Brincar. Um ramo da árvore do desenvolvimento humano.
As opiniões divergem sobre a importância desta atividade, intrínseca ao crescer. Mas o valor da herança associada ao brincar é incalculável!
Em Novembro de 1993, a USA Today Magazine publicou um interessante artigo sobre esta temática, “Children at play are learning, too”. Judith Myers-Walls, especialista em desenvolvimento infantil, sublinhou que ao brincar a criança está a aprender e a preparar-se para a vida.
A autora acredita que brincar é o trabalho mais importante que uma criança em idade pré-escolar pode fazer para conhecer o mundo, permitindo-lhe alcançar competências, tais como a noção de causa e efeito, a cooperação, a resolução de problemas e o funcionamento do seu corpo.
Como para nós, adultos, estas capacidades são um dado adquirido, corremos o risco de ignorar oportunidades únicas das crianças as adquirirem e praticarem.
Acredito que as crianças precisam de dedicar mais tempo, não menos, a brincar – especialmente brincar ao faz de conta. Este tipo de brincadeira, mais ou menos livre, é fundamental para o desenvolvimento do pensamento simbólico, para a auto-regulação e para a criatividade. Ao experimentarem uma variedade de símbolos, ideias e relações, através da brincadeira, a criança está a desenvolver ferramentas que lhe serão muito úteis para encarar os desafios futuros, nomeadamente a entrada para a escola. E, claro, os pais têm um papel fundamental nesta descoberta do mundo faz de conta! Um verdadeiro ensaio para o mundo real!
Os pais como modelos para as crianças
Os pais poderão ser verdadeiros mentores das brincadeiras, encorajando novas e divertidas brincadeiras. Incentive a criança a escolher o cenário da brincadeira, a negociar os papéis e as especificidades de cada “ator”, a definir os objetos e as regras a serem seguidas. Mostre à criança que o que ela tem a dizer é importante! Os temas surgirão do quotidiano ou decorrerão de um mundo imaginado. Frequentemente os pais relatam episódios em que, espontaneamente em casa, os filhotes reproduzem os temas e as brincadeiras das suas aulas Gymboree. Vou ser a professora que fica doente e vai ao hospital. Tu vais ser o doutor e vais ouvir o meu coração. A capacidade de planeamento e de resolução de problemas é desenvolvida quer na preparação da brincadeira, quer na própria brincadeira. Como estou doente e dói-me a barriga vou fazer uma cara triste. Ao representar diversos personagens a criança vai ensaiar várias relações e assumir diferentes estados emocionais. Esta consciência é fundamental para o desenvolvimento emocional e social. Tens de vestir uma bata branca. Dás-me um remédio? E, como as brincadeiras têm regras para serem seguidas, a criança começa a compreender que, por vezes, tem de adiar preferências e gratificações. Ora se ficou acordado que ela seria o paciente, não poderá usar o estetoscópio do médico, aquele objeto fascinante que tanta curiosidade lhe desperta.
O seu filhote irá admirá-lo por lhe proporcionar momentos de brincadeira tão especiais e únicos. O laço que vos une será fortalecido…
Hora da pintura livre
Uma folha branca no espelho, uma paleta de cores vivas, um pincel na mão de cada criança, um potencial criativo infindável. Divertidas, as crianças animam a folha branca, enquanto descobrem as cores que se vão misturando, dando forma à sua inspiração daquele dia. Naquele dia ouve-se música latina. A forma como pintam, reflete como se sentem. De repente ouve-se um “uuiiiiiii” e a Madalena dá um salto coordenado com uma longa pincelada na sua obra de arte. Segundos depois, quase como um eco, soa um tímido “uiii” e a Diana salta enquanto o pincel desenha uma linha lilás na folha de papel. “É a minha cor preferida!”, diz orgulhosa. Instantes depois, a Diana salta e “poc poc poc” – o pincel transforma-se numa espécie de carimbo. Novo eco e a Madalena experimenta a nova técnica. A sala está repleta de pequenas bolinhas de “sabão” a voar pelo ar. Um coro de mães, pais, avós e crianças entoam algumas canções. “Rebentei uma bolinha com o meu nariz!”, diz o Sebastião contente. A Margarida observa-o atentamente, rebentando timidamente, junto da mãe, as bolinhas que a envolvem. “Outra com o nariz!” grita contente o Sebastião. A Margarida corre e POP: “Mãe, rebentei uma bolinha com o meu nariz!” Nos momentos que se seguem, sente-se a alegria criada por aquele encontro social. Sem trocarem palavras, continuam atarefados em perseguir as leves bolinhas. Sorriem como cúmplices. Lado a lado, brincam durante longos períodos. Parece que os seus olhares não se encontram. Contudo, reproduzem padrões e sequências de comportamento que observam.
Lado a lado, aprendem com o outro. É a brincadeira paralela.
De brinquedo a ferramenta social
Agarrar, sugar, abanar, empurrar. Inicialmente, os brinquedos e objetos do mundo são desafios exploratórios. É comum observarmos uma criança de um ano, segurar na sua mão, um objeto que lhe é desconhecido e observá-lo atentamente como se pensasse: “O que é isto? Para que serve? Faz barulho? A que sabe?” Experimenta e, por processos de tentativa e erro, procura conhecer o mundo que a rodeia, começando a compreender que as suas ações
podem causar impacto. “Se bater com uma bola noutra bola faço um barulho engraçado! E a minha mãe até se ri.”
Mais tarde, os brinquedos e as brincadeiras começam a assumir uma função social. Foi o que aconteceu naquela aula de Gymboree, entre o Sebastião e a Margarida, e naquela aula de Artes entre a Madalena e a Diana. Cenários que se repetem nas aulas que as crianças partilham no Gymboree. Cenários que se repetem, diariamente, no palco da vida dos mais pequenos!
Brincadeira faz de conta, aprendizagem real
Os brinquedos surgem, também, como ferramentas essenciais à brincadeira imaginativa. O pequeno cubo vermelho deixa de ser apenas um objeto para fazer construções. Ele pode tornar-se na caixa de iogurte para o lanche, numa pedra que está no caminho, ou mesmo no caranguejo que passeia à beira mar. Um lenço, leve e esvoaçante, pode transformar-se nas asas de uma colorida borboleta, numa mangueira do carro dos bombeiros, no peixe que nada no lago.
Embora a capacidade para fazer de conta surja mais cedo, é por volta dos três anos que a brincadeira simbólica se torna mais sofisticada, assistindo-se a uma complexificação do pensamento da criança que já é capaz de estabelecer relações lógicas entre as suas ideias. A criança tem agora oportunidade de praticar papéis característicos dos mais crescidos, reproduzindo acontecimentos ou rotinas que lhe são familiares. Enquanto prepara um chá para
a mãe, leva a boneca ao médico ou finge ser a professora da bonecada, a criança está a preparar-se para aventuras futuras.
Acompanhando esta forma de brincar, crescem as competências de linguagem expressiva. Para apoiar o seu filho nesta etapa do seu desenvolvimento, envolva-o numa conversa enquanto ele expressa a sua capacidade de pensamento simbólico. Pegando numa pequena bola amarela a criança diz “É um ovo.” Pergunte-lhe onde o comprou ou que vai fazer com ele. “Um bolo? Então e de que outros ingredientes iremos precisar para fazer a massa do bolo?” Acolha as ideias da criança e integre-as no vosso diálogo. Desta forma a criança irá usar competências cognitivas, como a resolução de problemas (que ingredientes precisamos para fazer um bolo) e competências sociais, na assunção de outra perspetiva (como é que um pasteleiro faz os bolos?)
Para fomentar a curiosidade e as competências auditivas do seu bebé, construa chocalhos. Acrescente diferentes conteúdos a algumas caixas de plástico. Poderá usar massas, pequenos blocos de madeira, colheres, pedaços de papel… Explorem em conjunto os diferentes sons produzidos.
Fazer sanduíches
Para estimular o pensamento simbólico e a criatividade do seu pequenote, faça uma encomenda de sanduíches. Corte 10-15 quadrados (mais ou menos do tamanho de uma fatia de pão), de diferentes cores, a partir de bocados de tecido. Diga: “Vou fazer uma sanduíche” e empilhe alguns quadrados. Finja comê-la. Veja como a criança reage. Ela também quer comer ou fazer uma sanduíche para si? Faça um pedido especial com os seus ingredientes preferidos.
Oportunidades para brincar são verdadeiras oportunidades para aprender.
Enquanto brincam as crianças desenvolvem de competências sociais, emocionais, físicas e intelectuais. Brincar é o trabalho da criança.
Gracinha, eu acho que dispensa apresentações, uma das designers e arquitetas mais conceituados portuguesas.
Eu hoje queria falar um bocadinho consigo não só sobre design que é seguramente um dos seus superpoderes, mas também sobre a educação, a parentalidade positiva que também é fortíssimo, mas temos muitas coisas em comum eu ia-lhe perguntar: acordou que horas hoje?
Eu acordo muito cedo.
Eu sei.
Eu só queria chocar a nossa audiência.
Eu vou dizer que acordo sei lá eu facilmente acordo as 05:30 da manhã, 06:00, mas eu acordo por mim, obviamente que os meus filhos já são bocadinho maiores, mas por acaso sempre fui uma pessoa de dia, de manhã.
E gosto muito de acordar cedo também por mim própria, para ter o meu tempo, antes da casa acordar e os meus filhos também se habituaram a acordar cedo.
É uma ótima prática.
Também recomendo.
Gracinha eu ia começar pela criatividade, porque eu vi recentemente um vídeo seu no Facebook, em que falava da criatividade e fiquei super impressionado com a sua visão e decidi perguntar-lhe, como é que é o seu processo? O que é que pode falar sobre criatividade?
Porque realmente é uma palavra que tem muita profundidade.
É uma palavra muito forte e realmente é um valor, um bocadinho posto à margem, como se fosse menor e que é tão importante como a matemática, que é essencial disciplinas como a matemática, a ciência, os grandes grandes nomes que nós conhecemos de pessoas que na história se destacaram, eram sobretudo criativos.
Sejam eles cientistas, matemáticos, historiadores, políticos, todos eles tinham uma coisa comum que era a criatividade.
Por isso eu acho que a criatividade é um bem necessário e um valor que devia ser mais focado na escola.
Como é que é o seu processo?
Como é que desenvolveu a criatividade?
E como é que é no dia a dia?
Eu acho que uma das regras base da criatividade, é não ter medo de errar.
E eu tive a sorte de crescer numa família que focou muito nisso.
E os meus pais não se importavam, isto é um bocadinho clichê, mas é mesmo verdade que eu pinta-se fora das linhas.
E eu lembro-me de pintar as coisas de cores diferentes e não havia a tendência de dizer: o sol é amarelo e o mar é azul.
Não.
Se eu via o sol de outra cor, a minha mãe deixava-me pintar de outra cor e dava-me tanta segurança nas minhas ideias que eu mesmo que tivesse no ensino tradicional que tive, na escola, eu tinha sempre aquilo na minha cabeça, de que eu podia se quisesse sonhar e ver de outra maneira.
E depois quando tinha que estar alinhada no ensino tradicional adaptava-me, mas eu acho que é muito importante os pais ensinarem que o erro não é um problema, não é?
É uma lição.
E isso é o princípio da criatividade, é o não ter medo de errar.
Muito bem.
Como é que é ser designer de interiores?
O que é que mais lhe apela e o que é que é mais desafiante?
Eu acho que o que mais me apela na minha profissão é realmente interpretar vidas através de espaços.
E aliás é realmente, está tudo interligado com os meus domingos positivos e com a minha forma positiva de ver a vida, porque eu muito cedo eu faço à 20 anos a minha profissão exerço à 20 anos a minha profissão e muito cedo percebi que não era só sobre coisas bonitas.
Ai agora vou pintar a parede uma cor, aí agora vou fazer isto…
Não!
Isso é mesma coisa que comprar uns sapato e não se pode confundir a parte material que não nos preenche, não é?
Muitas pessoas se enganam e acham que o ir comprar coisas, o dar brinquedos às crianças nos preenche e rapidamente depois se fartam.
E não percebem porquê?
Eu então virei isso um bocadinho ao contrário, na minha profissão e tento ir à essência da pessoa à sua identidade e acho que se ela tiver projetada na sua casa, no seu norte, ela vai empoderada, vai se sentir enraizada e mais feliz.
E é o que eu mais gosto da minha profissão.
Muito bem.
Nós agora, neste momento toda a gente está em contacto permanente com a sua casa, portanto há aqui desafios próprios, acha que podemos passar algumas dicas de organização interior?
Qual é o alfabeto da decoração para um leigo? Por onde é que podem começar?
Estamos a falar da luz, dos móveis, estamos a falar do quê, exatamente.
Qual é o alfabeto mais básico?
Eu acho que a primeira coisa que eu vou dizer é tentarem não seguir tendências, nem copiar uma imagem de algo que gostam, porque obviamente isso é uma direção, nós começarmos a tentar perceber o que é que nos identificamos, não é?
E ver imagens tudo bem, mas o replicar não preenche uma pessoa dentro do seu espaço.
Por isso cuidado com o replicar imagens de um pinterest ou de onde seja, porque não se está a expressar a si próprio, não é?
Às vezes, são coisas tão fáceis como ir ao nosso armário e ver o que é que vestimos.
Quais são as cores com as quais mais nos gostamos de ver.
Porque se calhar são as cores com que quais mais gostamos de viver.
Ou então as não cores, porque há quem não goste de cores e goste mais de um ambiente neutro, e de um ambiente mais, todo ele com menos cor, não é?
E isso é o que nos vai identificar, por exemplo a nível de cor é uma boa maneira de vermos é irmos ao nosso armário ou cor que nós não nos gostamos de ver também, pensar como é que vivemos, há crianças não há crianças, há animais não há animais, há algum problema de saúde ou de costas ou até para poder escolher, por exemplo a altura de um sofá ou de uma cama ou rigidez.
Tudo isso são as primeiras coisas, é fazer uma lista do que existe.
Quem são as pessoas que vivem na casa, qual é a personalidade dessas pessoas, tentar também um bocadinho interligar, porque não é só um que conduz, quando é em comunidade quando é uma família tem que se pensar em todos, nas crianças, nos pais.
E depois tentar eu acho que pensar em cada lugar como um momento, como um cenário das memórias que vão fazer então agora que nós estamos sobretudo mais em casa e então se calhar haver o cantinho da leitura e que pode ser relaxado, não tem de estar tudo certinho, não faz mal se as almofadas se misturarem todas, não vamos fazer um problema à volta de um momento que pode ser ótimo.
E com isso a pensar nas outras zonas da mesma maneira que são cenários das nossas memórias em casa.
Top.
Na sua sensibilidade aproximava-se mais de manter tudo como está ou mudar tudo, uma vez que vamos estar confinados pelo menos 15 dias?
O que é que acha que é mais proveitoso e animador ou menos estressante?
Diga diga, desculpe não percebi.
A minha pergunta era mais tipo para evitar estresse, o ideal é vivermos na casa onde sempre vivemos ou tentamos criar uma casa nova neste tempo de confinamento…
Eu acho que vai depender das personalidades, eu por exemplo sou gêmeos e por mim mudo sempre qualquer coisa todos os dias em minha casa, porque gosto de estar sempre a mudar qualquer coisa, eu preciso dessa movimento de energia e de mudança e os meus filhos já são um bocadinho assim também.
Mas sei que há pessoas que precisam imenso da segurança da continuidade.
Eu acho que isso não há uma regra geral, eu acho que vamos então ouvirmo-nos a nós próprios, o que é que nós precisamos?
Estamos estressados, estamos ansiosos, vamos tentar não mudar muita coisa se calhar, se tivermos bem, não é?
Dentro do que estamos ou então ver qual é que é a zona da casa onde nos sentimos melhor e ir mais depressa para essa zona da casa, se há uma zona da casa que apanha mais luz natural, eu por exemplo gosto de estar ao pé da janelas, eu preciso de luz natural.
Às vezes mesmo naqueles dias que uma pessoa está mais esgotada, eu gosto de estar a tomar um chá ou um café e sentir a luz na minha cara, é uma coisa que me faz bem.
Eu acho que quando estamos muito tempo em casa, é descobrir estes recantos que nos fazem bem e vivê-los mais do que os outros.
Muito bem.
Gracinha, as pessoas que têm crianças pequenas e que têm este problema dos brinquedos espalhados pela casa.
O que é que recomenda?
Acha que os brinquedos devem estar confinadas a uma divisão ou devem estar livres pela casa?
O que é que acha mais proveitoso, para a sociedade?
Acho que a partir dos três anos, podem perguntar às crianças.
Acho que é a primeira coisa, acho que não devem ser os pais a decidir, acho que desde dessa idade as crianças já podem dar ideias de como é que vão arrumar os seus próprios brinquedos, é a melhor maneira de, eu às vezes quando tenho famílias com crianças eu pergunto às crianças e como é que elas gostam de arrumar mais as coisas e como é que vamos pensar na forma que elas vão entender e fazer parte da arrumação da casa.
Eu acho que isso não é um sonho.
É possível.
E se incluirmos mais as crianças dentro destas ações, as coisas aparecem mais vezes arrumadas.
Não é perfeito, mas aparecem.
E sobretudo, porque elas têm uma imaginação muito mais fluida e vamos dar se calhar ideias que há certos pais que já não praticaram tanto a criatividade e que se calhar estão ali, tem que ser sempre da mesma maneira.
Eu sou um bocadinho um elemento disruptivo quando venho dizer estas coisas, mas é verdade.
E depois é tentar ter a arrumação ao nível das crianças.
Também acho que é uma coisa importante, porque se arrumação está pensada para o adulto, vai ser sempre o adulto a arrumar e a partir do momento em que nós incluímos as crianças também na altura em que pomos as caixas ou as coisas que elas têm de arrumar e nos sítios mais improváveis haver um bocadinho quando eles são muito pequenos, eu acho que é importante haver num bocadinho em toda a casa algum sítio onde eles possam arrumar.
Na sala, na cozinha, eu lembro-me que tinha uma das portas debaixo da cozinha, tirei as panelas e pus brinquedos e sabia que era, e eles voltavam arrumar lá dentro e claro que eu abria e aquilo ao princípio estava muito desarrumado, depois à medida que eles foram crescendo tinham as coisas mais arrumadas, porque comecei a brincar com eles e a separar em categorias a brincar.
Eles gostavam de também separar as categorias, porque fica um jogo e tudo que ficam jogo eles fazem.
E eu acho que se pudermos então separar um bocadinho nas zonas onde eles brincam, que não seja do outro lado da casa onde se vai arrumar, já ajuda muito.
Uau.
Isso é uma ótima dica, eu acho que estou a fazer tudo mal.
Eu tenho uma bebé agora com um omnipcx, está sempre a pegar, adora os meus livros, desarruma-os todos, acha que é divertido tirar tipo 30 livros.
Ela vai adorar ler se continuar ainda a…
Eu espero que sim.
Mas pronto, mas eu depois tenho que arrumar todos de volta e basicamente é a minha profissão agora, é arrumar os livros que ela desarruma.
Gracinha ainda no campo da decoração como é que descreveria os seus melhores clientes e quais são os mais desafiantes?
Como é que podemos ser bom clientes de um design anterior?
Eu acho que um bom cliente é o cliente que percebe que nós estamos ali para ajudar e que não estamos, um projeto não é uma discussão, é uma evolução, é um progresso.
E eu acho que é suposto ser um momento memorável, um momento de crescimento, um momento de partilha, como muitas coisas na vida, não é?
Eu também acho isso do trabalho, também acho isso da educação, mas é verdade que o projeto, eu estou a entrar na vida de outra pessoa, estou a tentar entendê-la para criar para ela e isso é a maneira que eu trabalho.
Eu não trabalho, porque o amarelo é giro e o azul é giro e tem que ser assim.
Não.
Eu quero perceber a pessoa e quero potencializar o espaço onde ela vive, de modo a ser mais feliz lá dentro, ela e as pessoas que lá vivem.
E eu acho que é muito importante o cliente perceber que nós estamos ali para fazer parte dessa, fazer um veículo, ser uma ponte para que ele possa viver melhor a partir daí nesse espaço.
E o cliente que percebe isso, é um cliente que tem um projeto com muito mais sucesso, entre aspas no resultado final, do que o cliente que resiste.
Muito bem.
Eu sei que a Gracinha fala uma série de línguas de muitas partes do mundo.
Como é que foi viver fora de Portugal?
Tanto sozinha como em familia, como é que foi a sua experiência?
Eu adoro viajar, adoro ter o desafio de me adaptar a um lugar que não conheço, a uma língua que não conheço, a uma comida que não conheço e perder-me para me encontrar outra vez.
Eu acho que são patamares, cada viagem e cada momento que eu vivi fora, foram patamares de crescimento na minha vida.
E fiquei um bocadinho viciada nisso.
E foram experiências de alturas muito diferentes da minha vida.
A primeira vez que vivi fora, tinha acabado de fazer 18 anos e fiquei fora até aos 21. Comecei a trabalhar a minha carreira primeiro trabalho foi fora.
E foi um momento, obviamente que eu era mais nova, que havia uma descoberta, uma série de coisas, mas eu ainda estava a crescer noutra série de coisas, por isso era tudo, era uma descoberta, mas eu também sempre fui muito curiosa e muito independente.
Portanto aquele sentimento de saudade não me fazia não aproveitar onde eu estava.
Eu sempre aproveitei o momento da vida no lugar onde eu estava.
Sem arrependimentos de: ai eu tenho saudades e eu quero estar ali.
Não.
Eu acho que se estamos neste momento ali, vamos aproveitar este momento da vida e tirar o melhor dele.
E todos os momentos que vivi fora acabei por ter essa essa mentalidade, portanto na altura da universidade e do primeiro trabalho eu estava em Londres.
Depois voltei para Portugal e depois fui para a Ásia.
E no intermédio sempre viajei muito na minha profissão, por isso pelo menos quatro meses do ano fora em viagem.
Não de seguida, mas sempre em viagem, por isso bastante grande durante o ano, antes do covid, por razões de trabalho, mas em que acabamos por ir para países às vezes que não conhecemos, outro conhecermos melhor.
Agora a ida à Ásia foi também espetacular, porque fui com os meus filhos bastante pequenos dos 3 aos 9.
E aliás foi lá que eu conheci o Gymboree.
Eles iam todos ao Gymboree.
Ai que giro.
E pronto e foi realmente eu acho ai crescimento em conjunto enorme por todos os lados, porque a trabalhar a tempo inteiro com crianças pequeninas, elas não sabiam falar inglês quando foram, nem chinês.
E aprenderam ambas as línguas.
E é uma aprendizagem que eu recomendo que é difícil, mas é extraordinária.
Gracinha, percebo que essa passagem por Singapura, vos marcou imenso em família e também quer dizer a matemática é simples.
Ainda assim ter cinco ou seis anos, não é?
Como é que foi essa experiência?
E o que é que trouxe de lá?
Eu, a experiência, já tinham vindo conosco em algumas ocasiões, porque nós já estávamos a trabalhar lá desde uns anos antes.
E realmente uma das razões porque fomos, foi porque estavamos cada vez mais a trabalhar lá na altura e eu comecei a sentir que não estava a fazer bem à família, eu estar tanto tempo fora obviamente e como mãe, também não conseguia, se bem que tenho um marido presente, um pai espetacular e sempre que eu ia, eu sentia que eles iam crescer de outra forma.
E acho que na vida os casais organizam-se, sejam porque estão divorciados ou porque cada um trabalha numa certa forma, acho que as crianças se adaptam e os casais organizam-se.
Por isso nós construímos na altura uma fórmula que funcionava para nós.
Mas chegou a um ponto onde achamos que fazia mais sentido irmos todos juntos e estarmos lá uns anos e depois voltarmos.
E a experiência lá, foi realmente extraordinária, a nível de todos os níveis, humano, como mãe, como profissional, mas sobretudo a nível da educação e a nível da ligação que os adultos lá em geral têm com as crianças, eu comecei a sentir logo desde o início, a forma que falavam, a forma que diziam, é sempre a maravilha do mundo da criança e o que é que nós adultos quase que podemos aprender com eles, porque nós já nos esquecemos.
E há um respeito pela criança como humano, que é igual a estar a falar com um adulto praticamente e isso foi uma coisa que eu tive que reaprender estando lá, porque eu realizei que ele não tinha isso, não tinha essas ferramentas comigo e quis aprender.
Por isso essa foi a maior eu acho, a lição de estar lá, a parte da língua, da comida e da parte toda cultural.
Foi realmente abrir o mindset a outra maneira de educar.
Foi o país que te deixou mais saudades, Singapura?
Não, todos os países têm assim qualquer coisa que me deixou muita saudade, que me deixa muitas saudades.
Ali tivemos realmente um momento muito marcante, porque foi quase um sentimento do momento certo, no lugar certo para a idade deles certa.
E para a família foi uma viragem enorme, porque mudamos de mentalidade, mudamos de um mindset fixo para um mindset crescimento, que eu falo imenso que é o growth mindset.
E é uma maneira de ver as coisas ao contrário do que se vê cá na educação.
E foi uma coisa que nos transformou, transformou literalmente como mãe, como mulher, como humana e é tão fácil e é tão difícil ao mesmo tempo, mas nós pensamos são coisas tão pequeninas, mas que realmente transformam a confiança deles, a linguagem deles é uma coisa que é realmente quase difícil de explicar.
Por isso é que eu tenho muitos domingos para falar sobre isso.
Vamos falar sobre isso agora mesmo.
A Gracinha é uma produtora e uma praticante de educação positiva.
E tem o seu vlog de chamado números positivos, que eu desde já recomendado, aliás eu quero fazer aqui uma pausa e deixar uma nota pessoal.
Passei os últimos dias a preparar este podcast e tive a oportunidade de ver algum materiais que eu já conhecia e outros que conheci de novo.
O seu vlog é precioso, portanto queria exprimir a minha gratidão.
A forma gentil que apresenta uma série de missões.
Gentil consigo mesma, porque pronto foi um processo, não nasceu com aqueles conhecimentos, mas isto para quem nos está a ouvir, porque é natural que a gente sinta necessidade, culpa, medo de falhar.
E a forma como a Gracinha apresenta aqui é super lógico, superior. super gentil e fica.
Portanto as lições ficam, não só se calhar a parte mais técnica e teórica, como a parte prática e os conselhos práticos que dá.
Portanto eu há bocado em off, estava a pedir por favor de por aquilo em formato podcast, para poder ouvir enquanto estou a correr.
É já muita gente, eu vou trabalhar nisso.
Estou aqui à procura da melhor solução.
Muito bem.
O que é que é para si a educação positiva?
E qual foi sua maior influência original o que é que a fez prestar atenção a esta forma de educar?
Eu quando soube que estava à espera do meu primeiro filho, Santiago, em 2004.
A certa altura um mês ou dois depois o Miguel vê chegar, eu não vou mentir, deviam ser 150 livros de educação.
Eu não sabia nada, zero.
Era mais nova de três, não temos nem irmãos mais novos, nem primos mais novos, sou a prima mais nova da minha família, tanto de um lado como do outro, eu não tive o contacto com crianças na minha adolescência, a não ser os meus amigos na escola.
Por isso eu vejo a minha filha, a minha filha tem imensas, contacto com crianças muito mais novas que ela, bebés e tudo, tem um jeito enorme, pega neles, já sabe tudo.
Estou sempre dizer que ela vai ser uma mãe espetacular, à parte de ser uma profissional que quiser ser o que ela quiser ser espetacular também.
E então eu não tinha aquele reflexo de saber, eu não sabia trocar uma fralda, eu tive que pedir a uma amiga da minha irmã para me ensinar a trocar de fraldas, porque eu não sabia trocar, depois tive de aprender tudo do zero.
E tinha um receio enorme, uma sociedade muito grande de: será que estou a fazer as coisas bem, será que não estou, lia tudo.
E a única coisa que eu lia, eu tive uma mãe muito liberal, mas liberal com direção, que já na altura eu via bastante diferença entre como é que a minha mãe nos educava e como é que muitos outros pais que eu via educavam os meus amigos ou tias com os primos.
E eu já sentia que havia ali uma diferença.
Ouvia a nossa opinião, falava muito conosco e não havia, não me lembro de haver berros em casa, havia sobretudo elogios, se a minha mãe um bocadinho sem saber falava-me sempre de um psicólogo que era o Doctor Spock, que era muito americano, que era na altura muito diferente e muito radical e depois houve muito prós e contras na nossa geração do Doctor Spock.
Eu ainda fui comprar um livro do Doctor Spock, porque tinha sempre ouvido falar dele quando nasceu o meu primeiro filho.
Mas esse livros, os tais 50 livros que eu comprei, não me identificava muito com as coisas, porque a minha própria educação não tinha sido assim, era uma coisa muito mais tradicional muito mais e era muito pesada, era muito…
E eu lia aquilo e dizia: está bem, olha eu é que não percebo, isto tem que ser assim e isto é que faz bem às crianças e eu sei dizer que não e eu sabia dizer não e eles têm que saber ouvir não e regras e uma série de coisas que eu comecei a praticar.
Mas não sentia nada bem com isso.
Queria que o meu filho come-se bem à mesa com 18 meses, quer dizer, quando ele queria era brincar.
E tudo aquilo não jogava comigo e à noite quando me levantava às três da manhã e a meio da noite por causa de lhes dar leite, abria a televisão e estava a dar uma coisa que era o Doctor Field, na altura.
E só dava às três da manhã na televisão, em 2004, pelo menos.
E ele tinha uma versão e uma atitude para com os problemas de família que estavam a dar que eu comecei a ouvir, eu não sei porquê, passava ali parava a meio da noite e começava a ouvir, isto quer dizer é tão diferente, mas eu não conseguia, eu ouvi a fazia-me sentido, mas eu não conseguia processar a informação de modo a usá-la, também na altura o meu filho era muito pequeno, era bebé, por isso eu fiquei sempre mais agarrada ao lago das coisas tradicionais que eu tinha tido na escola e que tinha lido e com sempre aparecer-me muito muito negativo e eu com peso enorme de ir dormir a pensar: há aqui qualquer coisa que não está certo.
Por isso eu acho que comecei aí e depois já só foi, quer dizer durante, eles cá ainda antes de ir para Singapura, eu tentava fazer as coisas um bocadinho diferentes e tinha muitas pessoas um bocadinho a olhar, que eu senti: esta aqui não sabe, ou seja, não cumpre bem e houve uma pessoa uma vez que veio ter comigo e disse: a senhora não é boa mãe.
Ainda me lembro onde é que foi, foi aqui ao pé de onde eu vivia e a olhar, porque eu estava com os três, estava-me a rir estava, não era sobre ensinar naquela altura, eu queria era ter um bom momento e além de ficar olhar para essa senhora que conheço e pensar, ter pena dela, porque ela não estava a perceber a minha linguagem, mas eu também segui em frente.
E depois foi uma coisa natural, eu tinha sempre em mim um lado mais positivo.
Via a maneira que os professores, por exemplo falavam do meu filho Santiago que é que um desportista nato, precisa de espaço, precisa de se mexer, precisa de para aprender, ele precisa de espaço, porque eu não na altura não percebia, só percebi depois porquê.
E a maneira negativa quando olhavam para um reflexo muito natural dele, não revoltava-me, mas eu tinha pena de professoras que vinham ter comigo e que me diziam coisas que eu olhava para elas e dizia, eu pensava assim: não, a senhora é que só sabe ver dessa maneira, eu já sabia que deveria haver ali outra maneira.
Até que encontrei uma pessoa que para mim é a pessoa que mais percebe de educação positiva em Portugal, que se chama Gill Edwards, em Carcavelos.
E a Gil onde eu pus a minha filha Alice durante os tempos, é uma pessoa extraordinária e foi a pessoa que me abriu a porta da educação positiva e me mostrou Howard Gardner, que fala das inteligências diferentes.
E fui ouvir em Lisboa na altura, ele estava nos Estados Unidos, mas houve uma conferência com ele, ainda fui ouvir a Lisboa uma conferência com ele.
E comecei a ler, sobretudo as inteligências diferentes e no fundo isto do meu filho Santiago, não era défice de atenção, não era nada disso.
É um miúdo com inteligência espacial, que pode ir desde um neurocirurgião até um atleta de alta competição, foi um spam enorme de capacidades, mas que forçosamente não gostam de estar sentados numa secretária a fazer durante 6 horas do dia as coisas de uma maneira, quer dizer comecei a perceber que o ensino estava antiquado, que ainda praticamos um ensino da revolução industrial, por exemplo em Singapura já não há a campainha que chama, é quase um insulto para as crianças chamá-los com uma campainha.
Como se fossem gado ou como se fossem quer dizer, tudo isso são coisas que no mundo já estão a mudar, que em Portugal ainda estão muito atrasadas e que uma segue de pessoas e de passos na minha vida, me mostraram que há altos caminhos que abre as portas e daí eu querer passar essa informação.
Mas foram estas pessoas, o Doctor Field, a Gill e depois Singapura, que me abriram as portas aqui para a educação positiva.
E nós não vamos conseguir no tempo que temos falar sobre tudo, porque é realmente…
Claro claro claro.
Mas a Gracinha já fez um trabalho espetacular, porque apenas nos primeiros dezesseis episódios já temos alí imenso, com que entreter.
Claro.
Sente que os portugueses estão muito longe deste ideal, da educação positiva?
Eu já senti mais por acaso, acho que há uma vontade enorme, mas não há ferramentas, não há, eu vou ao Amazon ou vou a uma livraria quando estou em algum sítio e tenho muito mais, tenho aqui o meu cão que também quer participar, mas sinto que há o material em português falta.
E eu acho que não é por vontade, por exemplo os próprios professores também têm uma vontade enorme de mudar, eu tenho imensos professores a mandar-me mensagens que estão a aplicar algumas coisas nas salas de aula dele, eu acho que não há ferramentas para a formação.
E tem que haver mais ferramentas, tem que haver mais livros, tem que haver mais ferramentas na internet, em português, que passem esta mensagem da educação positiva de forma coerente, não como um método alternativo e a permissivo, que é uma coisa completamente errada sobre este método.
Não é um método, não é uma educação permissiva e então não vamos pensar na educação positiva como um método de meio permissivo, nem completamente anarquia total.
As crianças podem fazer o que quiserem, um dia temos que ver uma mensagem a perguntar se as crianças não ficam selvagens.
Não, não ficam.
Ficam felizes e os pais também e as salas de aulas também e encontram-se capacidades e percebe-se que há um progresso e não é, não é uma ditadura, não é?
A Gracinha costuma dizer imensas vezes e muito bem, que educar não é mandar, educar é guiar.
Nesta altura do confinamento como é que nós temos guiar estes pais a eles próprios começar a se calhar a praticar um bocadinho atualmente as vogais da educação positiva?
Tem alguma dica, ou primeira acha mais importante…
É respirar, é respirar.
Aprender a respirar, porque nós não respiramos, nós reagimos.
Então a nossa educação é baseada no reflexo animal.
É o eu dizer o não, logo, como se fosse autoridade e como se isso nos fizesse ser bons educadores não estamos a ensinar absolutamente nada com um não.
Então vamos, em vez de dizer: não comas de boca aberta, dizer podes te engasgar.
E deixar que a criança perceba o que é que tem que fazer e nós ensinarmos qualquer coisa.
Uma coisa que acontece, que é espetacular, com a educação positiva, é que as crianças a nível de co-eficiência, nem falo da emocional, obviamente porque essa é óbvia, mas a nível de co-eficiência inteligência tem muito mais alto com a educação positiva, do que com a educação tradicional, porque ouvem, porque raciocinam, porque há uma conexão de neurônios muito maior na interação entre adulto e criança, do que cortar ali as vasas e acabou, não faz, nah nah nah.
Então ficam robôs, que depois mesmo na vida, vão ser pessoas com muito menos iniciativa com muito menos poder de raciocínio, porque estão habituadas a que alguém lhes diga não, sim, sai.
E depois de repente chegam aos trinta e aos quarenta e são adultos insatisfeitos, que não percebem porquê, mas no fundo não são eles próprios, porque isto depois vai em crescendo e é uma coisa gravíssima, que hoje em dia sabemos a importância da saúde mental, não é?
Agora, eu acho que aqui a importância do respirar, que é muito simples e eu até disse no outro dia numa conversa, não foi a brincar e se tiver dificuldade em respirar, encha a boca de água e deixe o sentimento das explosão passar. E só depois é que engole, se for preciso é um primeiro, é um primeiro exercício, porque é difícil.
O nosso reflexo está a dizer que não, porque foi o que nós ouvimos.
E os pais queixam-se das crianças dizerem que não de volta ou responderem ou não fazerem, mas elas estão a ouvir isso o dia todo dos pais e dos professores.
Por isso eles estão a imitar, eles não conhecem também outra forma de comunicar, por isso o respirar, o voltar a nós, o ver a situação de fora, o perguntar porque é que eles fizeram isto: porque é que fizeste isso? Qual foi a tua ideia quando fizeste isto? Deixa-me eu perceber o que se passou pela cabeça.
Eu às vezes mudo de ideia depois dos meus filhos me explicarem porque é que fizeram alguma coisa que eu achei que estava errada, que eu digo: olha, realmente isso não foi má ideia, mas…
E depois digo o que é que eu tinha para dizer.
Ver se calhar da próxima vez tenta desta maneira, porque é que tem que ser de uma forma agressiva?
Porque é que tem que ser de uma forma negativa?
Nós se estivéssemos no trabalho e alguém estivesse a berrar connosco o dia todo e a dizer que estamos a fazer tudo mal o dia todo, que é o que a maior parte das pessoas faz com as crianças, nós fechavamos-nos, a dizer não quero estar aqui, eu não sou feliz no meu trabalho, quero me ir embora,
Eles não têm essa hipótese.
Eu vou reforçar tudo o que a Gracinha disse, eu concordo com tudo.
Se calhar dar uma outra imagem para os pais e para as mães mesmo um bocadinho mais técnicos, nós somos um conjunto de hardware e software.
O nosso hardware é a nossa biologia, a nossa genética, nós não conseguimos fazer muito em relação a isso.
O nosso software é a nossa educação, não só intelectual como emocional.
E há bom software e há mau software, nós podemos receber maus modelos e portanto ficamos contaminados com esses exemplos.
E é difícil às vezes sair deles e requer muito trabalho.
Ou podemos ter um bom software e tudo fica mais fácil, não é?
E eu acho que a Gracinha explicou isso muito, muito bem.
Agora com os seus quatro passos filhos, que estão entre os seus 10 e os 16 anos se não me engano.
Quais são os seus planos para as próximas semanas?
Tem uma agenda para o confinamento?
Tenho, tenho uma agenda para o confinamento e eles não deixarem de aprender e não deixarem de, educação é um direito humano.
E nós não vamos tirar a educação aos nossos filhos, portanto os nossos filhos vão continuar a estudar em casa, com coisas que eu lhes vou dar e com conteúdos que está na internet e vão continuar a explorar o que gostam e vão continuar a sua aprendizagem, não vai haver aqui momentos a nível das horas de escola,
Nós cá em casa vamos continuar a dar valor à aprendizagem, à educação e a explicar-lhes o importante e a sorte que eles têm de viver numa democracia e de poder continuar a aprender e a sorte que eles têm de estar em casa seguros e não estarem num hospital e aproveitar ao máximo para que um dia, se for preciso, a geração deles salvar a humanidade como os médicos e os enfermeiros estão na frente, não é?
A fazer agora, se de repente as crianças deixam de estudar e não há médicos, não há enfermeiros e vem uma pandemia na geração deles e não há pessoas com as competências com as que temos agora, para poder salvar a humanidade.
Por isso é uma coisa que vai acontecer.
E depois é o lado criativo e da brincadeira que vai ser importante manter também, porque é o que as crianças precisam, elas gostam de brincar, precisam de brincar.
E eu acho que é muito importante nós pais percebermos que eles também estão em tensão, eles também estão fora da sua normalidade e nós temos que perceber que se eles estão nervosos ou ansiosos, eles não sabem dizê-lo.
Eles vão mostrar no seu comportamento.
Por isso podem mostrar desorientação às vezes a fazer a coisa que nós achamos errada ou a chamar a atenção de uma forma mais negativa, porque não sabem verbalizar de outra forma.
Por isso é importante, se calhar em vez de dar logo um berro e eu sei que estamos todos um bocadinho nervosos e ansiosos, mas procurar mesmo ferramentas de evitar o berro, porque depois é uma coisa continua e que não ajuda ninguém, nem os pais nem os filhos.
Isso às vezes, dizer o que é que se vê.
Eu também disse isso numa conversa, é eu vejo que partiste qualquer coisa ou eu vejo que pintaste na uma coisa, pintaste na parede, eu vejo que pintaste na parede.
Está te apetecer desenhar?
Tenho ali, vamos aqui já fazer.
Em vez de zangar, já se vai já vai falar sobre o assunto.
Mas ele não está a pintar na parede, porque o quer magoar o pai ou a mãe, é interesse das crianças não é serem desobedientes, não é?
É ele estarem orientados, vamos orientá-los.
Está te a apetecer desenhar?
Estamos aqui, o que é que te apetecia desenhar? Vamos começar a desenhar.
Ah eu queria desenhar o foguetão.
Então vamos.
Vamos investir naquele momento que ele quer, que é de atenção e criatividade e depois vamos falar sobre: olha, se calhar. Eu chamo a isto a técnica da sanduíche.
É primeiro abrir a porta, é que giro, está te apetecer desenhar.
E eles olham para nós, já temos a atenção dele.
Sabe se calhar em vez de pintares na parede vamos antes pintar numa folha que eu essa posso guardar para sempre comigo.
Então e depois vais me ajudar a limpar a parede.
Isto é ensinar, é criar uma conexão, é depois também ensinar a limpar.
Mas não é atacar.
Claro.
Eu vou aproveitar para agradecer os comentários, estamos a receber imensos comentários aqui nas plataformas do Facebook e no YouTube.
Inclusive o Nuno Pinto Martins, que também é uma referência aqui na educação positiva, também nos está a ver, deixou aqui uns comentários muito valiosos.
Gracinha num dos seus primeiros vlogs, contou uma história super comovente, que eu me lembrei, sobre um filho seu partiu um conjunto de pratos e que a Gracinha explodiu e
depois ficou toda uma história por trás.
Portanto eu convidava a recontar, porque eu acho que é um exemplo.
Não prometo não chorar.
Histórias bonitas, não é?
Eu acho que ou podem ficar traumas às crianças para sempre ou podem ficar memórias bonitas de aprendizagem para os pais e para os filhos e essa realmente é muito bonita.
Quer que eu conte?
Por favor.
Então, mãe trabalhadora, mas eu respeito imenso as mães que ficam em casa, porque eu acho que é um trabalho duplamente difícil.
Mas cheguei a casa cansada depois de um dia estressante de trabalho, o meu filho tinha partido uma série de pratos na cozinha, a minha primeira reação foi zangar-me, vou chorar.
Era zangar-me com ele, porque eu sinto me naquela altura que era uma bruxa, que já não é quem eu sou hoje em dia.
Zangar-me com ele e agora de repente já não me lembro os detalhes que eu contei na outra, mas com uma reação percebi, houve ali um momento em que eu percebi, que o estava a magoar com o meu ralhar com ele e ele depois veio ter comigo ou quando eu fui deitar, já não me lembro bem e ele no fundo que queria lavar os pratos antes de eu chegar a casa para ajudar.
Por isso, pensem duas vezes antes de gritar com os vossos filhos, porque eu acho que a maior parte das vezes eles só querem ajudar.
Sim.
Então essa história comoveu-me a mim também, tenho umas parecidas também e aliás eu tive que parar de correr e passar a andar, porque estava a precisar de focar a minha atenção nesse momento e eu não sei a palavra, era mesmo mergulhar daquela sabedoria, aquela conexão que nós conseguimos naquele segundo.
E eu acho que é uma história que nos pode inspirar realmente e taparmos, não é?
Nesse sentido às vezes mais negativos e são totalmente humanos, mas que às vezes são totalmente injusto também, não é?
É verdade.
Eu acho é que há aqui uma herança que vem de uma época completamente desatualizada, anos 50 anos, que nós temos que mostrar que sabemos tudo como educadores e nós é que sabemos e ao dizer um não nós estamos, eu digo sempre nas minhas nos meus domingos positivos, nas minhas conversas é: saiam da vossa torre de autoridade, que não existe e vamos educar humanos, vamos aprender com eles, vamos conversar, vamos aprender a dialogar, porque o que nós estamos ensinar é a discutir, é estamos a ensinar para a vida, o que é que é uma relação?
É a discutir?
É a minha opinião e a tua opinião e onde é que está a diplomacia?
Onde é que está o ouvir o outro?
Ouve-se tanto as pessoas a dizerem, mas depois não praticam com os próprios filhos.
Portanto eu acho que vamos quebrar com uma herança desatualizada, uma educação desatualizada e obsoleta e vamos criar humanos, vamos guiá-los a ser o adulto que nós gostávamos que os nossos filhos fossem, não é?
Totalmente.
Há um livro que me marcou imenso que se chama os Fours Agreements do Miguel Ruiz e dois dos agreements tem muito haver com esta história que aconteceu.
Um deles é não levar as coisas a peito.
Pronto.
Os pratos não foram partidos para nos ofender.
Outra coisa é não assumir nada, saber perguntar.
Claramente que se perguntássemos, se calhar não nos tinhamos zangado e pratos são pratos, não é?
Mesmo que sejam os pratos preferidos, que tenham custado uma fortuna.
A intenção era totalmente boa e aconteceu pronto.
Eu vou só aqui dar uma dica, que ao princípio me ajudou imenso que eu parecia a mãe maluca, mas é, uma pessoa tem realmente a reação do berro, não é?
Ou de zangar e eu começava a cantar, às vezes os meus filhos eles eram pequeninos, achavam que eu tinha…
Faz de conta que eram os pratos, agora não foi, porque eu não fiz isso nesse dia, mas partir os pratos.
Eu queria era gritar, mas queria era, não vamos repor o berro para trás e começar a cantar e fazer disto uma brincadeira.
Mas é um bom truque também começar a cantar e a dançar e ao mesmo tempo aquilo fica o tal jogo.
Eu acho que quando há associação positiva com as crianças, há aprendizagem.
E as pessoas não percebem quando há associação negativa, corta-se, não se está a ensinar nada.
Por isso, se nós conseguirmos que aquele momento onde nós iamos-nos zangar, se torna uma associação positiva a qualquer coisa, estamos a ensinar muito mais do que se nos zangasse-mos com eles.
Claro.
Gracinha, há pessoas incrivelmente estressadas agora com a questão do confinamento.
O que é que nós podemos, qual é o bright side desta história para si?
Eu acho que se conseguirem criar conexão com os filhos em casa, não é?
Eu acho que mais cedo do que nós achamos, quer dizer numa vida inteira, isto vão ser eventualmente um ano e meio dois anos, não é?
E da nossa vida completamente com uma mudança imposta que foi esta pandemia, mas se podermos pensar em alguma coisa, nós nunca mais vamos poder recuperar o tempo que temos a ter com os nossos filhos em casa, nunca mais.
E eles estão a ver os pais deles em casa, por isso eles vêm ter connosco.
Eu ontem estava a ter uma reunião de Zoom com uma colaboradora minha e o filho dela pequenino, dois anos, sempre a querer chamar a atenção, às vezes ela conseguir distrair.
Eu como líder da equipa, falo com outros com a maior paciência, quer dizer se é preciso parar, para ele está a precisar de atenção, ele está em casa com a mãe e ela a pedir-me desculpa.
E eu disse: não é preciso pedir desculpa, está aí, ele está a ver a mãe, ele quer brincar com a mãe.
Por isso quando ele precisava e eu disse a certa altura: olhe, vamos parar a reunião 10 minutos, eu já volto a ligar.
Que era para ela dar a atenção que ele precisava e depois porque eles têm a necessidade de atenção, não é?
E se não a tem, vão começar a chamar de formas que eles puderem e tem a necessidade de ter poder de decisão desde que nascem.
Por isso é que as crianças fazem birras.
Quando não têm o poder de decisão necessário em casa, nem que seja coisinhas pequeninas, desde que têm 2, 3 anos, eles vão começar a fingir.
Por isso eu acho que é importante agora que estão em casa, pensar que nunca mais vão ter a oportunidade, nem que seja, podemos chamar assim mesmo que seja dentro de um momento difícil mundial e nacional, de criar conexão com os vossos filhos e isso é a coisa mais importante na vida de um educador de um pai e de uma mãe, é o quanto a conexão que conseguirem fazer nos anos em que estão com eles em casa.
Exatamente.
Concordo a cem por cento.
Gracinha, gostaria de recomendar algum livro, algum filme, algum conteúdo que a tenha marcado recentemente?
Sim.
Há vários.
Eu acho que há um livro fantástico que é, eu não sei se há em português, mas que é o “How talk so kids will listen and listen so kids will talk”.
Como falar para as crianças ouvirem, como ouvir para as crianças falarem.
Isto foi uma coisa que eu li num livro que já tem várias edições, que eu li logo ao princípio e que ainda hoje pratico coisas que aprendi nesse livro, é extraordinário, é realmente já formas de educação positiva, vem em bandas desenhada.
Como é que as pessoas normalmente dizem e como é que podem dizer de forma positiva à mesma coisa.
Acho que é um livro fantástico, acho que o mindset que há em português, da Carol Dweck.
A Carol Dweck é extraordinária também para se perceber a mudança do mindset fixo da educação tradicional para o mindset vivo.
E acho que há uma plataforma muito muito boa, que também já aconselhei que é o The Big Life General, que ensina para pais e para filhos. É para filhos mas acho que os pais também aprendem e adolescentes também, também estratégias do tal mindset de crescimento que é também uma das bases da educação positiva e de ver a vida de uma forma mais positiva.
Ok.
Se tivesse um cartaz gigante que toda a gente pudesse ver.
Qual era a mensagem que escolheu lá colocar?
Qualquer coisa ligada com o erro, como eu estava a dizer.
Ou seja, ou punha uma mente negativa nunca vai ter um dia positivo.
Ou punha não é?
É mesmo, porque a pessoa mesmo que é o não não não, não vai e a pessoa que só vê o problema dos outros e não começa a ver o que é que ela faz para influenciar ir à volta dela.
É uma pessoa que que ainda não percebeu que tem que ver as coisas de outra perspectiva.
Mas acho que o mais importante é não tenha medo de errar, o erro é uma lição.
E aquela coisa que eu costumo sempre dizer, não existem crianças desobedientes, só existem crianças desorientadas e nós estamos cá para as guiar.
Muito bem.
Que más recomendações é que costuma ouvir relacionadas com sua profissão ou com a parentalidade?
Que mais quê?
Desculpe.
Más recomendações, ouviu e não concorde com isto.
Mas em relação ao quê? À educação?
Ou?
E também à decoração, se encontrar porque se calhar as duas são importantes e ninguém sabe mais que a Gracinha.
A educação, na decoração acho que duas coisas.
Acho que as pessoas às vezes têm um bocadinho, se calhar porque a vida corre e não temos muito tempo para parar e pensar, olhem nós próprios, quem somos mesmo, o que é gostamos, quase fazermos um questionário, desafio as pessoas que estão ouvir, a fazerem um questionário em casa para se conhecerem melhor.
Será que estão a ouvir a música que gostam mesmo, será que estão a comer a comida que gostam mesmo, será que estão a viver não é?
Como as cores que gostam mesmo.
E isso, fazerem um questionário para se auto conhecerem e depois também ajuda na educação.
Mas eu acho que um dos erros que as pessoas acham na decoração, é que acham que uma sala com pouca luz natural, tem que ser branca ou de cor ou sem cor quero eu dizer.
Quando que uma sala com pouca luz natural usufrui muito mais com a cor e torna-se muito mais confortável com um certo tipo de cor do que se ficar branca, porque achamos que o branco é uma cor clara, por isso a sala fica mais clara por estar branca.
E não é verdade.
Fica uma uma sala às vezes um bocadinho, os ingleses dizem “Lumy”.
Assim um bocadinho, não é carne nem é peixe, só por a pessoa ter medo de perder luz.
E se pusesse uma luz e arriscasse uma cor e arriscasse se calhar já tinha uma sala com mais personalidade onde gostaria de estar, isso é uma dica.
E em relação à parentalidade?
A parentalidade…
Más recomendações que costuma ouvir.
Más recomendações, ai são tantas.
Pode não haver, às vezes é difícil, às vezes é sensível o tema mas…
Não.
Eu digo-lhe uma coisa.
Noutro dia estava a ter, esta semana tive aqui um desentendimento com um dos meus filhos e porque tinhamos os dois opiniões diferentes.
E a certa altura ele virou-se para mim e disse: oh mãe.
Ele tem 14.
Oh mãe, os adultos têm a mania de, como é ele disse?
Eu até mandei a mensagem ao meu marido por WhatsApp para não me esquecer, mas estava tão certo.
Os adultos tratam as não…
Ah os adultos querem que os adolescentes hajam já como adultos, mas não nos deixam decidir como adultos.
Foi assim qualquer coisa desse género.
E eu fiquei a olhar, ele desarma-me sempre com essas coisas e depois de eu estar ali a defender a minha opinião, eu olhei para ele,dei-lhe um abraço e disse: oh Guilherme, tens toda a razão, desculpe desculpe.
Eu peço imensa desculpa e tenho imenso orgulho de ser uma mãe que pede desculpa e que eles saibam que os pais estão a crescer como eles e erram como eles, falamos muito disto cá em casa.
Mas isto de nós exigirmos até aos pequeninos, que façam coisas que nós não fazíamos com a idade deles, às vezes esquecemos que já tivemos a idade deles.
E depois nós não fazermos ou nós não nos deixarmos fazer, não é?
É típico e é uma coisa que podiamos todos melhorar isso.
Muito bem.
Eu tenho aqui uma última questão.
Gracinha, quando se sente assoberbada, perdida ou sem foco.
O que é que faz?
Tiro os sapatos, ponho os pés no chão.
“Keep Ground” de enraizada ponho os pés no chão e respiro.
Eu acho que o respiração é, há duas coisas que são fatores enormes a olhar nos.
É o cansaço e isso obviamente estamos todos, então agora com o trabalho em casa, com os filhos, com escolas não escolas, a tentar arranjar um equilíbrio, muito rapidamente a ebulição sob, não é?
Para a panela de pressão arrebentar.
Mas eu acho que vamos realinhar, vamos parar, vamos ter aqueles momentos para mim, houve, nem que seja escondidos, mas é verdade houve umas conversa qualquer, que eu disse: não, tenham o vosso ritual.
Eles desde muito pequeninos, eu agora já não bebo café, mas eu bebi café durante muito tempo e aquele momento do café para mim era o realinhar e a pensar que podemos ter vários por dia, não cafés, mas momento de realinhamento e não sei como se diz em português.
É realinhamento que se diz?
Sim, sim.
E como eles estudarem, eles não conseguem estudar durante horas, os meus filhos de x em x tempo param, nem que seja 10 minutos.
Vão dar uma voltinha, correm, brincam com qualquer coisa durante 15, 10 minutos e voltam.
Porque o cérebro precisa.
Portanto o cansaço extremo, temos que estar atentos a isso, então eu de vez em quando várias vezes durante o dia, gosto de tirar os sapatos, gosto de fechar os olhos e respirar.
E respirar oxigênio ao cérebro, darmos espaço para pensarmos em soluções rápidas, às vezes problemas diários aqui em casa, onde seja, com as crianças.
Respostas rápidas e é muito importante respirar.
Eu até pus no meu Instagram, respire fundo, tape o nariz de um lago.
Expliquei aí mesmo.
Faça as vezes que for preciso, de olhos fechados, porque e as pessoas realmente deram-me um feedback espetacular, porque realmente sabe bem respirar durante x minutos e voltar a fazer várias vezes durante o dia.
Uau.
E é uma excelente dica também de parentalidade.
Pronto.
Quando nós damos esse exemplo, se calhar as crianças aprendem muito mais facilmente do que se nós tentássemos impor respirar, dizer às vezes não adianta nada, mas praticar adiante totalmente, não é?
Sim.
Portanto eu acho que isso é precioso.
E é uma forma também de cuidarmos de nós próprios e se não estivermos bem, não vamos conseguir ser bons pais.
Claro.
Gracinha, muito obrigado por este tempo.
Nuno muito obrigado também.
Desculpe.
Mas foi precioso e enfim.
Espero poder repetir isto outro dia, quando tiver tempo para nós.
Obrigado pelo sábado e qualquer coisa que precise por favor dispunha está bem?
Prepare-se para 4 meses muito intensos! O rápido desenvolvimento motor, cognitivo e social e as possíveis regressões no sono e na alimentação, tornam este período um autêntico ponto de referência.
O bebé está mais atento, ativo e curioso
O seu pequenino procura perceber como é que o mundo funciona e adquirir competências que lhe permitam ter impacto no meio à sua volta. Ainda assim, é igualmente um período de muito foco e observação dos outros e do ambiente que o envolve.
Esta é uma fase de grande atividade social:
o bebé vocaliza;
palra continuamente para chamar a atenção;
ri espontaneamente (e não apenas por imitação) e…
grita muito durante as brincadeiras;
O bebé começa a distinguir o estranho do ordinário;
orienta-se para a voz da mãe e vira a cabeça para o som;
está atento a sons habituais (sejam produzidos perto ou longe) e…
reage a pessoas estranhas.
O corpo do bebé fica mais forte
Durante esta etapa, conseguir ficar sentado sem ajuda representa um marco muito importante. Inicialmente o bebé fica sentado inclinado para a frente, apoiado em ambos os braços e completamente imóvel. Com o tempo, será capaz de endireitar as costas e pouco a pouco liberta-se do apoio lateral conferido pelos braços, mantendo-se sentado por períodos prolongados. Só mais perto dos 8 meses é que o bebé se sente completamente à-vontade na posição de sentado, o que permitirá a exploração dos objetos com as duas mãos.
O fascínio pelas mãos
À medida que uma criança adquire um maior domínio do corpo, as suas mãos tornam-se cada vez mais excitantes para ela.
Por volta dos 6 meses consegue agarrar num objeto com uma mão e transferir para a outra;
Mais tarde é capaz de segurar em dois objetos (um em cada mão) e juntá-los;
Pouco a pouco deixará de usar somente a palma da mão para explorar o objeto com os seus dedinhos;
Separa gradualmente o indicador do polegar;
A destreza na pega em pinça é uma aquisição muito complexa, por isso, não admira que o bebé fique tão entusiasmado com esta nova habilidade e a pratique durante todo o dia.
Este interesse crescente pelas mãos contrasta com o desinteresse cada vez mais notório pelos pés, uma vez que o bebé passa menos tempo deitado de barriga para cima a observá-los.
O bebé começa (ou não) a gatinhar
Entre os 6 e os 10 meses, os bebés aprendem geralmente a gatinhar ou a deslocar-se de outra forma. Será importante aqui salientar que o gatinhar não é um marco necessário ao desenvolvimento da criança. Contudo, esta aprendizagem dá um enorme impulso à sua independência pelo que o bebé começará por arrastar-se de barriga para baixo e lentamente tentará erguer-se apoiado nos cotovelos e joelhos.
Quando o bebé começa a tentar coordenar as pernas e os braços, inicia o movimento para trás. Isto é frustrante para o bebé que se vê a afastar-se do objeto que tanto quer; aqui os pais poderão ajudar, dando um apoio firme (sem empurrar) com as suas mãos contra os pés do bebé, permitindo que se mova para a frente. Assim o bebé vai ficando apto a repetir o movimento para a frente sozinho.
Cuidados a ter
Nesta fase os pais precisam de proteger o filho da sua própria curiosidade. Recomendamos, por isso, que os pais se baixem, gatinhem pela casa e inspecionem todas as divisões, identificando e procurando soluções para potenciais perigos que o bebé possa querer explorar. Falamos por exemplo de tomadas que estão à vista, escadas que precisem de vedações, banheiras e/ou piscinas de fácil acesso, medicamentos ou substâncias perigosas que estejam ao nível do bebé dentro ou fora dos armários.
Ainda dentro deste assunto, será importante reforçar a questão da limpeza dos espaços, em particular do chão, porque para o bebé tudo se torna excitante, pegando e levando à boca tudo o que encontrar.
Ficar de pé – uma nova dimensão
Mais perto dos 9 meses, o bebé começa a pôr-se de pé, agarrando-se a qualquer coisa (uma mesa, uma cadeira). Quando está de pé agarrado, fica muito quieto; mas ele não quer ficar por aqui: o movimento é o seu objetivo final. O desejo de se pôr de pé e andar é inato!
Agora de pé, vê o mundo de uma forma diferente; o mundo já não é plano, o bebé acrescentou-lhe uma terceira dimensão. Isto estimula-o a esforçar-se permanentemente.
As conquistas motoras e a alimentação
As capacidades motoras recentemente adquiridas (o sentar, o pôr-se de pé, o agarrar em pinça) são importantes pontos de referência para o desenvolvimento que afetam todos os aspetos da vida de uma criança. Em particular, a alimentação e o sono; dois campos em que os objetivos dos pais e os do bebé podem entrar em desacordo.
Na alimentação, o mais pequeno quer divertir-se a agarrar os alimentos com os seus próprios dedinhos e poderá dificultar ou mesmo rejeitar que lhe deem a comida à boca; já os pais, querem que o seu filho se alimente de forma adequada e equilibrada.
O importante é valorizar esta nova aventura do bebé;
Dê ao bebé alguns pedacinhos de comida para que ele os explore, enquanto lhe dá o comer à boca;
Poderá também dar-lhe uma colher para ele explorar e brincar enquanto utiliza a sua para alimentá-lo.
O impacto no sono
Toda esta excitação e frustração provocadas pela aquisição de novas capacidades também se refletem no sono. É possível que o seu bebé passe a ter noites menos calmas; este é um retrocesso que precede um grande passo em frente.
Será importante nesta fase reforçar o ritual de ir para a cama, para que o bebé saiba que é mesmo hora de se ir deitar.
Manter sempre o mesmo horário de deitar;
Se necessário antecipar as rotinas de fim de dia para fazer tudo com mais calma e assegurar maior tranquilidade para o bebé;
Para além da sequência dos atos que o bebé aprende a reconhecer (por exemplo: banho, vestir pijama, comer, lavar dentes/gengivas, dormir) e lhe transmitem segurança e serenidade pode também acrescentar outros elementos securizantes:
uma música de embalar que habitualmente canta para o bebé;
o seu boneco preferido ou um pano para se aconchegar;
falar baixinho para o bebé com frases meigas como “faz ó-ó bebé, a mamã/papá está aqui”, que vai repetindo e vão embalando o bebé.
As brincadeiras
Estes surtos de desenvolvimento tornam as brincadeiras e jogos mais divertidos também para os pais. Assim, será uma fase providencial para que brinquem juntos, de acordo com as preferências de ambos.
Poderá observar como o seu bebé já tapa e destapa um brinquedo com um lençol;
Faz sons quando o objeto reaparece ou procura um objeto que caiu; o que demonstra que está a adquirir a noção de permanência do objeto.
Brincadeiras e outros jogos repetitivos são também um modo de o bebé começar a testar e a desenvolver expetativas.
A noção causa-efeito é também um novo conceito que começa a surgir: o bebé aprende como o mundo funciona.
Fascina-se com simples mecanismos abrir e fechar algo, atirar ao chão e a mãe apanha, empurrar o carrinho e ele move-se.
Para saber mais sobre como brincar com o seu filho entre os 6 e os 10 meses, recomendamos o nosso Top 10 Brincadeiras e Estímulos com sugestões específicas para esta fase.
Conheça as 10 melhores brincadeiras e estímulos para fazer com o seu bebé desde o nascimento até aos 6 meses, com a garantia do Gymboree Play&Music!
Neste início de vida está a desenvolver-se a calma, o interesse e a curiosidade do seu bebé pelo mundo ao seu redor; são meses de muita descoberta do próprio, do outro e do envolvimento. Estas são brincadeiras simples, divertidas e muito estimulantes, que poderão fazer juntos e que ajudarão estreitar os laços afetivos do adulto e do bebé.
Então este vídeo é para si, eu sou a Carolina e vou apresentar de top 10 brincadeiras e estímulos para bebés até aos 6 meses.
Nestes primeiros meses de vida do bebé o que ele mais precisa é de si, e tem em si tudo o que seu bebé precisa para estar bem nestes primeiros dias em que se estão a conhecer, descobrir se a vós próprios, o bebé que conhece melhor o adulto que cuida dele e o próprio adulto que se descobre a si num novo papel.
Nestes primeiros meses está a desenvolver-se a calma, o interesse e a curiosidade do bebé pelo mundo à sua volta, enquanto brincam vão poder estreitar o vosso laço efetivo e isso servirá de base para as novas descobertas e conquistas que aí vêm.
Vamos então ver as 10 melhores brincadeiras para o seu bebé até aos 6 meses.
Bom, é a primeira dica de brincadeira, a sugestão que vos faço é que dancem juntos, com o seu bebé ao colo, procurem um momento em que está tudo calmo e que possam aproveitar para se embalar um ao outro para relaxar, para descontrair e para saborearem este momento. Que pode demorar o tempo que o bebé deixar e quiser, que pode observar algumas respostas por parte do seu bebé.
Mesmo muito pequenino, pois ele abrirá mais os olhos ou poderá mexer um pouco a sua mão quando ouve sua voz, quando sente o seu cheiro e quando é embalado.
Ponha uma música que goste, ou cante para o seu bebé uma música que até se pode recordar ainda da sua infância. O importante é que desfrutem deste momento, que embale o seu bebé, que lhe permita também sentir movimentos diferentes que estará a estimular assim o seu sistema vestibular, o equilíbrio do seu bebé.
Quando se desloca e por tanto através do movimento do bebé, desenvolve também a sua motricidade.
E esta é a nossa dica número 2 para brincar com seu bebê até os seis meses.
Não vai precisar de mais nada, a não ser de si, das suas expressões faciais divertidas, da sua voz que pode ir variando o volume e assim despertar a curiosidade e o interesse do seu beber e desenvolver a sua comunicação, aos poucos e poucos o bebé vai começando a prestar mais atenção às palavras que lhe fala e vai começar a memorizar pequeno sons, que depois poderá devolver-lhe e vai ficar surpreendido de ver como o bebé já consegue pronunciar pequenas sílabas. Coisas simples como lhe dizer “bruuuuu, é um carro!” enquanto olham pela janela do quarto repetitivos e repetir o som várias vezes “brrrrrr”, o carro, o carro a apitar. Como faz? “Pipiiiii”, é um carro!
Converse bem com seu bebé, use as palavras adequadas, faça sons divertidos e vai ver como o seu bebé se entusiasma nestas comunicações. Ou de manhã, dizer-lhe um olá divertido a cantar.
Olá como estás? E como é que vais? É tão bom ver te hoje!
Olá como estás?
Olá meu bebé! Olá olá olá!
A repetição é também uma chave para o sucesso.
E vamos à dica número 3.
Desta vez para estimular o equilíbrio do bebé.
A acompanhar também. Ohh enganei-me! Então vamos repetir!
Ao mesmo tempo que o bebé vai ao fazer esta brincadeira desenvolver o seu equilíbrio, estará também a fortalecer as suas costas e força no pescoço.
E o que é que vamos precisar?
De uma bola de praia, ligeiramente vazia.
Vamos colocar o bebé por cima da bola. Com a sua barriga e peito apoiados, os braços colocados para a frente. E vamos manter contacto visual com o nosso bebê para que ele esteja confiante na brincadeira e ligeiramente vamos fazendo movimentos lado a lado, para a frente e para trás. E convém manter esta atenção aos sinais que o bebê dá. Como está o bebé a reagir à brincadeira.
Se notarem desconforto, basta então segurar novamente o bebé no colo e deixar o bebé descansar um pouco, para depois retomar à atividade.
E aqui vamos nós para a quarta dica de brincadeira para os bebés até aos seis meses. Continuamos a usar a bola de praia ou uma outra bola que tenham por casa.
Desta vez para estimular a coordenação hormonal do seu bebé.
Com esta ou com outra bola poderão jogar a bola um para o outro, estando o bebé apoiado e colocando a bola ao seu alcance.
Poderão fazê-lo como o disse, com o bebé apoiado no seu colo ou então deitado à sua frente, vamos mostrar a bola ao bebé e estimular, incentivar o bebé a alcançar a bola, colocamo-la a uma distância de 20 centímetros para reconhecer o objeto.
E colocando-a próxima das suas mãos, vamos estimular o bebé a agarrar a bola e assim coordenar o movimento da sua mão, com o que os seus olhos vêem, neste caso a bola.
Poderão também, suspender umas bolas com uns fios e assim incentivar o seu bebé a agarrar a bola, a querer tocar-lhe.
Os bebés adoram brincar com bolas!
Dá cá mais 5 Gymbo!
Vamos à quinta brincadeira.
Vamos precisar de um espelho que possam colocar no chão e com ajuda da manta enrolada, colocar o bebé deitado de barriga para baixo assim a fortalecer músculos do tronco, pescoço e dos seus braços e vamos juntar umas bolas ou outro brinquedo que o bebé goste especialmente, estamos a desenvolver também o laço afetivo, uma vez que mantém o contacto visual através do espelho, será muito divertido também observar como o bebé acompanha a bola em movimento pelo espelho. Podem ainda juntar alguns sons. Fazer “cú cú!”
Onde está o bebé? Cú cú
É a mamã e o bebé no espelho!
E esta é a dica número 6!
Vamos usar a lanterna para estimular a visão do bebé, com a lanterna ilumine a palma da sua mão. Desloque-a de um lado para o outro.
Assim estamos estimular a visão do bebé, uma vez que existe aqui o contraste da luz numa zona não iluminada. E desta forma o bebé está a desenvolver a sua capacidade de focar cada vez melhor, de conseguir distinguir cada vez mais cores.
Este é um processo lento até mais ou menos perto de um ano, a visão do bebé a desenvolver passo a passo, poderá iluminar também o seu rosto mas por poucos segundos, que é para o bebé não estranhar a diferença que é no rosto da mãe ou do pai. E continuar a conversar com o bebé para não fazer então tanta confusão.
E vamos à brincadeira número de sete.
Desta vez, para estimular a consciência corporal e também para ajudar o bebé recém-nascido, muitas vezes a libertar-se da sua posição fetal, por tanto vamos ajudar o bebé a esticar os seus braços as suas pernas, no fundo a ajudá-lo a tomar por mais conhecimento sobre o seu corpo.
Do princípio e do fim. Pois agora fora da barriga da mamã, é um ser separado de outro e o bebé vai ganhando esta consciência aos poucos e poucos através das brincadeiras do toque que lhe fazemos, neste caso a esticar e vamos acompanhar a brincadeira com uma música.
Esta brincadeira será para estimular o sorriso do seu bebé. Ali perto dos dois meses, é muito comum observar o bebé a sorrir.
Usei uma cartolina preta e com um lápis branco desenhei um sorriso. Desta forma, com o papel preto e o desenho a branco, é fácil do bebé desde logo muito cedo conseguir observar e distinguir bem a imagem.
Visto que o bebé nos primeiros dias tem preferência por tanto por cores branco, pelo preto e pelo contraste entre estas duas cores. E também gosta muito de formas redondas e assim mostrar ao bebé, à distância de cerca de 30 centímetros, para o bebé conseguir ver bem, sabemos que os bebés reagem de forma mais positiva às caras sorridentes e a dica é que, riu muito, que se divirtam a brincar com os sorrisos.
E vamos à brincadeira número 9, para estímulos aos bebés até aos 6 meses.
Pode se divertir com o seu bebé, também com brincadeiras sonoras para estimular a audição do bebé.
Este é um dos sentidos que já está bem desenvolvido à nascença, uma vez que o bebé dentro da barriga da mãe já ouve vários sons e é capaz de os reconhecer cá fora, por isso vale a pena cantar músicas e reproduzir alguns dos sons também do ventre materno para acalmar o seu bebé.
Para esta brincadeira vai precisar de uma garrafa de água vazia e depois colocar algumas miçangas coloridas, garantir que na zona da tampa da garrafa ela está bem selada com uma fita cola por exemplo, e ainda usar algumas fitas para decorar também esta garrafa e tornar assim o objeto mais atrativo. Pois esta brincadeira é um estímulo auditivo mas também visual, em termos da audição vai estar a desenvolver a capacidade de o bebé, identificar a origem do som e neste caso brincamos com o bebé, hora de um lado e hora do outro.
E realmente até deslocamos o objeto, fora da visão do bebé, porque o bebé realmente procure o som da garrafa, pode juntar ainda uma música à brincadeira, por exemplo sobre a chuva.
E chegámos à brincadeira número 10.
Esta brincadeira vai ao encontro da estimulação tátil.
Assoprar.
Uma brisa suave.
Enquanto brincam dentro de casa, é também uma maneira de se imaginarem num passeio na rua.
E vamos soprar várias partes do corpo do bebé, pois assim também ajuda à consciência corporal.
O bebé vai tomando conhecimento acerca do seu corpo. Neste contacto com o meio envolvente e com quem cuida do bebé e poderão ainda usar uma fraldinha do bebé para fazer um movimento como se o vento estivesse aqui.
E é também um estímulo visual para o bebê acompanhar a fraldinha em movimento, como o vento.
Os cabelos do bebé, a orelha e ainda no pé.
E o que é ainda mais divertido é poderem soprar em zonas que são menos expostas, como por exemplo os espaços entre os dedos dos pés, das mãos e soprar cada pedacinho do corpo do bebé, que vos ajuda também a manter esta relação de proximidade e permite vos, conhecer coisas novas no bebé que nós não conseguimos ver logo à primeira vista. E portanto o laço afetivo também se fortalece.
E foi este o nosso top 10 brincadeira e estímulos para os bebés até aos seis meses.
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No que ao universo das famílias diz respeito, o tempo dos ponteiros do relógio é o que mais conta.
São muitas as famílias que veem o tempo não chegar para tudo o que gostariam de fazer ao longo do seu dia, vivendo num malabarismo constante entre as tarefas do trabalho, da casa e os filhos. O tempo parece escapar das mãos e andamos sempre a corre atrás dele.
Isso também é verdade quando constatamos o quanto os filhos cresceram! Ouvimos muitas vezes os pais dizerem “O tempo voa!” , “Ó tempo vai mais devagar!”. Isto deve soar-lhe familiar não é?
Os pais desejam tempo de qualidade com os seus filhos, para se poderem demorar em longas brincadeiras e refeições calmas e sem horas, e tendem a esperar pelo tempo das férias ou daquele fim-de-semana prolongado, para o poderem fazer e desfrutar de um bom tempo com os seus filhos.
Sabia que não tem de esperar mais? Pode começar já hoje a aproveitar ao máximo os minutos que tem com o seu filho.
Oiça aqui a opinião da Psicóloga Inês Afonso Marques da importância de 15 minutos de brincadeira por dia com o seu filho e como esse tempo especial tem impacto na vossa relação, no autoconhecimento da criança, no seu autocontrolo e regulação das suas emoções, como lhe permite a si, pai, conhecer mais o seu filho, os seus gostos e preferências, descobrir a palavra nova que ele já sabe dizer e poder ensinar-lhe outras novas, sem dar pelo tempo passar…
E até mesmo um momento rotineiro do dia pode ser especial e a criança pode tornar-se mais cooperante na realização dessas tarefas quando lhes adicionamos uma boa dose de diversão.
Sabe como tornar uma rotina divertida?
Como envolver as crianças nas tarefas domésticas?
A participação das crianças nas tarefas da casa é algo que lhes dá prazer, pois gostam de imitar os adultos. Esta é uma forma de juntar o útil ao agradável.
Veja aqui as nossas dicas em vídeo sobre o envolvimento das crianças nessas tarefas, como limpar, aspirar, arrumar e cozinhar.
Aproveitem bem os dias para muitas brincadeiras com as crianças. Contem-nos como tornam o vosso dia-a-dia especial!
Um fim de semana confinado com brincadeiras sem fim
O verão já la vai, os dias estão mais curtos, mas os dias bons e amenos do Outono ainda não foram embora! É uma boa oportunidade para fazer pequenos passeios em família, ainda que limitados pela não circulação entre concelhos neste fim de semana, e aproveitar os cenários bonitos desta época do ano.
Esteja no campo ou na cidade aproveite o fim de semana ao ar livre. É hora de tirar os olhos da televisão e olhar ao redor. Desligar o computador e o telemóvel e conectar-se com os seus filhos e com a natureza, e aproveitar as nossas dicas de brincadeiras de Outono.
Como podemos aproveitar um dia de Outono da melhor maneira?
Mantendo-se a tradição, com a chegada do Outono, as árvores de folha caduca seguindo o seu processo fisiológico começam, por isso, a perder a folha, criando coloridos mantos pelas ruas e parques. As árvores ficam “despidas” deixando visível toda a sua copa.
O Outono é, assim, a altura para ver as árvores mudar de cor, testemunhar a sua passagem de verde para uma incrível paleta de cores que vão do amarelo ao vermelho, passando por tons de dourado e castanho. Para aqueles que gostam de plantas, conhecer as variações de uma árvore, é um passatempo e tanto. Por que não começar por aí?
Sair à rua e passear pela Natureza é uma atividade para toda a família. Durante o passeio desperte ainda mais a curiosidade do seu filho. Conhecem bem as árvores? Que nomes têm? Que folhagem apresentam? Conseguem combinar as folhas que encontram com as árvores pelas quais passam?
Vamos recolher folhas?
Por que não escolher uns belos exemplares de folhas caídas para levar para casa? São grátis, e há inúmeras atividades que se podem fazer com folhas, portanto, toca a ativar essa criatividade:
Pintar as folhas e utilizá-las como carimbos em papel, tecido ou, quiçá, na parede? (Ups!)
Aproveitar as texturas e colar as folhas à parte de trás de um papel, posto isto, com lápis de cera pintar por cima e, assim, descobrir as suas formas.
Simplesmente colocá-las dentro de um livro para, possivelmente, mais tarde recordar!
Fazer objetos decorativos e presentes (Imaginação a trabalhar).
Desenhar os seus contornos em papel…
Fazer colagens com várias folhas!
Construir um espanta-espíritos com as folhas mais resistentes, boa ideia?
Criar personagens. Compre olhos adesivos, desenhem as bocas e, logo, vejam o quão divertidas poderão ser as “pessoas folha”!
Usar fita cola ou um fio para unir várias folhas numa corrente, pendurá-las junto ao vidro e, surpreendentemente, terão uma decoração bonita e original na janela da sala!
Têm um escorrega em casa? Se recolher um grande número de folhas pode pô-las no final do escorrega e deixar que o seu filho desça direitinho a elas, numa espécie de mini parque de diversões, animação garantida providenciada pela Natureza.
As hipóteses não acabam! E que bom que é brincar com o que a Natureza nos dá!
Esta é a dica extra!
Fuja à rotina e ao ritmo do dia a dia. É importante os pais envolverem-se na brincadeira das filhos, dentro e fora de casa. Os adultos às vezes esquecem-se que não é só dizer “façam”, “vão”, “experimentem”. Os pequenos precisam de quem dê o primeiro passo, portanto, que o adulto dê o exemplo!
Alinhe então nos desafios propostos, as dicas para um fim de semana de Outono em família não só o ajudarão a relaxar como unirão a família, e ajudarão a estimular a criatividade e a imaginação das crianças. Enquanto envolvidas pela Natureza vão aprendendo sobre aquilo que as rodeia.
Finalmente, as atividades deste género ajudam no desenvolvimento físico, cognitivo e artístico. Já para não falar que, nestes passeios por montes, vales e parques, além das muitas histórias que poderão contar pelo caminho, serão criadas recordações inesquecíveis para toda a família!
Todos os dias têm coisas boas que merecem ser partilhadas.
Partilhem connosco as vossas histórias mais divertidas e mostrem-nos as vossas obras de arte de Outono.
Nada enche mais os nossos corações do que as gargalhadas dos nossos filhos.
Sabia que rir juntamente com o seu filho desempenha um papel muito importante no desenvolvimento da sua auto-estima? Outro benefício é que ficará mais apto a resolver problemas e conseguirá aprimorar as suas competências sociais.
Para desenvolvermos o sentido de humor dos nossos filhos, também temos de ter um bom sentido de humor! E como o desenvolver?
Coisas tão simples como rir de si mesmo quando entorna a sua caneca de leite envia uma mensagem ao seu filho de que não há nenhum problema em cometer erros. Tal como não há problema em rir desses mesmos erros.
Se consegue rir quando comete um erro, está a demonstrar-lhe que consegue aceitar a sua imperfeição. Isso faz com que a ideia de se levantar e tentar novamente, quando cai, seja menos intimidante para o seu filho, e é mais provável que continue tentando, quando cai. Como bem sabe, também devemos encorajar o fracasso porque desperta novas aprendizagens!
As crianças oferecem-nos muitas oportunidades para um riso fácil (às vezes inconscientemente!).
É importante encorajar o riso e sermos o melhor público possível respondendo à sua tentativa de humor. Pode não achar que é engraçado bater na parede mas, se isso os faz rir, continue a bater!
Então, vamos encorajar os risos dos nossos filhos fazendo caretas e sons engraçados. Reconheçamos: os nossos filhos só vão pensar que somos engraçados por um período de tempo bastante limitado!
Eis algumas das nossas formas preferidas de conseguir risadas dos nossos pequeninos:
Infantil
Caretas engraçadas: Abra bem os olhos, puxe as bochechas e deite a sua língua para fora. Com esta atividade, o mais importante é provocar o riso do seu filho, que deverá obter em resposta ao que está a fazer. Ele eventualmente tentará copiá-lo.
Jogo da surpresa: Mude a sua expressão facial toda vez que disser “Buuu!”. Depois dos 4 meses, os bebés adoram o elemento surpresa!
Sons engraçados: crie os seus próprios sons ou copie os ruídos do seu filho enquanto sorri e ri para reforçar que o comportamento é engraçado.
Criança
Rimas engraçadas: “Vem para aqui, Javali!”, “Dá-me um beijinho, golfinho!” ou “Fora da porta, sua orca!”
O inesperado engraçado: Pegue no seu pé e finja fazer um telefonema idiota. Coloque uma tigela na sua cabeça e diga que é um chapéu.
Pré escola
Vozes diferentes: Ao ler para o seu filho, altere as vozes de cada personagem. Quanto mais tola a voz, melhor!
Vestir-se mal: Incentive o seu filho a vestir as suas roupas e finja que veste as dele. Eles vão achar engraçado só o facto de tentar vestir as roupas dele.
Comida engraçada: torne a comida do seu filho engraçada, fazendo um sorriso na sua omelete ou panqueca. Ou transforme a sua sandes numa boca falante!
Chegámos ao último mês de 2018, e já só se pensa e só se fala em Natal, mas nós sabemos que há por aí muita criançada a fazer anos em Dezembro.
Ora, se cada aniversário é a conclusão de uma etapa e o início de outra nova e diferente, porém, igualmente importante. Todas as fases do crescimento de uma criança são fundamentais! E, nada melhor do que comemorar mais um aniversário em grande. Crianças que brincam são mais felizes, e serão adultos bem sucedidos do futuro!
Que tal uma festa de anos no Gymboree?
Escolha o tema favorito do seu filho e nós criamos uma festa de anos privada, personalizada e apaixonante. Garantimos uma experiência 100% divertida e inesquecível para o aniversariante e os seus convidados. A limpeza, contudo, fica por nossa conta! As festas de aniversário Gymboree estão disponíveis para membros e não membros.
Alguns temas que propomos:
Deixe o seu filho contagiar-se pela adrenalina de um… Safari na selva ou, igualmente, numa Aventura no oceano! Que tal uma divertida Festa de música? Ou uma arrepiante Aventura com dinossauros? Também podemos lançar os mais pequenos numa exploratória Volta ao Mundo. Que tal?
Falta pouco mais de um mês para o Natal e as decorações alusivas à época já estão por todo o lado… assim como anúncios, promoções e apelos à compra antecipada dos presentes.
Para as crianças esta é uma época de magia mas, para os pais, pode ser um verdadeiro pesadelo no que toca a gestão de expectativas… e do orçamento familiar. A psicóloga Cláudia Morais explica-nos, numa entrevista esclarecedora, como é que pais e educadores devem lidar com a antecipação desta época… sem quebrar o encanto do Natal… e a conta bancária.
Novembro ainda agora começou e os ‘alertas Natal’ estão por todo o lado. Quando é que se deve começar a falar de presentes e de que forma?
É possível falar de presentes de Natal durante o ano inteiro, desde que o façamos da forma certa. Aquilo que não faz sentido – em momento nenhum – é utilizar o assunto para subornar a criança, com o objetivo de a incentivar a “portar-se bem” ou a fazer as escolhas que gostaríamos que ela fizesse.
Os presentes de Natal são uma excelente oportunidade para aplicarmos a parentalidade consciente, desde que nos mantenhamos atentos aos nossos valores e às nossas genuínas intenções na educação dos nossos filhos.
Por exemplo, se escolhermos mostrar-lhes a importância do respeito pelas nossas próprias necessidades, o mais provável é que isso nos leve a gastar apenas aquilo que podemos, sem exageros.
Se quisermos mostrar-lhes o nosso amor incondicional, podemos explicar que esta é só mais uma forma de manifestação de afeto mas que não é a única e que muito menos está relacionada com o comportamento da criança. Os pais, o Pai Natal ou o Menino Jesus gostam de cada criança independentemente dos seus sucessos ou insucessos.
«É importante que reflitamos sobre a importância de dizer ‘não’»
Qual é a melhor forma de ensinar uma criança a escolher um presente? O que é que se deve explicar?
A escolha vai sobretudo traduzir os valores de cada família. Se, para os adultos, a aceitação social for mais importante do que qualquer outra coisa, o mais provável é que a criança seja incentivada – direta ou indiretamente – a escolher os presentes mais caros, como se o seu próprio valor dependesse disso.
Se o foco estiver no espírito de partilha, o mais provável é que os pais incentivem a criança a valorizar a intenção de quem oferece, mesmo que não receba exatamente aquilo que esperava.
É importante reforçar a mensagem de que o valor da criança é independente destas ofertas e que o amor que os adultos sentem não é mensurável pelo número de presentes.
Como é que se deve explicar às crianças o significado do Natal? e para quem não é religioso?
Talvez não seja por acaso que o Natal é celebrado por tantas pessoas que não têm qualquer papel religioso. O Natal é, sobretudo, uma grande oportunidade para se criarem rituais familiares, tradições que potenciem a união. É por isso que também é uma época que convida a alguma reflexão e que, de uma maneira geral, nos ajuda a ponderar sobre algumas escolhas e facilita a aproximação às pessoas que são importantes para nós.
Cada família tem os próprios valores e tradições e tem nesta altura do ano a possibilidade de refletir sobre aquilo que quer transmitir aos filhos. É importante que reparemos no facto de “explicarmos” o significado do Natal quer verbalmente, quer através das escolhas que fazemos.
E quando as crianças pedem presentes caros? Como é que se diz ‘não’?
É absolutamente natural que uma criança peça e deseje ter um presente caro. E também é natural que os pais e mães se sintam angustiados perante a impossibilidade de gastarem muito dinheiro.
Mas, mesmo que o orçamento o permita, é importante que reflitamos sobre a importância de dizer ‘não’ e sobre a importância de lidarmos, desde cedo, com a frustração.
Isso passa por ensinar aos nossos filhos que o nosso valor não se mede a propósito das coisas que possuímos, por mostrar-lhes que os nossos desejos não são as nossas necessidades e por conversarmos com eles sobre a importância de fazermos escolhas que traduzam as nossas intenções.
Perguntar ‘Para quê?’ pode ser desencadeador de algumas surpresas. ‘Para quê que eu quero isto? Para me sentir bem? Para agradar/ impressionar alguém? Para mostrar o meu valor?’.
Dizer ‘não’ não tem de ser dramático, sobretudo se se explicar à criança que essa escolha tem um propósito. Quando o pai ou a mãe escolhe não gastar mais do que determinado valor com um presente também está a ensinar aos filhos – de forma prática – a importância do respeito pelas próprias necessidades.
Os avós/padrinhos/tios podem oferecer o que lhes apetece? Como fazer essa gestão sem ofender ninguém e sem que a criança fique ‘mergulhada’ em presentes?
Cada família tem as suas “regras” que, na prática, refletirão os seus valores e os seus laços. Se as relações familiares forem pautadas pelo respeito mútuo, o mais provável é que os adultos consigam chegar a acordo sem tensões.
O Natal também convida à flexibilidade, à paciência e à compaixão. Às vezes, os avós, os tios ou os padrinhos não têm propriamente a intenção de desrespeitar ninguém. Têm apenas a intenção de mostrar todo o seu amor. Os pais e mães têm sempre a oportunidade de, por exemplo, guardar alguns presentes e oferecê-los às crianças noutras alturas do ano com o objetivo de as ajudar a valorizá-los.