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Lanches de Verão_10 sugestões saborosas e saudáveis

Pegue na lancheira!

O bom tempo de Verão convida a passeios ao ar livre com lanches saborosos e de preferência saudáveis, para apreciar a natureza com calma e para as crianças poderem explorar o ambiente livremente.

Seja numa ida à praia, numa caminhada pelo campo ou num passeio ao parque,  aproveite para levar a lancheira recheada de coisas boas e saudáveis que façam as delícias dos miúdos e dos graúdos.

Temos algumas sugestões de comidas coloridas, saborosas e saudáveis que podem juntar ao menú do próximo piquenique com a família e amigos.

O piquenique é mais um momento de encontro e convívio familiar, que permite a todos desfrutar desse tempo com calma e alegria. Esses momentos sem pressa são benéficos para a harmonia familiar, mas também para a própria educação alimentar, ou seja, para a forma como saboreamos a comida e a apreciamos e como mostramos às crianças desde cedo, que podemos fazer boas escolhas alimentares, saudáveis e saborosas, associadas a bons momentos de prazer e alegria.

Como dizia a Professora Ana Rita Goes nesta entrevista, é muito importante colocar a tónica na forma como o fazemos e não só no que comemos.

Dica light, mas de ouro:

Uma dica para ajudar a criança a apreciar a comida com gosto especial pelas escolhas saudáveis, passa por envolvê-la na preparação dos lanches:

Façam uma salada de frutas ou uma espetada de frutas juntos, peça à criança para rasgar a alface que vai entrar na sua sanduiche…
Além de ser divertido, isso pode ajudá-la a apreciar a refeição.

O que levar na lancheira?

1. FRUTA. Pode escolher entre uma variedade grande de frutas disponíveis neste época do ano, podendo diversificar nas texturas, formas, cores e sabores, e dando assim (sempre que possível e adequado à idade da criança) a possibilidade da criança experimentar alguma fruta que nunca tenha provado.

E às vezes, variar na apresentação da fruta, na forma como a cortamos, também lhe dá um outro aspeto mais divertido e quem sabe mais vontade de comer:) Pois os olhos também comem!

melancia estrela2watermelon

Lanches de Verão_10 sugestões saborosas e saudáveis 1

 

 

 

 

 

fontes: https://www.1001gardens.org/watermelon-pizza/ ; https://pt.dhgate.com/product/chic-simple-slicer-watermelon-cutters-watermelon/410750435.html; https://www.herbanutricao.com/info/info/4406/119/palitinhos-de-legumes-com-molho-cremoso

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), há evidências de que a ingestão de fruta diminui o risco de diabetes e obesidade.

2. TIRAS OU PEDAÇOS DE VEGETAIS. Cenoura ou pepino crus, brócolos, couve-flor ou curgete cozidos.
Experimente fazer um molho de iogurte ou de queijo meio-gordo para que a criança molhe os pedaços de vegetais.
Vai ser uma experiência diferente que pode ajudá-la a apreciar os vegetais.

Mais uma vez, envolva a criança, sempre que possível, na preparação dos alimentos. Com a devida supervisão e ajuda dos adultos, a criança poderá ajudar a descascar a cenoura ou a separar os brócolos, por exemplo.

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3. BOLACHAS DE ÁGUA E SAL, MARIA OU INTEGRAIS. As bolachas são sempre práticas, mas evite que sejam a sua única opção para os lanches.

4. FRUTOS SECOS e FRUTOS GORDOS (SEM SAL). Passa, ameixa, nêspera, figo, amêndoa, amendoim, noz, avelã, pinhão, pistácio, caju…

5. MINI PIZA . Com um disco de pão pita integral ou uma fatia de pão de forma integral, tomate, queijo e orégãos. Acrescente vegetais para torná-la
mais nutritiva! Espinafre, brócolos, beringela, milho, entre outros.

6. ROLINHOS DE QUEIJO E FIAMBRE DE PERU. Pode ser servido com frutas, como ananás e melão. Lembre-se que o fiambre não deve ser um alimento de consumo diário, mas sim ocasional. Opte por aqueles com menor quantidade de sal.

7. SANDES OU TOSTAS. Com pão ou tosta integral ou de mistura. Pode ser uma bolinha, pão de forma, pão pita…Use a imaginação para variar nos recheios e fazer sandes divertidas. Além dos tradicionais queijo, fiambre e manteiga (ou creme vegetal), pode optar por
variar com: queijo fresc0 meio-gordo com tomate e orégãos; queijo creme e fiambre de peru; atum com um pouco de molho de iogurte, milho e alface;
requeijão meio-gordo com cebolinho ou espinafre cozido …

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8. PANQUECAS DE BANANA. As crianças adoram comer panquecas, pois são fáceis de agarrar, com textura suave e fácil de mastigar, pelo que mesmo os mais pequeninos as devoram! Pode espreitar esta e muitas outras receitas saudáveis de panquecas, muffins, bolos e tantas outras opções de refeições para a família na página Põe-te na linha da nutricionista Maria Gama.

Receita:

– 200g de farinha de aveia
– 2 bananas maduras
– 2 ovos
– 100ml de bebida vegetal, leite ou água

– Juntar todos os ingredientes numa tigela grande e levar a uma frigideira antiaderente bem quente e colocar a quantidade de massa que desejar .

9. GELADO. Quem não gosta de um gelado fresquinho no Verão? Sabia que pode preparar o seu gelado em casa, e com a ajuda do seu filho esse gelado saberá ainda melhor? Pode ler aqui as nossas sugestões de gelados caseiros e fáceis de fazer: https://gymboreeclasses.pt/lifestyle/os-miudos-querem-sempre-gelado/

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10. PARA BEBER. A água ou o leite são as melhores opções. O leite deve ser gordo até aos 2 anos de idade e meio-gordo a partir dos 2 anos de idade. Também pode ser substituído por bebida de soja natural, enriquecida com cálcio (“leite de soja”), quando necessário.
Para variar, um copo de sumo de fruta natural ou um batido com leite meio-gordo e uma porção de fruta.

Preparem a vossa lancheira atendendo às idades das crianças e às respetivas restrições alimentares, aos seus gostos especiais e ousem experimentar coisas novas!

Divirtam-se muito a saborear bons momentos com a família e os amigos!

Bibliografia:

Folheto Papa-Bem: https://papabem.pt/wp-content/uploads/2019/01/18-PapaBem_Lanches_Saudaveis_1_5_anos.pdf

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Como educar crianças ecológicas

Como educar crianças ecológicas?

Celebrou-se no passado dia 5 de Junho o Dia Mundial do Meio Ambiente e ainda esta semana, no dia 8, assinalou-se o Dia Mundial dos Oceanos. Duas datas importantes que nos recordam a importância das nossas atitudes para cuidar da nossa casa mãe.

Há uma pergunta que atravessa séculos e gerações – como serão as crianças do futuro?

Será que aprenderão a ler e a escrever em tablets? Brincarão na rua? Serão bilingues? Poliglotas?

É impossível prever o futuro, mas há algo que aprendemos com o presente e que será para sempre válido – as crianças são um reflexo da educação dos seus pais, familiares, educadores. Seja qual for o tema, quem partilha essa maravilhosa tarefa de educar conhece bem o seu potencial na construção do comportamento infantil.

Educar crianças ecológicas é um dos grandes desafios do presente e do futuro. Educá-las para uma consciência ecológica e um estilo de vida sustentável deve fazer parte da lista de ensinamentos de todos os educadores. Ensiná-las como poupar água em casa, por exemplo, contribui para o futuro do planeta e para o futuro delas. Eis 5 ideias infalíveis que elas vão adorar!

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(imagem retirada de homehunting.pt)

Crie regras e brincadeiras ecológicas em casa

Ensine-lhes todas as regras da reciclagem ou como poupar água por toda a casa. Para envolver o reguila, competições são um bom truque. Quem toma banho mais rápido? Quem reciclou mais papel esta semana? Outra ideia é recriar novos objetos a partir da reciclagem – um brinquedo novo, criado com poucos recursos, serve também como uma ótima lição de vida.

Incentive-os a brincar ao ar livre

Se os seus filhos passam os finais de dia e os fins de semana fechados em casa, eles certamente não vão estar tão ligados à natureza como as crianças que passam a vida a brincar na rua e no parque. Tentem sair sempre que possam e planeiem aventuras ao ar livre. Deixe-os encher os bolsos de pedras e folhas, rebolar na relva, abraçar as árvores.

Dê o exemplo

As crianças estão sempre atentas ao comportamento dos pais, ao serem o fio condutor dos primeiros anos da sua vida e aprendizagem. Como eles são peritos a repetir comportamentos – bons e maus – não há melhor maneira de os ensinar do que dando o exemplo.

Construam um ecoponto em casa

Utilizem 3 caixas ou sacos e identifiquem-nos com desenhos e respetivas cores para fazer a separação do lixo pelo amarelo, verde e azul. Aqui encontra mais informação para ajudar e ensinar a reciclagem às crianças.

Tenha uma horta em casa

Se não tem um quintal, criem um dentro de casa. Cultivem flores, ervas aromáticas, frutas e legumes. Os seus filhos vão aprender imenso sobre o processo de plantação e de colheita, sobre a importância de cuidar do seu pequeno jardim e até despertar para uma alimentação saudável, já que vão querer comer o que plantaram. Complemente esta ideia com idas regulares ao mercado e jogos sobre as frutas da época.

Leiam livros sobre a natureza

Todas as histórias infantis estão repletas de mensagens inspiradoras e uma moral universal que eles vão perceber. Tentem escolher livros que promovem a proteção da natureza e guardam uma mensagem positiva sobre tudo o que podemos fazer para a conservar. Ou façam um!

E já conhece a nova linha Eco + da Chicco? Acabada de lançar, os brinquedos são produzidos com materiais reciclados e as embalagens também são todas recicláveis.

Gostaria de ver mais actividades? Conheça o nosso programa online.

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Brincadeiras de Verão (0-12 meses)

Verão

Entramos em Junho e está perto o início do Verão.
O tempo quente apela a brincadeiras na rua, no jardim, na praia. E de preferência, as melhores brincadeiras de Verão são aquelas que metem água!

Cuidados a ter com o sol e com a água

Nunca é demais relembrar os cuidados a ter com as crianças no que diz respeito ao calor e à exposição solar. Leia mais sobre isso aqui.
E pode ainda consultar aqui as orientações da DGS para as medidas de segurança no Verão.
E no que diz respeito ao meio aquático também é muito importante atentar nos cuidados de segurança a ter com as crianças na água ou perto dela. 

Os amigos de quatro patas

E também não esquecemos os amigos de quatro patas!
Veja aqui os conselhos do Veterinário André Santos da Clínica Veterinária do Restelo para os cuidados a ter com os animais antes e durante o período de férias.
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As melhores brincadeiras de Verão

Preparámos para si uma seleção das melhores brincadeiras de Verão para fazer com os mais pequenos.

Estas brincadeiras são sugeridas para os bebés desde o nascimento até aos 12 meses.

O bebé recém-nascido pode parecer ainda incapaz de fazer muita coisa, mas já apreende muita informação do mundo envolvente através dos seus sentidos. Um recém-nascido é na realidade um ser fascinante: os seus sentidos estão em desenvolvimento, está focado nos adultos cuidadores e mostra-se curioso pelo mundo que o rodeia. Durante os primeiros meses verificam-se grandes ganhos na sua habilidade de controlar os músculos, vindo a tornar-se cada vez mais ativo. É nesta fase que a brincadeira tem um papel fundamental: ajudando cada bebé a tornar-se calmo, atento e curioso. À medida que vai crescendo, surgem outras necessidades e emergem novas potencialidades. Por isso mesmo, as brincadeiras focarão outras competências, nomeadamente a coordenação, a consciência espacial, a força dos principais grupos musculares e a comunicação. O brincar começa com a exploração sensorial pela observação de objetos, pela audição de diferentes sons e pelo toque, até o bebé se mostrar mais sociável, rindo e chamando a atenção com as suas brincadeiras.

Esperamos que passem muitos momentos divertidos com as crianças a chapinhar na água!

1. Espetáculo aquático

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Disponibilize na banheira (ou num alguidar ao ar livre), copos, taças e colheres de plástico.
Se ela ainda demonstrar dificuldade em encher e esvaziar os recipientes, sirva de modelo e faça-o para a criança ver. Adorará ver e ouvir as diferentes cascatas!

Competências em destaque:

  • Coordenação olho-mão
  • Motricidade fina
  • Noção de causa e efeito

2. Cuidar das plantas

Procurem flores! Divirtam-se a acariciar e a regar as flores. Pode acontecer que a água vá mais para os vossos pés do que para as flores e isso pode ser muito divertido.

Quando toca com as pétalas de uma flor no bebé, como é que ele reage? A estimulação táctil nas mãos e nos pés do bebé, fazem-no sentir o toque, e ao sentir-se confortável com a estimulação táctil, aprende a aceitar toques inesperados, tal como no uso de diferentes tipos de texturas das roupas e da comida.

A partir dos 8 meses o bebé já pode começar a aprender gestos para comunicar, e isso ajuda-o a adquirir a fala com maior facilidade. Faça um gesto para “flor”! Junte as pontas dos dedos com a palma da mão para cima e ao afastar os dedos e abrir a mão está a imitar uma flor.

Competências em destaque:

  • Consciência táctil
  • Consciência corporal
  • Comunicação não verbal

3. Caranguejo ou Peixe?

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Percorra o corpo do bebé, dos dedos dos pés à ponta da cabeça, fazendo cócegas suaves com os seus dedos.

Com os dedos a passar pelo corpo do bebé, estimula-o a aprender mais sobre o mundo e a entender que é independente do que o envolve. Se quer agarrar as suas mãos, está a desenvolver as suas capacidades de alcançar e agarrar!

Dance com o bebé de barriga para baixo, apoiado no seu antebraço, com movimentos suaves e ondulantes como um peixinho na água.

Competências em destaque:

  • Consciência corporal
  • Equilíbrio
  • Força no pescoço e tronco

4. Água, que bom!

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Têm sede? O melhor é mesmo beberem água! E com o tempo quente vão hidratando a família.

Brincar com a água em dias quentes, ajuda o bebé a refrescar-se enquanto explora a textura da água. Gosta de brincar com as mãos? E com os pés? Se estiver ao seu colo, dentro de água, podem brincar a dançar enquanto cantam as vossas canções preferidas!

Ensinar desde cedo (aproximadamente pelos 8 meses) o gesto para “beber”, com a mão fechada e o polegar esticado trazendo até à boca, facilitará a comunicação com a criança que se sentirá feliz e com as suas necessidades correspondidas a tempo. Faça o gesto sempre que lhe der água. Muito em breve, quando estiver com sede, todos saberão!

Competências em destaque:

  • Confiança
  • Linguagem
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Psicomotricidade – Rita Palma

Psicomotricidade – Rita Palma

 

 

Para saber mais sobre Psicomotricidade Infantil, visite https://www.gymboreeclasses.pt

O vídeo é sobre Psicomotricidade Infantil, mas também sobre:

-educação infantil

-atividades de psicomotricidade

-brincadeiras psicomotoras

Convidámos a Psicomotricista Rita Palma para falar sobre Psicomotricidade Infantil no Dicionário das Crianças – O nosso podcast semanal sobre tudo o que está relacionado com a parentalidade e com a infância.

 

 

Olá Rita.

 

Olá.

 

Tudo bem?

 

Tudo bem

 

Obrigado por este bocadinho.

 

Obrigado eu pelo convite, é uma honra.

 

Ora essa.

É uma honra nossa.

Eu já assisti alguns dos teus podcasts.

Alguns dos que tu permites, porque há alguns que são secretos, não é?

Para a profissão, mas acho que faz um trabalho fascinante e eu ia começar por aí.

Eu ia te pedir que te apresenta-ses e que falasses um bocadinho dos teus projetos, mas principalmente no teu podcast, que eu acho que é fascinante e que pode interessar a nossa audiência também.

 

Obrigada.

Antes de mais muito obrigada por me teres convidados, realmente eu acho que este mundo virtual permitiu-nos estar mais ligados como estavamos a falar também há bocadinho.

É que a já não se admite a barreira da distância, cada vez estamos mais próximos e acho que temos que utilizar isto para crescermos.

E foi com isto que nasceram os psicomotri teólogos.

Foi um projeto online que nasceu em abril e nasceu muito na minha necessidade de falar sobre psicomotricidade.

E falar de psicomotricidade como psicomotricistas, o objetivo primeiro foi mesmo para psicomotricistas, mas depois percebi que também fazia sentido divulgar a nossa área.

Então fiz algumas Pisomotri Talks abertas a todos os participantes, todos os que quisessem.

Profissionais, educadores, psicomotricistas, pais, pronto.

Mas faz sentido se calhar também explicar um bocadinho quem é que eu sou.

O meu nome é Rita Palma sou psicomotricista.

Sou uma amante da área da psicomotricidade, gosto muito do que faço e acho que isso faz toda a diferença.

Sou algarvia de gema, mas estou em Lisboa e uma coisa que gosto muito de Lisboa foi as oportunidades que me trouxeram.

E Lisboa a permitiu-me tirar uma formação, tirei a minha formação na faculdade motricidade humana, numa faculdade que é mais conhecida por desporto, mas que tem professores fantásticos como o professor Carlos Neto, o professor Rui Martins, que nos fazem crescer e pensar e tornarmo-nos psicomotricistas e permitiu-me também depois começar a trabalhar num hospital.

Que é o hospital Dona Estefânia, onde trabalho na pedopsiquiatria, tanto em contexto de internamento como também em consulta externa.

E há três anos abriu um projeto de contexto privado, com um musicoterapeuta que é o espaço crescente que é o espaço de intervenções terapêuticas em telheiras.

E basicamente é isto.

 

Oh Rita, como é que podemos encontrar acrescente?

Tens um endereço que nós possamos consultar?

 

Sim, nós temos na página de Facebook, mas nós temos o espaço em Telheiras e a página do Facebook chama-se mesmo ”Cressente” com dois S ou seja de crescer e sentir, na página do Facebook e depois também temos as nossas páginas de Facebook profissionais individuais.

 

Muito bem.

Olha, vamos começar aqui em grande com uma pergunta importante para um leigo como eu.

Apesar de eu trabalhar aqui à volta desta área, a minha formação é em gestão.

E eu ia te perguntar a ti em particular, o que é psicomotricidade ou o que é para ti a psicomotricidade.

 

Essa pergunta nós ouvimos desde o primeiro ano da faculdade..

Que as pessoas perguntam: psico e quê? Como é que isso se diz? O que é que isso é?

Eu acho que estamos sempre muito preocupados em definir qual é que é melhor definição para explicar o que é que é psicomotricidade.

Para mim a psicomotricidade é uma terapia de medição corporal, que utiliza o corpo, o corpo em movimento na relação para intervir qualquer problemática.

Quando existe doença ou na ausência de doença, nós trabalhamos na prevenção, na intervenção e na reeducação e utilizamos diferentes técnicas.

Técnicas mais expressivas, técnicas de relaxação, de consciencialização corporal, utilizamos também o jogo simbólico.

Mas a nossa intencionalidade quando propomos à criança uma atividade, está muito relacionada com o projeto terapêutico que pré definimos para aquela criança.

Eu falo muito para crianças, mas a Gymboree também é para crianças, mas tenho muitos colegas meus a trabalhar com outras populações e também em contextos diferentes.

O meu contexto é contexto hospitalar, contexto clínico.

Mas tenho colegas meus a trabalhar em contexto educacional, institucional, com idosos, com crianças, com adultos e tem no campo da prevenção como na reeducação, como na intervenção.

Mas basicamente é isso.

 

Muito bem.

Rita, aqui no meu estudo sobre a nossa conversa de hoje, há uma palavra que aparece muitas vezes e que eu acho que eu queria abordar aqui, que é a palavra :corpo.

E eu acho que era interessante se calhar ouvir a tua definição de corpo, o que é para ti corpo? Vai muito além de uma ferramenta? É um invólucro? É uma coisa que tu quando olhas para o corpo o que é que tu vês? Qual é o potencial? E se calhar onde é que esse potencial fica importado para a maior parte das pessoas que não estão tão conscientes da sua importância.

 

Há uma coisa que me preocupa imenso, essa pergunta é muito difícil.

Mas há uma coisa que preocupa imenso que é pensar onde é que está o corpo, não é?

Eu sinto, para mim o corpo é muito mais do que uma imagem e temos que definir isso.

O corpo é muito mais que uma imagem.

O corpo é o sentir, o corpo é um envolve, é verdade. É pele, é um conjunto de órgãos, mas é o que nos permite também estar em contacto com o mundo.

De estar na relação com o outro e através da linguagem não verbal o corpo expressa emoções a informações que não é possível traduzir em palavras.

E quem aprenda a falar esta linguagem do corpo, tem ferramentas e canais de comunicação excelentes e formidáveis.

E o que nos vai retirar, a tecnologia, esta sociedade que valoriza mais a estética do que é ética.

Isto vem nos tirar realmente esta importância que nós damos ao corpo, ao que deveríamos dar ao corpo. Porque não nos podemos de esquecer do nosso corpo ancestral, não é?

Não nos podemos esquecer da história que carregamos e não nos podemos esquecer do que somos.

E nós somos um corpo, não temos um corpo, somos um corpo!

E eu acho que estamos um bocadinho perdidos nesta questão e isto preocupa-me imenso.

Enquanto psicomotricista, enquanto a pessoa quando ser humano, enquanto pessoa que se gosta de relacionar com os outros, preocupa-me imenso, onde é que está o corpo,

E com isto também pergunto-te e por causa das Psicomotri Talks tem me permitido conversar com pessoas bastante interessantes.

O doutor Augusto fala: ok, onde é que está o corpo? Mas onde é que está o pensamento, não é?

Quando um pensamento não é organizado ou não é contido, onde é que ele vai emergir?

Vai emergir no corpo.

Quando falamos por exemplo na patologia, nas automutilações, nas patologias como a anorexia nervosa, o corpo fala o que a mente não consegue falar, não é?

E como é que nós podemos estar atentos esta linguagem e dar mos um significado desta linguagem intervimos sobre isto, sobre esta questão.

E por isso é impossível desvalorizamos o corpo.

 

Uau.

Rita, há bocado antes de nós entrarmos no ar eu tinha te, estávamos a falar um bocadinho sobre o nome da vossa licenciatura que chama reabilitação psicomotora e até tinha perguntado se não achavas que prejudicava um bocadinho termo, pois esta palavra de reabilitação quando há tanto para fazer fora da reabilitação, de forma preventiva ou proativa.

A minha pergunta seguinte era: qual é obviamente a importância da psicomotricidade, mas eu queria dar-te aqui algumas balizas.

Nós no currículo português nós temos uma disciplina que toca no corpo que se chama educação física, pronto.

Essa é a disciplina que nós sabemos que é obrigatória que a maior parte das crianças têm acesso.

Como é que a gente pode fazer esta questão de educação física versus a psicomotricidade?

Onde é que elas se tocam e onde é que elas estão separadas?

Eu se calhar ia um bocado além disto, em vez de educação física versus a psicomotricidade, podemos falar também sobre a dança versus a psicomotricidade, a natação versus a psicomotricidade.

Conseguimos falar sobre isto um bocadinho, porque eu acho que era importante para as pessoas que estão fora perceber realmente onde é que elas se tocam e onde é que elas se separam.

 

 

Eu acho que, onde elas se tocam é na experiência psicomotora, não é?

As nossas crianças em qualquer atividade que tenham aumentam o seu repertório psicomotor e quanto maior for o repertório melhor, ou seja, através da dança, através do jogo, através de um desporto específico, através do subir às árvores, de brincar à apanhada e são experiências psicomotoras.

E eu acho que quanto maior for o repertório das nossas crianças, se ela souber assaltar, dar cambalhotas, a correr, dançar.

Quanto maior mais saúde, mais saúde mental, mais felicidade, mais empreendedorismo, mais sucesso.

Depois, quando falamos de psicomotricidade e interessante falarmos sobre isto, porque por exemplo educação física no pré na pré escolar e tudo mais chama-se psicomotricidade, não é?

Aqui existe uma diferença com a intervenção psicomotora.

Nós não pulamos só por pular, para aumentar o repertório motor, não corremos só por correr. Mas temos uma intencionalidade terapêutica e nesta intencionalidade nós jogamos seja com a dimensão motora, seja com a dimensão cognitiva ou com a dimensão socioemocional.

E aí faz a diferença, não é só o jogo por jogo, que também é muito importante, não é só o brincar livre pelo brincar livre também é muito importante, mas sim sempre com uma intencionalidade terapêutica e aí que difere a intervenção psicomotora da psicomotricidade no geral e das experiências psicomotores.

 

Ok.

Imagina que tu tinhas um papel importante e podias definir o currículo da educação física ou podiamos chamar-lhe outra coisa qualquer, se calhar um bocadinho mais abrangente e que pudesse tocar o que é que a educação física não faz, porque eu acho que isso é uma lacuna atualmente, todas as pessoas tiveram educação física, mas muito poucas, se calhar adquiriram aquele alfabeto de movimentos, aquele repertório que estavas a falar.

E depois obviamente que isso afeta muitas coisas na sua vida, linguagem, a forma como se sentem em forma, como se projetam a sua autoconfiança.

O que é que tu mudarias?

E a partir de que idade?

 

Eu acho essa pergunta é difícil.

Porque eu acho que motivava mais as pessoas, ou seja, tentava mostrar isto pode ser um bocadinho sonhador, mas se o professor Carlos Neto com aquela idade pode ser muito sonhador, eu também posso.

Porque e com aquela experiência. porque eu acho que as pessoas estão perdidas.

De qual é que é a verdadeira motivação para o qual educação física faz parte do currículo.

Eu tenho miúdas que sigo em consulta, que não querem e é interessante que isto também é patologia interessante, que são aquelas mais perfeccionistas que não querem educação física no currículo.

Mas porquê?

Porque é que realmente mexer o corpo, ter movimento e mover o corpo para poder pensar e depois do pensamento mover com a intencionalidade.

Porque é que a não há de fazer parte do currículo?

Porque é que isso tem de ser desvalorizado?

Porque é que a média é mais importante do que a experiência?

E eu acho que está aí, eu acho que precisamos de professores de educação física que motivem mais os alunos e que se calhar eles também são muito pressionados com o plano que tem que cumprir, mas que motivem mais o porquê do movimento.

Porque é que é realmente importante e que o movimento traz bem-estar físico e mental.

Eu acho que é por aí.

E essas são as principais vantagens da prevenção de saúde mental, da prevenção de problemas cardiorespiratórios e isso também me assusta um bocadinho que é, esse sedentarismo com qual estamos a caminhar, isto tem consequências.

E essas consequências são muito mais caras de que uma prevenção agora, não é?

Uma doença cardiorrespiratória ou seja o que for, no futuro vai ser muito mais caro para o nosso sistema porque não investimos na prevenção?

Mas isto eu acho que tem outras dimensões.

 

E achas que o currículo é adequado ou podíamos alterá-lo?

Não é só uma questão de vontade política, é uma questão de tem qualidade.

A questão do basquete, lançam ali umas cambalhotas, o volley.

Portanto toca-se ali uma série de desportos, se calhar não se toca nas artes marciais, que é uma parte se calhar um bocadinho mais cara, não há adaptação, se calhar por questões de logísticas.

Mas devíamos de fazer um esforço para mudar aquilo, se calhar fazer coisas com maior retorno e se calhar que possam ser mais motivadores e que possam ficar mais permanentes na aprendizagem das crianças.

 

Mas eu considero que o basquete é importantíssimo.

Eu considero que os jogos de grupos são importantíssimos, um jogo de basquete, um jogo de futebol, um jogo de regras.

É importantíssimo para as nossas crianças mais tarde fazer um transfere para uma reunião de trabalho, um trabalho em equipa numa empresa.

Eu acho que essas competências que se aprendem na disciplina de educação física com esse tipo de jogos, são competências que não se aprendem na promoção de competências académicas, numa biologia, numa talvez nos trabalhos de grupo, mas não é igual, não é?

O espírito de equipa, o lutar por um objetivo, o espírito crítico, o encontrar a solução.

Eu acho que educação física promove estas questões e não podemos desvalorizar.

Claro que é importante, o plano não é?

O plano curricular, mas também faz toda a diferença quando o professor de educação física motiva os nossos alunos a isso, não é?

E eu com isto, ou seja, eu não sou a melhor, a mais conhecedora desta questão. Eu não sei quais são os planos, eu falo como aluna, não é?

Já fui aluna de educação física e para mim foi muito importante, não só porque praticava desporto na escola em educação física, mas também praticava outro tipo de desportos.

E para mim isso foi importantíssimo, até mesmo para criar um grupo de amigos fora da minha turma, é um grupo com outros interesses com quem aprendi outras questões.

Eu agora por exemplo agora estou a pensar no futebol, o futebol não é só para Cristianos Ronaldos, não é?

O futebol é para ensinar muitas mais coisas, mas aqui os meus amigos educação física falam muito melhor do que eu, nesta questão.

 

Nós vamos falar com professor educação física brevemente.

Já está na calha.

Mas ainda não…

 

Quem é?

 

Olha é um treinador de esgrima e ainda não falei com ele, portanto não quero…

 

Está bem, está bem, mas se precisarem, sim sim sim.

Eu acho que é.

 

Olha se calhar nós chegamos a uma altura interessante para começar a falar do brincar e na importância do brincar.

Aqui há uma linguagem e é uma coisa super natural para uma criança, portanto não precisamos de ter regras e não precisamos de a convencer.

É uma coisa que se pode começar a fazer desde muito cedo e pronto.

Isto não é só a minha praia no Gymboree, mas também como pai eu sinto que é a forma mais rápida e mais eficaz de chegar aos meus filhos, é através da brincadeira, não é?

Eu imagino que seja uma parte importante da vossa formação.

Queres falar um bocadinho sobre isso e o que é que tocou quando estavas a aprender sobre o brincar.

Qual é que foi qual foi assim momento “uau” que tiveste na faculdade sobre este campo, vá?

 

O momento “uau” foi na cadeira que tive com o professor Carlos Neto, em que nós tivemos a honra de poder participar, nós tinhamos uma turma de crianças, que iam à nossa faculdade ter educação física com o professor Carlos Neto e nós observávamos.

O nosso trabalho era observar e brincar com elas.

Isso foi fantástico, foi ok é isto, é isto brincar não é só brincar.

Brincar é muito mais do que isso.

E uma criança fala através do brincar, testa a partir através do brincar, experimenta cresce e é aí que está o futuro.

É aí que está o futuro, não é na repetição de tarefas, não é no só no sentar e ficar e decorar que está o futuro e que está o sucesso.

É através do brincar, eu acho que o brincar é uma ferramenta importantíssima para o desenvolvimento e para o futuro da nossa sociedade, porque realmente nós estamos muito preocupados e o professor Carlos Neto fala disto muito bem, é impossível falar sobre o brincar em Portugal e fora de Portugal, sem falar do professor Carlos Neto pagar.

O professor Carlos Neto lançou agora um livro do: libertem as crianças.

Mas desde o início da minha formação acadêmica, que eu oiço o professor Carlos Neto a dizer isto, não é?

De que passeiam se mais os cães do que as crianças, que as pessoas estão na prisão, têm mais tempo para o ar livre do que as próprias crianças, para mim isto era impensável.

Eu sou e como apresentei no início sou algarvia e sou de uma terra muito mais pequenina, onde a minha infância foi feita também no brincar na rua.

Isto para mim é impensável saber que uma criança cá, nestas condições não faz.

E acho que é importantíssimo, agora pensando também como um instrumento de intervenção, eu consigo muito mais chegar à criança e muito mais atingir os objetivos terapêuticos da criança, quando o faço através da brincadeira espontânea, porque é linguagem delas.

Eu posso pedir para ela fazer uma atividade, pode ser sugerida por mim pensada sobre para ela, mas na relação e no brincar é quando é uma baixa ao nível da criança e sinto aquela criança, que em conjunto criamos crescimento, não é?

Criamos coisas bonitas e vou falar disto, por exemplo o brincar às lutas.

Este é um assunto difícil enquanto dizem: ah não isso, é uma brincadeira muito agressiva, pistolas nerfs, que horror.

Não, isso é super divertido.

E quando eu falo disto com os pais e tento desconstruir um bocado isto, que é vocês pensam que os nossos pais e eu disto eu tenho imensa empatia pelos pais, eu acho que é super difícil ser-se pai na sociedade em que nos encontramos agora, em tudo está explicado nos livros.

Existem livros para explicar como é que eles têm que comer, como é que eles têm que dormir e tem que ser feito daquela forma.

Por isso eu acho que é muito difícil mesmo ser-se pai, mas como estava a dizer, estávamos a falar sobre a brincadeira das lutas e os pais dizem: não não não, isso é muito agressivo, mas depois as nossas crianças estão com o ecrã a matar a cada 10 segundos, a atropelar em que o objetivo do jogo é quantas pessoas se atropelam são jogos super super super agressivos e que não têm consequência, porque assim que acaba, eles metem play outra vez e começa tudo de novo.

E quando eu brinco ao jogo de o matar, em sessão é importantíssimo, porque ele sabe que me mata e eu vou fingir que estou caída e que estou morta. Existe uma consequência ele pode meter no play e diz: Rita então? Não brincas?

Não, tens de me ressuscitar, se queres que eu brinque contigo, tu tiraste… ou seja tem uma consequência e isto pode ser através do brincar, isto tem que ser experimentado através do brincar.

E por exemplo quando eu falo disto com os pais e digo: então mas o que é que o filho, o que é que o seu filho brinca?

Brinca aos videojogos.

Mas já se sentou ao lado dele?

Tente saber o que é que ele está a brincar. Brinque com ele, pense como construir ou recriar essa brincadeira no mundo real e faça com ele.

Só que eu acho que isto é super difícil, quando temos imensos estímulos e imenso marketing à volta destes vídeos jogos, que prendem a atenção das crianças.

Isto também me faz lembrar outra coisa que é, quando nós perguntamos à nossa criança quando está fechada em casa, o que é que ela quer fazer e quando ela em casa tem Playstation, um computador e um telemóvel ela vai querer fazer isso.

Quando estamos, por exemplo hoje de manhã fui passear em Monsanto com uma filha de uns amigos meus e quando eu lhe pergunto o que é que ela quer fazer, ela quer subir às árvores, ela quer agarrar nos paus, ela quer correr, ela quer andar na lama e sujar-se até aos joelhos, ela não quer agarrar-se ao telemóvel.

Por isso a importância também é importante vermos qual é o contexto em que nós fazemos a pergunta, não é?

Porque eu acho que o brincar é fundamental.

 

Olha só voltar um bocadinho atrás, porque falaste no Carlos Neto, já mais do que uma vez e o professor Carlos Neto visitou o Gymboree quando abrimos há 14 anos atrás, a convite de uma professora nossa que foi que foi aluna dele chamada Filipa Marcelino.

Ele foi visitar o Gymboree portanto foi uma inspiração para nós, estávamos a começar portanto sabiamos, não sabiamos ler nem escrever nesta área.

Apesar de termos trazido muito conhecimento dos Estados Unidos e do resto do mundo, foi ótimo ver um tecano como eu, não é?

Já na altura era uma sumidade na área.

Poder dar-nos uma força e portanto foi altamente inspirador.

Estavas a falar do brincar.

Existe uma hierarquia do brincar, existe uma brincadeira mais valiosa do que a outra, fala-se muito na importância do brincar na rua, o brincar em casa é menos importante o brincar na rua ou um jogo de tabuleiro é menos importante do que do que brincar em casa de outra forma com o corpo.

Qual é a tua opinião sobre isso?

 

Eu acho que não existe uma regra de qual é que é o ideal, não é?

Eu acho que já existem tantas regras, que eu acho que temos de nos desligar um bocadinho disso e sentir a nossa criança.

Temos que sentir o que é que será que podemos fazer com ela agora e se existe a brincadeiras muito repetitivas, nós também podemos propor, mas tem que ir também do interesse à criança, porque senão deixa de ser uma brincadeira e passa a ser uma tarefa.

Eu posso aqui dizer que realmente o jogo de tabuleiro é importantíssimo dos 6 aos 7 meses, vai estar ali o pai a impingir.

E isso já não é o brincar livre, não é?

Eu acho que temos que sentir, é importante todo esse tipo de jogos e eu acho que o pai, o educador e tudo mais, pode propor jogos, mas tem que ser do interesse de um e do outro.

Porque o pai, e isto aqui eu sou uma adulta e eu também gosto muito de brincar com as minhas crianças, mas eu sei para os pais também é muito importante que ele esteja bem, que ele esteja com prazer na atividade, se não também não passa a ser prazeroso para os dois.

Mas sim existem atividades específicas para cada idade, mas eu acho que mais importante que isso é o interesse de ambas as partes que estão a jogar e a brincar.

 

Muito bem.

Só aqui uma nota, o Pedro Valentim foi o meu Mestre de Taekwondo e ele é professor de educação física, deixou-nos aqui um comentário muito simpático no Facebook.

É mais um statement do que uma pergunta, mas pronto queria agradecer ao Pedro e convidar as pessoas a fazerem perguntas à Rita, enquanto estamos aqui em directo.

E depois já vai ser tarde, eu consigo ler as mensagens, mas não consigo responder, só se forem feitos através do YouTube.

Rita qual é a importância da água na psicomotricidade e do desenvolvimento?

Eu também vi que é uma coisa que aparece com alguma frequência e sei que há psicomotricistas que trabalham mais o meio aquático do que outros, não é?

 

Eu não trabalho em meio aquático, mas já tive a oportunidade de intervir no tempo da minha informação em meio aquático.

E a água tem realmente potencialidades enormes ao nível do desenvolvimento infantil, da promoção de competências, não só competências motoras relacionadas com a natação, mas também com a estimulação, por exemplo no contexto da água sei que os idosos, o peso do corpo dentro da água tem outro peso e aí nós podemos brincar com essa questão e também as nossas crianças muitas vezes, por exemplo com um corpo mais hipertónico, isto quer dizer mais contraído, com algumas atividades, nós psicomotricistas conseguimos promover uma maior relaxação neste meio aquático.

Tem uma potencialidade enorme também, por exemplo eu trabalhei com crianças com  perturbações do espectro do autismo. E então através na piscina, onde as crianças gostavam muito, nós conseguimos fazer tarefas cognitivas de completar espaços, enigmas dentro de água.

E isso tinha assim um campo enorme de possibilidades.

 

Ok.

Olha, em relação aos pais, qual é que achas que deve ser a intervenção dos pais?

E qual é o papel dos pais enquanto modelos?

Isto se calhar remete um bocadinho para a conversa que tivemos há bocado, da importância da educação física e se calhar dessa tua paciente perfeccionista que não dava importância, porque aquilo não conta muito para a média ou que se calhar não consegue ter tão boas notas e portanto não contribui para a sua entrada na faculdade.

Mas os pais vivem muito também nesta prisão não é?

Do que é que conta.

E a carreira e a educação física parece uma coisa secundária, porque não estão tão sensibilizados para toda a saúde que está ali ligada e o equilíbrio emocional, saúde física e a própria curiosidade e a cognição ficou muito afetadas.

Onde é que achas que podemos começar a recrutar os pais para ajudar no desenvolvimento da criança e do adolescente e depois até do jovem adulto?

 

Eu acho que são nas pequenas escolhas que fazemos no dia a dia, não é?

Se essas escolhas forem mais promotoras de saúde, de atividade e menos promotores de sedentarismo, eu acho que aí já estamos a mudar mentalidades, não é?

Mas lá está, isto aqui também é importante o modelo do pai e dos pais, não estou com isto a dizer que todos os pais têm que ser muito ativos e que têm de correr fazer e fazer jogging. Mas os pais podem realmente fazer escolhas, como ir para o parque com as nossas crianças.

E permitirem que elas possam ter outro tipo de experiências mais ativas, porque as nossas crianças precisam de se mexer.

Precisam de se mover para continuar a construir pensamento crítico.

Eu acho isso que me perguntas, em que existe um peso enorme nesta questão curricular em que as notas realmente têm um peso enorme.

E é uma pressão brutal em que podia, mas isto ter podia se analisar não é?

Porque é que realmente uma criança que está no nono ano ou no oitavo ano, a nota é assim tão importante?

É importante a criança aprender a gostar da escola.

Por isso no meu primeiro ano, no primeiro ano ela tem que aprender a gostar da escola.

O objetivo não é tanto a letra tão perfeita, mas sim aprender a gostar de aprender.

E aí também vem muito pelo modelo dos pais, se os pais promovem esta questão de que é importante gostar de aprender, é importante o que estão realmente a aprender, a promover o espírito crítico e tudo mais. E não tanto qual é a nota final, ou seja, a qualidade e não a quantidade.

Eu acho que é importantíssimo e se os pais poderem se apaziguar com isso, eu acho teríamos crianças mais felizes e se calhar com menos pressão.

E atrevo-me a dizer se calhar com melhores notas, porque eu também trabalho numa população muito específica e com isto eu quero dar a erro, eu acho que no início do podcast dizes com muita razão, que isto são opiniões.

Mas eu não quero induzir a erro, mas se as nossas crianças eu vejo agora cada vez mais crianças com imensa ansiedade, sem a capacidade de regular os seus estados emocionais e se elas tivessem menos expressão menos necessidade de serem perfeitas, menos necessidade de se terem as melhores notas para serem vistas.

Eu acho que elas estariam mais tranquilas e atrevo-me a dizer que teriam melhores notas.

Isto é um risco, mas se alguém tiver contra pode dizer e podemos discutir esse assunto, mas realmente a pressão que estamos a viver e com isto a pressão para os pais também, porque os seus filhos terem boas notas também é o sucesso dos pais, se calhar não é bem assim.

Se calhar temos que colocar isto em crítica.

 

Consegues ler esta pergunta, Rita?

Que o Pedro Valentim colocou?

 

 

As crianças hoje em dia não conseguem brincar sem a moderação do adulto, não é importante para a sua criatividade e autonomia brincarem sozinhos.

Sim também é.

Eu acho que é importante brincarem sozinhos, tem que ser um jogo, ou seja eles têm de ter tempo para a brincadeira autônoma, mas também com a mediação com os adultos, porque eu tenho crianças, lá está, eu também num contexto muito particular.

Mas por exemplo, uma filha de uns amigos meus, em que numa conversa em que ele me dizia: ah mas eu digo para ela ir para o quarto brincar e ela não vai, ela prefere a ver televisão, e pede e pede e eu é que tenho de ir com ela.

E eu, é verdade, ele vai, os pais vão no início, mas depois se deixarem lá, ela fica lá a brincar sozinha.

E se calhar isto tem de ser um processo, o pai pode, os pais podem brincar com as crianças, mas depois podem lhe dar as ferramentas necessárias para elas brincarem sozinhas.

E depois para criarem também o seu imaginário, não é?

Criarem brincadeiras de faz-de-conta e depois elas podem continuar a história, ou seja, este tipo de estratégias eu acho que são importantes para promover também a autonomia na brincadeira das nossas crianças.

Sim, mas acho tão importante um como o outro.

 

Ok.

Aqui como minha opinião pessoal, vale o que vale, eu acho que nós temos um papel muito importante no modelo que somos e esse papel começa anos antes de sermos pais.

Já em pequeninos a forma como nós brincamos e estamos receptivos são pronto um conjunto de conhecimentos e vá lá alfabetos diferentes o alfabeto do movimento é um deles.

Há muitos outros, há um alfabeto de emoções, há um alfabeto da curiosidade, portanto há obviamente um alfabeto da matemática e da lógica.

Se nós usarmos esse alfabeto e o mostrarmos com abundância, os nossos filhos vão acabar por receber esses inputs e vão ficar curiosa, mas vão saber que eles existem.

Existe uma inocência com o qual nós nascemos, que é há um conjunto de coisas, mas não sabemos e nós não sabemos o que não sabemos.

Eu por exemplo sei que não sei falar mandarim, mas eu sei que existe o mandarim, há pessoas que não têm essa consciência sequer.

Se eu tivesse crescido na Amazônia, não sabia que havia não sei quantas línguas diferentes para eu aprender.

E portanto a inocência realmente é uma coisa triste, mas não conseguimos agir sobre ela, porque nós não sabemos o que não sabemos.

E portanto se começamos a ficar sensíveis para o modelo que nós somos, vai inspirar os nossos filhos a fazer mais assim ou mais assado ou pelo menos vai lhes dar caminhos, eu acho que podemos usar esse privilégio de modeladores que somos e tentar ajudá-los como for possível, não é?

Rita, sobre o reconhecimento da vossa profissão,aqui uma coisa que me preocupa um bocadinho, a psicomotricidade quanto tempo é que tem Portugal e qual tem sido mais ou menos o vosso histórico?

Qual é o status da profissão neste momento?

 

Nós somos ainda uns adultos, jovens adultos, ou seja, tem muito pouco tempo, é verdade, mas fala se de psicomotricidade há muito tempo.

Seja nós estamos inseridos na faculdade motricidade humana por exemplo e também noutras faculdades, estou sempre falar da minha faculdade, mas a reabilitação psicomotora existe há pouco tempo, como enquanto licenciatura.

Antigamente chamava-se não quero errar, mas tinha haver mais com a educação especial e reabilitação psicomotora, ou seja, este foi todo um processo.

A dificuldade no reconhecimento tem haver com questões também legais, que ainda não estão a avançar por isso mesmo.

Temos pouco tempo e também por precisarmos de fundamentação teórica que existe, mas precisamos também de lançar mais reconhecimento a esse nível.

Mas eu acho que também tenho muita haver e é nisto que eu gosto de acreditar e é por isso que este projeto, o projeto das Psicomotri Talks também foi para a frente.

Que é o quanto nós acreditamos nisto, não é?

Enquanto nós psicomotricistas, achamos que realmente… achamos não, temos a certeza que isto faz a diferença, isto é uma intervenção com base científica é na intencionalidade, é na relação, é na intervenção psicomotora, que nós conseguimos intervir através do novo verbal, através de patologias, através da prevenção.

Isto faz mesmo todo o sentido e nós temos um papel fundamental para isso, não é só a nossa Associação Portuguesa de psicomotricidade que tem que lutar por este reconhecimento, mas também nós psicomotricistas, não é?

Sendo rigorosos no trabalho que fazemos, na divulgação, porque eu acho que isto também é importante.

Não vamos a lado nenhum se não vendermos o nosso peixe.

Na divulgação, nas nossas práticas e realmente, a escrever né? Artigos científicos, mas também outro tipo de escritas.

Escrever papai, escrever… porque todas as pessoas estão aqui e conhecem um psicomotricista reconhecem-nos.

Por isso se todos os psicomotricista darem-se a conhecer, vamos promover que a nossa a área seja mais reconhecida.

 

Ok.

Existe algum país que seja o modelo a seguir, tens algum país que tu sintas que estão muito à frente e é para ali que a gente deve caminhar?

 

Sim, Paris.

 

Paris está muito, França está muito integrado, está muito bem integrado.

 

Ok.

 

Temos reconhecido e temos uma grande área de investigação e reconhecidos mesmo, como por exemplo em hospitais somos… fazemos sempre parte das equipas multidisciplinares, mas estamos aí por isso caminho, por exemplo, até há pouco tempo não existe psicomotricista, tantos psicomotricistas nos hospitais.

Eu felizmente faço parte de uma de uma equipa multidisciplinar, onde no hospital Dona Estefânia na equipa da pedopsiquiatria, temos uma psicomotricista que sou eu, no internamento e em consulta externa.

Temos outra na clínica do parque, ou seja e trabalhamos sempre em multidisciplinaridade, por exemplo com terapeutas ocupacionais, psicólogos e essa equipa reconhece, reconhecem-nos.

Por isso é andar para frente.

 

Estás me a dizer que é, portanto em França, Paris em particular, isso é transversal a todas as idades.

Portanto toca toda a população?

 

Sim sim sim sim.

Seja com idosos, adultos, crianças com patologia, sem patologia, sim.

 

Ok.

Máximo.

O que é que achas que, como é que achas que eles chegaram aí?

Foi uma questão sensível…

 

Eu acho que é.

A nossa licenciatura, a nossa área começou lá, ou seja, tem mais tempo de investigação lá.

Mas é por aí, eu acho que o caminho é por aí.

 

Lembrei-me aqui de uma questão, eu não sei, tu ainda não és mãe, não é?

Tu és muito nova.

 

Não.

 

Mas quando tu fores o que é que tu farias?

Como é que tu complementarias a educação do teu filho ou da tua filha ou dos teus filhos para integrar todo o teu conhecimento em psicomotricidade?

O que é que tu escolherias, colocavas-lhes na dança, colocavas-lhes sei lá, na equitação…

O que é que tu achas que era mesmo importante se pudesses ter essa possibilidade, como é que enriquecerias o crescimento deles?

 

Essa pergunta é muito gira.

Eu acho o que me afeta, essa resposta não tem só haver enquanto psicomotricista, mas também quanto a minha experiência enquanto criança.

Todos nós fomos crianças, não é?

E para mim fez sentido que os meus pais promovessem, que eu pudesse escolher qual era o desporto que eu queria, para onde é que eu queria ir.

E isso ajudou me bastante, o brincar na rua.

E a psicomotricidade sim, claro que vai.

Falava disto com uma colega, que ser psicomotricista deixou de ser só uma profissão, porque eu acho que depois nós temos um olhar igual para várias papéis da nossa vida.

E eu acho que enquanto, por exemplo eu sou tia, eu sou muito próxima das minhas sobrinhas e vejo isso, a forma como eu educo ou a forma como eu brinco, a minha intencionalidade tem um peso diferente por ser, é diferente por ser psicomotricista, sim, sem dúvida.

Eu acho, conselhos, eu acho que já dei um, que é sentir as nossas crianças, é aumentar o maior número de experiências para as nossas crianças e perceber o que é que elas gostam, ir com elas para os parques, permitir que elas caiam que elas se sujem, experimentar diferentes desportos, eu acho que esta questão do desporto, dos 3 anos do mesmo desporto dos três anos aos 20, exatamente o mesmo. Eu acho que tem vantagens, mas nós não temos a construir só Cristianos Ronaldos.

Já é a segunda vez que falo nele, mas ou seja, esta especificação, não é?

Tão perfeccionista não é preciso, não precisa.

Ele pode andar no futebol no início, porque gosta muito de futebol, mas depois pode perceber que gosta de natação e os pais vão acompanhando e sem pressão.

Sem pressão deve ser o melhor de ter que ganhar na competição, a competição pode ser saudável, não precisa de ser uma competição não saudável, não é?

O desporto, quando de alta competição com idades muito precoces, a mim faz me muita comichão e também não vou falar sobre isto, que eu acho que muita gente entra em desacordo comigo.

Mas pedimos a crianças, por exemplo, se calhar não vou dizer isto, mas isto aqui tem uma implicação na saúde mental das nossas crianças, por exemplo desportes que seja necessário o peso, não é?

Por exemplo os desportes marciais, que são… se isto não é integrar, em que nós pedimos à nossa criança: olha se calhar tens que ter cuidado, porque tens que competir nesta categoria.

Se isto não for integrado, que impacto é que isto vai ter nas nossas crianças?

O desporto é ótimo, eu acho que o desporto, às artes marciais são ótimas para ensinar competências excelentes e temos que aproveitar isso. Temos que aproveitar essas vantagens.

 

Sim.

Bom isso é uma área que eu conheço mais ou menos bem.

 

Então deves falar sobre isso.

 

Podemos falar sobre isso.

Como aluno eu fiz um Taekwondo uma série de anos. Eu comecei com 15 já não era propriamente uma criança pequenina e portanto quando fui competir fui por vontade própria e porque sentia-me integrado nos meus pares.

Nessa altura, agora era treinado por um mestre que sempre fez Taekwondo e era isso que ele sabia fazer.

Mas mais tarde fui treinado por um professor de educação física da minha idade, aliás nós começamos a treinar mais ou menos ao mesmo tempo, eu depois parei uns anos e ele cresceu imenso.

E há uma diferença quando tu tens realmente um profissional, com uma licenciatura na área, a forma também como ele aborda a educação das crianças e a competição e eu levei para lá os meus filhos, é totalmente diferente.

E é uma questão totalmente opcional, eu percebi que há benefícios, há ali uma perseverança que se cria e portanto.

Mas também é uma forma de brincar, portanto eu nunca vi realmente agressividade na competição das crianças.

Mais tarde eu comecei a experimentar outra arte marcial que se chama jiu-jitsu brasileiro e esse é mais divertido ainda, portanto todo o treino é uma brincadeira, não é?

Uma brincadeira no chão e portanto há uma componente muito lúdica de folia, portanto estamos aqui a conversar de psico brincadeira.

Na competição depois depende muito do tônus que o pai, que os pais colocam, a importância do resultado.

Para mim realmente não é enorme.

Pronto, eu entretanto liguei um botão, desliguei o botão de me importar com os resultados, até com as notas os exemplos que eu tenho visto de pessoas que têm performance muito alta ou pessoas que eu considero bem-sucedidas, são pessoas que vivem jogam por regras muito próprias.

Portanto recusam a conversa negativa e portanto assumem um caminho próprio e portanto acho que nós devemos extrair as coisas boas de cada componente.

Eu também gosto muito da natação.

Eu acredito que a escola está muito focada no ler e no escrever, no somar e sumir, não é?

Portanto matemática e português, eu acho que era muito importante as crianças terem linguagem da natação, pelo menos, porque acho super completo é um meio diferente e requer um shift na nossa cabeça.

As artes marciais também são importantes, porque aumentam nos a confiança, não é?

Não é porque estarmos lá muitos a lutar, mas tu aprendes muito sobre ti próprio, é uma comunicação.

Pronto tens de estar preparado para lá está, há uma bilateralidade muito importante, portanto é uma palavra cara para os psicomotricistas.

mas esta componente de comunicação, de perceber que eu realmente tenho aqui uma série de armas, mas eu também tenho que defender das armas do meu colega ou do meu oponente e ganha-se um respeito muito peculiar e há uma altura que tu, é um bocadinho como o jogo do galo.

Se tu jogares o jogo do galo mil vezes e se fores inteligente, tu nunca mais perdes. O pior que pode acontecer é empatar.

E as artes marciais sente-se um bocadinho, há uma altura que tu percebes não vale a pena lutares, ninguém vai ganhar.

Eu potencialmente podemos sair daqui os dois muito aleijados, portanto não vamos lutar, mas podemos brincar a isto.

E portanto eu integrei isso na educação dos meus filhos, também gostava que eles fizessem outros desportos, vá lá mais de carga ou de resistência.

Só porque lá está, também sou um bocadinho meditativo e Zen, não é?

Corrida, o ciclismo, eu agora estou um bocadinho focado nu triatlo porque acho muito giro, mas é uma crise de meia idade claramente.

É uma ideia que me passa, mas gostava que eles tivessem, que eles provassem desses desportos todos que tu falaste e que pudessem falar várias linguagens, várias alfabeto.

Porque acho realmente fundamental.

 

E é interessante.

Vários alfabetos motores, não é?

Porque realmente utilizam outros grupos musculares, criam outras memórias para o corpo.

Eu acho que sim.

 

Claro.

 

É importantíssimo.

 

Rita diz.

 

Acho que é importantíssimo, podermos dar e estavas a falar que os modelos dos pais e agora depois de falares sobre o teu percurso do desporto.

Para mim não foram só os meus modelos, não foram só os meus pais, mas os meus treinadores, não é?

Os meus professores.

E é interessante que os professores que ficam na escola na nossa memória também são os professores de educação física.

E porque é que será, não é?

Por isso, eles também têm um papel fundamental nestas questões.

E nesta forma de ver, eu acho que mas também porque é uma responsabilidade acrescida quando os professores de educação física também têm que ser o modelo desta questão da atividade física, não é?

E da promoção de comportamentos mais saudáveis.

Por isso é importantíssimo e nós fora da escola também temos que reconhecer isto.

Nós pais, também temos que reconhecer a importância da educação física e não tanto: ah isso não conta para nada, não te importes.

Não, claro que conta.

 

Claro.

Rita se pudesses ocupar um cartaz gigante com uma mensagem para toda a gente ver o que é que gostarias de lá colocar.

 

Essa é difícil.

O que é que seria? n

Não vai ser libertem as nossas crianças, porque já existe um livro, mas…

Tinha de ter assim um impacto, eu acho que apaziguar um bocadinho os pais, que é: deixem-se de regras de adultos e baixem-se ao nível das vossas crianças e sintam-nas.

Eu acho que seria.

 

Ok.

 

Seria assim a mensagem, porque realmente falta de tempo.

Eu acho que falta de tempo, eu acho que os nossos adultos que se preocupam em dar o melhor para os filhos e eu acho que é importantíssimo, eu acho o mais valioso é dar tempo.

É dar tempo para senti-las, dar tempo para ouvi-las, dar tempo a falar como é que foi o dia na escola, dar tempo para pensar: porque é que será que está a correr mal, dar tempo para pensar: porque é que está a correr bem.

Eu acho que falar sobre emoções, eu quando pergunto a uma criança, por exemplo no internamento ou em consulta, pergunto como é que sentes?

Aquilo parece uma pergunta: mas como assim não pensas sobre isto?

Como é que te sentes?

E o sentir é importante que tenha que existir a outra pessoa do outro lado, que queira ouvir realmente genuinamente, o que é que está a sentir.

E lá está, como disse há pouco, existem tantos livros e tanta pressão de como ser o melhor pai, que se deixa de ser o melhor pai, não é?

Porque é tudo, eu tenho uma história interessante que é, o meu pai, foi pai novo e tem duas filhas, eu e a minha irmã, muito próximas. E uma vez ele tem um colega que é mais velho e foi pai mais velho.

Então chega ao pé dele e nós já tinhamos, já estávamos criadas e chega ao pé dele e diz assim: pronto, o meu filho acabou de nascer, qual é que foi o livro que leste para educar as tuas filhas?

Ele disse: nenhum, não li nenhum livro.

E ele conta isto com muito orgulho e se ele me está a ver, vai ficar todo contente por estar a falar dele.

Mas eu acho que quando nasce uma criança, nasce um pai.

E aquele pai vai aprender a ser pai daquela criança.

E aquele filho vai aprender a ser filho daquele pai.

Por isso, isso não existe em um livro.

 

Uau.

Isso é bastante profundo.

Por isso sintam, tirem o peso das costas e vivam.

 

Oh Rita, tenho aqui uma última pergunta para ti.

Quando te sentes assoberbada, estressada, sem foco. O que é que fazes?

Desculpa?

 

Vou correr.

Espontaneamente é vou correr.

Vou correr, acho que sinto muita necessidade de voltar à minha base, ou seja, sou algarvia, vou correr para junto do mar, vou sentir, vou estar com as minhas pessoas, vou tocar, vou abraçar, eu acho que é importantíssimo.

Por isso eu acho, não é só quando estou assoberbada ou quando estou triste, porque é o adulto das emoções eu também fico triste e muitas vezes e choro também.

É quando também estamos um bocadinho alienados, a mim, eu acho que me preocupa mais estar ali alienada, do que estar triste.

Quando estou alienada, que é o ter de fazer, o ter uma agenda, o ter de cumprir e eu nem estou a perceber que não estou a viver.

Estou só a cumprir agenda.

Eu acho que isso me preocupa mais.

E então quando estou assim sinto necessidade de parar e é impressionante que o nosso corpo fala e quando..

 

Acho que estamos com alguns problemas de ligação, Rita.

 

Estás me a ouvir?

Não sei.

Estou exatamente no mesmo sítio.

 

Não sei se perdemos a Rita.

 

Mas eu estou-vos a ouvir.

Já está?

 

Rita eu acho que, eu estou te a ouvir com imensos cortes, não percebo.

Aqui a nossa plataforma diz que estamos com boa ligação os dois.

Mas estou te a ouvir com bastantes cortes.

 

Deixa-me ver, abrir a porta não?

Aqui diz que a ligação está ótima.

 

Não?

Agora está.

 

Está?

 

Sim.

 

Estava em que parte?

 

Disseste que ias correr, mas depois disseste, eu ouvi uma parte mais à frente e depois começou a ouvir com imensos cortes.

Eu não sei se foi só eu ou se foi toda a audiência.

Mas se puderes repetir as duas últimas frases, acho que era ótimo.

Ok.

Parece que nos ouviram bem, sou só eu que tive problemas.

 

Pronto, então quando estou assoberbada, o que eu faço sim, vou correr.

Mas quando pensa em assoberbada, penso quando estou triste ou quando estou muito cansada, mas também penso quando estou um longo período assim alienada, quando estou só a cumprir agenda, preciso às vezes de parar e eu acho que se tivermos muito muito atentos ao nosso corpo, não é?

Porque quando é que nós ficamos doentes, quando é que nós ficamos com a nossa imunidade embaixo e quando deixamos de cuidar de nós.

E há pouco tempo utilizei esta metáfora com uma miúda minha e foi mesmo interessante, que ela apanhou, que é, ela está doente, ela tem uma anorexia nervosa e ela, o objeto conflito dela é o corpo dela.

E quando estávamos a falar sobre quando um carro está avariado e quando aparece uma luz de uma avaria, o que é que nós fazemos?

Nós cuidamos dessa varia.

Então quando o nosso corpo está doente e quando está alguma coisa mal, um sinal mal.

Nós temos que cuidar disso, não é?

Não podemos atacar o nosso corpo, nós não atacamos o nosso carro quando alguma coisa está avariada.

Nós temos que cuidar dele.

E depois também perceber, porque é que esse sinal tocou, alguma coisa estamos a fazer errado, alguma coisa não estamos a respeitar o nosso ritmo.

 

Uau.

Isso é fundamental, mas sabes que não nos ensinam isso na escola.

E lá está, eu acho que estamos um bocadinho naquele campo da inocência nós não sabemos sequer que isso é uma possibilidade, não é?

Esta coisa de escutar o corpo, uma coisa que se calhar comecei a aprender muito nos trintas, quando fazemos uma meditação guiada ou quando fazemos um yoga ou uma coisa deste género, porque até lá, não sei, se calhar tive azar.

Mas não me ensinaram a fazer isso e nunca me falaram que era uma possibilidade e dúvido que os meus pais me pudessem ter ensinado, porque também os ensinaram a eles e portanto é um efeito cascata, não é?

 

A escola está fora de moda, não é?

Quando já todos percebemos que o sucesso, os grandes empreendedores, as pessoas mais felizes não foram as pessoas que tiveram melhores notas, mas sim as pessoas que conseguem ter uma vida em equilíbrio, conseguem meditar que conseguem encontrar e escutar o seu corpo.

Se sabemos que é a solução, porque é que não vamos por aí?

A nossa escola está fora de moda.

Só entra o cérebro, não entra o corpo, para a nossa escola.

E claro que existem escolas com modelos fantásticos, já e ainda bem e não é só a nível internacional também existe a nível nacional.

Existem boas escolas.

Agora nós também podemos ser modelos, não é?

E a Gymboree pode lembrar isto aos pais, eu posso relembrar isto aos pais e relembramos da questão da escuta do corpo, da importância de meditar, da importância do eu, do cuidar.

Excelente.

Rita, obrigado por este bocadinho.

Espero ter te aqui de novo.

Pedia às pessoas para seguirem as tuas conversas e as tuas páginas.

Porque gostei imenso da tua forma de pensar quando te descobri pela primeira vez foi no Linkedin.

Que tens alguma atividade lá.

E vá lá a tua veia empreendedora também, portanto a forma como estás a tornar público, o vosso trabalho e a importância da vossa ciência, acho que tem muito mérito e deve ser apoiada.

 

Obrigado Nuno.

Eu posso aproveitar para, eu estou no Instagram, no Facebook como RitaPalma.Psicomotricista.

E agora também estou na plataforma Patreon, onde vou divulgando algumas psicomotri talks gravadas e alguns conteúdos exclusivos para os associados e os elementos que apoiam este projeto.

Eu acho que é importantíssimo falarmos sobre estas questões e obrigada por me dares essa oportunidade.

Eu espero que se alguma coisa que eu gostava que retivessem desta conversa, é esta possibilidade de podermos pensar em conjunto, não é?

De nos podermos colocar em questão, mas sem nos destruirmos.

É podermo-nos colocar em questão e está tudo bem.

Podemos melhorar a partir de agora, não nos desculparmos, não quero detodo que sintam isso, mas que sintam o que podem fazer diferente e que podemos mudar, pelo menos o nosso mundo.

 

Ok.

Eu coloquei os teus link na descrição do vídeo no YouTube.

Portanto quem fizer uma busca por podcast psicomotricidade infantil em princípio vai descobrir este podcast e depois estão lá nas descrições dos teus links, especialmente o do Patreon, para as pessoas poderem ajudar-te a continuar o projeto.

 

Se quiseres de alguma coisa e se alguém precisar, podem contar comigo.

Obrigada.

 

Excelente.

Obrigado, Rita.

Bom resto de domingo.

 

Obrigada Nuno.

Bom trabalho.

E parabéns.

Ora essa.

Obrigado eu.

Parabéns pelo teu projeto.

Até à próxima.

 

Até à próxima.

 

 

Andreia Paes de Vasconcellos Tomas my special baby Chicco, Espreguiçadeira, carrinho de bebé, roupa bebé, roupa bébé, roupa bebe, licença parental, abono de família, creche, dodot, cadeiras auto, cadeira auto, roupa de bebé, roupas de bebés, berços bebé, licença de maternidade, roupa criança, andarilho bebe, jardim de infância, fraldas, sapatilhas criança, carrinho bebé, carrinho bebe, ténis criança, isofix, biberões, roupas recém nascido, camas bebé, alcofa, loja chicco, loja de bebé, sapatos bebé, cadeiras bebé, berços bebé, nomes de bebé, chicco outlet, chuchas, babygrow, cadeira auto bebé, gymboree, brincar, desenvolvimento infantil, pediatra, pediatras, mãe, pai, parentalidade, empreendedorismo, Decathlon, Benfica, Worten, Continente, Fnac, Pingo Doce, Auchan, Jumbo, Lidl, Decathlon Alfragide, Chicco, Monsanto, Bicicleta, Decathlon Lisboa, Dodot, Parque Infantil, quinta das Conchas, Horário

Up, not Down – Andreia Paes de Vasconcellos

Up, not Down – Andreia Paes de Vasconcellos

 

 

A Andreia é licenciada em Comunicação Empresarial, Mãe de três filhos! 🙂

http://bit.ly/playlab02

Em 2014 teve um filho com Trissomia 21 e desde aí que luta diariamente para que o seu filho cresça feliz e numa sociedade inclusiva.

Estudou sobre todo o tipo de terapias para que o filho pudesse crescer de uma forma natural.

Formação no método Glenn Doman, pelo Instituto VegaKids, em Madrid.

Autora do Blog Tomás My Special Baby e do livro Tomás – Maternidade, Trissomia e Amor.

A Andreia tem uma força e positividade notáveis que muito nos inspira.

Visite as suas páginas e não perca este novo episódio do Dicionário das Crianças.

 

http://www.tomasmyspecialbaby.com/

 

Olá Andreia.

 

Olá Nuno.

 

Antes de mais, muitos parabéns pelo bebé que vem aí.

 

Obrigada obrigada.

 

Ainda não tinha a oportunidade de lhe dar os parabéns, que felicidade não é?

 

Bem-vinda aos quatro filhos.

 

É verdade é verdade, uma família bastante numerosa.

 

Um máximo.

Olhe, muito obrigado por este bocadinho.

Queria-lhe agradecer a si e à sua família por estes minutos do domingo, que vos estou a subtrair, nós temos muita gente com vontade de a ouvir e portanto quero agradecer também à Catarina Saraiva por nos teres posto em contacto da Catarina do Gymboree de Carnaxide.

E queria agradecer à Inês Marques, que é uma amiga da Oficina da Psicologia que me ajudou a preparar este podcast.

 

Ok.

 

Que também a segue.

Andreia, antes de mais, como está e como é que tem vivido estes tempos de pandemia?

Se já conseguiu voltar ao normal, à sua rotina, como é que tem sido estes últimos tempos?

 

É assim eu costumo dizer que eu vivo de uma forma normal dentro desta normalidade.

Que eu acho que viver no normal do antigamente, acho que estamos longe que isso aconteça.

Eu tentei foi adaptar me aos tempos, tendo uma consciência que tenho três filhos muito pequeninos em casa e que eles não voltam a ter esta idade.

Portanto eu não quis de todo e não aceitei que nos enclauseracemos em casa e que eles deixassem de ter tudo o que devem de ter, porque é o que eu costumo dizer, nós adultos é mais uma viagem menos uma viagem podemos fazer num ano, fazemos daqui a dois anos e está tudo bem.

Mas eles não voltam a ter cinco anos, não voltam a ter seis, nem vão voltar a ter dois.

E há coisas que eles só podem viver nestas idades, por isso eu tento viver o mais dentro do normal, da normalidade, aparente esta situação que nós temos.

Há coisas que infelizmente eu não consigo mesmo fazer, como ir por exemplo a um musical com os meus filhos, ir a um teatro, porque infelizmente isso foi tudo cortado, estas actividades para as crianças.

Mas tento fazer o máximo de experiências na mesma dentro das medidas de segurança que existem.

Por acaso no natal houve alguns teatros e eu aproveitei e fui porque de facto eu comecei a ver que a minha filha com 18 meses nunca tinha ido a um musical, nunca tinha ido a um teatro.

Mesmo ao gymboree ela já deixou de ir, porque infelizmente também já não estão a fazer ao sábado e entretanto com a minha vida eu não consigo ir durante a semana.

E custa-me imenso que ela está a perder imenso, comparativamente com os irmãos que já tinham feito nesta idade.

E também tendo o Tomás e o Francisco não sintam o menos possível esta pandemia, porque eu acho que as crianças são sem dúvida os grandes heróis desta pandemia.

 

Totalmente.

Nós também sentimos essa dor e pronto, até recentemente para tentar aproximar as famílias criamos um programa online e eu sei que a Catarina fez um programa ao vivo com elas muito giras.

Mas eu também terei muito gosto em enviar uns vouchers das nossas aulas gravadas, temos agora quase 200 aulas gravadas de Gymboree, que podem fazer em casa.

 

Ok.

 

Se é uma boa aproximação do que…

 

Sim!

 

Eventualmente se poderia fazer.

Andreia, eu sei que a sua comunicação é empresarial, como é que chegou até aqui?

Agora tem um blog com uma escrita sublime, é viciante até, escreve espetacularmente bem. Mas como é que foi dado este salto?

Eu percebo que o blog nasceu com o Tomás, mas antes nunca tinha tido apetite pela escrita?

 

Não nunca, pelo contrário, nunca gostei, por exemplo quando era os trabalhos da faculdade e tudo, eu confesso que não era a pessoa responsável pela parte de formar textos, fugia um bocadinho daí, não sei.

Depois de facto o Tomás nasceu e tive essa necessidade de ter um blog onde mostrasse para a sociedade o que era na realidade ter um filho com trissomia 21.

Porque eu acho que há pessoas que sabem o que é trissomia 21 são os pais.

Porque de facto infelizmente à parte médica ainda está muito pouco informada sobre o assunto, acho que agora…

Apareceu me aqui uma janelinha.

Estão muito pouco informados sobre o que é trissomia 21 e muitas vezes transmitem o pior cenário, quando isso não acontece.

Quando eu comecei a perceber que o Tomás com um mês, com dois estava a fazer tudo que uma criança supostamente deveria estar a fazer, ele comia, ele chorava, ele mamava, pronta ele fazia praticamente tudo.

Porque é que tinham dado uma sentença tão grande para o Tomás?

Eu tive essa necessidade pra mostrar o que era na realidade a trissomia 21 e daí ter surgido o blog.

 

 

Muito bem.

Falando então no Tomás e no nascimento do Tomás que foi seguramente um evento importante.

 

Sim.

 

Como é que se lida com uma surpresa desta natureza?

 

Bem, eu também tenho uma coisa acho eu, muito boa em mim que é de personalidade que sou muito positiva.

E lembro-me e felizmente também tenho uma estrutura familiar muito sólida.

O que também me permite muitas vezes ter estas ferramentas de talvez para ser também positiva.

Eu lembro-me que quando o Tomás nasceu, foi o primeiro embate que eu tive na minha vida.

Portanto com 30 anos que me tinha fugido o meu controle.

Mas lembro-me de ter criado em mim logo a ferramenta, de isso não me afetar negativamente.

Ora isto não quer dizer que eu não sofri, claro que eu sofri, eu também chorei, também tive os meus momentos, mas lembro-me que ainda estávamos no bloco de partes, pronto.

Quando eu senti que o Tomás tinha trissomia 21 e ainda não havia certezas nenhuma de pensar.

Eu estava num buraco muito escuro pela primeira vez em que eu tinha que ganhar força interior para voltar ao de cima, não poderia ser de todo a trissomia do meu filho ou a condição do Tomás, que me iria perder a felicidade.

Porque eu sempre fui uma pessoa feliz e muito positiva.

Portanto não é, não podia ser de todo isto, que me tornasse infeliz, porque eu acho que a felicidade depende exclusivamente de nós.

Tudo o resto depois entretanto vem por acréscimo, mas somos nós que mandamos na nossa felicidade, porque eu podia ter escolhido o caminho da infelicidade, eu podia ter escolhido o caminho da lamentação e de me refugiar em mim própria e não queria saber dos… não falar mais com os meus amigos e afastar-me de tudo, mas eu própria recusei essa situação.

O Tomás estava cá, não havia tempo a perder, não havia tempo para chorar, o caminho  era agora em frente e vamos é arranjar mecanismos para tornar esta coisa menos boa numa coisa normal e positiva e basicamente foi assim.

Mas eu acho que isto tem muito a ver com a minha forma de ser.

 

Definitivamente eu destacava a tua positividade que é realmente notável, está até no título deste podcast, que não foi fácil encontrar.

Mas foi precisamente a Inês que nos ajudou a chegar aqui a este contexto, realmente é que fantástico.

Porque a Andreia destaca-se por essa positividade, as nossas professoras, a nossa equipa quando teve a ler, a reler o seu blog muitas pessoas que já seguem.

Destacavam sempre isso.

Uma pessoa com ama positividade incrível, uma inspiração e pronto.

Imagino que seja mais fácil uma surpresa nesse contexto

 

Sim.

Até porque ninguém está preparado para independentemente de tudo, ninguém está preparado. Ainda para mais o Tomás foi o primeiro filho, foi o primeiro neto, o primeiro sobrinho, portanto havia muito aquela expectativa do sonho da parte cor-de-rosa, da maternidade, em que em segundos nos foi roubada.

Portanto…

 

Eu tenho aqui uma pergunta que parece que é feita para si, mas eu acho que é feita para todos os pais. Porque todos nós uma forma ou de outra, mesmo de forma subconsciente temos que lidar com um filho que não é às vezes o que idealizamos.

 

Sim.

Portanto há o luto do filho idealizado e é um bocadinho esse desafio que eu lhe colocava.

Tinha grandes expectativas em relação ao Tomás?

Foi algo que construiu e que depois teve de se confrontar com outra realidade?

Em relação ao Francisco e a constância agora esta aqui que vem.

Mudou alguma coisa em termos de idealização ou está mais flexível e mais vá lá, desperta para aceitar a realidade como ela se apresentar?

 

Sim, aqui a questão foi que, eu dei uma dei me, deixei, ou seja, o Tomás ensinou-me a viver a vida de outra forma, com outro ritmo, sem grandes expectativas e se há coisa que o Tomás me ensinou foi viver o presente, porque o futuro foge do presente.

E eu acho que muitas vezes nós estamos agarrados é ao futuro, mas esquecemos-nos que para chegar ao futuro, temos que ter um caminho, que se faz desse presente e eu costumo dizer a mães que me cruzo que o Tomás é o que é, nesta fase em termos de desenvolvimento e tudo, porque teve um presente.

Ele não ficou a falar desta forma, mesmo em termos de desenvolvimentais não é o, se não houvesse tudo para trás.

Houve muito choro, houve muita frustração, houve muita coisa e respeitar as crianças, porque eu acho que muitas vezes nós estamos agarrados às guidelines.

Que eles têm que começar a andar em x meses, depois têm que começar a andar aqui, a comer isto x meses isto, faz com que nós mães vivamos muito obcecadas e muitas vezes nem vivemos a fase da criança, porque há crianças com ritmos muito diferentes, tenham elas patologias ou não.

Eu acho que isso foi a minha maior aprendizagem com o Tomás e sou muito descontraída, portanto se não, se ele não fize…, se ele ou o Tomás ou a Constança, ao bebé que agora que ai vem ou mesmo o Francisco, não fizer de acordo, exemplo Francisco só começou a andar com 15 meses.

Há crianças que começam com um ano.

Eu tava super tranquila, estava super tranquila.

O Tomás só começou a andar com dois anos, estava super tranquila também.

Eu sabia que o Tomás ia ter sempre um ritmo mais lento, mas eu sabia que estava a fazer um trabalho para isso acontecer e ia chegar o dia que ele ia começar a andar.

Portanto aqui a tentar é, não ouvir muitas vozes exteriores, porque há muito isso na maternidade.

Toda a gente quer a dar palpites e eu lembro-me que houve, fui uma vez arranjar as mãos e a esteticista que me, fui um cabeleireiro que nunca tinha ido, então não havia qualquer relação.

Mas pronto, estavamos a falar, ela também tinha sido mãe à relativamente há pouco tempo, mas ela não sabia quem era a mãe que estava do outro lado, que era eu neste caso.

E que estava a passar por um período em que tinha uma criança com necessidades especiais e ela, mas eu sempre falei é verdade, ou seja, sempre disse que estavamos a falar se andava ou não.

Eu disse que o filho ainda não andava, eu acho que nessa altura o Tomás deveria ter uns 15 meses mais ou menos.

E ela muito espantada a dizer: aí mas o meu já anda isso.

E as pessoas não têm esta sensibilidade para perceber e se calhar do outro lado está uma mãe a sofrer.

Porque estão sempre mais à frente e querem muito mais das crianças.

Eu acho que infelizmente as crianças hoje em dia são muito vistas como troféus.

Para nós país exibir-nos.

 

Ya.

Aparentemente uma competição, quer dizer, tentar fazer uma criança um cavalo de corrida, um carro de fórmula 1 é uma tontice não é?

 

Sem dúvida.

Porque quem sofre são as crianças acima de tudo, porque depois começam a viver nesta redoma de “tens de ser o melhor” e por acaso o Tomás agora mudou de escola e na primeira reunião, a diretora tava a dizer que naquela escola infelizmente havia muita competitividade.

E que os pais deveriam mudar isso das crianças, porque as suas crianças têm que competir com elas próprias e não com os outros.

E os pais, nós pais inconscientemente muitas vezes incutimos a competência, porque tens de ser melhor que aquele, tens que ser mais que aquele.

E isto gera uma frustração e uma energia às crianças que esgota também e eles ficam muito frustrados.

Porque muitas vezes não conseguem e depois vão descarregar a frustração noutras coisas que nós não queremos.

 

Claro.

Claro que sim.

Andreia, como é que foi o papel da família e dos amigos na vá lá, no crescimento?

 

Foi muito importante, foi muito importante sem dúvida.

Eu assim que eu o Tomás, portanto há o período em que nós tivemos a notícia, mas sem confirmação e isto tem que fazer alguns exames e só passado 15 dias é que iriamos ter essa confirmação e nesse período eu quis me resguardar e não contei a não ser à família mesmo chegada, que estamos a falar de pais e irmãos.

Porque não quis preocupar, porque ainda havia esperança para todos os efeitos ainda havia esperança que ele não tivesse.

Assim que o Tomás soube, eu nesse próprio dia, embora tivesse isolada e estivesse a chorar imenso, eu peguei no telefone e comecei a contar a aqueles meus amigos mais próximos.

Porque não havia nada a esconder.

O Tomás era o Tomás e eu queria que eles percebessem todos, eu não queria que o Tomás tivesse como alcunha de trissomia 21, nem que fosse tratado de forma diferente.

Portanto eu quis mostrar a todos, nunca escondi a ninguém que o Tomás tinhas trissomia 21, mas deixou de ser assunto nesse dia.

Portanto nós falamos, eu chorei tudo.

Todos os meus amigos felizmente e familiares se mostraram disponíveis, para o que fosse preciso.

Claro que também ficaram tristes, porque ninguém está à espera de… Mas a partir daí nunca mais foi assunto, pelo contrário tenho amigos meus que me dizem que quando tão conosco, nem percebem que o Tomás tem trissomia 21, porque já é uma coisa tão normal e eu fico feliz, porque de facto eu também passa-se meses que eu não me lembro que o meu filho tem trissomia 21.

Portanto, porque não estou virada e eu nunca aceitei a trissomia 21 que ganhasse ao meu filho.

Eu quero que o Tomás ganhe como pessoa e que tenha o seu nome completo.

Tanto que na escola e tudo eu nunca comecei a ver uma escola começando por dizer que eu tinha um filho com trissomia 21.

Eu tenho um filho com três anos que se chama Tomás, no fim da visita eu disse que o Tomás tinha trissomia 21.

 

Muito bem.

O que é que é diferente no acompanhamento de saúde e do crescimento do Tomás?

 

O Tomás faz consultas anuais, de visão, de otorrino, a decoração essa outra criança não tem necessidade do fazer, só para o que nós queremos aqui trabalhar muito na prevenção tanto na parte da saúde como na parte de desenvolvimento.

Portanto estas consultas por mais que eu, agora já fizemos, que o Tomás fez em agosto, portanto em setembro outubro eu estou a acabar todas essas consultas e tá tudo bem felizmente, mas daqui a um ano eu volto lá, se ele tiver algum problema antes claro que eu volto antes, mas não volto daqui a um ano.

Não vou esperar, ah tá tudo bem então não vou.

Não!

Porque pode ser daqui a um ano pode ser detectada uma coisa pequenina que podemos logo atuar, porque tem mais tendência para ter problemas de visão mesmo na parte de otorrino como tem os canais mais pequeninos, ter ali algum problema de congestionamento, de otites, a parte do coração também teve,o Tomás entretanto também foi operado ao coração, soubemos à um ano atrás que o Tomás iria ser operado e foi operado em agosto ao coração.

Mas pronto, faz esse tipo de acompanhamento.

Em termos de terapias, o Tomás faz terapias de, nós temos, fazemos um método de estimulação intensive, que é o método Glenn Doman, desde os quatro meses.

Está com uma psicomotricista também, que aplica o método e que depois faz outro tipo de trabalho com o Tomás e terapia da fala.

Estava com natação, mas agora atendendo à pandemia infelizmente teve que deixar.

Portanto nós trabalhamos muito na prevenção.

O Tomás está aprender a matemática e a ler desde os 4 meses, parece uma estupidez, mas lá está, nós estamos a trabalhar na prevenção.

O que eu quero é quando o Tomás chegar à altura certa já tem estas ferramentas.

Por mais que não faça sentido às pessoas, de forma comum, mas é a trabalhar sempre na prevenção.

Não é quando chegar os seis anos, vamos então trabalhar a ler.

Não.

Está a ser feito um trabalho já anos, para que eles cheguem a essa fase e isso já esteja adquirido.

 

Faz muito sentido.

Eu vou fazer uma pausa Andreia, para dizer, nós estamos a fazer esta emissão em várias plataformas e temos muitas pessoas a juntarem-se aqui à nossa conversa e eu convidava se tiverem alguma questão para colocarem no chat, porque nós conseguimos ler aqui.

Eu posso colocar as perguntas à Andreia durante a nossa conversa.

 

Claro.

 

Aqui a minha próxima pergunta era, como é que foi a coragem para ter mais filhos?

 

A maioria de pessoas que pais, principalmente primeira viagem que tiveram um filho com necessidades especial demoram muito tempo a dar este passo.

Eu sou a primeira pessoa a dizer-lhes força, vão em frente, porque eu acho que é o melhor.

Primeiro eu acho que todos os pais merecem a oportunidade de viver a maternidade em pleno.

E eu senti que isso me foi roubado no primeiro dia que o Tomás nasceu, porque eu não vivi o que uma mãe vive.

Eu vivi logo no momento da angústia, do estresse, será que sim será que não, do sofrimento.

E então eu não vivi aquele momento cor de rosa, que falam na maternidade.

Portanto além de que sempre quis ter outros filhos, portanto decidi que eu iria ser mãe de outro filho brevemente.

Tanto que eu engravidei do Francisco quando eu o Tomás completou o seu ano de idade, mas nunca na forma de: não, eu quero ter um filho para assegurar o futuro do Tomás, para eu faltar a ter o irmão.

Não.

Eu não tenho os meus filhos para isso.

Até porque pedir isso, seria dar-lhes um grande peso.

Eu não quero que o Francisco como a Constância e agora o bebé que aí vem sinta essa responsabilidade.

O Tomás é responsabilidade minha e do pai, não quero de todo.

Claro que os valores que eu estou a transmitir aos três é de união, de cumplicidade, partilha, de se ajudarem.

Mas não pelo Tomás ter trissomia 21, porque eu faço o mesmo com o Tomás para o irmão e Tomás para a Constança e assim do Francisco para a Constança.

Eu quero que eles trabalhem, que eles vivam todos no meio da cumplicidade e da união.

Claro que, a longo prazo vai ser muito bom para o Tomás ter esta estrutura familiar e que vai ser sempre um apoio, mas não quero nunca que eles se sintam isso.

Eu acho que não seria justo para eles.

Eles nascerem com esse peso.

 

Claro.

Andreia, sentes que o coração descomplicou aquilo que as cabeças às vezes complicam?

 

Sim, sem dúvida.

Eu acho que nós temos que muitas vezes a cabeça complica muito mais do que o coração, só acho que de vez em quando, nós basta ouvirmos um bocadinho mais o coração, que o caminho acaba por se encarregar de chegar até onde…

E eu agi sempre com o coração.

É muita coisa e até agora correu tudo bem.

 

E nesta altura já se sente doutorada em trissomia 21?

 

Já.

Sem dúvida sem dúvida sem dúvida, sem dúvida.

Queres vir aqui dar olá?

O Tomás vai só dar olá.

 

Olá Tomás, como é que estás?

 

Tudo bem.

 

Estás tão gato, com um cabelo muita giro.

 

Está enorme.

Vá, diz tchau, vai.

 

Que máximo.

 

Vá beijinhos.

 

Apesar de doutorada, eu imagino que agora não se sinta minimamente definida pela tristeza, por isso isto passa, quer dizer um apontamento da vossa vida.

 

Sim.

Exatamente da mesma forma que por exemplo um é loiro outro é moreno, um é gordo o outro é magro.

É um apontamento, é uma característica.

É porque o caminho que eu estou a fazer com o Tomás é para a autonomia.

E foi isso que eu lhes jurei no dia do parto, que iria fazer tudo para que o Tomás fosse feliz e que fosse aceite na sociedade.

Ele só pode ser aceite na sociedade se ele fizer exatamente o que as outras pessoas fazem.

Se comunicar se bem, se saber estar, se andar.

Por isso mesmo é que acho que estou a construir o caminho para que depois eu viro costas pronto, ele voe.

 

Claro.

Andreia, eu agora vou contar-lhe uma história.

Eu hoje de manhã fui correr e fui ouvir algumas coisas sobre a Andreia e tive a ouvir a sua entrevista à Tânia Ribas de Oliveira.

Não foi assim há tanto tempo.

 

Não, foi, sim…

 

E nessa entrevista contou a história do Bernardo ter feito uma tatuagem com uma cicatriz semelhante à do Tomás.

Porque o Tomás foi operado ao…

 

Sim.

 

E foi altamente comovente e portanto antes de mais, eu queria deixar aqui uma vénia ao Bernardo, que eu não conheço pessoalmente, mas que fiquei a admirar imenso e comoveu e me inspirou profundamente.

Depois tive a perceber que nós temos muitas coisas em comum, ele também é benfiquista,  também gosta de…

 

Ferrenho.

 

Também gosta de motas, se calhar cruzamo-nos imensas vezes e não nos apercebemos.

Eu imagino que o Bernardo tem sido uma parte importantíssima da vá lá, da sua gestão de toda esta situação e que vocês os dois hoje em conjunto tenham sido obviamente muito mais fortes do que, do que sozinha.

Vocês têm uma forma diferente de encarar isto, são complementares, sente se em sintonia com ele ou em fase, vá.

 

Sim.

Eu acho que são raras as relações que duram depois de uma situação como esta.

Portanto, infelizmente existe, os casais acabam por se separar, porque existe sempre aquele sentimento de culpa e acho que isto foi o que nos, foi bom para nós foi, porque em momento algum eu achei que a culpa era do Bernardo ou a culpa, ele achou que a culpa era minha.

E fomos a força um do outro, ou seja, quando eu caía, ele levantava-me e quando ele caiu  eu levantava-o.

Nunca tivemos os dois em sintonia, portanto estavamos sempre em equilíbrio e ainda hoje nós somos assim um bocadinho nesta vida.

Somos um bocadinho os dois anos, ambos muito complicados, a diferença é que eu sou mais organizada, mais pragmática e ele não, nem tanto.

Mas acho que nos completamos bastante e nunca houve aquele sentimento de culpa, ou seja, ficou resolvido.

Nós não temos pontas soltas.

Aconteceu o que aconteceu com o Tomás, sofremos os dois, cada um da sua forma, como é óbvio, também somos pessoas diferentes.

Mas nunca houve aquela luto de mesas, em que nós queríamos em nossa casa uma energia positiva.

E eu acho que nós temos muito isso, nós somos duas pessoas que descomplicamos muito da vida.

Não agarramos muito às coisas negativas, porque o mal só atrai o mal e o bom só atrai o bom.

E então agarramo-nos a essa parte positiva.

E depois é, quando um está menos bem, o outro traz o outro para cima.

 

Uau.

É uma sorte imensa.

 

Sim.

 

Andreia.

A Andreia tem uma outra realidade que se calhar interessa também a quem está ouvir que é, esta coisa de ser influencer e de ter um blog e ter um Instagram muito popular.

Muito conhecido.

Como é que é isto de ser influencer?

O que é que me pode dizer sobre essa realidade?

Quão diferente é da sua vida anterior.

Coisas boas coisas, eu acho que era interessante se falarmos sobre isso.

 

Isto começou tudo com um objetivo muito vincado que é o Tomás.

Portanto isto quando começou… agora hoje em dia a sua influência já numa vertente muito comercial.

E eu quando comecei ainda nem Instagram havia, o Facebook é que havia e a plataforma blog.

Mas eu acima tudo, eu tinha esta mensagem que eu queria transmitir à sociedade, queria desmistificar um pouco o que era ter um filho com trissomia 21 e ajudar os pais.

E é nesta linha sempre que eu não me quero perder.

Portanto, claro que depois tem alguma componente comercial que vai aparecendo isso é inevitável, mas este é um objetivo máximo, tanto que eu nunca deixei de trabalhar, para me dedicar só a esta parte, porque eu não quero.

Quero que para todos efeitos seja sempre um hobby, em que eu mostre, partilhe e que me dê prazer.

Porque me dá prazer.

As coisas, não tenho muita coisa negativa a apontar, felizmente.

É só porque acabamos por ser um bocadinho prisioneiros de nós próprios, aqui da internet, do telefone, da partilha, porque as pessoas acabam por criar uma ligação forte conosco e ainda bem.

Porque é isso que nos mantém vivos no digital, mas também se nós falhamos ou se deixamos de aparecer por algum motivo também somos cobrados, porque é que se passa alguma coisa. o que é que é.

Portanto não é um trabalho em que ok, vou fechar o computador e vou estar de férias uma semana.

Não.

Isso não acontece.

Porque todos os dias existem conteúdos para partilhar que são conteúdos muitas vezes orgânicos, não têm que ser necessariamente comerciais.

As pessoas, isto é quase como uma novela da vida real.

O meu sonho é que o Tomás pegue nisto, porque isto começou por ele e quando ele chegar nessa fase escrever e tudo e que ele faça os seus próprios textos da vida.

Eu gostava muito e é isso claro, sair um bocadinho de cena.

Mas este blog acabou por se tornar um bocadinho um blog de maternidade.

Eu acabo por abordar vários assuntos e mostro o melhor dos dois mundos.

Portanto, o mundo da necessidade especial de crianças e o mundo de descomplicação da maternidade e que é tudo fácil, porque eles aprendem porque sim, sem nada, assim sem grande esforço da nossa parte.

É um caminho bonito que está a ser feito, eu penso.

Tenho seguidores muito queridos, que gosto verdadeiramente deles e eu sinto que eles também gostam, que simpatizam muito com a nossa família.

É quase uma segunda família, portanto eu já, eles não vivem sem mim e eu também não vivo sem eles, porque tenho essa necessidade de partilhar.

 

E tem uma equipa muito grande por trás.

Eu que eu fico espantado as fotos são sempre espetaculares, o texto está sempre, o copy está sublime, são super frequentes, portanto tocam se todos os pontos.

E eu sei que aquilo não é fácil, dá muito trabalho

 

Muito, muito.

As pessoas nem têm noção, eu acho.

Porque muitas vezes veem: ah uma fotografia, mas uma fotografia é tão fácil de se tirar, pega-se no telefone…

Não!

De vez em quando é preciso tirar cem, para ficar uma bem.

Mas no meio dessas cem sabe há birras, há subornos de gomas, há imensas coisas.

E de vez em quando eu até gosto de mostrar essa realidade uma foto gira e depois o fail que é logo ele pode fugir e assim fica giro.

Eu acho que eles também gostam disto e não só a perfeição.

Acho que a perfeição já existiu há muitos anos, quando isto começou o mundo digital, mas acho que agora as pessoas procuram um bocadinho mais de realidade.

Eu se tiver a minha casa desarrumada eu mostro a minha casa desarrumada, porque faz parte.

E é muito engraçado depois ver esse feedback, as pessoas: ah eu fico tão contente vi que já não é só na minha casa que isso acontece.

Eu acho que ajuda um bocadinho de conforto, porque as redes sociais pode dar conforto, mas também pode criar muita frustração.

Verem que isto é tudo perfeito.

E não é!

Porque nós também temos algumas fases menos boas e eu sempre partilhei o bom, o menos bom na minha rede.

Mas é, mas dá muito trabalho de facto, por ter de pensar o que é que se vai escrever, é os temas. é escrever, é ter a criatividade para passar as ideias, é ter tempo para responder às mensagens das pessoas, portanto há aqui muito trabalho, é parte da edição, a fotografar, deles não quererem, mas tem que ser.

Este tipo de coisa.

 

E anda sempre com um fotógrafo atrás naquelas fotos, as fotos são sempre ótimas.

 

Ah, não eu.

É muito raro.

Ou seja, eu por acaso tenho a sorte de ter uma família de fotógrafos, portanto por exemplo nas férias e se for com meu irmão ou com o meu pai, muitas vezes eles tiram umas ou outras fotografias e logo ficam mais bonitas que as minhas.

Faço aquelas sessões, quando é a sessão de natal, as sessões de grávida e aí todas, pela empresa do meu pai, que são profissionais.

Mas na maioria, aquela fotografia do dia a dia é toda minha, é toda e muitas vezes com o telemóvel.

 

E estão ótimas.

Parabéns.

 

Obrigada .

 

E oh Andreia depois tem uma outra dimensão com a qual eu também me consigo relacionar muito bem, que é questão de ser empreendedora.

Porque abriu um projeto próprio que ele desenvolve, que é um centro de terapias.

Que eu lhe pedia para descrever na sua atual fase, porque é fácil de irmos à web, mas eu percebo que as empresas influem.

Neste momento o seu projeto está mais focado no quê?

No que é que vocês se tornaram realmente especialistas?

Para que lado é que querem crescer?

 

Nós somos um centro de desenvolvimento infantil em que tem um grande objetivo, que é trabalharmos em equipa multidisciplinar, porque é o mais difícil nesta área.

É que os pais cheguem a um sítio e encontrem um único espaço, tudo o que a criança precisa.

Porque depois e eu aprendi isto muito com o meu dia a dia, com o Tomás.

Que o Tomás sempre fez muitas terapias, é depois muito e todas as terapias são únicas, mas elas todas complementam-se entre si.

A terapia da fala vai buscar muita coisa à psicomotricidade, a psicomotricidade à terapia ocupacional.

E muitas vezes nós temos os pais de cada filho, um filho em cada terapia, mas depois cada terapeuta está trabalhar por si.

E não se complementam porque a terapeuta da fala muitas vezes poderia estar a adaptar alguma estratégia útil na psicomotricidade e não adapta, porque não tem esse conhecimento.

E assim ali no espaço foi esse objetivo.

Foi que os pais chegassem e encontrassem num único espaço tudo.

Portanto não existe aquele problemática de marcar reuniões, porque nós próprios marcamos as nossas reuniões internas para discutir o caso, para falar sobre a criança e muitas vezes há aquela conversa ocasional de corredora, que é o suficiente para articular pequenas coisas na próxima sessão.

Então trabalhamos muito o objetivo, era expandir aqui um bocadinho mais.

Nós estamos só atualmente em Lisboa e depois temos um polo em que abrange a zona de Grândola e Alcácer do Sal.

E gostávamos de ir para o norte, enfim, porque também temos tido essa procura nesse sentido, porque de fato existem muitos centros, mas poucos centros que trabalhem em equipa multidisciplinar.

E a equipa que eu tenho comigo é uma equipa que eu confio a 100% e que o meu filho Tomás e até o Francisco que tem ali terapia ocupacional e tem terapia da fala, eles estão no desenvolve com aquelas terapeutas, portanto é porque eu confio.

E eu abri com a terapeuta do Tomás, que trabalha com o Tomás desde os seus quatros meses, que eu confio muito nela e admiro a muito profissionalmente.

Aliás eu costumo dizer que nunca vai ver dinheiro no mundo que pague o que ela fez pelo desenvolvimento do Tomás.

Então nós temos aqui uma num centro as duas visões, de uma técnica e de uma mãe.

Portanto eu consigo dar aquele colo que é necessário às mães de lhes mostrar: está tudo bem, vamos trabalhar para o excelente, aparar as lágrimas, mostrar-lhes um caminho.

E o Tomás acaba por ser um grande exemplo para as mães e acaba por ser aquele esperança.

Se ele consegue o meu filho também vai conseguir e vai desde que haja trabalho.

Nada acontece do céu, aparece e olhem: hoje está aí e já fala.

Não.

É preciso haver muito trabalho por trás para falar e muitas lágrimas, muitas vezes.

 

Como é que o covid afetou a vossa actividade?

 

Afetou naquele momento de quarentena, em que nós tivemos todos que parar.

Mas tentamos nos adaptar e fazer a teleterapia e fazer algumas terapias online.

Aliás o Tomás esteve mesmo em terapia online, no método e terapia da fala.

O Francisco só teve na parte da terapia da fala.

Portanto tentamos nos aqui readaptar, não é a mesma coisa, não é o expectável, mas a segurar os mínimos para não se perder, porque de facto nas crianças tudo o que tem haver com o desenvolvimento, o tempo é crucial para, nós paramos dar-nos ao luxo de estar 2 meses parados e a meter em causa se for preciso um ano de trabalho.

E não podíamos.

Então tivemos que aqui ajustar e até para os pais também não se sentirem sozinhos.

Depois entretanto reabrimos assim que foi possível e felizmente nunca mais paramos, porque de fato houve muitos pais que tiveram mais tempo com as crianças em casa e perceberam de facto as dificuldades deles e investiram também mais no desenvolvimento.

 

Ok.

Eu coloquei o link do seu projeto aqui na descrição do vídeo.

 

Obrigada.

 

Hoje não tem a dificuldade em encontrar.

Oh Andreia, eu sei que não existe um manual de vá lá, de parentalidade,não é?

Não há nenhum livro que nos ensina a ser um bom pai ou uma boa mãe de A a Z.

Mas se houvesse, que capítulos é que nós lá podíamos lá ter escrito, que disciplinas é que acha que seriam desejáveis que os pais pudessem ter aprendido antes de serem pais ou até durante a sua paternidade?

Quer arriscar escolher algumas?

 

Respeitar a criança e o seu tempo.

Acho que esse capítulo era muito importante, porque nós não respeitamos as crianças e outro que vai muita de acordo com isso é deixá-los ser criança, porque muitas vezes os nossos medos.

Não vás para aí! Não faças isto!

Ainda hoje eu fui antes de nos voltarmos a recolher aqui em casa, fui ao Parque das Nações, porque nós vivemos perto e eu vi os meus filhos a subirem um monte de gigante de relva e o Francisco deitou-se e começou a rebolar.

Se eu fosse outra mãe, que sei, tenho amigos assim, ficava em pânico, não deixava, não permitiam, ou porque se iam sujar, ou porque podiam partir a cabeça, n coisas.

Eu deixei, porque eu também fiz isso enquanto criança e é nesta fase que eles têm de fazer.

Não é aos 18 anos que eles vão fazer isso.

E acho que é muito importante deixá-los brincar, por exemplo quando a água, se eles estiverem com galochas, porque não irem saltar nas poças?

Porque não sujarem se todos e as roupas virar a castanha?

A roupa é feita para lavar.

E muitas vezes nós temos: ai vais sujar, não vais fazer isto.

E eu deixo-os muito é muito ser criança.

Acho que estes capítulos são os mais importantes.

 

Eu identifico-me totalmente.

Um dos meus filhos mais novos, tenho um filho agora com três anos que está na escola lá fora, destas first school, que chega sempre a casa um nojo, parece que foi mergulhado em lama.

Eu às vezes tenho, a minha vontade de deitar aquela roupa fora, porque eu nem sei onde lhe pegar, mas ele fica divertidíssimo e percebo a evolução que eles têm, porque lá está a natureza é um dos melhores professores que nós podemos ter.

 

É.

Sem dúvida.

E eles aprendem muito com a natureza e depois eu ele têm o seu timing e lembro-me que a quarentena não foi fácil.

Eu acho que não foi fácil para nenhum pais, porque nós viramos também professores além de tudo outras coisas que nós viramos.

Eu lembro que fiquei muito frustrada com o Francisco e o Tomás não tinham interesse em fazer um desenho, fazer as atividades que eu lhes propunha e foi engraçado passaram tantos meses e entretanto isto foi tipo em março, abril, estamos em janeiro, mas em dezembro, novembro, o Francisco começou a desenhar por ele.

Adora vem para aqui para a secretária dele e desenha e isto realmente só prova que as crianças têm o seu timing.

Eu por exemplo, o Francisco eu nunca ensinei a fazer um puzzle, nunca perdi tempo para estar ali sentada e agora vamos fazer um puzzle e agora vais fazer isto.

Não, nunca.

E o Francisco faz puzzles em 10 minutos 50 peças.

 

Uau.

 

Mas de um momento para o outro.

E é muito engraçado Nuno, perceber que as crianças de facto têm o seu tempo.

Não vale a pena, lá está, nós adultos de vez em quando queremos tanto e uma coisa que eu também aprendi numa palestra, que não de recordo de quem a deu, porque foi de várias oradores, que disse que: nós pais perdemos muito tempo em tê-los. No futebol, na academia de música, no balé, enfim em imensas atividades para quê?

Para serem os melhores, para fazerem tudo e serem aquelas crianças exemplares.

Mas nunca lhes perguntamos se de facto eles gostam do que estão a fazer, não é?

E muitas vezes eles estão ali e se calhar não é aquilo que querem.

Se calhar basta uma.

Filho escolha a que tu gostas e ele vai para aquela e vai feliz.

Porque depois eles ficam sem tempo para nada, deixam de ser crianças, porque de fato a escola acaba ou vão logo para as atividades, atividades chegam em casa tomam banho, jantar, dorme. Volta outro dia e nem têm tempo para aquela margem para brincar, para imaginarem, porque os meus filhos, eu sou contra um bocadinho o digital, estarem sempre agarrados.

Acho que é importante eles verem televisão, acho que é importante eles de vez em quando poderem ver os seus programas no YouTube, mas não que isso se torne, que estejam o dia todo.

E muitas vezes eles dizem: ah não tenho nada para fazer.

Ok.

Não há problema.

Vais te sentar e vais olhar para o céu.

E eles é incrível que depois, eles passado um bocadinho já estão a brincar e eu utilizei muito esta técnica na quarentena.

Porque chegou a um ponto que os telefones ficaram muito aqui implementados neles e eu comecei a ver até que eu tive mesmo que cortar.

Ai não quero isto, é que nem queriam ir para o jardim, nós fomos logo para a nossa casa da Aroeira que tem jardim, não queriam ir para o jardim.

Não há problema filho, não tens nada para fazer, ficas sentado e ficas a olhar e passado um bocadinho eu via-os a brincar.

 

Isso é precioso, esse conselho.

Eu acabo por conhecer também muita gente mesmo em adultos, não é?

Pessoas que não estão confortáveis com a sua própria companhia, não é?

 

Sim.

 

Esses momentos de silêncio são altamente desconfortáveis ou de solidão, não é?

E a pessoa não consegue encaixar o silêncio. é um bocadinho por aí, não é?

 

Sim.

Eu acho também Nuno, desculpa estar a interromper.

Tem muito haver com aqui, com a parte emocional, enquanto fomos crianças.

Porque nós só somos adultos dependendo, seremos adultos dependendo do que nós fomos enquanto crianças, das bases que nós temos.

E isso, eu como estou no centro de terapias, tenho psicólogas e tudo e estou muito atenta a isso, porque há muitas falhas que acontece, muitas vezes não são culpa dos pais, mas acontece e que ficam lá marcas, que depois cria adultos insatisfeitos, não confiantes e acho que é muito importante.

Muitas vezes os pais com a parte de dar colo.

Do: ai não, não vais para a minha cama, isso nem pensar.

Porque isso é que é bom?

Não!

Mas se calhar eles querem ir para a nossa cama, querem sentir aquele conforto, aquele aconchego.

E se nós roubar-mo-lhes isso vão se sentir sozinhos e se calhar vão se sentir adultos inseguros.

E a uma psicóloga que eu admiro muito, que é a doutora Clementina, que ela disse-me: mãe se não for ao quarto quando ele tiver a chamar, ele vai se sentir abandonado, porque há aqueles tratamentos do sono, que eles choram até que eles se calam.

Claro que se calam, chega a um ponto que vão se calar.

E não é isso nós queremos, porque isso vai deixar marcas, mesmo que a criança não se lembre: aí, eu fiquei a chorar.

Vai criar adultos inseguros, porque vão se sentir, nós quando choramos, quem é que nós queremos ao nosso lado?

Alguém que gostemos, não é?

Alguém que nos dê força.

Se ele chora e nós não estamos nem aí, não vamos quer, vai fazer o oposto, não estamos a criar adultos fortes, nem seguros, pelo contrário, super inseguros.

E eu por exemplo muito aqui para o Tomás, porque eu acho que o Tomás tem uma autoestima gigante e esta autoestima gigante é muito importante, com crianças com necessidades especiais, porque facilmente são abaladas pela sociedade.

E eu é rara a noite que não vou para ao pé dele, ele já está a dormir e pimba, tenho muito orgulho em ti.

E o Tomás é uma criança que vê-se que tem muita confiança nele próprio.

Isso é muito bom, porque eu acho que não vai deixar com que ele seja abalado por algumas pessoas que infelizmente nós sabemos que existem na sociedade.

 

Claro.

Andreia, há bocado estava a falar uma conferência onde aprendeu uma lição e lembrei-me de perguntar, recomenda algum blog, algum livro, algum filme, que lhe tenha marcado e que possa ser giro nós termos acesso?

Às vezes as pessoas estão sentadas em cima de tesouros e não partilham.

 

Sim.

É verdade é verdade.

Eu agora na parte leitura e de filmes confesso que não sou muito boa, eu tenho uma bíblia de livros, mas que não os leio, porque não tenho mesmo tempo, com três filhos é muito difícil.

E depois tenho as redes sociais, portanto não tenho assim nada, eu vou é aprendendo muito.

Ou seja, eu não sou daquelas mães que acha que sabe tudo.

E então eu estou sempre em busca de informação, leio muita coisa, muitos blogs que estão haver com psicologia infantil, acompanho por exemplo o Doutor Eduardo Sá, que adoro.

Transmite muita calma e de vez em quando mostramos algum caminho que muitas vezes achamos obscuros e sou daquele tipo de pessoas que, se eu tenho alguma dúvida em relação aos meus filhos eu não tenho vergonha de o dizer.

Eu vou à procura, por exemplo o Francisco chegou à terapia ocupacional, porque eu fui à procura, havia ali alguns sinais que achava esquisitos e então eu fui perguntando à psicóloga depois ia perguntar à Filipa que é a terapeuta do Tomás e perguntei à terapeuta da fala e chegamos todas à conclusão que ele se calhar precisava ali, ele tinha a parte sensorial em excesso e precisávamos aqui de limar as arestas.

Pronto, mas se calhar se eu fosse uma mãe: não, não vou dizer, porque eu tenho vergonha o meu filho então, pelo amor de deus.

Porque existem muitos filhos, muitas crianças que eu conheço que precisavam de apoio, seja de terapia da fala, seja do que for e os pais rejeitam a ideia.

E não é os pais que estão a perder, é aquela criança.

Porque o tempo nas crianças é crucial, não…

 

Claro.

 

Ok, eles podem agora fechar os olhos e fingir que não veem, mas daqui a dez anos vão ver e se calhar isso já não se vai conseguir recuperar o que se vê ter feito aos seis.

 

Totalmente.

Andreia se pudesse ocupar um cartaz gigante para toda a gente ver, que mensagem é que escolheria lá colocar?

 

Ui, isso é difícil.

 

Um bocadinho.

 

Isso é muito difícil.

Acho que metia o sonho comanda a vida.

Este é um dos meus maiores lemas.

Porque acho que nós nunca nos devemos de nós, se nós somos capazes de sonhar, é porque somos capaz de fazer.

E devemos de seguir depois esse sonho nosso.

E acho que temos que viver com os pés na terra, mas também deixar de ser tão racionais, porque eu confesso Nuno, se eu fosse muito racional eu acho que nunca tinha tido mais do que um filho.

 

Claro.

Tem que exercer esse músculo de sonhar, é uma coisa que tem que fazer de forma voluntária ou é uma coisa que lhe sai naturalmente e que tem de travar?

 

Eu acho que sai muito voluntariamente, porque eu também sou muito positiva.

Portanto eu nunca vejo mal em nenhum lado, eu tento ver sempre o copo meio cheio mesmo quando me acontece ou alguém tem um comportamento menos normal pra mim ou que eu não goste tanto tento desculpar.

Bem se calhar ela disse isto por causa disto.

Tentar ver um bocadinho mais o copo menos cheio.

E sonhar muito isso, é muito positivo.

Eu acho que tem muito haver, tentar racionalizar menos, porque eu acho que quando o medo atrofia-nos.

E se nós damos espaço ao medo, ele toma conta de nós.

 

Totalmente.

 

Eu tenho medos eu também tenho, olhe por exemplo quando eu descobri que estava grávida do agora, tive muito medo, embora era uma coisa que eu queria, mas daí a querer e a concretizar-se ainda vai uma distância e quando eu percebi que estava, ia ter 4 filhos pensei assim: o que é que eu fiz à minha vida?

Já tinha a minha vida mais ou menos orientada, agora vai mais um é mais despesas e isso e depois pensei: não, Andreia.

Depois eu tento trabalhar comigo esta parte que é, não vais pensar mais nisto, não vale a pena, vamos fazer um reset, vamos pensar só nas coisas boas que este filho te vai trazer, porque a faculdade, o casamento do filho, essas coisas, ainda falta tanto.

Vamos trabalhar no presente.

O futuro devo chegar, só deus saberá como será, portanto…

E foi nisso.

Claro que eu tive medos, agora eu, costumo fazer uma pergunta quando me aparecem assim mulheres e há mães que vêm falar comigo e pedem me ajuda.

E eu digo logo: faça uma pergunta para si própria, que eu aprendi isto, se tivesse medo, se não tivesse medo eu faria?

E sabes se a resposta for sim então siga em frente o caminho já tá, não é?

 

Eu tenho dois adolescente e tenho dois bebés, eu achava que só ia ter dois filhos na minha vida, mas parece que foi fora de mão.

E a minha inspiração até é uma professora nossa.

No Gymboree nós temos uma professora que tem seis filhos.

 

Uau!

Espetáculo!

 

Eu fiz um podcast com ela há umas semanas atrás e as minhas perguntas eram muito por aí como é que é, como é que tu fazes, porque e ela é super positiva, muito parecida com a Andreia até nesse aspecto, muito Zen e parece fácil.

Ela faz aquilo parecer fácil, tanto que eu acabo por me sentir um menino com quatro filhos…

 

Acho que é um bocadinho descomplicar.

Não é Nuno?

De vez em quando nós complicamos muito e eu costumo fazer mesmo quando eles estão naquela fase em que: vamos partir tudo, vamos mandar tudo para o chão, eu tenho aqui um botão no meu cérebro que eu desligo, ou mesmo quando estão com pinturas, não estou preocupada com o chão, a colcha vai sujar, porque se vai lavar e se partir, partiu, sujar sujou, porque a minha mãe é daquelas, embora a minha mãe sempre nos deixou fazer tudo e a nossa casa foi sempre vivida por nós.

Mas a minha mãe estimou sempre as coisas.

E quando foi agora há pouco tempo recentemente quando remodelou a sala, estava cheia de pena, porque os móveis estavam novos.

Eu disse: mãe estás a ver? As coisas são para serem usadas, assim pelo menos eu quando quiser mudar o sofá, mudo, tranquilamente, porque ele já estava rasgado, não é?

Não estou com mantas e essas coisas e não faças isto.

Ainda no outro dia, os meus filhos estavam aqui a pintar no tapete, eu assim: ai este tapete, vai ficar todo sujo.

Bem depois acabei por os tirar daqui e foram mais para o chão, mas é assim também pensei: o tapete é do IKEA, portanto não é por aí, se ele se estragar estragou de vez, se não também é o quarto deles brincar.

 

Claro.

Que conselhos daria a um jovem casal ou a um casal que esteja a pensar ter filhos no curto prazo?

 

Que não planem muito, porque de facto a maternidade não dá para ser planeada.

Que se foquem só nos nos valores que eles querem transmitir para os filhos e que vivam o dia a dia da melhor forma e deixeim, aproveitem, não deixem ninguém que lhes tire o colo, que lhe diga não faças isso, ouçam sempre o coração.

Porque muitas vezes nós, principalmente os pais, quando são pais pela primeira vez, como eu também fui ouvimos muito, estamos sempre a ouvir e não faças isto.

Tudo é opinião.

E parece que os nossos filhos muitas vezes acabam por nem serem criados por nós, não é?

São criados por toda a gente, porque toda a gente tem uma opinião para dar e muitas vezes até vai contra o que nós queremos.

 

Isso é perfeito, porque cola já com a minha próxima pergunta, que era que maus conselhos ou recomendações é que costumam ouvir relacionados com a parentalidade ou até com o desenvolvimento da criança?

Uma vez que que tem o desenvolve, eu acho que está totalmente por dentro disto e às vezes nós ouvimos coisas que nos deixam um bocadinho desconfortáveis, alguma em particular de estimação que queira destacar?

 

Não.

Eu acho que há muito sobre a amamentação.

Ah, mas dás mama ainda com quatro meses como se fosse uma coisa…

Ai eu não sei como é que tu consegues dar, mas deixas eles ir para a tua cama dormir, mas dás assim tanto colo?

Olha que lhes estás a dar colo a mais fica mal habituado.

Este tipo de coisas e depois eu acho que nós temos de ter sensibilidade para saber quem temos ao nosso lado, portanto não devemos estar a dizer: não anda ainda, não fala?

Porque nós não sabemos como é que está aquele coração daquela mãe, nem sabemos se há algumas coisas por trás e eu acho que muitas vezes as pessoas estão sempre a querer mais e muitas vezes acabam por magoar quem tem ali ao lado.

 

Claro.

Eu tenho uma última pergunta, que eu acho que deve ser a mais fácil para Andreia.

Quando se sente assoberbada e fora de foco ou descentrada, o que é que faz para se centrar de novo?

 

Tento respirar muito fundo e apagar essas coisas todas da cabeça que me estão a surgir péssimas e pegar numa coisa boa, nem que seja numa imagem que eu tenho de ter feito umas férias e de fazer reset.

 

Excelente.

 

É por aí que eu costumo ir sempre e também tenho tempo comigo própria, também gosto muito de estar sozinha.

De estar, pensar, o escrever ajuda-me imenso por exemplo, e estar com os meus filhos também, ajuda-me muito.

 

Isso é perfeito.

E já agora como é que cuida de si?

Onde é que vai buscar a energia e Zen?

 

Olhe, eu sou uma pessoa muito focada em objetivos, portanto eu estruturo a minha semana, os meus dias, eu sei exatamente o que é que eu tenho de fazer e tento nunca passar o dia sem cumprir o que me propus, porque essa coisa não vai desaparecer, pelo contrário vai acumular com o dia seguinte e cada vez vai ser pior.

Portanto até não conseguir ando daqui um bocado inquieta, mas tento gerir dessa forma e depois tento de vez em quando jantar com as amigas, ir às compras sozinha, fazer algumas coisas também sem os meus filhos, porque também é importante nós termos um tempo só para nós, porque se não somos consumidas, tudo é humanamente quase impossível ainda… eu felizmente tenho as ajudas, o meu marido ajuda-me, portanto consegue ficar perfeitamente com eles se eu vou às compras, se vou jantar com as amigas, tentamos procurar também quando fazer um jantar a dois, também tenho felizmente os meus pais aqui ao lado, que estão sempre disponíveis para ficar com os meus filhos e nós vamos passar um fim-de-semana fora.

Portanto é ir buscar, é o equilíbrio.

É viver um bocadinho o equilíbrio e a mim também me faz muito bem, quando, por exemplo ainda há bocadinho, nós passamos o sábado todo em casa, agora vamos passar a tarde toda em casa e com crianças e em casa é muito difícil, porque chega a um ponto que eles já não sabem o que há-de fazerem, nós já não sabemos o que é que vamos fazer, depois temos imensas coisas para fazer em casa.

Fui o ter ido à Expo só um bocadinho, respirar ar puro, deixá-los brincar livremente.

Eu acho que é logo vitamina ao meu corpo para a semana.

 

Andreia, muito obrigado por este bocadinho.

 

Obrigada eu Nuno, foi um gosto.

 

Qualquer dúvida que precise por favor disponha, está bem?

 

Claro que sim, muito obrigada Nuno, pela oportunidade, foi um prazer.

 

Beijinho e bom domingo.

 

Obrigada e igualmente para todos.

Um beijinho.

 

Obrigada.

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Super Professora

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Hoje vamos falar com a Super Professora Sandra Santos. Uma Super Professora em todos os sentidos.

Como Coordenadora da Escola Básica Fernando José dos Santos a Sandra implementou a primeira Associação de Estudantes no Ensino Básico Nacional, promoveu o contacto com a natureza, criando uma horta e adotando gatinhos.

Promoveu a selecção e implementação de projectos por parte das crianças num contexto de criatividade e inovação.

Neste podcast vamos falar com uma Super Professora Criativa mas também tentar cobrir os seguintes assuntos:

-Dicas para  Super Professoras

-Ser Super Professora de crianças

-Ser Super Professora de Bebés

https://gymboreeclasses.pt/dicas-gymboree/familias-numerosas/

Canal Youtube

Olá Sandra.

 

Olá Nuno.

 

Então como estás?

 

Bem obrigada, tudo ótimo.

E contigo também?

 

Tudo ótimo.

Olha, antes de mais, muito obrigada, por teres aceite este convite. Ainda mais a um domingo.

Eu queria muito ter esta conversa contigo.

Nós já tivemos tantas conversas espetaculares.

Estava à bocado a lamentar me de não termos gravado e imitido.

E de reduzirmos todo este fator de stress e nervos. de estarmos a falar em público.

Vamos começar de novo.

Elas são sempre todas boas e nós hoje seguramente não vamos falhar.

Antes queria te apresentar um bocadinho à nossa audiência.

Tu és uma professora do básico agora, não é?

Vens de educação visual e educação tecnológica e fizeste uma especialização em ensino especial, é assim que se chama?

 

 

É, isso do ensino especial vai mudando todos os anos, mas é tudo igual.

 

Muito bem.

E foste agora no ensino, do básico. Onde eu te conheci, quando organizamos o Lemonade, há uns anos atrás.

E eu fiquei convencido que tinha conhecido a melhor professora do mundo, não era só de Portugal.

E entretanto tenho picado um bocadinho, o teu saber, porque pronto, porque tens uma influência na forma como eu vejo a educação a esse nível.

Eu estava mais focado, por via do Gymboree, na primeiríssima infância.

Mas óbvio que as crianças depois dos 5 anos e dos 6, continuam a ser crianças e a precisar de aprender coisas.

E comecei a pensar como é que nós podemos influenciar e sermos bons modelos para essa fase do ensino também e para as fases seguintes. E portanto, a todas as bases que nós queremos, são obviamente muito importantes.

Porque é que eu digo que tu és a melhor professora do mundo?

Eu fiquei super impressionado, tu eras coordenadora de uma escola pública, não é?

A Escola Básica Fernandes José dos Santos, não é?

E falei com alguns pais que tinham lá crianças e viviam todos super impressionados com as tuas ideias, tu criaste a primeira associação de estudantes de Portugal, no ensino básico. Criaste uma horta, adotaste uns gatinhos, as crianças todas as semanas ou todos os meses tinham projetos e apresentavam-te desafios que tu ajudavas a implementar.

Eu ia-te pedir que falasses um bocadinho sobre isso, porque fizeste isso ainda por cima num contexto de escola pública, com acredito eu, um conjunto de constrangimentos orçamentais, de tempo, datas curriculares e no entanto tu avançaste com aquilo com sucesso.

Lembras-te desses tempos?

Queres falar um bocadinho sobre isso?

 

Eu acho que esses tempos vão estar sempre comigo, não é?

Foram 6 anos muito ricos.

E 6 anos de aprendizagem para mim e para toda a equipa que tivemos juntos na Fernandes José dos Santos, incluindo pais também. Porque eles tinham um peso muito grande, que a associação de pais estava parceira com os professores e a equipa que estava lá no agrupamento.

Eu acho que… o grande leito, é deixar fluir.

Quer dizer, nós não podemos tornar estanque o pensamento das nossas crianças. E cada vez que eles batiam à porta, a requerer uma reunião com a coordenadora.

“Ponha na sua agenda por favor um tempinho, que nós queremos por uma ideia”.

E eu via a minha agenda com calma, ah isto está difícil, amanhã 9, 10 também é difícil. Hm amanhã ao 12:30 será que podem estar?

Ah sim sim, professora Sandra.

E passavam um documentozinho assinado por mim.

E a dizer: pronto amanhã, iam eles no dia seguinte com o papelinho ao meio dia, assim: é agora?

E eu, pronto vamos uma reunião formal.

Tão simples.

Queriam proteger as formigas na escola. Queremos formar uma associação para proteger as formigas, porque elas estavam a sair dos seus espaços e eram pisadas, pronto.

Quando se deixa que a magia aconteça, quando se deixa as ideias, que as crianças tenham a ideia que nós temos, da ideia do Festival, que foi tão rico.

Tudo pode acontecer.

Há barreiras, há um currículo, mas eu não acho que isso seja uma condicionante para que as coisas acontecessem.

As coisas podem enriquecer o currículo de outras formas.

Tendo ciente currículo na nossa cabeça e o que temos de fazer com o currículo, não é?

Tudo o resto vai ajudar.

Portanto, tudo o que eles possam fazer, vem ajudar.

E eles são ricos em ideias.

Nós não podemos, é um crime, condicionar as ideias e condicionar aquelas cabeças a fervilhar. E temos que os encaminhar algumas ideias e alguns processos.

Mas de resto, não podemos.

 

Ok.

Ainda hoje, quer dizer, não há nenhum impedimento para os professores no ensino público, ter essa abordagem um bocadinho mais, sofisticada, inovadora ou foi uma coisa muito difícil para o qual tiveste de debater?

 

Não.

É assim, não posso dizer isto assim, porque as pessoas que nos estão a ouvir, vão pensar mal de mim, não é?

Há uma série de leis, não é?

Que supostamente, temos de ter conhecimento delas.

Mas será que isso tem de ser barreira, para que as coisas aconteçam?

Será que nós não podemos fazer, o que todos os professores têm vontade de fazer?

Quem faz as escolas, somos nós, não é?

Quem faz as escolas, são as pessoas que estão lá de dentro e que vão todos os dias de manhã. Depois da sua manhã com filhos ou sem filhos em casa, vão todos os dias a entrar por aquele espaço, com aquele espírito, não é?

E tem que haver alegria.

Se não houver alegria e felicidade naquilo que se está a fazer, as coisas não conseguem acontecer, não há hipótese.

Claro que existia sempre, várias pessoas que me acompanharam e me perguntavam sempre: Sandra tens a certeza disso que estás a fazer? Tu tens a certeza, que queres levar a tua turma a uma exposição dos Real Bodies em Lisboa? Tu tens a certeza que quere meter o 3º ano a olhar para aqueles corpos todos?

E eu: tenho! Eu sei do que eles são capazes.

Isto é um exemplo, não é?

Mas estas pessoas que passam pela nossa vida e que nos perguntam na altura certa e no momento certo. Tens a certeza disso que estás a fazer?

Ou, não será ires melhor por aqui ou ires por ali?

Isso é importante. Isso faz falta.

Daí as equipas educativas, são muito importantes, para que isso tudo aconteça.

Portanto, eu não vejo isso como condicionante, mas como alertas, não é?

Chamadas de atenção, que depois tu, podes reconsiderar e até reformular as tuas ideias. Pensares duas vezes e quem sabe… pronto.

Falaste-me dos constrangimentos financeiros.

Existem, não é?

Existem constrangimentos, mas se tu tens alunos, tens pais disponíveis, tens pais com profissões fantásticas, disponíveis para te ajudar. Que conhecem o mundo, imagina a rede que se pode formar, não é? A equipa que se pode formar, não é?

Porque a equipa não são só os professores e alunos, não podes estancar. A escola, tem de estar aberta para toda a sua comunidade e o que se pode gerar daí.

É difícil dizer que existem barreiras, porque não existem, se nós quisermos não existem barreiras.

 

Claro.

Olha há um tema que me é particularmente querido.

Esta imagem, de que nós somos os modelos para as crianças. E portanto muito mais importante do que nós lhes dizermos, o comportamento que eles nos observam.

E portanto uma coisa que me preocupa. Sou pai e vou assistindo aos problemas das escolas que os meus filhos andam.

E alguns professores parecem realmente fora de si, têm reações que são incompreensíveis, parece que não são do apoio dos interesses das crianças.

E portanto, o que me preocupa realmente, como é que nós conseguimos manter o equilíbrio e a saúde física, mental, social e emocional de um professor?

Ao longo da tua experiência deves ter encontrado colegas teus, que se calhar, mais alinhados com o teu flow, não é? E outros se calhar, um bocadinho mais presos a outras formas e às vezes se calhar ao seu ego.

Eu gostava de te ouvir um bocadinho sobre isto.

Podemos fazer alguma coisa para harmonizar, a saúde e o equilíbrio dos professores, enquanto modelos, porque eles parecem ser realmente espetaculares, mas depois se são rezingões, se não ouvem a criança, se não seguem o seu melhor interesse e se estão presos naquelas suas prisões emocionais. Acabamos por ter um resultado final muito mau, não é?

 

Sim tu fizeste uma pergunta muito difícil. Essa que estás a fazer.

Posso-te dar pequeninas experiências.

E é engraçado, ainda na semana passada estava a partilhar isto com umas colegas minhas, eu atualmente posso dizer que sou a mais velha, na equipa educativa.

E também já nos dá, uma maneira de pensar um bocadinho diferente.

A energia toda que tinha aos meus 20 ou 25 aos 30 era uma energia brava. Eu conseguia tudo e avançava com tudo.

E determinadas pessoas, num determinado momento, com outra idade, com outra maneira de ver as coisas, vão dizendo: toma atenção, isso agora é assim, mas daqui a um tempo será diferente.

E uma coisa é certa e há uma outra pessoa, que tenho em memória, que tem uma maneira de estar completamente diferente da minha em contexto de sala de aula, em contexto de professora. Mas que em determinados momentos e em determinados ditos conteúdos ou assuntos, eu vou buscar o que aprendi com elas, eu vou buscar o que elas me ensinaram.

E até muitas das vezes, quando elas ficavam comigo na equipa educativa, eu ia chamá-las para irem para o meu lugar e eu sentava-me no lugar dos meus alunos e dava-lhes a palavra.

Portanto, com a experiência que têm e isso parecendo que não. Nós professores quando funcionamos desta forma, temos de funcionar desta forma para que as coisas aconteçam tranquilamente, porque com tanto documento que existe para preencher, com tanto papel que existe para ver, com tantas coisas que volta e meia que aparece tem de ser feito um projeto. E tem de ser feito uma consideração e tem de visto todos os pontos de vista e deixar escrito.

Isso parecendo que não, condiciona-nos a parte mais daquilo que a gente devíamos ter com a parte biológica, não é?

Pensar em alternativas, pensar em ambientes educativos diferentes, diversificados.

Pensar em formas de chegar lá, que não estamos a chegar a todos os alunos.

De vez em quando, há ali uma falha. Como é que vamos lá chegar?

Falta-nos tempo efetivamente para isso.

E se todos nós conseguíssemos arranjar um equilíbrio para que a coisa fluísse, as coisas eram muito mais tranquilas. E às vezes naturalmente não são.

E às vezes criam se barreiras, entre os próprios profissionais e os outros, que não nos deixa avançar tranquilamente, em sala de aula.

E agora vais me dizer, mas nem todos são iguais, não é? Vais me dizer assim.

 

Eu ia perguntar um bocadinho, era também como é que tu a nível pessoal, não é?

Eu sei que tu fazes uma série de escolhas saudáveis na tua vida. Eu sei que tu és triatleta.

 

Agora já não.

 

Nunca deixamos de ser.

E quer dizer daqui a ideia…

Quer dizer, tu tens essa preocupação, não é?

Eu quero ser uma pessoa saudável, se calhar não tanto para ensinar.

Mas é uma coisa que te sai naturalmente?

Ou tu às vezes forças comportamentos saudáveis, porque sabes que estás a ser observada.

Seja como mãe, seja como professora.

 

Não de todo.

Eu sou eu. Não há hipótese.

Sou assim.

Quando o dia não me corre tão bem… Aconteceu na semana passada. Quando não corre tão bem e eles estavam irrequietos ou não se ouvia tão bem, aqueles atritos entre professores e alunos.

No dia seguinte eu disse: eu vou entrar, eu vou entrar como uma pessoa diferente. Eu vou entrar bruta a ser uma professora… não durou 10 minutos. Não há hipótese.

Não dá.

Porque ou há uma história, há uma envolvência, há uma partilha que as coisas pronto.

E é engraçado que quando tu às vezes falas com um pai. E se calhar tu ves nos teus filhos também.

O que eles levam para casa é a imagem do que eles veem na escola.

Basta eles estarem a fazer uma brincadeira tranquila, no quarto, que tu ves exatamente o perfil do professor que tu tens, olhando para os teus filhos. Replicam.

Não há forma mais gira de perceber como é que tu és em sala de aula, se puseres os alunos à frente, a fazer a tua posição. Faz de conta que agora és a professora Sandra, tu apanhas os defeitos todos, todos, mas tu consegues apanhar tudo.

Palavras que dizes e não dizes, palavras que pronto. Apanhas tudo.

E isso é a melhor forma de tu apanhares. E pronto.

 

Ok.

Por acaso tocaste num assunto super giro, e que desperta uma pergunta que tinha aqui para te fazer.

Que é, como é que a maternidade afetou a professora e como é que seres professora afetou o seres mãe?

Consegues recordar?

 

Sim, eu acho que não afetou.

Eu acho que enriqueceu e muito.

E enriqueceu muito, porque os meus filhos são muito falados em sala de aula, muitas histórias de manhã.

Que depois eu dou conselhos aos meus alunos, digamos assim.

Eu faço isto como mãe aos meu filhos, por isso vocês com os vossos pais, façam assim, assim e assim, façam as bem.

Só com pistas.

Não afetou, de todo.

É claro que há uma coisa, eu acho a profissão de professora ocupa-nos, ser professora é uma entrega. Uma entrega que é quase uma causa, não é?

Nós temos que nos disciplinar, para que as coisas não se tornem só profissão.

Não pode, nós temos que ter equilíbrio e na minha vida eu tive que aprender isso, de uma forma mais dura. Mas aprendi porque trabalhava demasiado, efetivamente para aquela causa.

E tem de haver aqui um equilíbrio de tudo, na nossa vida.

A parte da alimentação, da natureza, daquilo que eu sou.

Eu sou assim, portanto eu sou assim.

E tento passar isso para os meus alunos.

Não queirando eu, que eles sejam tal e qual como eu, mas criando experiências e oportunidades, para que eles façam as coisas melhores para eles. Faço-me perceber?

 

Sim, lindamente.

Olha, entrando aqui um bocadinho mais nas tuas aulas no dia-a-dia.

Quão é importante é para ti, a contagem de histórias, se usas muito esse recurso, se além das que conta-te, pões as crianças a viverem essas histórias, porque eu percebo que há aqui umas tendências recentes de colocar as crianças a representar determinados textos, para os aprenderem mais facilmente, não sei se isso se aplica bem nas idades que tu serves.

Mas tinha curiosidade, estava para te perguntar isso há algum tempo.

 

Representar como?

 

A contagem de histórias, portanto, o contar histórias em contexto de aula e o viver a história, quer dizer, fazer as crianças contarem uns aos outros ou representar certas personagens.

Achas que é um bom recurso educativo?

 

É excelente, extraordinário.

E nós atualmente estamos a partir sempre de histórias para fazer as nossas aprendizagens.

Mas fora disso, eu acho que uma aprendizagem tão incentiva, quando os alunos estão envolvidos nela própria, não é? Estão envolvidos.

Se eles não estão entregues a aquilo que está a acontecer, tu não tens o aluno, não é?

Portanto tu tens ali um ser, que está a olhar para ti e se calhar está a pensar no que aconteceu de manhã ou que festa gira fez no fim de semana, que é que me vai acontecer logo à noite quando os meus pais estiverem comigo.

Se tu não tiveres os teus alunos envolvidos naquilo que está a acontecer na sala de aula, tu não os tens, efetivamente.

E tu queres mais do que aprender, tens de aprender de uma forma feliz e que estejas l á, porque queres estar lá. E às vezes isso é algo que me deixa preocupada, isso eu analiso muito entre os meus filhos, a maneira de eles estarem na escola, com as minhas colegas e eu como professora e ando sempre ali à volta de tudo o que está a acontecer e fazer um balanço das coisas todas. Porque nós professores, às vezes eu própria tenho de me fazer um auto reconhecimento e ponderação naquilo que estou a fazer.

Sei exatamente onde não me identifico e onde não quero, mas depois tens todo um leque de currículo e de colegas que estão a fazer de uma determinada maneira ou tens sempre pais que marcham contigo e que te perguntam: mas oh professora Sandra, o meu filho já está na letral tal e a professora Sandra está a fazer assim isto, desta forma, não acha que…

Isto é válido, não é?

É tão válido, porque são seguranças dos pais e se preocupam.

E é tão difícil para ti como profissional às vezes, dar confiança e dizer aos pais: ouçam, existem 4 anos para aprender a ler, 4 anos para escrever, 4 anos para fazer contas, 4 anos de aprendizagem, não tem de acontecer tudo agora.

Tem sim, eles estarem felizes, contentes.

E quererem descobrir, o que é que é mais cativante? Descobrir a leitura, como descobrir a escrita. Porque eu preciso dela.

Efetivamente quero ler, porque eu quero ler este texto, quero ler o que diz aquela placa.

Se eu vou para a quinta, quero ler as normas, para eu poder estar lá dentro.

Mas, porque eu quero.

Não porque eu tenho de estar sentada e treinar aquele A e aquele B e daquela forma, gorducho, porque tem de ser assim.

E não é fácil.

 

Claro.

E eu ia te perguntar, como é que isso se casa por exemplo com outro recurso educativo, que é repetição.

Que eu acredito que muitos professores recorrem a ele, não é?

Para tentarem gerar permanência ou automatismos na criança.

Tu tens espaço para a repetição no teu estilo de aulas? Ou é uma coisa que tu descartas completamente ou deixas para a frente?

 

Não, de todo.

Há momentos que eu costumo dizer: agora quem manda aqui agora, sou eu, ponto.

Vocês sentam-se e quem manda aqui sou eu.

Existem muitos destes que também é preciso, não é?

Nós estamos a lidar com crianças que também precisam de alguma rotina, algum percurso.

 

Percurso, fronteiras, claro.

 

Sim.

Para eles perceberem algumas coisas.

Mas a repetição que faço são três vezes, duas vezes, nas linhas inteiras a repetir, muito, porque não precisas.

Tão simples quanto.

Quando tu estás a escrever o teu nome, tu estás a utilizar o alfabeto todo.

Tu não precisas de andar depois de escrever o teu nome, andares a repetir As.

Se tu estás a escrever o teu nome. Quantas vezes já repetiste o A no teu nome?

Não precisas de mais.

E isto tem de haver aqui um balanço, pronto.

E é claro, que tu teres uma dinâmica de turma, em que tens grupos de trabalho e tens os miúdos todos a fazer barulho. Murmurim aqui, mas se tu chegares perto de cada grupo, até estás a reparar que eles até estão a falar alguma coisa relacionada com aquilo que estás a querer trabalhar.

Não é fácil.

É exaustivo? É!

Sais de lá às vezes cansada e às vezes com aquela sensação: bolas mas…

Tu tens os dossiers dos meninos arrumadinhos na prateleira, para por lá fichas e trabalhinhos, não é?

Mas depois dás conta: epah os dossiers estão vazios… Pah não fiz nada.

Não tenho nada para por no dossier.

Mas tu tens uma riqueza de trabalho, em contexto de sala, em contexto comum, que de certeza está guardado lá dentro.

Não tens um papel? Não tens.

Mas tens informação dentro do coração de cada um deles, válida para usarem mais à frente.

Outra coisa que me assusta é que o mundo não se passa no primeiro ciclo.

O mundo não se passa só agora.

Tu estás a preparar jovens para a frente.

Para eles tomarem decisões para a frente, para eles gostarem de estudar lá à frente, para eles fazerem as suas escolhas lá à frente. Que saibam safar lá à frente, não é?

E isto, esta questão da pandemia tem nos mostrado muito isto, não é?

Ou tu estás consciente e feliz, íntegro naquilo que tu queres na tua vida, ou deixas-te ir abaixo com estes isolamentos todos, com estas questões todas familiares, pronto.

E é isso que tu tens de preparar estas crianças para…

 

Bom.

Essa tua resposta dava agora para três horas de conversa.

 

Pois dava, pois dava.

 

E eu ia começar se calhar pelo início.

E se quiseres ser breve, podes ser.

Como é que tu geres esta questão das regras na sala de aula?

E mais ainda, tendo em conta que tu nem sempre estás em sala de aula, tu também vais para fora, tens liberdade de ir para uma quinta.

Que tipo de regras é que tu achas que são importantes?

Se tens de visitar muitas vezes esse tema, se é uma coisa que fica esclarecida no início do ano e deles depois respeitam?

Não deve ser fácil, porque eles são muito pequeninos, não é?

 

Sim.

Não, não.

Para já, eu nunca faço regras a pintar e colocar na parede.

Não.

As regras não têm de estar de parede, as regras têm de estar dentro de nós próprios, não é?

Nós temos longas conversas sobre esse assunto, que é comum.

Nuno, eles sabem as regras de todas e mais algumas.

Desde que nascemos nós andamos a ser balizados com regras e normas, não é?

Portanto, porque é que eu tenho novamente no primeiro ano e às vezes começamos a rir com este assunto.

Eles sabem tudo, a estão nas crianças é quando terem de aplicar.

E isso também acontece com os meus filhos.

Os meus filhos são uns diabetes, portanto é igual.

Tu tens que fazer longas assembleias, tens que fazer conversas com eles e às vezes eu deixo estar, saiu da aula e digo: eu vou 10 minutos ali fora, quando eu chegar eu depois converso com vocês.

E deixo-os a conversar sozinhos.

Deixo-os a conversar sozinhos sobre os assuntos que aconteceram, menos felizes.

Acontecem assuntos menos felizes, muitos até. Acontecem muitos.

Temos que ir devagarinho, ir falando, ir balizando esses comportamentos, porque estão lá todos.

Eu não os vou ensinar nada.

Se tu perguntares a uma criança o que é que está correto e o que é que não está correto, eles sabem.

Eles desde que nasceram estão a ser bombardeados com regras e normas, regras e normas, portanto eles sabem-nas.

À aplicação dessas regras e normas, é que é a magia dessas coisas todas, não é?

Depois há a parte do entusiasmo que eles estão envolvidos com uma determinada tarefa e ser contagiante e estão eufóricos e não se conseguem concentrar e a coisa anima-se.

Ou então estás ali catalisador de normas e regras. E tens bom comportamento, não tens bom comportamento e se não levas um vermelho e se não levas um… pronto isto depois já é outra história que me assiste muito.

O que é que tento?

Que eles sejam conscientes das atitudes, conscientes e verdadeiros perante aquilo que querem ser e demonstrar para si e para os outros. Respeitando-se entre si, pronto.

 

Ok.

Olha, tu sentes muitos efeitos do ambiente familiar, na sala de aula, sentes diferenças muito chocantes? Eu queria Se calhar falar aqui um bocadinho contigo, sobre a forma que os pais podem ajudar na literacia da criança, na curiosidade, no foco.

Se calhar, as tuas dicas eram importantes.

 

Os pais não sabem, mas os professores são uns confidentes, se soubessem.

É um compromisso entre alunos e professores, mas é muito giro.

Se tu tens alunos que conversam contigo e que vem à sala de aula e que dizem espontaneamente: olhe professora, ontem aconteceu-me isto e aquilo e com o outro, ontem não foi muito bom, porque eu fiz isto…

É maravilhoso, é maravilhoso porque eles estão a confiar em ti.

Estão a confiar em ti de uma forma que tu tens um compromisso sério, não é?

Tens ali um compromisso que encaminhar uma criança e não deixar que essa criança tenha confiança em si e ires ajudando a que as coisas em casa.

Eu costumo às vezes, os ditos trabalhos de casa, que é uma coisa que é complicada, eu percebo que se gosta e que…

Mas eu às vezes, coitada dos professores dos meus filhos, eu às vezes digo: não fizemos trabalhos de casa, porque fomos para a serra, fomos fazer a serra de Sintra, fizemos 12 quilómetros. E isto aconteceu no fim de semana, no outro fim de semana.

Não conseguimos fazer trabalhos de casa, porque fizemos outras coisas, não é?

Ou fomos ao supermercado e o meu filho: mãe precisamos de maionese.

E eu: está bem filho, vai à prateleira e vê entre fator preço, quantidade e custo, qual é que é achas que nós devemos levar?

Ele esteve 20 minutos, não é? Mas teve.

E trouxe a embalagem que acha.

Mas isto são aprendizagens não é?

Ele tem que ler, ele tem que comparar preços, ele tem que ver as quantidades.

Imagina os conteúdos aqui que tu estás a manipular, não é?

Eu sei que às vezes não é fácil fazer a lista das compras, o arrumar as coisas em casa, a autonomia de uma criança que está tão condicionada agora, eu não percebo o porquê.

O vestir-se.

Eu sei que é mais rápido um pai agarrar na mochila e olha: está aqui, leva para a escola, está pronta.

Mas eles têm de ser parte desse processo, eles têm de fazer essas coisas sozinhos.

E às vezes é mais fácil eu…

Vasco anda cá!

Isto é o meu filho.

Vasco anda cá, veste o casaco, toma veste, está na hora, leva a mochila e vai te embora.

Mas não podemos.

Então, tudo que nós pais podermos fazer para desenvolver a autonomia, é 50% de sucesso na escola.

Eu não preciso de estar sentada na secretária a fazer as letras ou a fazer uma ficha, diguemos assim.

 

Outra coisa, isso aí é fundamental.

A outra coisa que eu se calhar iniciava também é falar com eles, falar muito com eles, enriquecer o vocabulário deles.

Pensarem em voz alta, passarmos também esses mecanismos e essas ligações que nós fazemos e que aprendemos também algum lado, elas são preciosas e há realmente uma diferença muito grande a nível escolar, mas a nível também profissional e até a nível social.

As famílias que realmente enriquecem o vocabulário das crianças, falando com elas. E falando com elas, às vezes dezenas de milhões de palavras a mais do que as famílias que não falam. Acabam por lhes dar uma vantagem desigual, mas que não é complicado.

Portanto é só realmente falar com elas e descrever o que estamos a fazer, às vezes mesmo durante a muda da fralda, podemos estar a explicar o que estamos a fazer ou a pensar em voz alta, para eles é precioso.

E depois toda essa autonomia que falaste, também é crítica, não é?

Porque é aprender fazendo, não é?

 

E vou sempre mais para o lado da faixa etária do 1º ciclo, mas há brincadeiras giríssimas que eu me lembro de fazer com os meus filhos, quando eles eram bebés, que era as partes do corpo.

Quando mudamos a fralda, não é?

E eu vi isso num vídeo vosso, muito giro.

E andava brincar com música, a cantarolar músicas e a tocar nos pontos estratégicos do corpo.

Essas coisas vão ficando, não é?

Vão ficando e delicioso. E as histórias e as histórias…

 

As histórias…

Eu ia-te perguntar, tu recorres muito a jogos ou a gamificações como se diz hoje em dia. E portanto criar jogos ou tornar as coisas mais divertidas, ou…

Não sei.

Às vezes não têm de ser competitivas, mas têm que ser divertidas, algo que eles realmente consigam transformar numa brincadeira.

Eu não coisa útil? Fazes com frequência? É fácil? Recomendas?

 

Muito!

Tudo o que entra na dimensão da música, teatro, dança, envolvido em tudo o resto funciona muito bem pois fica guardado.

E tudo o que é prazeroso, fica guardado pai e filho.

Está dentro do coração e fica.

Houve uma história, logo no início do ano letivo, deste ano letivo, que era o Grufalão.

Trouxeram uma série de livros.

Grufalão…

Trouxeram uma série de livros e no meio desses livros todos, estava lá o famoso Grufalão. E eles disseram: ah professora, vamos trabalhar o Grufalão, vamos fazer coisas com o Grufalão. Isto numa sexta-feira! Que nós fazemos sempre o nosso balanço de atividades à sexta feira, para depois iniciarmos um novo plano a partir de segunda-feira.

Na segunda-feira, o que é que estava marcado no chão?

Eu nesse dia fui mais cedo e pus pegadas de monstro do Grufalão a entrar pela sala toda.

Ele iam entrando e: ahhh! Oh professora, o Grufalão esteve cá dentro no fim de semana e tinha as patas sujas.

Tu numa brincadeira, tu consegues fazer, tu já tens.

Tu tens a turma inteira contigo, não é?

Toda a brincadeira e encenação que consegues fazer, já está. Dali tu consegues fazer tudo.

E sujou as patas e deixou estas marcas!

Foi uma animação com as patinhas e eles respeitavam, porque eles não pisavam as patas do Grufalão.

Eles entravam na aula, contornavam as patas para não desmanchar.

Aquilo que eles consideravam que era a marca do Grufalão dentro da sala.

Tu tens ali um palco, não é?

Eu costumava com pessoas muito queridas e um grande amigo que eu tenho e tínhamos também grandes conversas, mais ou menos como as nossas.

É um palco, tu tens ali um palco para ti e um palco para os próprios alunos.

Tu podes deixar que a magia aconteça, no seu todo, não é?

Às vezes que eu brinco com eles, que eles de repente vêm com uma ideia iluminada e dizem assim: pronto não é o contrato de trabalho que eu tenho aqui da professora. Vou me embora por uma porta, ou melhor vou procurar por uma turma que precise de mim.

Tu ali ficas com a turma inchada, orgulhosa, porque está mais além, não é?

E tu tens de ir brincando.

Oh Nuno, tu tens de ir brincando sempre, sempre, sempre.

 

Olha, tu falaste-me numa ferramenta que vocês usam, que são os mapas de ideias.

Que é uma coisa que não havia no nosso tempo.

Como é que funcionam?

Como é que tu guias as crianças pelos mapas de ideias ou não guias de todo? É só tipo colecionar. É uma coisa que a gente usa muito na consultoria mais recentemente e no design thinking.

Mas tu estás a fazer isso muito muito precocemente e eu acho isso precioso.

Como é que funciona?

 

As nossas conversas de há uns tempos para cá, tenho enriquecido muito a minha forma de estar e há uma coisa gira, que é a vertente empresarial, não é?

Esses mapas todos que se fazem, podes trazer isto cá para baixo, para o primeiro ciclo, que é delicioso e conseguesse fazer coisas giras.

Estes mapas de ideias, nada acontece por acaso.

E tudo o que acontece em contexto de aprendizagem, eu quando falo em sala de aula não quero só balizar aquele espaço de parede.

A sala de aula é o todo, não é?

Pode ser fora, poder ser dentro, pode ser onde quiser.

Eles vêm com inúmeras ideias, ideias de livros, ideias de filmes, ideias de histórias que ouviram e que depois em votação arranja-se um tema de turma que eles achem para trabalhar, como aconteceu com o Grufalão.

E dentro do Grufalão, o que é que eles acham que podem aprender.

Fazer assim uma revisão do mapa de ideias, para não me fugir aqui o pensamento que eles arranjaram, saber coisas sobre os animais, saber como é que eles eram revestidos, o que é que eles comiam.

Professora já que estamos aqui a falar do Grufalão, temos muita uma coisa que gostamos, é o ão. Podemos descobrir outras palavras com o ão.

Eles dizem isto de uma forma muito simples.

Tu tens de estar consciente, o professor tem que estar consciente daquilo que se chama o currículo, não é?

Tens de estar muito consciente do currículo.

Mas não é só o currículo do primeiro ano.

De modo transversal, do 1º ao 4º, porque tudo pode acontecer, não é?

E tu podes ir buscar coisas que estão pensadas para o lado terceiro, no dito papel.

Mas podem acontecer já ali, porque não?

Porque é que eu não posso já fazer uma abordagem do assunto, desde que lhes seja e lhes faça sentido.

É claro que tu às vezes vais dentro do currículo, vais ali manobrando e vai surgindo ali uma série de coisas que tu podes ir aproveitando para umas noções que podes ir buscando.

E agora falando contigo, mesmo lembrando dos limões. A última quinta-feira nas quintas, um projeto que nós temos foi sobre os limões. Então estivemos a apanhar limões.

E eu lembrei-me imenso do Lemonade Festival.

E com esse brincadeira dos limões. E porque eles apanharam imensos limões, andamos a fazer com todos a ordem crescente e decrescente dos limões.

Eles andaram a perceber exatamente, porque e depois entraram os números no meio.

E isso, fez sentido?

Fez!

É uma coisa que eles gostavam de fazer?

Gostavam de fazer, porque estavam lá naquele momento. E era manipulável, não é?

Tu não estás sentado na secretária, com a folha à frente e a falar desse tema.

Não se esquecem mais?

Não! Já está! Já está tratado, nem precisas de fazer mais nada, está tratado.

Portanto, esses mapas de ideias surgem com as ideias deles. E eles vão dizendo o que é que eles querem descobrir.

No início do ano, mapas de ideias muito simples, muito simples com 3 ou 4 ideias deles, nada mais. Uma coisa muito simples.

Agora já temos mapas de ideias muito arrojados.

Tenho de ser eu a dizer: calma meninos, temos 2 semanas para este mapa de ideias, vamos aqui priorizar situações.

Portanto, já são eles a treinar muitas propostas de aprendizagem.

Vamos ver é onde é que vai parar, não é?

 

Muito bem. Muito giro.

Olha, já agora vou só fazer aqui uma introdução, porque algumas pessoas daqui não sabem o que é o Lemonade Festival e eu posso explicar, o Lemonade foi um festival que nós organizámos há 3 anos atrás, em Cascais. E que se proponha explorar o espírito empreendedor das crianças.

E usámos esta figura do Lemonade, porque as bancas de limonada são muito populares nos Estados Unidos e portanto já havia um histórico de festivais de limonadas.

E convidámos uma série de escolas para fazerem as suas próprias bancas de limonadas e portanto elas inovaram imenso com as vendas.

Tiveram outros empreendedores jovens a falarem connosco, tiveram uma série de especialistas que onde tu te encontravas, tínhamos psicólogos, outros professores notáveis e empreendedores também, foi muito giro.

E existe informação sobre isto no Facebook, se as pessoas quiserem procurarem por Lemonade Festival, temos lá o histórico todo, foi muito giro e até há vídeos.

Olha agora tenho umas perguntas para te fazer, que eu te enviei previamente, mas não sei se tiveste oportunidade de olhar para elas, porque algumas delas requerem tempo para pensarmos um bocadinho.

Mas que são muito giras e que ajudam-nos a conhecer-te e ajudam-nos a guiar, porque é super importante termos a perspectiva de um professor a responder a estas perguntas. Pode nos abrir imensos caminhos.

E a primeira pergunta era: numa escola de pais que tipo de disciplinas é que tu escolherias para lhes darmos?

Não tens de dar um currículo completo, mas duas ou três que tu achas que fossem importantes e que faltam quanto pais não professores.

 

Pronto, eu ri-me quando li essa pergunta de ti para mim, porque eu não gosto desse tipo de coisas.

Era só uma provocação.

Eu não consigo ter disciplinas formais estantes.

E digo-te eu agora tenho que, bom eu agora vou fazer… Às vezes fico assim eu agora vou tirar uma fotocópia e vou por esta fotocópia à frente dos meus alunos para eles fazerem.

É uma agonia para mim. É uma agonia que tu não imaginas.

Portanto não está enquadrada em nada, portanto…

Esta é, isto é disciplina.

Nós sabemos a área que a gente tem de colocar, certo.

Tu sabes como profissional, tu sabes que tens de ter.

Tu teres disciplina estante, quer dizer, agora vou aqui trabalhar só o português, agora vou só trabalhar a matemática, agora vou só olhar para o estudo do meio, agora vou só fazer artes visuais.

Não consegues, tu não consegues.

Tu tens que ter uma abordagem transversal de tudo.

E eu não consigo, podes primar por ambientes, podes pensar em ambientes.

Ok, que ambientes é que eu quero favorecer aos meus alunos ou que ambientes eu quero lhes oferecer para que tudo aconteça?

Tu poderás pensar assim.

Agora, criar modelos e é engraçado que eu às vezes faço algumas reflexões pessoais.

E eu no meu início de carreira e como vinha do 2º ciclo de evt, no início quando fiquei no primeiro ciclo era muito agarrada aquele horário, segundo ciclo não é?

Uma hora de português, uma hora de matemática é assim eu achava, convicta, achava que tinha que ser assim.

Os alunos no primeiro ciclo, tinham que se habituar a aquele horário, para depois quando chegarem ao 2º ciclo já estarem habituadinhos a tudo o que lhes possa acontecer.

Hoje eu não acho isto.

Porque é impossível.

Tu num assunto, o assunto é transversal e tens de olhar muito aquele grupo que tu tens, ao meio ambiente onde tu estás.

À classe com que tu estás, às famílias que tu tens à tua frente, a tudo a que a comunidade te pode oferecer, para tu trazeres para dentro da escola. Tudo isso é condicionante.

Agora, eu não consigo pensar em disciplinas, não consigo. É muito difícil para mim pensar…

Podes me perguntar assim: o que é que tu achas importante despertar nas crianças de hoje em dia e qual é o respeito que eles devem de ter perante a sociedade para se prepararem para o futuro.

Aí posso talvez dizer-te que eu acho que a natureza é importantíssima, o saber fazer e desenrascar-se em algumas vezes acho importantíssimo.

E isso. O português, matemática, tudo o resto vai te ajudar.

Não vai ser o modo principal para que tudo aconteça, é ao contrário.

 

Sim.

Sabes que eu faço esta pergunta, porque eu não tenho uma resposta.

O meu pai, desde que eu era muito pequenino, costumava dizer que nós começamos a ser pais 20 anos antes de o nosso filhos nascer.

Eu acho que a essência que eu tirei disse com conselho, foi que o nosso exemplo começa muito antes de nós sermos pais efetivamente.

Se nós formos uns estoinas durante a nossa adolescência, os primeiros anos do nosso tempo de adulto, se formos particularmente irresponsáveis, perdemos um bocadinho a moral de pedir responsabilidade ou pedirmos regras, sei lá, o que seja.

E no entanto realmente nós nunca tivemos disciplinas para sermos pais, nós podemos autorregular nos e podemos inspirar em professores, em médicos, e psicólogos, em artistas, em atletas de grande performance, há ali sempre qualquer coisinha que nós podemos tirar como inspiração.

Mas não há disciplinas, mas eu gostava de facilitar a vida aos pais nesse sentido.

Eu gostava de a prazo, começar a guiá-los e a dizer: olha gastem algum tempo com este tema em particular, os vossos filhos vão beneficiar disto.

Este tema aqui no passado parecia importante, provou-se que não era.

E portanto, eu acho que através destas conversas vou tentando distrair essa informação dos meus convidados.

Outra pergunta que eu te queria fazer é: Como é que tu vês este processo de uma criança que chega ao pé de ti, às vezes inocente numa determinada matéria e de repente passa a ter um certo conhecimento e mais tarde passa a ser aquele conhecimento, portanto como corporou aquele saber e pode ser aprendizagem de um detalhe qualquer musical ou artístico ou a própria letra, quer dizer, depois daquilo ficar automático. Parece que é fácil ou que sempre esteve ali.

Mas como é que tu observas esse processo da inocência para a sabedoria?

Porque eu às vezes gosto de ter uma moldura de um professor.

Como é que vocês vêem isto? E como é que tu vês que esta criança está mais perto, esta está mais longe? Como é que tu vais colocando a nutrição pelo caminho para ela chegar do ponto A até ao ponto B?

 

Isso é… de quase tocarem na avaliação, naquele assunto tão delicado, que é sempre aquela avaliação e como é que existe a variação.

E que é muito delicado e andamos sempre em discussão o que é que devemos e não devemos fazer agora.

Para quem é que é mais importante?

O saber alguma coisa, não é para nós.

Eu estou bem, fico satisfeita, mas para quem é essencial essa aprendizagem? Para o próprio.

E ele perceber que dessa evolução, e perceber que o antes não conseguia fazer e agora já consegue fazer, é um sucesso.

Independentemente possa ter uma outra falha pelo processo ou ainda não estar muito bem.

Eles são os meus queridos, que eles próprios.

Não existe e nós estávamos a fazer uma aferição no outro dia de conhecimentos e até de inglês, no primeiro ano.

E eu tinha tomado umas notinhas neste caderno, para fazer uma experiência com eles.

Eu ando sempre em experiência, isto é terrível.

Portanto se algum pai dos meus alunos estiver a ouvir, por favor…

Que é, tu fazes um determinado exercício que ele não conseguiu desempenhar com tanto sucesso, mas isto tu perguntas: achas que estiveste bem? Achas que podes melhorar?

E ele: sim, efetivamente não estive bem, posso melhorar, posso fazer diferente.

Queres fazer outra vez?

E ele: quero.

Quando é que tu estás preparado? Já?

Não.

Vamos preparar uns dias e fazes novamente.

E quando tu tens um aluno a perguntar se depois de teres feito um novo exercício, que ele obteve melhores resultados.

Ele pergunta: professora, podes me dizer como é que eu estava na semana passada? Como é que eu estava…

E eu disse: olha, tu ficaste por aqui, não conseguiste fazer mais. Hoje já chegaste ali. Agora diz me.

Aquilo é para quem?

Para ti professor?

Tu precisas daquilo ou quem é que ganhou com aquilo efectivamente?

Tu não precisas de pôr aquilo num papel, efetivamente tens de mandar aos pais, no final desse tempo um papel que diga exatamente onde é que o colocas.

Mas para a criança, aquela evolução foi o melhor que aconteceu.

E ele de certeza que arranjou maior motivação para ir perguntar: professora, deixa-me tentar outra vez, agora quero ir mais longe, deixa-me tentar outra vez.

Isto é o máximo que poderia existir na sala de aula.

Era isto, era só isto.

Eu não preciso, para si.

Eu não preciso de ter uma avaliação comparativa com os outros, mas para quê?

Agora, ninguém nos está a ouvir.

Eu era tão feliz se não tivesse avaliações e se só tivesse de por no final de ciclo.

Eu não preciso de ter avaliações durante este caminho todo.

Agora, eu vou ser despedida.

 

Não, não vais nada

 

Não preciso.

Eu só preciso efetivamente balizar o meu aluno, considerar o meu aluno no final de ciclo ou se ele mudar de escola, não é?

E aí converso com uma colega que irá, que o irá receber. Nós todos sabemos aquilo o que estamos a fazer, mas antes? Porquê? Para quê?

Não é o próprio aluno que tem de tomar consciência das suas aprendizagens?

E se, ele festivamente obteve sucesso, não existe nada mais motivacional para que ele consiga prosseguir.

Não existe.

 

É uma parte, daquela magia que falavas no início, não é?

 

Já falámos desse assunto várias vezes, não é?

O que é que isto vai trazer lá à frente?

Que ele não desista, não é?

E que faça as coisas por vontade própria e por orgulho próprio e que consiga desafiar-se nos desafios de vida. Que são muitos para além, são muitos por motivação própria e com orgulho próprio e atingir o sucesso por eles não é?

 

Claro.

Muito bem.

Há algum livro ou livros que nos recomendes, tenhas gostado particularmente? Consegues escolher ou és daquelas pessoas que não consegues ao todo.

 

Não.

Eu li essa pergunta com muito cuidado.

Eu sou daquelas que não tem uma linha de leitura, um fio, é sempre aquele tipo de livro que leio, eu leio consoante aquilo que me dá, na altura… mas está a mover.

E há um livro, que à cerca… talvez uns quatro anos, que me deram a ler.

Que eu estou sempre a reler quando preciso e que é, eu só vou dar o nome e depois as pessoas vão investigar.

É muito simples e mete animais, portanto é muito fácil de se ler.

Mete um animal lindo e especial, que é o suricata, que é estrategicamente delicioso.

E é: o nosso deserto está a mudar.

Não sei se tu já conheces.

 

O nosso deserto está a mudar, acho que não.

 

Então, vai espreitar.

É simples. Muito simples.

É muito simples a leitura e tu consegues-te posicionar, o nosso deserto está a mudar, consegues-te posicionar no papel daquele suricata ou do outro suricata.

E o que me desafiaram, na altura que me deram a conhecer este livro, disseram assim: agora, escolhe o suricata que tu és.

E eu quer dizer: agora vou escolher, vou escolher aquele suricata que eu sou?

Escolhe!

E não digo mais nada. E a ler.

E aconselho vivamente a ler.

 

Boa boa, espetáculo.

E filmes? Tens algum em mente?

Recente ou não. Não?

 

Não.

Eu vejo de tudo.

Às vezes estou assim mais… ai que…

Gosto especialmente de animação com os meus filhos.

Não tenho nenhum filme preferido de animações.

 

Olha e lembras te de algum, vou meter entre aspas, algum falhanço na tua vida que tenha levado um sucesso posterior, alguma coisa que tenha feito, aprender…

 

Há tantos. Tantos.

 

E que não seja muito muito pessoal, mas que se quiseres partilhar, eu acho que às vezes é catártico.

 

Há.

Constantemente, às vezes acontece isso.

Isto, talvez os colegas, os meus colegas me podem entender, quando nós saímos da sala de aula e pronto, já passei por algumas escolas. Já passei por várias escolas e nos últimos dois anos, foi sim talvez o primeiro desafiante da minha vida que me ensinou muito, quantas vezes eu não saia da sala e disse: bolas, eu não tive os miúdos comigo, eu não consegui.

Mas se tu te conseguires fazer a pergunta é: onde é que eu estou a falhar? Onde é que eu estou… Onde é que eu tenho que me alterar e rever para que consiga lá chegar.

Quando tu fazes este auto-reconhecimento perante alguma situação, tu consegues lá chegar. Não é logo! Mas tu consegues lá chegar e eu vou, e eu depois de ter saído da escola que referiste, eu passei por um desafio profissional grande, que foi para uma escola difícil, perto de um bairro social.

Tu sais de um concelho onde tu estás confortável, estás bem e fazes coisas engraçadas. De repente, tudo o que tu fizeste até aquele momento, pões em causa.

Bolas, então mas eu conseguia fazer isto tudo e agora de repente não consigo. O que é que se está a passar?

Mas não são os alunos.

És tu!

És tu que te tens de posicionar e rever e retirar aquilo que tu tens de definir em ti como ideal. E olhares para a turma que tens à tua frente.

E eu saí, durante 3 longos meses, desesperada.

Assim: bolas, ainda não é. O que é que eu tenho que fazer para conseguir lá chegar?

E consegues e consegues.

Tens é que retirar isso da tua mente.

Asneiras e o conceito não é asneiras, mas são desafios de vida.

E que eu acho que… houve um dia que uma colega minha decidiu ter uma conversa comigo, para tentar perceber de onde é isso tudo vinha em mim. E sentou-se ao meu lado e disse: Agora vamos fazer uma revisão da tua vida. E de tudo o que passaste pela tua vida, porque é que tu és assim.

É das melhores coisas. E eu aconselho a toda a gente fazer.

Sentar-se e pensar da minha vida, porque é que eu sou assim?

Porque é que de tudo o que eu passei, porque houve muitos momentos que nos condicionaram, que nós não gostamos tanto.

E tudo o que eu passei, do que é que eu posso retirar para…

E é uma brincadeira riquíssima, é uma avaliação giríssima.

 

Olha, nos últimos anos lembras-te de algum hábito novo que tenha melhorado a tua vida?

Uma coisa mais recente, se calhar nos últimos 5 anos. Alguma coisa que tenhas mudado, já na idade adulta e que sintas isto ajudou-me imenso.

 

Como profissional?

 

Um hábito, uma crença nova, um comportamento que tenhas mudado, não sei.

 

Olha, calo-me muitas mais vezes, do que me calava antigamente.

É tão bom ouvir.

E ouvir é, não é ouvir. É escutar realmente, não é?

Escutar.

E escutamos o outro ou os outros, ou escutarmos até os nossos alunos é das coisas mais ricas que podemos ter.

É ouvir.

E oiço muito mais.

 

Isso é super Zen, não é?

E é muito comum às pessoas sábias, não é?

Que tu és, não é?

Que ficam super contemplativas, não é?

 

Às vezes.

 

Olha, que más recomendações costumas ouvir relacionadas com a tua profissão?

Não tem que ser necessariamente por parte de colegas teus, mas coisas que tu ouves sobre a educação, que tu sabes isto está errado e devia ser esclarecido.

 

O que me custa realmente, Acho que não existem más recomendações, eu acho que existem é aquelas opiniões ligeiras e de cabeça quente e de ânimo leve. Que às vezes, por mais que eu não goste ou que não me sinta à vontade com determinada atitude ou determinado comportamento ou até eu, enquanto mãe, com determinados professores ou com os colegas dos meu filhos, nós nunca as podemos pôr em causa, eu dou sempre uma perspectiva de os professores dos meus filhos é, o que é que eu posso fazer para ajudar, não é? O que é que eu posso fazer para ajudar realmente?

Os contextos de escola não são fáceis, os contextos de turma muito menos.

E às vezes as opiniões que se têm de ânimo leve, tem de se ter a certeza do que está a acontecer. Às vezes é cruel, não é? É muito cruel para quem está a responder.

É mais seguro.

 

Se tu fosses…

Esta pergunta ainda não tinha feito.

Mas se tu fosses ministra da educação por um dia, qual era a medida que te focavas nesse dia?

O que é que tu escolhias fazer?

Ou ordenavas, tipo olhe, só estou aqui um dia eu quero que façam isto e depois vou me embora.

 

Tudo para a rua. Tudo para a rua.

Tudo!

 

A sério?

Não estava à espera dessa resposta.

Ah, tudo para a rua, não despedias toda a gente, mas mandavas as pessoas ensinarem na rua ok.

 

Tudo, tudo, tudo, tudo.

 

Ok.

Sabes que eu não te contei, mas eu tenho um filho meu numa foz de…

Está todo o dia na rua, todos os dias.

 

Ai que maravilha. Tão bom.

 

Faça chuva ou faça sol, chega a casa um autêntico esterco, todo cheio de lama, lama nas cuecas não sei como é que ele faz, mas é muito giro.

Ah aparece também todo picado de bicharocos, mas pronto, está a ficar um samurai.

 

O que é que ele te conta?

 

Olha, ele ainda está numa fase de adaptação, ainda só está lá à cerca de umas 3 semanas ou 4. E portanto, ainda choraminga um bocado ou para ficar ou para se vir embora.

Quando é para se vir embora, quando está entretido com uma poça, está a encher um balde com lama. Não se quer vir embora.

E eu tenho que o ir lá buscar e fico todo sujo também e tem sido uma lição para mim também.

Portanto eu agora sou o pai de uma criança selvagem, não é?

Que tem a começar a lidar com lama no meu corpo e quando o pego ao colo as botas dele enchem-me de porcaria, mas no final eu penso: era exatamente isto que eu queria e eu acho que ele está se a desenvolver imenso a nível motor, sem dúvida. Eu acho que a nível social e emocional também, a nível cognitivo é óbvio que a floresta gere imensas curiosidades, não é?

Portanto ele acaba por ter perguntas muito relevantes.

E portanto estou super contente.

Portanto gosto muito dessa medida de tudo para a rua.

Mas pronto. Achas que resultava, mais à frente tipo aquelas crianças mais crescidinhas que estão a aprender trigonometria e EVT, quer dizer evt faz todo o sentido de ir para a rua.

Mas aquelas matemáticas mais densas, se calhar não dá, não é?

 

É assim, tu os ambientes podes criar.

E agora com tudo isto que nos aconteceu, que nos veio dar uma vertente diferente disto o que é que é a escola, não é?

Nós estamos todos a adaptar, até eu estou me adaptar a estas tecnologias e estas conversas, é a primeira vez que estamos assim, estou a ter assim uma conversa, pronto.

Portanto estamos nos adaptar a isso tudo.

E eu acho que sim. Tudo é possível.

É claro que nós não nos podemos esquecer que todos eles precisam de momentos de estrutura, não é?

Uma base, que às vezes temos de acalmar, temos de sentar e até, mas eu acho que…

Porque é que não pode ser feita em ambientes que eles se sintam confortáveis, porque é que eles têm que definir?

E nós já conversamos isso noutras alturas.

Porque é que tem que ser naquele contexto de sala de aula e só ali é que se considera uma aprendizagem efetiva. Porquê?

Porque é que eu não posso estar à beira de uma árvore? E posso estar sentada e fluir com os meus pensamentos e fluir com os meus exercícios. Porque não?

Se assim me dá prazer, eu tenho prazer que isso aconteça.

E respeitando, isto é muito importante, que eu acho tenho de dizer, respeitando cada um dos teus alunos, não é?

Tu não podes querer que todos gostem, nem todos gostam destes momentos.

Ok?

Nem todos gostam de estar ao pé de uma árvore.

Eu no outro dia estava com eles: vamos todos abraçar uma árvore? E por o ouvido e escutar.

Eu tive uma aluna que pôs assim a pontinha do dedo na árvore, assim: mas porquê?

Agora eu vou abraçar uma árvore?

Mas tu não podes julgar, tu tens de respeitar não é?

A ela não lhe fez sentido e é válido, não é?

Tu não podes obrigar, podes mostrar vários caminhos. Mas também não podes obrigar que isso esteja feito, não é?

 

Claro.

Olha, quando te sentes sem foco ou assoberbada. O que é que fazes?

 

Respiro.

Respiro muito.

E essencialmente procuro espaços que me tragam alguma tranquilidade.

E eu estou numa do silêncio e é o escutar.

E tu deslocares para um espaço onde tentes encontrar, é muito importante.

Seja ele, qual for.

Até pode ser, para mim é o silêncio, mas para algumas pessoas poderá não ser.

Poderá ser e teres com um grupo de pessoas, que transmite essa tranquilidade.

Mas é muito importante e ainda há pouco tempo estava a conversar sobre isso, que tu tenhas um foco e uma visão positiva das coisas.

Isso é o que eu gosto de transmitir aos meus alunos que é, ver sempre o lado positivo e de mudança e de crescimento das coisas.

Se nós estamos sempre a focar-nos no lado negativo e tudo tem o seu lado, nós sabemos, estamos fartinhos de saber que há um lado negativo.

E há sempre o lado positivo das coisas, mas se tu conseguires transformar essa parte negativa em algum propósito e algum fator de crescimento. E se ganhas o mundo, não é?

Todos ganham mundo.

Isso é o que eu queria muito que os meus alunos se lembrassem de mim, assim nesses moldes.

 

Eu acho que isso está garantido.

Como eu te disse, eu estive a levantar uns testemunhos, já na altura do Lemonade, tinha falado com pais, mas voltei a falar com eles agora, antes de, quando estava a preparar esta conversa.

Toda a gente se lembra de ti, pais, crianças, mas de forma apaixonada, para depois não se cala e vão por aí fora…

Eles são meus amigos, portanto eu posso dizer isto.

As ideias que, sempre a vir novas. E fez uma horta e tivemos uns gatinhos e fazíamos isto e fizemos aquilo.

A minha filha hoje ainda se lembra disto. E são crescidas e estão já, sei lá, 8º, 9º ano e por aí fora.

Olha Sandra, obrigado por este bocadinho.

Eu vou te convidar mais vezes, para virmos falar sobre estes temas da educação.

 

Obrigada Nuno.

 

Obrigado pelo teu domingo.

Pede desculpas aí aos teus filhotes, por lhes ter roubado a mãe durante um bocadinho.

E voltamos a falar em breve, está bem?

 

Obrigada Nuno.

Força.

 

Beijinhos.

Obrigado.

Até breve.

 

Beijinhos.

Obrigada.

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O que faz um Pediatra?

O que faz um Pediatra?

 

 

Conheça o nosso novo Programa em casa: https://bit.ly/1ofertamae

Podcast com a Médica Pediatra Rita Sousa Gomes, co-autora do Bê Á Bá da Pediatria.

https://www.instagram.com/be.a.ba.da.pediatria/?hl=pt

O que faz um Pediatra?

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Olá Rita!

 

Olá Nuno, boa noite.

 

Como estás?

Obrigado por estares disponível.

Eu sei que isto são horas indecentes.

E tu tens uma vida de médica super agitada.

Muito obrigado.

 

Amanhã é feriado.

 

Amanhã é feriado, pois é.

Oh Rita, eu acho que a nossa audiência já percebeu que tu és pediatra.

Tu também és autora de um blog super conhecido, chamado Bê á bá da pediatria.

Como é que está a ser esta experiência de influencer social e médica assim mais pública?

 

Dá imenso trabalho, mas é muito gratificante.

Eu tenho Bê á bá da pediatria e conjunto com a doutora Sara Aguilar. E portanto, fazemos aqui uma parceria e nas alturas em que uma está mais ocupada, há uma que fica mais responsável pelas publicações e assim vamos nos revezando uma com a outra.

E tem sido possível, nem sempre conseguimos fazer as publicações que gostaríamos todas as semanas, mas vamos fazendo e vamos mantendo e no que podermos ajudar e temos projetos novos em andamento. E portanto é tudo uma experiência muito gira.

 

Ok.

Oh Rita, obviamente que queria te agradecer por estares aqui hoje, mas também queria te agradecer por uma outra coisa.

Tu és pediatra dos meu bebés, és uma das pessoas mais importantes da minha vida, eu sei que não te chateio muito, mas estou super grato, porque este tempo para nós e por responderes às nossas perguntas e há bocado estava a pensar nesta nossa conversa e a lembrar-me da nossa última consulta, que já foi à algum tempo por causa do covid.

Ultimamente eu não tenho podido entrar na consulta, mas estava a pensar na última vez e tu quase todas as vezes amassas a barriga deles e estica-lhes as pernas, abres-lhes as goelas, espetas lá para dentro.

Eu estou a pensar internamente, aperta com força Rita, tipo, descobre tudo o que está aí dentro, faz a tua cena.

E apesar de aquilo parecer super doloroso, eu acho que é super tranquilizador eu saber que pronto, existe alguém que sabe o que está a fazer, todas aquelas análises e diagnósticos possíveis, portanto é uma coisa super gratificante para um pai.

Já não sou um pai de primeira viagem, já tenho 2 filhos mais crescidotes, mas é um conforto poder confiar nas mãos de um pediatra especialista.

Oh Rita, eu ia-te perguntar, se calhar é uma boa pergunta que pode elevar outros caminhos.

Como é que começou isto da pediatria?

Não contigo em especial, já lá chegaremos.

Mas se nos puderes dar aqui um bocadinho do enquadramento histórico.

Como é que se passou da medicina genérica para esta especializada em particular?

 

É assim, a pediatria é uma especialidade relativamente recente.

Ela surge mais ou menos no final do século 19.

Até porque a criança não era criança, a criança era considerada adulta, aos 8 anos até durante muito tempo, não é?

Havia o trabalho infantil.

E a pediatria, surge como realidade no final do século 19.

Numa altura, em que a taxa de mortalidade infantil era gigante, era enorme e portanto foi criada a necessidade de haver uma área médica que se dedicasse a estes pequenos seres.

A pediatria foi evoluindo ao longo dos anos, inicialmente durante muito tempo, seguia crianças de até aos 12 anos.

Desde o nascimento até aos 12 anos.

Depois estendeu-se até aos 15.

E desde 2010 para cá, nós seguimos crianças jovens e adolescentes até aos 18 anos.

Portanto temos um papel muito importante, na vida do futuro adulto, do jovem adulto e do futuro adulto.

E portanto é uma especialidade que foi evoluindo, primeiro era muito generalista e entretanto, foi havendo necessidade de surgirem várias sub especialidades.

Hoje em dia há várias sub especialidades da pediatria, eu sou pediatra geral, eu sigo as crianças de uma forma generalista, sou encarregue de detectar problemas e de os referenciar devidamente depois aos devidamente competentes.

E pronto, é mais ou menos assim resumidamente, a pediatria. É uma história recente não sei se pretendias mais.

 

Não, acho que era isso.

Como é que sentes que tem evoluído, assim mais recentemente? Nós no Gymboree e eu pessoalmente também fui muito marcado pelo Brazelton e pelos livros dele.

Eu considerava o Brazelton também, um bocadinho o pai desta pediatria mais moderna, mas ele já tem uma certa idade, não sei.

 

O Brazelton até já faleceu, se não me engano.

 

Eu acho que até já faleceu, recentemente, sim.

Mas é uma referência importante? Há outros pilares da pediatria que nós devamos saber? Que devamos seguir? Ou é uma coisa pouco interessante e e vocês tipo compilão indiferenciadamente?

 

 

O Brazelton é mais na área do desenvolvimento, do pediatra do desenvolvimento.

Nós temos as nossas highline.

E sim, acabarmos para compilar um bocadinho de tudo.

Não nos focamos apenas numa doutrina.

 

Muito bem.

Olha, como é que surgiu isto de ser médica?

Quando é que te despertou esta vontade?

Lembras-te?

 

Eu desde pequenina que sempre tive este bichinho, esta paixão pela medicina.

E parte porque o meu pai é médico e portanto eu sempre tive a medicina muito presente na minha vida. E é um excelente médico, é um excelente exemplo, um grande exemplo para mim e depois tinha uma irmã mais velha, que também tinha a mesma vontade e desde pequenina dizia que queria ser médica e eu fui seguindo aquela… quer dizer eu gostava, mas não sabia se era esta a minha paixão.

Passou-me pela cabeça ser veterinária, porque adorava animais.

Mas depois este amor pela medicina foi crescendo, sempre assim muito secreto, sem grandes manifestações depois quando cheguei ao secundário tinha aquela paixão pela a área das ciências e pronto.

Fui devagarinho, as notas eram muito altas, eu não sabia se ia conseguir entrar.

E não consegui.

Ainda tive 2 anos em medicina dentária antes de entrar para medicina.

E acho que é uma coisa que existe em mim desde sempre, eu sempre adorei ciências, sempre adorei, sempre quis ter um papel importante na sociedade, poder ajudar os outros, poder ter um papel diferente e achei que a medicina..

Achei que tinha vocação, pronto.

Acho que foi melhor, tu mesmo, Nuno podes dizer.

 

Está mais do que estabelecida.

Eu acho que mais à frente, depois posso partilhar um bocadinho sobre a minha experiência, enquanto… eu não sei se sou teu paciente, se sou só motorista do teu paciente, mas pronto.

 

És pai.

 

Sou pai.

Eu acho que tu te destaques, pela tua empatia, mas também pela tua disponibilidade para explicar as coisas e para simplificar a ciência para nós leigos.

Eu acho que há uma diferença muito grande entre, há uma pessoa que por mais interessada que seja, mas não seja um médico, ainda lhes falta um alfabeto não é?

Nós não tivemos anatomia, não tivemos microbiologia, não tivemos farmácia, não tivemos uma série de coisas que tu tiveste e portanto poder perceber o que tu estás a fazer e o que é que estás a pensar, é super tranquilizador para mim, que sou super curioso.

Portanto essa parte da minha experiência é ótima.

Tu nunca te negas a responder às coisas, nunca dizes: ah isso é um disparate! Não se preocupe com isso! Deixe lá estar, que eu já vi o que tinha a ver!

Nesse aspecto, é precioso para mim, a ter esse retorno.

Depois em termos de diagnósticos, eu também não tenho queixas, porque nunca deixaste passar nada grave, que eu saiba.

Portanto, eles estão ótimos, estão super viçosos, estão super gordinhos e bem dispostos, sim.

Portanto, perguntei-te como é que decidiste ser médica.

E depois a pediatria em si, veio quando?

Foi ao longo da faculdade?

 

Eu sempre quis ser, sempre tive vontade, porque o meu pai é médico generalista.

Portanto eu sempre gostei da medicina generalista.

A vontade de ser pediatra surgiu mais tarde.

Eu sempre achei que tinha mais vocação para a área médica, do que a área cirúrgica. E eu adoro o desafio do diagnóstico.

Portanto este meu namoro com a pediatria, se calhar, começou mais no quinto ano da faculdade. Foi quando eu comecei a ter mais contacto com a pediatria, comecei a ver doentes pediátricos.

E portanto eu tive uma experiência muito gratificante de urgência pediatria, no Hospital de Santa Maria.

E depois tive a oportunidade de repetir esta experiência no sexto ano, tive mais autonomia.

E acho que foi aqui, que surgiu a minha grande paixão.

Obviamente, depois fiz o exame de especialidade, tive uma nota boazinha.

E permitiu-me, depois, escolher a especialidade no serviço que eu queria.

Que era precisamente o serviço de pediatria do Hospital de Santa Maria.

E foi aí que eu decidi o caminho que eu queria seguir.

 

É assim, é uma escolha muito particular.

Do meu ponto de vista, quando eu imagino, aqueles órgãos mínimos, aquelas veias super fininhas, o sofrimento numa criança é sempre mais doloroso do que ver o sofrimento no adulto.

Tu escolheres dar a tua face a esta responsabilidade e a estas dificuldades…

Eu acho que é uma escolha muito particular, percebes?

Também já tive bebés no hospital, a serem canalizadas veias e a colocarem-lhes oxigénio, e portanto aquilo é particularmente doloroso e complicado para aquelas pessoas que ali estão.

Vocês depois ficam anestesiados, aquilo passa a ser só mais um paciente ou tens de ter uma camada extra?

 

É assim tu como pai tens de… nós acabamos sempre por nos acostumar e nós sabemos que as crianças são muito resilientes e que têm esta capacidade de dar a volta, que é fantástica.

Eles hoje estão muito mal e amanhã estão excelentes, estão ótimos.

Mas eu penso que como o pai… eu sei, eu também sou mãe e também já vi a minha filha a ser picada e portanto sei perfeitamente que dói muito mais do que estivesse a doer a nós, do que a eles. Eles passa-lhes rápido, passa na hora, amanhã já nem se lembram.

Portanto, nós acabamos por ter um bocadinho esta noção, é assim, é para o bem deles, não é para o mal, não é?

Nós sabemos que estamos a fazer o melhor que podemos.

 

Claro.

Olha, tu tocaste num ponto interessante, tu própria és mãe.

Como é que tu achas, que a tua maternidade afetou a tua profissão? E o contrário também.

Como é que o facto de seres médica afetou a tua forma de seres mãe?

 

A que a profissão afetou a maternidade ou a que a maternidade afetou a profissão?

 

Isso, são as duas, sim.

 

Olha, eu fui mãe durante o internato, portanto estava a fazer a especialidade, estava no terceiro ano ia para o quarto ano.

E não foi nada fácil.

Eu tinha os meus pais, eu não sou de Lisboa portanto, os meus pais moram longe, não tinha o apoio dos avós, tinha uma avó paterna com uma vida muito ativa que não conseguia dar apoio.

E portanto, eu tinha.. quando voltei a trabalhar, depois da licença de maternidade, tinha 40 horas de trabalho semanal, com 24 horas de urgência, às vezes com alguns bancos extra.

E depois pelo meio, ainda tinha exames, relatórios e trabalhos para apresentar em congresso e múltiplas coisas para fazer.

E depois tinha uma bebé em casa, que precisava da minha atenção, não é?

Portanto foram anos muito duros, foram anos de muito trabalho, em que eu fiz o que pude para ser a melhor mãe possível.

E pronto, acabou por ser tudo muito gratificante no final, mas eu lembro-me que andava sempre muito cansada, sempre muito cansada e às vezes olho para trás e nem sei muito bem onde é que ia buscar tanta força para aguentar tudo.

Porque era muita responsabilidade.

Hoje a minha filha já está mais crescida e felizmente eu já consigo ter um horário mais tranquilo.

E portanto já consigo aproveitar da melhor forma possível e com a melhor qualidade do tempo que nós passamos juntas.

As coisas já estão muito mais toleráveis, não é?

A idade também não ajuda.

Depois o contrário.

Olha, eu acho que a maternidade altera completamente o nosso foco. A parentalidade, aliás tu és pai.

Muda completamente a nossa forma de ver a vida.

Eu acho que os filhos, são sem dúvida a melhor coisa que nós temos, dentro do nosso mundo.

E nós ensinamos lhes muitas coisas, mas eles também nos ensinam muitas lições ao longo da vida.

E portanto, eu acho que como pediatra, ser mãe tem um impacto muito positivo. É muito positivo, eu acho que não me imaginava… Eu acho que me ajudou muito na minha profissão, porque ser mãe, ou ser pai, não é? Ensinam que os nossos filhos não trazem livros de instruções.

E que nós, nem sempre conseguimos seguir à risca aquilo que está escrito nos livros.

Ou seja, às vezes na prática, é muito diferente daquilo que nós temos na teoria.

Ou seja, não existe uma certa forma de fazer as coisas, não vale a pena de sermos fundamentalistas, não vale a pena julgarmos os outros, sem tentarmos primeiro aquilo que disseste há pouco, que eu tentava sempre perceber e que nunca deixava…

Eu acho que dou muita atenção aquilo ao que os pais me dizem, porque os pais são quem conhecem melhor os filhos.

E portanto é aquilo que te digo, é assim a teoria, é tudo muito bonito na teoria, mas se o pai me diz que a criança não está bem, eu tenho de acreditar.

E portanto eu acho que a maternidade nesse sentido, tornou-me numa pessoa mais, se calhar, mais empática, mais tolerante, que consigo perceber melhor o outro lado, do que se calhar não fosse mãe, se calhar…

Não sei.

 

 

Ok.

Tu tens um estetoscópio e tens os teus aparelhos.

Tu achas que a tua filha é mais escutada que as outras crianças? Só porque tu sabes o que estás a fazer.

Tipo achas que vais escutá-la mais vezes, deixa cá ver.

 

Não, pelo contrário.

Graças a Deus, a minha filha tem sido muito saudável, mas não.

Eu só olho para ela, eu vejo-a saudável, ela corre, ela pula, ela salta, e eu: tá tudo bem.

Quando eu tenho as minhas dúvidas existenciais, falo com a minha amiga Sara.

Portanto ligamos uma para a outra. Ela comigo, eu com ela.

Olha o que é que tu achas disto? Ela queixou-se assim… Pronto.

Porque aqui há sempre a parte emocional envolvida.

E pronto.

Mas sou muito tranquila, sou muito tranquila.

 

Ok.

Como é que achas que nós pais, podemos ajudar o trabalho do pediatra.

Óbvio que sempre comunicar o melhor possível os sintomas e as preocupações.

Mas que mais?

Achas, que há alguma coisa que a gente possa fazer para vos ajudar?

Às vezes não é fácil de tar no teu lado, quer dizer, a criança não tem o vocabulário rico, não se sabe queixar.

O que é que nós podemos fazer para ajudar ou se calhar noutro campo.

 

É assim, eu tenho…

Eu acho que os pais… Portanto é muito variável.

Existem situações que nós não conseguimos avaliar, por… e se calhar já aconteceu contigo, não é?

Que os pais mandam esta mensagem ou aquela a dizer: o meu filho tem isto ou aquilo.

E às vezes esperam que nós consigamos resolver os problemas através das mensagens.

Infelizmente nem sempre conseguimos.

Então se for uma questão de pele, ou de uma suspeita de infecção..

É assim, eu acho que a criança é fundamental em determinadas circunstâncias que seja observada.

E depois tem muito a ver com a relação, que nós já temos haver com a família e da empatia que já temos com a família.

Eu sei que há pais, em que eu conheço melhor, não é? Com que eu sei que, se disser uma determinada coisa vão cumprir de uma determinada forma e outros que não.

Portanto isto é muito variável.

Agora, onde é que podem ajudar mais um bocadinho?

Às vezes serem um bocadinho mais seguros de si, às vezes eu acho que há famílias que são um bocadinho inseguras, estão sempre à espera que nós digamos tudo, que nós orientemos tudo.

Confiarem mais nas capacidades, nas suas capacidades parentais. E não esperarem que sejam sempre nós a dizer aquilo que tem de fazer.

Portanto nós só ajudamos aqui a orientar.

Pronto, às vezes há pessoas que não conseguem se quer, decidir o tipo de iogurtes que vão comprar, sozinhas.

Mais por aí.

Se calhar as pessoas começarem a confiar um bocadinho mais nas suas capacidades. Serem mais confiantes em si.

 

Ok.

Há alguma pergunta que tu gostes de ouvir particularmente?

Quer dizer, quando os pais vão com determinadas dúvidas, que tu te sintas, isto é um ótimo caminho, eu gosto imenso de responder a este tipo de perguntas ou é um bocadinho diferente, é tudo igual.

Eu sei que ao fim de 20 famílias por dia, se calhar já estás desligada.

Aquilo vale tudo.

Mas se calhar num dia de algo.

Como é que tu descreverias a consulta ideal, em termos de pai, mãe. Diz-me.

Isto é possível? Isto existe?

 

Não sei, se existe uma consulta ideal.

Eu acho que existem famílias com as quais é normal nós termos mais empatia, do que outras.

E acho que isso acontece, tanto connosco médicos como quem está do outro lado.

A mesma pessoa pode ir à minha consulta e não gostar da forma como eu atuo, e gostar de outro colega.

Eu costumo dizer sempre ao pais que, é muito importante que exista uma relação de empatia com o pediatra, porque o pediatra vai estar presente na vida deles sempre.

E para mim, eu vou ser honesta. Para mim é sempre mais fácil, eu quando sigo os bebés, como sigo os teus filhos, desde pequeninos, não é?

Desde recém nascidos, é muito mais fácil eu já conheço aquela criança, aquela como eu costumo dizer, é como se fossem também um bocadinho meus, eu também tenho ali um papel.

Obviamente, que aqueles doentes que me aparecem ou pacientes que me aparecem assim, 1 vez por outra, ou que mudam de pediatra consecutivamente, que há pessoas que não se conseguem orientar só com o médico.

Fica mais difícil, porque é mais difícil de conhecer a tal história da família, é importante nós termos esta noção.

Para se estabelecer uma relação de confiança, é importante..

Que nós tenhamos esta relação forte, sólida com a família.

Mas uma consulta ideal, acho que a consulta ideal…

 

Não existe.

 

As minhas consultas são todas ótimas…

 

São todas ótimas…

Olha, para aquelas pessoas que às vezes não conseguem, não sabem bem, distinguir um médico pediatra de um médico de família.

Às vezes há pessoas que estão totalmente à nora.

Como é que nós lhes podíamos descrever o que faz um pediatra? De forma muito simples.

 

O pediatra tem, para começar, nós temos 5 anos de especialização, não é?

Nós ficamos 5 anos a estudar a criança na sua vertente saudável, não é?

E na sua vertente doente, portanto…

O médico de família tem uns estágios ao longo da sua vida e nem todos gostam da criança.

Têm mais gosto pelas crianças, outros não, mas é completamente diferente.

Um médico familiar é uma especialidade generalista, eles veem adultos e crianças e nós só vemos crianças.

Só por aí…

Mas eu confio na medicina geral e familiar totalmente, para avaliar a criança saudável.

 

É assim, a diferença é enorme, quer dizer é super evidente, quem se vai debruçar sobre isto, vai perceber as diferenças.

Eu acho é que algumas pessoas não conseguiriam prever o que faz o pediatra.

Quer dizer, não conseguiam imaginar uma consulta de uma hora ou uma consulta de 20 minutos. Quer dizer, se tu pudesses explicar: Olha, eu se tiver muito muito pouco tempo, eu preocupo-me com estas 3 coisas ou estas 5 coisas, que eu tenho de ver sempre.

Se calhar um bocadinho para sensibilizar, não sei.

Aqui este pai imaginário que tenho aqui na minha cabeça, que não vai ao pediatra por alguma razão, pronto.

 

Não sei.

Mas querias coisas que…

 

Não sei. Se tivesses muito pouco tempo numa consulta, se não tivesses o tempo standard para uma consulta.

Só pudesses fazer duas ou três coisas muito rápidas.

O que é que farias?

 

É dificil.

A nossa experiência é tão grande…

Eu às vezes acho que olhamos para a criança e já sabemos se ela está bem ou mal.

É muito difícil eu dizer-te assim: ah, agora três coisas.

É fundamental avaliar o crescimento, mas isso o médico de família também consegue.

Às vezes, eles se calhar, preocupam-se com mais umas coisinhas, que nós, que para nós já são, que não são nada, porque nós já estamos habituados, porque nós já vimos muito.

Eu acho que é assim, o fundamental e nós sabemos é: desenvolvimento, o básico, não é? A base. Saber se a criança tem o desenvolvimento saudável e se tem um crescimento saudável.

Pronto.

E depois é assim, nós já temos a nossa experiência, é enorme, nós conseguimos perceber claramente. Nós sabemos imenso sobre patologia infantil, portanto o nosso conhecimento é muito vasto.

 

Muito bem.

Olha, Rita, há algum livro ou algum filme, que tu aches super recomendável para famílias, alguma coisa que te tenha marcado?

Pode ser a nível pessoal ou nível profissional.

Mas há algum conteúdo que tu nos pudesses dirigir? Ou não queres tocar nisso?

Eu sei que conhecimento é super vasto e às vezes é difícil estar a escolher.

 

Livros? Em que sentido, mas livros de puericultura? É isso que estás a querer dizer?

 

Quaisquer.

Olha, puericultura era super útil, pronto.

Mas pode ser outro qualquer.

Que te tenha marcado.

Pode ser um romance que tenhas dito: olha este é o protótipo do pai ou da mãe que eu gosto, isto é útil. Ou de puericultura também.

 

Hm, não sei.

Eu leio muitos romances históricos.

Ultimamente até nem tenho lido…

 

Coisas técnicas.

 

Não estou a ver nada, agora puericultura, olha gosto imenso do Hugo Rodrigues, do Pediatria para todos. Que lançou agora um livro.

E do professor Paulo Oom que tem o livro dos pais.

Os livros do Mário Coelho também são ótimos.

Só livros de puericultura.

Agora livros de romances com pais, não estou a ver..

 

Não queres tocar nisso, ok.

 

O que me lembro agora, não estou a ver, não.

 

Ok.

Qualquer dia também vais escrever um não? De puericultura.

Podemos contar com isso ou não?

 

Claro que sim, sim!

Só de parte.

 

Está bem.

Se pudesses colocar uma mensagem num cartaz gigante, que toda a gente pudesse ver.

Que mensagem escolhias?

 

Talvez, mais amor, mais união, mais empatia.

 

Ok.

Acho perfeito.

Recordas-te de algum falhanço importante, na tua carreira acadêmica ou profissional, que tenha sido precursor depois de um sucesso mais à frente, portanto uma história de superação que possas escolher. Nem sempre isto é fácil, mas eu acho que isto às vezes é super revelador.

Quando as pessoas conseguiram selecionar corretamente as prioridades, implementá-las.

Não sei se te lembras de alguma história desse tipo.

 

Falhanços, assim que me lembro, que eu considere..

Não foi bem um falhanço, na realidade foi a minha entrada em medicina dentária.

Eu entrei em medicina dentária e achei que eu ia gostar.

Pensei: ah pronto vou ter uma vida mais tranquila, mais leve, não vou ser médica, vou ser dentista e tudo bem.

E pensei que me ia acostumar e depois entrei na faculdade e fui caloira, e até estava a gostar dos amigos novos.

E entretanto comecei a perceber, à medida que… quando cheguei ao 2º ano.

Ainda fiz o 1º ano.

Quando cheguei ao 2º ano, comecei a perceber que eu não tinha a mínima vocação para ser dentista, pronto.

E eu fiquei num grande dilema e tinha a minha irmã em casa a estudar medicina. E via os livros e queria estudar mais coisas, eu não queria só restringir à boca e a minha irmã nessa altura teve… a minha irmã e os meus pais, obviamente, deram-me toda a força e disseram: não se quiseres voltar para trás, volta para trás.

E eu nesse ano consegui, deixei as cadeiras todas de medicina dentária para setembro, no segundo semestre. E fui repetir os exames para entrar em medicina e não entrei logo no primeiro, na primeira tentativa.

Só depois na segunda.

Tive a sorte foi de ter equivalência, consegui sempre passar os anos em medicina dentária, depois tive equivalência diretamente ao 2º ano.

Isto para mim, foi uma espécie de um falhanço, pronto.

Mas eu não desisti

Não consegui agora, mas vou conseguir, no próximo ano vou conseguir e consegui.

E hoje estou aqui e sou pediatra, que era o que eu queria e pronto.

Consegui concretizar os meus sonhos.

 

Excelente.

Perfeito.

Olha, ocorre-te alguma má recomendação?

Que costumas ouvir relacionada com a tua profissão, não obviamente da boca de outros médicos, que eu acredito que sabem o que estão a dizer, mas de outras áreas profissionais, se calhar…

Não sei, às vezes ouvires se calhar, professores a falar de nutrição fora de horas ou de atividade física ou de linguagem.

Alguma coisa que tu… algum mito na sociedade que tu gostasses de esclarecer?

 

Ok.

Agora de repente…

De repente só me lembro do mito da aranha.

Sabes o mito da aranh… não é o andarilho, aquilo é a aranha.

 

Ah sei sei sei sei, sim.

O aranhiço.

 

Pronto, o aranhiço exato.

Que é uma coisa que ainda está implementada nas lojas de puericultura.

Eu e a Sara até criamos um post, há pouco tempo sobre isso, porque ainda no outro dia, tive na urgência, um acidente com um miúdo com uma aranha, pronto.

Que os miúdos, aquilo além de atrasar a marcha.

De poder provocar problemas a nível da anca, ainda tem o risco de acidentes, aumenta o risco de acidentes domésticos.

Ainda no outro dia, tivemos o caso, de um miúdo que caiu, que se virou ao contrário na aranha. E um traumatismo craniano.

E portanto, este agora de repente foi uma das coisas que eu me lembrei.

Assim de nutrição e de, não tenho ouvido, não tenho… de professores, não tenho ouvido nenhuma má recomendação.

 

E se calhar aqui no campo das boas recomendações.

Eu no outro dia assisti a um podcast teu com o Carlos Neto.

Não foi bem um podcast foi mais uma conversa.

Sobre o brincar e o brincar não estruturado e ao ar livre.

Eu percebi que é uma coisa super positiva, que defendes.

Portanto não tens preocupações em relação a esse campo.

Tu recomendarias, portanto, expressamente aos pais que nos estão a ouvir, para tentar conquistar um pouco de tempo na família para irem para a rua. E portanto deixarem as crianças brincarem.

Com o Carlos Neto até não se importa que eles caiam de uma árvore e que escorreguem ao contrário de um escorrega. Eu sei que ele é, aliás, eu tenho hiper simpatia pelas coisas que ele diz.

 

Eu adorei ouvi-lo e ele…

É verdade, nós todos hoje em dia, somos todos pais muito preocupados.

Temos todos muito medo que os meninos se magoem e eu acho que ele é fantástico nesta perspectiva de que, assim realmente, deixamos correr, deixamos cair, magoarem-se, dentro da claro, rever as condições de segurança. Mas deixar que eles explorem um bocadinho mais o ambiente.

E até eu naquele dia também aprendi muito com ele.

O que eu acho, é que às vezes é difícil colocar em prática, no dia a dia, esta questão de ir com eles todos os dias para a rua.

Quer dizer, quem mora nas cidades, tem esta desvantagem não é?

Porque nós temos uma vida muito corrida, eu por acaso até tenho facilidade com o horário, mas eu percebo que existem pais. Tenho casos de pais saem de casa às 8 da manhã e chegam a casa às 7 (19).

Portanto, nesta altura já é de noite.

É muito difícil ir com o filho.

Mas sim aproveitar os fins de semana.

Acho que devem ser aproveitados ao máximo nos parques.

Agora não nos parques infantis, até porque os parques estão fechados.

Mas ao ar livre, na natureza.

Correr, andar, andar de bicicleta, andar de patins.

Ficar o mínimo de tempo possível nos tablet e à frente da televisão.

Acho que sim, temos até as crianças estão cada vez mais sedentárias.

Eu tenho imensos que entram no consultório com o nariz enfiado no tablet ou no telemóvel e saem com…

É incrível.

Temos que dar conselhos, mas estamos em casa, não..

 

Claro.

Quer dizer, temos aquele efeito de o que tu treinas, o músculo que tu treinas é o músculo que fica forte e o músculo que tu abandonas é o músculo que é podado, não é?

Aqui o efeito Browning, não é?

E o que o Carlos Neto diz, com muito carisma, é que é importante darmos às crianças um menu de movimento e o alfabeto completo de novas sensações, não é?

Portanto, estimular a psicomotricidade.

Epah, se não puder ser na rua, que seja dentro de casa.

Mas se deixarmos a criança realmente, hiper desenvolver…

 

Mas deixar o filho com a natureza até tem efeitos benéficos, até ao nível do sistema imunitário. E portanto é sempre bom que a criança vá explorar o ambiente, lá fora.

 

Claro.

Rita tinha aqui uma última pergunta.

Que é, quando te sentes assoberbada. Como é que fazes?

Que te recentras?

Tens alguma técnica ou algum segredo?

 

Olha, eu tenho uma vida um bocado complicada de vez em quando.

Eu tenho um horário, eu consegui agora um horário mais tranquilo.

Mas eu sou mãe e sou pediatra e não tenho como tinha dito já inicialmente, eu não tenho cá avós, não tenho aqui avós próximos.

E portanto, eu tenho que me organizar muito bem.

Conseguir fazer tudo e portanto, normalmente ando sempre uma check list, atrás de mim.

Já fiz isto, já fiz aquilo…

Mas há alturas em que eu fico completamente… é verdade, fico completamente sem saber, sem foco.

A maneira que eu tenho…

Olha, na era pré covid, eu ia muitas vezes para a quinta dos meus pais, de vez em quando, arranjo um fim de semana, vou para lá, fico lá, reorganizo-me, descanso e pronto. Organizo ideias.

Agora tem sido mais complicado.

Eu sou católica.

E agora olha, ultimamente tenho me dedicado mais à oração.

Há quem faça meditação, eu vou orando.

Tenho um guia, um diretor espiritual, com quem tenho falado mais e pronto é assim que eu vou gerindo.

Com calma, tentando me organizar da melhor maneira possível. E eu tenho conseguido.

Felizmente, até agora, as coisas têm corrido bem. Eu vou conseguindo fazer tudo aquilo que me proponho.

 

E além disso, ainda tens o teu blog, a tua página de Instagram.

Vocês são super generosas com o conteúdo que partilham e também há ofertas muita giras.

Volta e meia, arranjas lá uns giveaways espetaculares.

Que eu tenho de começar a concorrer mais, acho que tenho de ver se faço batota, se meto uma cunha para ganhar uns cremes ou uma coisa assim.

Olha, convidava as pessoas a visitarem o teu blog.

Chama-se Bê á bá da pediatria.

Eu vou deixar os links na descrição.

E pronto.

Espero que te sigam.

Super obrigado por este bocadinho, Rita.

 

Obrigado, eu gostei muito.

Eu já não te via há algum tempo, é verdade.

 

Sim, porque lá na clínica, não me têm deixado entrar. Não deixam entrar os 2 pais, com o bebé.

 

Só vai a mãe.

 

Ok.

Obrigado, Rita.

Boa noite.

 

Olha, beijinhos Nuno, gostei muito.

Obrigada

 

Beijinho e até breve.

Obrigado por tudo.

Até logo

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Vamos falar com a Psicóloga e Professora sénior Gymboree, Carolina Almeida Canto. https://bit.ly/1ofertamae

A Carolina é mãe de 6 filhos! 🙂

Vamos conhecer um pouco da realidade das famílias numerosas.

Principais desafios, truques e dicas, organização, logística da alimentação, higiene, transporte, brincar.

 

Olá Carolina.

 

Olá.

 

Boa tarde como estás?

 

Boa tarde.

Tudo bem.

 

Olha, antes de mais obrigado por este bocadinho.

É um fim de semana e o teu fim de semana então, é particular, não é?

Porque tu tens 6 crianças aí em casa.

 

Sim, às vezes, ainda com algumas ajudas dos avós vamos conseguindo reduzir o número de crianças em casa. E pronto.

Hoje é assim um fim-de-semana mais calminho, sim.

 

Muito bem.

Olha para quem não te conhece, que é difícil. Tu és a nossa professora sénior do Gymboree, estás connosco desde o início.

Portanto viste o Gymboree a nascer, mas também és psicóloga.

E hoje em particular, estás aqui no papel de mãe, porque és uma mãe especial, não é?

Tens muitos filhos e eu acho que há um conjunto de perguntas que seguramente ouves muitas vezes e eu hoje vou repetir.

Mas que eu acho que são particularmente inspiradoras, até para as pessoas que têm menos filhos. Porque às vezes parece que um já é demasiado e quando vamos aumentando complexidade, temos de arranjar uma forma de simplificar tudo isto, não é?

E é um bocadinho atrás destas respostas que nós vamos hoje.

E será uma primeira de eu espero que sejam muitas conversas nossas, sobre muitos temas.

Eu ia começar pela pergunta mais fácil.

Que é, podes descrever me um dia típico teu? Como é que tu fazes?

Desenha-me um dia teu.

Tens de acordar às 3:00 da manhã?

Deitas-te às 2?

Como é que tu fazes?

 

Não.

Há dias um bocadinho mais longos do que outros.

Mas genericamente eu acordo às 7:00.

E agora neste momento, a mais velha está no quinto ano e também com esta situação da pandemia e a reorganização das escolas. E ela é aquela que entra mais cedo e portanto é levá-la à escola voltar para casa e depois os outros entram a seguir, outros dois.

Mas vão, pronto, os restantes 5 no carro para serem distribuídos. E por etapas também estão em diferentes sítios.

E depois regresso a casa, onde trabalho, não é?

E onde tem a minha rotina do trabalho, mas que também às vezes é intercalada com as tarefas de casa, que têm de ser feitas, entre máquinas a pôr para lavar, loiça para tirar, coisas para arrumar, pronto.

E assim me vou organizando até à hora de depois chegar para os ir buscar e de recolher todos, sendo que a mais velha então só tem aulas de manhã e vou buscá-la para almoçar.

 

Ok.

Tu tens uma rotina escrita ou pelo menos planeada na tua cabeça? Ou deixas fluir? Já está automático? Não tens de pensar nisso?

 

Está automático.

A verdade é isso.

No fundo é organizar no início do ano letivo, aqui o esquema em casa é depois se vai reajustando também, se surge algum imprevisto naturalmente, mas eu diria que tipicamente no arranque do ano letivo há um esquema organizado. E aquelas rotinas da hora de levantar e do deitar, que se vão interiorizando, não é?

E que fazem parte do nosso dia-a-dia e tentamos cumprir ao máximo, acho que é fundamental esses horários para eles também para estarem organizados, Para todos estarmos organizados.

 

Sim.

Olha, a minha próxima pergunta parece pouco natural, porque tu és a pessoa mais Zen que eu conheço. Tens sempre uma atitude positiva em relação a tudo.

Ouvimos-te sempre com o ângulo mais favorável.

Mas a pergunta é: o que é que é mais desafiante? Onde é que tu encontres desafios nesta logística toda e nesta realidade? Que é peculiar.

 

Sim é mesmo no embate com a realidade, com as dificuldades do dia-a-dia, porque as crianças são inesperadas, não é?

E portanto, às vezes nós esperamos uma coisa delas e surge uma bomba que nós temos que resolver.

Neste momento, eu diria que atualmente a maior dificuldade é gerir discussões entre os irmãos.

É aí que eu sinto que é mais desafiante para mim.

Pronto.

E acho que isto é uma caminhada e eu estou longe de estar perto do ideal, é também é um conhecimento pessoal do dia a dia Ir reconhecendo e conhecendo os meus limites.

E a perceber onde é que está o meu gatilho, onde é que eu vou explodir, para começar a antecipar cada vez mais e a evitar essas minhas explosões também.

Porque é isso, o dia-a-dia é único, não é?

Eu não posso dizer que um dia é igual ao outro e estas circunstâncias que vivemos atualmente acho que também nos ajudaram e a mim ajudou-me e forçou me realmente a ainda mais trabalhar a paciência. O aceitar a imprevisibilidade do dia-a-dia.

A reajustar os planos que posso ter para o meu dia, mas que forçosamente vão ter que ser reajustados.

E é isso.

Eu acho que a paciência é aquela virtude que atualmente está a ser mais trabalhada, em mim e cá em casa.

 

É assim, tu estás particularmente bem equipada, não é?

Tu tens uma formação em psicologia.

E epah, eu lembro-me muito bem do teu processo de recrutamento, nós tínhamos centenas de candidatos, portanto tu foste uma das três estrelas que nós escolhemos naquela altura. Portanto sentimos que era muito sólida a tua formação, mas também o teu léxico e na tua paixão pelas crianças.

Portanto dá ideia que tu tens um talento particular, para tudo isto. não só a maternidade, como o desenvolvimento infantil e seguramente que há alturas muito recompensadoras, mas tu estavas a falar aqui nesta busca por paciência.

Quando tu vês outras pessoas a falarem em falta de paciência e só têm 1 filho ou só têm 2 filhos.

O que é que tu pensas? Tu tens muitos não é? Quão mais difícil é aquele terceiro, aquele quarto, aquele quinto, aquele sexto?

Eu acho que é uma reaprendizagem constante.

Eu agora também estou a expandir um bocadinho a minha família, mas não cheguei perto dos teus números.

 

Vamos ver.

Bem, eu acho, quer dizer cada um tem a sua dificuldade muito própria. E às vezes eu percebo, a dificuldade que é os pais apenas com uma criança conseguirem ter essa paciência ou que seja a capacidade de manter uma criança entretida durante um fim de semana que têm de estar recolhidos em casa.

Eu acho que até é mais difícil com o filho do que com mais, porque para já, os pais também vão tendo a sua experiência e depois como são muitos, eles também brincam uns com os outros, não é?

Portanto, eu acho que efetivamente todas as queixas ou as dores de cada família são válidas. E porque todos nós passamos por momentos diferentes da nossa vida e de crescimento.

E eu acho que é isso.

Eu quando tinha um ou dois, se calhar queixava-me à minha maneira determinadas coisas que eu já olho para trás e penso: Ok, era eu naquela altura.

Agora não me queixo disso, poderei me queixar de outras coisas.

Mas é isso, também é uma caminhada, mesmo.

 

Olha, o que é que achas que é mais recompensador? Portanto também nesta escala, destes filhos todos. O que é que achas que se tornou mais recompensador, que se calhar não era tanto no início e que agora tu encontraste todo um bálsamo o que se calhar não está ao alcance destas famílias com menos filhos?

 

Eu não sei, aquilo que eu reconheço até em determinado momento em conversa com uma educadora do meu filho, que ela dizia que aquilo que mais lhe despertava, vá, em mim em concreto ou na família, era o continuar a valorizar cada um como único E graças às educadoras que eu também fui e um bocadinho também da minha experiência no Gymboree naturalmente, que fui aprendendo a olhar para cada criança como única.

Mas que continua a ser isso.

Eu poder me maravilhar com cada um deles, porque todos são diferentes e mesmo nos dias mais de atrito ou mesmo às vezes no meio de uma birra,vá e que depois começa a ser solucionada e começa a abrandar e vê-se ali um carinho. Vê-se aquele sorriso, aquele abraço da criança e isso é que é o recompensador.

É que no dia a dia, nas dificuldades mesmo às vezes naquelas gestões mais difíceis, surge aquele abraço.

Pronto e isso basta, não é? Para continuar…

 

Olha, eu agora tenho aqui umas perguntas mais práticas. Há uma que me explode o cérebro, porque eu tenho apenas 4 filhos, é só uma fração dos teus.

E eu tenho de ir às compras quase todos os dias, comprar comida, fazer comida para eles, lavar a louça.

Como é que tu fazes? Como é que tu alimentação essa tropa toda?  Que truques é que tu usas para gerir as doses e para teres… porque as cuvetes não estão feitas para famílias grandes, não é?

Alguns só têm 4 bifes e depois só têm 5 e a matemática não bate.

Que truques é que tu aprendeste ao longo deste tempo, para conversir na alimentação?

 

Ok.

É assim eu acho que não tenho grandes magias.

E se calhar tenho muito a aprender também.

O meu marido faz muitas compras, pronto ele é que vai essencialmente às compras.

E nós abastecemos nos numa grande superfície, daquelas que abastece os restaurantes…

E então nós compramos algumas coisas em muita quantidade, Sobretudo Aquilo que consumimos mais, em arroz, massas, farinha para fazermos pão e depois há os bolos, etc, pronto.

Algumas coisas compramos em grandes… leite então, foi daquelas coisas que vi a aumentar paletes e paletes para casa, cenouras. Eu compro imensas cenouras, por causa das sopas.

E a minha mãe às vezes fica: mas onde é que tu vais guardar essas cenouras todas?

E elas cabem, é verdade, elas cabem dentro das gavetas do frigorífico.

Não tenho um frigorífico enorme.

Eu sei que há famílias numerosas que foram reajustando as suas necessidades, tipo comprar uma arca congeladora, ainda não vi essa necessidade, mas isso depende muito da… lá está, do que é que a família faz. Eu não congelo muita comida. E eu sei que é uma daquelas práticas que ajuda imenso, sem dúvida.

Mas eu não sou muito de congelar a comida, mas há coisas que eu faço, sobretudo refeições que são de forno, que para mim são muito práticas, também utilizo o robôs de cozinha para me ajudarem na logística do final do dia com as crianças.

Há uma coisa que eu faço muito e que tenho de aprimorar, que é sopa.

Que eu faço sopa quase todos os dias, para eles, para dar para todos, não é?

Mas é muito são comidas de tabuleiro e que vão ao forno e que rendem mais.

E vamos aprendendo às vezes um frango que sobrou e e que dá desfiado ou uma carne que é migada e é triturada e que vai dar para o empadão, pronto.

Há coisas que vão esticando. E que com a nossa ginástica, vamos fazendo com o que se tem.

No outro dia tinha imenso pão duro e fiz uma açorda ótima e eles todos adoraram.

 

 

Espetáculo.

Olha, tu disseste que não tens um frigorífico grande.

Como é que tu fazes? Com a proteína, carne, peixe, essas coisas. Tem que ser compradas em se calhar numa quantidade…

 

Sim, realmente nós vamos comprando com mais regularidade. O peixe e a carne, que sim que estão congelados, mas vamos comprando com mais regularidade, assim com mais frequência.

 

Então é suponho que eles comam todos na escola e que tu não tenhas que te preocupar com a refeição do almoço e…

 

Ah, a Leonor vem almoçar a casa, a mais velha.

E os bebés levam comida também.

Portanto é o jantar do dia anterior, que é o almoço deles.

 

Ok.

E nas férias?

Como é que tu fazes?

Almoço, um par de pequeno almoço, tudo vezes 6, vezes 8, não é? Vocês são 8.

 

Sim, normalmente assumimos esta logística também nas refeições das férias que seja, O jantar é uma refeição que nós fazemos em maior quantidade, que dê para o dia a seguir ao que seja o almoço, ou então para o jantar.

Vai ter alguma coisa que nós vamos ter que aproveitar para o dia a seguir, para facilitar uma refeição.

Refeições rápidas, tem que ser.

Também no verão é muito mais simples, qualquer coisa simples, eles comem a andar.

 

Ok.

E os banhos?

Esse é outro mistério para mim.

Como é que tu dás banhos a essas crianças todas?

 

É muito cansativo, eu confesso que chego à aquela hora que vai ter que ser a hora dos banhos e digo: bolas, ainda faltam, mais 2, 4, mas eles já são crescidos, portanto já tomam banho.

É mais o mandá-los para o banho, neste momento.

É mais o: tens de ir tomar banho!

E eles não querem ir tomar banho.

Mas eles tomam… agora é aos pares, pronto.

Basicamente são três levas de banhos.

 

Ok.

E depois dos banhos há o deitar, também deve ser uma coisa espetacular, não é?

 

Lá está.

A hora está interiorizada. o relógio biológico, não é?

E os mais novos vão primeiro, os bebés.

E depois vão os outros quatro.

E entre guerras e sempre de encontrões para lavar dentes, etc.

E sempre garantir que está tudo feito.

Que lavar dentes, xix,i está tudo feito.

E depois algumas medicações que eles fazem preventivas, pronto.

Há uma rotina também já interiorizada aqui e todos eles sabem o que têm de fazer.

E vão para a cama, pronto.

E depois existe aquela coisa da rotina de um vê a história, o outro que já lê. Há sempre discussões, pronto.

Isto é o que eu acho que é mesmo para dizer que não é nada de sonho, não é nada cor-de-rosa.

Todos os dias, há aquele que quer mais um bocado e eu digo: agora não pode ser.

Isto para salvaguardar também, algum tempo de descanso de nós pais.

 

Lembras-te de algum mais rebelde, que tenha de forma consistente, resistido, ao deitar, à refeição, assim uma coisa mesmo que tenhas ficado preocupada, como é que eu vou fazer isto e eles são tantos e este em particular, não está a ajudar.

 

Não me lembro de nada de muito prolongado no tempo, normalmente associava a algum período de doença, em que estavam mais sensíveis ou alguma mudança na escola, pronto.

Nunca houve algo assim muito prolongado no tempo, ou seja, aqueles picos de desenvolvimento também que depois nós vamos procurar, saber e descobrir porque é que poderá estar a reagir desta maneira. Mas nada assim muito difícil.

 

Ok.

E as fraldas?

Eu aposto que a Dodot ou a Chicco, provavelmente a Chicco, que tem um busto teu logo à entrada da fábrica.

E chamam à fábrica, tipo, esta é a fábrica da Carolina, nós aqui estamos a tentar servir aquelas crianças.

Já deves ter tido mais fraldas do que qualquer outra pessoa. E atenção, eu tenho uma história gira para contar.

Há pouco tempo eu estive em tua casa e levei o meu bebé.

E ela odeia que lhe troquem a fralda.

São precisos dois homens adultos para lhe mudar uma fralda. E ela grita o tempo todo.

E tu conseguiste trocá-la sem ela fazer muito barulho, eu não sei… tens uma varinha mágica e eventualmente vou te pedir que faças um vídeo sobre isso, está bem?

 

A verdade é que eles quando é alguém de fora, não é? Reagem sempre de uma maneira diferente e normalmente até melhor. Que envergonha os pais, não é?

Mas é isso.

Olha, muitas fraldas sem dúvida. Neste momento então, como são dois bebés, eles usam muito, eu vejo hoje fraldas a voar.

Eu confesso que nunca fiz contas das fraldas reutilizáveis, se seria uma coisa mais vantajosa para mim.

Provavelmente até seria.

Nunca cheguei a fazer contas a fundo.

Mas sempre pensei mais na logística de ter que lavar e como isso neste momento também ainda não é, não está muito afinada cá em casa. Tenho sempre muita roupa para lavar.

E então olha e então são as descartáveis E realmente são muitas muitas muitas fraldas.

 

Olha fala-me disso.

Fala-me nessa questão de lavar roupa.

Quantas máquinas tens? Tens secador? Tens espaço.

Tens. É esse o segredo?

 

Não tenho secador!

Mas estou a pensar em comprar um secador de roupa.

Andamos à procura neste momento.

Entre ontem e hoje andamos a ver máquinas para secar.

 

E só tens uma máquina de lavar?

Ou tens uma máquina para brancos e outro para escuras

 

Não, só tenho uma máquina.

 

Uau.

 

Não, máquina de lavar a roupa sempre tive.

Máquina de lavar a louça é que nem sempre tive.

De roupa sim, aumentei um bocadinho a capacidade dela.

Mas também não é das maiores, é daquelas de 8 kg e sinto a necessidade de ter uma maior.

Porque faço máquinas de roupa todos os dias.

Às vezes tenho que aguentar mais roupa no cesto e não lavar por causa do tempo. Porque ainda não tenho a máquina de secar, mas… e muita gente me pergunta: mas como é que tu não tens na máquina de secar? Como é que tu fazes? É uma loucura.

Pois realmente a roupa vai acumulando um bocado e sempre que possível estender lá fora, mas pronto.

Vai-se fazendo, às vezes é preciso de se ir comprar mais umas calças de fato de treino ou duas para poder suplantar essa falha de roupa, nos dias de inverno que não conseguem secar a tempo.

Mas há sempre uma avó que trouxe umas calças de fato de treino a mais.

 

Olha, tu achas que eles reconhecem, quer dizer: estas são as minhas roupas, aquelas são as da Leonor.

Ou aquilo tipo, às vezes tem que ser tudo igual, não é?

 

Dos rapazes tudo vale, sim. Embora eles discutam também com isso.

Eu às vezes ainda vou ver as etiquetas dos tamanhos para garantir.

Mas sobretudo os dois mais crescidos, às vezes já é tudo do mesmo tamanho para não haver cá complicações.

Mas eles ainda vão distinguindo, entre cuecas e meias de cada um, às vezes aquelas especiais que eles.. se não é mesmo… é o que vier.

 

Sabes que vou fazer aqui uma confissão, eu tenho filhos em 2 fornadas como tu sabes, não é?

Eu tenho 2 mais velhos, que são adolescentes e depois tenho 2 bebés, um com 3 e uma com 1.

Importante entre o de 13 e o de 3 é uma diferença, supostamente grande de tamanho.

Mas eu já transferi pijamas tipo de agora do adolescente para o de 3.

Tipo arregaço as mangas, arregaço as mangas e está ótimo.

É para dormir e pronto.

Quem me quiser julgar pode fazê-lo, mas eu tive que fazer isto.

Já uma vez ou duas.

 

Portanto como eu estava a dizer, este fim de semana foi mais tranquilo e já muito muito muito tempo, dadas as circunstâncias que os miúdos não iam a casa dos avós paternos.

E eles foram lá dormir e o mais novo, dos dois que foram, esqueceu-se do saco da roupa.

Saco pronto à porta e ele sai de casa sem o saco.

E o meu marido foi deixá-lo e disse: confirma que o saco dele está aí.

Sim está.

Pronto vou deixá-lo, ele até disse: vou levá-lo para casa, ele não fica, porque não trouxe o saco.

Mas as avós que amolecem corações disse: não não, ele fica cá. E vestiu um pijama da tia, que tem 20 e tal anos.

Portanto eu não imagino como é que ele dormiu, mas certamente também muito arregaçado.

 

Clássico.

Olha, viajar com crianças.

Como é que é?

Quando vocês vão de férias, portanto têm um carro que leva toda a gente Ou tens que levar dois carros?

As cadeiras cabem todas?

 

Neste momento não, não cabem todas e realmente no último verão, tivemos que ir em dois carros, porque ainda não tínhamos o carro grande que onde coubessem todos e teve que ser, mas também…

Eu queria frisar isto quando pensei nesta conversa Nuno, que eu tenho FELIZMENTE imensa ajuda dos meus pais, como dos meus sogros e não faltou quem dissesse: ah, nós levamos o nosso carro e vamos lá deixá-los e depois vamos lá buscá-los. Portanto neste caso levamos os nossos dois carros.

Mas não faltavam estas ajudas preciosas e valiosas que estão felizmente e eu tenho realmente esta sorte de ter os avós por perto, tanto de um lado como do outro, que facilitam muito nosso dia-a-dia.

 

Olha mas eles guerreiam muito na viagem? E fazem snacks?

Tens de parar para fazer xixi, não sei quantas vezes?

Como é que é?

 

Os xixis às vezes, uma vez ou outra pronto, mas lá está, assegurar que quando saímos de casa todos fizeram o xixi.

Sim, gritam.

E às vezes é difícil a concentração, sobretudo, pronto eu acho que é mais com os bebés, mas os outros que discutem lá atrás, levam um grito de ordem do pai e fica tudo em silêncio.

Se vão só comigo, tenho de dar mais uns 2 ou 3 berros, até eles se calarem.

Ou então é distrações depois entre jogos e olhar para fora e etc, começarem a entrar na distração para eles voltarem ao normal.

 

Tu tens gémeos bebés, tens 2 bebés pequeninos.

Portanto estas últimas férias fizeste com eles a viajar.

Como é que tu conseguiste?

Tinhas alguém a dar-lhes atenção?

 

Lá está, se era eu que ia sozinha, fiz uma das viagens, portanto sozinha com eles os dois, a irmã mais velha foi comigo, para garantir. A mais velha, que é a rapariga, vai no carro comigo, porque ela consegue dar uma boa ajuda.

Tenho sempre bolachas comigo também assim, na viagem não gosto muito de dar, pronto.

Não me sinto muito confortável com isso, mas se for preciso parar o carro numa área de serviço, pronto.

Parar para ver o que é que é preciso de ajustar.

Lembro-me por exemplo, quando fomos, aí já fomos os 2 no mesmo carro e houve outros que foram com a avó, no carro da avó, para baixo. E aí foi preciso trocar por exemplo a bebé, que é mais refilona, veio para trás, para estar ao pé de mim e ia ali mais tranquila à frente, pronto.

Vamos reajustando.

 

Olha como é que eles foram recebendo os irmãos mais novos?

Queria falar um bocadinho sobre a questão dos ciúmes, a questão também do amor fraterno que se vai encontrando.

Às vezes das coisas mais espetaculares, quando eles realmente estão conectados.

Mas também imensa preocupação, quando eles guerreiam, às vezes parece que eles nunca se vão dar bem. Eles estão tipo, têm medo que se matem um ao outro.

Como é que isso correu aí na tua família?

 

Sim, eu acho que os ciúmes nunca surgiram de forma muito, obviamente não se notava assim uma agressividade.

Eu não queria dizer isto, mas eu nunca notei assim um terror por ter um irmão mais novo.

A dada altura lembro-me de tomar consciência disto, que se eu mostrar como cuidar deste bebé de forma atenciosa, carinhosa.

Eu tomei esta consciência, achei que isso seria bom.

Que o meu modelo e o modelo dos adultos que cuidam e no fundo quando havia mais irmãos também, não é?

Como nós cuidamos dele, que isso seria o modelo para a criança.

Claro que, isto para dizer, que eles tiveram ciúmes, sim.

Eu notei.

Em cada um deles, um momento em que havia uma chamada de atenção, porque queriam a minha atenção.

Então eles sempre em cima de mim quando eu tinha os bebés no colo.

E claro que são estas pequenas manifestações, eu sempre notei.

Ou aquele que já anda muito bem e de repente pede mais colo na rua, por exemplo.

Todos eles.

E eu sei que até é mais velha agora, precisa de uma atenção particular e eu não sei, porque os meus ainda nem na adolescência entraram.

Mas eu diria que esta atenção particular, este sentirem se especial, cada um deles vai ter… sempre, se calhar, não sei.

Mas durante mais tempo vão ter de certeza.

E sem ser ciúmes.

Lembro-me de estar com um bebé ao colo e o outro, eu ralhei com o outro por estar a fazer uma asneira. E a reação dele foi de bater no bebé, foi levantar a mão para dar uma palmada no bebé, não é?

É o ciúme.

Pronto, tu tens o bebé ao colo e estás agora a ralhar comigo?

 

Há bocado tocaste num ponto super importante da questão de sermos o modelo certo, não é?

E basicamente inspiramos o comportamento que nós queremos que eles tenham.

E Isso realmente é super difícil, porque nós também somos frutos de modelos.

E portanto algures lá a trás é natural que alguém não tenha sido o modelo perfeito, porque não tinha como, não é?

Não tinha essa inspiração e às vezes é complicado tentarmos conscientemente, irmos manipulando essa nossa forma de estar.

Quer dizer, nós queremos ser bons modelos e portanto às vezes, por defeito não o somos e queremos ser, portanto é uma luta, não é?

E portanto eu acho que isso dá uma conversa totalmente independente, que vamos ter noutro dia.

Mas eu ia te perguntar, tu às vezes sentes que tens de ir buscar um bocadinho da tua formação académica para resolver um assunto em particular.

Tens de dizer assim: bom, eu treinei para isto, eu estudei isto em particular e eu tenho consciência do que estou aqui a ver.

Consegues etiquetar aqueles comportamentos?

Ou estás… tu és uma mãe normal como nós, não é? E que só está a resolver o instante sem grande consciência, não é?

Mais em reação do que em proação.

 

Não, há aqueles momentos em que eu… sobretudo ao final do dia em que vou identificar aquele comportamento ou aquela atitude que me chamou à atenção e que eu achei um bocadinho fora do normal, ou fora do contexto.

E ponho-me a pensar um bocadinho dentro dos meus conhecimentos mais acadêmicos.

Depois também procurando confrontar isto com outras amigas, psicólogas ou não. Mas outras mães e eu acho que por defeito, vai sempre haver aqui essa necessidade, é automático, não é?

Eu tentar pensar se há aqui alguma coisa desviante no comportamento dele.

Em termos de lidar com…

Eu acho que sim.

A forma como me relaciono com eles ou como tento resolver determinadas situações, as birras em particular.

Claro que vou buscar aquilo que aprendi ou aquilo que também fui lendo e fui aprendendo sobre isso, mais até como mãe do que na faculdade.

Mas pequenas coisas, não é? Que nós percebemos que fazem a ponta e que fazem sentido.

Como por exemplo, a empatia, o empatizar com o outro numa solução, à procura da busca, não é? De uma resolução ou de se questionar sobre isto ou aquilo.

Naturalmente que com os filhos também é assim, no momento de birra, realmente também é importante esta empatia, é o colocarmo-nos nos sapatos do outro e escutar realmente.

A escuta ativa, o psicólogo quer dizer tem isso, mais do que ouvir isto na minha formação e como isto faz sentido com eles.

Sendo que também é importante escutá-los e olhar nos olhos e demonstrar toda a nossa disponibilidade e presença para eles se sentirem compreendidos e pra avançar.

 

Ok.

Olha, tinha-me escapado aqui uma pergunta há bocado sobre a logística que era, as cadeirinhas e os carrinhos de passeio.

Portanto cadeirinhas para o carro imagino que, epah todos eles têm de ter a sua, não é?

E já me disseste.

Agora carrinhos de passeio, como é que tu fazes?

Seguramente tu não tens 6 pares de mãos, não é?

Como é que tu fazes para passear?

Todos têm direito a carrinho ou alguns têm de andar a pé, ou vão empoleirados?

 

Sim, não.

Só mesmo gémeos é que têm carrinho.

Foram poucas as vezes que eu saí com os 6 sozinha. E é uma aventura.

Eu devia parecer daquelas loucas a passear não sei quantos, desculpem aqui o paralelismo ou comparação. Mas com muitas trelas. Tentar aguentar os cães a fugir.

Mas não iam contra trelas.

Só para dizer que, só os gémeos é que têm carrinho.

Tive a cedência de carrinhos de gémeos de amigas.

Mas presentemente não uso nenhum deles quando saiu também, porque ele não me cabe, o carro dos gémeos não cabe no carro que temos presentemente, se vou com todas as cadeiras portanto, montadas para eles lá estarem todos.

E portanto é um marsupial e um carrinho bengala simples para os transportar.

 

E muitos colos, não é?

Os teus braços devem ser notavelmente fudidos.

 

Sim.

As minhas costas têm se queixado.

 

Muito bem.

Temos de tratar disso.

Agora, mesmo a sério, tu costumas ter dor de costas efetivamente, ou não?

 

Tive umas queixas por acaso, assim na altura do verão, na zona lombar, mas entretanto também uma super mãe, amiga, mãe de uma amiga da minha filha, que me mandou uns exercícios, pronto é assim.

Realmente nós… é preciso uma aldeia para educar uma criança, não é verdade? Não é o que dizem?

E sem dúvida.

Quer dizer, não somos nada sozinhos.

Eu em particular, felizmente e que como já disse, tenho ajuda da minha família.

Mas no dia a dia, vai se alargando esta rede de apoio e nós vamos nos apoiando, às vezes naquelas pessoas que menos esperávamos.

Mas vão surgindo.

Um pai de uma amiga, uma mãe de uma amiga diz: não te preocupes eu vou buscá-la, não te preocupes eu fico com ela, pronto. Essas coisas que surgem e que acho que com uma família tão grande, só mesmo assim é que é possível.

 

Sim.

Olha e à noite quando tu, quando estás a descansar. Não há aqueles acordares? Ou porque estão constipados ou aquelas tosses ou aquele xixi ou aquele cocó fora de horas.

Como é que deve ser?

As tuas noites são muito interrompidas, ou não?

 

E não diria que são muito interrompidas, mas é mesmo quando estão doentes.

Uma tosse como dizias, uma… pronto aquele que está doente e agora tenho um com varicela. E portanto as noites não têm sido tão fáceis para ele.

Mas regra geral eles dormem todos bem neste momento, é melhor não dizer isto muito alto, mas eles neste momento dão me boas noites, todos eles.

Agora, quando estão doentes, sim há 2 ou 3 vezes tem de se levantar, há noites mais difíceis. Outras nem por isso.

 

Olha, eu sei que tens um com varicela, os outros já tiveram, vão ter agora, tu tentas casar essas doenças para ficar já despachado, ou não?

 

Eu estou aqui num misto. Não sei muito bem.

Se os mando uns para cima dos outros, ou não, porque há 3 deles que ainda não tiveram.

Mas eles fazem sua vida normal em casa, portanto.

O pediatra diz que seguramente no natal, alguém vai estar ainda com varicela, portanto…

 

Sim.

Os crescidos já tiveram todos, não é?

Portanto tu não tens de te preocupar com os adultos, que já…

 

Sim sim.

Adultos estão, já todos nós tivemos, sim.

 

Muito bem.

Já respondeste parcialmente a uma pergunta, parte desta pergunta, mas eu queria fazer-te concretamente, como é que tu achas que a maternidade afetou a tua profissão?

Tu começaste a ser mãe já no Gymboree.

E eu sei que depois como psicóloga também dás consultas, se bem que não é a tua atividade principal. Mas seguramente que teve um efeito.

Tu consegues identificar logo assim momentos em que te sentiste: ok, eu sou uma pessoa diferente, agora que sou mãe, porque eu consigo reconhecer isto perfeitamente. Não só na mãe como na criança, como este episódio em particular.

Queres nos contar algum detalhe que tenha tornado isso super evidente?

 

Eu não consigo identificar assim nenhum momento em particular, em que me desse conta dessa transformação, mas acho que sim.

Acho que de alguma forma a maternidade, me trouxe outra alteração.

Também à minha…

O Nuno dizia já que acha eu sou muito Zen, muito calma.

Eu acho que sempre fui ou não sei, bem. O que dizem sim.

A maioria das pessoas que me conhecem dizem me isso.

Acho que a maternidade ainda pode ter feito com que eu me tornasse ainda mais ponderada, nas reações e ter mais cuidado ao que o outro não mostra, mas pode estar a pensar.

Bom, ter mais cuidado nas avaliações ou nos julgamentos que fazemos sem fundamento.

Sim, acho que houve alguma ponderação acrescida.

Não só pela maturidade e o crescimento, mas eu diria também, parte claro pela maternidade que nos transforma, sem dúvida.

Agora não consigo identificar assim nada em particular.

 

Bom.

Eu acho que a pergunta contrária vais te identificar de certeza.

De que forma é que se seres professora Gymboree afetou a tua maternidade?

Os teus filhos são seguramente inundados com canções, com Gymbos, com bolinhas de sabão.

 

Então, eles gostam muito do Gymbo, todos eles, sem dúvida.

O Gymboree foi uma ajuda muito grande para mim, não só na bagagem de brincadeiras que fui aprendendo como eu dizia muito sobre a forma de estar com as crianças, quer dizer era um conhecimento ali na vanguarda e portanto que eu estava a beber de uma informação valiosa e que aproveitei naturalmente para mim e para os meus filhos, portanto depois diretamente.

Mas mesmo com algumas coisas que aprendi, os workshops para acalmar o choro do bebé.

Quer dizer, houve e muitas muitas ferramentas que eu pude e tenho comigo naturalmente, depois de muitos anos no Gymboree.

Como eu dizia no início, o saber que cada uma delas é única e estar atenta ao desenvolvimento de cada uma delas.

Claro que o Gymboree me ajudou a identificar também essas coisas que são capazes Ou não de fazer, o que é que a criança gosta.

E sem dúvida agora com os bebés, apesar de já serem o quinto e o sexto como nos continuamos a espantar com a rapidez como eles aprendem, gestos para falar, como começam a dizer as primeiras palavras, como eles são tão rápidos, como é que é impressionante que com 1 ano, não é?

Como o cérebro deles está super ativo, é impressionante mesmo.

E o Gymboree claro que me abriu os olhos e continua a abrir para isso.

 

Claro.

Olha, uma pergunta que eu nunca te fiz, mas que eu acho interessante. Não só para mim como para as outras pessoas que nos estão a ouvir.

Tu tens acesso aos segredos todos do Gymboree e tens acesso aos programas, quando eles ainda estão em versão beta, quando estão em testes. Falas com as programadoras dos Estados Unidos, falas com colegas no mundo inteiro.

Nem tudo isso chega obviamente ao cliente final, porque não cabe nas aulas ou nos planos de lição.

Achas que ainda estamos a guardar muita coisa? Achas que há muitos segredos? Estamos a muitos anos de conseguir fazer chegar aquele conhecimento mais capilar, às pessoas?

Ou achas que estamos a dar o essencial para já e que muito mais do que isso era assoberbante.

Porque às vezes para mim é assoberbante.

Eu não sou da área da psicologia, nem da pedagogia.

E quando recebo um plano de lição ou um manual, aquilo assusta-me.

É tanta coisa, eu não sei como é que vou conseguir aplicar isto.

E o que é que me vai escapar e quão o importante é o que eu não vou usar.

Se calhar tu podes me ajudar nessa questão.

 

Bom.

Eu acho que nós vamos transmitindo as coisas aos bocadinhos, não é?

E se não fosse assim, o que é assoberbante para nós ou que nos parece esmagador, Seria também para quem está a receber a informação, portanto acho que os conteúdos são dados e são transmitidos e entregues aos pais de uma forma escalonada e adaptada.

E porque tudo se move, na prática. É na convivência, não é? Direta depois com os pais que se vai percebendo o que é que, felicidades, curiosidades que têm, o que é que é preciso dizer mais, o que é que é preciso acrescentar de maior valor para corresponder à necessidade daquela família em concreto.

Isto tudo só faz sentido nesta relação próxima com as famílias, não é?

Acho que as coisas são dadas, se calhar sim demora o seu tempo, não é? Naturalmente.

Não dizemos tudo de uma vez.

Há um conteúdo teórico, que é transmitido em determinado momento, mas depois vamos acrescentando mais e mais valores.

Eu acho que sim, da experiência que temos tido até aqui, eu acho que as professoras têm em si um enorme conhecimento e que vão partilhando isso com as suas famílias, à medida que elas necessitam.

 

Bom.

Olha, se calhar focavamos um bocadinho nas idades fora do Gymboree, para não sermos tão parciais. Porque às vezes é difícil.

Mas vamos imaginar as crianças a partir dos 5, vamos por que aquela parte da psicomotricidade ficou bem feita.

Vamos supor que as crianças são saudáveis fisicamente, emocionalmente saudáveis, socialmente adaptadas, intelectualmente curiosas.

Como é que achas que os pais podem continuar a ajudar no crescimento das crianças, a seguir a isso?

Se houvesse uma escola de pais.

O que é que tu achas que faz mais falta?

O que é que nós poderíamos substituir se calhar, na disciplina, na nossa disciplina de história, ou geografia ou matemática ou de português. Coisas que se calhar aprendemos e não usámos.

Mas há tanta coisa que a gente precisa e que não aprendeu e às vezes nos causam ansiedade e angústia.

Tu aceitavas este desafio de tentarmos desenhar aqui umas disciplinas, para as famílias se sentirem mais tranquilas com este trabalho, tão nobre, mas também desafiante, que é educar crianças.

 

Sim sim.

Claro.

Assim que estava a falar daquilo que eu me… lembro-me um bocadinho também, lá está.

Das nossas dificuldades enquanto estávamos na escola, o que é que depois foi mais desafiante para nós e daquilo que depois vou então aqui percebendo, com os meus em casa. E que me espanta imenso, como ela, a mais velha, vá. O que eu acho necessário importante: confiança e na relação social.

O serem certos de si, aquilo que o que são, não é?

Um autoconhecimento das suas capacidades, das suas limitações e de conseguirem… ir limando as suas arestas.

Que eu acho fundamental e acho que é muito difundido, não é?

E que se vai falando muito sobre esta questão da avaliação do que é que é mais importante, que a criança tirar boas notas e que tem uma avaliação de excelência, mas que depois na verdade as suas competências, aquelas mais transversais, não é? Que sabemos, em termos de perseverança, de auto-regulação, isso sim é fundamental para eles.

Vem com uma nota menos boa, mas o que é que é realmente importante, olhar para essa nota menos boa com ela, não é? Ou com ele e ver, mas o que é que aqui falhou, vamos lá ver, ajustar alguma necessidade que tenha no estudo.

Ir percebendo aqui, o que é que é preciso reformular.

É isso.

Aquelas bases que o Gymboree nos ensina, que é importante estimular na criança até aos 5, 6 anos. Mas que são fundamentais depois um bocadinho mais à frente.

No que diz respeito a isto, a meu ver na formação do ser. Da criança se sentir confiante, de enfrentar, de encontrar soluções para os seus problemas.

Ser também uma luz para os outros à sua volta, Acho que a parte social e humano é muito importante. A sua bondade, o seu respeito…

 

Olha, eu vivo uma pequena frustração, porque acho que há aqui um pequeno paradoxo.

Que é nós podemos criar o melhor programa para a criança, mas muito mais do que o que ela ouve, ela vai repetir o que ela vê, não é?

E portanto modelo tem que ser muito bom.

E portanto antes de afetar a criança, devíamos conseguir afetar o adulto. E o Gymboree desde o início que se preocupa com isso e portanto, metade da aula sempre foi muito dedicada a explicar aos adultos porque é que isto é importante e dar-lhes aquele alfabeto básico.

Mas pronto.

A perseverança ensina-se também praticando-a, não é?

E a tolerância e a resiliência, a empatia e essas coisas não saem naturais para alguns adultos, porque lá está, nós acimentámos uma série de defaults, não é?

Que às vezes não foram os melhores.

Como é que tu achas que podemos ajudar os adultos a ter essa presença, porque todos eles obviamente têm a melhor vontade e querem fazer o melhor para os seus filhos.

Há alguma fonte de inspiração?

Achas que neste momento há alguma solução, tipo o mindful, achas que resolve?

Achas que é uma questão de terapia?

Como é que achas que nós podemos afetar os oleiros, não é? Porque aquela imagem que eu usei com a Inês na podcast.

Nós temos, entregaram-nos uma peça de barro mágica, não é?

E nós vamos molda-la. Quer queiramos, quer não.

E como é que a gente, ajuda o oleiro?

 

Sim.

Eu acho que é… se puder dar aqui um bocadinho, é aquilo que eu procuro então também, para mim em termos de enquanto mãe e pais, não é? Pronto em geral.

Nós temos que realmente beber, temos de ir beber à fonte e procurar inspiração, em que conhecimento teórico válido, naturalmente procurar especialistas na área.

E dar essas ferramentas, falar como a importância desse modelo, nós temos que continuamente nos melhorar, sem dúvida.

E estar à procura de mais informação, para nós sermos melhores modelos para os nossos filhos.

Isto tem de ser uma busca contínua.

Mas sem dúvida que a parte de poder dar formação e de poder falar sobre esta melhoria pessoal.

 

Por falar nisso, como é que tu, como é que tu tens inspiras? E tens tempo para recreação? Tens tempo para ler? Tens tempo para ler, tens tempo para ver filmes ou séries?

Queres nos recomendar algum livro ou alguma série ou algum filme?

 

Não leio muito, nem vejo umas séries, sim vou às vezes buscando uma ou outra que está a dar no momento, para poder relaxar um bocadinho ao fim do dia. Que posso estar a cair de sono, mas eu tenho que ir um bocadinho para o sofá para sentir que houve um momento do meu dia de paragem. Que não seja logo ir para a cama, depois de arrumar a cozinha tenho que me sentar um bocado no sofá. E ver o que está a dar na televisão, se há alguma outra série que eu gosto de ver.

Mas não tenho assim nada de especial para recomendar.

Livros, realmente não consigo ler com muita facilidade, por escassez do tempo e também ao fim do dia mais cansada.

Mas durante o dia, eu acho que é importante fazermos pequenas pausas e encontrarmos aquilo que mais gostamos de fazer e de pausar.

Para mim a pausa do café a seguir ao almoço é um bálsamo para o meu dia e há outras paragens do meu dia para parar, para escutar, para rezar.

É importante para mim e faço-o diariamente a meio do dia com uma oração, que me chega do telemóvel via Whatsapp.

E porque a tecnologia acompanha-nos, sem dúvida a uma velocidade atroz e é bom recorrer a estas novas tecnologias também para isso.

E é um momento de paragem do dia sem dúvida, portanto que é nos pequenos momentos, já que quando as crianças estão em casa, o ritmo é alucinante e às vezes de manhã eu já sinto.

Onde é que eu vou buscar energia para ainda vestir mais 2 e ainda carregar o carro e ir distribuí-los.

Tomo vitaminas.

E pronto. E é isto.

 

Bom.

Tu agora além de consumidora de conteúdos, também és produtora de conteúdos, não é?

És também atriz e és realizadora. Fazes…

Além de professora do Gymboree agora tens produzido uma série de conteúdos em vídeo.

Como é que tem sido esta experiência?

 

Tem sido giro.

Sim, eu acho que, na faculdade diziam que eu tinha uma voz de rádio. E então, não achei nada.

Não faço rádio, não é?

Mas eu acho que sim…

 

Agora que falas nisso, acho que sim, acho que é adequado.

 

Sempre gostei de fazer coisas para os miúdos e para os pais, não é?

Gosto de dar formação e gosto de partilhar um bocadinho também da minha experiência e de juntar isso a aquilo que vou aprendendo, em termos teóricos.

Portanto tem sido muito divertido também e lá está, na perspectiva sempre estarmos a aprender coisas novas também, como é preciso agora aprender mais sobre a câmara fotográfica e lhe ler o manual de instruções e como ajustar determinadas coisas para fazer um filme ótimo para o Youtube.

É preciso aprender muita coisa e tem sido também uma experiência gira.

 

E nós temos umas colegas bastante mais novas, do que eu, um bocadinho mais novas do que tu, com montes de à vontade com as tecnologias.

No outro dia a Patrícia esteve aqui, esteve aqui no meu escritório. Precisei de ajuda para editar aqui um vídeo. E ela tipo fez aquilo em segundos, a voar. Ela fez aquilo parecer eu a explicar ao meu pai ou à minha mãe como é que mexe no telemóvel ou no computador.

O tédio que eu tinha, o fastio que eu tinha, tipo isto é tão fácil.

E foi assim, tipo ela fez aquilo em três toques e eu pensei: mas epah, eu pensava que tinha estudado engenharia e que sabia estas coisas.

Mas não. Não sei.

 

Pois é.

 

Sentes esse gap, destas colegas serem mais rápidas e mais facilmente adaptáveis às novas tecnologias?

 

Sinto.

Eu tenho um irmão da idade delas e ele às vezes também olha para mim tipo: e então? Não sabes fazer isso?

 

É tão giro.

Ah, muito bem.

Olha, próximo desafio.

Imagina que eu te dava um cartaz enorme, toda a gente podia ler.

E te pedia para escolheres uma mensagem para lá colocares.

Que mensagem é que tu escolherias?

 

Pode parecer clichê, não é?

Mas desculpa e estamos na altura então do natal. E o amor  está sempre no ar, não é?

Portanto eu acho que: amar-se sem fim.

O amar incondicionalmente.

Toda eu com as minhas limitações e com as minhas falhas. Reconheço como é difícil, Todas as horas do dia estar com o coração, disposto a reconhecer no outro. Algo de bom e como isso é uma caminhada pronto.

E quando eu digo outro, é mesmo o desconhecido. Aquele que eu não conheço de lado nenhum e que me fala torto, sei lá. nos correios ou no supermercado.

Mas como é importante estarmos de sorriso no rosto mesmo para a adversidade que possa aparecer.

O que importa é mesmo o amor, o respeito e o saber acolher uns aos outros.

 

Eu ia-te pedir ajuda na definição própria de amor, porque eu acho que há algumas pessoas se calhar nunca fizeram este trabalho e temem-no, nunca receberam esta inspiração.

Às vezes a palavra amor é confundida com muitas coisas.

E para mim, obviamente que eu tenho esse significado mais comum do amor, mas também tenho o significado mais de conexão com o outro.

Essa empatia em particular, tu agora descreveste e que realmente, termos a capacidade de reagir sem violência.

Mesmo a estímulos que parecem agressões.

Tu tens algum truque, houve alguma fonte de inspiração, ou tens um modelo, vá lá. Uma moldura desse muro que pudesses explicar?

Ou é uma coisa muito, tipo que não consegues meter em palavras?

 

Não.

A minha fonte de inspiração, é sem dúvida a parte da religião.

Essa é que me ensinou o significado da palavra amor.

É o presépio, pronto.

Não é nada mais.

Estamos no natal, quase a chegar ao Natal e hoje é o domingo da alegria.

E então é mesmo isso, é para nos alegrarmos, porque é no presépio que está ali a luz.

E ali é o amor, pronto.

Para mim é isso.

E essa é a minha fonte de inspiração.

 

Um máximo.

Boa.

Eu tinha aqui outra questão para ti que era…

Ah!

Nos últimos anos lembras-te de alguma criança ou algum hábito que tenha mudado a tua forma de encarar a vida ou alguma coisa que te tenha ajudado particularmente? Que te lembres.

 

Pode repetir a pergunta Nuno?

 

Se nos últimos anos, houve algum hábito, alguma crença, algum comportamento, que sintas que tenha melhorado a tua vida, de alguma forma.

E atenção, esta podia tomar a forma de: ah eu aprendi a meditar, eu comecei a fazer exercício, eu escolhi uma dieta nova.

 

Eu estava a pensar realmente, porque antes desta conversa estava a pensar para mim o que é que eu tinha mudado. E à medida que os filhos foram nascendo.

E é uma coisa que eu vou constatando quase diariamente, a importância da organização e como eu me tornei mais organizada, eu acho que já era.

Mas sobretudo a antecipar cada vez mais as coisas.

O ter um planeamento cada vez mais definido, mas no dia-a-dia é a preparação prévia, como as coisas estão preparadas previamente.

Isto parece uma, portanto é uma coisa muito organizada, quase como uma tarefa de um trabalho, não é?

É uma empre… não ia dizer uma empresa, mas como termos definidas as tarefas de cada um e como as coisas estão organizadas.

Mas em particular, para mim o que eu fui melhorando, o que eu fui mudando e porque outros me diziam. Nomeadamente o meu marido: ah, mas tens de preparar isto previamente, tens que antecipar isto.

Isto um bocado vindo da profissão dele também.

Mas como são muito mais objetivos, os homens também.

E então, isso para mim positivamente.

Ou outras pessoas, não é?

Como diziam: então, mas tu podes deixar isso preparado previamente.

Ou depois eu lia: como é importante ter as roupas deles escolhidas antes. Como é importante levantares-te 15 minutos antes dos teus filhos se levantarem.

Isto por acaso foi uma coisa que eu li, no livro, eu vou dizer da: Mum´s The Boss, da Magda.

Então, que para mim também foi revolucionária quando eu li.

Pequenas coisas e que ela dizia: se tu tens, se tu estás vestida da cabeça aos pés e com os sapatos calçados, pronta para sair de casa. Isso para os teus filhos vai ser também mais motivador.

Portanto, tu estás preparado antes de ele se levantarem e de eles começarem a vestir-se, etc.

Pronto,  pequena coisas que eu fui melhorando também à med…

 

E não parecem nada pequenas, Carolina.

Já vi aí várias, bem interessantes.

Portanto seguramente, algo a reveres e se calhar até podemos convidar a Magda para vir falar connosco um dia destes.

Olha, que conselhos darias a um casal que está a planear ter um bebé ou que tem um bebé pequeno?

Achas que há assim algum conselho, se tivesses muito pouco tempo, assim de fugir e eles olhassem para ti e olhassem e olha aqui uma deusa, já tem 6 filhos.

O que é que lhes dirias?

 

Eu diria para, ok leiam alguns livros e aprendam algumas coisas, porque é importante essa curiosidade e ainda bem que nós quando temos o primeiro filho que queremos saber muito.

Mas que escutem muito o coração, que façam aquilo que realmente que faz sentido.

Fala-se muito hoje em dia, do dar colo não dar colo e livros que às vezes lemos, não é?

Como ajudar o bebé a adormecer.

Para mim foi revolucionário quando eu li: dá o colo que quiseres.

Porque eu queria muito que a minha filha adormecesse sozinha no berço. A minha primeira filha queria muito seguir tudo by the book, daqueles livros que estava a ler e quando li numa revista assim daquela pais e filhos. Já não sei.

E uma mãe, não é? Que dizia: não, é dar o colo que for necessário, se for preciso pões um colchão ao lado da cama e deitaste ao lado da cama com a criança para ela adormecer.

É preciso ir ajustando as estratégias de cada família, sem dúvida.

Mas no princípio aquilo que eu olho para trás hoje e que não faria se fosse a minha primeira vez era realmente não tentar forçar nada daquilo que leio, mas sim interiorizar e ver o que é que me faz sentido.

Se o meu coração me diz: não vás por aí.

Não vão por aí.

 

Ok

Sabes o que é que era giro?

Era tu escreveres um livro, Carolina.

Tentar compilares essas coisas, que eu acho que temos de meter isso na nossa lista.

 

Há uns tempos, comecei a fazer uma gravações no telemóvel de algumas coisas que me iam ocorrendo.

Alguns pensamentos não é?

E em vez de os escrever, ia falando para o telefone.

Quem sabe…

 

Quem sabe.

Epah, podemos pedir inspiração à Inês. Que já vai no seu quarto livro.

 

Bem lançada.

 

Eu acho que ela não vai parar por aqui.

Eu acho que ela vai fazer muitos mais. E ainda bem.

Olha, finalmente, quando tu te sentes assoberbada.

O que é que tu fazes?

Tens algum truque para te centrar, quando te sentes assim mais perdida.

Qual é o teu segredo?

 

É parar.

Sim, sem dúvida. É parar um bocadinho, respirar fundo, beber água.

Rezar, sempre me ajudou e tem de ser parar.

Se for preciso, perguntar a alguém o que partilhar, não é?

Acho que é importante falarmos, partilhar alguns sentimentos.

Muitas vezes, o sentir-se assoberbada para mim na prática tem muito haver com a relação também com os meus filhos, não é?

Como às vezes o que é mais desafiante, o que provoca mais em mim a perda de controlo.

E portanto é preciso recuar.

É preciso muitas vezes sair daquele contexto, ir a outra divisão da casa, ir à rua se for preciso um bocadinho, respirar fundo e deixar passar, tem que ser.

Muitas vezes é mesmo isso, é dar espaço a todos.

 

Olha, como é que te imaginas quando eles começarem a crescer e começarem a sair de casa. Para a faculdade, para o estrangeiro, para a casa dos seus parceiros ou de casal, não é?

Já antecipaste esse momento?

 

Nunca pensei muito a fundo nisso, mas eu acho que vou sentir sempre.

Vou sentir a falta deles naturalmente e como vou sentindo um bocadinho perdida.

Quer dizer, não é a mesma coisa, mas às vezes já não estão em casa, no período de férias, porque vão com os avós ou a pessoa já sente a estranheza. Ou então quando ficarem muito crescidos e já não estiverem mesmo em casa de todo, vai sempre se sentir aquela… é o ninho vazio, como se diz.

Depois é reaprender a viver.

 

Olha, tu tens algum cuidado particular, fazes algum exercício físico, tu estás sempre fit.

Não? É genético.

 

É capaz de ser.

Ou então é do stress do dia a dia com eles, é o carregar bebés nos braços.

Mas não. Não faço realmente nenhum exercício.

Gostava de fazer, sim.

Gostava de ter um tempo do meu dia para poder fazer uma caminhada.

Faz muito bem e sabe tão bem.

No outro dia, e isto é ridiculo, mas eu no outro dia saí só ali ao jardim e senti o ar fresco, aqueles dias mais frios. E aquilo soube-me pela vida. Portanto eu acredito que se fosse fazer caminhadas ao ar livre então, ia ser mesmo bom.

 

Olha tu foste escuteira.

 

Muitos anos.

 

Os teus filhos vão ser escuteiros? Há planos disso, ou não?

 

Sim.

Os mais velhos mostram interesse, estávamos para iniciar. Vamos ver se arrancamos ainda este ano ou se só para o próximo.

Eu fui escuteira, o meu marido foi escuteiro e portanto, não forçamos não é.

Não forçamos a entrada deles, dos miúdos, mas porque inicialmente diziam mesmo que não queriam.

Mas depois foram vendo uns amigos que são escuteiros e isto e aquilo, foram lhe despertando interesse.

E eu acho que é uma coisa mesmo valiosa, mesmo.

 

Espetacular.

Olha, obrigado por este bocadinho.

Vou te devolver à tua família.

 

Obrigada eu.

 

Amanhã começas um bocadinho mais tarde, descansa, descansa bem.

E vamos falando.

Obrigado por tudo, Carolina.

 

Obrigada Nuno.

Até amanhã.

Resto de um bom dia.

 

Até amanhã, obrigado.

Tchau tchau. Beijinhos.

 

Tchau.

Famílias Numerosas

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Parentalidade Consciente com a Psicóloga Infantil Inês Afonso Marques

Parentalidade Consciente com a Psicóloga Infantil Inês Afonso Marques

 

 

O que é a Parentalidade Consciente e a Neuropsicologia?

Vamos ouvir a Psicóloga Infantil Inês Afonso Marques.

http://www.gymboreeclasses.pt/playlab-academy

Gostaria de ouvir apenas o audio? https://bit.ly/dicionariodascriancas

Para este primeiro podcast convidámos a Psicóloga infantil e Psicoterapeuta Infantojuvenil Inês Afonso Marques para pedirmos inspirações para uma parentalidade consciente feliz e conversarmos sobre o tempo especial para saltar, sujar, desenhar, sorrir, conversar e sonhar.

A Inês Afonso Marques é autora de 3 livros e coordenadora da área infantojuvenil da Oficina da Psicologia. Tem 16 anos de Experiência clínica e é frequentemente convidada para palestras e entrevistas sobre parentalidade, neuropsicologia infantil, psicologia infantil, psicoterapia infantil, educação e saúde.

Em 2014, em coautoria com Rita Castanheira Alves, publicou o livro É Tão Bom Fazer Amigos.

A Inês Afonso Marques foi Professora Gymboree e a sua influência perdura até hoje, seja na formação de novas Professoras, nos artigos publicados no nosso blog e nos conselhos e opiniões que nos continua a dar.

Poderá encontrar mais informações na sua página em: http://www.inesafonsomarques.pt

https://bit.ly/inesafonsomarques

Se quiser mais detalhes sobre estes temas visite: https://bit.ly/gymboplay

Se quiser ver mais videos sobre parentalidade consciente visite: https://bit.ly/gymbopt

www.gymboreeclasses.pt

Sente que ajudámos a melhorar o entendimento sobre Psicologia infantil, parentalidade consciente, parentalidade positiva, escola da parentalidade? Gostaria que abordássemos algum assunto no Podcast Dicionário das crianças? Por favor deixe-nos um comentário.

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Parentalidade Consciente. Inês Afonso Marques.

 

Olá Inês!

 

Olá Nuno!

 

 

Tudo bem?

Então eu guardei aqui um bocadinho, para te apresentar.

Se calhar vai ser um pouquinho longo, porque o teu currículo é extenso e notável.

E eu não tive coragem de cortar nada.

Mas eu baseei-me aqui na tua página Web.

Eu deixei um link aqui nos comentários que está direcionado para a tua página da Oficina da Psicologia.

Mas a tua página pessoal é a InêsAfonsoMarques.pt. As pessoas também podem encontrar lá.

E então quem é a Inês?

Portanto tu és licenciada em psicologia pela Faculdade de Psicologia e educação, tens uma pós-graduação em psicoterapia com crianças e adolescentes, uma pós-graduação em neuropsicologia pediátrica, tens formação em MDR. E eu gostava que depois falasses um bocadinho sobre isto que eu só hoje é que aprendi sobre este termo, tema.

Novamente com especialização em crianças e adolescente, tens uma formação avançada e especializado em terapia de terceira geração, és curadora da área infanto-juvenil da Oficina da psicologia e publicaste quatro livros, vamos falar sobre três deles, porque eu não conhecia o teu primeiro livro em com a autoria com a Rita.

E os teus livros foram: “É tão bom fazer amigos”, da arte plural, “O que crescemos juntos” da 08, “A brincar também se educa” da manuscrito e “Sonhar com arco-íris” da 08 também.

Tens 15 anos de experiência em terapia, és palestrante em várias conferências, tens colaborações muito frequentes com meios de comunicação social, fizestes um trabalho muito giro com a SKIP e com o Bongo.

Eu a preparar-me aqui para este podcast, tive a ver os teus vídeos do Bongo, que não tinha visto todos.

Recomendo vivamente aqui à nossa audiência, são muitos giros, são pequenas pérolas de sabedoria.

E numa outra vida também trabalhaste no Gymboree, nós trabalhamos juntos por um bocadinho e foi uma altura marcante e tu inspiraste muito as nossas professoras, deste formações muito giras, deixaste coisas escritas que ainda hoje usamos não só no nosso blog como documentos internos.

Acima de tudo ficou uma amizade e portanto é uma honra e um privilégio poder contar contigo e receber um bocadinho da tua mentoria com alguma frequência.

E pronto acima de tudo, melhor ainda do que estas coisas todas, és mãe de duas crianças, um menino e uma menina.

Tudo isto junto te deixa te particularmente qualificada para falarmos sobre alguns temas que que eu gostaria de trazer hoje e que eventualmente gostaria de trazer outras vezes porque as nossas conversas fluem sempre super bem.

Eu se calhar começava pelos livros, se não te importas e se calhar o crescemos juntos, nós tivemos a fazer um Giveaway do “Crescemos Juntos” já oferecemos um esta semana.

E o “crescemos juntos” são um conjunto de inspirações, 365 mais uma para uma parentalidade feliz.

Uma coisa que eu achei curiosa foi que nenhuma das inspirações são triviais, portanto a pessoa pensa 365 é um número super sexy e portanto é um por cada dia do ano.

E a tendência seria ter que espremer um bocadinho para encontrar as 365, mas eu achei que tu tinhas muitas mais, e portanto tinhas um mealheiro infinito de inspirações.

E a minha primeira pergunta se calhar era.

Tu tens efetivamente um mealheiro de inspirações?

E como é que te inspiras para colecionar este tipo de inspirações para os outros?

 

Não, eu não tenho um mealheiro de inspirações, assim logo à partida.

Mas a ideia era um bocadinho ajudar as pessoas a encontrar aqui uma espécie de rumo que as pudesse balizar.

As pessoas, neste caso os pais, educadores, professores, avós, outros familiares tinham aqui um papel importante no ajudar os mais pequeninos a crescer.

E portanto a ideia era mesmo esta, encontrar algum tipo de informação que por vezes é um bocadinho disruptiva e que até coloca as pessoas a pensar: mas o que é que ela quer dizer com isto?

E poder servir aqui um bocadinho de baliza, de guia, de foco diário, neste exercício da parentalidade.

Onde é que eu vou inspirar?

Bem, há uma base tem que ser óbvia não é?

Que é a ciência, que é investigação, que é tudo o que é pesquisa que vai sendo feita na área da educação, da parentalidade e no desenvolvimento infantil.

E depois a verdade é que também me inspiro muito e aprendo imenso com as famílias com quem vou, com as famílias, adultos, crianças, adolescentes com quem vou trabalhando diariamente.

Aqueles que são os seus principais receios, aquilo que são as suas dúvidas. Tudo isto de alguma forma também a mim vai me ajudando aqui a orientar naquilo que possa fazer mais sentido, às famílias neste caso que iriam ver os livros.

 

Sim, absolutamente.

Eu estava aqui fazer algumas reflexões sobre o livro quando o estava a ler.

Obviamente todos nós somos modelos para as nossas crianças, portanto bons ou maus modelos, conscientes ou inconscientes, voluntários ou involuntários, eles observam nos e imitamos.

Nós temos uma responsabilidade, portanto como vá la, oleiros deste pequeno barro que nos  é entregue, é um barro divino não é?

Que vai crescer por si e beber de muitas inspirações. Nós provavelmente temos uma responsabilidade.

O que eu senti neste livro foi que pronto, tu dominas aqui um bocadinho o caminho, às vezes iluminas algumas partes mais escuras da educação, e se calhar era interessante para mim perceber que tipo de feedback é que tiveste dos pais que leram o livro. Houve algumas inspirações em particular que tocaram mais as pessoas? Que eram mais inovadoras? Mais disruptivas?

Há bocado falaste sobre elas, que queres escolher algumas?

 

Olhei porque também tinha o livro ao meu lado.

O que é curioso é que o Feedback às vezes não é nesses tons destrutivas, é daquelas que que até poderiam ser as mais acessíveis vamos pôr assim, ou seja tônica, por exemplo, da qualidade do tempo que se passa com os filhos e nunca íamos na lógica do falta de tempo.

E as pessoas dizerem: hoje pode ser tão óbvio, podermos estar um bocadinho com os nossos filhos todos os dias, longe das outras obrigações.

E pôr a tónica mais na qualidade do que na quantidade, isto é uma… surge esta inspiração de diversas formas ao longo do livro. E se calhar foi uma coisa que várias pessoas me disseram.

Outra é muito a ver com a questão do autocuidado. E nós nos esquecemos às vezes que somos pessoas antes de sermos pais ou mães. E algumas sugestões que vão sendo feitas ao longo do livro, também apontam para esta importância do autoconhecimento e do autocuidado nesta nossa dimensão mais pessoal e que nos torna necessariamente melhores pais, se também dermos atenção a elas.

E agora assim de repente são duas coisas que me surgem e que parecem muito óbvias, logo à partida.

 

Sabes que há uma delas e é única que está a Bolt, a negrito, nas 365, que se chama “crescemos juntos” que é o título do livro também.

Eu tava a lê-las e pensei, porque é que a Inês terá escolhido esta em particular. E ocorreu uma, alguns anos atrás eu fui dar um passeio de bicicleta com um dos meus filhos, já foi há uns anos valentes, talvez há uns oito anos, portanto ele tinha uns 8 anos, ele agora tem 16.

E eu parei um bocadinho atrás e tirei uma fotografia que publiquei no Instagram e estava a pensar que o que é que eu vou dizer super inteligente, sobre esta fotografia, porque todos nós queremos inflar um bocadinho o nosso ego às vezes. E eu ia dizer, que fui eu que fiz esta riqueza, mas antes de carregar no botão, acabei de escrever tu fizeste me a mim.

Porque efetivamente ele fez de mim pai, é o meu filho mais velho e efetivamente nós crescemos juntos e portanto é se calhar uma coisa que permanece, esse efeito, quer dizer parece super filosófico, mas é super verdadeiro.

Nós crescemos juntos.

Escolheste o título por essa razão?

Foi uma coisa que te marcou especialmente?

Foi a editora que escolheu por ti?

E como é que isto aconteceu?

 

Não, a sugestão foi minha na altura.

E tem um bocadinho a ver com este processo da parentalidade que realmente começa muito antes, até antes do filho nascer.

Enquanto pais realmente nascemos, quando surge em nós o desejo, a vontade habitualmente de podermos ser pais.

E no dia a dia neste conhecimento mútuo e mútuo em tudo aquilo que são os desafios da parentalidade, nós somos postos à prova e testamos os nossos próprios limites de formas que se calhar nunca antes, em situações em que nunca antes tivemos.

E a aprendizagem é mútua.

O crescimento nesse sentido é realmente mútuo e mesmo quando falamos de mais do que um filho, com idades diferentes, a experiência torna-se diferente e muito única e continuamos a crescer e continuamos a aprender.

Portanto a ideia do crescemos muito, é muito esta lógica: o meu papel é importante. E usaste a expressão “moldarmos o barro”.

Mas o inverso também é verdade.

E quando tu falaste dessa imagem do barro, lembrei-me de uma outra metáfora que eu vi recentemente num comentário, a propósito da parentalidade, que era o ator do Will Smith, que falava dos pais, enquanto mestre jardineiros.

Eu achei aquilo genial.

Esta ideia de nós podermos perceber que temos aquisementes que estas sementes muitas vezes nós à partida não sabemos que flores é que estão lá por trás, mas que é fundamental respeitar aquilo que aquela flor quiser ser.

E o nosso papel é cuidar, nutrir, dar atenção, perceber quais são as necessidades, mas acima de tudo, respeitar esse ritmo, esse tudo que já lá está previamente de alguma maneira pré determinado.

E o nosso papel é muito este, o ajudar a crescer.

E de facto nós também quando damos esse espaço para a sementinha crescer, também nós crescemos nesta lógica do autoconhecimento também.

 

Totalmente!

Eu recomendo o livro toda a gente e empresto as minhas cópias, tenho um monte delas portanto quiserem..

Eu ia passar para o teu segundo livro.

Nós temos imensos temas para falar e temas muito férteis e um deles é o teu segundo livro “Porque a brincar também se educa”.

É um tema pronto, muito prevalente, sobre o qual já falamos literalmente centenas de horas.

Porque nós trabalhávamos especificamente sobre esta área.

O subtítulo é 15 minutos por dia de tempo especial para saltar, sujar, desenhar, sorrir, conversar e sonhar.

Este livro no começo, logo introdução falas de um estudo que a SKIP fez, um bocadinho triste e um bocadinho assustador. E que se calhar eu te desafiava a revelar aqui, porque eu achei particularmente importante.

Lembras te dos números? Queres que eu te ajude?

 

Os números eu não tenho presentes, mas era aqui um bocadinho esta comparação do tempo que as crianças tinham para brincar e particularmente para brincar ao ar livre, comparado com os números do tempo ao ar livre de reclusos de uma cadeia.

E portanto aqui a ideia era perceber que os próprios reclusos passavam mais tempo ao ar livre do que muitas das nossas crianças.

E o ar livre nesta lógica do brincar, do explorar, do serem aventureiros, do ser… esta liberdade que as crianças necessitam.

E de facto esses números são… se tu quiseres recuperar, porque eu decor não os tenho presentes. Mas eram números aqui chocantes, não é?

Sessenta por cento das crianças, tinham menos tempo de brincadeira do que os reclusos, os cães tinham mais tempo de passeio ao ar livre do que as crianças.

São coisas muito chocantes, porque deviam ser a nossa prioridade e são totalmente dependentes de nós para os levar à rua e para passear com eles em segurança.

E pronto…

Às vezes esse cuidado não está presente em todas as famílias e é uma coisa realmente que nos preocupa, não é?

Este era um assunto muito fértil, eu gostava imenso que nos dedicássemos, depois longamente sobre isto, mas se calhar numa próxima vez, porque tens falado muito sobre brincadeira eu acho que, queria fazer uma coisa diferente sobre este tema oportunamente.

Ia passar ao terceiro livro, que é “o Sonhar” com o arco-íris que é um livro muito recente que tu me…

 

Nasceu no confinamento.

 

Nasceu no confinamento.

E que tu me enviaste e que ficou a marinar algum tempo e depois um dia de manhã eu fui ver o livro.

E foi chocante, porque bateram me algumas epifanias, portanto isto é a história do Sebastião, que é uma criança, que descreve um sonho e o sonho dele é o confinamento.

E portanto as emoções e os sentimentos de uma criança, naquele contexto em particular.

Aquilo quando tu escreveste era super oportuno, imagino que te tenham desafiado para escrever isto.

Tinhas a história na cabeça?

Foi difícil chegar a este conceito?

Porque realmente não foste delinear, chegaste lá, tiveste um um caminho inovador e eu achei particularmente genial e oportuno.

Como é que isto nasceu?

 

Foi uma ajuda da editora.

Foi a editora que propôs podermos criar uma história infantil.

Que de alguma forma ajudasse as crianças.

Não só, a ideia não era falar deste nosso contexto atual da pandemia, embora tenha sido obviamente e o lote, daí o sonho de Sebastião em tudo ser o mundo virado de pernas para o ar e de sermos atirados para dentro de casa e portanto, de alguma maneira retirarem-nos aquilo que é seguro e que nós achamos sempre que controlarmos.

E a ideia era podermos deixar aqui algumas pistas, quer para os pais, quer para as crianças, como é que nós podemos lidar com situações que de alguma maneira fogem ao nosso controlo.

De facto há um conjunto de dimensões nas nossas vidas que nós não controlamos e a pandemia aqui no fundo vai nos trazer confrontado de uma forma muito… eu diria violenta, abrupta, inesperada.

Esta missão que se calhar as coisas nós não controlamos se nos focarmos nisso seguimos determinados caminhos.

Se aceitarmos que as coisas que nós não controlamos e nos focarmos naquelas que podemos dedicar aqui alguma atenção, nutrir aqui algum tipo de ingredientes que nos fortalecem, que fortalecem a nossa resiliência. Portanto a nossa capacidade de adaptação, obviamente que o caminho que vamos seguir será outro.

E portanto o desafio partiu da editora, do Pedro Racing da 08.

E foi um bocadinho ali pensar, olhar à volta a pensar o que é que poderia fazer sentido e a ideia foi surgindo.

 

Muito bem.

Tu dizes no livro, na parte final, portanto já não está tão dedicada às crianças, está dedicado aos pais. Diz uma coisa que eu já tinha ouvido dizer, mas que pronto, para um leigo não é uma coisa trivial.

Que é que as áreas cerebrais responsáveis pelo planejamento, controle de impulsos, a relação emocional não estão desenvolvidas numa criança.

E que cabe aos adultos de referência, portanto ajudar a criança nessas dimensões.

Portanto às vezes para nós, parece que devia ser uma coisa natural para eles, adaptarem se e escolherem o que é que controla e o que é que não controla e onde se focarem.

Mas não é nada evidente para uma criança e ela não está biologicamente preparada se quer para isso.

 

Sim.

Eu acho que esse é um lado em termos de neurodesenvolvimento, que retiram grande peso dos pais.

Ou seja ,este perceber que o nosso cérebro, o cérebro está em desenvolvimento durante a vida toda, portanto a neuroplasticidade está lá presente durante a vida toda.

Sabemos que os primeiros cinco anos são determinantes para o desenvolvimento aqui de uma estrutura muito significativa, sabemos que ali os anos da adolescência há uma tarefa de pronin, por assim dizer, que se chama uma.. daquilo que interessa, o que não interessa manter.

Mas verdadeiramente temos um cérebro mais ou menos considerado maduro por volta dos vinte e tal anos.

E esta última área, va lá do cérebro, verdadeiramente desenvolvida é o que nós chamamos o cortex pré-frontal, que é uma zona do cérebro, que está aqui mesmo atrás da nossa testa.

Que é responsável por coisas importantíssimas na nossa vida. A nossa capacidade de planeamento, a nossa capacidade de foco de atenção, a capacidade de tomarmos decisão antecipando consequências e este lado também da regulação emocional, regulação comportamental a regulação emocional.

E de facto, quando nós vemos um adolescente a ser mais impulsivo, uma criança pequenina a fazer uma birra perante uma contrariedade, muitas vezes queremos exigir que sejam capazes DE…

Uma coisa que eles na realidade não conseguem.

Claro que o nosso papel é duplo.

Duplo no sentido de alguns momentos nós funcionarmos com essa a parte do cérebro que eles ainda não têm. Tem de ser o nosso a estar ativado.

E por outro lado obviamente como modelos.

Como modelos e como as pessoas que vão dar as oportunidades, criar as oportunidades para se irem fortalecendo, desenvolvendo com tudo aquilo que nós queremos nessa área cerebral.

Ou seja, não é dizer assim: ah ele não é capaz de regular o comportamento, agora vou ficar de braços cruzados até ele ter 22 anos e já vai conseguir fazer isso.

Não é esse o objetivo.

O objetivo é compreendermos: ele ainda não é capaz ou não vai ser sempre capaz.

O que é que eu posso fazer daqui até ao longo do crescimento, que permite oportunidades para desenvolver aquelas competências e que vão ser competências importantes ao longo da vida.

 

Absolutamente.

E tu depois dás ótimas pistas e inúmeras algumas dessas competências. Ou então se calhar até hábitos ou focus a desenvolver, como é o caso da gratidão, a trabalhar inteligência emocional, a importância das rotinas, distinguir o controlo do não controlo tens um gráfico muito giro, aliás eu até desafiava aqui.

Fez um trabalho espetacular.

Em que temos aqui uma bola com uma coisa que conseguimos controlar e uma coisa que não conseguimos controlar.

Eu acho que isto é transversal obviamente ao tempo de vida de um humano até à população adulta, absolutamente. Eu acho que, é um bocadinho a minha praia, na gestão também o nosso foco é tentar agir sobre aquilo que conseguimos controlar e aceitar o

que não conseguimos controlar.

Falaste também na importância de termos um… da criança ter um lugar seguro e também muito importante para o final, que é: quando procurar ajuda profissional.

E se calhar aqui, só um pequeno aparte, não sei se podes falar muito disto.

Quão prevalente foi esta realidade agora durante o confinamento?

Essa variável contou a…portanto o confinamento levou às pessoas a pedirem vos mais ajuda psicológica, lá na oficina?

Não tenho presentes números, mas sim Nuno.

Muitos dos pedidos que surgem, não vou dizer que houve um aumento exponencial de pedidos.

Não é isto.

Aquilo que se nota significamente é que muitos dos pedidos têm na origem situações que foram disputadas eventualmente por esta questão de estarmos mais isolados, de nos confrontamos com situações que realmente fogem ao nosso controlo da disrupção, que provocou na vida das famílias.

E portanto isso notou-se, o gatilho

e eu ia aproveitar para fazer uma ponte foi disputado muitas vezes por situações anexadas à pandemia.

E depois perceber também, que tipo de situações vão surgindo, temas muitos associados à ansiedade, algumas perturbações também opressiva ou compulsivas. Aqui temas muito de comunicação na família e portanto de gestão de conflitos, divergências do encontrar espaço para todos. Foram todas muitas situações que foram surgindo, para além da ansiedade também os temas da depressão, particularmente nos adolescentes.

Foram tudo questões que foram surgindo de uma forma significativa, durante estes últimos meses.

 

Ok.

Eu ia aproveitar para fazer uma ponte para outro tipo de questões que depois tinha aqui para trocar.

E se calhar como pequena introdução, eu acho que assim nem todos tivemos pais super sofisticados, ou gentes ou afetuosos. E para alguns nós se calhar há um problema que é a questão… as nossas lutas passadas ou melhor as lutas que estão para trás versos as lutas que estão à frente.

As lutas que efetivamente ainda temos por batalhar, às vezes não nos damos atenção que devíamos ou não sabemos como batalha-las, porque estamos presos a lutas do passado, algumas delas em conscientes e sejam traumas, sejam lacunas, sejam deficiências ou excessos ou o que seja.

E se calhar a minha pergunta é esta.

O que é que está ao nosso alcance?

Quer antes  de irmos procurar ajuda profissional, o que é que está o nosso alcance, fazer para distinguirmos uma luta lá atrás com uma luta cá da frente?

Sei que esta pergunta é complicada.

Essa pergunta é daquelas está pronto para manhas.

Eu acho que há um passo que é importante sempre, que é nós termos, criarmos momentos para pensarmos, pensarmos na nossa história, pensarmos em nós.

Porque realmente somos feitos aqui de várias pecinhas.

E muitas vezes nós temos alguma, se bem percebi onde tu querias chegar, se era chegar propriamente a algum sitio.

Nós muitas vezes temos até consciência que há aqui essas lutas que ficaram lá para trás como tu dizes. E fazemos algo que não é o desejável, que é o evitamento.

Que é o eu nem quero pensar nisto, eu não quero pensar nisto, porque isso pode doer e porque se doer vai afetar negativamente o meu presente e o meu futuro.

E a grande estratégia é precisamente o contrário.

É parar e dedicar algum tempo se calhar, a trabalhar, arrumar, a elaborar esse tipo de coisinhas que vem lá de trás e que obviamente podem condicionar o nosso presente.

Isto aqui é uma estratégia importante que, muitas vezes usamos esta lógica devidamente evitamento experienciado, evitar certos temas achar que evitamos determinadas emoções.

Só que as coisas se não forem arrumadas, não foram elaboradas, criam mossa.

E eu costumo usar muitas vezes aqui duas metáforas com os miúdos, que é: se eu for pondo as coisas todas para debaixo do tapete eu finjo que elas não estão lá, mas elas continuam lá.

E quando eu vou caminhar em cima do tapete, há ali um momento em que o chão deixa de ser uma coisa plana e está ali um bocadinho, andamos um bocadinho em desequilíbrios constantes.

Ou pensando, por exemplo, na imagem da panela de pressão. A panela de pressão funciona muito bem Se nós formos tendo o nosso escape para libertar a tensão.

E a tensão pode ser do presente ou para conhecer coisas que vem lá de trás.

E quando nós fazemos este registo mais do que evitar entrar em contato com as coisas, estamos numa lógica de contenção e tal como uma panela de pressão se o pipo não estiver a funcionar bem aquilo dar uma uma grande explosão na cozinha.

No ser humano também vai dar essa explosão, vai dar de muitas variadas formas, vai dar, porque começamos com sintomas somáticos, com dores de barriga, de cabeça, alterações gastrointestinais. E quando eu digo nós, é nós adultos, ou nós crianças mais pequeninas.

Há aqui alterações em termos de humor, que não estavam lá e que começam a surgir, alterações por exemplo nossa capacidade de descansar, alterações que podem surgir do ponto de vista mais comportamental, ou porque nos tornamos mais impulsivos, mais reativos, mais impacientes e portanto esse é o verdadeiro perigo.

De não queremos ou acharmos que o que está lá para trás necessariamente não nos vai condicionar.

E podemos nesta tentação de o: não quero, não quero mexer.

Não sei se respondi bem à pergunta.

 

Respondeste perfeitamente.

É óbvio que eu te faço esta pergunta no contexto da parentalidade, porque lá está, de volta à imagem do oleiro se nós tivemos um oleiro pinguço ou ensonado ou inconsciente não tem o alfabeto básico vai sair asneira, não é?

Portanto achei particularmente importante falarmos aqui um bocadinho na questão da saúde mental e da nossa bagagem, que muitas vezes que nos trava sem nós termos noção e por vezes estamos bloqueados e não conseguimos chegar à frente e pelas dificuldades muitas vezes com os nossos modelos, às vezes acabamos por ter dificuldade em dizer que gostamos da criança, sermos gentis com eles, porque nós próprios não tivemos acesso a esse é menu de bons comportamentos e portanto pode nos surpreender.

 

Mas no fundo também para nós percebermos aquilo que queremos e não queremos para nós ou os nossos filhos, é importante termos essa capacidade de revisitar a nossa própria experiência.

E perceber numa primeira instância eu quero isto, eu quero perpetuar de alguma maneira este modelo ou eu quero me aproximar de um modelo diferente.

Portanto esta é a importância do revisitar e depois se conseguimos ou não conseguimos, sozinhos de forma mais autônoma e este: ok, como é que eu vou fazer, qual é o caminho que quero adotar?

E é muito importante estarmos também… fazermos momentos de pausa, como eu lhes chamo.

Estarmos em contacto com aquilo que são os nossos valores, enquanto país na parentalidade, percebermos muito bem o que é importante para mim e do qual eu não quero abdicar, que pode ou não entrar em disrupção com o que vem lá de trás, mas conseguimos termos esses momentos, nós nos alinharmos com aquilo que nos faz sentido enquanto pais.

 

Ok.

Quais é que seriam na tua opinião, as disciplinas que deveríamos ter numa escola de pais?

Imagina que essa figura existia.

Como é que nós poderíamos etiquetar as disciplinas?

Porque eu sei que elas se calhar são muito holísticas e é difícil particularmente difíceis para ti, que sabes as 100 disciplinas necessárias, escolher cinco ou seis que nós podemos passar neste espaço e neste tempo, mas que..

Gostavas de fazer este exercício?

 

Estou a pensar um bocadinho.

Faz sentido a questão, acho difícil nós arrumarmos, porque é fácil de facto chegarmos a uma livraria e pensarmos assim: há aqui este livro sobre este tema, sobre este…

Aquilo que eu vou notando muitas vezes nos pais e nas famílias é que há aqui preocupações com coisas muito funcionais.

E que são importantes em termos do nosso funcionamento, o banho, a melhor escola, a melhor estimulação de brinquedos, por exemplo, a alimentação, o sono.

E há sempre aqui uma disciplina se lhe quiseres chamar então assim, que felizmente já vai sendo diferente, mas que tem muito a ver com a inteligência emocional.

A importância de tudo o que tem a ver com o nosso mundo emocional.

Que nem sempre é dada a devida primazia.

Então tudo o que tivesse muito a ver, possam ser subdisciplinas, que possamos anexar à nossa saúde mental, saúde emocional, eu acho que esta sensibilidade era importante para qualquer par.

Mas também acima de tudo, pensando nesta escola de pais não há ideias predefinidas obviamente.

Há linhas orientadoras que decorrem na área de parentalidade, aquilo que pode ser mais protetora em termos de desenvolvimento, mas eu diria que a ideia da escola, existiria uma escola de pais indicada para cada família.

Porque as suas necessidades vão ser realmente diferentes.

As suas realidades vão ser diferentes.

E portanto os pais poderem buscar tudo aquilo que possa ser informação que possa dar resposta aos medos, às suas dúvidas, aos seus anseios e ao mesmo tempo que lhes transmite segurança.

Que é importante.

Há bocado falávamos daquele dado neurodesenvolvimento do cérebro, essa é uma área interessante.

Que é quando os pais conseguem perceber o que se passa lá dentro dos filhos, do que está na cabecinha deles, conseguimos desmontar a coisa, nota-se também um alívio muito grande.

E portanto se calhar poderia ser também uma disciplina interessante, não nos tornarmos pais neurocientistas não nessa lógica.

Mas percebermos um bocadinho, traduzirmos, porque é que é desta maneira?

Porque é que a reação tendencialmente é esta?

Porque é que é importante fazer isto? E não fazer aquilo?

Podia ser uma área também interessante para  abordarmos.

 

Muito bem!

Sabes que eu hoje de manhã, estava a ouvir um podcast, um senhor que se propunha  formar os pais para serem faixa-preta cinturão negro de parentalidade.

Era um senhor brasileiro, que curiosamente, era cinturão negro de karaté.

E ele estava a descrever a disciplina como o comportamento que tu tens mesmo quando ninguém está a ver.

Portanto algo que te ficou enraizado.

E por exemplo a mãe dele não gostava que eles entrassem calçados em casa. Ele disse que a disciplina e se.. quando ele chega e ela não está lá, e descalça os sapatos.

É óbvio que isto passa pela prática, passa obviamente por um tempo de consolidação dos conhecimentos e portanto começar a senti-los.

E a minha pergunta seguinte era: como é que se passa de nada ou da inocência para ter o saber e depois ser o saber?

 

 

Olha, tu a pessoa que estavas a dizer que ouviste nessa imagem quanto disciplina, eu uso muitas vezes essa imagem daquilo do que nós fazemos independentemente quem está a ver muito associado aos valores.

Daquilo que vem de cá de dentro, não é?

Motivação eu faço, porque faz sentido fazer, porque entro em sintonia comigo e não necessariamente porque quero corresponder à expectativa de alguém, porque quero receber uma determinada gratificação.

Como é que nós passamos por essas fases, que tu enumeraste?

Essencialmente com a experiência, com prática, com o experimentar, com o não ter medo de fazer.

E pelas nossas experiências, lá está, tudo o que é contacto com os outros e contacto com o mundo. O conhecermos a nós e conhecermos ao mundo. É isso que nos vai ajudar a definir os nossos caminhos.

Assim tanto uma coisa muito importante que é a hipótese de falhar ou de errar, por exemplo, como algo que faz parte do nosso caminho e que também ajuda à nossa construção.

Portanto, assim de uma forma muito delinear.

Respondendo à questão que tu colocaste , faz-se duas coisas, duas formas.

Fazes experimentando e faz com o ir moldando aquilo que para nós é importante.

Aquilo que é importante para a forma que nos sentimos enquanto pessoas, lá está, os nossos valores.

E a conjugação desta coisa.

O que é que eu sou? Como é que eu me vejo? O que é que me faz sentido? O que é que me preenche?

Obviamente que se constrói o caminho do ser.

 

Muito bem.

Olha esta pergunta se calhar é um bocadinho difícil para ti, porque tu és escritora e isto deve ser particularmente complicado.

Mas a minha pergunta era, que livros é que te marcaram particularmente? E se recomendas alguns livros?

Obviamente além dos teus.

Que os teus, recomendo eu por ti.

Mas tens algum que te tenha ficado na memória? Mesmo algum recente, particularmente que seja entendível pela nossa audiência.

Pronto, se calhar não são todos psicólogos como tu.

 

Sim.

Sabes que essa é uma pergunta muito gira e que às vezes surgem e nós próprios nos colocamos a nós próprios.

E sou uma pessoa que desde pequenina li muito muito muito.

E agora, enquanto adulta, leio muito, por questões profissionais e portanto livros mais técnicos se quisermos.

E leio tudo o que possam ser outros géneros de livros.

E nunca na vida consegui eleger um livro.

 

Tou a imaginar, sim.

 

É verdade.

Eu acho que quando nos colocam esta questão, o que é que te marcou, o que te fez sentir…

Último que eu li é aquele que se calhar pode fazer mais sentido, aquele eu neste momento escolhi, sei que me poderia acrescentar qualquer coisa.

E apesar de ser uma pessoa que lê muito, se calhar é por isso, que eu nunca consegui selecionar um livro que me marcasse.

Todos eles, eu retiro alguma coisa.

E faço uma coisa, que talvez, para umas pessoas seja muito estranho, há outras que conseguem perceber. Eu vivo os livros e até, se tiver a ler um romance, eu sublinho os livros, até porque não faz sentido.

E portanto eu acho que todos eles de alguma maneira teram me trazido alguma coisa, todos os livros que li até hoje.

 

E mais difícil ainda, escolher um dos teus.

Tens algum preferido? Ou vai ser o próximo que tu escreveres? Ou dois à frente desse? Tens alguma ideia?

 

Não, porque acho que todos cumpriram a sua função, portanto eu não consigo dizer que há um preferido.

Próximo é aquele que desafia mais. Sempre, não é?

 

Ok.

Então vamos passar dos livros para os filmes.

Nos filmes, tens algum que queiras escolher?

 

É giro, porque apesar de não ser tanto a pessoa visual, de ver os filmes.

Há sempre um ou outro filme, que me foi marcando.

Aí sim, é giro.

Sei lá, posso destacar aqui um ou dois.

Há um livro que me marcou muito, Já não o revisito à muito tempo.

A Vida é Bela .

Essencialmente porquê?

Pelo poder que a imaginação pode ter na capacidade de nos habituarmos a uma situação dura, dura dura.

Pelos papéis que os pais podem ter. A resposta dos pais perante uma situação, num determinado contexto.

Pode ser determinante como a criança se adapta a qualquer situação.

Portanto tenho aqui um filme pesado.

Mas que tem esta mensagem do poder da nossa imaginação e dos pais enquanto veículo de segurança, mesmo perante uma situação cenário super doloroso, não é?

Esse é um filme que eu já não revisito há muito tempo, mas que tem uma mensagem interessante.

 

Ele já tem imensos anos e por acaso devia ver. Porque a primeira vez que o vi, eu tenho 1 filho e agora tenho 4.

Portanto tenho de olhar para aquilo denovo.

E mais algum, que queiras destacar.

 

Assim mais recentemente que eu tenha visto, lembro-me de um filme que vi na Netflix, que era “The magic story”.

Não sei como é que está o nome em português.

E lá está, às vezes não é o filme, não é a grande história, é a mensagem que se vai captar num ou noutro momento.

E posso te dizer, que o meu clique em relação a aquele filme, que resiste ver até ao fim, ali mesmo nas últimas imagens, nas últimas cenas do filme e que tem muita ver mais uma vez com o papel dos pais na vida dos filhos.

E a forma como os adultos gerem as situações ou não construtiva ou pode ser o seu papel na vida dos filhos.

E o filme fala sobre a situação de divórcio com muito desentendimento pelo meio, mas que tudo muda apartir do momento em que o foco fica no filho, no bem estar do filho.

E há lá uma cena que eu achei deliciosa, que não vou contar para eu não estragar, mas que tem muito a ver com isto, com o nós conseguirmos deixar de ser egoistas connosco próprios, não é?

E pensar nos nossos filhos.

Este tema, também é um tema que varia mano para mano, esta situação aqui das separações e do impacto que isso tem nos filhos.

Mas foi um filme que me marcou… e com crianças.

 

Muito bem.

E o inside out? O divertidamente, o quão genial esse filme é?

 

Como todos os filmes de animação.

Eu acho que há sempre várias camadas de leitura.

E esse filme está delicioso.

É um filme que eu recomendo sempre aos meus pacientes, de qualquer idade, para ver.

Precisamente, por aquilo que falávamos há bocado, a inteligência emocional.

Da importância de nós conhecermos o nosso mundo emocional e o papel que as emoções desempenham na nossa vida.

E conseguir desmontar o que se passa cá dentro, através de um filme de animação está.. na minha óptica está GENIAL!

É um filme que eu recomendo sempre, aos pacientes de todas as idades.

E que lá está, é quase como se os filmes tivessem uma cena me marca.

Há ali um momento no divertidamente, em que toda a história, tem ali uma mudança, quando ela aceita, uma emoção que passou durante muito tempo a tentar calar.

Quando ela dá espaço para a tristeza dela surgir, há ali qualquer coisa no filme que flui de maneira diferente.

E isto remete aquilo que falávamos há bocadinho, de fazer evitamento.

E esse filme ajuda-nos a desmistificar um conjunto de mitos, que muitas vezes temos associadas às emoções, de crenças com que crescemos associados às emoções e que é importante realmente olharmos como crenças, que não são nossas amigas, meias disfuncionais e olhar de maneira diferente para as emoções.

 

Ya, totalmente.

Super recomendado esse filme também.

Mudei imenso a minha forma de pensar e de agir.

Não só a nível pessoal como para os meus filhos.

Lembraste de algum falhanço importante, que te tenha marcado? E que te tenha ajudado a sucesso futuro?

 

Meu?

 

Sim teu.

Pode ser profissional, se calhar pessoal não é o canal certo.

Contas-me no próximo almoço.

 

Seguramente eles existiram.

Mas se calhar, por algum motivo, eu não os tenho presentes.

E eu vou explicar porquê.

Porque havia um professor meu na faculdade que dizia que o maior erro, é cairmos repetidamente num erro.

Nesta lógica de, errar é humano.

E por detrás do erro há qualquer coisa em que podemos crescer, em que podemos aprender, não é?

E a verdade é que seguramente quer do ponto de vista pessoal, quer do ponto de vista profissional, terei errado muitas vezes. Mas o foco lá está, não fica no erro e fica se calhar, no que é que eu aprendo com esta situação, o que é que eu quero fazer diferente numa situação semelhante no futuro.

Eu digo muitas vezes não só nas consultas, mas também em informações, para pais, para professores, faço a aqui a analogia com o caráter chinês, da palavra crise.

Que esconde 2 conceitos amigos.

Amigos não.

Quase idênticas, aqui esta noção o mesmo caráter, crise. Enquanto perigo e ao mesmo tempo o conceito de oportunidade.

E se calhar é mesmo importante olharmos para as situações em que erramos, em que falhamos, como oportunidades de crescer e de os aperfeiçoarmos.

E quando nós vamos olhar à nossa volta, muitas grandes invenções, resultaram de falhanços prévios muito grande, não é?

E tudo dependendo da forma como a pessoa, dos inventores por exemplo, olharam para essas falhas.

Um exemplo muito comum é o exemplo do post it. o exemplo era exatamente o oposto daquele. De criar uma cola fraquinha, o objetivo era de criar uma coisa que colasse mesmo. E a verdade é que nós vamos ver e não há muitas casas que não tenham post its.

 

Eu sou super fã.

 

E que resultou dessa falha, do erro enquanto oportunidade de crescermos. E esta tem uma mensagem importante em relação de parentalidade, para passarmos aos nossos filhos.

Como é que nós lidamos com os erros, os nossos e os deles.

 

Muito bem.

Olha, se pudesses ocupar um cartaz gigante para toda a gente ver, que mensagem é que escolhias para colocar.

 

Olha que coisa interessante.

Um cartaz?

 

Por exemplo, como aqueles em Times Square.

Visto por milhões de pessoas todos os dias e tu tinhas a oportunidade de colocar lá uma mensagem que tu achas que falta às pessoas.

 

Ui!

Não sei se queria essa responsabilidade.

 

Pode ser uma anedota, pode ser alguma coisa que te tenha marcado.

Tu às vezes tens alguns quote, que colocas nos teus livros.

Não sei se algum deles te marca particularmente.

Alguns deles são realmente semelhantes, para outros pensamentos, não é?

 

Eu acho que dependeria muito do dia, em que iriamos selecionar, se calhar dependia aquilo que colocaria.

Aquilo que agora, mais automaticamente me ocorreu e não me ocorre uma frase que merecia ir para Times Square, mas esta importância de nós desaceleramos e aproveitarmos o presente.

E se calhar um convite a isso, um convite a desacelerar e estarmos verdadeiramente presentes, no aqui e no agora, como algo importante para pensarmos.

Foi assim o que me ocorreu agora.

Não é muito sexy a ideia.

A ideia não, a ideia é capaz de ser, mas a frase…

 

A ideia é por aí.

Eu acho que a ideia é super sexy, porque se efetivamente for ouvida pelas pessoas e posta em prática e implementada, não poderia ser mais sexy.

Acho que se calhar, a chave, não é?

Aquela conexão e espiritualidade agora mais moderna, que está a ficar na moda do mindset.

Começa a estarmos presentes e conseguirmos fazer um scann às nossas emoções e observarmos o que está a acontecer agora, não estarmos distraídos com o telemóvel, estarmos à procura daquela notificação ou aquele scroll que coisa desinteressante é que nos pode ocupar mais 1 segundo.

 

Tem mesmo a ver com essa lógica do estarmos ligados ou estarmos desligados daquilo que se passa à nossa volta.

E a experiência do contacto com a realidade, vai realmente ser diferente.

E a diferença pode estar entre sermos pessoas mais reativas, às situações e às interações.

Opções muito mais conscientes e essa consciência de estarmos sintonizados connosco e com tudo o que se passa à nossa volta.

Vai nos trazer uma sensação de preenchimento e de satisfação, verdadeiramente valiosa, não é?

 

Muito bem.

Olha, nos últimos anos que nova crença, comportamento ou hábito mais melhorou a tua vida?

 

Só fazes perguntas difíceis!

 

Porque eu acho que tu consegues responder.

 

Se calhar, vindo disto do que estávamos a falar, uma coisa que me tornei mais… vou fizer exigente comigo, foi precisamente esta importância de me disciplinar. Não estar sempre a pensar no que vem a seguir. Em termos gerais.

Ou seja, a importância de limitar muito bem as várias esferas da vida e não querer de chegar a todo o lado, ao mesmo tempo. E encontrar espaço, também pegando naquilo que falávamos há bocadinho, isto também foi algo que tenho trabalhado imenso.

Encontrar espaço para mim, para os meus balõezinhos de oxigénio.

E portanto esta importância de não me esquecer que há aqui uma Inês.

Além da Inês mãe, além da Inês psicóloga, além da Inês que escreve livros.

Os meus balõezinhos de oxigênio e tornar-me muito exigente comigo, na importância de eles existirem de uma forma permanente, no meu dia a dia. Nos cabos, vamos dizer assim.

 

Genial. Ok.

Muito importante essa questão também das várias âncoras, que nos seguram e que é super fácil de esquecer se não tivermos um método ou se não nos disciplinarmos para isso, não é?

Olha, que conselhos darias a um jovem casal com crianças pequenas, ou que tivessem a planear em ter um bebé?

O que é que achas que devíamos ter ouvido?

Ou então se calhar, um conselho que daria a ti própria, enquanto pré mãe ou mãe de primeira viagem…

O que é que achas que te faltava saber nessa altura e que só mais tarde, vieste a descobrir?

 

Ui, há tantas coisas.

Não, mas se calhar há 3 ou 4 coisas que podemos realçar.

Uma é a inspiração que abre o crescemos juntos, que é que, não há pais perfeitos e esta é uma boa ideia para nós abraçarmos a caminhada da parentalidade. Temos consciência que a perfeição é uma impossibilidade, quando falamos da parentalidade.

E portanto sim, podemos e devemos estar alinhados com aquilo que é importante para nós.

Com os tais nossos valores e tentar dar todos os dias o nosso melhor, Mas perceber que a perfeição não é uma possibilidade.

Depois aqui como falávamos há pouco, das nossas várias férias do nosso ser. Um jovem casal que decide ter filhos, lembrar-se que apartir do momento que nascem os pais, não desaparece por exemplo, o casal. E não desaparecem eles enquanto pessoas.

E refletirem com este plano, como é que vai ser quando o nosso filho nascer, onde é que vai ficar o casal, quais vão ser os momentos do casal. E quais vão ser os momentos teus, só teus e que curiosamente são fundamentais para tu te tornares numa melhor mãe ou num melhor pai.

Muitas vezes vivemos aqui nesta sombra da culpa do: se eu for ao ginásio e deixar o meu filho em casa um bocadinho, ou se for dar uma caminhada e ter com um amigo, estou a ser uma péssima mãe.

Não!

Pelo contrário.

Estou a investir no meu bem estar e para eu poder cuidar bem de alguém, eu também tenho de estar bem.

Portanto esse jovem casal, poder apostar aí nesse espécie de planeamento e perceber que aquele filho vai ser a prioridade, mas para ele ser a prioridade há outras fatias das suas vidas às quais tem de dar muita atenção.

E daqui decorre a importância da comunicação, sempre em qualquer relação, naturalmente.

E da comunicação constante em termos de ansiedade, em termos de partilha de dúvidas, de receios e associar se calhar, a estes receios, a noção também que há sempre aqui um ideal e que ele quer o confronto com a realidade.

E portanto contam-nos muitas histórias cor-de-rosa, em termos de parentalidade. Mas a realidade por muito que se planeie, a realidade vai-se construindo e nem sempre são feita coisas, o prazer é sempre o máximo, não é?

Mas temos de preparar aquilo que idealizamos e aquilo que depois vai ser a realidade, às vezes há aqui, um gap. Para o qual ninguém nos preparou.

 

Totalmente.

Olha, que más recomendações é que costumas ouvir na tua profissão? Ou relacionadas com a tua profissão? Ou com a parentalidade?

Às vezes há ruído, acredito que há coisas que te façam…que te arrepiam um bocadinho.

Queres escolher uma, para quem nos está a ouvir?

 

Eu acho que procuro não ver essas coisas.

Precisamente para não criar cócegas.

Existirá. E tu se calhar estás-te a lembrar de alguma coisa, ou em algumas coisas no qual já terás tropeçado.

Há muito ruído, há muita informação.

Está muito acessível a todos nós.

Acima de tudo é importante conseguirmos filtrar as fontes, da informação que recolhemos.

 

Claro que tendo em conta ao que os meus colegas de profissão vão dizendo, vão fazendo, mas não consigo, de todo, apontar aqui o dedo, isto é um erro crasso que foi dito, não.

Mas deixo se calhar esta recomendação, para enquanto pais podemos sempre ter atenção de qual é a fonte da informação, que estamos a pesquisar.

Porque isso pode ser determinante e depois muitas vezes também nos confrontamos com as informações que podem ser, que podem não ser muito concordantes logo à partida, isto não significa que as duas sejam informações erradas, ou informações imprecisas.

Porque muitas vezes, tem a ver com aquilo que nos faz mais sentido, que se ajusta melhor à nossa realidade.

E portanto temos esta sensibilidade.

De ok, procurar informação, mas que possa ser mais credível possível.

E quando aquilo deixa dúvida.

Ninguém nos impede de ir perguntar, pesquisar num outro sítio, com uma outra pessoa.

 

Claro.

Olha e quando te sentes assoberbada ou com falta de foco.

O que é que tu fazes?

Que tipo de perguntas é que te colocas, nessas alturas, para te voltares a centrar?

 

Paro. Em primeira instância.

Nesta noção que tenho de ter consciência que…

 

 

Quanto tempo é que te demoras a parar?

Quão fácil é para ti reconheceres isso?

É porque às vezes para mim passam-se meses, estou na máquina de lavar e demoro imenso tempo a dizer que estou a fazer imensa asneira, imensa cagada, tenho de parar aqui algum lado.

 

Acho que não demoro muito tempo, Nuno.

Precisamente por aquilo que há bocado dizíamos de nos esforçar para os tais momentos de pausa e olhar para dentro.

Quando entro no piloto automático, não demoro muito tempo a perceber lo.

Mas há pequenos sinais, não é igual em todas as pessoas, mas há pequenos sinais.

Ou porque ficamos mais rabugentos ou porque ficamos mais impacientes ou porque a nossa capacidade de foco…

Estes exemplos que vou dizendo, é um bocado daquilo que vou experienciando.

Ou porque a capacidade de foco se perde, porque o cansaço físico está lá.

Porque a mente se dispersa com uma facilidade maior.

Portanto isto são pequenos sinais de alerta que reconheço em mim e são os que eu sei parar.

Parar, muitas vezes temos de fazer escolhas e trazer as prioridades ao de cima.

E arrumar aquilo que estamos a fazer e que temos para fazer.

Portanto, essa noção do too much, não é?

Esta noção de demasiada coisa acontecer é: eu reconheço muito bem e quais são os sinais disso em mim.

Portanto todos nós reconhecemos.

Quais são os sinais individuais que eu tenho, de alerta.

Para depois poder parar e tomar, fazer escolhas, tomar decisões.

 

Ok.

E tu nas perguntas, às vezes quando paras tens algum método ou alguma forma de te centrar ou se calhar na tua profissão se já existem perguntas por defeito, que nós devemos começar por elas, ou não?

 

Este parar e observar é muito sem perguntas pré determinadas.

Mas se tivéssemos que meter lá com algumas legendas, é: repara naquilo que estás a sentir, NO SENTIR, não é?

É o cansaço físico, é o vazio, é o aceleramento.

Repara o que estás a sentir.

Não é bem uma questão, é mais um desafio e depois a pergunta seguinte é o que tu precisas, agora.

 

Ok.

Essa é boa.

Se calhar não me lembrava disso.

 

Olha Inês, eu não tenho mais perguntas para ti.

E nós tivemos aqui alguns comentários, as pessoas basicamente agradeceram a iniciativa.

Se calhar nas próximas vezes, vamos divulgar isto um bocadinho mais.

Este é o nosso primeiro podcast.

E eu estava aqui um bocadinho nervoso.

Portanto não devia divulgar isto com muita energia.

Se calhar no próximo já vamos tentar angariar aqui uma audiência maior e deixarmos um espacinho maior para as pessoas fazerem perguntas.

Agradecer a tua disponibilidade, isto é um domingo.

Tiraste tempo à tua família.

Foi um previlégio.

Super obrigado pelo teu tempo.

E pelas questões que nos vão agora fazer a todos refletir.

E fica já um convite para uma próxima vez.

E se puderes vir muitas e muitas vezes, nós aceitamos.

 

E eu tenho a agradecer muito o desafio, não é?

Porque sabes que sou incapaz de dizer que não a estas coisas e retirei um bocadinho da famílias, mas sei que este bocadinho também foi bom para nós.

Vai a seguir compensar a família, em qualidade, lá está.

Da qualidade e não só na quantidade de tempo.

Estes desafios, são deliciosos, portanto bora lá aos próximos.

 

Olha, nós estamos confinados.

Não podemos fazer isto frente a frente.

Se calhar o que falta, o que fez mais falta nesta nossa conversa foi o nosso abraço final.

Mas deixamos para quando for mais seguro.

Recebe daqui o meu abraço virtual, está bem?

 

Recebe o meu.

 

E muitos beijinhos e até breve.

 

Beijinhos!

Até breve! Bom domingo, Nuno!

Tchau

Parentalidade Consciente

Inês Afonso Marques

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