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Gracinha Viterbo – Educação Positiva

Gracinha Viterbo – Educação Positiva

 

Gracinha Viterbo é uma das mais premiadas Designers de Interiores Portuguesas.

É Mãe de 4 filhos e Praticante e Promotora de Educação Positiva.

Autora dos Domingos Positivos no seu canal de Instagram, que desde já recomendamos.

https://bit.ly/domingospositivos

https://www.instagram.com/gracinhaviterbo

https://viterbointeriordesign.com/pt-pt/

https://www.facebook.com/cabinetofcuriositiesviterbointeriordesign/

 

Saiba mais em http://www.gymboreeclasses.pt/playlab-academy

 

 

Olá Gracinha, bom dia.

 

Olá Nuno, bom dia.

 

Muito obrigado por este bocadinho.

Vai ser precioso.

 

Obrigada pelo convite.

 

Gracinha, eu acho que dispensa apresentações, uma das designers e arquitetas mais conceituados portuguesas.

Eu hoje queria falar um bocadinho consigo não só sobre design que é seguramente um dos seus superpoderes, mas também sobre a educação, a parentalidade positiva que também é fortíssimo, mas temos muitas coisas em comum eu ia-lhe perguntar: acordou que horas hoje?

 

Eu acordo muito cedo.

 

Eu sei.

Eu só queria chocar a nossa audiência.

 

Eu vou dizer que acordo sei lá eu facilmente acordo as 05:30 da manhã, 06:00, mas eu acordo por mim, obviamente que os meus filhos já são bocadinho maiores, mas por acaso sempre fui uma pessoa de dia, de manhã.

E gosto muito de acordar cedo também por mim própria, para ter o meu tempo, antes da casa acordar e os meus filhos também se habituaram a acordar cedo.

 

É uma ótima prática.

Também recomendo.

Gracinha eu ia começar pela criatividade, porque eu vi recentemente um vídeo seu no Facebook, em que falava da criatividade e fiquei super impressionado com a sua visão e decidi perguntar-lhe, como é que é o seu processo? O que é que pode falar sobre criatividade?

Porque realmente é uma palavra que tem muita profundidade.

 

É uma palavra muito forte e realmente é um valor, um bocadinho posto à margem, como se fosse menor e que é tão importante como a matemática, que é essencial disciplinas como a matemática, a ciência, os grandes grandes nomes que nós conhecemos de pessoas que na história se destacaram, eram sobretudo criativos.

Sejam eles cientistas, matemáticos, historiadores, políticos, todos eles tinham uma coisa comum que era a criatividade.

Por isso eu acho que a criatividade é um bem necessário e um valor que devia ser mais focado na escola.

 

Como é que é o seu processo?

Como é que desenvolveu a criatividade?

E como é que é no dia a dia?

 

Eu acho que uma das regras base da criatividade, é não ter medo de errar.

E eu tive a sorte de crescer numa família que focou muito nisso.

E os meus pais não se importavam, isto é um bocadinho clichê, mas é mesmo verdade que eu pinta-se fora das linhas.

E eu lembro-me de pintar as coisas de cores diferentes e não havia a tendência de dizer: o sol é amarelo e o mar é azul.

Não.

Se eu via o sol de outra cor, a minha mãe deixava-me pintar de outra cor e dava-me tanta segurança nas minhas ideias que eu mesmo que tivesse no ensino tradicional que tive, na escola, eu tinha sempre aquilo na minha cabeça, de que eu podia se quisesse sonhar e ver de outra maneira.

E depois quando tinha que estar alinhada no ensino tradicional adaptava-me, mas eu acho que é muito importante os pais ensinarem que o erro não é um problema, não é?

É uma lição.

E isso é o princípio da criatividade, é o não ter medo de errar.

 

Muito bem.

Como é que é ser designer de interiores?

O que é que mais lhe apela e o que é que é mais desafiante?

 

Eu acho que o que mais me apela na minha profissão é realmente interpretar vidas através de espaços.

E aliás é realmente, está tudo interligado com os meus domingos positivos e com a minha forma positiva de ver a vida, porque eu muito cedo eu faço à 20 anos a minha profissão exerço à 20 anos a minha profissão e muito cedo percebi que não era só sobre coisas bonitas.

Ai agora vou pintar a parede uma cor, aí agora vou fazer isto…

Não!

Isso é mesma coisa que comprar uns sapato e não se pode confundir a parte material que não nos preenche, não é?

Muitas pessoas se enganam e acham que o ir comprar coisas, o dar brinquedos às crianças nos preenche e rapidamente depois se fartam.

E não percebem porquê?

Eu então virei isso um bocadinho ao contrário, na minha profissão e tento ir à essência da pessoa à sua identidade e acho que se ela tiver projetada na sua casa, no seu norte, ela vai empoderada, vai se sentir enraizada e mais feliz.

E é o que eu mais gosto da minha profissão.

 

Muito bem.

Nós agora, neste momento toda a gente está em contacto permanente com a sua casa, portanto há aqui desafios próprios, acha que podemos passar algumas dicas de organização interior?

Qual é o alfabeto da decoração para um leigo? Por onde é que podem começar?

Estamos a falar da luz, dos móveis, estamos a falar do quê, exatamente.

Qual é o alfabeto mais básico?

 

Eu acho que a primeira coisa que eu vou dizer é tentarem não seguir tendências, nem copiar uma imagem de algo que gostam, porque obviamente isso é uma direção, nós começarmos a tentar perceber o que é que nos identificamos, não é?

E ver imagens tudo bem, mas o replicar não preenche uma pessoa dentro do seu espaço.

Por isso cuidado com o replicar imagens de um pinterest ou de onde seja, porque não se está a expressar a si próprio, não é?

Às vezes, são coisas tão fáceis como ir ao nosso armário e ver o que é que vestimos.

Quais são as cores com as quais mais nos gostamos de ver.

Porque se calhar são as cores com que quais mais gostamos de viver.

Ou então as não cores, porque há quem não goste de cores e goste mais de um ambiente neutro, e de um ambiente mais, todo ele com menos cor, não é?

E isso é o que nos vai identificar, por exemplo a nível de cor é uma boa maneira de vermos é irmos ao nosso armário ou cor que nós não nos gostamos de ver também, pensar como é que vivemos, há crianças não há crianças, há animais não há animais, há algum problema de saúde ou de costas ou até para poder escolher, por exemplo a altura de um sofá ou de uma cama ou rigidez.

Tudo isso são as primeiras coisas, é fazer uma lista do que existe.

Quem são as pessoas que vivem na casa, qual é a personalidade dessas pessoas, tentar também um bocadinho interligar, porque não é só um que conduz, quando é em comunidade quando é uma família tem que se pensar em todos, nas crianças, nos pais.

E depois tentar eu acho que pensar em cada lugar como um momento, como um cenário das memórias que vão fazer então agora que nós estamos sobretudo mais em casa e então se calhar haver o cantinho da leitura e que pode ser relaxado, não tem de estar tudo certinho, não faz mal se as almofadas se misturarem todas, não vamos fazer um problema à volta de um momento que pode ser ótimo.

E com isso a pensar nas outras zonas da mesma maneira que são cenários das nossas memórias em casa.

 

Top.

Na sua sensibilidade aproximava-se mais de manter tudo como está ou mudar tudo, uma vez que vamos estar confinados pelo menos 15 dias?

O que é que acha que é mais proveitoso e animador ou menos estressante?

 

Diga diga, desculpe não percebi.

 

A minha pergunta era mais tipo para evitar estresse, o ideal é vivermos na casa onde sempre vivemos ou tentamos criar uma casa nova neste tempo de confinamento…

 

Eu acho que vai depender das personalidades, eu por exemplo sou gêmeos e por mim mudo sempre qualquer coisa todos os dias em minha casa, porque gosto de estar sempre a mudar qualquer coisa, eu preciso dessa movimento de energia e de mudança e os meus filhos já são um bocadinho assim também.

Mas sei que há pessoas que precisam imenso da segurança da continuidade.

Eu acho que isso não há uma regra geral, eu acho que vamos então ouvirmo-nos a nós próprios, o que é que nós precisamos?

Estamos estressados, estamos ansiosos, vamos tentar não mudar muita coisa se calhar, se tivermos bem, não é?

Dentro do que estamos ou então ver qual é que é a zona da casa onde nos sentimos melhor e ir mais depressa para essa zona da casa, se há uma zona da casa que apanha mais luz natural, eu por exemplo gosto de estar ao pé da janelas, eu preciso de luz natural.

Às vezes mesmo naqueles dias que uma pessoa está mais esgotada, eu gosto de estar a tomar um chá ou um café e sentir a luz na minha cara, é uma coisa que me faz bem.

Eu acho que quando estamos muito tempo em casa, é descobrir estes recantos que nos fazem bem e vivê-los mais do que os outros.

 

Muito bem.

Gracinha, as pessoas que têm crianças pequenas e que têm este problema dos brinquedos espalhados pela casa.

O que é que recomenda?

Acha que os brinquedos devem estar confinadas a uma divisão ou devem estar livres pela casa?

O que é que acha mais proveitoso, para a sociedade?

 

Acho que a partir dos três anos, podem perguntar às crianças.

Acho que é a primeira coisa, acho que não devem ser os pais a decidir, acho que desde dessa idade as crianças já podem dar ideias de como é que vão arrumar os seus próprios brinquedos, é a melhor maneira de, eu às vezes quando tenho famílias com crianças eu pergunto às crianças e como é que elas gostam de arrumar mais as coisas e como é que vamos pensar na forma que elas vão entender e fazer parte da arrumação da casa.

Eu acho que isso não é um sonho.

É possível.

E se incluirmos mais as crianças dentro destas ações, as coisas aparecem mais vezes arrumadas.

Não é perfeito, mas aparecem.

E sobretudo, porque elas têm uma imaginação muito mais fluida e vamos dar se calhar ideias que há certos pais que já não praticaram tanto a criatividade e que se calhar estão ali, tem que ser sempre da mesma maneira.

Eu sou um bocadinho um elemento disruptivo quando venho dizer estas coisas, mas é verdade.

E depois é tentar ter a arrumação ao nível das crianças.

Também acho que é uma coisa importante, porque se arrumação está pensada para o adulto, vai ser sempre o adulto a arrumar e a partir do momento em que nós incluímos as crianças também na altura em que pomos as caixas ou as coisas que elas têm de arrumar e nos sítios mais improváveis haver um bocadinho quando eles são muito pequenos, eu acho que é importante haver num bocadinho em toda a casa algum sítio onde eles possam arrumar.

Na sala, na cozinha, eu lembro-me que tinha uma das portas debaixo da cozinha, tirei as panelas e pus brinquedos e sabia que era, e eles voltavam arrumar lá dentro e claro que eu abria e aquilo ao princípio estava muito desarrumado, depois à medida que eles foram crescendo tinham as coisas mais arrumadas, porque comecei a brincar com eles e a separar em categorias a brincar.

Eles gostavam de também separar as categorias, porque fica um jogo e tudo que ficam jogo eles fazem.

E eu acho que se pudermos então separar um bocadinho nas zonas onde eles brincam, que não seja do outro lado da casa onde se vai arrumar, já ajuda muito.

 

Uau.

Isso é uma ótima dica, eu acho que estou a fazer tudo mal.

Eu tenho uma bebé agora com um omnipcx, está sempre a pegar, adora os meus livros, desarruma-os todos, acha que é divertido tirar tipo 30 livros.

 

Ela vai adorar ler se continuar ainda a…

 

Eu espero que sim.

Mas pronto, mas eu depois tenho que arrumar todos de volta e basicamente é a minha profissão agora, é arrumar os livros que ela desarruma.

Gracinha ainda no campo da decoração como é que descreveria os seus melhores clientes e quais são os mais desafiantes?

Como é que podemos ser bom clientes de um design anterior?

 

Eu acho que um bom cliente é o cliente que percebe que nós estamos ali para ajudar e que não estamos, um projeto não é uma discussão, é uma evolução, é um progresso.

E eu acho que é suposto ser um momento memorável, um momento de crescimento, um momento de partilha, como muitas coisas na vida, não é?

Eu também acho isso do trabalho, também acho isso da educação, mas é verdade que o projeto, eu estou a entrar na vida de outra pessoa, estou a tentar entendê-la para criar para ela e isso é a maneira que eu trabalho.

Eu não trabalho, porque o amarelo é giro e o azul é giro e tem que ser assim.

Não.

Eu quero perceber a pessoa e quero potencializar o espaço onde ela vive, de modo a ser mais feliz lá dentro, ela e as pessoas que lá vivem.

E eu acho que é muito importante o cliente perceber que nós estamos ali para fazer parte dessa, fazer um veículo, ser uma ponte para que ele possa viver melhor a partir daí nesse espaço.

E o cliente que percebe isso, é um cliente que tem um projeto com muito mais sucesso, entre aspas no resultado final, do que o cliente que resiste.

 

Muito bem.

Eu sei que a Gracinha fala uma série de línguas de muitas partes do mundo.

Como é que foi viver fora de Portugal?

Tanto sozinha como em familia, como é que foi a sua experiência?

 

Eu adoro viajar, adoro ter o desafio de me adaptar a um lugar que não conheço, a uma língua que não conheço, a uma comida que não conheço e perder-me para me encontrar outra vez.

Eu acho que são patamares, cada viagem e cada momento que eu vivi fora, foram patamares de crescimento na minha vida.

E fiquei um bocadinho viciada nisso.

E foram experiências de alturas muito diferentes da minha vida.

A primeira vez que vivi fora, tinha acabado de fazer 18 anos e fiquei fora até aos 21. Comecei a trabalhar a minha carreira primeiro trabalho foi fora.

E foi um momento, obviamente que eu era mais nova, que havia uma descoberta, uma série de coisas, mas eu ainda estava a crescer noutra série de coisas, por isso era tudo, era uma descoberta, mas eu também sempre fui muito curiosa e muito independente.

Portanto aquele sentimento de saudade não me fazia não aproveitar onde eu estava.

Eu sempre aproveitei o momento da vida no lugar onde eu estava.

Sem arrependimentos de: ai eu tenho saudades e eu quero estar ali.

Não.

Eu acho que se estamos neste momento ali, vamos aproveitar este momento da vida e tirar o melhor dele.

E todos os momentos que vivi fora acabei por ter essa essa mentalidade, portanto na altura da universidade e do primeiro trabalho eu estava em Londres.

Depois voltei para Portugal e depois fui para a Ásia.

E no intermédio sempre viajei muito na minha profissão, por isso pelo menos quatro meses do ano fora em viagem.

Não de seguida, mas sempre em viagem, por isso bastante grande durante o ano, antes do covid, por razões de trabalho, mas em que acabamos por ir para países às vezes que não conhecemos, outro conhecermos melhor.

Agora a ida à Ásia foi também espetacular, porque fui com os meus filhos bastante pequenos dos 3 aos 9.

E aliás foi lá que eu conheci o Gymboree.

Eles iam todos ao Gymboree.

 

Ai que giro.

 

E pronto e foi realmente eu acho ai crescimento em conjunto enorme por todos os lados, porque a trabalhar a tempo inteiro com crianças pequeninas, elas não sabiam falar inglês quando foram, nem chinês.

E aprenderam ambas as línguas.

E é uma aprendizagem que eu recomendo que é difícil, mas é extraordinária.

 

Gracinha, percebo que essa passagem por Singapura, vos marcou imenso em família e também quer dizer a matemática é simples.

Ainda assim ter cinco ou seis anos, não é?

Como é que foi essa experiência?

E o que é que trouxe de lá?

 

Eu, a experiência, já tinham vindo conosco em algumas ocasiões, porque nós já estávamos a trabalhar lá desde uns anos antes.

E realmente uma das razões porque fomos, foi porque estavamos cada vez mais a trabalhar lá na altura e eu comecei a sentir que não estava a fazer bem à família, eu estar tanto tempo fora obviamente e como mãe, também não conseguia, se bem que tenho um marido presente, um pai espetacular e sempre que eu ia, eu sentia que eles iam crescer de outra forma.

E acho que na vida os casais organizam-se, sejam porque estão divorciados ou porque cada um trabalha numa certa forma, acho que as crianças se adaptam e os casais organizam-se.

Por isso nós construímos na altura uma fórmula que funcionava para nós.

Mas chegou a um ponto onde achamos que fazia mais sentido irmos todos juntos e estarmos lá uns anos e depois voltarmos.

E a experiência lá, foi realmente extraordinária, a nível de todos os níveis, humano, como mãe, como profissional, mas sobretudo a nível da educação e a nível da ligação que os adultos lá em geral têm com as crianças, eu comecei a sentir logo desde o início, a forma que falavam, a forma que diziam, é sempre a maravilha do mundo da criança e o que é que nós adultos quase que podemos aprender com eles, porque nós já nos esquecemos.

E há um respeito pela criança como humano, que é igual a estar a falar com um adulto praticamente e isso foi uma coisa que eu tive que reaprender estando lá, porque eu realizei que ele não tinha isso, não tinha essas ferramentas comigo e quis aprender.

Por isso essa foi a maior eu acho, a lição de estar lá, a parte da língua, da comida e da parte toda cultural.

Foi realmente abrir o mindset a outra maneira de educar.

 

Foi o país que te deixou mais saudades, Singapura?

 

Não, todos os países têm assim qualquer coisa que me deixou muita saudade, que me deixa muitas saudades.

Ali tivemos realmente um momento muito marcante, porque foi quase um sentimento do momento certo, no lugar certo para a idade deles certa.

E para a família foi uma viragem enorme, porque mudamos de mentalidade, mudamos de um mindset fixo para um mindset crescimento, que eu falo imenso que é o growth mindset.

E é uma maneira de ver as coisas ao contrário do que se vê cá na educação.

E foi uma coisa que nos transformou, transformou literalmente como mãe, como mulher, como humana e é tão fácil e é tão difícil ao mesmo tempo, mas nós pensamos são coisas tão pequeninas, mas que realmente transformam a confiança deles, a linguagem deles é uma coisa que é realmente quase difícil de explicar.

Por isso é que eu tenho muitos domingos para falar sobre isso.

 

Vamos falar sobre isso agora mesmo.

A Gracinha é uma produtora e uma praticante de educação positiva.

E tem o seu vlog de chamado números positivos, que eu desde já recomendado, aliás eu quero fazer aqui uma pausa e deixar uma nota pessoal.

Passei os últimos dias a preparar este podcast e tive a oportunidade de ver algum materiais que eu já conhecia e outros que conheci de novo.

O seu vlog é precioso, portanto queria exprimir a minha gratidão.

A forma gentil que apresenta uma série de missões.

Gentil consigo mesma, porque pronto foi um processo, não nasceu com aqueles conhecimentos, mas isto para quem nos está a ouvir, porque é natural que a gente sinta necessidade, culpa, medo de falhar.

E a forma como a Gracinha apresenta aqui é super lógico, superior. super gentil e fica.

Portanto as lições ficam, não só se calhar a parte mais técnica e teórica, como a parte prática e os conselhos práticos que dá.

Portanto eu há bocado em off, estava a pedir por favor de por aquilo em formato podcast, para poder ouvir enquanto estou a correr.

 

É já muita gente, eu vou trabalhar nisso.

Estou aqui à procura da melhor solução.

 

Muito bem.

O que é que é para si a educação positiva?

E qual foi sua maior influência original o que é que a fez prestar atenção a esta forma de educar?

 

Eu quando soube que estava à espera do meu primeiro filho, Santiago, em 2004.

A certa altura um mês ou dois depois o Miguel vê chegar, eu não vou mentir, deviam ser 150 livros de educação.

Eu não sabia nada, zero.

Era mais nova de três, não temos nem irmãos mais novos, nem primos mais novos, sou a prima mais nova da minha família, tanto de um lado como do outro, eu não tive o contacto com crianças na minha adolescência, a não ser os meus amigos na escola.

Por isso eu vejo a minha filha, a minha filha tem imensas, contacto com crianças muito mais novas que ela, bebés e tudo, tem um jeito enorme, pega neles, já sabe tudo.

Estou sempre dizer que ela vai ser uma mãe espetacular, à parte de ser uma profissional que quiser ser o que ela quiser ser espetacular também.

E então eu não tinha aquele reflexo de saber, eu não sabia trocar uma fralda, eu tive que pedir a uma amiga da minha irmã para me ensinar a trocar de fraldas, porque eu não sabia trocar, depois tive de aprender tudo do zero.

E tinha um receio enorme, uma sociedade muito grande de: será que estou a fazer as coisas bem, será que não estou, lia tudo.

E a única coisa que eu lia, eu tive uma mãe muito liberal, mas liberal com direção, que já na altura eu via bastante diferença entre como é que a minha mãe nos educava e como é que muitos outros pais que eu via educavam os meus amigos ou tias com os primos.

E eu já sentia que havia ali uma diferença.

Ouvia a nossa opinião, falava muito conosco e não havia, não me lembro de haver berros em casa, havia sobretudo elogios, se a minha mãe um bocadinho sem saber falava-me sempre de um psicólogo que era o Doctor Spock, que era muito americano, que era na altura muito diferente e muito radical e depois houve muito prós e contras na nossa geração do Doctor Spock.

Eu ainda fui comprar um livro do Doctor Spock, porque tinha sempre ouvido falar dele quando nasceu o meu primeiro filho.

Mas esse livros, os tais 50 livros que eu comprei, não me identificava muito com as coisas, porque a minha própria educação não tinha sido assim, era uma coisa muito mais tradicional muito mais e era muito pesada, era muito…

E eu lia aquilo e dizia: está bem, olha eu é que não percebo, isto tem que ser assim e isto é que faz bem às crianças e eu sei dizer que não e eu sabia dizer não e eles têm que saber ouvir não e regras e uma série de coisas que eu comecei a praticar.

Mas não sentia nada bem com isso.

Queria que o meu filho come-se bem à mesa com 18 meses, quer dizer, quando ele queria era brincar.

E tudo aquilo não jogava comigo e à noite quando me levantava às três da manhã e a meio da noite por causa de lhes dar leite, abria a televisão e estava a dar uma coisa que era o Doctor Field, na altura.

E só dava às três da manhã na televisão, em 2004, pelo menos.

E ele tinha uma versão e uma atitude para com os problemas de família que estavam a dar que eu comecei a ouvir, eu não sei porquê, passava ali parava a meio da noite e começava a ouvir, isto quer dizer é tão diferente, mas eu não conseguia, eu ouvi a fazia-me sentido, mas eu não conseguia processar a informação de modo a usá-la, também na altura o meu filho era muito pequeno, era bebé, por isso eu fiquei sempre mais agarrada ao lago das coisas tradicionais que eu tinha tido na escola e que tinha lido e com sempre aparecer-me muito muito negativo e eu com peso enorme de ir dormir a pensar: há aqui qualquer coisa que não está certo.

Por isso eu acho que comecei aí e depois já só foi, quer dizer durante, eles cá ainda antes de ir para Singapura, eu tentava fazer as coisas um bocadinho diferentes e tinha muitas pessoas um bocadinho a olhar, que eu senti: esta aqui não sabe, ou seja, não cumpre bem e houve uma pessoa uma vez que veio ter comigo e disse: a senhora não é boa mãe.

Ainda me lembro onde é que foi, foi aqui ao pé de onde eu vivia e a olhar, porque eu estava com os três, estava-me a rir estava, não era sobre ensinar naquela altura, eu queria era ter um bom momento e além de ficar olhar para essa senhora que conheço e pensar, ter pena dela, porque ela não estava a perceber a minha linguagem, mas eu também segui em frente.

E depois foi uma coisa natural, eu tinha sempre em mim um lado mais positivo.

Via a maneira que os professores, por exemplo falavam do meu filho Santiago que é que um desportista nato, precisa de espaço, precisa de se mexer, precisa de para aprender, ele precisa de espaço, porque eu não na altura não percebia, só percebi depois porquê.

E a maneira negativa quando olhavam para um reflexo muito natural dele, não revoltava-me, mas eu tinha pena de professoras que vinham ter comigo e que me diziam coisas que eu olhava para elas e dizia, eu pensava assim: não, a senhora é que só sabe ver dessa maneira, eu já sabia que deveria haver ali outra maneira.

Até que encontrei uma pessoa que para mim é a pessoa que mais percebe de educação positiva em Portugal, que se chama Gill Edwards, em Carcavelos.

E a Gil onde eu pus a minha filha Alice durante os tempos, é uma pessoa extraordinária e foi a pessoa que me abriu a porta da educação positiva e me mostrou Howard Gardner, que fala das inteligências diferentes.

E fui ouvir em Lisboa na altura, ele estava nos Estados Unidos, mas houve uma conferência com ele, ainda fui ouvir a Lisboa uma conferência com ele.

E comecei a ler, sobretudo as inteligências diferentes e no fundo isto do meu filho Santiago, não era défice de atenção, não era nada disso.

É um miúdo com inteligência espacial, que pode ir desde um neurocirurgião até um atleta de alta competição, foi um spam enorme de capacidades, mas que forçosamente não gostam de estar sentados numa secretária a fazer durante 6 horas do dia as coisas de uma maneira, quer dizer comecei a perceber que o ensino estava antiquado, que ainda praticamos um ensino da revolução industrial, por exemplo em Singapura já não há a campainha que chama, é quase um insulto para as crianças chamá-los com uma campainha.

Como se fossem gado ou como se fossem quer dizer, tudo isso são coisas que no mundo já estão a mudar, que em Portugal ainda estão muito atrasadas e que uma segue de pessoas e de passos na minha vida, me mostraram que há altos caminhos que abre as portas e daí eu querer passar essa informação.

Mas foram estas pessoas, o Doctor Field, a Gill e depois Singapura, que me abriram as portas aqui para a educação positiva.

 

E nós não vamos conseguir no tempo que temos falar sobre tudo, porque é realmente…

 

Claro claro claro.

 

Mas a Gracinha já fez um trabalho espetacular, porque apenas nos primeiros dezesseis episódios já temos alí imenso, com que entreter.

 

Claro.

 

Sente que os portugueses estão muito longe deste ideal, da educação positiva?

 

Eu já senti mais por acaso, acho que há uma vontade enorme, mas não há ferramentas, não há, eu vou ao Amazon ou vou a uma livraria quando estou em algum sítio e tenho muito mais, tenho aqui o meu cão que também quer participar, mas sinto que há o material em português falta.

E eu acho que não é por vontade, por exemplo os próprios professores também têm uma vontade enorme de mudar, eu tenho imensos professores a mandar-me mensagens que estão a aplicar algumas coisas nas salas de aula dele, eu acho que não há ferramentas para a formação.

E tem que haver mais ferramentas, tem que haver mais livros, tem que haver mais ferramentas na internet, em português, que passem esta mensagem da educação positiva de forma coerente, não como um método alternativo e a permissivo, que é uma coisa completamente errada sobre este método.

Não é um método, não é uma educação permissiva e então não vamos pensar na educação positiva como um método de meio permissivo, nem completamente anarquia total.

As crianças podem fazer o que quiserem, um dia temos que ver uma mensagem a perguntar se as crianças não ficam selvagens.

Não, não ficam.

Ficam felizes e os pais também e as salas de aulas também e encontram-se capacidades e percebe-se que há um progresso e não é, não é uma ditadura, não é?

 

A Gracinha costuma dizer imensas vezes e muito bem, que educar não é mandar, educar é guiar.

Nesta altura do confinamento como é que nós temos guiar estes pais a eles próprios começar a se calhar a praticar um bocadinho atualmente as vogais da educação positiva?

Tem alguma dica, ou primeira acha mais importante…

 

É respirar, é respirar.

Aprender a respirar, porque nós não respiramos, nós reagimos.

Então a nossa educação é baseada no reflexo animal.

É o eu dizer o não, logo, como se fosse autoridade e como se isso nos fizesse ser bons educadores não estamos a ensinar absolutamente nada com um não.

Então vamos, em vez de dizer: não comas de boca aberta, dizer podes te engasgar.

E deixar que a criança perceba o que é que tem que fazer e nós ensinarmos qualquer coisa.

Uma coisa que acontece, que é espetacular, com a educação positiva, é que as crianças a nível de co-eficiência, nem falo da emocional, obviamente porque essa é óbvia, mas a nível de co-eficiência inteligência tem muito mais alto com a educação positiva, do que com a educação tradicional, porque ouvem, porque raciocinam, porque há uma conexão de neurônios muito maior na interação entre adulto e criança, do que cortar ali as vasas e acabou, não faz, nah nah nah.

Então ficam robôs, que depois mesmo na vida, vão ser pessoas com muito menos iniciativa com muito menos poder de raciocínio, porque estão habituadas a que alguém lhes diga não, sim, sai.

E depois de repente chegam aos trinta e aos quarenta e são adultos insatisfeitos, que não percebem porquê, mas no fundo não são eles próprios, porque isto depois vai em crescendo e é uma coisa gravíssima, que hoje em dia sabemos a importância da saúde mental, não é?

Agora, eu acho que aqui a importância do respirar, que é muito simples e eu até disse no outro dia numa conversa, não foi a brincar e se tiver dificuldade em respirar, encha a boca de água e deixe o sentimento das explosão passar. E só depois é que engole, se for preciso é um primeiro, é um primeiro exercício, porque é difícil.

O nosso reflexo está a dizer que não, porque foi o que nós ouvimos.

E os pais queixam-se das crianças dizerem que não de volta ou responderem ou não fazerem, mas elas estão a ouvir isso o dia todo dos pais e dos professores.

Por isso eles estão a imitar, eles não conhecem também outra forma de comunicar, por isso o respirar, o voltar a nós, o ver a situação de fora, o perguntar porque é que eles fizeram isto: porque é que fizeste isso? Qual foi a tua ideia quando fizeste isto? Deixa-me eu perceber o que se passou pela cabeça.

Eu às vezes mudo de ideia depois dos meus filhos me explicarem porque é que fizeram alguma coisa que eu achei que estava errada, que eu digo: olha, realmente isso não foi má ideia, mas…

E depois digo o que é que eu tinha para dizer.

Ver se calhar da próxima vez tenta desta maneira, porque é que tem que ser de uma forma agressiva?

Porque é que tem que ser de uma forma negativa?

Nós se estivéssemos no trabalho e alguém estivesse a berrar connosco o dia todo e a dizer que estamos a fazer tudo mal o dia todo, que é o que a maior parte das pessoas faz com as crianças, nós fechavamos-nos, a dizer não quero estar aqui, eu não sou feliz no meu trabalho, quero me ir embora,

Eles não têm essa hipótese.

 

Eu vou reforçar tudo o que a Gracinha disse, eu concordo com tudo.

Se calhar dar uma outra imagem para os pais e para as mães mesmo um bocadinho mais técnicos, nós somos um conjunto de hardware e software.

O nosso hardware é a nossa biologia, a nossa genética, nós não conseguimos fazer muito em relação a isso.

O nosso software é a nossa educação, não só intelectual como emocional.

E há bom software e há mau software, nós podemos receber maus modelos e portanto ficamos contaminados com esses exemplos.

E é difícil  às vezes sair deles e requer muito trabalho.

Ou podemos ter um bom software e tudo fica mais fácil, não é?

E eu acho que a Gracinha explicou isso muito, muito bem.

Agora com os seus quatro passos filhos, que estão entre os seus 10 e os 16 anos se não me engano.

Quais são os seus planos para as próximas semanas?

Tem uma agenda para o confinamento?

 

Tenho, tenho uma agenda para o confinamento e eles não deixarem de aprender e não deixarem de, educação é um direito humano.

E nós não vamos tirar a educação aos nossos filhos, portanto os nossos filhos vão continuar a estudar em casa, com coisas que eu lhes vou dar e com conteúdos que está na internet e vão continuar a explorar o que gostam e vão continuar a sua aprendizagem, não vai haver aqui momentos a nível das horas de escola,

Nós cá em casa vamos continuar a dar valor à aprendizagem, à educação e a explicar-lhes o importante e a sorte que eles têm de viver numa democracia e de poder continuar a aprender e a sorte que eles têm de estar em casa seguros e não estarem num hospital e aproveitar ao máximo para que um dia, se for preciso, a geração deles salvar a humanidade como os médicos e os enfermeiros estão na frente, não é?

A fazer agora, se de repente as crianças deixam de estudar e não há médicos, não há enfermeiros e vem uma pandemia na geração deles e não há pessoas com as competências com as que temos agora, para poder salvar a humanidade.

Por isso é uma coisa que vai acontecer.

E depois é o lado criativo e da brincadeira que vai ser importante manter também, porque é o que as crianças precisam, elas gostam de brincar, precisam de brincar.

E eu acho que é muito importante nós pais percebermos que eles também estão em tensão, eles também estão fora da sua normalidade e nós temos que perceber que se eles estão nervosos ou ansiosos, eles não sabem dizê-lo.

Eles vão mostrar no seu comportamento.

Por isso podem mostrar desorientação às vezes a fazer a coisa que nós achamos errada ou a chamar a atenção de uma forma mais negativa, porque não sabem verbalizar de outra forma.

Por isso é importante, se calhar em vez de dar logo um berro e eu sei que estamos todos um bocadinho nervosos e ansiosos, mas procurar mesmo ferramentas de evitar o berro, porque depois é uma coisa continua e que não ajuda ninguém, nem os pais nem os filhos.

Isso às vezes, dizer o que é que se vê.

Eu também disse isso numa conversa, é eu vejo que partiste qualquer coisa ou eu vejo que pintaste na uma coisa, pintaste na parede, eu vejo que pintaste na parede.

Está te apetecer desenhar?

Tenho ali, vamos aqui já fazer.

Em vez de zangar, já se vai já vai falar sobre o assunto.

Mas ele não está a pintar na parede, porque o quer magoar o pai ou a mãe, é interesse das crianças não é serem desobedientes, não é?

É ele estarem orientados, vamos orientá-los.

Está te a apetecer desenhar?

Estamos aqui, o que é que te apetecia desenhar? Vamos começar a desenhar.

Ah eu queria desenhar o foguetão.

Então vamos.

Vamos investir naquele momento que ele quer, que é de atenção e criatividade e depois vamos falar sobre: olha, se calhar. Eu chamo a isto a técnica da sanduíche.

É primeiro abrir a porta, é que giro, está te apetecer desenhar.

E eles olham para nós, já temos a atenção dele.

Sabe se calhar em vez de pintares na parede vamos antes pintar numa folha que eu essa posso guardar para sempre comigo.

Então e depois vais me ajudar a limpar a parede.

Isto é ensinar, é criar uma conexão, é depois também ensinar a limpar.

Mas não é atacar.

 

Claro.

Eu vou aproveitar para agradecer os comentários, estamos a receber imensos comentários aqui nas plataformas do Facebook e no YouTube.

Inclusive o Nuno Pinto Martins, que também é uma referência aqui na educação positiva, também nos está a ver, deixou aqui uns comentários muito valiosos.

Gracinha num dos seus primeiros vlogs, contou uma história super comovente, que eu me lembrei, sobre um filho seu partiu um conjunto de pratos e que a Gracinha explodiu e

depois ficou toda uma história por trás.

Portanto eu convidava a recontar, porque eu acho que é um exemplo.

 

Não prometo não chorar.

 

Histórias bonitas, não é?

Eu acho que ou podem ficar traumas às crianças para sempre ou podem ficar memórias bonitas de aprendizagem para os pais e para os filhos e essa realmente é muito bonita.

Quer que eu conte?

 

Por favor.

 

Então, mãe trabalhadora, mas eu respeito imenso as mães que ficam em casa, porque eu acho que é um trabalho duplamente difícil.

Mas cheguei a casa cansada depois de um dia estressante de trabalho, o meu filho tinha partido uma série de pratos na cozinha, a minha primeira reação foi zangar-me, vou chorar.

Era zangar-me com ele, porque eu sinto me naquela altura que era uma bruxa, que já não é quem eu sou hoje em dia.

Zangar-me com ele e agora de repente já não me lembro os detalhes que eu contei na outra, mas com uma reação percebi, houve ali um momento em que eu percebi, que o estava a magoar com o meu ralhar com ele e ele depois veio ter comigo ou quando eu fui deitar, já não me lembro bem e ele no fundo que queria lavar os pratos antes de eu chegar a casa para ajudar.

Por isso, pensem duas vezes antes de gritar com os vossos filhos, porque eu acho que a maior parte das vezes eles só querem ajudar.

 

Sim.

Então essa história comoveu-me a mim também, tenho umas parecidas também e aliás eu tive que parar de correr e passar a andar, porque estava a precisar de focar a minha atenção nesse momento e eu não sei a palavra, era mesmo mergulhar daquela sabedoria, aquela conexão que nós conseguimos naquele segundo.

E eu acho que é uma história que nos pode inspirar realmente e taparmos, não é?

Nesse sentido às vezes mais negativos e são totalmente humanos, mas que às vezes são totalmente injusto também, não é?

 

É verdade.

Eu acho é que há aqui uma herança que vem de uma época completamente desatualizada, anos 50 anos, que nós temos que mostrar que sabemos tudo como educadores e nós é que sabemos e ao dizer um não nós estamos, eu digo sempre nas minhas nos meus domingos positivos, nas minhas conversas é: saiam da vossa torre de autoridade, que não existe e vamos educar humanos, vamos aprender com eles, vamos conversar, vamos aprender a dialogar, porque o que nós estamos ensinar é a discutir, é estamos a ensinar para a vida, o que é que é uma relação?

É a discutir?

É a minha opinião e a tua opinião e onde é que está a diplomacia?

Onde é que está o ouvir o outro?

Ouve-se tanto as pessoas a dizerem, mas depois não praticam com os próprios filhos.

Portanto eu acho que vamos quebrar com uma herança desatualizada, uma educação desatualizada e obsoleta e vamos criar humanos, vamos guiá-los a ser o adulto que nós gostávamos que os nossos filhos fossem, não é?

 

Totalmente.

Há um livro que me marcou imenso que se chama os Fours Agreements do Miguel Ruiz e dois dos agreements tem muito haver com esta história que aconteceu.

Um deles é não levar as coisas a peito.

Pronto.

Os pratos não foram partidos para nos ofender.

Outra coisa é não assumir nada, saber perguntar.

Claramente que se perguntássemos, se calhar não nos tinhamos zangado e pratos são pratos, não é?

Mesmo que sejam os pratos preferidos, que tenham custado uma fortuna.

A intenção era totalmente boa e aconteceu pronto.

 

Eu vou só aqui dar uma dica, que ao princípio me ajudou imenso que eu parecia a mãe maluca, mas é, uma pessoa tem realmente a reação do berro, não é?

Ou de zangar e eu começava a cantar, às vezes os meus filhos eles eram pequeninos, achavam que eu tinha…

Faz de conta que eram os pratos, agora não foi, porque eu não fiz isso nesse dia, mas partir os pratos.

Eu queria era gritar, mas queria era, não vamos repor o berro para trás e começar a cantar e fazer disto uma brincadeira.

Mas é um bom truque também começar a cantar e a dançar e ao mesmo tempo aquilo fica o tal jogo.

Eu acho que quando há associação positiva com as crianças, há aprendizagem.

E as pessoas não percebem quando há associação negativa, corta-se, não se está a ensinar nada.

Por isso, se nós conseguirmos que aquele momento onde nós iamos-nos zangar, se torna uma associação positiva a qualquer coisa, estamos a ensinar muito mais do que se nos zangasse-mos com eles.

 

Claro.

Gracinha, há pessoas incrivelmente estressadas agora com a questão do confinamento.

O que é que nós podemos, qual é o bright side desta história para si?

 

Eu acho que se conseguirem criar conexão com os filhos em casa, não é?

Eu acho que mais cedo do que nós achamos, quer dizer numa vida inteira, isto vão ser eventualmente um ano e meio dois anos, não é?

E da nossa vida completamente com uma mudança imposta que foi esta pandemia, mas se podermos pensar em alguma coisa, nós nunca mais vamos poder recuperar o tempo que temos a ter com os nossos filhos em casa, nunca mais.

E eles estão a ver os pais deles em casa, por isso eles vêm ter connosco.

Eu ontem estava a ter uma reunião de Zoom com uma colaboradora minha e o filho dela pequenino, dois anos, sempre a querer chamar a atenção, às vezes ela conseguir distrair.

Eu como líder da equipa, falo com outros com a maior paciência, quer dizer se é preciso parar, para ele está a precisar de atenção, ele está em casa com a mãe e ela a pedir-me desculpa.

E eu disse: não é preciso pedir desculpa, está aí, ele está a ver a mãe, ele quer brincar com a mãe.

Por isso quando ele precisava e eu disse a certa altura: olhe, vamos parar a reunião 10 minutos, eu já volto a ligar.

Que era para ela dar a atenção que ele precisava e depois porque eles têm a necessidade de atenção, não é?

E se não a tem, vão começar a chamar de formas que eles puderem e tem a necessidade de ter poder de decisão desde que nascem.

Por isso é que as crianças fazem birras.

Quando não têm o poder de decisão necessário em casa, nem que seja coisinhas pequeninas, desde que têm 2, 3 anos, eles vão começar a fingir.

Por isso eu acho que é importante agora que estão em casa, pensar que nunca mais vão ter a oportunidade, nem que seja, podemos chamar assim mesmo que seja dentro de um momento difícil mundial e nacional, de criar conexão com os vossos filhos e isso é a coisa mais importante na vida de um educador de um pai e de uma mãe, é o quanto a conexão que conseguirem fazer nos anos em que estão com eles em casa.

 

Exatamente.

Concordo a cem por cento.

Gracinha, gostaria de recomendar algum livro, algum filme, algum conteúdo que a tenha marcado recentemente?

 

Sim.

Há vários.

Eu acho que há um livro fantástico que é, eu não sei se há em português, mas que é o “How talk so kids will listen and listen so kids will talk”.

Como falar para as crianças ouvirem, como ouvir para as crianças falarem.

Isto foi uma coisa que eu li num livro que já tem várias edições, que eu li logo ao princípio e que ainda hoje pratico coisas que aprendi nesse livro, é extraordinário, é realmente já formas de educação positiva, vem em bandas desenhada.

Como é que as pessoas normalmente dizem e como é que podem dizer de forma positiva à mesma coisa.

Acho que é um livro fantástico, acho que o mindset que há em português, da Carol Dweck.

A Carol Dweck é extraordinária também para se perceber a mudança do mindset fixo da educação tradicional para o mindset vivo.

E acho que há uma plataforma muito muito boa, que também já aconselhei que é o The Big Life General, que ensina para pais e para filhos. É para filhos mas acho que os pais também aprendem e adolescentes também, também estratégias do tal mindset de crescimento que é também uma das bases da educação positiva e de ver a vida de uma forma mais positiva.

Ok.

Se tivesse um cartaz gigante que toda a gente pudesse ver.

Qual era a mensagem que escolheu lá colocar?

 

Qualquer coisa ligada com o erro, como eu estava a dizer.

Ou seja, ou punha uma mente negativa nunca vai ter um dia positivo.

Ou punha não é?

É mesmo, porque a pessoa mesmo que é o não não não, não vai e a pessoa que só vê o problema dos outros e não começa a ver o que é que ela faz para influenciar ir à volta dela.

É uma pessoa que que ainda não percebeu que tem que ver as coisas de outra perspectiva.

Mas acho que o mais importante é não tenha medo de errar, o erro é uma lição.

E aquela coisa que eu costumo sempre dizer, não existem crianças desobedientes, só existem crianças desorientadas e nós estamos cá para as guiar.

 

Muito bem.

Que más recomendações é que costuma ouvir relacionadas com sua profissão ou com a parentalidade?

 

Que mais quê?

Desculpe.

 

Más recomendações, ouviu e não concorde com isto.

 

Mas em relação ao quê? À educação?

Ou?

 

E também à decoração, se encontrar porque se calhar as duas são importantes e ninguém sabe mais que a Gracinha.

 

A educação, na decoração acho que duas coisas.

Acho que as pessoas às vezes têm um bocadinho, se calhar porque a vida corre e não temos muito tempo para parar e pensar, olhem nós próprios, quem somos mesmo, o que é gostamos, quase fazermos um questionário, desafio as pessoas que estão ouvir, a fazerem um questionário em casa para se conhecerem melhor.

Será que estão a ouvir a música que gostam mesmo, será que estão a comer a comida que gostam mesmo, será que estão a viver não é?

Como as cores que gostam mesmo.

E isso, fazerem um questionário para se auto conhecerem e depois também ajuda na educação.

Mas eu acho que um dos erros que as pessoas acham na decoração, é que acham que uma sala com pouca luz natural, tem que ser branca ou de cor ou sem cor quero eu dizer.

Quando que uma sala com pouca luz natural usufrui muito mais com a cor e torna-se muito mais confortável com um certo tipo de cor do que se ficar branca, porque achamos que o branco é uma cor clara, por isso a sala fica mais clara por estar branca.

E não é verdade.

Fica uma uma sala às vezes um bocadinho, os ingleses dizem “Lumy”.

Assim um bocadinho, não é carne nem é peixe, só por a pessoa ter medo de perder luz.

E se pusesse uma luz e arriscasse uma cor e arriscasse se calhar já tinha uma sala com mais personalidade onde gostaria de estar, isso é uma dica.

 

E em relação à parentalidade?

 

A parentalidade…

 

Más recomendações que costuma ouvir.

 

Más recomendações, ai são tantas.

 

Pode não haver, às vezes é difícil, às vezes é sensível o tema mas…

 

Não.

Eu digo-lhe uma coisa.

Noutro dia estava a ter, esta semana tive aqui um desentendimento com um dos meus filhos e porque tinhamos os dois opiniões diferentes.

E a certa altura ele virou-se para mim e disse: oh mãe.

Ele tem 14.

Oh mãe, os adultos têm a mania de, como é ele disse?

Eu até mandei a mensagem ao meu marido por WhatsApp para não me esquecer, mas estava tão certo.

Os adultos tratam as não…

Ah os adultos querem que os adolescentes hajam já como adultos, mas não nos deixam decidir como adultos.

Foi assim qualquer coisa desse género.

E eu fiquei a olhar, ele desarma-me sempre com essas coisas e depois de eu estar ali a defender a minha opinião, eu olhei para ele,dei-lhe um abraço e disse: oh Guilherme, tens toda a razão, desculpe desculpe.

Eu peço imensa desculpa e tenho imenso orgulho de ser uma mãe que pede desculpa e que eles saibam que os pais estão a crescer como eles e erram como eles, falamos muito disto cá em casa.

Mas isto de nós exigirmos até aos pequeninos, que façam coisas que nós não fazíamos com a idade deles, às vezes esquecemos que já tivemos a idade deles.

E depois nós não fazermos ou nós não nos deixarmos fazer, não é?

É típico e é uma coisa que podiamos todos melhorar isso.

 

Muito bem.

Eu tenho aqui uma última questão.

Gracinha, quando se sente assoberbada, perdida ou sem foco.

O que é que faz?

 

Tiro os sapatos, ponho os pés no chão.

“Keep Ground” de enraizada ponho os pés no chão e respiro.

Eu acho que o respiração é, há duas coisas que são fatores enormes a olhar nos.

É o cansaço e isso obviamente estamos todos, então agora com o trabalho em casa, com os filhos, com escolas não escolas, a tentar arranjar um equilíbrio, muito rapidamente a ebulição sob, não é?

Para a panela de pressão arrebentar.

Mas eu acho que vamos realinhar, vamos parar, vamos ter aqueles momentos para mim, houve, nem que seja escondidos, mas é verdade houve umas conversa qualquer, que eu disse: não, tenham o vosso ritual.

Eles desde muito pequeninos, eu agora já não bebo café, mas eu bebi café durante muito tempo e aquele momento do café para mim era o realinhar e a pensar que podemos ter vários por dia, não cafés, mas momento de realinhamento e não sei como se diz em português.

É realinhamento que se diz?

 

Sim, sim.

 

E como eles estudarem, eles não conseguem estudar durante horas, os meus filhos de x em x tempo param, nem que seja 10 minutos.

Vão dar uma voltinha, correm, brincam com qualquer coisa durante 15, 10 minutos e voltam.

Porque o cérebro precisa.

Portanto o cansaço extremo, temos que estar atentos a isso, então eu de vez em quando várias vezes durante o dia, gosto de tirar os sapatos, gosto de fechar os olhos e respirar.

E respirar oxigênio ao cérebro, darmos espaço para pensarmos em soluções rápidas, às vezes problemas diários aqui em casa, onde seja, com as crianças.

Respostas rápidas e é muito importante respirar.

Eu até pus no meu Instagram, respire fundo, tape o nariz de um lago.

Expliquei aí mesmo.

Faça as vezes que for preciso, de olhos fechados, porque e as pessoas realmente deram-me um feedback espetacular, porque realmente sabe bem respirar durante x minutos e voltar a fazer várias vezes durante o dia.

 

Uau.

E é uma excelente dica também de parentalidade.

Pronto.

Quando nós damos esse exemplo, se calhar as crianças aprendem muito mais facilmente do que se nós tentássemos impor respirar, dizer às vezes não adianta nada, mas praticar adiante totalmente, não é?

 

Sim.

 

Portanto eu acho que isso é precioso.

E é uma forma também de cuidarmos de nós próprios e se não estivermos bem, não vamos conseguir ser bons pais.

 

Claro.

 

Gracinha, muito obrigado por este tempo.

 

Nuno muito obrigado também.

Desculpe.

 

Mas foi precioso e enfim.

Espero poder repetir isto outro dia, quando tiver tempo para nós.

Obrigado pelo sábado e qualquer coisa que precise por favor dispunha está bem?

 

O quê, o quê? Desculpe.

 

Obrigado por este bocadinho do seu sábado.

 

Obrigada.

 

Qualquer dúvida, disponha.

 

Está bem.

Obrigadíssima, Nuno.

Obrigada e obrigada a todos que estiveram aqui.

 

Obrigado.

Até à próxima.

Obrigado.

 

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Como Brincar com Bebé? Top 10 Brincadeiras e Estímulos 0 a 6 meses.

Como Brincar com Bebé. Top 10 Brincadeiras e Estímulos dos 0 aos 6 meses

 

 

NOVO Programa para brincar com o seu bebé em casa. Faça ao seu ritmo. Deixe o resto connosco.

Conheça as 10 melhores brincadeiras e estímulos para fazer com o seu bebé desde o nascimento até aos 6 meses, com a garantia do Gymboree Play&Music!

Neste início de vida está a desenvolver-se a calma, o interesse e a curiosidade do seu bebé pelo mundo ao seu redor; são meses de muita descoberta do próprio, do outro e do envolvimento. Estas são brincadeiras simples, divertidas e muito estimulantes, que poderão fazer juntos e que ajudarão estreitar os laços afetivos do adulto e do bebé.

Gostaria de ver alguma brincadeira em particular?

Clique nos links em baixo e divirtam-se muito!

Brincadeira #1: Dancem juntos 01:06

Brincadeira #2: Expressões divertidas 02:31

Brincadeira #3: Balançar na bola de praia 04:10

Brincadeira #4: Rola a bola, apanha a bola 05:39

Brincadeira #5: Tummy time com espelho 07:10

Brincadeira #6: Brincar com luzes 08:05

Brincadeira #7: Vamos esticar este corpinho 09:07

Brincadeira #8: Divirtam-se com os sorrisos 10:42

Brincadeira #9: Brincadeiras sonoras 11:48

Brincadeira #10: Uma brisa suave 13:21

 

Olá, tem um bebé até seis meses? Sim?

Então este vídeo é para si, eu sou a Carolina e vou apresentar de top 10 brincadeiras e estímulos para bebés até aos 6 meses.

 

Nestes primeiros meses de vida do bebé o que ele mais precisa é de si, e tem em si tudo o que seu bebé precisa para estar bem nestes primeiros dias em que se estão a conhecer, descobrir se a vós próprios, o bebé que conhece melhor o adulto que cuida dele e o próprio adulto que se descobre a si num novo papel.

Nestes primeiros meses está a desenvolver-se a calma, o interesse e a curiosidade do bebé pelo mundo à sua volta, enquanto brincam vão poder estreitar o vosso laço efetivo e isso servirá de base para as novas descobertas e conquistas que aí vêm.

Vamos então ver as 10 melhores brincadeiras para o seu bebé até aos 6 meses.

Bom, é a primeira dica de brincadeira, a sugestão que vos faço é que dancem juntos, com o seu bebé ao colo, procurem um momento em que está tudo calmo e que possam aproveitar para se embalar um ao outro para relaxar, para descontrair e para saborearem este momento. Que pode demorar o tempo que o bebé deixar e quiser, que pode observar algumas respostas por parte do seu bebé.

Mesmo muito pequenino, pois ele abrirá mais os olhos ou poderá mexer um pouco a sua mão quando ouve sua voz, quando sente o seu cheiro e quando é embalado.

Ponha uma música que goste, ou cante para o seu bebé uma música que até se pode recordar ainda da sua infância. O importante é que desfrutem deste momento, que embale o seu bebé, que lhe permita também sentir movimentos diferentes que estará a estimular assim o seu sistema vestibular, o equilíbrio do seu bebé.

Quando se desloca e por tanto através do movimento do bebé, desenvolve também a sua motricidade.

 

E esta é a nossa dica número 2 para brincar com seu bebê até os seis meses.

Não vai precisar de mais nada, a não ser de si, das suas expressões faciais divertidas, da sua voz que pode ir variando o volume e assim despertar a curiosidade e o interesse do seu beber e desenvolver a sua comunicação, aos poucos e poucos o bebé vai começando a prestar mais atenção às palavras que lhe fala e vai começar a memorizar pequeno sons, que depois poderá devolver-lhe e vai ficar surpreendido de ver como o bebé já consegue pronunciar pequenas sílabas. Coisas simples como lhe dizer “bruuuuu, é um carro!” enquanto olham pela janela do quarto repetitivos e repetir o som várias vezes “brrrrrr”, o carro, o carro a apitar. Como faz? “Pipiiiii”, é um carro!

Converse bem com seu bebé, use as palavras adequadas, faça sons divertidos e vai ver como o seu bebé se entusiasma nestas comunicações. Ou de manhã, dizer-lhe um olá divertido a cantar.

Olá como estás? E como é que vais? É tão bom ver te hoje!

Olá como estás?

Olá meu bebé! Olá olá olá!

A repetição é também uma chave para o sucesso.

E vamos à dica número 3.

Desta vez para estimular o equilíbrio do bebé.

A acompanhar também. Ohh enganei-me! Então vamos repetir!

Ao mesmo tempo que o bebé vai ao fazer esta brincadeira desenvolver o seu equilíbrio, estará também a fortalecer as suas costas e força no pescoço.

E o que é que vamos precisar?

De uma bola de praia, ligeiramente vazia.

Vamos colocar o bebé por cima da bola. Com a sua barriga e peito apoiados, os braços colocados para a frente. E vamos manter contacto visual com o nosso bebê para que ele esteja confiante na brincadeira e ligeiramente vamos fazendo movimentos lado a lado, para a frente e para trás. E convém manter esta atenção aos sinais que o bebê dá. Como está o bebé a reagir à brincadeira.

Se notarem desconforto, basta então segurar novamente o bebé no colo e deixar o bebé descansar um pouco, para depois retomar à atividade.

 

E aqui vamos nós para a quarta dica de brincadeira para os bebés até aos seis meses. Continuamos a usar a bola de praia ou uma outra bola que tenham por casa.

Desta vez para estimular a coordenação hormonal do seu bebé.

Com esta ou com outra bola poderão jogar a bola um para o outro, estando o bebé apoiado e colocando a bola ao seu alcance.

Poderão fazê-lo como o disse, com o bebé apoiado no seu colo ou então deitado à sua frente, vamos mostrar a bola ao bebé e estimular, incentivar o bebé a alcançar a bola, colocamo-la a uma distância de 20 centímetros para reconhecer o objeto.

E colocando-a próxima das suas mãos, vamos estimular o bebé a agarrar a bola e assim coordenar o movimento da sua mão, com o que os seus olhos vêem, neste caso a bola.

Poderão também, suspender umas bolas com uns fios e assim incentivar o seu bebé a agarrar a bola, a querer tocar-lhe.

Os bebés adoram brincar com bolas!

Dá cá mais 5 Gymbo!

Vamos à quinta brincadeira.

Vamos precisar de um espelho que possam colocar no chão e com ajuda da manta enrolada, colocar o bebé deitado de barriga para baixo assim a fortalecer músculos do tronco, pescoço e dos seus braços e vamos juntar umas bolas ou outro brinquedo que o bebé goste especialmente, estamos a desenvolver também o laço afetivo, uma vez que mantém o contacto visual através do espelho, será muito divertido também observar como o bebé acompanha a bola em movimento pelo espelho. Podem ainda juntar alguns sons. Fazer “cú cú!”

Onde está o bebé? Cú cú

É a mamã e o bebé no espelho!

 

E esta é a dica número 6!

Vamos usar a lanterna para estimular a visão do bebé, com a lanterna ilumine a palma da sua mão. Desloque-a de um lado para o outro.

Assim estamos estimular a visão do bebé, uma vez que existe aqui o contraste da luz numa zona não iluminada. E desta forma o bebé está a desenvolver a sua capacidade de focar cada vez melhor, de conseguir distinguir cada vez mais cores.

Este é um processo lento até mais ou menos perto de um ano, a visão do bebé a desenvolver passo a passo, poderá iluminar também o seu rosto mas por poucos segundos, que é para o bebé não estranhar a diferença que é no rosto da mãe ou do pai. E continuar a conversar com o bebé para não fazer então tanta confusão.

 

E vamos à brincadeira número de sete.

Desta vez, para estimular a consciência corporal e também para ajudar o bebé recém-nascido, muitas vezes a libertar-se da sua posição fetal, por tanto vamos ajudar o bebé a esticar os seus braços as suas pernas, no fundo a ajudá-lo a tomar por mais conhecimento sobre o seu corpo.

Do princípio e do fim. Pois agora fora da barriga da mamã, é um ser separado de outro e o bebé vai ganhando esta consciência aos poucos e poucos através das brincadeiras do toque que lhe fazemos, neste caso a esticar e vamos acompanhar a brincadeira com uma música.

Oh joaninhas, estica estica! Oh joaninha estica assim! Oh joaninha, estica estica! Oh joaninha vem pra mim!

E vamos às pernas.

Oh joaninha, estica estica! Oh joaninha estica assim! Oh joaninha, estica estica! Oh joaninha vem pra mim!

 

E segue-se a brincadeira número 8.

Esta brincadeira será para estimular o sorriso do seu bebé. Ali perto dos dois meses, é muito comum observar o bebé a sorrir.

Usei uma cartolina preta e com um lápis branco desenhei um sorriso. Desta forma, com o papel preto e o desenho a branco, é fácil do bebé desde logo muito cedo conseguir observar e distinguir bem a imagem.

Visto que o bebé nos primeiros dias tem preferência por tanto por cores branco, pelo preto e pelo contraste entre estas duas cores. E também gosta muito de formas redondas e assim mostrar ao bebé, à distância de cerca de 30 centímetros, para o bebé conseguir ver bem, sabemos que os bebés reagem de forma mais positiva às caras sorridentes e a dica é que, riu muito, que se divirtam a brincar com os sorrisos.

 

E vamos à brincadeira número 9, para estímulos aos bebés até aos 6 meses.

Pode se divertir com o seu bebé, também com brincadeiras sonoras para estimular a audição do bebé.

Este é um dos sentidos que já está bem desenvolvido à nascença, uma vez que o bebé dentro da barriga da mãe já ouve vários sons e é capaz de os reconhecer cá fora, por isso vale a pena cantar músicas e reproduzir alguns dos sons também do ventre materno para acalmar o seu bebé.

Para esta brincadeira vai precisar de uma garrafa de água vazia e depois colocar algumas miçangas coloridas, garantir que na zona da tampa da garrafa ela está bem selada com uma fita cola por exemplo, e ainda usar algumas fitas para decorar também esta garrafa e tornar assim o objeto mais atrativo. Pois esta brincadeira é um estímulo auditivo mas também visual, em termos da audição vai estar a desenvolver a capacidade de o bebé, identificar a origem do som e neste caso brincamos com o bebé, hora de um lado e hora do outro.

E realmente até deslocamos o objeto, fora da visão do bebé, porque o bebé realmente procure o som da garrafa, pode juntar ainda uma música à brincadeira, por exemplo sobre a chuva.

 

E chegámos à brincadeira número 10.

Esta brincadeira vai ao encontro da estimulação tátil.

Assoprar.

Uma brisa suave.

Enquanto brincam dentro de casa, é também uma maneira de se imaginarem num passeio na rua.

 

E vamos soprar várias partes do corpo do bebé, pois assim também ajuda à consciência corporal.

 

O bebé vai tomando conhecimento acerca do seu corpo. Neste contacto com o meio envolvente e com quem cuida do bebé e poderão ainda usar uma fraldinha do bebé para fazer um movimento como se o vento estivesse aqui.

E é também um estímulo visual para o bebê acompanhar a fraldinha em movimento, como o vento.

Os cabelos do bebé, a orelha e ainda no pé.

E o que é ainda mais divertido é poderem soprar em zonas que são menos expostas, como por exemplo os espaços entre os dedos dos pés, das mãos e soprar cada pedacinho do corpo do bebé, que vos ajuda também a manter esta relação de proximidade e permite vos, conhecer coisas novas no bebé que nós não conseguimos ver logo à primeira vista. E portanto o laço afetivo também se fortalece.

E foi este o nosso top 10 brincadeira e estímulos para os bebés até aos seis meses.

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Fique por aí, fique atento!

Ai! Agora sim, é o avô.

Pronto. Já não vou filmar mais nada.

 

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O Tempo das rotinas divertidas 1

O Tempo das rotinas divertidas

O que é o tempo? (Rotinas Divertidas)

 

O tempo abarca diversas definições conforme a disciplina a que se refere.  No dicionário encontramos tem·po (latim tempusoris), nome masculino:

(“tempo”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/tempo)

1. Série ininterrupta e eterna de instantes.

2. Medida arbitrária da duração das coisas.

3. Época determinada.

4. Prazodemora.

5. Estaçãoquadra própria.

7. Estado da atmosfera.

8. [Música]  Cada uma das divisões do compasso.

A propósito deste tempo aceite o desafio do alfabeto de movimento que temos para si e para o seu filho com a quinta interactiva da Chicco.

 

O tempo das rotinas diárias

No que ao universo das famílias diz respeito, o tempo dos ponteiros do relógio é o que mais conta.

São muitas as famílias que veem o tempo não chegar para tudo o que gostariam de fazer ao longo do seu dia, vivendo num malabarismo constante entre as tarefas do trabalho, da casa e os filhos. O tempo parece escapar das mãos e andamos sempre a corre atrás dele.

Isso também é verdade quando constatamos o quanto os filhos cresceram! Ouvimos muitas vezes os pais dizerem “O tempo voa!” , “Ó tempo vai mais devagar!”. Isto deve soar-lhe familiar não é?

Os pais desejam tempo de qualidade com os seus filhos, para se poderem demorar em longas brincadeiras e refeições calmas e sem horas, e tendem a esperar pelo tempo das férias ou daquele fim-de-semana prolongado, para o poderem fazer e desfrutar de um bom tempo com os seus filhos.

Sabia que não tem de esperar mais? Pode começar já hoje a aproveitar ao máximo os minutos que tem com o seu filho.

Oiça aqui a opinião da Psicóloga Inês Afonso Marques da importância de 15 minutos de brincadeira por dia com o seu filho e como esse tempo especial tem impacto na vossa relação, no autoconhecimento da criança, no seu autocontrolo e regulação das suas emoções, como lhe permite a si, pai, conhecer mais o seu filho, os seus gostos e preferências, descobrir a palavra nova que ele já sabe dizer e poder ensinar-lhe outras novas, sem dar pelo tempo passar…

E até mesmo um momento rotineiro do dia pode ser especial e a criança pode tornar-se mais cooperante na realização dessas tarefas quando lhes adicionamos uma boa dose de diversão.

Sabe como tornar uma rotina divertida?

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Como envolver as crianças nas tarefas domésticas?

A participação das crianças nas tarefas da casa é algo que lhes dá prazer, pois gostam de imitar os adultos. Esta é uma forma de juntar o útil ao agradável.

Veja aqui as nossas dicas em vídeo sobre o envolvimento das crianças nessas tarefas, como limpar, aspirar, arrumar e cozinhar.

 

Aproveitem bem os dias para muitas brincadeiras com as crianças. Contem-nos como tornam o vosso dia-a-dia especial!

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Presentes de Natal: sabe dizer «não» aos seus filhos?

Presentes de Natal: sabe dizer «não» aos seus filhos?

 

Falta pouco mais de um mês para o Natal e as decorações alusivas à época já estão por todo o lado… assim como anúncios, promoções e apelos à compra antecipada dos presentes.

Para as crianças esta é uma época de magia mas, para os pais, pode ser um verdadeiro pesadelo no que toca a gestão de expectativas… e do orçamento familiar. A psicóloga Cláudia Morais explica-nos, numa entrevista esclarecedora, como é que pais e educadores devem lidar com a antecipação desta época… sem quebrar o encanto do Natal… e a conta bancária.

Leia mais: Como devem os pais explicar o divórcio às crianças?
Novembro ainda agora começou e os ‘alertas Natal’ estão por todo o lado. Quando é que se deve começar a falar de presentes e de que forma?

É possível falar de presentes de Natal durante o ano inteiro, desde que o façamos da forma certa. Aquilo que não faz sentido – em momento nenhum – é utilizar o assunto para subornar a criança, com o objetivo de a incentivar a “portar-se bem” ou a fazer as escolhas que gostaríamos que ela fizesse.

Os presentes de Natal são uma excelente oportunidade para aplicarmos a parentalidade consciente, desde que nos mantenhamos atentos aos nossos valores e às nossas genuínas intenções na educação dos nossos filhos.

Por exemplo, se escolhermos mostrar-lhes a importância do respeito pelas nossas próprias necessidades, o mais provável é que isso nos leve a gastar apenas aquilo que podemos, sem exageros.

Se quisermos mostrar-lhes o nosso amor incondicional, podemos explicar que esta é só mais uma forma de manifestação de afeto mas que não é a única e que muito menos está relacionada com o comportamento da criança. Os pais, o Pai Natal ou o Menino Jesus gostam de cada criança independentemente dos seus sucessos ou insucessos.

«É importante que reflitamos sobre a importância de dizer ‘não’»

Qual é a melhor forma de ensinar uma criança a escolher um presente? O que é que se deve explicar?

A escolha vai sobretudo traduzir os valores de cada família. Se, para os adultos, a aceitação social for mais importante do que qualquer outra coisa, o mais provável é que a criança seja incentivada – direta ou indiretamente – a escolher os presentes mais caros, como se o seu próprio valor dependesse disso.

Se o foco estiver no espírito de partilha, o mais provável é que os pais incentivem a criança a valorizar a intenção de quem oferece, mesmo que não receba exatamente aquilo que esperava.

É importante reforçar a mensagem de que o valor da criança é independente destas ofertas e que o amor que os adultos sentem não é mensurável pelo número de presentes.

Como é que se deve explicar às crianças o significado do Natal? e para quem não é religioso?

Talvez não seja por acaso que o Natal é celebrado por tantas pessoas que não têm qualquer papel religioso. O Natal é, sobretudo, uma grande oportunidade para se criarem rituais familiares, tradições que potenciem a união. É por isso que também é uma época que convida a alguma reflexão e que, de uma maneira geral, nos ajuda a ponderar sobre algumas escolhas e facilita a aproximação às pessoas que são importantes para nós.

Cada família tem os próprios valores e tradições e tem nesta altura do ano a possibilidade de refletir sobre aquilo que quer transmitir aos filhos. É importante que reparemos no facto de “explicarmos” o significado do Natal quer verbalmente, quer através das escolhas que fazemos.

E quando as crianças pedem presentes caros? Como é que se diz ‘não’?

É absolutamente natural que uma criança peça e deseje ter um presente caro. E também é natural que os pais e mães se sintam angustiados perante a impossibilidade de gastarem muito dinheiro.

Mas, mesmo que o orçamento o permita, é importante que reflitamos sobre a importância de dizer ‘não’ e sobre a importância de lidarmos, desde cedo, com a frustração.

Isso passa por ensinar aos nossos filhos que o nosso valor não se mede a propósito das coisas que possuímos, por mostrar-lhes que os nossos desejos não são as nossas necessidades e por conversarmos com eles sobre a importância de fazermos escolhas que traduzam as nossas intenções.

Perguntar ‘Para quê?’ pode ser desencadeador de algumas surpresas. ‘Para quê que eu quero isto? Para me sentir bem? Para agradar/ impressionar alguém? Para mostrar o meu valor?’.

Dizer ‘não’ não tem de ser dramático, sobretudo se se explicar à criança que essa escolha tem um propósito. Quando o pai ou a mãe escolhe não gastar mais do que determinado valor com um presente também está a ensinar aos filhos – de forma prática – a importância do respeito pelas próprias necessidades.

Leia mais: «Um adulto genuinamente atento consegue mais facilmente ‘descodificar’ e conhecer o seu filho»
Os avós/padrinhos/tios podem oferecer o que lhes apetece? Como fazer essa gestão sem ofender ninguém e sem que a criança fique ‘mergulhada’ em presentes?

Cada família tem as suas “regras” que, na prática, refletirão os seus valores e os seus laços. Se as relações familiares forem pautadas pelo respeito mútuo, o mais provável é que os adultos consigam chegar a acordo sem tensões.

O Natal também convida à flexibilidade, à paciência e à compaixão. Às vezes, os avós, os tios ou os padrinhos não têm propriamente a intenção de desrespeitar ninguém. Têm apenas a intenção de mostrar todo o seu amor. Os pais e mães têm sempre a oportunidade de, por exemplo, guardar alguns presentes e oferecê-los às crianças noutras alturas do ano com o objetivo de as ajudar a valorizá-los.

Cláudia Morais é psicóloga e terapeuta familiar
claudia morais psicologa
Cláudia Morais, psicóloga

Blog: http://www.apsicologa.com

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«Um adulto genuinamente atento consegue mais facilmente ‘descodificar’ e conhecer o seu filho»

Crescemos Juntos, de Inês Afonso Marques

 

Inês Afonso Marques, psicóloga clínica e psicoterapeuta infantojuvenil, lançou Crescemos Juntos, um livro que tem por objetivo inspirar pais e educadores para uma «parentalidade feliz».

Conversámos com a piscóloga sobre os desafios atuais da parentalidade e da importância da felicidade individual no papel da educação.

O que a impeliu a escrever o livro Crescemos Juntos?

Sou uma apaixonada pelos temas da parentalidade e, claro, a minha experiência clínica e o contacto diário com as famílias e com as suas necessidades, fez-me perceber que este livro poderia ser útil e fazer sentido a muitos pais.

https://www.instagram.com/p/BovyjMdnJNe/?taken-by=inesafonsomarques

No consultório recebo frequentemente pais cansados, desorientados, desesperançados; pais que se sentem pressionados pela velocidade dos dias, das exigências variadas e constantes, da dispersão da atenção e do tempo, das pressões sociais…

Pais que precisam de algumas orientações e “colo”, pais que, para além das orientações práticas enquadradas no desenvolvimento infantil, na psicologia e na pedagogia, manifestam alguma necessidade de “calibrar a bússola” da parentalidade, reenquadrar os valores em que acreditam e fortalecer a sua confiança.

Decidi neste livro recorrer a uma linguagem simples mas potencialmente impactante, com conteúdos tocam temas transversais a todos os pais: gestão emocional, brincar, desenvolvimento infantil, aprendizagem, bem-estar, valores, autonomia, autoestima e que resultam daquilo que a ciência, a investigação na área da Psicologia e da Educação nos diz, daquilo que as famílias com quem me cruzo me têm ensinado, assim como daquilo que a minha Família me tem ajudado a descobrir.

Porque é que este livro vai ajudar os pais / educadores?

Neste livro os leitores vão encontrar inspirações, ideias, exemplos, exercícios e algumas provocações que os convidarão à reflexão sobre a intensa e extraordinária missão que é a parentalidade. É um livro prático, para ser vivido diariamente e onde se pode ir escrevendo, tomando notas, registando reflexões, guardando outras preciosidades…

O livro possibilita que os pais se (re)foquem naquilo que mais valorizam na parentalidade, compreendam melhor os filhos e sintonizem emocionalmente com eles, fortalecendo laços emocionais que servem de base a um crescimento harmonioso e feliz.

Acompanhando o crescimento dos filhos de forma mais consciente desafio também os pais a uma viagem de autodescoberta e, logo, também de crescimento pessoal.

O tempo (ou a falta dele) é a aparente grande questão dos nossos dias, no que toca à disponibilidade para educar. Concorda?

Conhecendo as mais diversas realidades, há situações em que se almejaria efetivamente mais tempo passado entre pais e filhos. Nalguns casos é possível realizar alguns ajustes simples para que pais e filhos possam usufruir de mais tempo na companhia uns dos outros.

Em todo o caso, considero que o grande tema não é o da “quantidade” de tempo, é o da qualidade do tempo que é vivido pelas famílias. É evidente que vivemos grande parte dos dias em piloto automático, desconectados da realidade presente e desconectados uns dos outros, mas é possível abrandar e é possível que o tempo em família seja vivido com qualidade, em verdadeira relação…

Refeições com a televisão ligada, passeios de telemóvel na mão, pequenos-almoços no carro a caminho da escola não convidam aos laços afetivos.

Leia também: Como explicar o divórcio às crianças

Inversamente, colocar o despertador para 15 minutos mais cedo evitando correrias e possibilitando uma refeição mesmo que rápida em conjunto, alocar 15 minutos antes da hora de dormir a um momento de brincadeira ou conversa, em que não são válidas distrações (como loiça para lavar, emails por responder, mochilas para preparar, notícias para ver), deixar o telemóvel em casa ou no carro, numa ida ao parque ou ao restaurante, acrescentam imenso à satisfação da família.

A disponibilidade para se ser pai vai muito além da disponibilidade de tempo. Em grande medida a disponibilidade emocional é tão ou mais importante do que outra formas de disponibilidade.

O que é que é, em 2018, um bom pai/mãe?

“Não há pais perfeitos mas há pais que diariamente dão o melhor de si”. Esta é a inspiração número 1 do livro. Compreender esta dimensão é um excelente ponto de partida para qualquer pai/mãe.

E os pais que diariamente dão o melhor de si são pais que estão disponíveis, que genuinamente escutam os filhos, que estão atentos às necessidades dos filhos, que respeitam e valorizam as suas idiossincrasias, que dão espaço de segurança para que a expressão emocional e de pensamento ocorra, que usam o bom senso, que cuidam de si próprio. E que mimam muito!

Como é que as crianças ajudam os adultos a serem melhores pais?

As crianças são intrinsecamente genuínas e, nesse sentido, as mensagens que transmitem são puras. Apesar de, nas idades precoces, existir alguma limitação na capacidade linguística e na gestão emocional, as crianças conseguem de forma genial, recorrendo àquilo que lhe é mais fácil, nomeadamente o seu comportamento, transmitir aos adultos aquilo que pensam, sentem e necessitam.

Um adulto focado no momento presente, genuinamente atento, consegue mais facilmente “descodificar” e conhecer o seu filho, dando-lhe respostas que vão ao encontro das suas necessidades.

Os filhos desafiam os pais a pisarem “territórios” internos desconhecidos, a explorar limites pessoais e interpessoais, a conhecer novos estados emocionais e a descobrir novos mundos… E mesmo nos momentos desafiantes, de “crise”, há espaço para novas descobertas e para o crescimento pessoal. É precisamente para isso que remete o nome do livro. Crescemos Juntos relembra os pais da necessidade de reajustamento permanente que a parentalidade exige e para a consciência de que, ao ajudarem os filhos a crescer, também eles estão a crescer…

Quais são os principais desafios da parentalidade? E como podem ser ultrapassados?

Um dos grandes desafios têm a ver com o ritmo / agenda dos dias das famílias, como pouco espaço para encontros com significado emocional (embora eles estejam potencialmente sempre presentes, mesmo nos momentos de rotina como um banho, uma viagem de carro ou uma refeição).

O outro relaciona-se com a pressão externa e interna para “se ser o melhor”, pressão essa tantas vezes absorvida pelos miúdos. Há no livro também várias inspirações que convidam a reflexão sobre este tema.

Que peso tem a realização pessoal do adulto na felicidade da criança?

Um adulto realizado é um adulto tendencialmente mais apto e disponível para os outros e, naturalmente, para as crianças.

Considera que muitos pais ainda acham que é preciso abdicarem de si mesmos para poderem proporcionar bem-estar aos filhos?

Sim, observo muitas pessoas que acreditam ser necessário colocarem-se de lado, a si e aos seus projetos, para proporcionarem bem-estar aos filhos. Um pai pode ter que fazer alguns (ou muitos) reajustamentos mas não tem de deixar de ser a pessoa que é, nem de fazer aquilo que o satisfaz. Aliás o autocuidado é um dos ingredientes fundamentais para o equilíbrio emocional de qualquer pessoa. Um pai que descuida o seu autocuidado é um pai que estará em maior risco de burnout parental.

Leia também: Crianças e tecnologia – devemos por-lhes o tablet à frente?
De que forma é que se pode contornar isso?

Os pais não podem abdicar de si mesmos para proporcionar bem estar aos filhos.

Se pudesse dar conselhos a quem está a pensar ter um filho, quais seriam?

  1. Leia (e viva) o Crescemos Juntos.
  2. Cuide de si.
  3. Esteja disponível, com amor e curiosidade; fomente em si a flexibilidade e capacidade de adaptação a novos desafios.
  4. Delicie-se com o que aí vem e confie em si.
«Um adulto genuinamente atento consegue mais facilmente 'descodificar' e conhecer o seu filho» 2
Inês Afonso Marques, psicóloga clínica e psicoterapeuta infantojuvenil
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Inspiração neo-plástica e Cor

Pieter Cornelis Mondriaan, geralmente conhecido por Piet Mondrian foi um pintor Holandês modernista, sendo largamente conhecido por ter participado no movimento artístico Neoplasticismo.

 

Essa fase da sua obra, a mais popularmente difundida, caracteriza-se por pinturas cujas estruturas são definidas por linhas pretas ortogonais (o uso de diagonais induziria a percepção a ver profundidade na tela).

Essas linhas definem espaços que se relacionam de diferentes modos com os limites da pintura, e que podem ser preenchidos com uma cor primária: amarelo, azul e vermelho, decisão que mostra sua estreita relação com as teorias estéticas da Bauhaus e da Escola de Ulm, e que definem pesos visuais diferentes para esses espaços.

Os blocos de cor, pintados de modo fosco e distribuídos assimetricamente, reforçam a ideia de um movimento superficial que se estende perpetuamente, indicando que o pintor investia na percepção da sua obra como uma abstracção materialista e sem profundidade, criticando a pintura histórica enquanto produzia uma abstracção racionalista, espiritualista e sobretudo concreta do mundo. A sua obra continua a inspirar a arte, o design, a moda e a publicidade.

No Museu Colecção Berardo é possível admirar um óleo sobre tela do pintor holandês – Composition with Yellow, Black, Blue and Grey, 1923.

Uma das actividades realizadas na aula de Artes III da Gymboree – uma janela muito especial – teve como inspiração um quadro deste pintor.

O resultado: umas janelas, ou quadros, ao estilo neoplastico de Mondrian.

Em exclusivo no blog do Gymboree admiram-se as fascinantes obras de Arte dos nossos Artistas Ricardo e Diana.

 

Por Inês Afonso Marques, Psicóloga

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“(In)Consistências” por Inês Afonso Marques

“Não!” (Inconsistências)

 

Compreensivelmente, “é de partir o coração” ver uma criança choramingar, barafustar, refilar, insurgir-se quando se depara com a confirmação daquilo que previamente já tinha sido informada.

“Para irmos brincar no parque é preciso que antes arrumes os brinquedos que estão espalhados pelo chão do quarto dentro da caixa dos brinquedos.”

Face a uma possível resistência inicial por parte da criança, a tendência será para repetir “as regras do jogo”. A criança poderá querer continuar a testar até onde pode ir. Irá repetir as regras mas, desta vez, provavelmente, o tom da sua voz terá aumentando ligeiramente de intensidade e as regras já serão formuladas pela negativa.

“Se não arrumares já os brinquedos, não vamos ao parque.” Sem muito esforço ainda se acrescenta um “Não vais ao parque hoje, nem nos próximos dias!”

Contudo, como já está cansado daquela “disputa” e porque não quer ver o quarto desarrumado, tenta de novo.

“A mãe ajuda. Anda, trás lá essa peça.”

“Não. Já disse que não.”

Usa os seus últimos “pozinhos” de tolerância…

“Vamos arrumar o quarto e depois o pai leva-te ao parque.”

“Não. Arruma tu. És má”.

E vislumbra-se a cara de uma criança, de quatro anos, doce mas tristonha, inundada por um mar de lágrimas e salpicada com alguns soluços difíceis de controlar. E acaba por ceder…

“Pronto. Eu arrumo e vamos para o parque. Mas é só desta vez. Não chores mais”.

Resultado: mãe ou pai vencido e sem forças e criança que aprendeu que consegue dar a volta ao crescido. Certamente, tentará fazê-lo outra, outra e outra vez. Quantas mais vezes o adulto ceder, mais argumentos a criança terá para apresentar… Embora seja obviamente um caso caricaturado, ele espelha uma mensagem importante sobre uma forma de (in)consistência. Mesmo neste tipo de situação, aparentemente mais “simples”, é importante não voltar atrás. Qualquer criança precisa de previsibilidade nas suas vidas, para se sentir segura e confiante. Em última análise, a criança numa situação como esta, aprende que não pode confiar naqueles crescidos.

“Agora diz-me uma coisa e depois diz outra.” Por muito que faça sofrer… A criança sofre no imediato porque não faz o que quer e os pais sofrem porque desesperam ao ver o seu rebento desesperado.

A criança irá no futuro agradecer-lhe a sua coragem, a sua determinação e a sua consistência nos primeiros momentos de teste. Caso contrário, o mais provável será encontrarmos personagens “destes filmes” com 2, 3, 4, 5, 6,7,8 anos…

Adolescentes que não conhecem limites. Adultos com grande dificuldade em saber lidar com tropeções.

Um dos “segredos” na educação de crianças, felizes, chama-se consistência. Particularmente, consistência das práticas parentais.

Por Inês Afonso Marques, Psicóloga

 

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Bolinhas de Sabão para bebés

A magia das Bolinhas de Sabão

(Aceda à nossa oferta aqui)

O valor da herança associada ao brincar, atividade intrínseca ao crescer, é incalculável. Desde o simples “cu-cu”, passando pelas lenga-lengas acompanhadas de gestos, até ao mundo do faz de conta onde reina o pensamento simbólico, brincar é algo que flui naturalmente desde o nascimento, como uma forma privilegiada de comunicação entre o bebé e o mundo que o rodeia. E dessa comunicação surge o auto-conhecimento, bem como a construção de outros importantes pilares do desenvolvimento motor, cognitivo,
social e emocional do ser humano.

As bolinhas de “sabão” do Gymboree são especiais por vários motivos. A sua fórmula única cria centenas e centenas de bolinhas que flutuam no ar – e por lá ficam! Quando “aterram”, não rebentam facilmente e quando isso acontece as bolinhas dissolvem-se, não deixando as superfícies “ensaboadas”. Outra característica que as torna um ótimo parceiro de inúmeras brincadeiras é o facto de serem totalmente livres de químicos. Isto significa que são seguras quando em contacto com a pele ou mesmo com a boca dos mais pequenos. Usando a máquina num sentido e com sopros suaves faz bolinhas grandes, usando-a no outro sentido e com sopros rápidos e fortes faz imensas bolinhas pequenas.
Aperfeiçoe a Arte das Bolinhas com o seu filhote e divirtam-se durante horas. Numa primeira abordagem, e independentemente da idade da criança, ela necessitará de si enquanto modelo para a guiar no manuseio da máquina e do líquido, bem como na forma de conduzir algumas animadas brincadeiras.
Mesmo antes da criança ser capaz de brincar de forma autónoma com estas bolinhas, a partir dos 3 meses, o bebé está pronto para assistir ao espetáculo das pequenas esferas fascinantes e com elas aprender alguns conceitos – como a noção de causa e efeito.
Por volta dos 18 meses uma criança já possui algumas competências de motricidade fina e capacidade de coordenação olho-mão, possibilitando-lhe experimentar o seu talento nesta Arte.
E como para fazer bolinhas é necessário soprar…

Vamos começar por treinar o sopro?

Enquanto troca a fralda ao seu bebé, sopre gentilmente sobre o seu corpo. Nas mãos, na barriga, nos pés, no pescoço… Desta forma, ajudará o bebé a desenvolver consciência corporal. Conte ainda com o despoletar de alguns sorrisos!

Para crianças mais crescidas, poderá ajudá-las a tomar consciência do sopro, incentivando-as a fazê-lo contra as suas próprias mãos: sopros fortes e sopros fracos.
Depois deste treino inicial, preparados para a animação? “POP, POP, POP”

Cortina de bolinhas (a partir dos primeiros meses)

Na infância, para muito bebés e crianças estar simplesmente no meio de uma cortina de
bolinhas brilhantes, leves e esvoaçantes é algo que lhes dá imensa alegria. Observar bolinhas a voar pelo ar fortalece competências visuais como a capacidade para seguir com o olhar um objecto ou a noção de profundidade e, quando tentam alcançá-las, treinam competências de coordenação olho-mão, que mais tarde serão importantes para aperfeiçoar a motricidade fina. Ao conseguir rebentar as bolinhas, o bebé começa a compreender que os seus gestos têm impacto no mundo que o rodeia, e inicia a aprendizagem da noção de causa e efeito – quando toca um objecto aparentemente sólido ele pode rebentar. São as suas primeiras lições de Física.

Música
(Ritmo: Pouring, pouring)
Bolinhas, bolinhas.
Estão a chover bolinhas.
Com o meu dedo vou rebentar
E continuar a brincar!

Chuva de Bolinhas (a partir dos 2 anos)

Faça muitas e pequenas bolinhas sobre a cabeça do seu pequenote. São gotas de chuva! Sugira-lhe que tente apanhar ou rebentar as bolinhas enquanto estão no ar. Com a mão. Depois só com um dedo. Que tal o dedo mindinho? E com o cotovelo? A bater palmas ou com os pés? Estes exercícios desenvolvem o equilíbrio e a coordenação. Estimulando as competências linguísticas da criança, conversem sobre a experiência. O que acontece quando tocamos uma bolinha? Quais são mais fáceis de apanhar? Grandes ou pequenas? No chão ou a voar? Qual a sensação de tocá-las? Parecem cócegas ou beijinhos?
Poderão também usar um copo de papel para recolher as gotas de chuva (bolinhas) que “caem” e em seguida usar esse copo cheio de “água” para regar as flores de um jardim imaginário. Ou as bolinhas poderão transformar-se numa praga de mosquitos que é necessário afastar. O que sugere o seu filhote?
Este tipo de brincadeira, que apela à imaginação, é fundamental para o desenvolvimento do pensamento simbólico, para a auto-regulação e para a criatividade. Ao experimentarem uma variedade de símbolos, ideias e relações, através da brincadeira, a criança está a desenvolver ferramentas que lhe serão muito úteis para encarar desafios futuros. E a descoberta do mundo faz de conta é um verdadeiro ensaio para o mundo real!

Nuvem de Bolinhas (a partir dos 3 anos)

O que é mais divertido do que uma bolinha de sabão? Uma irresistível nuvem de bolinhas cintilantes! Ajude o seu filho a fazer o máximo de bolinhas que conseguir durante 15 segundos. Ao fim desse período de tempo, troque a máquina Bubble Oodles por uma palhinha e peça à criança que use a palhinha para soprar mantendo-as bem alto, “perto o céu”, e sem rebentarem. A concentração tem de ser elevada. Ao fim de algumas tentativas a tarefa tornar-se-á mais fácil para a criança. Reforce cada conquista. A criança irá sentir-se competente e confiante para abraçar novos desafios. E se alargar o convite a alguns amigos do seu filho? Encoraje a cooperação, estimulando-os a tentarem manter a nuvem de bolinhas bem alta, usando para isso, cada criança, uma palhinha. Prepare-se para ouvir muitas expressões de contentamento à medida que as competências sociais das crianças se vão fortalecendo com esta alegre brincadeira.

(Ritmo: Frère Jaques)
Pequenas bolas, pequenas bolas.
A voar, pelo ar.
Olha as bolinhas
Leves e redondas
A voar, pelo ar.

Voilá! Uma obra prima! (a partir dos 4 anos)

As crianças divertem-se imenso com bolinhas de sabão gigantes. É possível criá-las
substituindo a máquina das Bubble Oodles por um grande cone construído a partir de cartão resistente ou de folhas plastificadas. Depois de deitar uma pequena quantidade de liquido num prato de plástico, mergulhe nele a ponta mais larga do cone e retire o excesso. Em seguida, será necessário um sopro forte e, com um rápido movimento de rotação do pulso, surgirá a flutuar uma incrível bola gigante. Poderá depois permitir que a criança experimente e vá aperfeiçoando a sua técnica.

Independentemente da brincadeira, os pais são para as crianças os seus mentores de
eleição. Por isso, deixamos aqui algumas ideias para se inspirar. Depois, deixe a criança
acrescentar alguns ingredientes mágicos do seu imaginário. Mostre à criança que o que ela tem a dizer é importante. A animação será garantida!

Por Inês Afonso Marques, Psicóloga