Podcast O Arrumadinho – Paternidade Confinada – Ricardo Martins Pereira

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Podcast Ricardo Martins Pereira – Paternidade Confinada – Dicionário das Crianças

 

 

Ricardo Martins Pereira é Faixa Preta em Estratégia e Comunicação Digital

http://bit.ly/lpyout

Pai de 3 crianças

Maratonista Experiente

Futuro Presidente do Benfica

Autor de “O Arrumadinho” Vamos falar de tudo isto de como tem sido confinar a solo com 3 crianças pequenas.

Juntem-se a nós no próximo Sábado, dia 13 às 14:30.

http://oarrumadinho.iol.pt/

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https://magg.sapo.pt/

https://www.gymboreeclasses.pt/playlab-academy

 

Olá Ricardo.

 

Olá Nuno.

Como estás?

 

Tudo bem.

Obrigado por este bocadinho.

 

Obrigado eu, pelo desafio.

 

Hora bem.

Epah eu não te vou apresentar, toda a gente te conhece.

 

Eu deixei uma série tão boa em conta.

 

Mas eu pah, tenho essa sensação, recebi uma série de telefonemas,

Vais mesmo falar com o Ricardo?

Vou.

E portanto deixei também uma série de links sobre os teus projetos que possivelmente vamos expandir durante este podcast, porque eu duvido que tenha lá colocado todos.

A minha primeira pergunta era um bocadinho, porque é que que escolheste esta marca o arrumadinho como marca pessoal?

Tens um conjunto de blogs muito bem sucedidos debaixo desse chapéu.

Como é que isto surgiu?

 

Basicamente numa fase o blog arrancou em 2008 e eu na altura era solteiro e tinha a casa dos meus sonhos como eu gosto de ter e idealizo sempre, que é toda arrumada com os dvds por ordem alfabética, as camisas ordenadas por cores, os livros por autores ou por o origem dos autores, portanto eu gosto de ter as coisas efetivamente muito arrumadas.

E foi assim, foi por isso, porque é um traço meu de personalidade, que se vai manifestando sempre que possível e eu gosto muito de viver de forma organizada.

Tem uma justificação que é, eu sou completamente despistado, ou seja, eu sou aquela pessoa que nunca sabe dos óculos, nunca sabe das chaves, ando sempre à procura das coisas, tenho uma coisa na mão vou sair de casa já não a tenho e ando meia hora à procura dela e que ao último minuto.

E a organização é uma forma minha de contrariar isso, ou seja, eu tendo as coisas arrumadas e organizadas, eu sei sempre onde é que estão as coisas, eu crio-me eu obrigo-me a criar rotinas, não é?

Eu quando chega a casa, se tiver um sítio onde eu vou por os óculos e as chaves, eu vou lá pôr os óculos as chaves e não tenho que andar à procura.

E isso poupa-me tempo.

Que para mim a coisa mais valiosa e mais preciosa que eu tenho, epah e que é o tempo.

Eu dou imenso valor ao tempo e odeio perder tempo com coisas.

Portanto para mim o tempo que significa sempre alguma coisa aqui.

E lá está, passar dez minutos à procura de uma chaves, para mim é uma coisa que me corrói, por exemplo eu tenho outro exemplo, eu deixei de ter carro em 2013 essencialmente por duas razões.

Uma razão ambiental e por uma razão de tempo, ou seja, ao contrário do que a maior parte das pessoas pensam, o tempo que eu perdia dentro do carro, no trânsito à procura do lugar é uma coisa que me consumia os nervos.

E eu não quero isso, prefiro usar esse tempo por exemplo para e demorar o mesmo tempo ou até um bocadinho mais numa bicicleta, onde igualmente eu não estou a fazer mais nada, mas estou a privilegiar a minha saúde, estou a fazer exercício, estou a sentir o ar fresco, estou a tirar prazer dessa experiência, não é?

Agora no automóvel não.

E de facto desde que deixei de ter carro, sinto que sou muito mais feliz e sinto que valorizo mais o tempo.

 

Muito bem.

E consegues manter essa arrumação, agora depois de três filhos e com os teus projetos todos?

Eu não conheço nenhum empreendedor bem organizado, se calhar só tu.

 

Não é nada fácil, é..

Sobretudo nesta conjuntura, eu acho que temos que discernir aqui dois momentos, não é?

Ou seja, um momento de confinamento com miúdos em casa e em tele escola, é dramática até para a pessoa mais arrumada ou para a pessoa mais organizada.

Eu não sou particularmente organizado, eu gosto muito me rodear de pessoas que me complementam.

Não gosto nada de estar avaliar pessoas parecidas comigo, eu normalmente sou o gajo meio despistado, meio maluco cheio de ideias, cheio de projetos e quer fazer tudo ao mesmo tempo.

Mas depois preciso de uma pessoa com os pés na terra, que me puxe para baixo, preciso de uma pessoa que seja especialista em excel e organização de coisas em excel e que me faça os relatórios, epah que eu nunca faria na vida, não é?

Preciso de uma pessoa que seja muito focada na parte de gestão e financeira e tudo mais.

Portanto eu gosto sempre de me complementar e muitas vezes os projetos não são, e felizmente tenho tido alguns projetos de sucesso, que são dos quais eu sou o rosto, mas que o mérito é de muitas pessoas, não é?

E não teriam nunca tido sucesso se não fosse o médico dessa equipa no fundo desse conjunto de pessoas que eu de alguma forma vou escolhendo e vou rodeando e que muitas delas andam comigo durante anos, porque gostam de trabalhar comigo eu gosto de trabalhar com elas, as coisas que fazemos correm bem, portanto é um bocadinho por aí.

Nesta altura do confinamento e sobretudo agora em casa por exemplo, em que não há, tem de se criar rotinas novas e aí eu acho que é um bocadinho isso, é sermos rigorosos nas rotinas que criamos, mas não é nada fácil não é?

E esta sei lá, o exemplo é que a minha última semana com uma filha de dois anos já em tele escola não é?

E com atividades, às 9:30 da manhã ao meio-dia e às três horas, com o outro que entra, dos sete anos, que entra às nove e meia, tem ao meio-dia e meia, tem às quatro e meia e depois ainda tem de ficar às 6:15.

Tudo online não é?

Com estações diferentes eu montei três estações, depois eu tenho o mais velho não é?

Com 14 anos está no nono ano com o horário normal de escola, que tem de organizar e aí garantir que ele está de facto atento às aulas e não está a jogar enquanto está com o telefone ligado na aula e está a jogar Minecraft ao mesmo tempo, não é?

Portanto tem de ter um nível de controlo sobre cada um, a miúda à bocadinho muitas vezes as aulas dela, eu tenho que a ter ao colo e tenho de estar eu a participar na aula, porque ela de facto levantasse e vai-se embora não é?

Portanto eu tenho de estar ali a obrigá-la um bocadinho a participar das atividades, o de 7 anos é o mais focado apesar de tudo, está ali tem mais um sentido de estar numa aula não é?

E que de facto a professora puxa imenso por ele, e aí dele que está com menos atenção, eu ouço.

Portanto ele tem o som ligado não é?

Eu estou sempre a controlar e a professora está sempre a chamar a atenção dos miúdos todos, é impecável nisso e os miúdos estão ali na linha, não é?

E o mais velho é outro tipo de atenção, é garantir que de facto não está só a fazer mil coisas ao mesmo tempo e pelo meio disto tudo, eu estou a trabalhar não é?

Portanto eu estou em casa a controlar isto tudo e a trabalhar ao mesmo tempo.

E isso é complicado.

 

Eu acho que essa era a minha próxima pergunta.

O que é que fica para trás não é?

Com três crianças em tele na escola, confinados, tens de fazer refeições, tens os teus projetos empresariais, seguramente que és consultado por amigos, que tens pessoas que te solicitam.

Alguma coisa que tenha ficado para trás, o que é, como é que escolhes não é?

Eu basicamente quem fica para trás sou eu.

Eu acho que é sempre isso, é sempre isso.

Porque é sempre, quer dizer, nesta fase eu acho que é o possível.

Porque eu tenho aquela coisa de lá esta, gostar de ir ocorrer e gostar de ter tempo para ver uma série ou para ver o que é que seja, eu tento, ou seja, o dia vai avançando, não é?

E eu de manhã, apesar de tudo, eu tenho uma passadeira em casa, portanto sou mais ou menos privilegiado não é?

E às vezes consigo antes deles acordarem, ir correr para a passadeira e ter ali um bocadinho tempo, eles quando acordam lá vão para a sala e eu acabo por vê-los lá na sala.

Mas e muitas vezes paro o meu treino apartir do momento em que eles acordam, mas muitas vezes deixo para a noite.

Eu já sei que quando deixo para a noite, não vai acontecer.

Ou vai acontecer, mas ver umas séries e essas coisas todas.

Muitas vezes consigo deitá-los a todos entre os banhos, os jantares, essas coisas todas às dez e meia, estou eu pronto para mim não é?

Para ter tempo para mim e às 11 horas estou a dormir profundamente, acho que não dá.

Portanto acabo por ser eu a ficar para trás e depois, porque também sei que isto é uma cena, é um período, não é?

É uma fase em que isto, em que nós somos obrigados a isto, não temos alternativa, portanto estar aqui a sofrer e a chorar por uma coisa que não há alternativa, fazer o quê?

Os miúdos não podem de deixar de ir às aulas, eu não posso de deixar de cumprir com as minhas obrigações, não é?

Enquanto pai e portanto tenho que as fazer e respeito imenso o trabalho das pessoas que estão do outro lado e o esforço que elas fazem, porque se eu sei que o meu filho de 7 anos tem uma aula às 9:30 e das nove e meia às dez e meia, eu sei que acaba às 10:30 porque às 11:00 começa outra, não é?

E onde ele já não está, mas a professora divide as turmas em dois, portanto os desgraçados dos professores estão ali desde manhã até ao fim do dia com várias turmas divididas em várias pessoas.

Portanto eu também me ponho do lado deles e percebo a dificuldade que é para eles também, de manterem os miúdos focados, interessados numa realidade que para eles é também completamente diferente e completamente nova não é?

Ou seja, claro, os professores nunca viveram isto não é?

Portanto, nós não, os professores também não.

Portanto é completamente diferente, tu teres a tua formação e a tua experiência profissional enquanto professor numa realidade presencial. E de repente de um dia para o outro, dizem-te: agora é assim, mas online.

E tipo oi?

Não é?

Sem tempo de preparação, sei lá, eu também comecei no jornal em papel e o online foi aparecendo não é?

E nós tivemos anos de transição, ainda hoje está a ser feito e emigração e de aprendizagem, tudo mais.

Isto foi de um dia para o outro.

Foi meus amigos a partir daqui a 15 dias é tudo online, não é?

Desde plataformas técnicas, se os miúdos têm ou não computadores, se o som está bom, se os pais sabem mexer nas plataformas digitais.

Portanto há tantas tantas coisas que se levantam e tanta discussão que isso pode gerar, não é?

Mas que não houve tempo para discutir, não houve tempo para pensar, não houve tempo para nada, é implementar e começar já, porque se não é tempo que se está a perder e os miúdos e eu já sinto isso, sinto que este ano de 2020 e para onde estamos a ir agora em 2021 foi um ano semi perdido em termos de aprendizagem escolar, porque obviamente que embora os professores façam o melhor possível, não é mesma coisa, não é a mesma coisa, não dá e eu acho que os miúdos vão acabar por ser os principais prejudicados.

 

Olha, falando aqui um bocadinho do online e do digital.

Esta pergunta surgiu-me agora durante a tua resposta, porque tinha  aqui o alinhamento, que ficou arruinada agora com o teu testemunho.

 

Falo muito, não é?

 

E falas bem, mas esta coisa surgiu.

Portanto tu vives um bocadinho do online já há muito tempo.

Portanto és um especialista em comunicação digital, estratégia, marketing, inovas-te numa série de campos nesta parte do digital.

E agora estás a observar esta dinâmica de todas as pessoas, vá lá, todas as, vamos chamar, todas as pessoas ditas normais, que usavam a internet para se divertir, se calhar por fins meramente enoturístico ou porque queriam trocar uns e-mails, usavam aquilo se calhar dois por cento do seu potencial e agora estão a trabalhar em frente a um ecrã, horas a fio e as próprias crianças que usavam a net se calhar para se divertirem, para ver uns vídeos no YouTube, os tik toks.

Agora estão a ter aulas.

Como é que tu vês esta dinâmica e quão fácil foi para ti, que és do meio, adaptares-te a esta realidade que agora só temos online.

Acabou-se o offline, só temos online.

Sentiste essa transição?

Foi fácil para ti e quão difícil será para quem não estava se calhar no teu ponto de partida?

 

Para mim em termos profissionais, eu tive uma vantagem em relação a todas as outras pessoas, que foi, epah eu sou um visionário até disse, que é, a minha aqui está confinada, confinada não, está em teletrabalho desde dezembro 2019.

Quando ainda não havia covid, ou seja, eu na altura eu comprei o projeto que tenho atual da mago, comprei-o ao observador, que era meu sócio eu comprei a cota deles.

E na altura houve necessidade de sairmos das instalações deles e eu andava à procura de um escritório.

Então eu pus provisoriamente a minha equipa em casa, enquanto encontrava um escritório.

Portanto basicamente as pessoas começaram em teletrabalho em dezembro e fizemos todo o mês de dezembro em teletrabalho.

E quando ainda nem se quer se falava em teletrabalho, isto foi em dezembro, foi em janeiro, foi em fevereiro.

Em fevereiro finalmente encontrei o escritório, que estava pronto em março, não é?

E quando tinha data de entrada do escritório, pumba, confinamento, vai tudo para casa.

Portanto eu basicamente adiei a entrada do escritório para julho, portanto eu tive a equipa sete meses em teletrabalho, sendo que depois trabalharam 2 ou 3 e voltaram para teletrabalho.

Portanto basicamente estamos à um ano sensivelmente, em teletrabalho.

E não foi estanque.

Ou seja, isto foi por fases.

Eu senti que os primeiros três, quatro meses, foram muito complicados, do ponto de vista emocional e de rotinas de trabalho.

As pessoas não estavam claramente preparadas para uma situação de teletrabalho.

O rendimento foi muito abaixo do normal e isso teve reflexos em todos os aspectos da empresa.

É completamente diferente de conseguir motivar uma pessoa que está em casa sozinha a trabalhar ou a pessoa que está conosco, porque os olhares, o chamar, agarrar no braço, leva ali, bora ali beber um café e falar sobre as coisas, as expressões com que as pessoas chegam, quando chegam ao escritório.

Tu percebes logo, se as pessoas vêm tristes, se as pessoas estão muito motivadas, se têm um namorado novo, não é?

Tudo isso são aspectos que tu podes usar no ponto de vista de recursos humanos e de motivação, que transformam muitas vezes as pessoas e os ambientes de trabalho.

E eu gosto de fazer isso, eu não sou nada o chefe chato do olhar para o relógio, as horas a que as pessoas entram as horas que as pessoas saem, não faço ideia.

Tenho lá pessoas que controlam isso.

Não sou minimamente, só se as pessoas estão de folga ou se já foi gozar uns dias de férias.

Eu confio sempre que as pessoas na estrutura hierárquica competente, vão ter esse tipo de controle sobre as coisas, porque eu não preciso ter ou não quero ter e não tenho gente para ter.

Portanto ocupo-me também muito desse lado, lado da estratégia obviamente, lado das marcam decisões, mas também do lado da motivação humana e de fazer com que as pessoas se sintam bem nos projetos, que gostem de trabalhar naquelas equipas, que estejam motivadas.

E isso é muito difícil quando estás em teletrabalho é mesmo complicado.

É até para mim é um bocadinho frustrante, porque por muito que se tente juntar as equipas em reuniões de Zoom ou o que é que seja, não é mesma coisa.

Não consegues ler as pessoas, só estás em contacto visual com elas durante aquela meia hora ou durante aquela hora.

Não sabes o estado de espírito da pessoa, não sabes se os problemas com que ela está, se está, mesmo tendo as suas aberturas e fazem isso, as pessoas de vez em quando mandam-me WhatsApp a dizer: queria falar contigo, tens aí meia hora?

Pah claro.

E falamos, falo individualmente com alguns e tento resolver os problemas que eles têm e ver de que forma é que eles podem estar mais satisfeitos ou podem estar ou posso me virar alguma situação, mas é completamente diferente.

Portanto e isso nestes primeiros meses foi muito complicado.

Depois o que é que eu senti, a partir de junho, quando as pessoas voltaram ao trabalho, as pessoas já estavam entrar numa fase de conforto.

Já estavam a perceber o conforto de trabalhar em casa não é?

E de que de facto gastavam menos dinheiro, podiam comer sempre em casa e fazer com que não gastassem dinheiro, não perdiam tempo com transportes públicos, pah podiam trabalhar de pijama.

Portanto havia ali uma série de coisas que as pessoas começaram a valorizar e a partir do momento em que de um ia para o outro, meus amigos bora lá vamos todos para o escritório, a partir de agora vamos estar separados, não sei quê, com máscaras quem quiser.

E já não havia obviamente, aliás era essa a ordem do governo.

Era meus amigos vamos voltar à vida como ela era e não sei mais o quê, lavem só as mãos e não estejam muito próximos.

E foi um bocadinho esse o espírito que nós tivemos na empresa.

As pessoas voltaram.

E eu senti que as pessoas: epah, agora estávamos tão bem em casa e agora temos de voltar para aqui.

Portanto acho que depois houve essa habituação, nós somos bichos de hábitos, não é?

E acho que sabemos adaptarmos às situações mais adversas ou mais confortáveis e tendemos a encontrar o nosso conforto dentro de uma situação adquirida, na situação que vai, sabemos que vai ser a nossa.

As pessoas não podem dizer: não quero estar em teletrabalho.

Epah, não é uma opção, não é?

Estás em teletrabalho e não há outra opção.

Portanto tu não vai estar a martirizar com isso todos os dias, tens é que aprender adaptar-te  e ser feliz dentro dessa realidade que tu tens.

Portanto eu senti que, para mim e para a minha equipa dentro dos meus projetos o teletrabalho e trabalhar à distância e através do uso de novas ferramentas digitais e tudo mais, foi sempre oscilante.

Não foi uma coisa estanque nem foi uma coisa progressiva, nem, as pessoas foram cada vez melhor ou cada vez pior, eu acho que depende um bocadinho dos estados de espírito, que também são influenciados pela realidade do país e da doença, não é? E da pandemia.

Tanto isso vai tendo alguma, se as pessoas como agora, não é?

Agora é normal, as pessoas estão muito mais assustadas do que estavam em agosto não é?

E veem os números e de facto é assustador não é?

Da mesma forma que agora os números já começam a cair, as pessoas também já começam a sentir um bocadinho mais aquela coisa de querer sair e de querer encontrar se  e de marcar jantares.

E eu acho que é normal, depois cabe-nos decidir ainda não é o momento ou não vamos fazer isso agora, ou quer que seja.

Portanto é encontrar esses pontos de equilíbrio, que nem sempre é fácil, mas que nos cabe a nós, líderes dos projetos implantados.

 

E tu como operador privilegiado aqui no mundo digital, sentes que isto vai abrir mais algumas oportunidades?

Estás à espera de uma dinâmica positiva agora de crescimento nos seus projetos digitais?

Sentes que as pessoas podem sentir alguma fadiga e fugir um bocadinho deste campo?

Eu vou te contar que no nosso caso em particular, o Gymboree, nós tivemos que fazer um pivô para o online, porque fazia todo o sentido.

Mas tu que já aí estavas nesse mundo, sentes mais ameaças porque houve realmente um fluxo de pessoas para o digital?

Achas que é uma questão de oportunidade?

Qual é que é a tua perspectiva? Mais otimista? Mais pessimista? Mais neutra?

 

No curto prazo é relativamente otimista, ou seja, o facto de as pessoas estarem confinadas para quem trabalha em digital é quase sempre uma vantagem não é?

Porque as pessoas estão mais predispostas para consumir conteúdos digitais e online e portanto e nós tivemos um crescimento brutal de audiência não é?

Ou seja, o ano de 2020 foi o ano de facto de explosão da Magno, não é?

E teve muito haver com isso, com o fato de as pessoas estarem grande parte do ano confinadas em casa a consumir muito mais conteúdos.

Nós conseguimos, aumentamos cinco vezes a nossa audiência em 2020, não é?

Portanto, mesmo em termos de faturação, a faturação aumentou brutalmente.

Portanto houve aqui uma série de vantagens que nos trouxe o facto das pessoas estarem confinadas.

Portanto na perspectiva do curto prazo para mim é otimista e positiva.

No longo prazo ou no médio longo prazo, não é assim tanto, porque eu acho que nós vamos pagar a fatura, ou seja, o peso que todas estas medidas representam para o estado, essa fatura vai chegar esse cheque vai chegar nos próximos anos, não é?

E isso provavelmente se calhar vai nos levar a ter que pedir mais ajudas internacionais e isso vai ter reflexos necessários na economia e portanto preocupa-me na perspectiva do médio longo prazo.

No curto prazo e olhando para mim e para a minha realidade e para os meus negócios, epah tem sido bom.

 

Ok.

Ricardo eu ia voltar um bocadinho atrás e  já voltamos se calhar aqui à parte empreendedora, que é uma parte importante aqui também das minhas questões.

Tu és uma de maratonista experientes, tens 16 maratonas no teu currículo certo?

 

Certo.

16 e uma ultra e uma ultra.

 

Pronto, nós falamos um bocadinho sobre isto em off à bocado e eu acho isto fascinante e ia te fazer uma pergunta.

O que é que achas que aprendeste com a corrida ou o que é que significa para ti hoje em dia este tipo de desporto, que eu consideraria até um bocadinho desporto radical, porque isto não é propriamente correr 5 quilômetros para a tua saúde.

Nada na maratona diz saúde.

O que é que significa para ti correr a este nível?

 

A maratona obrigou-me a uma disciplina, um espírito de sacrifício, uma capacidade de sofrimento, que eu consegui transportar para a vida real.

Ou seja, eu sinto mesmo isso, que uma pessoa tem a capacidade de resiliência de uma maratona, consegue muitas coisas na vida.

E isso é uma coisa engraçada, porque por exemplo, eu quando olho para os currículos das pessoas, eu procuro sempre nos microskills se as pessoas têm coisas desse género.

Se são pessoas que praticam desporto, que desporto é que praticam.

Pergunto muitas vezes isso nas entrevistas.

Porque eu acho que isso é uma característica que aborda muito valor ao lado humano e necessariamente ao lado profissional.

Portanto quando só quem já correu uma maratona, é que sabe o que é chegar ao quilómetro 37 não é?

E chegar ao quilómetro 37, implica.

Epah o muro que vai ali dos 30 aos 35/36/37 depende.

Eu já apanhei o muro várias vezes, já fiz várias maratonas em que não apanhei o muro.

Portanto é ali aquela quebra quando parece que nós levamos com uma marreta em cima e já não temos forças para nada.

Mas chegar ali ao quilómetro 37, em que nós olhamos para a frente e pensamos: já só faltam cinco, não é?

Qualquer pessoa diria já só faltam cinco e nós pensamos: porra, ainda faltam 5.

E as pessoas pensarem: ok 5, quanto muito são 22/23 minutos a correr ainda, o que para muitas vezes para muitas pessoas é um treino normal.

É quando as pessoas vão correr meia horinha.

 

São 22 minutos à benfica.

Não é toda a gente que faz aquilo em 22 minutos.

 

Pronto.

Portanto é muito duro e só de facto com uma capacidade de sofrimento muito grande é que nós conseguimos superar isso.

E cada maratona para mim, tem uma história diferente, todas elas têm uma história, eu lembro-me de cada uma.

E há uma coisa que eu costumo recordar muitas vezes, que é só houve uma das 16 maratonas que eu corri, só houve uma, em que quando eu cortei a meta, não tive vontade de chorar ou não chorei mesmo e não me emocionei mesmo a sério, não é?

E já corri 16, não é?

E nós pensamos: ok isto já não é novidade para ti, mas emocionaste porquê do quê?

Tem haver com várias coisas não é?

Tem haver com o tal sentir que chegamos ao fim de um processo, não é?

Porque uma maratona, o que custa menos, é correr aqueles 42km.

Eu cheguei a correr a mil quilómetros para preparar uma maratona não é?

Ou seja, o sair de casa, sair da cama às cinco da manhã para ir correr 25 Km e depois voltar tomar banho e trabalhar não é?

É uma coisa que custa não é?

É fazeres semanas em que tens de correr 85 km numa semana, não é?

E tens de fazer, à segunda corres 17, à terça corres 12, à quarta corres 25, à quinta descansas, à sexta corres 14 e ao sábado vais correr 30 não é?

Epah tudo isto implica o nível de sacrifício de desgaste, muito grande, portanto a preparação da maratona é uma coisa muito dura, muito séria, que não pode ser com nenhum tipo de adiantado.

A prova em si, nós conseguimos tirar um prazer tremendo em vários momentos, mas quando aquilo chega ao fim, quando nós cortamos a meta e sentimos que, pah, consegui e eu penso muitas vezes isto, que é, qual é a percentagem de pessoas no mundo que conseguem fazer isto que eu acabei de fazer não é?

Sinto-me um privilegiado, sinto que, pah consegui dar uso a faculdades que tenho, não é?

Felizmente tenho saúde e uso essa saúde para o meu bem, não é?

E acho que as pessoas muitas vezes e eu critico muito isso, pessoas que são absolutamente saudáveis e que não fazem desporto nenhum, que se impõem a elas próprias limitações parvas, inventam desculpas parvas não é?

Quando há pessoas que gostavam de o fazer e não têm possibilidades, são pessoas doentes, são pessoas que têm algum problema físico, são pessoas que têm um problema de coração, são pessoas que tem um problema no joelho não é?

E que gostavam muito de o fazer e não podem.

E depois há pessoas que não têm problema nenhum e que não fazem por opção.

E eu faço-o, felizmente não tenho problemas, faço um e quando chega ao fim é o misto de uma descarga física, psicológica e emocional. Sobretudo emocional também, portanto nós vamos com os nervos todos esfrangalhados não é?

Portanto eu vejo, isto aconteceu acho que foi na maratona de Barcelona.

Eu ia a correr também e ia também no quilômetro 32/33 e ia muito muito cansado, já não estava a tirar grande prazer da corrida, estava um bocadinho triste e olhei e vejo um cartaz numa criança para aí com 4/5 anos, a dizer força papá, és o meu herói e não sei que.

Pah e eu desato a chorar no meio da prova por isso, não é?

Porque é o estado emocional em que tu vais, em que o desgaste físico implica o desgaste emocional e tu estás completamente descompensado em tudo não é?

E quando cortas a meta é quase o descarregar de tudo isso naquele momento, em que fez de facto com sempre me isso aconteceu, pah mesmo que a prova tenha corrido bem ou mal, ou o que quer que seja, há sempre essa descarga.

E só quem correu uma maratona é que sabe disso e é que sente isso.

 

Evito falar um pouquinho sobre isso.

Há uma componente, pah, eu argumentaria que qualquer pessoa poderia fazer uma maratona com mais treino ou menos treino, mais tempo menos tempo, mais gel menos gel, mais um isotônico.

Mas nem toda a gente se calhar tem aquela capacidade de cerrar o dente e dizer: não, eu naturalmente vou correr uma maratona e se for preciso corro-a já.

Consegues identificar quando é que esse momento aconteceu na tua vida, quando é que tu sentiste: eu consigo ferrar o dente, eu consigo fazer isso acontecer?

 

Sim.

 

Foi há muito tempo?

Eras novo?

Foi mais tarde?

 

Foi curiosamente na minha segunda maratona, ou seja, a primeira maratona eu corria num ambiente de trabalho, foi um desafio que foi lançado na altura quando eu era editor da revista sábado.

E eu ia fazer a cobertura jornalística de uma pessoa que ia correr a sua centésima maratona.

E então acabei por fazer a reportagem em ambiente decorrido, eu próprio fui com ela e a minha primeira maratona foi assim, foi em trabalho.

Portanto essa, apesar de ter sido a primeira, para mim não conta tanto.

E depois eu disse: não, eu tenho que correr uma maratona a sério, mesmo com uma prova oficial e tudo mais.

E foi assim, na minha segunda maratona que foi em 2013, eu corri primeiro em 2012 e em 2013 eu decidi correr a maratona de Lisboa, que era em setembro.

E em julho nasceu o meu primeiro filho, o meu segundo filho aliás, o Mateus, em julho de 2013.

Epah ele foi prematuro, teve alguns problemas, pah era aquela coisa de um bebé prematuro, nós temos de ter alguns cuidados especiais e ele era muito pequenino, era muito frágil, portanto houve ali uma série de coisas que para nós foram complicadas.

E eu basicamente que tinha começado a preparação para a maratona tipo um mês antes, interrompi a preparação.

Portanto basicamente ele nasceu a 16 de julho e eu parei de treinar.

E o grupo de pessoas que estavam treinar comigo continuaram.

E basicamente eu ia assistindo pelas redes sociais não é?

Às preparações deles, aos treinos e aos tempos e tudo mais.

Epah e eu chego ali tipo agosto, passa se o Agosto todo e eu não me mexi, não é?

Portanto eu não fiz mais nada, não corri 1 km desde julho quando o meu filho nasceu até a final de agosto.

E uma semana antes da maratona, a maratona era, começava a 23 ou não sei quê de setembro e eu para aí a 16/17 de setembro, disse: pah, eu vou correr, pah vou ocorrer, não quer saber eu vou correr, eu consigo, vou meter na cabeça que vou conseguir e eu vou conseguir.

E assim foi.

Eu fui, saí um dia para correr 10 km e cheguei ali aos 8 e achei que já não aguentava mais, que já estava no limite.

Portanto eu estava a correr 8/10 km nessa altura, sem preparar.

Durante essa semana corri sempre 8, 10, 12, 6, 8, sempre de segunda a sábado, no sábado descansei e domingo fui para a maratona.

Obviamente que os meus amigos quando me viram lá, eles pensaram: este gajo é doido não é?

Maluco não, nunca na vida isto vai acontecer.

E eu disse: epá, eu vou ao meu ritmo sem stresses, mas vou-me desafiar a mim próprio para ver o que é que eu consigo, o que é que eu valho nesta fase.

E assim foi.

Epá fui devagarinho, parti já sem ambição nenhuma, só com o objetivo de chegar ao fim, queria obviamente tentar não andar, não é?

Ir a correr e nunca parar.

E assim fui ao meu ritmo tranquilo até aos 30 quilómetros aguentei-me bem, a partir dos 30 foi um sofrimento atroz atroz mesmo e aí já entrava mesmo no campo do sofrimento.

Mas sempre: pá tu vais conseguir, não vai desistir, não vai desistir, tu não desistes das coisas, vamos embora, tu vais até o fim.

E é uma guerra mental entre o corpo e a mente não é?

Constante e a toda hora.

E cheguei ao fim de facto, foi um sentimento de uma pessoa acaba aquilo e diz, e fica ali tipo pá, a sério não há palavras, só vivendo a situação.

 

Não compraste t-shirts para os teus filhos a dizer: o meu pai…

 

Não que ele ainda era pequenino e eu não ligava nada a essas coisas, porque eram pequeninos.

Mas depois tive uma coisa mais ou menos parecida, mas aí foi um desafio que eu me lancei a mim próprio, que foi, se eu seria capaz de correr 3 maratonas seguidas oficiais, em 15 dias.

E portanto eu sempre gostei assim de desafios, de cenas malucas.

E assim foi.

Estive três meses a preparar para a maratona de Berlim, porque queria bater o meu recorde e sabia que estava em condições de bater o meu recorde e estava ali muito focado naquilo, fiz uma preparação perfeita, exatamente como eu queria fazer, não falhei em nada, com tudo ali tranquilo.

Fiz a maratona de Berlim fiz 3 horas e 17 e que ainda hoje é o meu recorde e acabei e na semana seguinte era a de Lisboa.

E eu pensei, senti que na maratona de Berlim eu tive ali dois erros de estratégia, eu queria fazer abaixo de 3 e 15, não é?

E não o fiz por duas razões, por um erro de estratégia e por um erro de principiante básico, que eu me fui masterizando durante tempos e tempos que é, nós nunca devemos, ou seja, devemos sempre contar e quem corre sabe isto não é?

Quando nós corremos uma prova de 10 km, o nosso relógio quando chegamos ao final não marca 10km.

Marca tipo 10km de 200 metros ou 10 km e 400 metros, porquê?

Porque o percurso é traçado no seu percurso mais curto não é?

Ou seja, quando nós fazemos uma curva por dentro, se a fizermos por fora estamos a correr mais não é?

Isto numa maratona faz e o desvio possa ser de um quilômetro às vezes, ou 900 metros/ 800 metros.

O que implica 4/5 minutos não é?

Ou seja, correr mais 900 metros implica 4 minutos e tal não é?

Portanto e o que é que eu fui fazer, eu fui na maratona de Berlim sempre a fazer as contas às 3 horas e 15, a calcular pelo relógio que estava a correr 42 e 95 não é?

Então eu estava: não, está perfeito, está para as 3:15, o último km eu acelero um bocadinho e faço três 14 e qualquer coisa, sempre com isto.

Eu chego ao km 38 começo a refazer as contas e a pensar: isto não vai dar.

Porquê?

Porque eu estava a passar ao quilómetro 37 e o meu relógio marcava 37 e 600.

Portanto 37 era muito lá para trás, não é?

Portanto o desvio já era muito grande e eu acabei com um desvio de quase 1 km e mesmo os meus dois últimos quilómetros, foram para quem corre sabe o que é que às vezes ficam, foi a 4:16 e 4:21, eu não sei, os dois últimos quilômetros da maratona.

Portanto estava mesmo muito em forma e acabei fortíssimo e fiquei, matirizei-me imenso a mim mesmo, porque aqueles dois minutos que eu perdi estupidamente.

E depois senti que houve ali um erro de estratégia também, porquê?

Porque corria a primeira metade, que é como se deve correr, mais lenta do que a segunda, portanto fiz ali o split negativo, fiquei como se chama, correr a segunda parte mais rápida do que a primeira.

Portanto eu consegui fazer o split negativo, mas senti que na primeira fui demasiado lento, portanto eu achei que podia ter ido um bocadinho mais rápido.

Então o que é eu fiz, eu disse: na próxima semana, maratona de Lisboa, vou fazer uma coisa que é, vou fazer ao contrário, que é vou partir rápido e epah quando arrebentar, arrebentei e depois vou devagarinho até a meta e mesmo assim eu acho que vou fazer um resultado bom.

E aí assim foi.

Para teres uma ideia, eu cortei, eu passei a meia-maratona com o meu recorde da meia maratona, portanto eu passei em uma hora e 29 qualquer coisa não é?

À meia-maratona e fiz os primeiros quilômetros, eu ia 404, 408, 406, 402, 448, sempre em km por hora.

E portanto fui muito rápido, cheguei ali aos 25, comecei a sentir que estava a começar a quebrar ligeiramente não é?

E depois comecei a pagar o facto de ter corrido uma maratona, uma semana antes,

de Berlim, a também a um ritmo alto.

 

Tu vais sempre a meter gel, isotônico..

 

Eu mudo, não.

Eu tenho uma estratégia normalmente costumo por aos 12 aos 22/23 aos 30 e aos 35 normalmente tomo esses quatro, muitas vezes não tomo o dos 20, ou seja, tomo os 12 e depois tomo só aos 25 e aos 32 ou três ou quatro, não vou sempre meter.

E nessa aconteceu me isso.

Ou seja, eu quebrei aos 30, quebrei completamente.

Mas mesmo assim eu pensei: basta ires a 5, se eu for a uma média de 500 que para mim era lento naquela fase e devagarinho é um registo tranquilo, se eu for a 500 eu pensei que ia fazer 3 horas e 9 não é?

Portanto eu ia mais do que tranquilo, eu olhava para trás, eu não via o bandeirola, há se sempre um bandeirola com os tempos nas maratonas.

Eu não via o bandeirola desde das três horas e quinze, portanto ele nem estava à minha vista.

Portanto ia lá muito para trás, portanto eu ia tranquilamente à frente para recorde para a linha de recorde.

E fui, a partir dos trinta eu olhava fiz 5:21 depois no outro a seguir 5:46 no outro 6:11 e eu, mas a dar o meu máximo eu ia a quebrar mesmo era como se um carro tivesse a perder a gasolina continuamente.

E eu acabei tipo a 7:50 ou não sei quê, já nem sei.

Ia de rastos, não me conseguia mexer foi uma coisa horrível e mesmo assim não bati o meu recorde de Berlim por 30 segundos numa maratona.

Não me satisfeito com isso, na semana seguinte fui correr a maratona de Munique não é?

E aí foi tranquila e aí fui com nenhum objetivo e fui só para acabar e vais a 500 acabas em 3:30 e é assim e fui.

Meti a 500 fui sempre e olhava depois no fim era 459, 501, 500, 459, 501 e fui sempre no meu ritmo, acelerei nos últimos quilómetros.

Fiz 3 horas e 29 ou não sei quê.

Mas cumpri as três maratonas aqui vivo.

 

Muito bem.

Que outros hábitos de saúde é que tens?

Tu consegues dormir com regularidade, em termos de dieta tens alguma espécie de cuidados?

Meditas?

O que é que usas?

Como é que é a tua rotina?

Eu acredito que tenhas pensado um bocado sobre isto, sobre a tua saúde e deves ter encontrado se calhar aqui um sweet spot que usas.

Pode falar um pouquinho sobre isso?

 

Sim.

Ou seja, eu fui em 2017, tomei a decisão de por essencialmente por três razões, não é?

Razões de saúde, por razões ambientais e por razões de defesa dos direitos dos animais, de fazer uma experiência vegana durante 30 dias, ou seja, comecei em agosto e julho, entre julho e agosto, e decidi que durante 30 dias não ia comer nada com proteína animal.

E fiz uma alimentação 100% vegana durante 30 dias.

E cheguei à conclusão de que aquilo fazia todo o sentido para mim e que aquele era o caminho, não é?

Enquanto numa loja e responsabilidade social e ambiental, acho que todos nós temos de cumprir o nosso papel para com o ambiente e para com o mundo.

E eu acho que estava a cumprir com isso.

Porque em termos de saúde me senti muito melhor, desapareceram completamente as alergias que eu tinha, senti-me mais desperto no sentido em que comecei a dormir bastante melhor.

Portanto para mim não fazia sentido voltar atrás, porquê voltar atrás?

Eu acho que este é o caminho e durante dois anos e meio eu fui 100% vegano.

Portanto não comi rigorosamente nada de proteína animal e isto até à sensivelmente, foi até ao confinamento mais ou menos, até março ou abril deste ano.

Eu fui 100% vegano.

A partir daí comecei a abrir algumas excessões a coisas normalmente como, sei lá, imagina vou a uma festa de aniversário, que era uma coisa que eu não fazia e uma vez o bolo de anos leva ovos, eu não comia, de todo, se leva ovos eu não como.

E pronto, eu comecei a abrir esse tipo de excessões, ou seja, eu acho que não deixo de cumprir com o meu papel, se houver estas excessões, ou sei lá, se vou comer uma pizza com os miúdos e pedir pizza sem queijo e ela vem com queijo, vai estar a mandar a pizza para trás?

O desperdício alimentar que significa, ok eu como a pizza com queijo, não há de ser por isso, não é?

É este tipo de coisas pequenas, sei lá, não cozinho carne nem peixe, nem nada disso.

Portanto eu neste momento até por uma questão de posicionamento nas redes sociais, eu mudei de vegano para vegetariano, precisamente por isso.

Porque já sei como é que as coisas são, há casos internacionais disso, pessoas que defendem, que são fanáticos de veganismo e não sei quê e depois são apanhados a comer num churrasco e não sei quê mais.

E eu não quero que ninguém diga: aí, diz lá que és vegano e estavas a comer uma pizza com queijo.

Para não haver este coisas, eu mudei para vegetariano, portanto eu levo uma alimentação tendencialmente vegetariana, não é?

Sou, eu diria 90% vegana e 10% tem este tipo de excessões e coisas pequeninas, coisas que levam ovo ou coisas que levam o leite, sei lá, o chocolate que leve leite ou coisas desse género.

Mas sou uma pessoa preocupada com a saúde.

Gosto imenso de ler sobre nutrição, sobre anatomia, sobre o funcionamento do organismo, dos intestinos, adoro o tema dos intestinos e ler livros sobre o funcionamento dos intestinos…

 

Microbioma…

 

Microbioma e essas coisas todas.

Portanto eu sou muito interessado nesse tipo de coisas.

Gosto de perceber o impacto que os alimentos têm no nosso corpo, nos suplementos, dos macronutrientes, dos micronutrientes…

Portanto tudo isso são coisas que me interessam bastante e que eu leio muito.

E depois da forma que isso impacta também, o rendimento desportivo e a capacidade do treino.

E uma coisa é certa, tenho 44 anos e sinto-me hoje muito melhor do que sentia com 25, não é?

Em todos os aspectos, fisicamente acho que estou, sou hoje tenho menos gordura, sou mais magro, tenho mais capacidade física, estou mais desperto.

Acho que melhorei em praticamente tudo quando era miúdo.

E tenho muito e o que é que eu mudei radicalmente da minha vida?

Foi na alimentação, foi a postura e a preocupação para com a saúde.

 

Tu dormes quantas horas em média por noite? Tens ideia disso?

 

Eu tento não dormir pouco.

Porquê.

Porque eu deito-me relativamente cedo.

Não tenho nenhuma, nunca fui apaixonado pela noite.

Não gosto nada de bares nem de discotecas, nem gosto de jantar fora de vez em quando, agora não dá mas pronto, gosto de jantar, para mim jantar fora é jantar às 20:30 e as 11 acabou, não é?

E estás em casa relativamente cedo, porque também gosto de acordar cedo.

E portanto para mim é importante acordar cedo, gosto de começar a sentir-me útil e durante o dia e fazer coisas, eu digo muito esta expressão: quero ir fazer coisas.

Eu tipo às vezes ao sábado gostava mesmo de acordar tipo às 8:00 ou às 7:30 para fazer coisas.

E para mim fazer coisas pode ser ir para o sofá e ler um livro, não é?

É sentir o mood, isso para mim é melhor do que ficar a dormir, não é?

Ficar ali parado a dormir não, para mim não não faz muito sentido.

Eu não gosto muito de dormir, não valorizo nada o poder dormir, ou quer que seja, deito-me

relativamente cedo, é por um lado porque eu acho importante o descanso e dar descanso ao organismo, sobretudo em alturas em que faço muito exercício.

Mas por outra é porque estou genuinamente cansado e estou genuinamente de rastos e não aguento mais e pronto, adormeço.

 

Ok.

E tens alguma prática de meditação?

 

Comecei, é engraçado porque quando disseste isso, porque eu a semana passada comecei uma sugestão de uma amiga minha, que me sugeriu que eu começasse a fazer algumas aulas meditação-online que existem agora, que era uma coisa que eu nunca tive, nunca tinha feito.

E que gostava muito, não é?

De experimentar.

E comecei a fazer, portanto não tenho ainda uma experiência, não consigo falar com conhecimento, ainda não consegui perceber exatamente o que é que impacto vai ter na minha vida, porque é uma coisa muito recente, é uma coisa que tem uma semana, não é? Portanto, acredito, estou a gostar, consigo perceber o impacto imediato que aquilo tem na estabilização emocional do porco e do desligar das coisas.

Mas também apanhou uma semana em que eu estive basicamente sozinho com os meus filhos, em que as aulas eram às 8:30 online não é?

Às 8:30 e há muitas vezes eles já estavam acordados, portanto estares a meditar com uma criança de 2 anos e um puto de 7 aos berros e o outro e a outra já com o stresse das aulas, não dá.

Ou seja é contra-natura do que a meditação e do que deve ser a meditação e obriga de facto ao silêncio a uma introspecção, que eu não consegui ter nesta semana em que estive com os miúdos.

Agora nesta segunda semana, vou tentar fazer isso já num ambiente mais silencioso e mais virado para mim e para o “in your self” não é?

Portanto vamos lá ver como é que vai correr.

 

Pá se eu puder recomendar alguma coisa, recomendaria que fizesses logo a seguir a acordar, quando ainda estás grogue do sono, porque é mais fácil realmente silenciar os pensamentos e eu acho que esse é um dos objetivos mais interessantes, é encontrares aquele silêncio ou melhor calar um pouco aquele ruído da nossa cabeça que está sempre a questionar, a perguntar coisas, a ruminar temas, às vezes maus e criar expectativas, quando estamos com sono isso não acontece tanto.

E é muito recompensador termos acesso aquele silêncio e podermos observar o que é o que eu acho que é um dos grandes benefícios da meditação.

A Ricardo, eu há bocado precisamente durante a minha corrida ouvi um podcast teu, um longo, de um canal que se chama, onde, quando e como eu quiser.

É que tu falas mais ou menos uma hora e 20 sobre uma série de coisas e falas muito bem.

E eu queria fazer aqui uma pausa e recomendar a quem nos estiver a ouvir, agora e no futuro para ver esse podcast, porque é um tratado sobre comunicação digital, sobre educação, um bocadinho sobre jornalismo, sobre empreendedorismo também.

E portanto respondeste imensas coisas que eu te iria perguntar e que estão lá muito bem escritas. ainda por cima ninguém interrompeu, portanto estava ótimo.

Mas sobre o jornalismo eu acho que estás numa posição particularmente relevante ou favorável, para responder a isto.

Sentes que neste momento existe um viés ideológico dos jornalistas, mais tendencial para um lado do que para outro?

Sentes que há aqui um desequilíbrio?

E eu sei que tu tiveste um percurso próprio sobre na tua ideologia, mas tu também és um, tu tens o privilégio de puder escolher quem é que escreve para ti ou não escreve, isso é uma coisa que pesa na tua decisão?

Como é que tu vês este fenómeno?

 

Eu gosto sempre, é o exemplo que te estava a dar à pouco.

Eu gosto sempre de equipas com pessoas que pensam de maneira diferente.

Eu tenho e é engraçado, há aqui um exemplo, uma coisa que me aconteceu em 2007/2008, na altura eu era diretor-adjunto 24 horas e apareceu-nos um estagiário, pá que era um miúdo super competente e pá com uma capacidade intelectual, um nível de conhecimento de memória sobre coisas que não eram de todo do tempo dele, pá era um miúdo muito acima da média e até que num momento qualquer, já não me lembro exatamente porquê, eu e o diretor soubemos que ele tinha uma ideologia próxima da extrema-direita a roçar ali o nazismo.

E levantou-se essa questão, que foi: nós vamos ter na nossa equipa uma pessoa que pensa assim, uma pessoa que faz este tipo de coisas e isto deu uma discussão interessante, não é?

Ficamos ali sem saber o que dizer, porque por um lado, nunca em ambiente de trabalho isso tinha sido manifestado, nunca.

Nós soubemos isto por outras, já não me lembro exatamente como, nem porquê, mas não tinha nada haver com o comportamento dele enquanto pessoa no jornal, não tinha rigorosamente nenhum impacto sobre aquilo que ele escrevia, porque ainda por cima ele estava na secção desporto, por isso nem sequer era, não tinha nenhuma relevância para isso e optámos por deixá-lo estar e ali ficou, provavelmente ainda hoje teria tomado a mesma decisão perante as mesmas circunstâncias, mas não acho que, acho que há limites, acho que há coisas que nós enquanto publishers, devemos ter obrigação.

Eu não sou muito, eu sou muito mais a favor da corrente americana, de jornalismo do que da corrente francesa por exemplo.

E eu acho que deve haver um, os jornais não podem, nem devem, ser aquilo que as pessoas muitas vezes acham que é, que são 100 % exemplo em relação a tudo.

Eu acho que não.

O nosso trabalho não é apenas expor os factos e as pessoas que pensem o que quiserem.

E há muita gente que pensa isso.

Eu acho que não.

Eu acho que os jornalistas têm o dever e a obrigação de interpretar esses factos, não é interpretar à luz da ideologia de cada um, é interpretar factos que são evidentes e que são lógicos, não é?

Coisas que são óbvias não é?

E isso eu acho que é um bocadinho o nosso papel.

A questão agora do, por exemplo do chega e do crescimento do chega, eu na Mag recomen, nunca tomo uma decisão autoritária em relação a nada.

Eu tento sempre ouvir a opinião das várias pessoas com o poder de decisão sobre os assuntos. E tomamos sempre as decisões de forma democrática, sempre.

E quem trabalha comigo sabe que é assim e qualquer pessoa que ache contrário ou que diga ao contrário está a mentir.

Mas em situações desse gênero, eu sou sempre a favor de que se nós podemos dar um menos palco possível a esse tipo de pessoas, que é a decisão mais correta, não é?

Muito mais do que estarmos a fazer crônicas, a insultá-los e crónicas a mostrar que somos superiormente, igualmente superiores a esse tipo de pessoas, porque eles são uns idiotas por pensarem assim e nós é que somos pessoas sensatas, porque não pensamos assim.

Eu acho que não.

Eu acho que é só não lhes darmos muito palco, é só falar o menos possível.

Portanto eu acho que quanto e foi uma estratégia, eu tive completamente ao lado de toda a esquerda, nestas presidenciais foi isso.

Foi virarem a sua campanha para um ataque ao André Ventura, que só beneficiou o André Ventura não é?

E eu na Mag tento que haja esse bom senso por parte das pessoas que é, estamos a falar de um partido que tem uma pessoa na Assembleia da República, não é?

Portanto a representatividade que ela tinha, era praticamente nenhuma, sendo que o público que ela impacta muitas vezes, é um público condicionado, é um público limitado não é?

São pessoas que não têm obviamente a capacidade de descernimento que tem pessoas mais normais, vá chamando-lhe assim.

E portanto eu acho que, eu defendo isso que é, não os devemos calar nem devemos proibir, mas vamos tentar dar o menos palco e dar a importância que eles têm, que é praticamente nenhuma e que contrariam os tais limites básicos essenciais da democracia e do civismo e do humanismo.

Mas oh Ricardo antes do André Ventura e do chega, que é um fenómeno relativamente recente, já havia um viés, quer dizer eu não sei, eu teria, eu desafiava-te aqui a pensar um bocadinho sobre isto.

Achas que a formação dos jornalistas têm um viés ideológico neste momento ao nível das universidades?

Porque sente-se realmente um pendor um bocadinho mais para a esquerda, é óbvio que não é universal, temos muitos jornalistas de qualidade à esquerda e à direita.

Mas começa-se sempre a notar um bocadinho não é?

Portanto mesma antes do André Ventura nota-se, há realmente às vezes uma tentativa de projetar, não só ideologia, como uma moral superior, como, há ali uma crítica comum, que eu acho que acabava por extremar um bocadinho as posições e entrincheirar as pessoas, nos extremos.

E eu acho que aí é um perigo, pronto.

O que a gente espera de um jornalista e é uma profissão que eu respeito imenso e tenho jornalistas muito próximos.

Era realmente um bocadinho de imparcialidade e um bocadinho aquela capacidade de ir buscar informação relevante para as pessoas decidirem, não é?

Às vezes não vemos isso e eu gostava de ouvir um bocadinho o teu pensamento, porque tu  estás muito mais dentro do que eu.

 

Historicamente e da minha experiência, as redações sempre foram muito mais de esquerda, muito mais.

Eu quando comecei a trabalhar havia ainda muita gente que veio da geração do diário de Lisboa, do diário popular, apanhei muita gente assim, pessoas do partido comunista, havia o peso do sindicato dentro do jornais, eram muito forte, as pessoas que eram sindicalizadas e o conselho da ação tinha uma força, coisas que hoje são completamente diferentes dessa realidade.

Eu acho que desapareceu um bocadinho ali no final dos anos 90, que foi quando eu sentia muito isso.

E depois foi esbatendo durante os anos, durante o início dos anos 2000.

E hoje em dia sente-se muito pouco.

O que no entanto continuo a achar que os jornalistas são muito mais de esquerda do que são de direita, por experiência própria, não estou a falar, estou a falar por experiências das várias redações por onde eu passei, inclusive já passei pela redação do observador, não é?

Que é um jornal metido como o jornal de direita e onde por grande das pessoas que trabalham no observador não são pessoas de direita, não é?

É um jornal que e estão lá muitos amigos meus e pessoas que fazem e alguns dos melhores jornalistas com quem já trabalhei até hoje, estão hoje no observador que não são pessoas de direita e são pessoas com consciência política não é?

Mas que não tendem a fazer nada para beneficiar a direita e prejudicar a esquerda, rigorosamente nada, faz o jornalismo isento e normal e criativo e surpreendente e se tiverem que bater à direita batem à direita, se tiverem que bater à esquerda batem à esquerda.

O que marca o tom de direito do observador é a opinião, obviamente, não é?

E foi para isso que o jornal também, é também esse o posicionamento que o jornal tem, não pelo conteúdo jornalístico, mas pelo conteúdo da sua opinião.

E as pessoas não conseguem discernir muitas vezes isso, porque, porquê?

Porque o que eles chegam nas redes sociais é um texto do observador.

E as pessoas que não são jornalistas, sabem lá se aquilo é opinião se aquilo é uma notícia.

Aquilo é um texto do observador a dizer bem de qualquer coisa direita, pronto.

Eh estes gajos são todos da direita.

Portanto eu diria isso, eu acho que tendencialmente as redações e os jornalistas são mais de esquerda, são mais sensíveis aos temas da esquerda sim, mas muitas vezes também têm orientação editorial acima deles, que equilibra um bocadinho as coisas.

Portanto nós somos um país, ao contrário de muitos, Espanha por exemplo aqui ao lado, não é?

Que, ou nos Estados Unidos ou em França, tudo mais são, a Inglaterra, em Inglaterra é outro dos grandes exemplos em que os gajos são completamente orientados, não é?

Cá não há isso.

Cá ages mais tendencialmente mais próximos de um partido ou de uma ideologia, mas é tendencialmente.

Não são marcadamente como nos outros países.

 

E sentes que os algoritmos neste momento então a extremar um bocadinho as posições ainda mais?

Porque pronto, uma amiga qualquer sugere um artigo da Mag, leio o artigo da Mag, obviamente que o Facebook apreende que eu tenho preferência por este canal e começa-me a oferecer repetidamente conteúdos vossos.

Ide em aspas o observador para outros canais.

Mas pronto, o que eu sinto é que depois de muitas interações, as pessoas acabam por receber o seu feed, o que já gostam.

E deixam de receber o que não gostam e depois pronto, acabam por ter, lá está, o viés em todo o seu input é enviesado e portanto depois é muito difícil verem então basicamente é quase como nascerem com um filtro azul à tua frente, tu nunca viste o filtro a entrar e portanto ai de alguém que te diga que aquele sol não é azul, não é?

Portanto não tens outra forma.

Como é que tu vês este fenómeno.

 

Vejo com grande preocupação, porque não tanto por, o Facebook me mostrar aquilo que acha que eu gosto, mas por não me mostrar aquilo que acha aquilo que eu não gosto.

Porque eu gosto de muita coisa, eu gosto muita coisa e o Facebook não tem o direito de me mostrar só ou de me reduzir, aquilo, não é?

E eu acho que é isso que acontece, isto acontece em termos de digital é muito preocupante.

Eu tive e vamos passando isto até do jornalismo para outras fronteiras culturais, eu dou um exemplo, que é eu por exemplo há seis meses mais ou menos comecei uma epopeia com o meu filho mais velho, tem 14 anos, que foi mostrar os meus clássicos do cinema, não é?

Os filme que me apaixonam e aí lá está, vai do casablanca ao top gand, não é?

Portanto é desde a cultura pouco urbana até os clássicos do cinema, que eu acho que ele tem…Pulp Fiction, o Padrinho, Once Upon a Time in America.

Portanto todos aqueles filmes que de alguma forma me marcaram, eu vou começar a mostrar-lhes.

Felizmente eu tenho uma coleção muito grande e rica em DVD com os nome que lhes fiz e eu consigo mostrar-lhe isto.

O que é que está acontecer nesta nova geração, que é, se pais miúdos desta nova geração não tem a possibilidade de mostrar-lhes isto, esses miúdos nunca vão ter acesso.

Porquê?

Porque nós não vamos encontrar o Citizen Kane nem na Netflix nada, porquê?

Porque não dá retorno.

Pá não dá retorno, não está lá.

E se não está lá hoje em dia as pessoas já nem sequer têm um leitor em casa para ver um DVD, não é?

Portanto como é que estas novas gerações vão ver estes filmes?

Como é que vão ter acesso a estas coisas culturais?

Quem diz isto, diz sei lá, vou dar um exemplo, eu há dias estava a fazer uma playlist no Spotify e quis criar a minha só de música portuguesa, porque eu adoro música portuguesa e oiço muito música portuguesa.

Eles têm, o Spotify tem sei lá, 7 canções do Zeca Afonso não é?

Com uma discografia que ele tem, eu tinha os LPS em vinil, não é?

Entretanto não sei onde é que estão e perdi-os e desapareceram, mas eu tinha a coleção praticamente toda do Zeca Afonso em vinil.

E hoje em dia eu não sei como chegar, eu não tenho como ouvir, não tenho como ouvir.

Como é que eu vou ouvir esses discos?

Onde é que eu vou buscar os discos?

Não sei.

E isto reflete-se no ponto de vista cultural e é um gap muito grande que o digital tem, ou se vai por uma situação em que tu podes pagar o plus, se calhar em vez de pagares 7,99 Netflix pagas 12,99 e eles inserem uma série de títulos não comerciais, que são coisas desse género não é?

Que eles que podem adquirir direitos e podem ou se vai para um caminho deste género e que também existe no Spotify em relação a outros temas.

Ou então, eu acho que vamos estar mesmo a apagar uma grande parte da nossa história cultural e a limitar o acesso a essa mesma história cultural a muitos miúdos que eram

coisas, sei lá.

Eu quando era miúdo, muitos desses filmes, o Citizen Kane, os grandes clássicos os Casablanca, o Citizen Kane, eu vi-os praticamente sempre em cinema, porque havia reposições históricas e coisas que eu via.

Mas depois lá está, depois saíram em DVD e eu comprei os.

Hoje em dia já não há essa segunda hipótese.

Provavelmente eles ainda podem continuar a vê-los, se houver um círculo especial de cinema em algum momento.

Agora se não houver, temo que seja muito difícil eles terem acesso a esse tipo de coisas.

 

Claro.

Então ainda aqui neste tema de educação dos teus filhos.

Tu consegues identificar os pilares onde assenta a educação dos seus filhos?

Tu sistematizas-te isso?

Quais são as coisas importantes para ti, o que é que tu gostavas de assegurar na educação deles?

 

Para mim há uma coisa que está acima de tudo o resto, que é humanismo.

Ou seja, eu quero criar boas pessoas.

Eu quero que os meus filhos sejam genuinamente bons cidadãos, boas pessoas, que tenham valores básicos e essenciais para a sociedade.

Pá e tendo essa base, eles podem ser o que eles quiserem, o que eles quiserem.

Para mim o meu trabalho em grande parte vai estar feito.

O que eu acho que eles sendo boas pessoas els vão abordar algum tipo de valor à sociedade, nem que sejam um valor humano, eles não precisam de ser o melhor médico, o melhor advogado ou… porque também não acho que seja isso que lhes vai trazer o máximo de felicidade.

Eu acho que eles vão ser aquilo que quiserem ser, aquilo que se proporcionar que venham a ser, nunca irei orientar as escolhas profissionais deles neste sentido ou naquele.

Vou estar obviamente e estou atento aquilo que são os gostos deles,aquilo que possam ser talentos que eles possam manifestar em algumas áreas e vou tentar dar-lhes força nessas áreas e fazer com que eles sigam isso e que desenvolvam por eles e que sejam curiosos, que é uma coisa que eu acho que é muito do papel dos pais, é estimular a criatividade e a curiosidade das crianças não é?

Porque apartir dos, as pessoas curiosas são quase sempre pessoas inteligentes, não é?

São as pessoas que vão à procura de saber um bocadinho mais sobre qualquer coisa.

Eu gosto muito disso.

Portanto para mim isso está acima de tudo o resto, não é?

Eu escrevi uma vez um texto no meu blog sobre isso e foi um dos textos mais lidos de sempre no meu blog, que era que o título era mesmo este “eu não quero criar gênios, eu quero criar boas pessoas” ou “não quero que os meus filhos não sejam alunos geniais, quero que eles sejam boas pessoas”.

Eu nunca fui um aluno genial.

Eu era aquele aluno que tinha quatro às disciplinas que eu gostava tipo: português, francês, inglês, história e geografia e depois tinha 3 a físico química, matemática.

Nunca foi um aluno brilhante.

Fui um aluno mediano queria era jogar à bola e vamos ficar sem cabeça não é?

E isso não fez de mim, lá está uma pessoa sem sucesso profissional na vida ou quer que seja, fui me adaptando eu próprio quando escolho um estagiário, eu não quero saber a média com que ele se licenciou, ou se vem da venda nova ou de Law, o que é que seja,

é me indiferente.

Não olho mesmo para isso, olho muitas vezes mais para os microskills, olho para valorizo muita a entrevista pessoal, faço imensas perguntas sobre que filmes é que eles gostam de ver, porque eu acho que isso consegues extrair um bocadinho da dimensão humana que as pessoas têm, pá depois o resto eles aprendem sejam da Law com 17, sejam da nova com 12 ou…

Acho que é um bocadinho essa a postura que eu tenho com eles, da mesma forma que tenho com os meus filhos.

Eu acho que tento passar-lhes muitas coisas também pelo exemplo, não é?

E eles verem o pai, que o pai em cassa é 100% autônomo, é o pai que lhes dá banho, que  lhes faz o almoço, faz o jantar, que lhes vai deitar com a história, que lhes muda as fraldas, que vai pôr o lixo, que constrói os móveis, que faz os buracos na parede, não é?

E que trabalha em casa o dia todo e que se levanta de manhã e vai correr.

Portanto eu acho, eu gosto que eles vejam e que olhem para mim como um exemplo, não é?

Porque eu acredito que isso lhes vai ficar para a vida, não é?

Acho que isso lhes vai marcar de alguma forma, eles viverem com essas referências.

E tento cultivar muito isso, a honestidade, o serem bons cidadãos, que sejam amigos das pessoas, que sejam bem educados.

Pronto esse tipo de coisas, são as coisas que eu valorizo muito mais.

Não sou nada obcecado com o estudo e tens de ter 5 a tudo.

Epá não.

Os meus pais não eram assim comigo, eu também não sou assim com eles.

 

Claro.

E tu sentes que esses teus valores estão alinhados com o valor da mãe deles?

Se é uma coisa que vocês têm de debater entre vocês?

Eu tenho um amigo que se eu lhe perguntasse esta pergunta, ele responderia exatamente como tu.

Quer que sejam boas pessoas, quer que sejam curiosos.

A mulher dele, quer que eles tenham boas notas e que saibam matemática e que saibam português e que saibam, pronto.

É fácil para vocês chegarem a um consenso?

 

É relativamente, porque se há coisas que para ela são importantes ou relevantes, eu digo-lhe e nisso sou, é mesmo assim, ok então põe em prática, põe em prática a tua, age, faz.

Não vou dizer nunca irei dizer, se ela diz: ah eu acho que é importante eles terem uma cultura musical.

E eu: então inscreve-lhes no violino ou na viola ou no piano, no quer que seja, inscreve-os.

Eu não vou dizer que, não é?

Não quero que meu filho vá para o piano.

Epá não, se tu achas que isso é importante, força, põe na prática.

Agora isso implica, tens de o ir levar ao piano à terça e à quinta às 6:15 e tens de o ir buscar, não sei quê não sei que mais.

Tens vida para isto? Consegues? Vais te sacrificar e vais fazer isso?

É que eu já faço algumas coisas e pá posso assumir algumas responsabilidades e distribuímos esse tipo de responsabilidades.

Não quer dizer que não, apartir daí como foi uma ideia tua, agora és tu que fazes isso, pá não.

É preciso havermos dentro da nossa vida, temos capacidade de fazer com que essas coisas vão para a frente.

E depois tentar que essas coisas também façam sentido na vida dos miúdos, não é?

Tu tens um miúdo que anda na viola e que para ele é o maior sacrifício da vida dela é andar viola.

Epá que sentido é que isto faz?

O miúdo não tem jeito nenhum para a viola.

E eu conheço muitos casos assim não é?

De pais que têm os putos só porque é giro estar em determinadas atividades e os miúdos odeiam aquilo.

Epá eu preferia que fizessem isso enquanto criança e eu sempre gostei de ir fazer coisas que eu queria ir fazer não é?

Às vezes podia fazer, às vezes não podia, mas pronto.

Tento sempre que os miúdos me puxem para ir para aquilo que eles gostam de fazer.

O meu filho de sete anos, o Mateus, anda no karaté e foi ele que quis ir para o karaté, não é?

E falava imenso do karaté e foi para o karaté e anda no karaté.

Na escola inscrevi-o no futsal e ele andou dois anos no futsal.

E às tantas, não só eu percebi que ele não adorava aquilo, como ele depois também começou a dizer que era uma seca e agora tipo.

Então não vais para o futsal.

Eu não que tu vás para o futsal só porque eu quero que andes no futsal.

Desde que tu gostes.

Tem de haver alguns limites, não é?

Portanto os miúdos não podem fazer só aquilo que gostam não é?

E só aquilo que querem.

Porque se não, só comiam chocolates e só jogavam playstation, não é?

Portanto é preciso ter algum tipo de orientação.

As coisas desse gênero acho que não.

 

Ok.

Olha, sobre o empreendedorismo.

Como é que isso começou na tua vida?

E tu tens uma série de projetos, até gostava que fala-ses sobre eles.

Um dos teus projetos mais recentes é o pips bazaar que é um ecommerce, que eu percebi que já tem alguma escala e possivelmente ganhará uma ainda maior.

Mas no meio disto tudo, quão é importante para ti esse projeto?

Há outras que tenhas acima desse?

Imagino que sejam muitas coisas, podias escolher alguma e dar-nos aqui alguns exemplos

 

Sim.

 

E se calhar também servir de inspiração para estes pais que estão agora em casa eque se calhar estão com vontade de empreender.

 

O empreendedorismo nasce um bocadinho de uma, nasce dentro de um grande grupo.

Na altura eu era editor da Sábado, em 2014/2013.

E foi o ano em que o Mateus nasceu.

E eu tirei eu a licença-paternidade e fiquei uns cinco meses em casa e durante esses cinco meses, eu na altura eu era editor do suplemento cultura e lifestyle da Sábado que é o GPS, que ainda hoje existe.

E que foi criada por mim 2011 e basicamente eu achei que em 2013, dois anos depois de ter lançado o suplemento, estava na hora de nós virarmos completamente as agulhas para o digital.

Porquê

Porque eu analisei aqui o mercado da área do Life style em digital, percebi que havia ali uma lacuna gigante, não é?

Ou seja, havia um grande player de Life Style em Portugal, que era a Time out, que era focada em Lisboa.

E só havia a Time Out na altura.

Não havia se quer no porto.

E não tinha site.

A Time Out nem site tinha não é?

E eu achei, pá temos aqui uma oportunidade, nós temos que ser nós a ocupar este espaço  de criar aqui a maior plataforma de digital Life Style em Portugal.

E montei o projeto todo durante a minha licença de paternidade.

Portanto em 2013, entre setembro e dezembro.

Quando em dezembro voltei ao trabalho, entre julho e setembro peço desculpa, quando em setembro voltei ao trabalho, o diretor da Sábado, com que eu tinha iniciado o trabalho do projeto, a quem eu apresentei a ideia disse: epá força,desenvolve lá isso, vamos embora.

Tinha saído.

O Miguel Pinheiro, hoje o diretor do Observador.

Ele tinha saído da sábado e basicamente eu senti-me na obrigação de apresentar à nova direção, o projeto que tinhamos montado, que estava todo montado, com estrutura de custos, com o tipo de trabalho que íamos fazer, como é que ia ser o projeto, o foco, tudo isso estava tudo desenhado e tudo pronto a implementar.

E a reação que tive foi: ahhh logo se vê.

E eu epá, isto é ou avançamos nós ou vai alguém vai avançar.

Mas de facto é tão evidente que é preciso uma plataforma deste género, que alguém vai criar.

Portanto eu acho que temos que ser nós.

E basicamente andei ali numa guerra durante alguns meses com a direção da Sábado, com a nova direção que basicamente não ligava nenhuma a este projeto e não queria implementá-lo

E eu queria muito criar isto dentro da cofina, porque achei que era uma oportunidade muito grande.

E depois há um momento na vida de, eu acho que todas as pessoas devem passar por isto ou muitas pessoas devem passar em algum momento e que curiosamente tive uma inspiração de uma série, que foi uma série chamada Fargo.

Para quem não conhece é uma série

 

Genial.

 

Fabulosa.

Na primeira temporada do Fargo, há uma cena em que há uma das personagens destas que o matava-o.

E onde está o corpo, já não me lembro exatamente do detalhe, mas ele desce a uma cave e nessa cave há um cartaz que está colado na parede, onde estão vários peixes a nadar numa direção e há um peixe sozinho a nadar noutra direção.

E a única frase que diz nesse cartaz é “what if your right and they are wrong”.

E eu pensei exatamente isto, eu estava a ver a série e apareceu-me aquele cartaz à frente e pensei: pah é isto, eu acho que eles estão todos errados, não é?

Eu estou um bocadinho cansado de estar, eu na altura tinha 36 ou 37 anos.

Epá tenho 37 e tenho pessoas que estão acima de mim que têm 40 ou que têm, se calhar tanta experiência como eu e que me estão a dizer, o que é que eu tenho que fazer e o que é que eu não tenho que fazer.

E disse: pá, eu honestamente sinto-me com mais capacidade do que essas pessoas.

Eu acho que essas pessoas estão erradas, acho que eles estão a tomar uma decisão absolutamente errada.

Epá e eu decidi.

Vou eu fazer, pá vou eu fazer eles não querem fazer, vou eu fazer.

E epá basicamente comecei à procura do investidor, arranjei um contactos que me pôs em contato com um potencial investidor, eu apresentei-lhe o projeto e nessa mesma reunião ele disse-se: ok, podes avançar, quanto dinheiro é que tu precisas?

E epá, eu fiz as contas e não sei quê, avancei e pronto.

Ele disse-me: bora, vamos criar.

E criei a Nitte.

E a nitte nasce assim.

É este o início do projeto acabei depois por levar comigo o editor de sociedade da Sábado e a editora do site da sábado mais os estagiários decentes que nós tínhamos lá na Sábado.

E basicamente eramos cinco ou seis no início e criamos a Anitta assim.

Portanto nasce dentro da Sábado com pessoas todas que saem da sábado para criar o projeto.

E foi assim que começou a minha fase de empreendedorismo, com grandes grandes grandes dificuldades no início, não é?

Não havia dinheiro para nada, uma estrutura de custos que não sendo muito elevada, era elevada, o desconhecimento absoluto que eu tinha na área empresarial.

Houve aqui uma série de coisas e de, não é tudo um mar de rosas, isto não é criamos o projeto isto agora é tudo, o projeto demorou dois anos até maturar ponto de vista financeiro.

Portanto foi, obrigou a um investimento inicial, que somado, não é?

Avultado.

Portanto, mas hoje em dia o projeto altamente rentável, líder de mercado, absolutamente sustentado e para mim, apesar de eu já ter vendido o projeto desde 2017, que me dá obviamente um gozo enorme, não é?

De a ter criado e ter fundado e ter tido a ideia, desde o nome até montar o projeto inicial e as bases daquilo que é hoje a Nitte.

Foram pensadas por mim,

Portanto, isso dá-me logo um grande orgulho e desejo que a Nitte, tenha sempre o máximo de sucesso, porque o sucesso de Nitte é o meu sucesso.

Portanto para mim será sempre isso.

Isto foi o primeiro e foi assim que começou um bocadinho tudo.

A Pips Bazar, foi o projeto mais recente que nasceu no confinamento.

Basicamente nasce de uma ideia que na altura trabalhei, estava a trabalhar em casa e a minha mulher na altura, no Instagram dela, por iniciativa dela, promovia uma marca portuguesa todos os dias, ou seja, ela fazia um post, só sobre uma marca, mostrava produtos que essa marca vendia, roupas de criança, roupas de moda, coisas de moda e não sei quê.

E o feedback que nós tínhamos de todas as marcas era, agradecer-lhe tipo: Ana salvaste-nos o confinamento, vendemos não sei quanto, à conta do teu post, isto foi a melhor coisa que nos aconteceu e não sei quê e não sei que mais.

E basicamente o que é que eu achei?

Achei que era possível criarmos uma plataforma tecnológica de ecommerce, em que em vez de ela comunicar uma vez aquela marca e nunca mais voltar a falar dela, encontrarmos um modelo de negócio que fosse vantajoso para as marcas, em que as marcas por um valor muito muito muito abaixo daquilo que é um post patrocinado no Instagram da Pipoca Mais Doce, muito abaixo disso, conseguir sem ter uma comunicação continuada ao longo do ano e ao longo da duração de um contrato e que não falasse apenas uma vez.

E com isso não é?

Ela cumprindo com essas contrapartidas e as marcas pagando um fim mensal muito baixo, nós conseguimos ter uma conta forma de exposição de marcas portuguesas, pequenas marcas portuguesas, que iria ajudá-las imenso e subsistir e muitas marcas que nem site tinham e podiam passar a ter a Pips Bazar como o seu site e o seu ponto de venda de produtos e tudo mais.

Portanto foi um projeto que nasceu com uma ambição muito grande e com uma ambição de ajudar as marcas portuguesas e foi quase como que um projeto pensado com margens muito curtas para nós, mas e que nos dava bastante trabalho, mas para ajudar a economia e para ajudar os pequenos negócios, pessoas que mereciam e tudo mais.

Isto foi aquilo que nós pensamos e foi aquilo que nós quisemos criar.

Depois levamos com a marreta da realidade, não é?

Que é os problemas técnicos de lançar um e-commerce, os sistemas de integração entre a transportadora, o armazém, o sistema de faturação, o site.

Portanto tudo isso é, eu nunca tinha lançado um e-commerce, portanto foi um processo muito muito muito duro, muito muito muito caro para nós também, ou seja, obrigou-nos aqui um investimento brutal, não é?

Para conseguirmos meter a plataforma online.

E conseguimos, só o conseguimos fazer ainda com a plataforma do ponto de vista tecnológico de alguma forma deficitária, no final de dezembro, ou seja, perdemos o natal, perdemos o black friday que eram momentos de vendas muito importantes para nós.

E isto obviamente junto das nossas marcas parceiras, gerou aqui um nível de insatisfação muito grande, não é?

Que levou aqui a nossa relação com as próprias marcas, fosse de alguma tensão, que era completamente o contrário daquilo que estava previsto inicial e aquilo que para qual a plataforma nasceu.

Mas uma coisa é haver uma relação de tensão e uma relação de que em ambas as partes percebam as dificuldades que é lançar um negócio deste género, que é um negócio feito para ajudar a elas, não é? Para ajudar as marcas, sempre com esse objetivo de fundo.

Para nós havia só uma premissa base que é, nós precisávamos obviamente que as marcas pagassem um fim mensal, porque esse fim mensal cobria a nossa estrutura de custos, não é?

E nós não estávamos a criar um projeto para ajudar as marcas e a perder dinheiro.

Nós não queriamos, queriamos apenas não perder dinheiro com o projeto e depois ganhávamos dinheiro na margem que era muito curta também dos produtos que iamos vendendo, com percentagens muito abaixo daquilo que são as percentagens de venda dos e-commerce, precisamente, pronto.

Aí fazendo um projeto que podia escalar, nós mesmo com margens curtas, mas com uma escala grande, nós acabamos por ganhar algum dinheiro com aquilo.

E pronto, sempre pensamos as coisas desta forma.

Aconteceu que durante o mês de janeiro foi assim o primeiro mês online que nós tivemos, tivemos algum tiramos, continuamos a ter muitas dificuldades técnicas com o projeto.

Compras que acabavam por não ser feitas, pessoas que recebiam duas vezes o mesmo produto.

Portanto havia aqui uma série de erros e de bugs que ainda estávamos a corrigir em tempo real, porque lá está, tivemos de lançar a plataforma ainda a tentar não perder o natal e fazer algumas vendas no natal.

Mas também do ponto de vista financeiro, nós não aguentavamos mais uma estrutura de custos muito pesada e muito cara, durante mais meses, ou seja, nós estavamos a pagar uma estrutura de pessoas, a Pips Bazar tinha 11 funcionários, portanto são 11 salários, mais os custos de armazém e mais tudo isso, que estava do nosso lado com estúdios, com um escritório com 300 metros quadrados.

Portanto foi um investimento muito grande que nós fizemos.

Durante o mês de janeiro basicamente tivemos aqui o problema acrescido em cima disto que foi, a Ana teve com convid, não é?

Portanto tivemos dez dias sem conseguir fotografar a Ana e aquilo que no fundo eram os pacotes de contrapartidas que nós tínhamos com as marcas durante o mês de janeiro, não conseguimos cumprir com tudo, ficaram sei lá, vinte, trinta por cento de contrapartida por cumprir.

E durante o mês de janeiro eu tive duas ou três reuniões com as marcas em que expliquei abertamente isto que foi: pá, não se preocupem com a pressão das contrapartidas pá, se não forem agora só no mês seguinte, nós vamos compensar mais para frente, a única coisa que não pode acontecer é de facto vocês não pagarem o fim.

O fim é o que nos cobre as estruturas.

Eu não posso chegar ao fim do mês e não ter como pagar esta máquina toda isso é pago com os fios e nós estamos a dar obviamente exposição e uma exposição muito grande, estamos a dar uma exposição no quinto instagram mais poderoso do país, não é?

Para marcas muitas vezes que têm cinco mil seguidores no Instagram e em que aparecem quatro e cinco vezes por mês num Instagram com 780 mil pessoas.

E com uma taxa de conversão das mais altas do país, não é?

Portanto havia aqui uma situação claramente o win-win e que para nós achamos que sempre que uma, teria de haver aqui um bom senso, não é?

Um entendimento do que foram as nossas dificuldades tecnológicas com a plataforma que nos transcendem, não é?

Ou seja, não consigo dar um murro na mesa e um conector começar a trabalhar, não é?

Portanto é uma coisa que não depende de mim.

Se eu tenho um informático que me diz: pá, já está ok.

E depois aquilo não está a funcionar, a única coisa que eu posso dizer ao informático é: a final não está ok, que continua a dar erro.

E ele ok, vou ver o que é que se passa, não é?

E anda semanas nisto.

Portanto é uma coisa que para nós é muito frustrante e é muito muito dinheiro que investimos ali.

E a reação que tivemos das marcas foi muito pouco compreensiva.

E isto gerou primeiro uma tensão na nossa relação e depois um sentimento na Ana, na própria pipoca, não é?

Que criou este projeto para ajudar as marcas, de absoluta ingratidão foi a sensação que ela teve, foi de absoluta gratidão.

Portanto e de facto isto que aconteceu foi que nós chegamos ao final de janeiro e tivemos setenta por cento das marcas que se recusaram a pagar o fim, porque não tinham tido todas as contrapartidas que estavam negociadas em contrato e nós tomamos a decisão de mudar radicalmente aquilo que é a plataforma.

Portanto o que neste momento nós estamos a fazer é estamos a reestruturar completamente o projeto.

A Pips Bazar vai ser outra coisa completamente diferente.

Vamos continuar a trabalhar obviamente com marcas portuguesas,numa perspectiva diferente, com uma prestação de serviços também diferente e perdemos um bocadinho ou vamos perder um bocadinho o cariz social de ajudar e de querer ajudar.

Porque já o fizemos e isso custou-nos muito muito muito muito dinheiro e a resposta que tivemos do outro lado não foi de todo satisfatória.

Portanto a pips neste momento está a ser reestruturada e estamos a recriar o conceito, precisamente para ir ao encontro daquilo que nós achamos e aprendiamos muito com os erros que cometemos, nós próprios cometemos desde erros de relacionamento com as marcas até de erros de nossos que cometemos com a tecnologia e com tudo mais.

Mas para mim foi e eu dizia muitas vezes isto, ainda bem que aconteceu foi, eu nunca tinha tido um projeto que não tinha corrido como eu queria ou que não tinha, tinha corrido mal.

E agora tive um pronto.

E isto para mim foi de facto uma aprendizagem muito grande e sinto que vou crescer imenso depois de todos estes erros que foram cometidos, do nosso lado, do lado do relacionamento com as marcas, tudo isso.

Portanto acho que, acho que vai ser importante para o futuro, quando eu criar agora mesmo, agora no relançamento do Pips Bazar.

Acho que vamos fazer coisas muito muito muito interessantes ainda com a marca e vai ser um projeto para dar muito que falar.

 

Espero que sim e vamos ajudar como podermos aqui do nosso lado, porque tem tudo haver também com o nosso público.

Oh Ricardo eu queria~lhe perguntar sobre a presença do Benfica, que é uma coisa que me interessa muito.

Já tens uma uma data?

Como é que está esse projeto?

Vais ter tempo para isso, no meio de todo este aparato profissional-

 

Quero muito ter tempo para isso.

Continuo firmemente decidido a ser candidato às próximas eleições.

Com basicamente uma certeza que é, não vou ser eleito.

Mas o meu objetivo principal não é ser eleito, o objetivo principal é ser a voz dissonante da voz tradicional, ou seja, eu quero ser a pessoa e quero ser o candidato que defende a pacificação do futebol, que defende que o futebol e os valores do futebol no desporto têm que estar acima de qualquer rivalidade, de qualquer guerra, que defende quase um voltar às raízes nobres do futebol e do desporto.

E é isso que eu defendo para o Benfica.

Eu acho que o Benfica tem que ir, e quem for o presidente do Benfica tem obviamente uma responsabilidade social, é quase um segundo presidente da república, não é?

Portanto tem poder de transformar.

E eu acho que o poder de transformar tem que ir muito além do Benfica, porque eu acho que nós transformando o futebol português, nós também estamos a transformar o Benfica e estamos a transformar a sociedade, não é?

E eu gosto de ter, quero ser esse discurso, quero ser essa pessoa, quero ser a pessoa que diz que o Porto não é meu inimigo, nem nunca vai ser, o Sporting não é meu inimigo nem nunca vai ser.

Que os adeptos do Sporting e do Porto são mais do que bem-vindas ao estádio da luz, não é?

E que é a nossa obrigação e nosso dever enquanto adepto respeitá-los, fazê-los sentirem-se bem-vindos e eles não são meus inimigos, eles são apenas pessoas como eu, que vestem uma camisola diferente e têm todo o direito de apoiar o seu clube, como eu tenho direito a apoiar o Benfica.

Eles apoiam os deles, eu apoio o meu e no fim vamos beber copos juntos.

Porque eu acho que a essência do futebol é essa, não é?

E o clima de guerra que foi instaurado muito por culpa da classe dirigente do futebol, é exatamente, é tudo o contrário de tudo aquilo que eu defendo para o desporto e para o futebol.

Portanto a dependência que o Benfica tem de empresários, jogos de bastidores, os problemas com a justiça, tudo isso é o contrário daquilo que eu acho que deve ser o Benfica é contrário do ADN do Benfica, da história do Benfica e eu acho que é preciso voltarmos atrás.

Acho que é preciso darmos dois, três, quatro, cinco passos atrás e voltamos a fazer as coisas como deve ser, voltamos a devolver a dignidade ao Benfica, porque o ganhar um campeonato não está acima de tudo, não é?

Há valores muito mais importantes do que isso, não é?

Sei lá, coisas que eu defendo e que são pouco populares, a redistribuição dos dividendos dos direitos televisivos pelos clubes.

O Benfica não deve receber 100 milhões e o Beira-Mar receber 600 mil euros.

Não é justo, não é?

É justo que os clubes pequenos recebam muito mais e que os clubes grandes recebam muito menos, não é?

Porque só equilibrando o futebol português e só dando a competitividade ao futebol português, é que o Benfica também vai ganhar com isso.

Porque o Benfica jogando com clubes muito mais fortes durante a semana vai obviamente  ter uma prestação europeia bastante melhor, não é?

Nós andar a jogar durante a semana com clubes pequeninos e que não têm meios e que não têm dinheiro para nada, não é?

E depois apanha com um, não vou dizer um Bayern Munique, não é?

Apanha um Eintracht Frankfurt e é eliminado, não é?

É precisamente por isso.

Porque o nosso campeonato não tem competitividade, as nossas equipas competem com equipas medíocres, não é?

Com todo o respeito, não é?

Não são medíocres por serem medíocres.

São medíocres, porque não têm meios e não têm capacidade financeira de investimento para serem melhores, não têm capacidade de atração de público ou de estádio, porque também não têm capacidade de contratar bons jogadores ou melhor jogadores, não é?

Isso faz com que as pessoas também não vão ao estádio, não é?

Portanto tudo isso é uma bola de neve que eu acho que é preciso, lá estar, nós estarmos muitos passos atrás e começar a transformar lentamente.

E eu acho que ninguém mais do que um presidente do Benfica, tem o poder de fazer.

Agora se me perguntas se este discurso ganha eleições.

Epá não ganha.

Nunca vai ganhar.

Não é isso que o índio que vota, quer ouvir.

O índio que vota, quer ouvir que eu vou contratar o Darwin que custa 30 milhões e é o maior  e que chega aqui e muda tudo e que vou buscar o Jesus que é um arruaceiro e que só faz mal ao futebol português.

Mas que tem o discurso populista, não é?

E que as pessoas…

E é isso é que deve ser o futebol e é isso que deve ser o Benfica.

A grandeza do Benfica vai muito além do que ganhar campeonatos, muito além e nós nunca podemos perder a nobreza do Benfica.

E eu acho que se perdeu muito, não é?

Para mim entristece muito ver o nome do Benfica na lama, nos jornais todos os dias com casos de justiça e com os casos dos emails e com essas coisas todas.

Pá isso não é o Benfica, isso não é aquilo que eu quero que seja o Benfica.

Agora nunca vou deixar de torcer pelo Benfica, nunca vou querer que o Benfica perca só para eu mostrar que eu tenho razão.

Eu nunca me manifestei este ano desde que o Vieira ganhou as eleições, eu não me manifestei publicamente sobre nada do momento do Benfica, não é?

No entanto tudo o que está a acontecer agora, foi tudo o que eu disse que ia acontecer em sede de eleições, tudo.

Eu disse sempre que isso ia acontecer, não é?

Portanto toda estas dúvidas que eu trouxe para cima da mesa, são coisas que estão a acontecer agora.

O gastares 90 ou 100 milhões num ano em que tu nem sequer sabes se vais à Champions,  tu nem sequer sabes se vais ter público no estádio, em que tu tens quase praticamente a certeza que vais ter receitas, se calhar 50, 60, 70, por cento abaixo num ano normal e vais fazer o maior investimento da história do clube com base em quê? Não é?

E que vais trazer um treinador, que é um treinador que apesar de ter tido uma fórmula vencedora noutros anos, é um treinador cheio de anticorpos no clube, não é

Um clube, é um treinador que respeitou o Benfica e a história do Benfica, não é?

Tudo isso são coisas, o contratar o jogador mais caro da história do Benfica, que jogava na segunda divisão de Espanha, onde marcou um golo de cabeça em toda a época e onde marcou 16 golos, 11 deles de pênalti.

Lá está, são coisas que para mim, eu nunca disse,o Darwin não é bom jogador.

Eu não sei, a questão é, eu também nunca disse o Darwin vai ser o próximo não sei quê…

Que foi o discurso que se fez passar, não é?

Que o Darwin já era o maior e não sei quê e vem a isto e vai fazer isto e vai fazer aquilo.

E eu epá, vamos esperar vamos esperar para ver o que é que rende, vamos esperar para saber se um jogador de 24 milhões, não é?

Para a realidade portuguesa, lá está, nunca um clube português comprou um jogador por 24 milhões, por alguma razão é.

Portanto aquilo que se espera de um jogador destes, é que chegue e basicamente parta isto tudo, não é?

E que seja o gajo com game changer, não é?

Está a ser? Não é?

Vai ser de futuro?

Epá, não sei.

Lá está, não consigo fazer esse tipo de projeções.

Agora era o momento de contratar um jogador de 24 milhões?

Era o momento para gastar 90 milhões?

Não era mesmo.

 

Eu acho que estás a pensar bem.

Escreveste um artigo muito esclarecedor sobre isto, uma série de pontos que eu convidava às pessoas a irem procurar, porque está muito bem explicado.

Ricardo tenho uma última pergunta para te fazer.

Se tivesses um cartaz gigante, que toda a gente poderia ver.

Que mensagem é que escolhias lá deixar?

 

Be kind.

Sejam sentis.

 

Ok.

É perfeito.

E se calhar deixa-vas bem claro que era be kind para vocês próprios e para os outros, se calhar faz sentido, não é?

 

É isso.

Se nós formos gentis uns com os outros, vamos ser todos muito mais felizes.

 

Genial.

Ricardo foste muito generoso com o teu tempo.

Muito obrigado por tudo.

 

Obrigado eu.

 

Se tivesses continuado, tinha-te pedido uma hora e normalmente 1hora e 20.

 

Não há problema.

 

Foi genial.

Obrigado por tudo.

Muita sorte nos teus projetos e cá estaremos.

 

Obrigadíssimo.

 

Obrigado um abraço.

 

Bom trabalho.

 

Obrigado.

 

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