No que ao universo das famílias diz respeito, o tempo dos ponteiros do relógio é o que mais conta.
São muitas as famílias que veem o tempo não chegar para tudo o que gostariam de fazer ao longo do seu dia, vivendo num malabarismo constante entre as tarefas do trabalho, da casa e os filhos. O tempo parece escapar das mãos e andamos sempre a corre atrás dele.
Isso também é verdade quando constatamos o quanto os filhos cresceram! Ouvimos muitas vezes os pais dizerem “O tempo voa!” , “Ó tempo vai mais devagar!”. Isto deve soar-lhe familiar não é?
Os pais desejam tempo de qualidade com os seus filhos, para se poderem demorar em longas brincadeiras e refeições calmas e sem horas, e tendem a esperar pelo tempo das férias ou daquele fim-de-semana prolongado, para o poderem fazer e desfrutar de um bom tempo com os seus filhos.
Sabia que não tem de esperar mais? Pode começar já hoje a aproveitar ao máximo os minutos que tem com o seu filho.
Oiça aqui a opinião da Psicóloga Inês Afonso Marques da importância de 15 minutos de brincadeira por dia com o seu filho e como esse tempo especial tem impacto na vossa relação, no autoconhecimento da criança, no seu autocontrolo e regulação das suas emoções, como lhe permite a si, pai, conhecer mais o seu filho, os seus gostos e preferências, descobrir a palavra nova que ele já sabe dizer e poder ensinar-lhe outras novas, sem dar pelo tempo passar…
E até mesmo um momento rotineiro do dia pode ser especial e a criança pode tornar-se mais cooperante na realização dessas tarefas quando lhes adicionamos uma boa dose de diversão.
Sabe como tornar uma rotina divertida?
Como envolver as crianças nas tarefas domésticas?
A participação das crianças nas tarefas da casa é algo que lhes dá prazer, pois gostam de imitar os adultos. Esta é uma forma de juntar o útil ao agradável.
Veja aqui as nossas dicas em vídeo sobre o envolvimento das crianças nessas tarefas, como limpar, aspirar, arrumar e cozinhar.
Aproveitem bem os dias para muitas brincadeiras com as crianças. Contem-nos como tornam o vosso dia-a-dia especial!
Falta pouco mais de um mês para o Natal e as decorações alusivas à época já estão por todo o lado… assim como anúncios, promoções e apelos à compra antecipada dos presentes.
Para as crianças esta é uma época de magia mas, para os pais, pode ser um verdadeiro pesadelo no que toca a gestão de expectativas… e do orçamento familiar. A psicóloga Cláudia Morais explica-nos, numa entrevista esclarecedora, como é que pais e educadores devem lidar com a antecipação desta época… sem quebrar o encanto do Natal… e a conta bancária.
Novembro ainda agora começou e os ‘alertas Natal’ estão por todo o lado. Quando é que se deve começar a falar de presentes e de que forma?
É possível falar de presentes de Natal durante o ano inteiro, desde que o façamos da forma certa. Aquilo que não faz sentido – em momento nenhum – é utilizar o assunto para subornar a criança, com o objetivo de a incentivar a “portar-se bem” ou a fazer as escolhas que gostaríamos que ela fizesse.
Os presentes de Natal são uma excelente oportunidade para aplicarmos a parentalidade consciente, desde que nos mantenhamos atentos aos nossos valores e às nossas genuínas intenções na educação dos nossos filhos.
Por exemplo, se escolhermos mostrar-lhes a importância do respeito pelas nossas próprias necessidades, o mais provável é que isso nos leve a gastar apenas aquilo que podemos, sem exageros.
Se quisermos mostrar-lhes o nosso amor incondicional, podemos explicar que esta é só mais uma forma de manifestação de afeto mas que não é a única e que muito menos está relacionada com o comportamento da criança. Os pais, o Pai Natal ou o Menino Jesus gostam de cada criança independentemente dos seus sucessos ou insucessos.
«É importante que reflitamos sobre a importância de dizer ‘não’»
Qual é a melhor forma de ensinar uma criança a escolher um presente? O que é que se deve explicar?
A escolha vai sobretudo traduzir os valores de cada família. Se, para os adultos, a aceitação social for mais importante do que qualquer outra coisa, o mais provável é que a criança seja incentivada – direta ou indiretamente – a escolher os presentes mais caros, como se o seu próprio valor dependesse disso.
Se o foco estiver no espírito de partilha, o mais provável é que os pais incentivem a criança a valorizar a intenção de quem oferece, mesmo que não receba exatamente aquilo que esperava.
É importante reforçar a mensagem de que o valor da criança é independente destas ofertas e que o amor que os adultos sentem não é mensurável pelo número de presentes.
Como é que se deve explicar às crianças o significado do Natal? e para quem não é religioso?
Talvez não seja por acaso que o Natal é celebrado por tantas pessoas que não têm qualquer papel religioso. O Natal é, sobretudo, uma grande oportunidade para se criarem rituais familiares, tradições que potenciem a união. É por isso que também é uma época que convida a alguma reflexão e que, de uma maneira geral, nos ajuda a ponderar sobre algumas escolhas e facilita a aproximação às pessoas que são importantes para nós.
Cada família tem os próprios valores e tradições e tem nesta altura do ano a possibilidade de refletir sobre aquilo que quer transmitir aos filhos. É importante que reparemos no facto de “explicarmos” o significado do Natal quer verbalmente, quer através das escolhas que fazemos.
E quando as crianças pedem presentes caros? Como é que se diz ‘não’?
É absolutamente natural que uma criança peça e deseje ter um presente caro. E também é natural que os pais e mães se sintam angustiados perante a impossibilidade de gastarem muito dinheiro.
Mas, mesmo que o orçamento o permita, é importante que reflitamos sobre a importância de dizer ‘não’ e sobre a importância de lidarmos, desde cedo, com a frustração.
Isso passa por ensinar aos nossos filhos que o nosso valor não se mede a propósito das coisas que possuímos, por mostrar-lhes que os nossos desejos não são as nossas necessidades e por conversarmos com eles sobre a importância de fazermos escolhas que traduzam as nossas intenções.
Perguntar ‘Para quê?’ pode ser desencadeador de algumas surpresas. ‘Para quê que eu quero isto? Para me sentir bem? Para agradar/ impressionar alguém? Para mostrar o meu valor?’.
Dizer ‘não’ não tem de ser dramático, sobretudo se se explicar à criança que essa escolha tem um propósito. Quando o pai ou a mãe escolhe não gastar mais do que determinado valor com um presente também está a ensinar aos filhos – de forma prática – a importância do respeito pelas próprias necessidades.
Os avós/padrinhos/tios podem oferecer o que lhes apetece? Como fazer essa gestão sem ofender ninguém e sem que a criança fique ‘mergulhada’ em presentes?
Cada família tem as suas “regras” que, na prática, refletirão os seus valores e os seus laços. Se as relações familiares forem pautadas pelo respeito mútuo, o mais provável é que os adultos consigam chegar a acordo sem tensões.
O Natal também convida à flexibilidade, à paciência e à compaixão. Às vezes, os avós, os tios ou os padrinhos não têm propriamente a intenção de desrespeitar ninguém. Têm apenas a intenção de mostrar todo o seu amor. Os pais e mães têm sempre a oportunidade de, por exemplo, guardar alguns presentes e oferecê-los às crianças noutras alturas do ano com o objetivo de as ajudar a valorizá-los.
Inês Afonso Marques, psicóloga clínica e psicoterapeuta infantojuvenil, lançou Crescemos Juntos, um livro que tem por objetivo inspirar pais e educadores para uma «parentalidade feliz».
Conversámos com a piscóloga sobre os desafios atuais da parentalidade e da importância da felicidade individual no papel da educação.
O que a impeliu a escrever o livro Crescemos Juntos?
Sou uma apaixonada pelos temas da parentalidade e, claro, a minha experiência clínica e o contacto diário com as famílias e com as suas necessidades, fez-me perceber que este livro poderia ser útil e fazer sentido a muitos pais.
No consultório recebo frequentemente pais cansados, desorientados, desesperançados; pais que se sentem pressionados pela velocidade dos dias, das exigências variadas e constantes, da dispersão da atenção e do tempo, das pressões sociais…
Pais que precisam de algumas orientações e “colo”, pais que, para além das orientações práticas enquadradas no desenvolvimento infantil, na psicologia e na pedagogia, manifestam alguma necessidade de “calibrar a bússola” da parentalidade, reenquadrar os valores em que acreditam e fortalecer a sua confiança.
Decidi neste livro recorrer a uma linguagem simples mas potencialmente impactante, com conteúdos tocam temas transversais a todos os pais: gestão emocional, brincar, desenvolvimento infantil, aprendizagem, bem-estar, valores, autonomia, autoestima e que resultam daquilo que a ciência, a investigação na área da Psicologia e da Educação nos diz, daquilo que as famílias com quem me cruzo me têm ensinado, assim como daquilo que a minha Família me tem ajudado a descobrir.
Porque é que este livro vai ajudar os pais / educadores?
Neste livro os leitores vão encontrar inspirações, ideias, exemplos, exercícios e algumas provocações que os convidarão à reflexão sobre a intensa e extraordinária missão que é a parentalidade. É um livro prático, para ser vivido diariamente e onde se pode ir escrevendo, tomando notas, registando reflexões, guardando outras preciosidades…
O livro possibilita que os pais se (re)foquem naquilo que mais valorizam na parentalidade, compreendam melhor os filhos e sintonizem emocionalmente com eles, fortalecendo laços emocionais que servem de base a um crescimento harmonioso e feliz.
Acompanhando o crescimento dos filhos de forma mais consciente desafio também os pais a uma viagem de autodescoberta e, logo, também de crescimento pessoal.
O tempo (ou a falta dele) é a aparente grande questão dos nossos dias, no que toca à disponibilidade para educar. Concorda?
Conhecendo as mais diversas realidades, há situações em que se almejaria efetivamente mais tempo passado entre pais e filhos. Nalguns casos é possível realizar alguns ajustes simples para que pais e filhos possam usufruir de mais tempo na companhia uns dos outros.
Em todo o caso, considero que o grande tema não é o da “quantidade” de tempo, é o da qualidade do tempo que é vivido pelas famílias. É evidente que vivemos grande parte dos dias em piloto automático, desconectados da realidade presente e desconectados uns dos outros, mas é possível abrandar e é possível que o tempo em família seja vivido com qualidade, em verdadeira relação…
Refeições com a televisão ligada, passeios de telemóvel na mão, pequenos-almoços no carro a caminho da escola não convidam aos laços afetivos.
Inversamente, colocar o despertador para 15 minutos mais cedo evitando correrias e possibilitando uma refeição mesmo que rápida em conjunto, alocar 15 minutos antes da hora de dormir a um momento de brincadeira ou conversa, em que não são válidas distrações (como loiça para lavar, emails por responder, mochilas para preparar, notícias para ver), deixar o telemóvel em casa ou no carro, numa ida ao parque ou ao restaurante, acrescentam imenso à satisfação da família.
A disponibilidade para se ser pai vai muito além da disponibilidade de tempo. Em grande medida a disponibilidade emocional é tão ou mais importante do que outra formas de disponibilidade.
O que é que é, em 2018, um bom pai/mãe?
“Não há pais perfeitos mas há pais que diariamente dão o melhor de si”. Esta é a inspiração número 1 do livro. Compreender esta dimensão é um excelente ponto de partida para qualquer pai/mãe.
E os pais que diariamente dão o melhor de si são pais que estão disponíveis, que genuinamente escutam os filhos, que estão atentos às necessidades dos filhos, que respeitam e valorizam as suas idiossincrasias, que dão espaço de segurança para que a expressão emocional e de pensamento ocorra, que usam o bom senso, que cuidam de si próprio. E que mimam muito!
Como é que as crianças ajudam os adultos a serem melhores pais?
As crianças são intrinsecamente genuínas e, nesse sentido, as mensagens que transmitem são puras. Apesar de, nas idades precoces, existir alguma limitação na capacidade linguística e na gestão emocional, as crianças conseguem de forma genial, recorrendo àquilo que lhe é mais fácil, nomeadamente o seu comportamento, transmitir aos adultos aquilo que pensam, sentem e necessitam.
Um adulto focado no momento presente, genuinamente atento, consegue mais facilmente “descodificar” e conhecer o seu filho, dando-lhe respostas que vão ao encontro das suas necessidades.
Os filhos desafiam os pais a pisarem “territórios” internos desconhecidos, a explorar limites pessoais e interpessoais, a conhecer novos estados emocionais e a descobrir novos mundos… E mesmo nos momentos desafiantes, de “crise”, há espaço para novas descobertas e para o crescimento pessoal. É precisamente para isso que remete o nome do livro. Crescemos Juntos relembra os pais da necessidade de reajustamento permanente que a parentalidade exige e para a consciência de que, ao ajudarem os filhos a crescer, também eles estão a crescer…
Quais são os principais desafios da parentalidade? E como podem ser ultrapassados?
Um dos grandes desafios têm a ver com o ritmo / agenda dos dias das famílias, como pouco espaço para encontros com significado emocional (embora eles estejam potencialmente sempre presentes, mesmo nos momentos de rotina como um banho, uma viagem de carro ou uma refeição).
O outro relaciona-se com a pressão externa e interna para “se ser o melhor”, pressão essa tantas vezes absorvida pelos miúdos. Há no livro também várias inspirações que convidam a reflexão sobre este tema.
Que peso tem a realização pessoal do adulto na felicidade da criança?
Um adulto realizado é um adulto tendencialmente mais apto e disponível para os outros e, naturalmente, para as crianças.
Considera que muitos pais ainda acham que é preciso abdicarem de si mesmos para poderem proporcionar bem-estar aos filhos?
Sim, observo muitas pessoas que acreditam ser necessário colocarem-se de lado, a si e aos seus projetos, para proporcionarem bem-estar aos filhos. Um pai pode ter que fazer alguns (ou muitos) reajustamentos mas não tem de deixar de ser a pessoa que é, nem de fazer aquilo que o satisfaz. Aliás o autocuidado é um dos ingredientes fundamentais para o equilíbrio emocional de qualquer pessoa. Um pai que descuida o seu autocuidado é um pai que estará em maior risco de burnout parental.
O fim de uma relação é um dos momentos mais difíceis da vida de uma família. Quando há filhos envolvidos, o processo torna-se ainda mais delicado e complicado. A psicóloga e terapeuta familiar Cláudia Morais explica como se deve abordar o tema do divórcio com as crianças e como é que os adultos devem gerir o fim de uma relação.
A partir de que idade é possível explicar a uma criança que os pais se vão separar?
A partir do momento em que a criança adquira a capacidade de compreender a linguagem verbal – normalmente a partir dos 2 anos – pode e deve haver uma explicação ajustada à sua idade.
Como é fácil de entender, aquilo que se pode dizer a uma criança de 3 ou 4 anos é bem diferente daquilo que se pode dizer a um pré-adolescente.
As crianças pequenas ainda não possuem o pensamento abstrato e, nessa medida, não é ajustado falar sobre sentimentos.
Aquilo que importa é explicar que o pai e a mãe já não vão viver na mesma casa e mostrar de forma clara e inequívoca que essa decisão não tem nada a ver com os comportamentos da criança. De resto, essa é uma mensagem que importa repetir em várias fases do processo – antes da separação, imediatamente depois da concretização da separação e na fase de adaptação.
Como se deve ter essa conversa e em que circunstâncias?
Idealmente, esta conversa deveria decorrer na presença dos dois progenitores. Quando o pai e a mãe são capazes de colocar os interesses das crianças acima de qualquer outra coisa, é muito mais provável que a criança consiga lidar com a separação com resiliência.
Infelizmente, quando há pelo menos um dos progenitores que se sente extremamente magoado e que exterioriza a sua mágoa através do conflito, sem conseguir colocar os interesses dos filhos no topo das prioridades, é mais provável que o conflito interparental condicione o bem-estar das crianças, dificultando o processo de adaptação.
Nesta conversa não é importante que os pais estejam de acordo em tudo, nem sequer é importante que camuflem a sua tristeza. Pelo contrário, aquilo que importa é que sejam capazes de mostrar aos filhos que, apesar de poderem não ter, para já, resposta para todas as dúvidas, estão comprometidos em dialogar e negociar em nome do bem-estar das crianças.
A ideia é passar a mensagem de que, mais cedo ou mais tarde, tudo se vai resolver e de que os adultos, embora tristes ou feridos, continuam a ser capazes de cuidar de si e dos seus filhos. Às vezes isso pode implicar ter de recorrer à ajuda externa, seja de um psicólogo ou de um advogado.
O que importa é que cada um faça o que estiver ao seu alcance para resolver de forma equilibrada, serena e responsável o que houver para resolver.
Por outro lado, quando os adultos têm oportunidade de exteriorizar os seus sentimentos – sem acusações mútuas -, é mais provável que as crianças aprendam a fazer o mesmo. Infelizmente, algumas crianças esforçam-se por não mostrar a sua tristeza numa tentativa de protegerem os pais. Quando as emoções são exteriorizadas e há alguém que genuinamente se mostra preocupado, é muito mais provável que haja uma resposta resiliente.
É importante que não haja a expectativa de conseguir responder a todas as perguntas das crianças. Às vezes é preferível dizer, com honestidade, «Ainda não sabemos, mas vamos conversar para tomar uma decisão». Além disso, é importante dar tempo para que as próprias crianças processem os acontecimentos e voltar a mostrar, de forma clara, a vontade de conhecer os seus sentimentos e as suas inquietações.
Quais são os erros mais comuns que os casais que se separam cometem no que toca às crianças?
Um dos erros mais comuns consiste em considerar que não há necessidade de explicar às crianças que o divórcio não está a acontecer por culpa delas. Pode parecer desnecessário, mas há diversos estudos que mostram exatamente o contrário.
As crianças podem não dizer nada e, ainda assim, alimentar ideias fantasiosas chamando a si a responsabilidade dos acontecimentos.
Assegurar que esta é uma decisão dos adultos e que não só não há culpados como as crianças não têm qualquer responsabilidade é essencial.
Outro erro tem a ver com a desvalorização da importância do contacto com o outro progenitor. Nenhum pai ou mãe quer fazer mal aos seus filhos e muitas pessoas acreditam de facto que os filhos estarão melhor consigo do que com o ex-companheiro.
Mas, de uma maneira geral, quando há uma ligação saudável com os dois progenitores, mesmo que haja maior proximidade com um do que com o outro, é essencial que esse contacto regular se mantenha.
Não se trata de olhar para os direitos de cada um dos progenitores. Trata-se de prestar atenção aos direitos e às necessidades afetivas das crianças.
Um divórcio é uma perda muito significativa para todos. Se a tudo o que a criança perde com o divórcio ainda acrescentarmos a possibilidade de perder um vínculo seguro com um dos progenitores, estamos a falar de danos maiores.
Um outro erro comum tem a ver com a manipulação das crianças.
Às vezes os adultos sentem-se tão perdidos, tão desnorteados com a rutura, que ficam demasiado centrados nas suas próprias emoções e acabam por utilizar as crianças para atingir o ex-companheiro.
Quando isto acontece, as crianças sentem-se profundamente tristes, há conflitos de lealdade e sensação de desamparo. Mais do que nunca, as crianças precisam de sentir que os adultos de quem dependem emocionalmente vão continuar a estar lá para elas – para as ouvir, para as respeitar e para as proteger.
Nem todas as separações correm bem. O que fazer se o ex-casal está desavindo de forma a proteger as crianças?
É compreensível que uma separação seja geradora de muitas emoções negativas. Esta é normalmente a relação mais significativa da nossa vida, aquela em que damos o nosso melhor e a sensação de abandono e de fracasso é avassaladora. A tristeza, o medo e a raiva são normais e, até certo ponto, adaptativos.
Mas quando sentimos que as emoções estão a tomar conta de nós – em vez de sermos nós a gerir as emoções com responsabilidade – é importante pedir ajuda.
A mediação familiar e a psicoterapia são ferramentas que estão ao nosso dispor e que podem revelar-se extremamente úteis quando os adultos não estão a conseguir garantir que o bem-estar e os interesses das crianças constituam as suas prioridades.
É indicado que a criança seja acompanhada por um psicólogo? Quais são os sinais de alarme?
Há vários estudos que mostram que as crianças respondem melhor à turbulência de uma separação se houver pelo menos um adulto com quem possam desabafar, exteriorizar as emoções. Aquilo que acontece é que, às vezes, há vários adultos interessados em cumprir esta função mas nenhum tem o distanciamento que permita que a criança se sinta livre.
Um psicólogo tem sempre essa distância porque não está emocionalmente envolvido na situação e é sempre uma mais-valia.
Mas há situações muito sérias em que essa ajuda não só é útil como é essencial. Na prática, sempre que a criança esteja a ser exposta a níveis elevados de conflito entre os progenitores, é importante que haja essa resposta terapêutica, independentemente dos sinais que a criança esteja a dar. Há marcas que só são visíveis muito tempo depois dos acontecimentos.
E depois há sinais claros no comportamento da criança que podem ser indicadores da dificuldade em lidar com a instabilidade familiar – comportamentos desafiantes, birras intensas e recorrentes, comportamentos desafiantes, alterações no comportamento alimentar e no sono, medo excessivo, conflitos com o grupo de pares ou queixas somáticas (por exemplo, dores de barriga).
E quando entra uma pessoa nova na vida do pai ou da mãe? Como é que isso deve ser gerido?
Na medida do que for possível, é desejável que se respeite o luto da criança e não se apresente uma pessoa nova pouco tempo depois da separação. Por outro lado, é muito importante que a criança não se sinta atraiçoada. As crianças não gostam de mentiras.
Se houver a mínima possibilidade de os filhos desconfiarem de uma ligação romântica, é preferível que os pais assumam a relação com transparência.
É importante que os primeiros contactos sejam breves e que a criança não se sinta obrigada a passar muito tempo com o novo adulto que, na sua ótica, vem desfazer qualquer possibilidade de reconciliação parental.
Por outro lado, é fundamental que haja esforços para que as rotinas a que a criança está habituada, e que contribuem para a sua estabilidade, não sejam alteradas de forma significativa em função da nova relação. As crianças precisam de consistência.
Às vezes há a tentativa de implementar muitas mudanças com a melhor das intenções mas é preferível ir devagar.
Que conselhos dá a um casal que esteja nesta situação?
O meu conselho é o de os pais e mães prestarem muita atenção às suas próprias emoções, às suas próprias necessidades afetivas, e às emoções e às necessidades afetivas das crianças.
Quando nos esquecemos de nós, quando desvalorizamos as nossas dores, é mais provável que nos convençamos de que estamos a fazer as escolhas em nome das necessidades das crianças e que falhemos redondamente. É mais provável que os pais e mães consigam dar o seu melhor aos seus filhos e assumam escolhas genuinamente altruístas e responsáveis se prestarem atenção aos seus sentimentos e tentarem cuidar deles – com o amparo da família, dos amigos e eventualmente da ajuda terapêutica.
Aceitar a própria dor não equivale a qualquer forma de resignação. Equivale a ser capaz de olhar para ela e escolher o que pode ser feito.
Por outro lado, gostaria de sugerir que as crianças sejam ouvidas. Elas têm uma voz e gostam de se sentir ouvidas. Convidá-las a expressar os seus sentimentos, as suas opiniões e as suas sugestões pode revelar-se surpreendentemente empoderador para os adultos.
Todos nascemos criativos, com capacidade para criar estratégias imaginativas, desenvolver conceitos artísticos, fazer tarefas de forma espontânea. No entanto, com o crescimento, acabamos por conter a nossa criatividade.
Há formas de, em cada idade, e desde o berço, estimular a criatividade nas crianças. Tal como explicar a especialista em parentalidade Judy Arnall no livro Unschooling to University, «a criatividade ajuda as crianças a resolver problemas, dá-lhes uma forma de se expressarem artisticamente e torna a vida mais divertida».
Aprenda como é que, em cada idade, pode ajudar a desenvolver a criatividade da sua criança!
Dos 0 aos 5 anos
Nestas idades, as crianças adoram brincar com tudo. Têm tendência a reconfigurar e combinar os brinquedos para brincarem da forma que lhes apetece e não daquela que está inicialmente designada. Os pais e educadores devem dar total liberdade às crianças para fazerem isso… e deixar a arrumação e organização dos brinquedos para segundo plano.
use materiais sem estrutura e cuja finalidade esteja totalmente em aberto. Uma folha de papel em branco e marcadores, mais do que um livro de colorir, estimula a criatividade porque não impõe numa ideia pré-concebida ou finalidade. Um balde com peças de Lego, ao invés de um brinquedo para montar com uma estrutura pré-determinada, também estimula mais a imaginação da criança.
Nestas idades, as crianças continuam a brincar de forma criativa, seja às casinhas, aos piratas, extraterrestres, com fantoches ou bonecos. Também brincam com o que encontrarem em casa, desde utensílios de cozinha ao aspirador, passando pelo secador do cabelo às cadeiras da sala de jantar.
Muitas vezes, os pais e educadores deitam fora coisas como roupas velhas, baús com objetos que já não usam porque acham que as crianças dispõem de materiais melhores para brincar… o que nem sempre acontece. É importante manter à disposição das crianças objetos que estimulem a criatividade e que os façam criar as suas próprias brincadeiras.
Também é muito importante que os pais deixem que as crianças se aborreçam. Se permitirem que eles se entediem e, depois, lhes derem materiais básicos, eles irão criar a sua própria diversão.
Acima de tudo, é essencial não tentar compor nem arranjar aquilo que as crianças criam. É necessário fazer uma casa de papel para a escola? Deixe que seja a criança a fazer e resista à tentação de fazer para que fique perfeito. O objetivo não é o resultado final. É o processo. E as crianças sentem quando estão a ser corrigidas.
Adolescentes
Manter os ecrãs longe dos adolescentes é saudável… mas ter medo deles não. Os jogos electrónicos e as plataformas digitais, quando usados com bom senso, são uma ótima forma de estimular a criatividade.
Jogos como The Sims e Minecraft contêm muitos elementos que estimulam a criatividade. Mesmo fora do jogo, há adolescentes que criam blogues, vlogs, música, memes e videos baseados nesses jogos.
A maioria dos adolescente usa a internet para criar conteúdo e não apenas para ver conteúdo de forma passiva. A tecnologia é, para os miúdos, uma forma de fazer criações sobre os temas de que gostam e a internet uma forma rápida e eficaz de partilhar o que fazem. Promova essa criatividade, não se exclua dela.
E esta é a grande surpresa que reservámos para o final do Verão: a abertura do Gymboree Restelo!
A 17 de setembro, chegamos a uma das zonas nobres da cidade de Lisboa e vamos fazê-lo com as honras que a ocasião merece! No dia da abertura, para qual estão todos convidados, as aulas vão ser GRÁTIS!
No arranque do Gymboree Restelo, vamos concentrar-nos nos programas Play & Learn para crianças dos 0 aos 36 meses.
O Play & Learn é um programa concebido para apoiar o desenvolvimento da criança em cada fase do crescimento. Promove o estímulo do desenvolvimento global através de brincadeiras e novas descobertas, com um programa dividido em sete níveis, concebido para apoiar o crescimento da criança.
A equipa Gymboree Restelo: o Tiago, a Catarina, a Rita… e o Santiago!
A infância é tempo de inocência, curiosidade, descobertas e aprendizagens. E o desenvolvimento da língua a par com o conhecimento do Mundo, da vida, e tudo o que isso implica trazem situações engraçadas no dia a dia. Palavras trocadas, expressões inventadas, constatações e histórias para serem levadas “muito a sério”. A criançada está a crescer e os solavancos fazem parte. As frases insólitas que saem da boca dos miúdos exigem um bom sentido de humor. Atenção aos miúdos sem filtro, que falam tudo aquilo que lhes vai no pensamento. Deixam os adultos sem resposta, às vezes em brasa, mas principalmente a rir muito!
Contadas pelos pais:
Sentei-me na casa da bonecas da minha filha de 3 anos e perguntei que boneca poderia eu ser. Ela respondeu que poderia ser aquela que lava a loiça!
A minha filha de 2 anos diz que é adulta. Eu digo-lhe que ainda é bebé, ao que ela responde – “sou adulta vou brincar com facas”.
O meu filho gritou num restaurante “quero uma cerveja gelada”, atenção ele tem 3 anos!
– Mãe, podemos ter um gatinho? – Não, eu sou alérgica. Não podemos estar na mesma casa… Então, mãe, podes ficar na rua.
Estava a pôr a minha filha na cama e esta perguntou se poderia dormir com ela, respondi que não, que ia dormir com o Pai. Ela perguntou porquê. Respondi que a mamã e o papá são casados e que gostam de dormir juntos. Ela vira-se e diz: “Posso casar contigo, mamã?”
– Mãe, gosto muito de ser humana mas há dias em que gostaria mesmo de ser uma fada!
– Mamã, adoro a tua barriga! É mesmo molinha como uma almofada…
– Pai porque é que tens barba? – Simplesmente tenho, e onde está a tua? – Eu não tenho barba, as meninas não têm barba!… hummm, espera, algumas têm!
– Mãe, gostava que tivesses a minha idade para seres minha filha!
Fui ao banco com o meu filho de 7 anos. Sentamos para ser atendidos e ele vira-se para o funcionário e diz: -Eu não sou o marido dela!
Entramos no WC e está o meu marido. A nossa filha de 3 anos diz: – Pai, põe isso nas calças!
– Pai, posso comer um twik? – Queres dizer um Twix? – Não, pai. Eu só quero um.
Também tem histórias destas? Partilhe-as connosco.
A vida não é uma comédia romântica e, por vezes, as relações não dão certo. No entanto, os filhos continuam a ser a principal prioridade dos pais que têm de se adaptar a uma nova forma de parentalidade.
Deixamos-lhe 10 conselhos simples para que possa continuar a ser um bom pai/mãe/educador mesmo depois de uma separação.
1.Demonstre amor
Elogie a criança. Mostre-lhe que pode contar com o seu amor e apoio incondicionais. Guarde um momento, nem que sejam uns minutos por dia, para brincar, ler ou apenas estar ao lado do seu filho.
2. Crie uma rotina
Ter uma estrutura pré-definida – como refeições e horas de dormir bem determinadas – ajuda a criança a saber com o que pode contar
3. Procure uma rede de cuidados infantis de qualidade
Explique as regras de funcionamento da casa e o que se espera da criança – por exemplo, falar com bons modos. Reforce periodicamente essas regras.
5. Dialogue com o pai/mãe da criança
Conversar com o ex-parceiro(a) é essencial para haver consistência na disciplina que a criança recebe. A reavaliação de determinadas regras – como, por exemplo, o tempo limite para ver televisão – deve sempre ser feita em conjunto e mantida pelas duas parte.
6. Não se sinta culpado
Não se culpe ou castigue nem mime em demasiada a criança como forma de compensação por ser pai solteiro.
7. Cuide de si
Tome conta de si, física e emocionalmente. Faça uma dieta equilibrada e mantenha uma rotina de sono saudável. Arranje tempo para fazer atividades que lhe dão prazer, quer seja sozinho ou com amigos. Ofereça-se uma pausa. Não de ser mãe/pai mas para ser melhor mãe/pai. Se puder, deixe a criança umas horas ao cuidado de uma pessoa de confiança e mime-se com o que mais gostar.
8. Crie uma rede de apoio
Arranje um sistema de boleias com outros pais solteiros. Junte-se a um grupo de apoio para famílias monoparentais. Nas redes sociais há grupos para pais solteiros trocarem experiências e dúvidas. Telefone a familiares, amigos ou vizinhos a quem possa pedir ajuda.
9. Mantenha-se positivo
Se está a passar por uma fase complicada, seja honesto com a criança. No entanto, relembre-lhe que as coisas vão melhorar. A criança deve ter um grau de responsabilidade adequado à sua idade e não «portar-se como um adulto». Mantenha o sentido de humor perante os desafios do dia a dia.
10. Simplifique a sua rotina
Rituais como preparar e congelar refeições durante o fim-de-semana para os dias de trabalho, instruir as crianças para arrumarem as mochilas e disporem as roupas para o dia seguinte são extremamente úteis. A cada desafio que encontrar, questione-se: «Qual é a forma mais simples de fazer isto?».
Ser pai não é ser de ferro. Por mais que ame os seus filhos, há por certo dias em que pura e simplesmente não os consegue aturar. Ou porque o trabalho está a chegar a níveis inimagináveis de stress, ou porque passou duas horas parado no trânsito ou apenas porque está a ter um dia mau.
Antes de sermos pais somos humanos. Temos os nossos dias menos bons. Claro que gostávamos de ter uma varinha de condão e fazer aparecer, como por magia, aquela preciosa paciência que, ao fim de um dia de trabalho, é necessária para brincar com os miúdos.
Mas como não vivemos num mundo perfeito, deixamos-lhe algumas ideias para conseguir relaxar – mesmo nos dias mais stressantes! – e ter tempo de qualidade com os seus filhos. Com muita brincadeira à mistura, claro!
Antes de mais, é importante lembrar que tudo o que os pais fazem é interiorizado pelos filhos.
«Os pais são modelos para os filhos, por isso as suas atitudes influenciam-nos. Quando os pais andam carregados de trabalho estão menos disponíveis para ouvir as crianças, mais acelerados e, por isso, com menos paciência e menos capazes de resolver com tranquilidade os ‘stresses’ do dia a dia», começa por explicar Carolina Canto, Psicóloga e Professora Sénior Gymboree.
Birras, trabalhos de casa, discussões entre irmãos… o lado real da paternidade pode parecer, nos dias mais caóticos, um cenário dramático. No entanto, e tal como frisa Carolina Canto, «um adulto feliz faz uma criança feliz».
Primeiro objetivo: destressar com os miúdos
Chegar a casa em piloto automático e começar a ‘despachar’ tarefas domésticas. Soa-lhe familiar? E que tal fazer uma atividade em família que também o ajude a relaxar?
«Praticar desporto, cozinhar, jardinar… Há tarefas que os pais podem fazer em conjunto com os filhos que ajudam não só a cumprir tarefas necessárias em casa mas também a passar tempo juntos e a conhecerem-se melhor, a conversar sobre o dia que passou», exemplifica Carolina Canto.
Encontrar essa tal atividade agradável deve ser tarefa dos pais. «Cada adulto pode descobrir o que o ajuda a acalmar após um dia de trabalho e tentar pôr isso em prática», acrescenta a psicóloga.
Segundo objetivo: planear para poder relaxar
Perder tempo a fazer listas de tarefas, de compras, a compor um calendário com as aulas, reuniões e atividades de toda a família é ganhar no dia a dia horas que podem ser passadas a brincar, a descontrair.
«Ter a manhã bem organizada de véspera, com mochilas prontas, lancheiras planeadas, roupas escolhidas e mesa do pequeno-almoço preparada são boas dicas para manhãs mais tranquilas», afiança Carolina Canto.
Se a manhã começa bem, sem correria, vai compensar no final do dia. «Um fim de dia tranquilo passa por encontrar um equilíbrio entre a rotina e o tempo de exclusividade com as crianças. Elas precisam da nossa presença dedicada e atenta. Essa atenção torna-as crianças mais cooperantes, mais tranquilas e mais seguras», explica a Professora Sénior Gymboree
O que podemos fazer?
ir ao parque infantil antes da rotina de banhos e jantares
aproveitar o bom tempo para ‘jantar fora’ na varanda (ou até um piquenique de fim de tarde no jardim público!)
preparar o jantar em conjunto (sem telemóveis à mão ou televisão ligada)
ler uma história ao deitar
inventar uma história com o contributo das ideias da criança