Brincar é Aprender

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BRINCAR É APRENDER

Hora da pintura livre.

Uma folha branca no espelho, uma paleta de cores vivas, um pincel
na mão de cada criança, um potencial criativo infindável. Divertidas, as crianças animam a
folha branca, enquanto descobrem as cores que se vão misturando, dando forma à sua
inspiração daquele dia. Naquele dia ouve-se música latina. A forma como pintam, reflete como
se sentem. De repente ouve-se um “uuiiiiiii” e a Madalena dá um salto coordenado com uma
longa pincelada na sua obra de arte. Segundos depois, quase como um eco, soa um tímido
“uiii” e a Diana salta enquanto o pincel desenha uma linha lilás na folha de papel. “É a minha
cor preferida!”, diz orgulhosa. Instantes depois, a Diana salta e “poc poc poc” – o pincel
transforma-se numa espécie de carimbo. Novo eco e a Madalena experimenta a nova técnica.
A sala está repleta de pequenas bolinhas de “sabão” a voar pelo ar. Um coro de mães,
pais, avós e crianças entoam algumas canções. “Rebentei uma bolinha com o meu nariz!”, diz
o Sebastião contente. A Margarida observa-o atentamente, rebentando timidamente, junto da
mãe, as bolinhas que a envolvem. “Outra com o nariz!” grita contente o Sebastião. A Margarida
corre e POP: “Mãe, rebentei uma bolinha com o meu nariz!” Nos momentos que se seguem,
sente-se a alegria criada por aquele encontro social. Sem trocarem palavras, continuam
atarefados em perseguir as leves bolinhas. Sorriem como cúmplices.
Lado a lado, brincam durante longos períodos. Parece que os seus olhares não se
encontram. Contudo, reproduzem padrões e sequências de comportamento que observam.
Lado a lado, aprendem com o outro. É a brincadeira paralela.

De brinquedo a ferramenta social

Agarrar, sugar, abanar, empurrar. Inicialmente, os brinquedos e objetos do mundo são
desafios exploratórios. É comum observarmos uma criança de um ano, segurar na sua mão,
um objeto que lhe é desconhecido e observá-lo atentamente como se pensasse: “O que é
isto? Para que serve? Faz barulho? A que sabe?” Experimenta e, por processos de tentativa e
erro, procura conhecer o mundo que a rodeia, começando a compreender que as suas ações
podem causar impacto. “Se bater com uma bola noutra bola faço um barulho engraçado! E a
minha mãe até se ri.”
Mais tarde, os brinquedos e as brincadeiras começam a assumir uma função social. Foi o
que aconteceu naquela aula de Gymboree, entre o Sebastião e a Margarida, e naquela aula de
Artes entre a Madalena e a Diana. Cenários que se repetem nas aulas que as crianças
partilham no Gymboree. Cenários que se repetem, diariamente, no palco da vida dos mais
pequenos!

Brincadeira faz de conta, aprendizagem real

Os brinquedos surgem, também, como ferramentas essenciais à brincadeira imaginativa.
O pequeno cubo vermelho deixa de ser apenas um objecto para fazer construções. Ele pode
tornar-se na caixa de iogurte para o lanche, numa pedra que está no caminho, ou mesmo no
caranguejo que passeia à beira mar. Um lenço, leve e esvoaçante, pode transformar-se nas
asas de uma colorida borboleta, numa mangueira do carro dos bombeiros, no peixe que nada
no lago.
Embora a capacidade para fazer de conta surja mais cedo, é por volta dos três anos que
a brincadeira simbólica se torna mais sofisticada, assistindo-se a uma complexificação do
pensamento da criança que já é capaz de estabelecer relações lógicas entre as suas ideias. A
criança tem agora oportunidade de praticar papéis característicos dos mais crescidos,
reproduzindo acontecimentos ou rotinas que lhe são familiares. Enquanto prepara um chá para
a mãe, leva a boneca ao médico ou finge ser a professora da bonecada, a criança está a
preparar-se para aventuras futuras.
Acompanhando esta forma de brincar, crescem as competências de linguagem
expressiva. Para apoiar o seu filho nesta etapa do seu desenvolvimento, envolva-o numa
conversa enquanto ele expressa a sua capacidade de pensamento simbólico. Pegando numa
pequena bola amarela a criança diz “É um ovo.” Pergunte-lhe onde o comprou ou que vai fazer
com ele. “Um bolo? Então e de que outros ingredientes iremos precisar para fazer a massa do
bolo?” Acolha as ideias da criança e integre-as no vosso diálogo. Desta forma a criança irá
usar competências cognitivas, como a resolução de problemas (que ingredientes precisamos
para fazer um bolo) e competências sociais, na assunção de outra perspectiva (como é que um
pasteleiro faz os bolos?)

Divirta-se em casa!

Para fomentar a curiosidade e as competências auditivas do seu bebé, construa
chocalhos. Acrescente diferentes conteúdos a algumas caixas de plástico. Poderá usar
massas, pequenos blocos de madeira, colheres, pedaços de papel… Explorem em conjunto os
diferentes sons produzidos.
Para estimular o pensamento simbólico e a criatividade do seu pequenote, faça uma
encomenda de sanduíches. Corte 10-15 quadrados (mais ou menos do tamanho de uma fatia
de pão), de diferentes cores, a partir de bocados de tecido. Diga: “Vou fazer uma sanduíche” e
empilhe alguns quadrados. Finja comê-la. Veja como a criança reage. Ela também quer comer
ou fazer uma sanduíche para si? Faça um pedido especial com os seus ingredientes
preferidos.
Oportunidades para brincar são verdadeiras oportunidades para aprender.

Inês Marques

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