: porque é que será que está a correr mal, dar tempo para pensar: porque é que está a correr bem.

Eu acho que falar sobre emoções, eu quando pergunto a uma criança, por exemplo no internamento ou em consulta, pergunto como é que sentes?

Aquilo parece uma pergunta: mas como assim não pensas sobre isto?

Como é que te sentes?

E o sentir é importante que tenha que existir a outra pessoa do outro lado, que queira ouvir realmente genuinamente, o que é que está a sentir.

E lá está, como disse há pouco, existem tantos livros e tanta pressão de como ser o melhor pai, que se deixa de ser o melhor pai, não é?

Porque é tudo, eu tenho uma história interessante que é, o meu pai, foi pai novo e tem duas filhas, eu e a minha irmã, muito próximas. E uma vez ele tem um colega que é mais velho e foi pai mais velho.

Então chega ao pé dele e nós já tinhamos, já estávamos criadas e chega ao pé dele e diz assim: pronto, o meu filho acabou de nascer, qual é que foi o livro que leste para educar as tuas filhas?

Ele disse: nenhum, não li nenhum livro.

E ele conta isto com muito orgulho e se ele me está a ver, vai ficar todo contente por estar a falar dele.

Mas eu acho que quando nasce uma criança, nasce um pai.

E aquele pai vai aprender a ser pai daquela criança.

E aquele filho vai aprender a ser filho daquele pai.

Por isso, isso não existe em um livro.

 

Uau.

Isso é bastante profundo.

Por isso sintam, tirem o peso das costas e vivam.

 

Oh Rita, tenho aqui uma última pergunta para ti.

Quando te sentes assoberbada, estressada, sem foco. O que é que fazes?

Desculpa?

 

Vou correr.

Espontaneamente é vou correr.

Vou correr, acho que sinto muita necessidade de voltar à minha base, ou seja, sou algarvia, vou correr para junto do mar, vou sentir, vou estar com as minhas pessoas, vou tocar, vou abraçar, eu acho que é importantíssimo.

Por isso eu acho, não é só quando estou assoberbada ou quando estou triste, porque é o adulto das emoções eu também fico triste e muitas vezes e choro também.

É quando também estamos um bocadinho alienados, a mim, eu acho que me preocupa mais estar ali alienada, do que estar triste.

Quando estou alienada, que é o ter de fazer, o ter uma agenda, o ter de cumprir e eu nem estou a perceber que não estou a viver.

Estou só a cumprir agenda.

Eu acho que isso me preocupa mais.

E então quando estou assim sinto necessidade de parar e é impressionante que o nosso corpo fala e quando..

 

Acho que estamos com alguns problemas de ligação, Rita.

 

Estás me a ouvir?

Não sei.

Estou exatamente no mesmo sítio.

 

Não sei se perdemos a Rita.

 

Mas eu estou-vos a ouvir.

Já está?

 

Rita eu acho que, eu estou te a ouvir com imensos cortes, não percebo.

Aqui a nossa plataforma diz que estamos com boa ligação os dois.

Mas estou te a ouvir com bastantes cortes.

 

Deixa-me ver, abrir a porta não?

Aqui diz que a ligação está ótima.

 

Não?

Agora está.

 

Está?

 

Sim.

 

Estava em que parte?

 

Disseste que ias correr, mas depois disseste, eu ouvi uma parte mais à frente e depois começou a ouvir com imensos cortes.

Eu não sei se foi só eu ou se foi toda a audiência.

Mas se puderes repetir as duas últimas frases, acho que era ótimo.

Ok.

Parece que nos ouviram bem, sou só eu que tive problemas.

 

Pronto, então quando estou assoberbada, o que eu faço sim, vou correr.

Mas quando pensa em assoberbada, penso quando estou triste ou quando estou muito cansada, mas também penso quando estou um longo período assim alienada, quando estou só a cumprir agenda, preciso às vezes de parar e eu acho que se tivermos muito muito atentos ao nosso corpo, não é?

Porque quando é que nós ficamos doentes, quando é que nós ficamos com a nossa imunidade embaixo e quando deixamos de cuidar de nós.

E há pouco tempo utilizei esta metáfora com uma miúda minha e foi mesmo interessante, que ela apanhou, que é, ela está doente, ela tem uma anorexia nervosa e ela, o objeto conflito dela é o corpo dela.

E quando estávamos a falar sobre quando um carro está avariado e quando aparece uma luz de uma avaria, o que é que nós fazemos?

Nós cuidamos dessa varia.

Então quando o nosso corpo está doente e quando está alguma coisa mal, um sinal mal.

Nós temos que cuidar disso, não é?

Não podemos atacar o nosso corpo, nós não atacamos o nosso carro quando alguma coisa está avariada.

Nós temos que cuidar dele.

E depois também perceber, porque é que esse sinal tocou, alguma coisa estamos a fazer errado, alguma coisa não estamos a respeitar o nosso ritmo.

 

Uau.

Isso é fundamental, mas sabes que não nos ensinam isso na escola.

E lá está, eu acho que estamos um bocadinho naquele campo da inocência nós não sabemos sequer que isso é uma possibilidade, não é?

Esta coisa de escutar o corpo, uma coisa que se calhar comecei a aprender muito nos trintas, quando fazemos uma meditação guiada ou quando fazemos um yoga ou uma coisa deste género, porque até lá, não sei, se calhar tive azar.

Mas não me ensinaram a fazer isso e nunca me falaram que era uma possibilidade e dúvido que os meus pais me pudessem ter ensinado, porque também os ensinaram a eles e portanto é um efeito cascata, não é?

 

A escola está fora de moda, não é?

Quando já todos percebemos que o sucesso, os grandes empreendedores, as pessoas mais felizes não foram as pessoas que tiveram melhores notas, mas sim as pessoas que conseguem ter uma vida em equilíbrio, conseguem meditar que conseguem encontrar e escutar o seu corpo.

Se sabemos que é a solução, porque é que não vamos por aí?

A nossa escola está fora de moda.

Só entra o cérebro, não entra o corpo, para a nossa escola.

E claro que existem escolas com modelos fantásticos, já e ainda bem e não é só a nível internacional também existe a nível nacional.

Existem boas escolas.

Agora nós também podemos ser modelos, não é?

E a Gymboree pode lembrar isto aos pais, eu posso relembrar isto aos pais e relembramos da questão da escuta do corpo, da importância de meditar, da importância do eu, do cuidar.

Excelente.

Rita, obrigado por este bocadinho.

Espero ter te aqui de novo.

Pedia às pessoas para seguirem as tuas conversas e as tuas páginas.

Porque gostei imenso da tua forma de pensar quando te descobri pela primeira vez foi no Linkedin.

Que tens alguma atividade lá.

E vá lá a tua veia empreendedora também, portanto a forma como estás a tornar público, o vosso trabalho e a importância da vossa ciência, acho que tem muito mérito e deve ser apoiada.

 

Obrigado Nuno.

Eu posso aproveitar para, eu estou no Instagram, no Facebook como RitaPalma.Psicomotricista.

E agora também estou na plataforma Patreon, onde vou divulgando algumas psicomotri talks gravadas e alguns conteúdos exclusivos para os associados e os elementos que apoiam este projeto.

Eu acho que é importantíssimo falarmos sobre estas questões e obrigada por me dares essa oportunidade.

Eu espero que se alguma coisa que eu gostava que retivessem desta conversa, é esta possibilidade de podermos pensar em conjunto, não é?

De nos podermos colocar em questão, mas sem nos destruirmos.

É podermo-nos colocar em questão e está tudo bem.

Podemos melhorar a partir de agora, não nos desculparmos, não quero detodo que sintam isso, mas que sintam o que podem fazer diferente e que podemos mudar, pelo menos o nosso mundo.

 

Ok.

Eu coloquei os teus link na descrição do vídeo no YouTube.

Portanto quem fizer uma busca por podcast psicomotricidade infantil em princípio vai descobrir este podcast e depois estão lá nas descrições dos teus links, especialmente o do Patreon, para as pessoas poderem ajudar-te a continuar o projeto.

 

Se quiseres de alguma coisa e se alguém precisar, podem contar comigo.

Obrigada.

 

Excelente.

Obrigado, Rita.

Bom resto de domingo.

 

Obrigada Nuno.

Bom trabalho.

E parabéns.

Ora essa.

Obrigado eu.

Parabéns pelo teu projeto.

Até à próxima.

 

Até à próxima.

 

 

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